A história da fundação de Israel
O leitor Gustavo me recomendou este filme que segue abaixo. Tem uma hora, foi produzido pela BBC e reconta a história da fundação de Israel. As legendas para o português vêm por cortesia da comunidade de piratas CPturbo.
Para quem só conhece a história por alto, é uma excelente introdução. Programa para o fim de semana.
Faço apenas um reparo à legenda: aquilo que eles traduzem por ‘gangue inflexível’ é a Stern Gang. O erro é natural. Com pronúncia britânica, ao invés de alemã/iídiche, fica parecendo que se trata da palavra inglesa ’stern’, duro, inflexível. Trata-se da Lehi, um grupo terrorista judaico de extrema-direita que operou na Palestina britânica entre os anos 1930 e 40. Seu líder era Avraham Stern e, por isso, os ingleses apelidaram de ‘a gangue de Stern’.
A Lehi é responsável por um dos piores massacres impetrados contra os palestinos, aquele de Deir Yassin. Escrevi uma reportagem para o Estadão sobre essa história, há quase um ano.
A BBC faz um bom trabalho de distinguir o que é polêmico e o que não é na história. E esta é uma história que ninguém pode contar sem coragem. De um lado e do outro, cada um quer forçar sua versão, sua própria narrativa.
Então talvez caiba uma introdução ao filme.
Um dos temas recentes mais polêmicos é a questão daquilo que o historiador marxista israelense Ilan Pappé chamou de ‘limpeza étnica’ da Palestina. O termo limpeza étnica é extremamente carregado e remete, de imediato, a genocídio. Houve limpeza étnica na Palestina no sentido de que, no lugar onde antes morava uma enorme quantidade de árabes, sobraram muito poucos. O lugar foi limpo da etnia árabe. O que não houve foram assassinatos em massa.
Durante décadas, a história oficial de Israel contou que os árabes deixaram suas casas porque os líderes dos países árabes vizinhos deram ordens para isso. Os principais historiadores de Israel, hoje, não aceitam esta versão. Os árabes deixaram suas aldeias porque tinham medo de serem massacrados.
A história do que ocorreu em Deir Yassin, a matança sanguinária e cruel de pouco mais de 100 palestinos desarmados – velhos, mulheres, crianças – se espalhou muito rápido pela região. Em parte, era o grupo terrorista judeu Irgun fazendo sua propaganda. Em parte, eram os líderes árabes que, assim, achavam que conseguiriam mobilizar mais gente para a luta. O resultado prático é que os rumores aumentados aterrorizaram a população.
É injusto sugerir que apenas os terroristas da Irgun e da Stern Gang foram responsáveis pela limpeza étnica da Palestina. Havia consenso, na liderança da Agência Judaica, de que Israel não seria viável como país se tivesse uma população árabe muito grande. O presidente da Agência Judaica, David Ben-Gurion, aproveitou-se do fato de que os países árabes invadiram Israel, em 1948, para expulsar quantos árabes fosse possível da terra. Ben-Gurion o fez, segundo o historiador Benny Morris, sem jamais deixar uma ordem por escrito, sem sequer dar uma ordem direta. Deixava subentendido.
Mas há, nessa história, um outro lado.
Estamos em 1948. O Holocausto, com seus 6 milhões de mortos, acabou faz exatos três anos. Tudo o que a história européia está dizendo para todo judeu do mundo é: você vai morrer. Foi a Inquisição, foram os pogroms, o Holocausto nazista. A perseguição está crescendo em incrementos. No último capítulo, quase exterminou todos os judeus da Europa. A única informação que o povo judeu tem é que, da próxima, não sobrará ninguém. A maioria dos países do mundo, neste instante, se recusam a receber refugiados judeus da Europa. E ninguém quer voltar para a Polônia, para a Tchecoslováquia, para a Alemanha, para a Holanda. Ninguém quer ver mais aqueles lugares, aqueles vizinhos que os entregaram. Querem botar o pesadelo para trás tendo perdido quase toda família.
