Três últimas notas sobre Israel e Palestina

Israel e Palestina · 11/02/2009 - 04h10 - 149 Comentários

Balanço eleitoral

O Kadima venceu mas não levou. A vitória nas eleições israelenses foi dos partidos de direita que, no conjunto, fizeram entre 63 e 64 cadeiras das 120 no parlamento. O temor de que o partido racista Yisrael Beiteinu fizesse 20 cadeiras não se concretizou – fez provavelmente 14, não longe dos Trabalhistas, com 13.

O presidente Shimon Peres terá de convidar ou Benjamin Netaniahu ou Tzipi Livni (respectivamente, Likud e Kadima) para liderar a formação de um governo. A princípio, não há motivo para que Netaniahu aceite Livni como premiê. Se ele mantiver o controle do bloco de direita, ela não tem como formar um gabinete com a maioria mais um dos parlamentares.

Que pensam os palestinos?

Alguns de vocês questionaram minha afirmação de que o conflito em Gaza teria fortalecido o Hamas. Minha fonte era Gideon Rachmand, editor de internacional do prestigioso jornal britânico The Financial Times. Mas é possível que quem me questionou estivesse certo.

Um de vocês me chamou a atenção para a última pesquisa do Centro Palestino de Opinião Pública (4 de fevereiro), que indica um cenário mais equilibrado. Quase 55% dos palestinos consideram que Israel é responsável pela guerra. Parece surpreendente que quase metade culpe seus próprios pelo conflito. 51,3% dos palestinos consideram que o Hamas está levando sua nação na direção errada e 46% têm esta opinião a respeito do Fatah.

Pesquisas são coisas delicadas. Não conheço o Centro. Alguém o conhece? Sempre há a possibilidade de ser financiado pelo Fatah e ser um instrumento de propaganda. Assim como pode ser uma instituição de todo isenta e séria.

Se for, pinta um cenário bem mais complexo. 42% dos palestinos consideram que Barack Obama pode trazer paz para a região.

Incidente diplomático no Reino Unido

Na segunda-feira, o chefe do departamento do Sul Asiático da Chancelaria britânica foi preso por ‘intolerância religiosa’. Rowan Laxton teria dito ‘fucking Israelis, fucking Jews’ (tradução não literal: israelenses de merda, judeus de merda) enquanto assistia o noticiário na academia de ginástica da London School of Economics. Os outros presentes pediram que se moderasse, ele continuou exaltado.

Solto sob fiança. Laxton não é o responsável pelo Oriente Médio, mas estão sob seu comando os embaixadores de países como Afeganistão, Paquistão e Índia, onde o conflito entre Israel e Palestina tem repercussões. Embora seja honesto dizer que o Foreign Office britânico tem um histórico pró-árabe, o atual chanceler é judeu.

É um incidente embaraçoso embora não tão grave – provavelmente será afastado de seu cargo. O curioso é a aposta que circula na blogosfera britânica. Os jornais Daily Telegraph e The Times deram a notícia. The Independent, The Guardian e a BBC, considerados de centro esquerda, ainda permanecem mudos sobre o incidente.

É um diplomata em cargo importante. Não há dúvidas de que é notícia. Mas fica parecendo que os (bons) jornais estão misturando linha editorial e noticiário, pecado grave na imprensa.

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