Em Gaza, a vitória do Hamas

Israel e Palestina · 12/01/2009 - 17h31 - 308 Comentários

Neste momento, Ismail Haniyeh, líder do Hamas, anunciou que Gaza e o Hamas não quebrarão. “Nossa vitória sobre os sionistas está próxima.”

Com quase mil mortos, as tropas de Israel começam a avançar sobre a Cidade de Gaza, o principal centro urbano da região. Haniyeh parece estar certo. Israel promove e seguirá promovendo uma carnificina em Gaza e no fim não extinguirá o Hamas. O ódio nas ruas árabes aumentará.

Daí, o Fatah tampouco poderá assumir Gaza sem parecer aos olhos palestinos com uma marionete israelense.

E, assim, uma vitória militar se configura como uma derrota estratégica. Há nuances no ar da diplomacia.

Quinta-feira passada, o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou Israel.

Não é um fato raro. Aliás – de raro, o fato não tem nada. Tanto Kofi Annan quanto seu sucessor no comando da ONU, Ban Ki-Moon, já reclamaram que o conselho parece dedicado a repreender Israel e nada mais. Nenhum outro país foi mais repreendido – mesmo quando se inclui Ruanda e Sudão na lista, e estes praticaram genocídio. Como qualquer mínimo gesto israelense produz de imediato uma condenação por parte do Conselho, como quase nenhum gesto palestino provoca a mesma resposta, ele perde a credibilidade.

O que é raro é que Israel recebeu ordens do Conselho de Segurança da ONU para cessar o ataque. Ignorou-as, o que faz com freqüência. Mas os EUA têm direito de veto no CS e se abstiveram. Isto é marcante. E há um dado importante: foram os EUA de George W. Bush que se abstiveram de votar. O país que sempre vota a favor de Israel na ONU virou-lhe o rosto.

É um sinal.

Ignorar o Conselho de Segurança da ONU é problemático. Sim, os EUA o fizeram para invadir o Iraque. Mas os EUA são a maior potência militar e econômica do planeta. Ainda assim, a desobediência resultou num mundo muito mais hostil ao país. Não é à toa que tanto Barack Obama quanto John McCain tinham entre suas principais promessas aquela de restaurar a credibilidade do país.

De qualquer forma, Israel não são os EUA. Em última análise, Israel encontra-se numa situação muito mais delicada. Afinal, no fim, Israel é um argumento. O direito de existência de Israel se sustenta na idéia de que as nações do mundo decidiram que deveria haver um país para os judeus e outro para os palestinos na Terra Santa. Foi através da ONU que esta decisão se tomou.

Se Israel decide que pode acatar as decisões do Conselho de Segurança que bem quiser, seus inimigos também podem.

Morrerão mais palestinos. O Hamas não deporá suas armas. O Hamas nem precisa de tantas armas assim para continuar lançando foguetes caseiros. No final, Haniyeh terá razão. A estupidez do governo israelense é aterradora.

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