Israel parte para o ataque contra Gaza
de olho nas eleições internas de fevereiro
Para destacar o tamanho do ataque que Israel lançou contra Gaza hoje de manhã, basta uma informação: é o maior ataque à região desde que ela foi conquistada, na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Contagem neste momento: 195 mortos.
E este violento ataque é político.
Ontem, a imprensa israelense divulgou uma nova pesquisa de intenção de voto. Na anterior, o Kadima – atual ocupante do governo – havia empatado com o partido de direita Likud em 30 a 30%. Nesta pesquisa mais recente, o Kadima desceu para 26 e o Likud manteve os 30%. O partido nanico de ultra-direita Yisrael Beiteinu mantém, segundo as pesquisas, constantemente, o mesmo tamanho do tradicional Partido Trabalhista.
O Hamas vem, nas últimas semanas, enviando foguetes contra Israel constantemente, dia após dia. É exatamente o tipo de provocação que, embora cause pequena destruição e raramente atinja pessoas, fortalece a direita em Israel. Dá ao centro e à esquerda no governo a aparência de fraqueza.
(A conta é a seguinte: desde o cessar-fogo, partiram de Gaza 54 foguetes Qassam e Grad. Morreu um israelense no total. E duas adolescentes palestinas.)
No atual governo, o premiê Ehud Olmert é do Kadima e o atual ministro da Defesa, Ehud Barak, é trabalhista. Barak, aliás, é o candidato trabalhista ao cargo de premiê. Ele vinha resistindo a qualquer tipo de reação. Mas os números dizem o seguinte: suas chances de retornar ao cargo de primeiro-ministro, que ele já ocupou, são mínimas. Se o Kadima não fizer de sua atual líder, Tzipi Livni, premiê, nem cargo de ministro Barak e seu partido terão. E o Likud no governo é a promessa de uma Israel ainda mais resistente a acordos de paz. Um, com a Síria, já está um bocado encaminhado e é um passo importante em direção à independência da Palestina.
Mas 195 mortos?
O ataque já vinha sendo planejado. Na quinta-feira, a ministra das relações exteriores e candidata Tzipi Livni esteve no Egito, numa visita de Estado. Em discurso, alertou que os constantes lançamentos de foguetes não seriam tolerados para sempre. Havia um acordo de cessar-fogo, afinal, que o Hamas se recusava a cumprir. E que, talvez, o Hamas não consegue cumprir por não ter controle sobre todos os seus.
Os F16 israelenses agora concretizaram o fim do cessar-fogo, que já era fictício.
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