Perante a tragédia em Gaza,
Três perguntas
Sou eu quem deve a vocês um pedido de desculpas, trazer assunto assim desagradável no primeiro dia do ano. É mundo que nos impõe.
Minha mãe costumava dizer, não sem ironia, que Israel é coisa de coração. Às vezes parece que traz o irracional em nós. Por outro lado, Israel é coisa de coração não apenas para quem quer seu bem. Também é para quem a considera o foco de todo o desequilíbrio no Oriente Médio.
De minha parte, não tenho como argumentar contra 400 mortos em Gaza pelos bombardeios das Forças de Defesa de Israel. É gente demais. E há crianças, ainda por cima.
Não tem como justificar.
Em novembro, pelo menos 381 pessoas morreram na Nigéria, em um confronto entre cristãos e muçulmanos. A maioria das vítimas eram islâmicos.
Em Darfur, no Sudão, morreram 250 muçulmanos na primeira semana de dezembro. Foram vítimas de outros muçulmanos. No Sudão, este número é mais ou menos rotineiro.
Na província de Sa’ada, no Iêmen, a guerra civil também custou a vida de algumas centenas de pessoas em 2008. O número, no entanto, é incerto. Lá, não há imprensa, ong, ONU, apenas os relatórios mais ou menos regulares da Human Rights Watch. É possível dizer que os desabrigados são 100.000. Mas as mortes ficam assim no vago ‘centenas’. Talvez chegue ao milhar. Ninguém sabe.
Um relatório do Instituto de Direitos Humanos do Cairo, publicado em dezembro, dá conta da situação nos doze países árabes. Israel, no caso dos palestinos, e os EUA, no caso do Iraque, são co-responsáveis pela piora da situação dos direitos humanos no universo investigado. Mas não estão sozinhos, muito pelo contrário.
As mortes de muçulmanos e árabes noutros cantos do mundo não despertam posts carregados de fotos sangrentas na blogosfera. Não provocam a indignação de jornalistas. Às vezes, mal merecem uma nota ao pé de página.
Não cito estes exemplos para dizer que é comum, que não quer dizer nada. Centenas de mortos são uma tragédia sempre. Mas há uma piada comum de redação: o editor chega para o responsável pela primeira página dizendo que um acidente matou 500. Onde?, pergunta o chefe. Se for na China, 500 não é nada. Se for em Luxemburgo, é uma tragédia nacional. Um não rende nota; outro é chamada de primeira, acima da dobra.
Palestino morto por Israel vende jornal. Israelense morto por palestino, também. E, justiça seja feita, um homem bomba que mate três israelenses vale primeira página. Para os palestinos chegarem lá, é preciso contar na casa das dezenas. Veja-se por outro lado: somalis, mesmo às centenas, às vezes não entram. Quem liga para a África?
Nós, jornalistas, costumamos dizer que nossos critérios de seleção de notícias importantes, e portanto de mortos relevantes, não são nossos. São do público. Talvez seja verdade. Talvez, não.
Muitos dos indignados habituais com Israel não sabiam que no Sudão sai uma Gaza em mortos por mês. (Ou a cada dois meses.) Este Weblog também é culpado pela falta de cobertura. Mas não há indignados com a China, que apóia o regime (este sim) genocida do Sudão.
Guerras não prestam. Guerras matam, ferem, sangram, deixam aleijados. Entre as vítimas de guerras, há crianças. Observe uma guerra com uma lente de aumento e fica difícil para qualquer ser humano justificá-las. Parece ser preciso um cinismo monstro para assistir às fotos dos resultados da guerra e ainda assim dizer: ‘foi necessário’.
Mas ainda assim: que bom que a União Soviética e os EUA enfrentaram Hitler. Os soviéticos sabem o quanto custou. Ainda bem que o fizeram.
Nós, que acreditamos que Israel é sobretudo necessária para a sobrevivência de um povo, achamos que o país não acerta sempre. Mas acreditamos também que o país está em guerra. E as guerras, às vezes, são necessárias à sobrevivência.
