O adeus a Samuel Huntington
Samuel Huntington morreu na quarta-feira passada e já deveria ter aparecido por aqui, no Weblog. Mas aí houve o bombardeio de Gaza.
Ele é um dos mais influentes cientistas políticos do tempo em que vivemos. Seu livro mais lembrado, nos últimos tempos, é O Choque de Civilizações, mas ele escreveu muito durante mais de 50 anos de carreira como pensador.
Para ele, democracia não funcionaria para qualquer um. Houve o tempo em que, considerou, a cultura católica ibérica por exemplo seria incompatível com democracia. E, com Salazar e Franco, com milicos vários América Latina afora, os fatos faziam parecer que estava certo. Até que deixou de estar.
Huntington ocupa um lugar na história do Brasil: ele serviu como consultor dos generais no período de transição. E se gabava de ter feito um bom trabalho, do tipo que garantiu ao Brasil uma democracia estável.
Suas teorias se punham em oposição às chamadas teorias da Modernização. Um bom grupo de cientistas políticos considera que uma mistura de elementos como maior nível educacional da população, melhor distribuição econômica, enriquecimento do país, infra-estrutura etc. levam naturalmente ao desenvolvimento. Huntington, não. Para ele, a receita ideal para países em desenvolvimento são ordem e estabilidade. Democracia e liberdade podem ser dispensados para um futuro longínquo. Sua fórmula foi aplicada entre os governos Médici e Figueiredo no processo de abertura brasileiro. Anos depois, olhando para o Brasil, o velho cientista costumava dizer que tinha acertado.
Há quem sugira que simplesmente teoriza justificativas racionais para a opressão.
Suas teorias a respeito de democratização costumam ficar restritas aos ambientes acadêmicos. Seu trabalho a respeito do choque entre civilizações, não.
A queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, sugeriu Francis Fukuyama, teria posto fim à história. Para Huntington, um novo ciclo teria tido início. Nele, não seriam nem razões primordialmente econômicas, muito menos ideológicas, que provocariam os conflitos militares. Os novos conflitos seriam culturais, partindo da fricção entre as ‘oito civilizações’: a ocidental (EUA, Canadá, Europa e Austrália), latino-americana, islâmica, chinesa, hindu, japonesa e africana.
O livro saiu em meados da década de 1990 mas, dado o que disse, não é à toa que virou herói de quatro em cada cinco neoconservadores quando houve o Onze de Setembro. Ter-se tornado o principal ideólogo da visão de mundo do governo George W. Bush é uma triste ironia. Democrata convicto, Huntington foi assessor das campanhas derrotadas de Adlai Stevenson (1956) e Hubert Humphrey (1968) e, pasme, foi um dos idealizadores da Doutrina Carter para o Irã.
Um homem absolutamente perspicaz? Ou o homem que costurou em 1995 uma teoria sob medida para justificar um possível ataque norte-americano à China que, por acidente, serviu ao enfrentamento do terror islâmico? A principal crítica a seu trabalho é que, apesar da aparente perspicácia, a teoria é simplista. É como se ela ignorasse o fato de que a globalização fez com que entre as ‘civilizações’ houvesse intensa troca de informação. Como se ele considerasse que suas ‘civilizações’ fossem entidades homogêneas e não cheias de conflitos internos.
(Aliás: alguém aí se sente ‘latino-americano’ ao invés de ocidental?)
Cumpre não transformar suas idéias em caricatura: Huntington considerou a guerra contra o Iraque um equívoco desde que foi anunciada. Ele argumentava o seguinte: embora seja verdade que o conflito entre civilizações esteja presente, aos EUA não cabe aumentar as feridas. O objetivo do país, por ser bem mais poderoso, deveria ser reconciliar as culturas.
Nos últimos anos, não era o Islã que o preocupava mais. Éramos nós, latino-americanos. As ondas migratórias da América colonizada pela Ibéria em direção aos EUA, ele sugeria, poderiam rachar definitivamente seu país, descaracterizar sua cultura, talvez até criar uma nação com duas línguas.
Talvez.
Samuel Huntington tinha 81 anos e deu aulas em Harvard dos 23 até o ano passado.
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huntington tinha razao.
Huntington era uma besta. Sustentação intelectual (?) para ditaturas e intervenções militares. Já foi muito tarde. Quando acertou mirou no coelho e matou o pombo, golpe de sorte adaptado aos eventos que jamais preveu com exatidão. Nostradamus de araque.
Post bacana, PD.
Olha, eu acho que nos somos latino-americanos sim. Mesmo não gostando. Os argentinos tambem não gostam.
Mas os norte-americanos tambem tem muito de republiqueta. A Era Bush expos isso.
eu sou brasileiro.
E o huntington era um proto-facista.
