Henry Kissinger lê Marx e prevê
o papel dos EUA em 2009
Na direita, os amadores jogam Marx no lixo; os profissionais o lêem atentos. Cá está o ex-secretário de Estado norte-americano Harry Kissinger:
Qualquer regime econômico, mas principalmente a economia de mercado, produz vencedores e perdedores. Se a diferença de qualidade de vida entre vencedores e perdedores for muito grande, os perdedores se reúnem e promovem politicamente uma mudança do sistema econômico vigente, dentro do país ou entre os países. Este fenômeno será visto repetidamente em 2009.
Kissinger escreve na edição The World in 2009 da revista britânica The Economist. A edição, que sai todo dezembro e faz previsões a respeito do ano seguinte, está entre minhas leituras favoritas há anos. Além de haver um artigo do presidente Lula nesta versão 2009, o Brasil está citado por toda parte, desde o editorial de abertura. Mas isto fica para outro post. A Kissinger.
O velho diplomata dedica seu artigo a uma interessante análise dos resultados políticos do modelo econômico implantado no mundo desde a queda da União Soviética. Quem estiver à esquerda pode chamar de neo-liberalismo. Kissinger o chama de Consenso de Washington.
Segundo Kissinger, o modelo é falho. Desde que foi adotado internacionalmente, despertou uma série de crises no México, nos Tigres Asiáticos, na Argentina. Ele diz que, nos EUA e na Europa, as crises foram interpretadas como vacilos de quem não se habituou com o sistema. Ninguém entre os ricos imaginou que o problema estivesse no próprio sistema, quanto mais que a crise pudesse se reproduzir em casa.
O pulo do gato para entender a falha, segundo Kissinger, é perceber um descompasso. O sistema econômico mundial foi globalizado. O sistema político, não: continua se baseando no Estado nação. Portanto, quem dita as regras para a economia internacionalizada é cada país individualmente. (Segundo a direita tacanha, internacionalização do poder político é coisa de comunista. Kissinger há de estar a serviço do ouro de Moscou.)
No caso da crise norte-americana, ele a explica da seguinte forma: durante os últimos 15 a 20 anos, tomados por um espírito de grandeza e algumas doses de arrogância, os EUA imaginaram que poderiam gastar o quanto quisessem, financiar quantas aventuras desejassem ao passo que contavam com o constante fluxo de capital vindo do mundo em sua direção. De forma mais simples: gastaram muito pegando dinheiro emprestado. Aí os credores – outras nações – começaram a ter dúvidas a respeito de sua capacidade de pagar. (Kissinger não fala, mas falta de confiança no administrador da Casa Branca contribuiu.) O fluxo parou e a conta chegou.
A economia é global. O poder político sobre os fluxos de recursos, local. Ele continua:
Agora que os pés de barro do sistema econômico foram expostos, o descompasso entre um sistema econômico global e um sistema político baseado no Estado nação precisa ser encarado. A economia precisa se submeter, benefícios trabalhistas devem ser revistos e a dependência em acúmulo de dívida externa deve ser vencida. A esperança é que, neste processo, lições passadas a respeito de abuso do poder do Estado não sejam esquecidas.
(Talvez Kissinger não seja tão comunista assim.)
O debate em 2009, nos EUA, será a respeito de prioridades, finalmente rompendo a antiga discussão entre idealismo e realismo. Restrições econômicas obrigarão o país a definir seus objetivos no mundo em função de uma definição madura de qual é o interesse nacional. [...]
Todo país será obrigado pelo arrocho econômico a rever sua relação com os EUA. Todos – principalmente os credores – vão analisar as decisões que os trouxeram a este ponto. Conforme os EUA diminuem sua área de foco, qual será um sistema de segurança plausível e a que ameaças ele estará voltado? Qual o futuro do capitalismo? Como, nestas circunstâncias, o mundo enfrentará seus grandes problemas, como proliferação nuclear e o aquecimento global?
Os EUA ainda serão o país mais poderoso, mas não terá mais o cargo auto-imposto de tutor do mundo. Conforme o país aprende os limites de sua hegemonia, deve começar a implementar um sistema de consulta internacional que vai além do conceito que sempre adotou. O G8 precisará redefinir seu papel, conforme incorpora China, Índia, Brasil e talvez a África do Sul.
