Israel só precisa de
alguém que tome a decisão
Por email, Fabio Storino indicou um artigo do International Herald Tribune que citava esta entrevista do premiê em exercício israelense Ehud Olmert. A entrevista já foi citada cá no Weblog. A diferença é que, antes, ela só existia em hebraico. Agora também está disponível em inglês.
É uma entrevista histórica.
Em alguns anos, meus netos vão perguntar o que o avô fez, que país ele deixou para eles. Nós temos uma janela de oportunidade, um tempo curto antes de chegarmos a uma situação muito perigosa. Precisamos dar um passo histórico em nossa relação com os palestinos e com os sírios. A decisão que temos que tomar é a decisão que passamos quarenta anos evitando encarar com os olhos abertos.
Precisamos chegar a um acordo com os palestinos, deixar dos os territórios ocupados. Talvez uma parte destes territórios continuem conosco, mas então precisamos recompensá-los com terras em outra parte. Sem isto, não haverá paz.
Isto inclui Jerusalém?
Inclui Jerusalém. Teríamos que ter um acordo especial para garantir acesso ao Monte do Templo e outros lugares históricos e sagrados. [...] Quem diz querer controlar toda Jerusalém terá que absorver 270.000 árabes dentro de Israel. Então temos que tomar uma decisão. É uma decisão difícil, uma decisão que contraria nossos instintos, nossos desejos, nossa memória coletiva e a reza que rezamos por Israel há dois mil anos.
Fui o primeiro a querer manter controle israelense sobre toda a cidade. Não estou tentando justificar retroativamente o que fiz nos últimos 35 anos. Por boa parte deste tempo, eu não estava preparado para encarar a realidade.
Se você fosse continuar seu governo, acredita que chegaria a esses acordos?
Estamos próximos de um acordo.
Com palestinos e sírios?
Com os sírios. O que precisamos é tomar uma decisão. Gostaria de saber se há alguém em Israel que acredite que a paz com a Síria é possível sem, no fim, devolver as Colinas de Golã.
Parece que os líderes de Israel sempre chegam a essa conclusão quando já não têm mais condições de tomar decisões.
Não no meu caso. Cheguei a essa conclusão quando ainda podia fazer algo. Fiz contato com os sírios em fevereiro de 2007, bem antes de a polícia começar a me investigar. Conduzi as conversas com discrição. Enviei diplomatas, tive várias pessoas trabalhando secretamente em meu nome com o objetivo de convencer os sírios de que eu queria conversar com sinceridade. Chegamos ao ponto em que precisamos nos perguntar se realmente queremos paz ou não. [...]
Você faz parecer que a culpa é toda de Israel.
Não. Carregamos as nossas culpas; eles carregam a deles. Não estou sugerindo que faremos a paz com a Síria apenas entregando as colinas. Os sírios sabem o que deverão parar de fazer para receber Golã. Devem abandonar seus contatos com o Irã como são hoje, devem largar o Hizbolá; devem parar de financiar o terrorismo, Hamas, al-Qaeda, a guerra santa no Iraque. Eles sabem. Deixamos estas questões claras para eles.
Se houvesse uma guerra regional no ano que vem ou no outro e se entrássemos em conflito direto com a Síria, não tenho dúvidas de que os venceríamos. Somos mais fortes do que eles. Israel é o país mais forte do Oriente Médio. Poderíamos enfrentar todos nossos inimigos unidos e ainda vencê-los. O que pergunto é: o que acontece após vencermos?
Para começar, pagaríamos um preço doloroso. Aí, o que diríamos a eles? ‘Vamos conversar.’ E o que os sírios diriam para nós? ‘Vamos conversar sobre as Colinas de Golã.’
Então pergunto: por que entrar em guerra com os sírios, enfrentar as perdas e a destruição de uma guerra, para no fim chegar ao ponto em que podemos chegar sem pagar esse preço?
Na ausência de paz, a probabilidade de guerra é sempre maior. Um primeiro-ministro deve se perguntar em que deve investir. Deve buscar a paz o deve fazer um país mais e mais forte para vencer guerras? O que estou dizendo nunca foi dito por um líder de Israel. Mas é hora de dizer estas coisas.
Leio relatórios de nossos generais e penso ‘mas eles não aprenderam nada?’ Uma vez, um oficial me explicou: ‘eles ainda estão vivendo a Guerra de Independência e a Campanha do Sinai’. Para eles, tudo se conta em tanques, em controlar territórios, tomar este morro, aquela montanha. Essas coisas não valem nada. [...]