(mãe, cabei!)
eu sou ocidental. E o Huntinfgton tem razão.
excelente texto.
Não gosto das ideias dele sobre o crescimento que influenciaram as ditaduras. Mas a ieia das civilizações me parece correta (embora eu ache que o Japão já tem muito da ocidental, não sei se é uma civilização em si).
E a Russia, (com seuis satélites não islâmicos, tem alguns, né?)onde entra nisso? Não me parece ocidental, não tem a menor tradição democrática.
Temos aí o formulador da teoria da abertura lenta e gradual de Golbery/Geisel.
Convenhamos que a idéia de que a democracia não se aplica a países com determinados estágios de desenvolvimento sócio-cultural e econômico não é patrimônio dessa direita ou daquela esquerda. Nas duas, tem gente que defende a proposição.
Parecem esquecer que a suspensão ‘legítima’ do processo democrático não fica apenas na suposta tecnicalidade, mas sim leva à consolidação da exceção, aos absurdos na área dos direitos humanos e políticos e ao travamento do desenvolvimento político e educacional.
Temos visto isso por aí.
Carlos Fuentes, escritor mexicano, escreveu um artigo muito bom criticando a tese de Huntington sobre essa “invasão” latino-americana aos EUA.
http://www.infoamerica.org/portada/fuentes.htm
eu acho óbvio que somos latino-americanos, mas creio estarmos, nós latinos, inteiramente inseridos na cultura ocidental.
Já vai tarde esse reaça. Samuel Huntington foi um velho teórico da guerra do Vietnã, dirigiu o Instituto John M. Olin de Estudos Estratégicos em Havard. Seu esquema explicativo do confronto cultural entre mundos é criação ideológica a serviço da divisão Ocidente (democracia) versus seus inimigos seculares representados pela aliança islâmica-confucionista, passando por cima de todas as evidências históricas que tornam sua justificativa da política bushista do eixo do mal uma balela. O Doria gosta, recheia o texto com a palavra democrático e seus serviços para as ditaduras etc. Acho que o Doria acredita piamente nessa divisão, como pode-se perceber nos posts sobre a ação sangüinária de Israel em Gaza.
Na cabeça de Huntington, o cheque entre civilizações marcadas pela religião substituirá a guerra fria na política global. Ideologicamente, tenta suscitar um consenso capaz de superar as divisões e diferenças entre as nações da sociedade “ocidental” definindo o “império do mal” como inimigo dessa civilização, claramente identificados como chineses e islâmicos, cuja salvação é se ocidentalizar sob a força do campeão da liberdade, os EUA, claro.
É Doria, vc. anda sendo colonizado direitinho por aí.
Típico autor de aluguel, com “teorias” a serviço de dissimulações dos reais interesses envolvidos nas disputas internas e externas dos países que dizia ter estudado.
Dividir o globo, atualmente, em ocidente e oriente, é tão simplista quanto pretender que a África, por exemplo, represente alguma unidade cultural ou econômica.
O panorama econômico/cultural da América Latina é, sem dúvida, distinto do vigente nos USA e Europa. E dai ? Seriam as diferenças culturais fortes e hábeis o bastante para ensejar conflitos ?
A maioria dos chamados estudiosos político/sociais da sede do império trabalha, há muito tempo, com paradigma comum : a busca de fatores que dissimulem os interesses econômicos como base de TODOS os conflitos.
Uma coisa é utilizar costumes ou faces religiosas para unificar identidades e enfrentar conflitos. Isso é tática.
Outra coisa é tomar costumes e religiões como como fundamentos de conflitos. Isso é cinismo.
O falecido representava o segundo caso.
Nada como uma ideologia de conflito para justificar um imperialismo, agora chamado de ocidentalização. Lembrando que ele considerava que o modelo norte-americano deveria ser adotado por todo o ocidente cristão, inclusive nós da periferia do capitalismo. Uma graça, esse Huntington, prestador de bons serviços às ditaduras.
Doria anda cada dia mais parecido com o Olavão.
Na autobiografia MEU ÚLTIMO SUSPIRO: “Só sou sensível ao mundo greco-romano onde nasci.
Surf e Nada……o cara fez muito sucesso e suas perfomances(é isso?) nas aulas eram super comentadas. Se tinha como um herói intelectual.
Li um texto de um seu critico, há alguns anos, que o desmistificava e revelava os furos de seus trabalhos.
Acho que poucos o levavam a serio hoje em dia.
talvez o Dick Cheney e a Condoleeza, quem sabe.
O caso do Brasil é ainda mais complexo: não somos nem ocidentais nem latino-americanos.
Lá se foi o pai do choque de generalizações.
BLOG BISCOITO FINO E A MASSA de Idelber Avelar
Carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset, soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz:
“…..
Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.
5)Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.”
O Brasil é complexo, temos mais de uma cultura aqui. Uma parte vive no Ocidente, mas muchos son latinos. E varia com a ocasião tambem.
Soy latinoamericano y nunca me engano.
Mas e a Russia & cia, em qual das 8 aê se encaixam?
O livro do falecido já era uma tolice reacionária a começar do título - “Choque de civilizações”, como se “civilizações”, que são conceitos, pudessem entrar em choque, umas com as outras, travar guerras, etc. SOCIEDADES - reais, históricas - entram em choque, relacionam-se, tomam emprestadas umas às outras e modificam suas práticas culturais, econõmicas, políticas. O que um Huntington faz é criar uma idéia arbitrária e a histórica de “civilização ocidental” e equiparar este fantasma com o Imperativo ético kantiano e a História: quem é contra o Capitalismo , o Mercado e a Democracia Liberal Burguesa está fora da História e da Moral e tem de ser trazido de volta à uma e outra pela força…
Este tipo de raciocínio reaça acaba por dar em coisas como um episódio da recente campanha à prefeito do tribuno reacionário Fernando Gabeira, que chamou uma ativista da Zona Oeste do Rio de “atrasada”, por defender o Socialismo, coisa, para ele, da “Coréia do Norte” (=amarelos atrasados), onde “prendem gente”. Como se no “moderno” e “ocidental” Rio de Janeiro de hoje, não existissem grupos paramilitares da Zona Oeste que são, ao mesmo tempo, “modernos” empresários capitalistas e “atrasados” chefetes locais que fazem bem mais do que “prender” pessoas….
O mais interessante disso tudo é que os “assessores norte-americanos” dos golpes acontecidos por cá, aos poucos, vão ganhando nomes.
Os assessores das “técnicas de tortura”, os “assessores das “técnicas de provocar pânico” etc. quase todos estão ganhando nome, sobrenome, endereço etc.
E o mais incrível ainda, são todos norte-americanos.
Quer dizer que a esquerda brasileira sempre esteve certa.
Ora, ora, quem diria, e eu que às vezes, duvidava disso, agora, a cada dia, ganho mais cereteza.
E ainda dizem que brasileiro tem apena raiva infundada dos norte-americanos.
Figurinha carimbada o tal de Huntington, hem? É uma pena que não tenha morrido há 81 anos. Ninguém teria sentido sua falta. O panaca só não descobriu uma coisa: civilização é algo que nunca existiu, nem jamais existirá, nos Estados Unidos. Obaminha Oba Oba garante que continuará assim, pelo menos nos próximos 4 anos.
Curiosidade minha: quem aqui já leu o livro do Huntington? Infelizmente, não o fiz ainda… E vocês? Se leu, o que achou?
Caracobama, o cara quer que eu releia o livro?
Tô satisfeito.
Surfando, #24, se o cara sou eu… bem, eu não pedi para ninguém reler o livro. Eu perguntei se alguém o leu.
Conheço muita gente que realmente odeia o Huntington, mas quase ninguém o leu. Ademais, a maioria dos comentários li aqui eram bastante desinteressantes, geralmente sendo algo do tipo “ele estava certo, morte aos muçulmanos!!!” ou “ele estava errado, nazista!!!” Não parece coisa de quem tenha lido e, portanto, resolvi perguntar a opinião de quem leu…
Surfando na jaca do urubu, não que lhe interesse, mas já dizendo, acho que o Huntington está errado.
Nunca levei esse cara a sério, na graduação li alguma coisa sobre as idéias dele (e não gostei, larguei mão), não lembro se fui eu ou alguém do grupo que levantou a reação dos “latinos” quando da invasão de Granada e a Guerra das Malvinas (quando falamos das idéias dele), e o papo ficou por aí.
Aos caros colegas de palpitagem que se dizem latino-americanos.
Aqui, no Brasil, nós somos latinos, graças aos Deuses. Mas não somos latino-americanos, somos americanos. Explico por quê.
O nome América, todos aprenderam no colégio, vem de Américo Vespúcio. Navegador italiano a soldo do rei de Portugal, as únicas terras do novo continente que visitou foram as costas do Brasil. Do Rio de Janeiro, mais precisamente (sorry, Piratininga). Volta à Europa, convence um cartógrafo holandês amigo a dar seu nome às novas terras. Que, no planisfério do amigo, eram apenas a costa leste da América do Sul.
Então, o primeiro lugar que se chamou América foi o Brasil. O segundo, a América do Sul. Por fim, o nome América se estendeu ao continente do norte.