Kissinger não diz, mas não custa esclarecer. George W. Bush deixa, na saída, um país muito menor do que aquele que recebeu ao chegar. Tem menos poder, menos dinheiro, menos influência, menos respeito internacional. Os quesitos menos poder e menos influência viriam, por certo, conforme países outrora pobres crescem e mais e mais gente chega à classe média em todo o mundo. Bush apressou o processo.
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Internacionalização do Poder Político?
Vão fundar uma nova ONU? A atual morreu e esqueceram de avisar.
Vão aumentar o G8? França, Inglaterra, Itália, URSS e Alemanha vão aplaudir de pé e receber a China de braços abertos.
Vou morrer de boca aberta esperando.
Ninguém larga o osso. mesmo que não tenham mais dentes para morder.
Olha, PD, as “reflexões” do Kissinger parecem rasteiras - ou “amadoras”, como diz vc.
Em primeiro lugar, não vejo no quê o “velho fomentador de golpes” tenha incluído Marx em sua exposição de platitudes. Por exemplo…
“Qualquer regime econômico, mas principalmente a economia de mercado, produz vencedores e perdedores. Se a diferença de qualidade de vida entre vencedores e perdedores for muito grande, os perdedores se reúnem e promovem politicamente uma mudança do sistema econômico vigente…”
Bem, a tal “letra marxiana”, ou seja, a teoria da história conforme proposta pelo barbudo criançófago, postula que, conforme se expande, o modo de produção de mercadorias gera uma contradiçaõ básica, a incapacidade de acomodação trabalho-capital. As contradições daí desdobradas acabariam provocando uma grande crise que seria acompanhada pelo colapso da formação política burguesa - seria, curta e grossamente, “a revolução”. “Provocar uma mudança econômica no sistema econômico vigente” não significa revolução. Por sinal, nem imagino q K. tenha pensado nesse tipo de coisa. Suponho q esteja falando na necessidade de reformar marginalmente o sistema. É o q todos esses caras falam - ou deixariam de ser o q são: ideólogos da hegemonia histórica do sistema.
“Agora que os pés de barro do sistema econômico foram expostos, o descompasso entre um sistema econômico global e um sistema político baseado no Estado nação precisa ser encarado. A economia precisa se submeter, benefícios trabalhistas devem ser revistos ”
Parece ser exatamenteo q diz essa passagem q vc cortou. Imagino que K. perceba o cerne da contradição, ou seja, a incapacidade do sistema maximizar a acumulação de capital - ou seja, a expandir a própria capacidade de se reproduzir - sem aprofundar a contradição essencial. Qdo o “melhor amigo dos ditadores” fala em “… economia precisa se submeter, benefícios trabalhistas devem ser revistos…” o q exatamente quer dizer isso? Reestabelecer o sistema de benefícios sociais que foi desmantelado ao longo dos últimos vinte anos? Ou, como querem nossos “economistas modernos”, aprofundar ainda mais o desmonte, reformulando o sistema de compensação salarial e aposentadorias? A tal “economia globalizada” não passou até agora, de uma forma de transferir recursos para as economias centrais - como disse o teórico Perry Anderson, um imperialismo reformulado e aperfeiçoado. A diferença é q, ao contrário de outras épocas, não chegou a significar benefícios tangíveis para as classes trabalhadoras dessas economias. O tal “Consenso de Washington” significou que essas classes perderam tamb nos próprios países ( o q, diga-se de passagem, estourou interpretações como as de Marcuse e Mandel). Aprofundar essa “nova ordem” significa simplesmente aprofundar a contradição, ou como se diz atualmente, “a crise”.
Em termos um tanto simplificados, o q Marx dizia é q a dominação econômica não pode acontecer sem hegemonia política. “O G8 precisará redefinir seu papel, conforme incorpora China, Índia, Brasil e talvez a África do Sul.” Possivelmente, uma tentativa de dividir os prejuízos, visto q a hegemonia política implica em gastos improdutivos. A super-estrutura acaba esmagando a base econômica.
