Israel vai às urnas e um cenário de
pesadelo se arma para quem busca a paz

Israel e Palestina · 10/02/2009 - 05h08 - 77 Comentários

Pouco mais de cinco milhões de israelenses estão votando neste momento e aproximadamente um milhão estão indecisos. O regime é parlamentarista: os votos são para deputados e o partido que eleger mais deles será convidado pelo presidente Shimon Peres a formar o governo.

O Likud, de direita, liderado por Benjamin Netaniahu, está à frente nas pesquisas, com aproximadamente 25% dos votos. O Kadima, de centro, do atual premiê Ehud Olmert e liderado por Tzipi Livni, está logo atrás, com 22%. O tradicional Partido Trabalhista tem parcos 14%.

Para formar um governo, o vencedor terá que fazer acordos com partidos o suficiente para garantir metade mais um dos votos no parlamento, o Knesset, que elegerá sua 18a legislatura. E aí está o maior problema.

Um dos mistérios do resultado de hoje é se o Kadima conseguirá ultrapassar o Likud, por certo. Mas o mistério maior é com o terceiro colocado desta disputa: o partido de extrema-direita Yisrael Beiteinu, liderado por Avigdor Lieberman. Racista, anti-árabe, periga chegar bem próximo dos 20% dos votos e será uma grande força no Knesset.

Lieberman está sendo investigado pela polícia por um escândalo de corrupção envolvendo a aprovação de um cassino em Jericó. Ele era ministro do então governo Ariel Sharon quando teria recebido o dinheiro. (Sharon, em coma há anos, foi condenado por ter recebido suborno de 3 milhões de dólares no mesmo caso.)

Mesmo que o Kadima consiga ultrapassar o Likud, parece inevitável que Israel tenha um governo que tenda à direita. O melhor cenário é uma aliança entre Likud, Kadima e Trabalhistas.

No outro lado da fronteira, nos territórios do futuro Estado palestino, a população assiste a tudo indiferente. Também lá os mais radicais estão bem politicamente. Após o bombardeio seguido de invasão a Gaza, o Hamas está em alta. Até na Cisjordânia a população o tem em boa conta. Há dois meses, o cenário eleitoral era completamente distinto. Para quem espera por paz, o pesadelo é exatamente este: um governo chefiado pelo Likud e sustentado pelo Yisrael Beiteinu de um lado, com o Hamas pelo outro.

Enquanto isso, Ehud Olmert, em seus últimos dias de governante, parece ter enfim acertado um esquema com o Hamas para trocar prisioneiros pelo soldado seqüestrado Gilad Shalit. Já cedeu, informa a imprensa, que até prisioneiros considerados terroristas perigosos estão na mesa de negociação.

Se era para chegar a esta conclusão, poderia ter sido bem mais cedo. Teria contribuído para poupar um milhar de vidas.

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