Entre jornais e blogs
Não é sempre que alguém traz algo novo para uma discussão antiga. Também é raro que, com um raciocínio bastante simples e claro, alguém explique uma relação complexa que é vista pela maioria de forma estereotipada.
Pois de uma só tacada Sergio Leo explica como funciona a imprensa por dentro, diferencia blogs da imprensa e os independentes e ainda comenta a relação entre grupos de mídia e blogueiros. Trecho:
Os jornais são, como dizia Althusser, aparelhos ideológicos de Estado, e estão imersos no jogo de forças da sociedade. Sujeitos aos humores do poder econômico, mas subordinados aos interesses de seus leitores. Por isso é ridículo falar de midia golpista, generalizar as acusações, condenar a imprensa in totum. Cabe, sim, denunciar os momentos em que os jornais e emissoras rompem o compromisso com a ética, com a propalda imparcialidade jornalística.
E aí entram os blogues, que, diferentemente do jornalismo tradicional, são mecanismos de comunicação de massa dos cidadãos, de aglutinação de interesses comuns, de manifestação de grupos sociais.
Blogues e imprensa não são antípodas, nem sequer adversários. São complementares, e cabe aos blogueiros perceber essa responsabilidade. Que não é a de indispor seus leitores contra uma das armas da democracia, que é a midia, mas a de vigiá-la, e apontar seus erros, para evitar que sirvam apenas de instrumento a interesses dos poderosos.
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Me desculpe, mas ô meiozinho corporativista é o jornalismo…
Melhor dizendo…
Me desculpe, mas ô meiozinho corporativista que é o jornalismo…
Ainda estou lendo os comentários no último post sobre a fundação de Israel. Muito bom, com um nível de debate que há muito não vejo no blogue. Depois deixo minha opinião.
Esse post
Os caras querem que o resto da humanidade finja que acredita que jornalista não tem interesses, que veículo de imprensa não tem dono…
Ainda estou lendo os comentários no último post sobre a fundação de Israel. Muito bom, com um nível de debate que há muito não vejo no blogue. Depois deixo minha opinião.
Esse post de Sérgio Léo está muito bom, ele consegue realmente dizer o óbvio que ninguém que ver. Mas, infelizmente, o Brasil é um país de partidarismos e corporativismos, onde é mais importante possuir um diploma do que entender o assunto sobre o qual se escreve.
@ Rodrigo,
Se fosse somente o jornalismo, seria bom….
PS: PD, pode apagar o post de cima.
Interesse e corporativismo tem em todo lugar. Bom post do Sérgio Léo! Afinal, a maioria dos blogs “linka” notícias de grandes jornais online em seus posts.
Uma pena não haver a possibilidade dos jornais “linkarem” uns ótimos posts da blogosfera. hehehe.
“Interesse e corporativismo tem em todo lugar.” INFELIZMENTE, diga-se de passagem…
Tá ok, interesse e corporativismo tem em todo lugar. Então beleza?
Oi, Pedro!
Bacana essa análise que o Althusser faz em relação a imprensa e os blogs. Eu, no entanto, vou mais além nesse conceito, e acredito que ambos são mídias - porém cada um pratica a informação em formatos diferentes.
Abraço,
=]
——————-
http://cafecomnoticias.blogspot.com
Rodrigo, na boa? Eu já perdi há algum tempo o interesse de defender patrão… só que um jornal é um bicho muito mais complexo do que o estereótipo do produto manipulador faz parecer.
As pessoas passam o dia todo debatendo, dentro de uma redação, sobre o que tem que sair, com que enfoque, com que destaque. Há, sim, em 95% dos casos, um esforço por buscar a isenção. E, às vezes – caso do aquecimento global – chega-se à conclusão de que ‘ouvir os dois lados’ não é necessariamente do interesse do leitor ou mesmo isento…
É claro que o patrão tem opinião. É para isso que existem editoriais. E os editoriais são bastante claros na manifestação desta opinião. E quem trabalha com editorial não mexe na parte noticiosa e vice-versa.