Nosso objetivo deve ser, pela primeira vez, designar uma fronteira final e clara entre nós e os palestinos para que todo o mundo – os EUA, a ONU, a Europa – possam dizer ‘Estas são as fronteiras do Estado de Israel, nós a reconhecemos, e nós vamos tecer resoluções formais que envolvem todos os organismos internacionais e as firmem. E estas são as fronteiras reconhecidas do Estado da Palestina. [...]
Quero aprender com meus próprios erros. Trinta anos atrás, quando Menachem Begin voltou de Camp David, discursei contra o acordo e votei contra ele. Não estou fingindo que isso não aconteceu. Mas qual foi o movimento de mestre de Menachem Begin? Ele começou do fim. Começou dizendo ‘estou disposto a deixar o Sinai, então vamos negociar.
Olho para trás e vejo os primeiros-ministros que vieram antes de mim. Arik Sharon, Bibi Netanyahu, Ehud Barak, Yitzhak Rabin, de memória abençoada, cada um deles deu um passo na direção certa mas, em um momento determinado, quando uma decisão final foi necessária, essa decisão não foi tomada…
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Ele é político, é fácil falar agora que eles está deixando o governo, que queria a paz, e estaria disposto a ceder territórios, acho que todos nós ainda aguardamos o dia que o likud manterá o apoio a um primeiro ministro que devolva as terras da Israel bíblica conquistadas na Guerra dos Seis dias.
Parece ministro da economia brasileiro que depois que sai do cargo concede uma brilhante entrevista demonstrando que possuía todos os conhecimentos econômicos e as medidas corretas não foram aplicadas por falta de vontade política.
É uma tradição israelense a mudança de opinião em relação aos palestinos no final da vida pública. Não é o primeiro ex-primeiro ministro que faz declarações claras em direção à paz.
Infelizmente, só fazem isto quando não têm mais poder.
Talvez isso venha a virar tradição em Israel, já existe uma triste, de todos os primeiros ministros estarem envolvidos em escândalos de corrupção, agora tem mais essa… Alguém se lembra das Conversações de Taba, quando Ehud Barak já tinha sido defenestrado?
Posso contar uma historinha?
Olavão e Pedro Doria resolvem selar um tratado de paz assim como israelenses e palestinos, para as conversações serem mais aprazíveis, combinam fazer um acampamento junto às montanhas da Califórnia, assim sendo após longa caminhada, param, armam a barraca (no bom sentido) se enfiam nos sacos-cama e cansado que estavam, de imediato dormem, lá pelas tantas PD acorda e cutuca o Olavão e diz: - Olhe para o céu, o que você me diz? Olavão em franca recaída astrológica: - Digo que saturno esta na quarta casa e júpiter na terceira, significa que amanha teremos um bom dia para iniciar novas amizades… e o que você acha? Pedro Doria não se contem: - Acho que roubaram nossa barraca… idiota!
uhauhauhauhauhauhauh
Dino, fine approach .
Se não me engano, essa piada do Dino #5 ganhou um concurso internacional de piada mais engraçada do mundo há uns 2 anos atrás.
Antes de iniciarmos as críticas de politico isralense corrupto, isso e aquilo, saibam que isso é redundante, pois não existe político que não seja corrupto nem em Israel, nem nos EUA, nem em qualquer canto do mundo e muito menos aqui no Brasil.
Outra coisa, está se falando de paz. PAZ ! ! !
Não se chega a um acordo sem falar de PAZ. Pelo menos alguém o está fazendo. Cabe agora ao outro lado dar sinais daquilo que pretende fazer.
E o parágrafo que diz “por que entrar em guerra com os sírios, enfrentar as perdas e a destruição de uma guerra, para no fim chegar ao ponto em que podemos chegar sem pagar esse preço?” Isso é uma citação lapidar que deveria pautar toda e qualquer relação, seja de 2 países, 2 empresas, 2 pessoas.
Muito bem dito.
Eu gostei foi de ver o circo pegar fogo. Ficaram emputecidos tanto a esquerda quanto a direita. A direita porque acha incabivel um primeiro ministro (ainda mais fraco e saindo do cargo) falar coisas assim. A esquerda porque acha um absurdo um cara que levou Israel a guerra com o Hizbollah e nao fez nada sobre os assentamentos falar como se fosse a propria pombinha da paz.