O que estes refugiados querem? Um país. Ninguém os defendeu durante a Segunda Guerra. A não ser que tenham um país seu e um exército seu, ninguém os defenderá. E toda história passada confirma esta interpretação. Que país querem? O seu país. Aquele do qual foram expulsos séculos de perseguições atrás. É a ONU que lhes concede este país.
E o que dizem os árabes à volta? Que vão afogar todos os judeus no Mediterrâneo.
Em 1948, se você é judeu, se alguém diz que pretende afogar a você e aos seus no Mediterrâneo, você não tem dúvidas de que a ameaça é real. Talvez estivessem certos. É bem possível que a guerra de independência de Israel terminaria com uma limpeza étnica ou com outra. Alguém seria expulso daquelas terras. Talvez, se a vitória fosse árabe, houvesse muito mais sangue. Mas não foi o que aconteceu.
Muitos aqui, em nossas constantes discussões, deixam claro que acreditam que a história é um processo que se dá pelos conflitos entre grupos sociais. Eu acredito que grandes líderes fazem grande diferença. O que aconteceu em 1948 é que Israel tinha David Ben-Gurion e os palestinos não tinham ninguém em seu nível. Ben-Gurion entendeu política e militarmente cada momento daquela disputa. Tomou decisões difíceis, se adiantou quando era necessário, usou grupos terroristas por um tempo e os desmantelou logo que possível, soube manter seu povo unido, inspirou. Criou Israel. Fez Israel crescer e se tornar um país formidável. Sem petróleo, é talvez a nação mais avançada do Oriente Médio.
Os líderes árabes estavam divididos, mais preocupados com apunhalarem-se pelas costas e faturarem o território que, tinham certeza, ganhariam. Eram incompetentes. Muitos eram covardes: tinham medo da população e viviam por tentar seduzir o povo com bravatas. Quase nenhum deles durou muito no governo. Os palestinos jamais tiveram um grande líder. Yasser Arafat teve a chance de sê-lo, mas não chegou a tanto.
É evidente que a história não se resume a Israel tinha Ben-Gurion e os palestinos, não. Mas Israel tinha Ben-Gurion e o povo trazia consigo uma gana tremenda por sobreviver não importa o quê. Para os palestinos, foi a catástrofe. Foram expulsos de suas casas. Muito tempo se passou. Compreender 1948 é importante. A paz, no entanto, só será construída quando todos forem capaz de deixar 1948 para trás.
Atualização – Uma versão anterior deste post afirmava que o mufti de Jerusalém, Haj Muhammed Amin al-Husseini, fora morto em batalha. A informação estava errada. Al-Hussseini morreu no Líbano, em 1974.
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CATULO, minhas as perguntas eram apenas retóricas. De toda maneira, obrigada por dar atenção a elas.
Tia Claudia, Millor sempre advogou que nosso idioma tivesse um ponto de ironia.
No caso de seu comentário original sobre o “esvaziamanto ” da Alemanha…do deixar rolar o olho por olho, o dente por dente…os alemães ” mereciam”….isso evitaria tantos aborrecimentos, futuros….foi claro demais.
Não comportava nem um ponto de ironia tampouco um ponto de - estou brincando gente!
Quanto ao seu novo comentário, de reservar uma parte da terra da Alemanha para os judeus, logo após a guerra, a Tia não leva em conta uma coisinha simples: será que o judeus gostariam de viver nas ruínas de Hamburgo?
E lá recomeçarem suas vidas cortadas ao meio pela brutalidade sem limites? Será que a Tia não levou em conta os…sentimentos judeus? ( eles os tem, acredite ).
Esse seu plano, que pressupõe que judeus são bolinhas de ping pong, que se joga para lá ou para cá, de acordo com a vontade suprema de quem tem a raquete, provocaria o famoso comentário de Garrincha ao saber dos planos feitos pelo ténico sobre como ele, Garrincha, deveria jogar contra os russos.
Passar a bola pelo meio das pernas de três deles, driblar o quarto, entrar na área, fingir que ia centrar a bola para Pelé, sair pela direita e e mandar uma bomba no canto oposto ao do goleiro fazendo o gol mais bonito da Copa :
-Certo chefe. E os russo estão de acordo ?