Pois é - os EUA estão falando em abrir mão da hegemonia mundial? Pode até ser, mas prefiro acreditar naquele velho ditado - “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é bobo ou não tem arte”.
É até possível pensar que, na administração Bush, os EUA tenha ficado bobos e perdido a arte. Pessoalmente, como amador, não imagino como seja possível reformar o sistema mantendo seus pilares sem aprofundar a tal contradição (q, hoje em dia, qse todo mundo diz não existir). Certamente, revoluções não acontecerão mais. Mas que estão vindo por aí tempos interessantes, ah… Estão… :c)
Negação da realidade e atribuição consciente de causas erradas devem ser sintomas de inúmeros distúrbios mentais.
Então agora o problema é o descompasso entre a economia global e o sistema político local. Caso claro de cegueira.
Ou burrice.
Dar ouvidos a Henry Kissinger nessa altura do campeonato é preocupante.
Se não me engano, Peter Drucker, defendia que o Estado Nação no novo paradigma do Neo Liberalismo ou sociedade do conhecimento, desapareceria. Oque está sendo proposto é a criação de um super-estado, talvez o que Wallerstein chama de imperio-mundo. Curioso este processo.
Estamos vendo uma transformação diante de nossos olhos. Como devemos nos possicionar?
O Kissinger é famoso por falar o que os outros querem ouvir, esses outros sendo os poderosos de plantão. (vejam o primeiro artigo “O pobre Kissinger acima”). Não esperaria nada diferente dele na situação atual, que essas visões que me parecem bem simplórias na verdade.
Aliás, sinceramente, Kissinger é um anacrônico da guerra fria. E tem alguns débitos por aí. Que o digam os chilenos, uruguaios e timorenses. Débitos morais que alguns chegam a acusar de homicidas mesmo. Fico na média dessas análises, mas essa média é ruim. E olha que o cara é Nobel da Paz, por mais estranho que possa parecer.
Deixando esse passado não tão azul, ulula o óbvio que a hegemonia americana e o neoliberalismo produziram uma situação insustentável. Meu antiamericanismo não é extremado não, mas o american way of life no que se refere ao consumismo desenfreado e o egoísmo natural de qualquer império, pra mim não presta.
O que precisa ser feito? Bem, o império está num processo claro de caída. Se esse tombo for violento arrasta o resto do mundo, então que não seja. Mas que aprendam a viver de forma mais harmônica tanto com o meio ambiente quanto com as outras nações que a maioria do povo americano considera de “categoria inferior”. Se, vejam, se aprenderem alguma lição com esse todo atual, quem sabe não revertem essa história e voltam a ser admiráveis? Enfim, brincando com as palavras, no que eles não são ruins, são bons mesmo.
O que virá pro futuro? Bem, se eu soubesse já estaria podre de rico, mas acredito que temos duas grandes possibilidades: ou aprendemos a ser menos egoístas e imediatistas – e me parece que há sinais de uma nova consciência – ou continuamos no caminho da insustentabilidade e nossos bistataranetos precisarão investir bastante na busca de um outro planeta pra sobreviver.
Torço muito que Obama não dê ouvidos ao Kissinger.
Sobre a permanência e atualidade da obra de Marx, só os ingênuos ignoram.
Mas é tênue a presença de Marx na análise do Sr. Kissinger. Suas palavras pouco acrescentam ao que é sabido há muito tempo. Se ele lê Marx, certamente tem dificuldade de apreensão do método.
Um exemplo : “O G8 precisará redefinir seu papel, conforme incorpora China, Índia, Brasil e talvez a África do Sul.”
A frase acima é típico produto da lógica formal, inservível nas análises político/econômicas. Revela desconhecimento do processo de passagem da quantidade para a qualidade. Ao incorporar outros países, sejam quais forem, o “G8″ já está redefinido !
A mentalidade do autor é incapaz de captar que os processos de mudança geram consequências, as quais, em simultâneo, geram outras novas.
Para ele, ao que parece, primeiro é formada a estrutura que, posteriormente, gera a mudança. Ele inverte o processo e está, filosoficamente, estacionado entre as dialéticas aristotélica e hegeliana. Formalismo lógico equiparado às categorias de Ato e Potência de Tomás de Aquino. Primário !