Agora, enfim… é claro que vc pode olhar para o bicho como um exercício de poder, uma tentativa de influir indevidamente na política etc.
De minha parte, de ter visto muito e muito a salsicha ser feita, sem nenhum ranço corporativista, acho que nem sempre é bonito mas um país é sempre melhor quanto mais os jornais que estiverem circulando.
um país é sempre melhor quanto mais os jornais que estiverem circulando.
Concordo plenamente. E por isso mesmo é triste ver que o Brasil, com esse tamanho e essa quantidade de gente, tenha apenas três jornais.
Rodrigo #8, (ignore a falta de acentos, por favor).
Beleza nao, cada um tem que fazer a sua parte para que isto deixe de ser um mal comum. Os blogs sao ferramentas de liberdade de expressao sem um editor que te imponha sancoes e limitacoes criativas, por exemplo. Nao sou jornalista ou reporter, falo como leigo.
Sou servidor publico e em minha empresa, o “corporativismo” dos funcionarios eh contra a diretoria que lhes impoe pessimas condicoes de trabalho. O interesse da classe eh em melhoria para a empresa, uma luta focada na empresa em si e nao em todo o Governo, no caso. Nao vejo isso como sendo o interesse e o corporativismo pejorativo comentado anteriormente.
Alguma sugestao para combater este corporativismo?
Djalma Toledo? Quem é Djalma Toledo?
Bom PD, sem querer ser chato, não acho que atualmente a opinião do patrão esteja restrita aos editoriais…
Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que o comentário acima era para ser postado no consagrado blog da companheira carla rodrigues. Por engano, já que além de uma certa dificuldade de leitura que sempre tive, agora a minha vista aos 94 anos pouco vê e por isso acabei por postá-lo no lugar errado. Portanto, companheiro pedê, se quiser pode deletar o dito cujo.
Muito obrigado
Darw, o companheiro Josef Mario tá com Alzheimer em último grau. Publicou aqui o que ele queria ter publicado no blog da Carla Rodrigues, onde o Djalma Toledo bate ponto…
Mas apesar do Alzheimer, o companheiro ainda digita rápido…
(agora numa máquina com acentuação =) )
Também não entendi o #13
André
Se os jornalistas admitissem que os veículos de imprensa têm dono já seria um bom começo.
Meu Deus, tem que ser algo mais grave que Alzheimer. Confundir o Weblog com o blog da Carla é algo sem explicação…
Odeio essa rede lenta, deste lugar… cheguei atrasado à resposta ¬¬
Caraca, o josef mario tá misturando os comentarios?!?!
será que ele escreveu algo pro PD lá no Contemporanea?
huahua
A imprensa brasileira anda tão dependente da “graninha” governamental que esperar imparcialidade dela é o mesmo que esperar pelo dia de São Nunca.
É estranho como políticos que dizem defender e amar a democracia (e estão no poder) praticam abominações contra a liberdade de imprensa e de expressão e sequer uma única linha é lida, vista ou falada na “grande imprensa”.
Exemplos estão por aí
Entendo, Rodrigo.. mas alguém acha/acredita que existe informação sem interesse? Digo, zero de interesse?
Inclusive na internet, onde pode ou não haver “patrão”..?
Pedro Dória, não vou discordar de você, já que eu nunca estive numa redação. Mas se na grande imprensa em 95% dos casos existe uma busca por imparcialidade, então o esforço está sendo inútil ou está sendo aplicado apenas em temas menores.