Não seria de bom tom perguntar para os judeus se eles queriam esse pedaço de terra alemã?
Ou a volta á terra de suas raízes biblícas?
Jacutinga:
Sua lembrança do contexto da descolonização pós-II Guerra vem bem a calhar. Realmente, a instalação do Estado de Israel nesta nova dinâmica histórica é um dos fundamentos do problema.
Quanto à questão do Estado judeu, eu também acho que é uma questão problemática, só não acho que esteja no nível do racismo como se quer fazer crer. Afinal, como escrevi, judeus o são não como raça, mas como grupo étnico-religioso ou nacionalidade. Afinal, o Irã é um estado persa, os estados árabes são… árabes and so on. Os judeus nos estados árabes são minorias não integradas e creio que não é difícil imaginar o que ocorreria se houvesse a tentativa de uma imigração cristã para suas terras como ocorre de islâmicos para a Europa. Ou seja, o Estado de Israel se propor ser a pátria dos judeus não pode, mas os estados, por exemplo, da península arábica serem o solo sagrado do islã, onde cristãos só podem viver confinados e sem se demonstrarem publicamente, isso não é problemático. É claro que há problemas sérios em Israel nesta questão, o que se vê pelo domínio dos ortodoxos na aferição do grau de conhecimento da religião por parte dos que querem se converter e adquirir a cidadania local. Não nego que o país tenha derivado muito para a direita, dando força inclusive aos que pregam um estatuto esse sim racial para os israelenses e defendem essa coisa horrenda da “bomba demográfica” que você bem lembra. Eu apenas tempero isso com o fato de que também há um fundamento nacionalista que não difere muito do nacionalismo explícito ou subjacente a outros países e que não leva necessariamente ao racismo, mas ao simples fato de que todas as nações modernas, mormente as européias ou suas derivadas, por definirem a nação como um corpo cultural comunitário, excluem da sua participação quem não tem uma ascendência nesta cultura.
Por outro lado, e seu comentário me fez pensar nisso, haveria uma porta aberta para esse “racismo” no fato de que mesmo quem não é religioso (pensemos num Noam Chomsky) pode ser acolhido em Israel, pois ele tem ascendência, isto é, família judaica. E essa linhagem remeteria, então, á origem bíblica, religiosa, étnica e territorial. O fato de isso ser comprovado pelo DNA (seriam estes judeus realmente originários em linhagem de gente que viveu na Palestina histórica ou não), neste caso, é irrelevante. O fato que importa é que essa é a rationale em questão. Bem, isto deriva da perseguição religiosa-racista de séculos na Europa. Afinal, o sionismo não é um movimento dos direitos civis, que defendesse os judeus numa perspectiva interna à Europa, exigindo que fossem respeitados enquanto poloneses, alemães, húngaros ou franceses, mas que, não podendo ser integrados, deveriam criar sua própria pátria. Há, num sentido, um reverso da moeda racial, já que é uma resposta a este racismo, aceitando uma premissa: “isso, somos mesmo diferentes, não temos lugar entre vocês, nossa identidade é outra”. Todavia, nunca li que o sionismo pregasse alguma singularidade racial judaica, e é por isso que me recuso a aceitar este argumento que você defende e continuo a crer que, apesar de suas especificidades, o sionismo comunga de um fundo comum a outros nacionalismos do período que punham a ênfase numa ascendência histórico-cultural ou histórico-religiosa para conferir a fronteira entre quem era um nacional e quem não era. E essa é uma base que prevaleceu na imensa maioria das nações contemporâneas. A França acolhe os descendentes de franceses, o Brasil idem etc. A intensidade de onde vai a descendência coberta é que varia, pois a história de cada país-nação varia. Acho justificado a abrangência sem limites do caso israelense, pois há uma história de perseguição ímpar e acho uma imensa insensibilidade não levar o sentimento de libertação e de segurança subjacente à afirmação de Israel. Assim, se é possível dizer que em Israel há muito racismo e há uma lastimável deriva para o racismo de direita nos últimos tempos, no sentido de um crescente sentimento anti-árabe, isso não é o mesmo de dizer que o fundamento do país é racista.