A centralização imperial do poder político/militar, em contraposição ao suposto globalismo econômico, é a própria essência do imperialismo. Os trechos da análise apresentam uma tentativa de disfarçar o desmonte do império. As reais questões são, como mencionei inúmeras vezes aqui, em outros e no meu próprio blog, a mudança da moeda-padrão de troca, o redimensionamento da divisão do trabalho e produção, extinção da prática disfarçada de dumping (através de subsídios) e, no âmbito político, a redefinição concreta (sem paternalismo) do sistema internacional de poder, sendo esta última a consequência das anteriores, sem confundir com reação de causa/efeito, que também é formalista.
Sei não, parece mais um fisiologismo social, do que um marxismo: se deixo a doença se alastrar, o corpo tem uma crise, uma síncope. Devo então buscar uma cura.
Algo bem diferente de Marx, que não vê a melhoria do mundo numa Walita.
Mas é muito interessante ver valores de bem-estar retornando, para que tudo não quebre.
No fundo, temos muito pensamento econômico, muito embora o pensamento retirado das práticas econômicas seja muitas vezes algo curiosamente diverso do pensamento econômico. Vai ver é essa distância entre o pensamento e a prática, sob as aparências de conformidade, que rege o mundo.
Também tive de esforçar muito para ler algo marxista nestas reflexões bem velha-guarda do Kissinger.
Bitt,
“A economia precisa se submeter, benefícios trabalhistas devem ser revistos e a dependência em acúmulo de dívida externa deve ser vencida. ”
1 - A economia precisa se submeter
HK quer mais controle estatal sobre a economia. É o que dizem todos os liberais quando uma bolha estoura.
HK, no caso, só deseja que “… neste processo, lições passadas a respeito de abuso do poder do Estado não sejam esquecidas.”
Obviamente que, sendo assim, então o mercado não tem — como os liberais gostam de dizer — remédio para todas as doenças (na verdade, o mercado é o maior doente).
2 - Benefícios trabalhistas devem ser revistos
Outra velha lenga-lenga liberal. Ele quer uma redução dos tais benefícios. A canalha liberal vive de dizer que os “benefícios trabalhistas” são excessivos, e blá, blá, blá…
O protótipo do liberal é um saudoso dos velhos tempos da jornada de trabalho de 14 horas dias de segunda a sábado. Aos domingos, uma maneiradazinha: apenas 8 horas de trabalho. E, claro, sem direito a férias, décimo terceiro, previdência, aposentadoria, etc, etc.
3 - A dependência em acúmulo de dívida externa deve ser vencida
Aqui, do modo torto que lhe é peculiar, HK dá os primeiros passos pra abandonar a canoa do Baby Bush, que se esfarinha de podre, e tenta embarcar no iate do Obama, novinho em folha.
Ele critica os saques a descoberto do Baby Bush, que gastou oceanos de dinheiro público pra financiar suas aventuras militares.
Nos velhos tempos do pique de popularidade do Baby Bush, HK falou e escreveu o exato oposto. Ele defendeu cada ato de Bush, com a mesma retórica nebulosa e cretina de sempre.
Kissinger é mais ortodoxo que rótulo da Maizena, como diria Luiz Fernando Veríssimo.
O mundo mudou, a Inglaterra mudou, a Bolívia mudou, o Coríntians mudou… até o PC do B mudou!
Só Kissinger permanece o mesmo.
Está sempre puxando ou tentando puxar o saco de quem está por cima.
É preciso ter saco de filó pra se dar ao trabalho de ler o que essa tia velha bajuladora ainda vomita por escrito.
Bem, eu tive saco, agora…
A Historia já demonstrou inumeras vezes isso. Ou todos ganham ou todos perdem. Mas eles não aprendem com a Historia e repetem os mesmos erros.
O problema é esse é que eles so acordam e se importam “quanto mais que a crise pudesse se reproduzir em casa.”
Quando eles estão sifu o terceiro mundo quem é contra a sifudagem é chamado de comunista e dinossauro.
Aí já é tarde. O leite derramou. E eles sifu junto com o terceiro mundo.
Eu acho que o Pedro não se conforma com o fato de que amadores e profissionais da direita o jogaram no lixo e agora ele só tem a esquerda para si.