Minha opinião? Me alinho com David Grossman, o grande escritor israelense. Era preciso enfrentar o Hamas, era preciso bombardear Gaza – agora basta. O governo de Israel precisa aprender a parar. Conheci Grossman numa noite, há alguns meses. É um dos sujeitos mais sensíveis, mais sensatos, mais empáticos com os palestinos, mais dedicados à esperança de paz que pode haver. Mesmo. Ele perdeu um filho no exército israelense.
Mas gostaria, com franqueza, de entender a opinião de quem rejeita Israel. Tenho algumas perguntas, estou curioso para as respostas.
1. Israel tem o direito de existir onde existe?
Os israelenses que conheço aceitam na hora que lhes for oferecido um acordo de paz que preserve as fronteiras de 1967 e divida Jerusalém em dois. O governo de Israel, se os países árabes oferecerem algo assim em troca de paz, assina na hora. Pessoalmente, acredito que até um governo do Likud assina um acordo definitivo de paz assim. Basta suspender as agressões de parte a parte. (Não estou sugerindo, com isso, que tal oferta é simples de fazer ou que Israel seja inocente; Israel é paranóica.)
2. Um acordo assim é justo?
Cai foguete, cai foguete, cai foguete. Os foguetes que partem de Gaza mantém em suspenso a vida de pouco mais de um milhão de pessoas. De uma hora para a outra, as crianças têm que deixar a escola, todos têm que se abrigar, as ruas se esvaziam. Como tecnologia não falta, o alerta quase sempre vem em tempo e as vítimas são raras. O estresse, no entanto, está lá. Presente. Constante. Todo dia, toda hora, a qualquer momento. Isto não é vida. É muito pior do que morar de frente ao Pavãozinho, no Rio.
3. Mas o que é uma reação proporcional justa? O que quero dizer é: Israel pode se defender? E, ao se defender, o que pode fazer?
Respostas a estas três perguntas, acredito, vão nos ajudar a nos compreender uns aos outros.
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Lester Burnham: despojar colonos de Golã é fácil e vai acontecer, o acordo está praticamente fechado. Assim como aconteceu com os de Gaza.
Se o Likud não levar a eleição, acontecerá.
O problema é a Cisjordânia.
terra x paz já fracassou quantas vezes? O objetivo do Hamas não é ter terras, é acabar com Israel. Aceditem não em mim, mas no Hamas mesmo.
Pedro,
Eu não seria tão otimista assim…
:-)
não é otimismo , é ingenuidade.
Credun Fas, vai precisar da IDF, mas se decidirem botar pra fora, botam. Mais fácil do que foi Gaza.
Já a Cisjordânia…
A Solução
Parabéns Dória, começou Sábado a operação “solução final” para o seu conflito.
Abraços e desde já, até sempre.
O fracasso de Gaza não foi suficiente. Pedro Doria e os judeus de esquerda querem insistir no erro…
Cada pedaço de terra que Israel ceder em troca de “paz”, cada colono que retirar, vai significar mais guerras no futuro.
Ainda não deu pra entender, Pedro Doria?
Os
palestinosmuçulmanos não querem “paz”, não querem “dois estados”, querem a destruição de Israel, a expulsão de um governo judeu de “terras muçulmanas”.Até o pessoal não entender isso, muito sangue vai rolar.
PD,
Liga na Fox News agora e assiste o programa sobre o filho do fundador do Hamas que se converteu ao cristianismo e hoje denuncia o Islã (e mora hoje na Califórnia). É bem interessante.
Escute o que ele diz sobre o Hamas e sobre o Islã, e esqueça qualquer projeto de “paz”. Pra isso teria que converter todos os caras ao cristianismo.