Outro abraço.
PS: uma correção, pois creio que a Alemanha NÃO pagou indenização devida aos judeus. O Estado alemão, só nas últimas duas décadas pagou alguns pouco milhões (e não bilhões) de dólares de indenizações a indivíduos, por propriedades expropriadas pelos nazista, umna fração do que foi perdido. Não conheço casos de indenização pela morte de parentes, por exemplo. Idem para o caso de empresas alemães, que pagaram para algumas associações de sobreviventes de trabalhos forçados. Há até uma controvérsia sobre o assunto, mas me parece ponto pacífico que as indenizações estão longe de cobrirem o horror (se é que isso pode ser monetarizado) ocorrido. Mesmo um Normam Finkelstein, conquanto seja um anti-sionista, escreveu sobre como as indenizações NÃO chegaram a quem de direito.
Marco,
O cerne da questão é de onde se deveria colocar ou de se seria possível colocar-se o Estado de Israel por meio de decisão unilateral em algum lugar. Aliás, no final do século XIX, quando se inicia a idéia do movimento sionista, no embalo do avanço europeu sobre paisecos não europeus, a primeira idéia dos judeus europeus foi de instalar o estado de Israel em algum lugar da Africa ou … na Argentina. Muitos rabinos rejeitaram e combateram o movimento sionista sob a argumentação de que era anti-religioso o pensar em conquistar terras, expressão de um dos maiores pecados judaicos, o orgulho. A terra deveria ser “dada” por Deus, conforme as escrituras. Nem vale a pena enunciar quantos dominaram a palestina desde o sec. VIII AC até o domínio Inglês. Todos, literalmente todos os descendentes dos que por ali passaram poderiam advogar seus direitos sobre a região. Mas o fato é que havia gente morando na Palestina quando se decide criar ali o Estado de Israel.
A questão que fica é: quem tem o direito a que naquele local. Também não vale a pena transcrever a história para explicar os interesses expansionistas europeus sobre a área. Saída para o mar, ponto de tangência entre a Asia e a Europa, bastante estratégico. Sem falar numa região acoalhada de petróleo nas proximidades. Tanto, que na divisão européia sobre os limites soberanos das nações do OM, curiosamente a Palestina ficou “sem dono” controlada por Ingleses até fins da dec. de 40. O que insisto é que da mesma forma que os judeus desejavam uma pátria os habitantes locais por mais de dois mil anos a consideravam, com razão, sua. Este povo está hoje submetido a uma humilhação inominável.
Não sou anti-semita e não aceito ser considerada como tal apenas porque hoje discordo da forma como se criou Israel e de como este estado vem se comportando para com aqueles a quem expulsou para criar para si uma nação. Receberam o maior naco da Palestina quando sua população era infinitamente menor, e o Estado de Israel asfixia o povo palestino. E de lá para cá só aumentam suas fronteiras.
Para mim é muito mais fácil relacionar-me com um judeu de qq ponto do planeta ou com um israelense judeu do que com um fundamentalista islâmico, por não ter afinidades com tais seguidores radicais. Mas negar seus direitos é um pouco forte, o Sr. não acha?
Oi, Marco,
Não é necessário vivenciar um assunto para se falar dele, concordo contigo. Mas concorde comigo que, exatamente por isso, não se pode exigir de alguém a prerrogativa de testemunha e protagonista para discorrer sobre um assunto, como vi ser insinuado previamente.
Um abraço.
Tia Claudia, vou considerar que a Sra deletou o proto comentário sobre o qual, espero, esgotamos o assunto.
Voltando ao eterno assunto: aquele que nem é bom dizer o nome queria - unilateralmente-
” instalar ” os judeus em Madasgascar.
Com poucos recursos, isolados, cercados, cheios de doenças, esses instalados morreriam como moscas. Solução final.
Já perdi as esperanças de paz na região.
Na melhor das hipóteses haverá uma paz armada por muito tempo.
Por outro lado, olhando o mapa geral de TODA região, vastas extensões, me parece fácil aceitar a tripinha de terra que Israel precisa para viver e criar outra, maior, para todos os palestinos viverem. Inclusive os refugiados.
Atualmente os EUA dão 5 bilhões de dólares para Israel e outros 5 bilhões para o Egito.
Poderiam dar 5 bilhões para essa nova Palestina também. E a Europa, mais 5 bilhões de euros.
Por ano. Todos os anos.
Essa preciosa ajuda mais tratados comerciais generosos - e lucrativos para todas as partes - fariam em pouco tempo dessa Palestina um estado saudável e próspero.
Sonho puro, eu sei.
Mas que é um sonho bom, é.
Eduardo Pinho,
Concordamos então.
outro abraço,
ma
Marco,
Creio que ninguém neste planeta pode duvidar do pacifismo de um certo Gandhi. Busque na rede seus textos, creio que a partir de 1939, talvez antes, não lembro as datas, sobre a criação de um estado Israel no cerne da região palestina.
Não se pode a esta figura atribuir ser anti qualquer coisa e, no entanto, Gandhi não achava nada justo ou sensato o movimento sionista de então. Previa uma escalada de violência assustadora. São pueris suas propostas de convivência pacífica na Palestina, mas foi com essa passividade proposta que, independente do estado de ebulição latente em sua região natal (que muito contribuiu para encerrar o domínio inglês), Gandhi teve relevante papel na saída pacífica dos ingleses do território da Índia. A carnificina e o ensandecimento explodiram depois e, deles, ele foi a mais lamentável vítima.
Só para lembrar, Mahatma Gandhi morreu, acho, no início de 1948 e o reconhecimento oficial de Israel pela ONU veio depois (me corrija se estiver errada, sou péssima com datas).
É, sonhar não faz mal. Boa noite e bons sonhos.
É bom lembrar que a limpeza étnica continua a todo o vapor. Basta ver o mapa da Cisjordânia com os assentamentos judaicos pipocando em toda parte.
Deir Yassim foi uma das tantas aldeias massacradas pelos terroristas israelis.
Por que é que tem mais judeus fora de Israel (Europa e EUA, principalmente) do que dentro de Israel?
É difícil ter um grande líder quando não se tem nem o seu próprio país.
“A Bíblia Não Tinha Razão”, de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, ed. Girafa, 2003.
“Este livro quer contar a estória do antigo Israel e o nascimento de suas escrituras sagradas a partir de uma nova perspectiva arqueológica. Nosso objetivo será tentar separar história de lenda. Através da evidência de descobertas recentes, nós construiremos uma nova história do antigo Israel na qual alguns dos mais famosos eventos e personalidades mencionados na Bíblia exercem funções bastante inesperadas. Mas o nosso propósito, em última instância, não é simplesmente desconstrutivista. Nosso propósito é partilhar as mais recentes descobertas – ainda grandemente desconhecidas fora dos círculos acadêmicos – não somente sobre o quando, mas também sobre o porquê a Bíblia foi escrita e porque ela continua tão poderosa ainda hoje”.
(…)
Nós comparamos esta narrativa com a riqueza dos dados arqueológicos que foram coletados nas últimas décadas. O resultado é a descoberta de uma relação fascinante e complexa entre o que realmente aconteceu na terra da Bíblia durante o período bíblico (…) e os conhecidos detalhes da elaborada narrativa histórica que a Bíblia Hebraica contém.”
(…)
“Nós focalizaremos o Judá do final do século oitavo e do século sétimo AEC (“Antes da Era Comum” o mesmo que a.C. “antes de Cristo”), quando este processo literário começou para valer, e defenderemos que boa parte do Pentateuco é uma criação da monarquia recente para defender a ideologia e as necessidades do reino de Judá e que, como tal, ele está intimamente ligado à História Deuteronomista. E nos alinharemos com aqueles estudiosos que argumentam que a História Deuteronomista foi compilada, principalmente, no tempo do rei Josias (640-609 AEC), para oferecer uma legitimação ideológica para ambições políticas e reformas religiosas específicas”.
Resumo da ópera: nada de monoteísmo na época de Abraão, nada de êxodo do Egito, nada de muralhas em Jericó (que era uma vilazinha qualquer), nada de conquista de Canaã pelos hebreus e nada de império de Salomão (chefe tribal como outro qualquer).