“Narciso acha feio tudo o que não é espelho”. Pior que ser jogado no lixo pela direita é ter que aturar o HRP do lado para sempre.
Credo!
Saudades do Brizola! O dinossauro que sempre lutou contra o tal CONSENSO DE WASHINGTON que segundo Kissinger sifu a Argentinae outras republiquetas do terceiro mundo. Mas há quem ainda vai defender o CONSENSO. Até que a crise estoure nas suas portas com as manifestações no primeiro mundo de desempregados que virão com a quebradeira.
É tudo culpa do George Bush, o Anticristo, o assassino das nações, o governante que conseguiu ser pior do que Adolf Hitler…
…ele deveria ser julgado pelo Tribunal dos Povos e ser enforcado sem a mínima honra, como ele mesmo mandou fazer com Saddam Hussein.
Será que realmente não há nada de novo para o pessoal ao redor do mundo dizer? Botar a culpa toda numa pessoa é muito fácil, é muito prático, evita o trabalho de pensar.
Ademais, quanto a Marx, não consigo botar fé num loser que nunca acreditou na democracia.
Marxismo? Cadê a luta de classes?
Não há recompensas, não há castigos. Tudo são consequências…
Caro Dória: Muito embora Marx fale de uma economia capitalista mundial já n’O Manifesto Comunista, a centralidade da contradição entre o Estado Nacional como forma política e a economia capitalista mundial só se encontra desenvolvida como idéia na teoria do Imperialismo de Lenin. O texto do Dr. Kissinger, como sempre, é bem raso, e não necessita de Marx ou Lenin: o que ele quer dizer é que os EUA não podem policiar o mundo sozinhos e devem buscar aliados (reacionários, é claro) para dividirem a tarefa: algo como o que ele fazia na década de ‘70 quando entregava à Operação Condor o trabalho sujo de conter o comunismo na América Latina….
a internacionalização do poder político é coisa de socialista fabiano, não de comunista.
Elias,
gde prazer em vê-lo de volta. E, de fato, é preciso ter saco (como vc) ou estar preso em casa, com tendinite (como eu) para tentar tirar algo de um negócio raso como esse…
Carlos,
disso em dez linhas o q eu gostaria de ter dito.
Espezinhador,
o PD, à direita, tem sua atenção. É mais do q suficiente… :c)
Como pode haver poder político global sem monopólio da força global? Hoje esse monopólio é exercido pela potência dominante, os EUA. As potências menores também fazem parte do jogo e, bem ou mal, acabam se entendendo . Se o sonho dos globalistas é um poder político mundial, terão que dar um jeito de fazer esse poder cumprir suas ordens - e isso não se faz com coversinha, mas com as Forças Armadas. Em outras palavras, a ONU precisa formar um Exército ainda mais poderoso que o dos Estados Unidos para se firmar como poder global. Mas como? A única maneira é transformar o Exército americano em títere da ONU. E tem americano trabalhando para isso.
“Segundo a direita tacanha, internacionalização do poder político é coisa de comunista. Kissinger há de estar a serviço do ouro de Moscou.”
Acho que PD usa em demasia o argumento de autoridade. Não a dele, claro, mas a de terceiros. Se o Kinssinger falou, assunto encerrado. Nada de discutir o globalismo, o papel da ONU, as consequências de políticas públicas globais, soberania nacional, ONGs poderosas, etc. Não, nós, direitistas tacanhos, podemos ficar tranquilos, pois Henry Kissinger, homem sem máculas e desprovido de interesses, deu aval ao movimento globalista.
Por acaso PD não concebe que as pessoas possam ter autonomia de pensamento? Será que ele pensa que devemos concordar sempre com as diretrizes de figurões políticos e intelectuais, e que qualquer coisa fora disso é devaneio? Ele acha isso porque é assim?
“A esperança é que, neste processo, lições passadas a respeito de abuso do poder do Estado não sejam esquecidas.” (Henry Kissinger)
Certo, Henry. É só a cabecinha…
Kissinger não é o único nem o primeiro canalha a defender a “revisão dos ´benefícios´trabalhistas” — eufemismo para precarização das relações do trabalho.