Quando os diversos países da América tornaram-se independentes, muito tempo depois, viram que seria ilógico reivindicar para si o nome de um continente, então cada um adotou seu nome local. As 13 colônias da América anglo-saxã não escolheram qualquer nome quando se livraram da Inglaterra, provavelmente pela ideologia profundamente federalista de que estavam imbuídas. Ressaltaram esta concepção fragmentada de governo adotando o nome oficial de Estados Unidos. Para situarem-se no mundo, acrescentaram o América ao título.
Tanto os EUA tinham noção de que não eram a América, que o nome oficial de suas instituições nunca incluía o nome America. Existe o U.S. Army, não o American Army; a U. S. Navy, não a American Navy; o presidente é identificado pelo Seal of the President of the United States, não pelo Seal of the President of América; o legislativo de lá chama-se United States Congress, dividido em United States Senate e United States House of Representatives.
Chega, isso está mais do que demonstrado. Passa o tempo e o povinho lá dos States, cuja ignorância em termos de história e geografia do mundo é proverbial, esquece tudo. E passa a achar que América são eles. Muito pior, gentes de outras terras macaqueiam a toleima. Como aqui no Brasil. Os tolos se acham profundamente sofisticados quando chamam os EUA de América, afinal os “americanos” também fazem assim, e nós, os sofisticados, somos brasileiros por um triste acaso, na verdade somos new yorkers que por um acidente geográfico (como diria o Jorge Benjor) nascemos em… argh… Pindorama.
Outra coisa profundamente ridícula é considerar Ocidente a Europa e os EUA. A cultura ocidental tem como único ponto comum de identificação a herança grego-latina. Nem o cristianismo é exclusivamente dela. Ora, como a cultura grega clássica foi engolida pela latina, a cultura ocidental é por excelência a cultura latina. Então, a América ocidental por excelência é a Latina, ou seja, simplesmente a América. A América anglo-saxã, representada apenas pelos EUA e uns pedaços do Canadá, só se incluem na ocidentalidade pelo que tem de latino em sua cultura.
Não estou fazendo graça. Vejam o inglês, um idioma profundamente primitivo. Todo seu vocabulário, mas todo mesmo, que se refere a cultura, ciência ou filosofia é de origem latina, quando muito de origem grega via latim. Podemos dizer que as tribos bárbaras anglo-saxãs só podem ser incluídas no Ocidente pelo que receberam da cultura latina. Não se civilizaram ainda totalmente, nem creio que algum dia o façam, mas se não fossem os latinos eles ainda estariam muito perto das cavernas.
Então, caros amigos, existe a América, que vai da pontinha da Terra do Fogo ao norte do México, reaparecendo em pedaços do Canadá, e existe a América Anglo-Saxã. Nós somos americanos e ocidentais; eles são estadunidenses e ocidentalizados.
O resto é deslumbramento, complexo de colonizado, ou simplesmente bobeira. Tchau e um abraço.
E tem mais, João Daltro: como bem lembrou o Edward Said, o islamismo, que desde o século XVIII é tido como “oriental”, é na verdade uma continuação (dialética, claro, é e é outra coisa) do Cristianismo oriental, o califado árabe é uma continuação da autocracia bizantina (i.e., romano-oriental) , o “dinar” muçulmano é o denário romano, Santo Tomás de Aquino aprendeu seu Aristóteles pela via de comentaristas árabes, e por aí vai…
Melhor cair fora antes que apareça mais alguém e me convença que os chineses é que são os donos da bola.
kkkkkk rsrsrsrsrsrsrs
:-)))))
De boa, João Daltro & Carlos, bem lembrado.
:-)
Vamos começar: eu não sou latinoamericano. Sou brasileiro. E ocidental. Grécia.
Quanto a Huntington e o perigo hispânico dos EUA acho que talvez um dia possa existir um novo país chamado Norte da América do Norte.
Uma parte da América já não se reconhece mais.
Isso pode ser bom, propriciando a criação de uma nova cultura, ou pode enveredar por caminhos que no momento passa pelo que se poderia chamar de susto seguido de melancolia : de repente a América não é a ” nossa” , se perdeu.
Haverá uma busca do sonho perdido ?
Ou o sonho se realizou?
respostas para a redação, por favor.
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Pedro Doria, tudo me interessa, até suas opiniões discordantes das minhas. Só não posso é me calar diante de tanto trabalho gramsciano por aqui. Vc. anda me obrigando à militância.
Tem cada um. O outro quer se achar alguma coisa, grego, ianque, da galera galagay etc. É como se identidade a gente comprasse e trocasse quando a moda pedir ou como se fossem sapatilhas de bailarina.
Vai preencher seu papelório para ir aos EUA e escreva que vc. é grego e vê no que dá, seu cucaracha hispânico!