BEM, ANTES que me apedrejem (aliás, castigo tipicamente judaico) por anti-semita e nazista, o propósito do meu comentário é chamar a atenção para o fato de que um dos autores Israel Finkestein é – pasmem - professor da Universidade de Tel Aviv ! Já falar do Corão… De Maomé… não se pode nem falar que ele é feio…
Tia Claudia, como a Sra já deve ter percebido, pensamos diferente.
O que não é crime.
Mas é impossível não responder as coisas que a Sra fala.
Assim vamos lá.
Tia - São pueris suas propostas de convivência pacífica na Palestina, mas foi com essa passividade proposta……
marco- Passividade Tia? Parar de matar e criar condições pacíficas para dois estados naquela parte violenta do mundo pode ser chamada de pueril, mas jamais de passividade.
Tia - A carnificina e o ensandecimento explodiram depois e, deles, ele ( Ghandi ) foi a mais lamentável vítima.
marco- Tia, não leve a mal, mas Ghandi era uma besta quadrada. Imagine a Sra que ele mandou uma carta instando a Inglaterra a se desarmar unilateralmente para ” se elevar a uma condição moral acima da Alemenha Nazista”
Caso seu sábio conselho tivesse sido aceito Ghandi teria a bela oportunidade de inaugurar o primeiro campo de extermínio da India na duvidosa condição de vítima, já que ele estava longe do tipo preferido pelas leis raciais a Sra sabe de quem. E esseafoi apenas uma das bobagens de sua lavra.
Tia - É, sonhar não faz mal. Boa noite e bons sonhos.
marco- Prá Sra. também Tia.
Sobre não se poder falar nem que Maomé é feio, releio Oriana Fallaci. Recomendo.
@marco
Você reclama a sugestão de colocar os judeus num pedãço da Alemanha desrespeita os judeus. Diz que poderiam achar um outro lugar para os palestinos.
Por que não simplesmente achar um lugar para os judeus e deixar os palestinos na terra que foi deles por quase 2000 anos?
Muito bom o post e os comentários, apesar de algumas pessoas realmente perderem a compostura. E estou decepcionado com alguns que eu outrora admirava e se mostraram totalmente irracionais no tocante a este assunto.
Minha opinião é que realmente não dá pra discutir o direito dos judeus de existirem, e é compreensível o medo que eles tivessem depois dos horrores que viveram na Segunda Guerra Mundial.
Mas nada, NADA, dava a eles o direito de expulsarem os árabes de suas terras para construírem seu Estado.
Mesmo que não houvesse um “Estado” na Palestina, havia cidades, e árabes que ocupavam estas cidades e chamavam elas de Lar.
O argumento de que os outros árabes queriam repartir as terras não vinga, especialmente porque os outros países árabes não expulsariam as pessoas de suas terras. (pelo menos, não creio que o fizessem porque não faz sentido).
E, mesmo que eles brigassem entre si, é como briga de marido e mulher. No momento em que alguém de fora mete a colher, vira o inimigo e todos se juntam contra ele.
Eu acho que a única forma de se alcançar a paz é Israel abandonando a mentalidade de 1948 evoluir para uma guerra de Relações Públicas mais eficiente. Em vez de usar o exército, usar a polícia para lidar os terroristas e realmente ajudar os palestinos a terem um futuro.
Vão ter que compensar E MUITO os palestinos pelo que fizeram com eles.
E vamos deixar o Holocausto de lado, porque os Palestinos e Árabes não têm nada a ver com essa história, e não querem saber.
Não há dúvida da legitimidade dos judeus em terem seu próprio país em virtude dos pogrons e holocausto. Também não se pode olvidar a legitimidade do Povo Palestino em terem seu próprio país, sendo inominável a espoliação e mesmo o genocídio que sofrem por parte dos sionistas.
A ONU deveria se posicionar de forma mais objetiva e enérgica para evitar o confronto e assegurar aos palestinos árabes da região seu direito de autodeterminação, criando o Estado Palestino sem as restrições por parte de Israel.
maneiuro