O que não falta no mundo é protozoário defendendo a mesma coisa.
Aqui no Brasil quem anda disseminando essa flatulência é o tal de Agnelli, presidente da Vale. Ele quer que, durante a crise, os direitos trabalhistas sejam suspensos.
A propósito, diz José de Alencar, juiz do trabalho daqui de Belém:
“No peculiar capitalismo brasileiro, o lucro — sempre legítimo e inquestionável — é do capitalista.
Quando o prejuízo se avizinha — como agora com a crise — ele é socializado.
A socialização via renúncia tributária já está caminhando, e bem.
Agora, já aparecem as primeiras propostas de mandar a conta para os trabalhadores.
A parte que vai ser paga com desemprego já foi apresentada e já está sendo paga por alguns.
Agora vem a de suspensão dos direitos dos trabalhadores.
A proposta é inconstitucional, pura e simplesmente. O art. 7º da Constituição da República positivou — perdão pelo juridiquês — o princípio da proibição do retrocesso social.
Essa conta tem que ser pendurada em outro prego.”
Bravo, Alencar! Como sempre, mandando bem. Pau na canalha!
Salve, bitt e Elias! Saudades.
Engraçado como se dá atenção a figuras como Kissinger, que parece mesmo muito com o figurino do puxa-saco, sugerido pelo Elias.
Aliás, quando penso nele, não posso evitar a associação com o Dr. Strangelove, do filme do Kubrick. E o Peter Sellers era muuuito mais divertido, com aquelas saudações nazistas automáticas, do braço defeituoso. :))
No fim, é claro que é necessária uma nova acomodação dos poderes, nos tempos interessantes que se avizinham, como diz o bitt.
Só espero que, como sempre, a conta não sobre para os trabalhadores.
Falando nisso, seria legal ver a entrevista do gilmar Mendes, o garoto de Daniel Dantas, no Roda Viva, hoje. :))
O Danilo, sempre repetindo via seu maitre a penser a cartilha da Ultra Direita americana, esquece que já existe uma espécie de governo supranacional globalizado bem ao gosto dos americanos - a sua “conexão especial” com o Reino Unido, na qual em troca de alguma concessões e rapapés predominantemente simbólicos os britânicos servem de linha auxiliar dos americanos e funcionam como um Cavalo de Troia dentro da União Européia. Mais não é possível, porque desde 1919 a burguesia americana é isolacionista, no sentido em que não lhes interessa dividir a hegemonia mundial com burguesias européias laicas, que não acreditam em criacionismo, batalhas apocalípiticas entre o Bem e o Mal, e ainda por cima tem de lidar com uma classe trabalhadora ainda não reduzida a total impotência política.
O Danilo, sempre repetindo via seu maitre a penser a cartilha da Ultra Direita americana, esquece que já existe uma espécie de governo supranacional globalizado bem ao gosto dos americanos - a sua “conexão especial” com o Reino Unido, na qual em troca de alguma concessões e rapapés predominantemente simbólicos os britânicos servem de linha auxiliar dos americanos e funcionam como um Cavalo de Troia dentro da União Européia. Mais não é possível, porque desde 1919 a burguesia americana é isolacionista, no sentido em que não lhes interessa dividir a hegemonia mundial com burguesias européias laicas, que não acreditam em criacionismo, batalhas apocalípiticas entre o Bem e o Mal, e ainda por cima tem de lidar com uma classe trabalhadora ainda não reduzida a total impotência política.
Bom, se Kissinger está lendo Marx só agora, isso é sinal de senilidade em decorrência da idade…
Pior é uma meninada lendo Marx e em vez de darem boas gargalhadas, levam à sério…
Internacionalizar poder político?Esqueçam. A política tal e qual está já é lucrativa demais…
Putz!!!
Desculpem!!!
Nem me preocupei em saber qual Marx o Kissinger anda lendo!!! Se forem umas histórias do Grouxo Marx, tudo bem. São engraçadíssimas, mas se forem do outro Marx, o menos engraçado ( o Carl) são um tédio e super fora de moda…
Josué,
Plís, PD, desculpe o off-topic. É Natal e os sinos bimbalham e coisa e tal. Então aí vai:
As fotos são lindas, como é linda sua familia. Obrigadão por compartilhar! :))
Hegemonia.