Prezado companheiro bolivariano Josef Mario,
isso é que dá ficar com um monte de abas abertas ao mesmo tempo ahahaah
cuidado pra isso não se repetir com namoradas e afins…
Há uma outra questão dentro da questão bem colocada pelo Sergio Leo:
- O modelão de custos da grande imprensa tá em xeque. Ou eles mudam, ou afundam. Mais ou menos como no mercado de discos e dvds. Precisam achar um caminho diferente. Se vão sobreviver? Não sei, só sei que se sobreviverem será num modelo bem diferente do atual. Seja em grandes jornais impressos como nos televisivos. Fui numa palestra super interessante ano passado do Michael Rosenblum (tem blog e site). Comparava as empresas de hoje, da informação, com as empresas de gelo antes do aparecimento dos refrigeradores. Havia um enorme mercado, cortavam o gelo, estocavam, entregavam. Havia navios para transportar gelo para outros países. De uma hora pra outra… ok, demora um pouco, ainda há uma sobrevida. Mas que vai mudar, vai. Acredito nisso.
Os leitores é que ganham com o aparecimento de blogs profissionais. Há mais liberdade. Mais notícia, mais opinião. O exercício passa a ser o filtro.
Rodrigo, no momento, o patrão está mais preocupado com conseguir sobreviver do que em manobrar politicamente.
Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que este comentário do companheiro sergio leo é de uma obviedade ululante. O pior de tudo é esta citação feita ao companheiro althusser que, francamente, para mim, josef mario, é um ilustre desconhecido e, sinceramente, espero que continue a sê-lo.
Muito obrigado
Os blogs são mecanismos de comunicação de massa dos cidadãos? Mas aí ele viajou legal…
André 25
Boa pergunta, mas a questão não é se as pessoas sabem ou não da veracidade do que lêem. A questão é sobre a crítica à crítica.
PD
Eu ia perguntar para você o que será que estes patrões serim capazes de fazer para sobreviver.
Mas vamos ver
O post de S. Leo é controverso, mas muito interessante. Infelizmente, ele não entendeu Althusser — se ele seguisse corretamente a lógica do conceito de AIE (aparelho ideológico de Estado), isto é, se os jornais fossem um AIE, a lógica do argumento seria bem diferente, na verdade, o contrário do que disse. Se ele tivesse utilizado a noção de “aparelho de hegemonia” de Gramsci, teria sido mais coerente. Mas seria pedir demais…
“Blogues e imprensa não são antípodas, nem sequer adversários. São complementares, e cabe aos blogueiros perceber essa responsabilidade. Que não é a de indispor seus leitores contra uma das armas da democracia, que é a midia, mas a de vigiá-la, e apontar seus erros, para evitar que sirvam apenas de instrumento a interesses dos poderosos.”
Os blogs apontam os erros da imprensa há muito tempo. A FSP inclusive paga um Ombudsman para apontar os seus erros. O problema é que apontar os erros da grande mídia parece inútil. Não faz parte da cultura brasileira aceitar críticas. Os jornalistas criticados normalmente respondem com agressões e ataques aos críticos.
O medo de ser expulso da panelinha ainda reforça o que há de pior no corporativismo.
Você tem razão Artur, mas nunca é pedir demais para que um jornalista melhore o que andou escrevendo. GRamsci é bem mais interessante que Althusser, e mais apropriado para o que queria expressar. Contaminei-me pelas discussões marxistas da faculdade e acabei incorporando o termo althusserianoq uadno, na verdade, minahs simpatias estão mais com o italiano. O Gramsci, não o Battisti, por favor.
Para quem não acompanhou o lance, mando ele em câmera nem tão lenta: o velho Althusser, que acabou matando a esposa, o que mostra como é pouco confiável, via a imprensa como uma extensão ideológica do Estado, da ideologia dominante, e só a conquista do estado permitiria mudar o modo de ser da imprensa, por exemplo; Gramsci defendia que não, que o jogo de forças pela hegeminia social também se dava dentro desses aparelhos, como a midia, e que seria possível, sim travar a luta dentro do Estado.
Falei muita besteira, Artur?
