E a Suprema Corte ouviu o caso Obama.
Quer dizer: nem isso, imagina

EUA · 6/12/2008 - 16h11 - 175 Comentários

A história nunca vai embora – e nunca irá, por anos. