Pervez Musharraf conta sua visão de mundo
O general de reserva e ex-ditador paquistanês Pervez Musharraf deu uma conferência aqui em Stanford, ontem. Ele falou por aproximadamente uma hora sobre como vê o problema do terrorismo e ofereceu sua receita ‘holística’ para tratá-lo. Aí, abriu para o público. Os estudantes e professores de Stanford perguntaram-lhe a respeito da segurança das armas nucleares paquistanesas, cobraram-lhe a respeito da ditadura – às vezes, exaltados. Alguns estudantes indianos ensaiaram um protesto. Musharraf não piscou um segundo. Foi irônico, charmoso, em alguns momentos fez cara de sincero. Sempre tinha uma resposta com aparência de ponderada. É um político nato.
Gravei a conferência em áudio – está online para quem quiser ouvir. Mas aqui vai um resumo do mundo visto pelos olhos de Pervez Musharraf.
Extremismo e terrorismo
É preciso distinguir entre extremistas e terroristas. São parecidos mas distintos. Nem todo extremista é terrorista. A maioria não é. Os extremistas têm que ser transformados. Os terroristas devem ser presos. Mas não há consenso internacional a respeito de quem é terrorista: o terrorista de um é aquele que luta pela liberdade de outro. Até hoje, temos enfocado o problema com táticas de combate no curto prazo. A solução, no entanto, só virá a longo prazo, com outro tipo de esforço.
Terroristas enquanto folhas
Os terroristas são como as folhas de uma árvore. As organizações terroristas são como os galhos. Não adianta podar folhas ou cortar galhos porque nascem outros. É preciso atacar a raiz da árvore. As raízes, na Ásia Central e no Oriente Médio, são três. A primeira é analfabetismo. A maioria dos extremistas e terroristas são pessoas iletradas que compram qualquer discurso que aponte um culpado externo para seus problemas. A segunda causa é a pobreza, e pobreza e analfabetismo caminham juntos na região. Pobreza e analfabetismo confirmam a impressão de que há uma profunda injustiça, que tudo lhes é negado.
Mas os perpetradores do Onze de Setembro e das bombas de Londres não eram nem analfabetos, nem pobres. E aí entra a terceira causa: política. Há questões políticas que não foram resolvidas e que devem ser endereçadas. Principalmente Caxemira e Palestina. O que está acontecendo em Gaza, agora, apenas reforça a sensação de impotência e injustiça na rua islâmica, alimentando ainda mais o extremismo que, por sua vez, é explorado por organizações terroristas.
Alguns sugerem que há uma diferença fundamental no sistema de valores do Islã e do Ocidente. Não é verdade. O IRA, na Irlanda, não era diferente. Uma solução apenas militar para o problema do terrorismo fracassará.
A história da al-Qaeda
Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão. Nesse momento, os EUA quiseram que nós, no Paquistão, organizássemos a resistência. Vocês americanos quiseram que nós lutássemos a jihad. Então, entre 1979 e 1989, treinamos e armamos os mujahedins, estrangeiros que vinham de todo o mundo islâmico, para lutarem no Afeganistão.
O Afeganistão tinha sua estabilidade. Havia um pacto entre todas as etnias, todos os clãs, para dar apoio ao rei. Os dez anos da invasão soviética desmontaram toda a estrutura que existia há tanto tempo. A elite do Afeganistão abandonou o país a sua própria sorte, mudaram-se para o exterior. Aí, em 1989, caiu o muro de Berlim, os soviéticos deixaram o Afeganistão desmontado e terminou a Guerra Fria. O fim da Guerra Fria deixou dividendos. Eles foram todos para a Europa. Países receberam investimentos, puderam se reestruturar.
O que Afeganistão e Paquistão, que lutaram contra a União Soviética por dez anos, ganharam? Nada. Fomos esquecidos por todos. ‘Agora é com vocês’, eles nos disseram.
E onde estavam os mujahedins que vieram lutar contra os soviéticos? Continuaram no mesmo lugar. Mudaram apenas seu foco: de contra os comunistas, viraram-se contra os EUA. Formaram a al-Qaeda. Após a tomada de poder do Talibã, no Afeganistão, 4 milhões de refugiados se bandearam para o Paquistão. O problema continuava sendo apenas nosso. A estrutura social que sustentava o Afeganistão havia sido arruinada pelos soviéticos e de quem era o problema? Do Paquistão. Então, em 1999, os mesmos radicais começaram a se estruturar na Caxemira, na Índia. E o Paquistão continua tendo que lidar com a situação toda.
Só quando aconteceu o Onze de Setembro é que o mundo decidiu prestar atenção no que estava ocorrendo. Ainda assim, os Estados Unidos já investiram 1 trilhão de dólares no Iraque. Quanto investiram no Paquistão desde então? 10 bilhões. O problema continua lá e tem o mesmo tamanho.
A. Q. Khan
A. Q. Khan, o pai da bomba paquistanesa, que vendeu seus segredos para a Coréia do Norte e Irã, está em prisão domiciliar. Não creio que tenha sido extremismo que o moveu. Ele não teria tido contato com os norte-coreanos, caso tivesse sido isso. Foi ganância. Não permitimos que fale com investigadores de outras nações porque, para nós, a questão é sensível. Há segredos envolvidos e ele é um homem muito popular nas ruas do Paquistão. Os EUA também têm sob sua custódia homens que venderam segredos nucleares para nações estrangeiras. Alguma vez os EUA cogitaram permitir que investigadores de outros países os interrogassem? Claro que não. Funciona da mesma maneira.
Relações com a Índia
Se houver provas de que paquistaneses estiveram envolvidos nos ataques a Mumbai, é evidente que devem ser punidos. Mas não culpe o governo por isso. A comunidade internacional não está contribuindo, como deveria, para abrandar as tensões na região da Caxemira. Algumas nações fazem uma campanha contra a ISI, serviço secreto paquistanês. A ISI funciona sob ordens do governo e de ninguém mais. Sua função é garantir a integridade do Paquistão. Suas técnicas são as mesmas técnicas de qualquer serviço secreto. O serviço secreto da Índia faz o mesmo mas ninguém lhes cobra mudança. A Índia é um grande país. É um país poderoso. Todos os países na região sabem disso – ninguém tem dúvidas. E a Índia pressiona. O que a Índia tem que compreender é que não pode sair por aí pressionando os menores. O Paquistão também é um grande país.
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Gostei.
Pra mim, deu um banho na maioria dos “especialistas” que aparecem por aí.
“Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão. Nesse momento, os EUA quiseram que nós, no Paquistão, organizássemos a resistência. Vocês americanos quiseram que nós lutássemos a jihad. Então, entre 1979 e 1989, treinamos e armamos os mujahedins, estrangeiros que vinham de todo o mundo islâmico, para lutarem no Afeganistão.”
Pois é, Saddan Hussein tem uma história muitíssimo parecida.
Quem era mesmo esse grande estrategista norte-americano que que andou preparando vários ninhos de serpente pelo mundo?
Agora as ninhadas proliferaram e estão por aí, conforme diz o Pervez Musharraf .
Por que cargas d’água os políticos norte-americanos não se preocupam apenas com seu país?
Seria bem menos trágico para o mundo.
e o sujeito é apresentado pela mídia ocidental como um pateta. Enfrentou os extremistas do mundo letrado - no bom sentido, jovens universitários e professores - e ofereceu uma interpretação que toca em pontos fundamentais como o combate a pobreza e aos conflitos políticos. Imaginem líderes “ocidentais” nessa fogueira, não sei se teriam se saído tão bem.
Musharraf falou tudo.
Pedro, alguém chegou a perguntar se ele estava surpreso por continuar vivo mesmo depois de ter sido deposto ?
Eu fiquei surpreso por ele ter ficado vivo.
eo marxi-terrorista italiano, tem nome de bandido: Batistinha.
Fora de tema — PD
Pela CNN que, ontem à noite, num famoso programa ao vivo de uma TV israelense, durante uma entrevista por telefone com um famoso médico palestino, Dr. Abul (?), por quem os israelenses sempre tiveram grande simpatia e admiração, houve um ataque israelense à sua equipe médica, que acabou sendo transmitida inesperadamente, e todo o desespero do Dr. Abul foi ao ar.
Parece que houve um grande impacto na percepção do povo israelense.
O ataque foi à sua casa e matou três de suas filhas.
O âncora tenta consolar o médico dizendo que talvez o Exército israelense possa ajudá-lo. É incrível! O médico pergunta, aos prantos, quem deu a ordem que matou sua família e qual o motivo.
Conclusão: é tudo culpa dos EUA. E também da Rússia. E também da India, incapaz de compreender que a Caxemira é islãmica e paquistanesa.
Pervez Musharraf é uma amor de pessoa.
E não tem nada a ver com a miséria e analfabetismo do pais que governou.
Quanto a fornecer segredos nucleares a países como Coréia do Norte e Irã, bem, é culpa de uma única pessoa.
Que está presa, o que vocês queriam mais?
Pervez Musharraf é um homem honrado.
Vive de sua aposentadoria. Essa história de que se apoderou de alguns muitos milhões do tesouro de seu país é mais uma mentira que esse homem bom tem que aguentar.
Para Pervez Musharraf a solução do problema paquistanes é fácil. Na realidade trata-se de uma simples inversão de números.
Basta de acordo com suas palavras lacrimosas
” investir ” no Paquistão 1 trilhão de dólares.
E, 10 bilhões no Iraque. Pronto !
Solucionada está a questão.
Quanto ao sentimento de ” impotência da rua islâmica ” ajudaria muito se os israelenses concordassem em abandonar seu país ás pressas, como se estivessem fugindo.
O amor próprio islâmico iria ás alturas…
Nenhuma palavra sobre as madrassas, a ditadura, os crimes, o convívio com terroristas inclusive Bin Laden, o cultivo de ópio que envenena seres humanos mundo afora - e causa estragos dentro do próprio Paquistão, aonde miseráveis usuários vivem como zumbis embaixo das pontes infectas da gloriosa e exuberante capital desse país sem culpa.
E ainda pagam essa gente em dólares para falar em universidades sérias. Pobres alunos.
é realmente o fim da picada.
Adorei o texto e realmente achei totalmente válida e inteligente a visão de Musharraf.
Ele abre uma questão interessante sobre as criações norte-americanas. Sadam Hussein, Bin Laden e (se formos mais longe) até mesmo Israel foram criadas dentro da vontade americana de controle do mundo.
Este homem não é um exemplo para o mundo. É um ex-ditador, que comandava com braço de ferro seu país, como Sadam Hussein. A diferença é que este tinha armas nucleares e era “amiguinho” dos americanos, mas mesmo assim tão sujo quanto.
O mau governante sintetizou com “…
A comunidade internacional não está
contribuindo, como deveria, para abrandar as tensões na região da Caxemira.” a tentativa de eximir-se de toda culpa, característica de todo ex.
No mais, a análise é boa. Dificilmente sairia nas amarelas da Veja.
clerigo muçulmano pego de bunda de fora furunfando. adulterio.
Já que o ministro resolveu acabar com a diplomacia entre Itália e Brasil, se eu fosse italiano, sugeriria a revogação da cidadania italiana dada a políticos brasileiros…e suas esposas.
Aí eu queria ver.
chest- do gustibus, uma excelente idéia.
Cotler shows that Hamas is violating five different provisions of established international law: deliberate targeting of civilians; attacking with rockets from within civilian areas; abusing humanitarian instruments to launch attacks, such as using ambulances to transport weapons; public incitement to genocide; and the recruitment of children into armed conflict.
1. deliberadamente mirando em civis
2. lançando foguetes a partir de áreas civis
3. usando instrumentois humanit´´arios para lançar foguetes
4. incitamento público ao genocídio
5. recrutamento de crianças para um conflito armado.
bom trabalho, pdoria.
O cenário de atrito entre Índia e Paquistão é a maior ameaça de guerra nuclear desde a crise dos mísseis, em 1962. Senão, vejamos: o programa nuclear paquistanês data de 1974; em 2000, militares da inteligência dos EUA estimavam as armas nucleares paquistanesas em aproximadamente 100, sendo provável o dobro (200) montado para o final de 2008. Tem mísseis de médio/longo alcance (IRBM’s e ICBM’s) de até 4 mil km de alcance, e domina a tecnologia do tritium, que aumenta entre 300% a 400% a capacidade destruidora das bombas atômicas já montadas…
Já a Índia tb tem desde 1974 capacidade nuclear, e muito mais: cerca de 400 ogivas 10 vezes mais potentes que Hiroshima; tb tem ICBM’s de até 5 mil km de alcance; tem uma das mais poderosas marinhas do mundo (com submarinos, porta-aviões, etc.) e é uma das únicas quatro potências mundiais (depois dos EUA, Rússia e China) a operar uma frota de bombardeios de longo alcance (Tupolev TU-147, versão naval do TU-95 Bear Bomber, aquele que esteve na Venezuela). Estima-se que um confloto nuclear generalizado entre os países criaria um inverno nuclear que eclipsaria mais da metade da Ásia, e teria consequências catastróficas para todo o planeta. Perto disso, a ofensiva de Israel é fichinha…
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