Enfim, ninguem levou ele a serio, e o Bibi vai se reeleger. How worst could it be?
“pois não existe político que não seja corrupto nem em Israel, nem nos EUA, nem em qualquer canto do mundo e muito menos aqui no Brasil.”
Calma faraó, ou a policia e a justiça israelense é muito competente ou a do resto do mundo e leniente com a corrupção, pois cite aí uma sequência de por exemplo, três primeiros ministros ingleses, franceses, alemães, dinamarqueses, suecos, noruegueses, espanhóis, portugueses, etc, que estejam envolvidos em corrupção.
Dino,
tarefa mais dificil seria citar apenas 3 ministros ou 3 presidentes brasileiros que não estejam envolvidos em corrupção.
O caminho me parece ser este. O cara não.
Dino está inspirado hoje, essa da barraca foi hilária.
Fora de tema — PD
Essa entrevista é coisa típica de reacionário, que acha que quando os “de baixo” se mexem, é porque há “agitadores” que lhes põem m**** na cabeça. Pois é, se os árabes forem bonzinhos, se deixarem que nos os espanquemos bonitinho quando nos der na veneta, se deixarem de questionar o fato de serem subcidadãos na sua prória terra, assim pode ser que nós negociemos com eles… Puro non sequitur. Não a toa, entra o reacionário de plantão para dizer que o Brasil deve aceitar os ditames dos EUA, aceitar a criminalização das Farc e o papel da Colômbia como uma Israel farsesca na Amèrica Latina….
O cara parece um tucano…ele e todos os que vieram antes dele: quando estão no poder não conseguem tomar uma decisão…haja muro pra tanta gente.
Agora que está saindo, vem com a solução pronta: façamos a Paz! Que Lindo! Me emocionou, quase fui às lágrimas. kkkkkk
Eu tenho uma solução melhor: explode aquela merda daquele monte do templo e acaba com essa esperança de que deus vai vir morar aqui entre nós…mesmo que o cara exista, mesmo que ele é que tenha criado a gente, acho que não seria idiota a ponto de querer morar no meio de tanta gente maluca, né não?
Se deus resolvesse morar na terra ia buscar um lugarzinho mais bacana que uma merda de monte no meio do deserto. Afinal, o cara pode tudo…
eu adoro esse assunto é tão hilário!!!
Viu faraó, você mesmo acaba de comprovar que só existe paralelo na doença da corrupção das autoridades israelenses, em países terceiro-mundistas, então já estamos tendo progressos, vocês que acusam os palestinos de todas as iniquidades do mundo estão começando a entender com quem eles se parecem politicamente, socialmente e em extremismo religioso.
Como diriam nos EUA: Pato Manco.
Alias, alguém já viu uma simples ação de despejo de uma casa, que vá até a suprema corte de um país? Parece que por lá nada é tão simples como possa parecer…
Será que não é mais um daqueles blablablás dos israelenses para tentar passar para a opinião pública mundial que eles estão dispostos a oferecer a paz aos bárbaros, mas sempre impondo condições, como ele mesmo disse a respeito de parte dos territórios ocupados, que ainda deveriam ficar com Israel e, também, sobre o status de Jerusalém?
E quanto a Síria? Veja como eles são bonzinhos: fazem as pazes com a Síria, mas esta deve cortar relações com o Irã (um país reconhecido e que tem cadeira na ONU), parar de financiar a Al-Qaeda e etc!!! Que palhaçada, hein sr. Olmert! Desde quando a Síria financia a Al-Qaeda?
Israel é o estado mais poderoso do Oriente Médio, mas ele não explica como é que esse estado levou uma bela surra de um grupo chamado Hizbullah.
Moisés,
se os palestinos fizessem blábláblá também como os israelenses, ao invés de BUMBUMBUM, talvez já tivessem a sua tão “sonhada” autonomia.
PD, a minha leitura desta entrevista é de que Olmert quer deixar atrás de si um legado, algo que ele não conseguiu e busca, na undécima hora, resgatar. Ele quer ser bem lembrado e lança um balão de ensaio na hora em que sua liderança é questionada; aí poderá dizer: “Não me deixaram fazer”, e sairá como alguém injustiçado, quase um mártir.