Pedro Doria, pegue os diferentes ombudsmans da Folha. Eles de forma recorrente apontaram que a folha privilegia josé serra e o psdb em seu noticiário, quando comparado com lula e o pt. E o que acontece? Nada. O jornal repete os mesmos erros, como os mesmos personagens e vem um novo ombudsaman e repete a crítica. É uma hipocrisia que já virou cinismo. Então, não há possibilidade de crítica construtiva com a grande mídia, que sistemanticamente manipula as notícias. É preciso denunciar e criar um sistema alternativo.
Jorge: Mas, veja, é a própria Folha que contrata os ombudsmen e publica suas críticas para que todos os leitores tenham conhecimento.
Espero que não considere off-topic, mas achei sensacional:
UMA ENTREVISTA IMPERDÍVEL
http://br.youtube.com/watch?v=IZGTV6FbBXM&feature=related
(achado no blog do Reinaldo Azevedo)
Certíssimo, grande S. Leo, aprendeu mais do que a lição, pois já está ensinando-a (hehe). Longe de mim em dizer que vc falou besteira. Pessoalmente, acho a noção de “aparelho de hegemonia” bem mais fecunda do que a de AIE e concordo com sua explicação. Mas ainda acho que o estruturalismo althusseriano pode ser interessante e aproveitado (o caso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, por exemplo, que aproveitam o estruturalismo marxista de forma crítica). E, se não me engano, lembro que o cabra matou a esposa num acesso de loucura. Foi internado. Tinha surtos psicóticos. Algumas vezes, é preciso ser muito doido pra filosofar e pra… matar.
Sim Pedro, é a Folha que paga o ombudsman para até mesmo criticá-la. E daí? Isso é satisfatório? A crítica pela crítica? Não parece mais um modo de legitimar uma prática que os donos não têm interesse em mudar? Tipo: “nós erramos, mas falamos que erramos, como nós somos honestos”. E daí?
Outra coisa: para mim a auto-censura é o problema central da grande imprensa. Você fala que não existe interferência direta nas redações. Francamente, você acha que precisa? Você experimentou alguma vez publicar algo que vá radicalmente contra a opinião do Estadão, sabendo que isso pode lhe custar o emprego e que você tem filhos, precisa comer, precisa sobreviver? As questões são bem mais complexas. Não precisa haver alguém na redação dizendo o que deve ou não ser publicado para haver restrições graves. O sistema em si é restritivo pacas! Abraço.
Da Série : depois de ler o abaixo dá para confiar no que disse Althusser á respeito de jornais, ou qualquer outra coisa?
” Após a morte de seu pai, Althusser, sua irmã e sua mãe se mudaram para Marseille, onde ele cresceu. Em 1937 ele se uniu ao movimento da juventude católica. Althusser era um aluno brilhante, sendo aceito no prestigiado École Normale Supérieure (ENS) em Paris.
Entretanto, ele não pôde freqüentar a escola, pois estava convocado para a Segunda Guerra Mundial e, como a maioria dos soldados franceses, ficou aprisionado em um campo de concentração.
Althusser era um prisioneiro relativamente feliz, permanecendo no campo até o final da guerra, ao contrário dos demais soldados, que fugiram para lutar - motivo pelo qual Althusser se puniu mais tarde.
Após a guerra, finalmente Althusser pôde freqüentar a École Normale Supérieure.
Entretanto, sua saúde mental e psicológica estava severamente abalada, tendo, inclusive, recebido a terapia de eletrochoques em 1947.
A partir de então, Althusser sofreu de enfermidades periódicas durante o resto de sua vida. A Ecole Normale Supérieure foi simpática a sua condição, permitindo que ele residisse em seu próprio quarto na enfermaria, onde ele viveu por décadas, a não ser em períodos de internação hospitalar.
Marxista, filiou-se ao Partido Comunista Francês em 1948. No mesmo ano, tornou-se professor da Ecole Normale Supérieure.
Em 1946 Althusser conheceu Hélène Rytmann, uma revolucionária de origem judaico-lituana, oito anos mais velha.
Ela foi sua companheira até 16 de novembro de 1980, quando foi estrangulada pelo próprio Althusser, num surto psicótico.