Os EUA jamais em tempo algum foi uma potência hegemonica. A mais forte militarmente, a mais poderosa economicamente, sim.
Mas poder único no planeta, nem pensar.
Nem mesmo nos breves anos em que os EUA tinham a bomba e os russos não.
Essas novas potências, China, India, Japão, só existem por que os americanos não são hegemonicos.
O fato de existir uma Russia, herdeira da URSS, com poder para destruir o mundo várias vezes, é mais prova da não hegemonia.
Idem, o Paquistão atomico, o Irã pré nuclear.
A União Européia tem PIB e população equivalentes aos USA. Hegemonia?
Ora, uma nação hegemonica tratoriza o mundo segundo seus interesses.
Coisa que não ocorre.
Basta ler jornais, mesmo que de leve, para saber os incontáveis desafios aos EUA, que se multiplicam por dez, ano a ano.
Outra coisa, os EUA, em guerra, quando a própria existencia da nação estave em perigo mortal, sempre fez alianças com outros países.
A mais exótica delas foi com a URSS, de Stalin.
Resumo, nação mais poderosa do mundo, economica e militar, sem dúvida.
Hegemonica, não.
ps- esse negócio de Império e cria do Negri, um ex- revolucionário marxista derrotado pelas forças de segurança da Itália, e, vejam só! sem nenhum apoio do sagrado povo às suas pretenções totalitárias.
Para curtir o luto ele inventou um Império, em livro, que faz a graça de todos que ficaram sem lenço e sem documento depois do fracasso histórico do comunismo.
Aqueles, que continuam de pé na Estação Finlandia, a espera de um trem blindado e um novo Lenin para repetir, morto a morto, gulag a gulag, todo caminho cinzento e sangrento de uma utopia que se fez em ideologia e finalmente em genocídio.
fora isso, tudo bem.
Kissinger hoje apenas repercute o que já é senso comum no establishment estadunidense.
Le Duc Tho… este sim era um gigante.
Agora veremos as ações do queniano, que ao contrário do psicopata burro que hoje governa os EUA, seguramente leu Marx…
E por falar em george “genocida” bush… hoje um herói iraquiano tascou uma sapatada no cão.
Sensacional… atirem também um sapato no cão:
http://bushbash.flashgressive.de/
É bem divertido.
Bush e a Sapatada
O mundo parece ter adorado o evento dos sapatos atirados no Presidente Americano George W. Bush. Eu interpreto o ocorrido sob um prisma diferente: nunca vi nenhum jornalista atirar sapatos em Saddam Hussein. Aliás, tivesse o nobre jornalista atirado sapatos em Saddam Hussein e já teria sido fuzilado. Mas agora, desfrutando da liberdade propiciada pela ação americana, atirar sapatos no Iraque já não é tão perigoso assim. Interessante notar como as pessoas, e a imprensa, deixaram esse fato passar despercebido.
Os sapatos atirados em Bush são a prova definitiva de que o Iraque está melhor hoje do que há 10 anos atrás. Dada a antiga força de Saddam Hussein, e as recentes altas nos preços do petróleo, seria de se esperar que a ditadura de Hussein durasse ainda muitos anos. Foi graças a interferência americana, liderada por Bush, que hoje o Iraque desfruta de liberdade. Liberdade até para atirar sapatos nos outros.
A maioria de nós é incapaz de compreender um fato histórico: liberdade não é o estado natural da humanidade. O normal é a ditadura, a opressão e a escravidão. Mesmo na antiguidade clássica a escravidão era a norma. Gregos e romanos escravizaram várias civilizações; no mundo oriental a escravidão também era fato corriqueiro. O novo mundo também não teve problema algum em aceitar escravos. Foi apenas ao final do século XIX que a palavra liberdade começou a ganhar o sentido pelo qual a conhecemos hoje.
