Bolívia: Arábia Saudita do Lítio

América Latina · Energia e Aquecimento global · 4/02/2009 - 00h01 - 122 Comentários

Deu no New York Times.

Na pressa de construir a próxima geração de carros elétricos híbridos, um fato se impõe perante a indústria automobilística e os governos que buscam independência do petróleo: quase metade do lítio do mundo, o mineral usado na confecção de baterias para os carros, é encontrado na Bolívia – um país que não vai vendê-lo com facilidade.

Empresas do Japão e da Europa estão trabalhando duro para conseguir contratos que lhes permitam exploração do recurso, mas um sentimento nacionalista com relação ao lítio está tomando o governo do presidente Evo Morales.

As reservas de gás bolivianas estão nas províncias próximas ao Brasil, onde vivem aqueles que Evo Morales costuma chamar de elite branca. A nova Constituição dá alguma autonomia às províncias. O lítio, por outro lado, está na terra ocupada pelos índios. São eles que ditarão as regras de quem, como e quando vai explorar o mineral.

É uma estupenda oportunidade para a Bolívia – mas o país corre o risco de jogá-la pela janela.

As baterias mais duráveis são, sim, feitas à base de lítio. Hoje, existe uma grande indústria no mundo que funciona a base de petróleo e gás. Ainda não existe uma grande indústria que depende do lítio. Mas pode vir a haver. Uma quantidade imensa de dinheiro só será investida nessa possível nova indústria por EUA, Japão e Europa se todos tiverem certeza de que terão lítio à disposição e uma noção razoável de quanto ele custará.

Aí entra a delicada tarefa de Evo Morales. Por um lado, ele não pode, e não deve, entregar um recurso natural de seu país de mão beijada para a exploração estrangeira. Por outro, deve agir como homem de negócios responsável. Deixar claras as regras e os custos claros. Não deve ameaçar ninguém. Se não tiver condições tecnológicas de fazer a exploração com uma empresa estatal, deve firmar contratos com quem souber fazê-lo.

A questão, no fundo, é a seguinte: em algum momento nos próximos anos, uma série de decisões a respeito de combustíveis alternativos serão tomadas. Investir pesadamente em alternativas a baterias de lítio é uma opção. Se Morales parecer instável demais, continuará sentado sob uma quantidade imensa do mineral e quase ninguém estará interessado. Há uma alternativa.

Infelizmente, se a história recente da Bolívia é guia, Evo Morales muito provavelmente a jogará fora.

Atualização – O Hermenauta escreveu mais sobre o assunto.

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