Tentar entender os caras achando que pensam como nós ocidentais não é apenas inútil, é contra-producente.
agora , ainda acordado, reaprendendo Rain Song e Goin to California (clique no nome), um texto para vocês
No one should have any illusions that this conflict is going to go away. The peace process era, 1993-2000, taught us that Iran, Syria, Hamas, Hizballah, and radical Islamist groups meant what they said. They will never accept peace with Israel. Israel will be involved in a struggle with these extremist groups for decades.
Yet that does not mean Israel cannot—and does not—prevail. It prevails by maintaining good lives for its citizens, developing its economy, and raising living standards, progressing in technology and science and medicine.
Pedro,
Acho que a questão é mais de motivação. Por conta do histórico de atrito, campos de batalha e da importância estratégica, Golan é mais querida do que a Cisjordânia.
Poucos malucos realmente acham que a Cisjordânia é importante para o futuro de Israel mas não acho que a disposicão de abrir mão de Golan seja tão grande assim, especialmente pelas forcas armadas.
Acho ainda, que você viaja quando fala que Tzahal será necessária. Há menos de 17 mil judeus vivendo em Golan. Sozinha Ariel, a maior das cidades/assentamentos na Cisjordânia tem quase a mesma população
Ainda sobre essa população, a maioria mora em Kibutz e Moshav, que possuem uma cultura diferente dos assentamentos mais problemáticos.
E sejamos sinceros, há pouca diferença entre um acordo de paz criado pelo Olmert e papel higiênico usado.
O Sr Pedro Dória poderia explicar isto também?
Urânio contra Palestinos
Gazans subject to depleted uranium attack
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Medics tell Press TV they have found traces of depleted uranium in some Gazan residents wounded in Israel’s ground offensive into the strip.
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Norwegian medics told Press TV correspondent Akram al-Sattari that some of the victims who have been wounded since Israel began its attacks on the Gaza Strip on December 27 have traces of depleted uranium in their bodies.
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AA/DT/CS/MD
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http://www.presstv.ir/detail.aspx?id=80443§ionid=351020202
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***
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O Sr. Pedro Dória poderia explicar isso tb!
Golan não sai.
Vociferar cansa.
Aguardemos enquanto as feras bebem água.
http://www.youtube.com/watch?v=eTGbP55HGi8
ISRAEL BOMBARDEIA A HUMANIDADE
Uma noite de horror, maior que o horror que Israel vem espalhando há décadas, se abate sobre a Faixa de Gaza. Um horror decorrente de uma reação furiosa, desmedida, covarde e vil. Uma invasão que chamam de guerra, quando de um lado estão os tanques, aviões, foguetes e bombas, lançados indiscriminadamente sobre uma população inteira, atingindo crianças, mulheres e idosos indefesos, que vão morrendo às centenas.
Já houve quem dissesse que Israel tem uma ânsia de destruição, uma sede de sangue, e uma torpe vontade de cometer assassinato em massa. Que dilacera a carne de um povo espoliado e massacrado na terra-mãe milenar. Mas a liberdade de um povo, assim como a sua poesia, dilacerada e bela – diz o poeta - ressurge e escapa da destruição, empunhando um fuzil ou um poema, armas de guerra.
Essa verdadeira tragédia não é apenas uma questão regional. É uma tragédia para o mundo inteiro, porque se trata da pratica de uma injustiça. E essa injustiça é considerada uma ameaça para a paz mundial.
O juiz federal Ali Mazloum e o promotor de justiça Nadim Mazloum definem muito bem juridicamente a situação ao afirmarem em artigo publicado na revista Consultor Jurídico que “Um pretexto é o emprego de uma razão fictícia para dissimular a verdadeira intenção. ‘Nós perseguimos os terroristas do Hamas, que se escondem intencionalmente no seio da população’, disse Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, para justificar a recente (atual) matança…’”
Lembram que “Essa crueldade ocorre no momento em que o mundo comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada em 1948 pelas Nações Unidas (ONU). Pouco depois, esse mesmo intrigante organismo internacional veio a promulgar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. Para a ONU, secundando a definição cunhada pelo judeu polaco Raphael Lemkin, genocídio é o assassinato deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e políticas. Pode referir-se igualmente a ações deliberadas com o objetivo da eliminação física de um grupo humano segundo as aludidas categorias.”