Surfando na jaca do urubu: nos EUA, sou tecnicamente hispânico. Aliás, meu ‘cargo’ em Stanford é o de Knight Latin American Fellow. Não tem sequer como esconder. Somos dois. Eu e outro, nicaraguense. Somos pares.
Se o chesterton um dia precisar preencher um formulário nos EUA, ele poderá se revirar em dois, em três, em quantos quiser… mas será hispânico.
Coisas de burocracia, talvez. Se o chesterton fosse negro, teria a opção de se identificar como African-American. Acaso fosse judeu, poderia optar por ‘judeu’. Mas sendo católico, branco e brasileiro, não tem escapatória. É hispânico.
Agora, cá entre nós: o que somos? Eu, de minha parte, sou latino. E latino não é hispânico. Latinos são os herdeiros do Império Romano. Minha língua vem da língua daquele império. Praticamente toda minha família vem de províncias daquele império. Minha cultura é romana, não é bárbara. Sou branco, mas meu cabelo é castanho escuro, meus olhos são castanhos.. o fenótipo todo: europeu do Mediterrâneo. (Mais as misturas que o Brasil nos deu.) Seja na Itália, na Espanha, em Portugal… até na França, encontro imediatamente pontos culturais em comum num se portar, num gesticular, no organizar da casa, até na compreensão da língua por toda base que temos em comum.
E, olha, se vc me oferecesse a escolha, entre ser fruto da cultura Romana e fruto daquela saxã, dos bárbaros, com todo respeito que tenho aos bárbaros, permaneceria latino =)
PD, #35: bacana; e ainda seria possível ir além. A possibilidade de escolha existe ou pode ser construída independente da ascendência. Coisa que talvez soe exótica para muitos anglo-saxões amigos de sociologias que compartimentalizam. Sergio Paulo Rouanet para quem quiser mais conversa nesse rumo: http://veja.abril.com.br/050105/p_078.html
Enfim - o que eu ia mesmo dizer é que, do meu ponto de vista, por essa e por várias outras este blog mantém sua força gravitacional:>)
Tem nego que tá precisando de divã de analista. Crise de identidade a essa altura do campeonato?
Não tem escapatória, somos por educação brasileiros, cristãos e cucarachas não hispânicos, ou cucaracha hispânicos para os ianques. Assim como eles são gringos para nós. As diferenças de sociedades são evidentes. Somos barrados na Europa e nos EUA. Por fenótipo, somos identificados com qualquer coisa, pois tem brasileiro de tudo quanto é tipo, mas o típico brazuca é moreno, um mestiço. Mas não somos europeus e nem ianques. Não pensamos como eles, pois não vivemos a realidade deles, nem sequer próxima, como a dos argentinos. Querer se imaginar cidadão do mundo ocidental como identidade não cola, dá é vontade de rir a qualquer sambista se imaginando como um gringo sambando. Pode ser que vc. se sinta assim, um nórdico, quase um viking. Mas não será visto assim aí e nem na Europa. Vc. sabe disso. Eu aprendi a lição quando tentei cantar uma norte-americana branca de olhos azuis. Por isso sou revoltado até hoje.
O nível dos comentários está baixo… O que houve? Beberam muito no Natal e ficaram de porre até o Ano Novo?
Qual comentário? Esse cara vive reclamando.
Eleva o nível, vossa sapiência franciscana.
Cultura. E não raça.
Sou brasileiro. Por nascimento e por cultura. Sou ocidental. Por que o Brasil é um pais filho do Ocidente. Da Cultura Ocidental. Que nasceu na Grécia. Que passou por Roma, o que me faz filho da Cultura Latina também, e com muito orgulho, se espalhou e misturou com tribos bárbaras que viviam na provincia romana de Portucale. ( Taí o grande Viriato que não me deixa mentir. ). O que me faz filho da Cultura Lusa também, e com muito orgulho. Que descobriu o Brasil, país ocidental até a raiz dos cabelos.
Cultura e não raça.
Sou filho físico, avós maternos e paternos, da Itália e Portugal, nascido ás margens do Ipiranga, de pais brasileiros, com muito orgulho.
Me sinto em casa na Itália, Portugal e Espanha.
Não sou latinoamericano nem por um cacete, eles que se entendam lá nos EUA com suas respectivas identidades e hispanidades em papéis e formulários.
A minha é firme e forte.
Outra coisa, sou católico, apostólico, romano. Devoto da Virgem Santíssima e de São Francisco de Assis, Santo a que consagrei minha família e para quem, todas as noites e ao amanhecer rezo um Pai Nosso e uma Ave Maria pedindo para que as palavras do Filho de Deus, Jesus Cristo, amai-vos uns aos outros, seja finalmente compreendido e praticado pelo bando de brutos que dividem comigo este vale da lágrimas, até que, - creio nas palavras de Saulo, Paulo e depois São Paulo, - até exista somente o Amor, aquele que move o sol e as estrelas, como escreveu Dante, outro avô de minha humilde pessoa, ao lado de Pessoa, Camões - alma minha gentil que te partiste- e outros mil, do Brassil.