As exatas circunstâncias do ocorrido não são conhecidas - uns afirmam ter se tratado de um acidente; outros dizem que foi um ato deliberado.
Althusser afirma não se lembrar claramente do fato, alegando que, enquanto massageava o pescoço da mulher, descobriu que a tinha matado.
A justiça considerou-o inimputável no momento dos acontecimentos e, em conformidade com a legilação francesa, foi declarado incapaz e inocentado em 1981.
Cinco anos mais tarde, em seu livro L’avenir dure longtemps, Althusser refletiu sobre o fato, pretendendo reivindicar uma espécie de responsabilidade por seus atos quando do assassinato, o que gerou uma polêmica entre seus correligionários e detratores, sobre tal responsabilidade ser filosófica ou real.
Althusser não foi preso mas foi internado no Hospital Psiquiátrico Sainte-Anne, onde permaneceu até 1983.
Após esta data, ele se mudou para o norte de Paris, onde viveu de forma reclusa, vendo poucas pessoas e não mais trabalhando, a não ser em sua autobiografia.
Louis Althusser morreu de ataque cardíaco em 22 de outubro de 1990, aos 72 anos “
Da Série : depois de ler o abaixo será dá para confiar no que disse Althusser a respeito de jornais, ou qualquer outra coisa?
” Após a morte de seu pai, Althusser, sua irmã e sua mãe se mudaram para Marseille, onde ele cresceu.
Em 1937 ele se uniu ao movimento da juventude católica. Althusser era um aluno brilhante, sendo aceito no prestigiado École Normale Supérieure (ENS) em Paris.
Entretanto, ele não pôde freqüentar a escola, pois estava convocado para a Segunda Guerra Mundial e, como a maioria dos soldados franceses, ficou aprisionado em um campo de concentração.
Althusser era um prisioneiro relativamente feliz, permanecendo no campo até o final da guerra, ao contrário dos demais soldados, que fugiram para lutar - motivo pelo qual Althusser se puniu mais tarde.
Após a guerra, finalmente Althusser pôde freqüentar a École Normale Supérieure.
Entretanto, sua saúde mental e psicológica estava severamente abalada, tendo, inclusive, recebido a terapia de eletrochoques em 1947.
A partir de então, Althusser sofreu de enfermidades periódicas durante o resto de sua vida. A Ecole Normale Supérieure foi simpática a sua condição, permitindo que ele residisse em seu próprio quarto na enfermaria, onde ele viveu por décadas, a não ser em períodos de internação hospitalar.
Marxista, filiou-se ao Partido Comunista Francês em 1948. No mesmo ano, tornou-se professor da Ecole Normale Supérieure.
Em 1946 Althusser conheceu Hélène Rytmann, uma revolucionária de origem judaico-lituana, oito anos mais velha.
Ela foi sua companheira até 16 de novembro de 1980, quando foi estrangulada pelo próprio Althusser, num surto psicótico.
As exatas circunstâncias do ocorrido não são conhecidas - uns afirmam ter se tratado de um acidente; outros dizem que foi um ato deliberado.
Althusser afirma não se lembrar claramente do fato, alegando que, enquanto massageava o pescoço da mulher, descobriu que a tinha matado.
A justiça considerou-o inimputável no momento dos acontecimentos e, em conformidade com a legilação francesa, foi declarado incapaz e inocentado em 1981.
Cinco anos mais tarde, em seu livro L’avenir dure longtemps, Althusser refletiu sobre o fato, pretendendo reivindicar uma espécie de responsabilidade por seus atos quando do assassinato, o que gerou uma polêmica entre seus correligionários e detratores, sobre tal responsabilidade ser filosófica ou real.
Althusser não foi preso mas foi internado no Hospital Psiquiátrico Sainte-Anne, onde permaneceu até 1983.