Explicam mais que “Pelas Convenções de Genebra e pelo Estatuto de Roma, a utilização de força aérea contra a população civil é crime de guerra. O genocídio é crime contra a humanidade.” E indagam a seguir: “Por que o mundo está indiferente ao assassinato em massa na Palestina? Onde estão os promotores do Tribunal Penal Internacional – TPI – que não promovem os devidos indiciamentos de autoridades israelenses?”.
O mundo precisa perceber que cada bomba lançada por Israel solta estilhaços em toda a humanidade. Da mesma forma que a invasão ilegal do Iraque custou caro a esta mesma humanidade, principalmente àquela nação, que já sofreu cerca de 100.000 baixas, enquanto mais de 4.000 americanos também perderam a vida, segundo dados oficiais. É preciso que cidadãos de todas as nações digam “basta”, para que – no dizer daqueles juristas – “não roubem das crianças palestinas o direito à vida”.
Doze regras infalíveis para redigir notícias sobre o Oriente Médio para os grandes meios de comunicação
1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro, e é sempre Israel que se defende. Esta defesa se chama “represália”.
2) Nem os árabes nem os palestinos nem os libaneses têm o direito de matar civis. Essa prática se chama “terrorismo”.
3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama “legítima defesa”.
4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais moderado. Isso se chama “reação da comunidade internacional”
5) Nem os palestinos nem os libaneses têm o direito de capturar soldados israelenses dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso deve ser chamado de “seqüestro de pessoas indefesas”.
6) Israel tem o direito de seqüestrar, em qualquer hora e lugar, quantos palestinos e libaneses lhe der na telha. A cifra atual está em torno de 10 mil, dos quais 300 são crianças e 1.000, mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os presos indefinidamente seqüestrados, ainda que eles sejam autoridades democraticamente eleitas pelos palestinos. A isso se chama “encarceramento de terroristas”.
7) Quando se mencionar a palavra “Hezbollah”, é obrigatório acrescentar na mesma frase: “apoiados e financiados pela Síria e pelo Irã”.
8) Quando se mencionar “Israel”, está terminantemente proibido acrescentar: “apoiados e financiados pelos Estados Unidos”. Isso poderia dar a impressão de que o conflito é desigual e de que a existência de Israel não corre perigo.
9) Nas informações sobre Israel sempre é preciso evitar que apareçam as seguintes expressões: “territórios ocupados”, “resoluções da ONU”, “violações dos Direitos Humanos” e “Convenção de Genebra”.
10) Os palestinos, assim como os libaneses, são sempre “covardes” que se escondem entre a população civil, “que não gosta deles”. Se dormem na casa de suas famílias, isso tem um nome: “covardia”. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles dormem. A isso se chama “ação cirúrgica de alta precisão”.
11) Os israelenses falam inglês, francês, espanhol ou português melhor que os árabes. Por isso merecem ser entrevistados com maior freqüência, e ter mais oportunidades que os árabes para explicar ao grande público as referidas regras de redação (de 1 a 10). Isso se chama “neutralidade jornalística”.
12) Todas as pessoas que não concordam com as supramencionadas regras são, e assim devem ser chamadas, “terroristas antissemitas de alta periculosidade” .
Texto, anônimo, originalmente redigido em francês.
Texto: Fonte: revista Sin Permiso (www.sinpermiso.info)
Tomado de: http://www.patrialatina.com.br
[...] na casa das dezenas. Veja-se por outro lado: somalis, mesmo às centenas, às vezes não entram.(Pedro Doria, 01/01/2009) Porém, o que neste momento acontece entre palestinos e israelitas faz parte de uma [...]