Defender a liberdade não é isento de custos ou sacrifícios. Defender a liberdade é uma tarefa contínua e custosa. Defender a liberdade chega mesmo a ser uma tarefa ingrata em alguns momentos. Mas defender a liberdade é equivalente a defender o nosso direito à existência. Se permitirmos que nos usurpem esse direito, estamos desistindo também do nosso direito à vida. Hoje o Iraque é um lugar muito melhor de se viver do que há 10 anos atrás por um motivo simples: hoje o povo iraquiano tem mais liberdade, tem mais capacidade de exercer seu sagrado direito à liberdade de escolha. Gostem disso ou não, esse foi um bem gerado ao povo iraquiano por George W. Bush, pelas tropas americanas e por seus aliados no Iraque.
Sashida
chest- sensacional o post
O mal de certas perspectivas liberais tem o mesmo fruto envenenado do socialismo cultural: o relativismo moral. Ninguém parece entender que a democracia, o Estado de Direito e mesmo a economia do mercado só sobrevivem dentro de certas categorias morais e espirituais transcendentes e, portanto, irrenunciáveis. Os conservadores não deixam de estar corretos em afirmar que a disputa intelectual entre um liberal e um socialista é um debate de materialismos. Como ambos recusam postulados morais e éticos superiores, só nos restam dois caminhos: para o socialista, a diluição do individuo na comunidade; para o liberal, a atomização do individuo na comunidade. Na prática, são duas vertentes aparentemente opostas que chegam ao mesmo fim. Atualmente, quase todo liberal é laicista, anticristão, ateu, adepto das ideologias politicamente corretas, tal qual como o socialista. Difere e muito do liberalismo clássico que o gerou. Pois o antigo liberal clássico ainda guarda postulados tradicionais cristãos. Não difere muito do socialista, no que diz respeito a uma vertente progressista. Contanto que o homem seja reduzido a uma criatura que só saiba comer e dormir, do resto, todos estão satisfeitos.
Neste aspecto, a história ensina muita coisa. Uma das causas da democracia liberal ter entrado em colapso na primeira metade do século XX, consumida pelos fascismos e pelos comunismos, foi o esvaziamento moral e espiritual da sociedade. Esse vazio refletiu também na completa negação dos postulados básicos do direito natural e do bem comum na política, como a renúncia de critérios éticos da liberdade pelo confortos materiais ilusórios. Por outro lado, a lenta e gradual rejeição do cristianismo na Europa foi uma das maiores tragédias civilizacionais da época contemporânea. Até porque a noção simbólica que o ocidente possui da liberdade e demais instituições, como família e propriedade, existe precisamente por conta de uma visão teológica cristã. Como resposta, os totalitarismos representaram a força mística da modernidade, seja na idéia da raça, da classe ou da nação personificada no Estado, ainda que, na prática, fossem uma pseudo-espiritualidade.
conde
O tal jornalista foi levado preso, está incomunicável (i.e. passível de ser torturado) e pode pegar 15 anos de cadeia. A ocupação do Iraque nega ao povo iraquiano seu direito de dispor de si mesmo….e ainda há quem seja tolo o suficiente para chamar isso de Democracia…
Nos jornais de hoje, notícia é de que virou herói.
Não resta dúvida que foi o próprio Jesus Cristo quem inspirou Muntazer al-Zaidi a tascar uma sapatada no cão.
Jesus Cristo, como sabemos, tem histórico conhecido de enfrentamento com o tinhoso… e agora Muntazer al-Zaidi tratou de escorraçar o capiroto do Iraque… a sapatadas.
Viva Muntazer al-Zaidi!
Corajoso soldado de Jesus na luta contra o cão!
Kissinger, que é menos burro do que george “genocida” bush e sua gangue… também cheira a enxofre.
[...] Nos jornais, lê-se que a crise econômica renovou o interesse pelo pensamento de Marx. Mais e mais pessoas procuram nas páginas de O Capital alguma referência para pensar o caos que está aí. (E isto inclui, veja só, falcões como Henry Kissinger.) [...]
Trata-se de uma proposta de Babilônia na era atômica(?).
[...] falando em Marx e em como ele explicou o que vem acontecendo. Hoje, o Pedro Dória conta que Henry Kissinger está fazendo previsões para o futuro dos Estados Unidos com base na leitura de Mar…. Aquele que foi uma importante peça no golpe que acabou com o governo socialista de Salvador [...]