Após esta data, ele se mudou para o norte de Paris, onde viveu de forma reclusa, vendo poucas pessoas e não mais trabalhando, a não ser em sua autobiografia.
Louis Althusser morreu de ataque cardíaco em 22 de outubro de 1990, aos 72 anos “
duplicou sem querer, sorry
Marco,
Freud cheirava pó. Nietzsche conversava com cavalos.
Talvez não mereçam mesmo um pingo de crédito pelo que escreveram, não é?
Saudações,
ACT
Não é tão simples, pois temos blogs e blogs. Alguns, como se sabe, são caça-níqueis do jornalismo de serviços, de mascates achacadores. Outros são de pistoleiros pagos por patrões para atacar seus inimigos, poupando assim suas publicações. Mas temos blogs razoavelmente independentes e interessantes. De todas as matizes e isso é que importa.
Pois é
eu fico pensando na reunião editorial da folha ontem procurando como noticiar com isenção o tumulto lá em Paraisópolis…
os isentos jornalistas optaram por uma foto de um policial sobre uma panorâmica da favela!!!
registro perfeito dos acontecimentos!!!
Eu já acho que jornal já era!!!
Vamos nos habituar a sociedades democráticas sem o jornalismo tradicional que está sim em extinção!!!
Juliano, minha última coluna no Estadão fala, essencialmente, que os jornais vão acabar.
Não foi censurada, ninguém me perguntou nada, receberam, mexeram nas vírgulas, publicaram.
Já editei uma penca de artigos elogiosos ao MST no Estadão. O patrão não suporta o MST pessoamente.
Consigo ir com estes exemplos longe…
Antonio, , caríssimo,
Freud não só cheirava cocaína, na época comprada na farmácia, como trocava cartas prá lá de comprometedoras com Wilhelm Fliess, seu amigo íntimo, na realidade uma besta quadrada autor de teorias sem pé nem cabeça as quais Freud fingia levar a sério para não perder o amigo.
Nietzsche , além de falar com cavalos, os beijava na boca. O ápice aconteceu em Turin quando o filosofo se abraçou a um cavalo chicoteado sem dó nem piedade pelo carroceiro embriagado, pedindo desculpas ao animal em nome da humanidade.
O cavalo com certeza teria preferido que Nietzsche tivesse subido na boléia e dado um tiro na testa do condutor malvado e o libertasse assim da dor e da escravidão.
Parece que Deus leu os pensamentos do pobre animal, concordou com ele, e a partir daí, sempre dentro de Sua Infinita Bondade, concedeu a Nit o dom da loucura total.
O pensador não conseguia mais suportar o mundo.
A jararaca de sua irmã se aproveitou dessa situação, mas isso já é uma outra história.
Posso, porém, assegurar ao amigo que ambos, carroceiro desalmado e irmã jararaca, queimam no inferno sob a supervisão rigorosa do Coisa Ruím
Claro que seus pensamentos valiam. E como…
Meu intuito ao publicar o acima foi apenas mais um capítulo de uma cruzada toda minha.
A de desmontar o arrepio sem vergonha que percorre nossos corpos comuns á simples menção do nome de uma, com todo respeito, vaca sagrada do pensamento.
Criando a dúvida, tênue que seja, espero atiçar o pensamento próprio, o nosso, sem cair de joelhos diante do altar daqueles que habitam o Monte Olimpo psi que existe dentro de nossos corações, tão inclinados a obedecer sem contestação.
Isso posto, desejo ao amigo um belo final de quarta feira, esse tijolo opaco que marca o meio da semana, antecedendo a quinta, a sexta e o sábado, este último dia considerado por Nelson Rodrigues com a única esperança do brasileiro.
Que não se consuma em realizações, mas se renova, semana aós semana, até o fim dos tempos. Ou até o próximo sabádo…
Sem mais, creia-me seu amigo,
ma
Marco, o comentarista com uma Missão.
Uma oportuna Cruzada em prol da dessacralização de certos pensadores. Em prol, portanto, do livre pensar individual.