Outra coisa, o ” latino ” que os franceses, por razões políticas, para se contrapor à influência norte americana, inventaram para a ” América Latina ” ; e o ” latino ” dos americanos, inventados por eles para facilitar estatisticas ou seja lá o seja, podem ser embrulhados com O DIA, em seu piores dias, e jogados na lata de lixo do Maracanã, situada ao lado da gloriosa estátua de Bellini, que Deus o tenha e guarde juntamente com Mané, Didi, Vavá e outros tantos heróis da Copa de ‘58,que já se foram. E deixo aqui também um beijo na testa de Barbosa que não teve culpa nenhuma naquele gol ( o uruguaio errou o chute levantando um naco de grama traindo assim o grande e inesquecível Barbosa, o melho goleiro do mundo, á quem o deus Pelé dedicou a vitória de 3 x 1, na copa de ‘70, resgatando assim a honra pátria e fazendo a tal celeste olímpica deixar de ser besta e reconhecer nossa inequivoca superioridade.
É isso aí.
Passo pelas imigrações e alfandegas da vida de olhar castanho e sereno. Orgulhoso de minha herança grega ocidental.
herança grega que devemos tanto aos árabes que a guardaram para nós ocidentais. Vc. pode se sentir à vontade na Espanha e no cafundó do Judas, pois cabe aos seus sentimentos, cabe perguntar é se seus hospedeiros sentem que vc. é tão ocidental como eles.
Olha eu estava na dúvida em qual categoria eu me enquadrava até que o PD descreveu a dele e eu fui lendo e me encaixando direitinho.
Sou Branco, Cabelo Negro, olhos Castanho esverdeado (hazel).
Já fiz minha árvore genealógica, tem judeu, índio, holandes e a 80% português.
ou seja, tirando a parte holandesa e ameríndia, o resto é latino mesmo.
aeeee me encontrei
sou um Latino-mulçumano-brasileiro.
É tem gente gente com crise de identidade séria. Bate o pézinho e diz: não sou latino-americano!
Deve ter nascido na Europa e reencarnou no Brasil, como cucaracha brazuca.
Nem Pai Angola dá jeito.
Sou muçulmano, malhadão, moreno sensual, pai de santo nas horas vagas e da nação rubro-negra. Meus olhinhos são verde abacate de curupira. Me sinto ocidental em qualquer lugar de minha casa. Super-bem… Espero não virar japonês ou chinês de tanto acompanhar a memento em restaurantes orientais.
To morando na Espanha faz uns anos já. Nao sei muito bem como me definir, entao vou dizer que sou apenas um rapaz latino americano, evidentemente sem dinheiro no bolso.
Por aqui o brasileiro nao é considerado hispanico. Tambem acham estranho quando digo que somos latino americanos. Nao nos enquadram em nenhuma categoria, o que os leva muitas vezes a simplesmente nos ignorar.
Outro dia estava lendo o Marca, que é uma coisa que se acha um jornal esportivo, mas na verdade é o boletim diario do Real Madrid. Num artigo sobre o Robinho, o distinto periodista do Marca dizia que o brasileiro era um ingrato por ter saido do clube, já que o Real Madrid o havia revelado para o ocidente.
Até esse momento eu pensava que o Brasil era um país ocidental, e que o Santos, sendo um clube brasileiro, já havia revelado o Robinho para o ocidente. Ledo engano. Para o Marca, e para a maioria dos espanhois, o Brasil nao figura na categoria paises ocidentais.
Por tanto , por mais que muitos aqui se orgulhem de suas raizes ibericas, mediterraneas ou europeias de qualquer tipo, saibam que por aqui o ser brasileiro nao é igual a ser ocidental.
nisso o surfando na jaca e o antxon estão certos, Brasil não é considerado país ocidental.
de acordo com o huntington, vai o mapa aí, parece o o PD esqueceu os ortodoxos, isso responde a questão da russia.
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Clash_of_Civilizations_map.png
Olha dando uma olhada rápida no wikipédia, deu pra ver que existe vários tipos de ocidente, um político outro economico e até o histórico e religioso, o Brasil pelo que eu vi se enquadra em vários, mas no principal o econômico ele fica pra trás por isso deve ter sido desclassificado.
Então pelo que eu entendi é o seguinte, dentre todos os critérios, políticos, econômicos, etc.
uma País para ser considerado ocidental tem que ser aprovado em todos.
Ex: Japão, Kuweit, Austrália.