Historicamente, vale lembrar seu xará Ehud Barak, um verdadeiro homem de consenso: primeiro-ministro depois de Rabin, com Israel inteira clamando por paz, ele apresentou ESTE MESMO PLANO que Olmert diz querer apresentar hoje a Arafat: Estado Palestino com fronteiras bem próximas às de anteriormente à Guerra dos Seis Dias, devolução das Colinas de Golan, Jerusalém como capital de um Estado Palestino e controle binacional dos locais sagrados. Entre dentes, sentindo dor, mas ofereceu. Ninguém mais.
Aí veio o problema: pegos de surpresa, Yasser Arafat e as lideranças palestinas da época (a Al Fatah encabeçava a Autoridade Palestina) - acostumadas a financiamento externo, à alta corrupção e incompetência na gestão do novo Estado palestino - não souberam “ler” a oferta, consideraram-na um ato de fraqueza e desencadearam a Segunda Intifada. Foi um retrocesso total, e desta vez Israel pouco ou nada teve a ver com isso. Olmert - ao esquecer do episódio - dá um sinal claro de que não quer resolver nada, quer mesmo é sair “limpinho”. E Israel que se dane com os árabes, na visão dele.
Dino,
não força.
De um egresso da Patrice Lumumba, o se pode esperar?
Bem, de qualquer modo, do lado palestino o caminho é por aí mesmo: devolução de territórios ocupados, auxílio econômico aos palestinos (sob a forma de construção de estradas, habitações, escolas, hospitais, redes de abastecimento de água e equipamentos urbanos em geral, etc, etc).
Para Israel, sai infinitamente mais barato do que continuar disparando mísseis. Para os palestinos, ficará a sensação de que ganharam a guerra (pois é… ganharam… e daí?).
Do lado sírio, não dá nem pra falar em paz sem devolver Golã. Não haveria conversa.
Como negócio é negócio, pra ter Golã de volta os sírios só têm 2 alternativas: reaver na marra ou pagar um preço.
Reaver na marra já se provou que não dá. Resta, então, pagar um preço.
Vale a pena pagar?
Só a Síria pode responder, mas, friamente falando, tá até barato…
O comentário # 22 merece umas ressalvas : o plano de Camp David era cheio de pegadinhas: os palestinos ganhavam vários retalhos de terra mas a fórmula de compensação por Israel nunca foi revelada e o tempo para a entrega dos 91% do território ia levar anos; os palestinos não poderiam controlar o seu espaço aéreo e nem ter um exército, só forças de segurança; a delegação só aceitava o retorno de uns poucos refugiados em casos humanitários, pois Israel nunca aceitou qqer responsabilidade por esses refugiados; e algumas estradas iam serpentear pelos territórios palestinos, mas os palestinos nunca seriam proprietários dessas estradas; a Autoridade Palestna tinha de reprimir e controlar as facções envolvidas com a resistência à ocupação *antes* de Israel dar vários passos, significando começar uma pequena guerra civil entre os palestinos.
Tem mais algumas coisas, mas as principais são essas … Logo, dizer que o que Olmert “sugere” hoje é igual ao que foi oferecido em Camp David não procede …
(…) Quando Ben Gurion, nos anos 70, se expressou contra a anexação de Jerusalém Oriental, em meio à euforia nacionalista, disseram que estava caduco. Em setembro de 1981, o general Moshe Dayan nos convidou, aos correspondentes militares de Israel, a sua casa. Doente terminal, confessou: “O maior erro que cometi na vida foi a ocupação do Golã. As colonias judaicas vão tornar impossível qualquer acordo de paz com a Síria.” Resposta da mídia: “Coitado, perdeu o segundo olho.”
É difícil transmitir o que se passou dentro de mim. Servindo como correspondente na Guerra dos Seis Dias, participei das batalhas da ocupação do Golã. (…) Quinze anos depois, Dayan chamou essa guerra de “inútil”.
(…) Que falta para Israel afundar no abismo?
Gerson Knispel é artista plástico. Publicado na Caros Amigos - novembro de 2008.
Agora, o mesmo Olmert, que destruiu novamente o Líbano, admite o que até o meu cachorro já sabe: tem que entregar aos palestinos todos os territórios ocupados, inclusive a parte árabe de Jerusalém e devolver o Golã aos sírios. Esse é o caminho para acabar com a base do conflito no OM. Quantos mais morrerão até que isso aconteça???