Tem meus mais arrebatados aplausos.
Contudo, porém, entretanto, however: no dia em que tal Cruzada agraciar também intelectuais ditos “de direita”, passo a acreditá-la sincera, honesta.
Até lá, sigo pensando que trata-se da velha tática de desacreditar uma obra através da esculhambação de seu autor — cuja ideologia é contrária à do comentarista, obviamente.
Mas, otimista incorrigível que sou, aguardo ansioso o dia em que o digno comentarista me provará equivocado. Não obstante, espero sentado — mas por pura comodidade, que fique claro. Sabe como é, a idade vem chegando, a coluna começa a reclamar…
Despeço-me saudoso.
Seu chapa,
ACT
Antonio, você pode não acreditar mas hoje mesmo, aqui nesses posts, esculhambei de Ghandi a Eisenhower
Chamei o primeiro de besta quadrada e o segundo de criador do primeiro Guantánamo.
Além disso admoestei Pedro Dória por escrever papa, assim, com minúscula.
Como você vé estou com a macaca.
Diga apenas um nome que eu esculacho o cara sem dó.
abração,
ma
ps- Gomorra, o livro sobre a Camorra Napolitana que estou lendo é ótimo.
O jornalista que escreveu um retrato do Sistema,- que é como os camorristas e afins, policiais inclusive, chamam o que nós chamamos de Máfia, - está escondido pois foi jurado de morte pelo Sistema.
Está rico, famoso, e ferrado. Alguém vai ter que convencer um boss que o rapaz é boa gente etc e tal.
Você iria adorar o livro, especialmente a parte em que o autor diz que a Camorra, perdão, o Sistema, é uma espécie de neo liberalismo sem limites, em estado puro…
Vale lembrar aqui também a falecida jornalista italiana Oriana Fallaci. Escancaradamente passional e parcial e ponto.
Marco, Marco…
Se vc lembrou o nome de Eisenhower, foi somente para sugerir que Bush também poderá vir a ter o perdão da História, dado o “contexto” no qual o centro de detenção e tortura baseado em Cuba foi criado e colocado em prática.
A História lhe absolverá, némesmo?
(Curioso — onde foi que eu ouvi esta frase antes? Ah, deixe-me ver… Oh memória maldita… Já sei: foi ali em Cuba! Que coincidência, rapaz!)
É realmente engraçado como as pessoas usam desculpas semelhantes quando se trata de justificar o injustificável.
Abs,
ACT
ps - o livro sobre a Camorra já estava na lista de espera, apenas aguardando a vez. Mas obrigado mesmo assim.
Não Antonio, lembrei do General por conta da Tia Claudia - que preconizava um holocaustinho para os alemães pós guerra.
E dai, no meio do caminho, em vez de uma pedra, me deparei com um fato de que já tinha conhecimento, mas que agora visto sob a luz da Guantanamo do Pedro Dória, ganhou um novo e assustador significado.
Uma Guantanamo nórdica.
Bush …o que me irrita é a condenação imediata á simples menção do B .
Fora isso, tudo bem,
abraços,
ma
Marco,
O sujeito fica 8 anos no poder e vc ainda fala em “condenação imediata”?
Tenha paciência…
Abraços,
ACT
Não caro, xxxx não tem essa mercê.
É condenado antecipadamente.
ps- não considere o comentário acima, caso contrário ficaremos em um ping pong eterno.
abs,
ma
[...] 6 Fevereiro, 2009 por Ismael Benigno Pretendo voltar ao tema em breve, mas o texto abaixo, de Sérgio Leo, complica muito a missão, pois deixa pouco a ser acrescido. Leia até o fim, de gute-gute, porque é pro seu bem. Via Pedro Doria. [...]
A respeito do comentário do Marco, o de número 48, concordo que devemos questionar as “vacas” sagradas do pensamento, incluindo entre elas as de direita e de esquerda, e por que não, o sexo dos anjos também.