Ricos(IDH alto)? todos
Democráticos? sai Kuweit
Cristãos? sai Japão
Tem Ligações com o Império Romano(alfabeto latino)?
Sobrou a austrália.
O Resto pode ser rico, democrático, a mesma cara que um italiano, ser não deu check em tudo não é ocidental.
Somos latino-americanos, tanto quanto nossos vizinhos da américa-espanhola. E eu que achava que essa de se achar “europeu nascido na américa do sul” fosse exclusividade dos argentinos…
Surfando na jaca do urubu,
“mas o típico brazuca é moreno, um mestiço”
acho que vc viajou nessa, o brasileiro típico é branco, afinal somos 49,9% da população.
ao contrário dos mestiços 43,2%.
Engraçado como a teoria de Huntington sobre a necessidade de estabilidade e ordem para o desenvolvimento, ao invés de democracia, tenha paralelos consistentes em Max Weber, que viveu durante o Império Alemão dos Hohenzollern na Alemanha, e do cientista político chinês atual Fang Ning. É provável que Huntington tenha lido Weber, mas pouco provável que ele e Ning tenham trocado informações.
Sobre a compatibilidade ou não entre catolicismo e democracia, recomendo o ensaio de Max Weber sobre as cidades, que faz parte do capítulo “sociologia da dominação”, de sua grande obra Economia e Sociedade. Weber demonstra como, durante a Idade Média, a consolidação do Direito Canônico pela Igreja foi aproveitada pelas burguesias para conquistarem estabilidade jurídica, o que não havia quando os julgamentos eram comandados pelos nobres. Tanto que o partido guelfo, a principal força revolucionária burguesa da Idade Média na Itália, se organizou em torno da defesa do Papa contra o Imperador do Sacro Império Romano Germânico.
Para os que querem definir a identidade própria e de outrem sugiro uma passada no Instituto Félix Pacheco. Sairão de lá com as dúvidas e definições sanadas…
eis uma curta entrevista dele pro charlie rose em 1997 falando sobre o choque de civilizações.
http://www.youtube.com/watch?v=7pYTmzEhRHY&eurl
Pedro, faz tempo que eu não aparecia por aqui.
Mas, de vez em quanto, a gente volta.
Também escrevi um “post” sobre o recente passamento do Huntington. Que tal?
E vi também que a discussão aparentemente foi boa sobre o assunto. Eu só li uma tradução do artigo inicial do Choque das Civilizações, que a Veja publicou em um livrinho na década de 1990.
Abraço!
O catolicismo é romano. Está no inconsciente do homem ocidental. Gostem ou não.
Península:
Ibérica - grego
Hispânica - latim
Sefared - hebraico
Andaluzia - árabe (muçulmana)
Pois é, Surfando, essas gringas louras de olhos azuis não descem aqui pra baixo pra pegar um cucaracha, tem que ser um negão mesmo.
Proponho um sistema de compensação de cotas: os afrodescendentes têm suas vagas nas faculdades e dão aos (aqui considerados) brancos uma cota nas gringas…
Não li O Choque de Civilizações, como parece que os demais comentaristas deste post também não o fizeram (ao menos ninguém afirmou isso categoricamente). Assim fica mais difícil criticar o pensamento do autor.
Samuel Huntington organizou há alguns anos, junto com outro autor (Lawrence E. Harrison), um ótimo livro chamado A Cultura Importa (Culture Matters: How Values Shape Human Progress). Esse eu li.
Tudo vai bem no argumento culturalista dos autores até que chega o capítulo dos antropólogos, que simplesmente põem abaixo, com tremenda habilidade, a tese dos organizadores do livro, e mostra que tanto há aspectos “progressistas” na cultura dos países em desenvolvimento quanto aspectos “hostis à prosperidade” na cultura dos países desenvolvidos.
Fukuyama, um dos culturalistas junto com Harrison e Huntington, chega a falar logo nos primeiros capítulos de “cultura errada”. E é imperdível, no final do livro, o diálogo entre os antropólogos e os culturalistas latino-americanos Mariano Grondona, Carlos Alberto Montaner e Daniel Etounga-Manguelle — que subscrevem a tese de Harrison e Huntington.
PS: O fato de Huntington ter mantido a seção dos antropólogos em seu livro dá demonstrações de que, ao menos, ele era intelectualmente honesto. He will be missed.
PPS: Meu comentário anterior ainda está aguardando liberação do moderador (PD). Se o que eu disse acima não fizer o menor sentido, é porque o comentário com o devido contexto ainda não foi liberado.
Pedro Dória,
Imperdível o seu comentário. Eu o havia lido e pensara em contar uma pequena história que, embora não tivesse um bom contador, tenho certeza acrescentaria algo ao seu texto. Para contá-la precisava da ajuda de um texto de Marcelo Coelho publicado na Folha de S. Paulo em 2006.
Vou contar a história, primeiro na minha versão, tal qual eu a contava para amigos ou colegas quando precisava falar mal de Fernando Henrique Cardoso, e depois na versão de Marcelo Coelho, sem dúvida, a mais próxima da realidade.
Eu não gostava de FHC, principalmente não gostava da ideologia de união nacional, de pacto nacional que alguns escritos dele no jornal Movimento deixavam transparecer que ele era defensor. Pensava e penso que a idéia de pacto nacional tem natureza fascista. É bem verdade que os pactos foram utilizados, talvez mais por interesses oportunísticos, por governantes democratas de esquerda. Ele fora ensaiado pelo Primeiro Ministro da Áustria, o socialista Bruno Kreisky, tentado por James Callagham, primeiro-ministro trabalhista inglês, com resultados frustrantes, pois perdeu a eleição, e executado pelo socialista Felipe Gonzáles na Espanha na ratificação do Pacto de Moncloa com origem no governo de Adolfo Suárez. O êxito de Felipe Gonzáles fica diminuído se considerarmos que a situação hoje em Portugal que não teve pacto não difere muito da situação da Espanha. Minha crítica ao pacto não é em relação aos resultados, mas sim em relação ao seu aspecto fascista de colocar os interesses da nação acima de todos os outros não se sabendo quais são esses interesses da nação.
Pois bem, após as eleições de 1978 ou de 1982 (na minha versão eu não tinha certeza sobre as datas), provavelmente na Band, e eu contava que fora em um programa de Hebe Camargo, houve uma mesa redonda em que estavam presentes FHC e Fausto Wolf ( Não entendi até hoje, exceto pelo tamanho, porque eu coloquei na mesa de discussão o Fausto Wolf). Durante a discussão, por alguma razão, o Fausto Wolf teria citado o Samuel Huntington. FHC então interveio dizendo que Samuel Huntington defendia o golpe de 64 (Eu estava abandonando um curso de engenharia elétrica e embora já lesse bastante na área de sociologia, não estava familiarizado com a linguagem e por isso notei que FHC usara um outro termo no lugar de defende e que eu preferira expressar por afirma). O Fausto Wolf tentou de novo usar o Samuel Huntington e FHC fez a mesma cortada. Na terceira tentativa, FHC disparou algo, que eu dizia assim: “se nós formos falar sobre sociologia eu ponho você de cabeça para baixo”. Aquilo me impressionou e mais aumentou a minha desconsideração por FHC.
A bem da verdade FHC estava certo quanto ao Samuel Huntington, mas a fala dele não me parecia inteligente, ainda mais considerando o tamanho e o peso de Fausto Wolf.
Era assim que eu contava a história e, mesmo com as falhas da memória, em minha opinião, ela acrescenta em qualquer biografia de Samuel Huntington e de FHC.
Para que o acréscimo fique melhor transcrevo a seguir a mesma história contada por quem sabe escrever (Marcelo Coelho na Folha de S. Paulo de 05/04/2006) e com as correções factuais que a tornam mais digna do seu belo texto: “Lembro-me de um debate transmitido pela rede Bandeirantes em 1978, quando Lembo e Fernando Henrique Cardoso eram candidatos ao Senado. Lembo sustentava civilizadamente o regime militar, coisa impossível de ser feita. Fernando Henrique estalava de auto-suficiência sociológica.
Lembo resolveu citar o cientista político Samuel Huntington, hoje famoso pela teoria do “Choque das Civilizações”. Já nessa época, Huntington era um teórico dos mais contestáveis: via nos governos autoritários da América Latina um fator de modernização. Fernando Henrique descartou num safanão verbal a aventura teórica de Cláudio Lembo.
“Huntington justifica a ditadura”, disse Fernando Henrique. Sempre disposto a assentir, Lembo esboçou uma resposta. “Justifica, mas…” Foi interrompido pelo príncipe dos sociólogos. Cito sem exatidão, mas foi algo assim. “Pode parar, porque desse assunto eu entendo mais do que você.” Lembo recolheu-se à sua insignificância. Eleitor de Fernando Henrique na época, fiquei entre o embaraço e o alívio; mas, sem dúvida, naquele momento, era Fernando Henrique o representante do autoritarismo no debate”.
Quando li esta história, foi de uma emoção sem fim. Voltava no tempo, retificava alguns erros e me satisfazia em saber que mais alguém havia visto o programa, pois até aquele dia me parecia que só eu o assistira. Ficou, entretanto, o nostalgia inconclusa, por que eu colocara o Fausto Wolf na história, se a única referência eram os escritos dele no Pasquim?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 10/01/2009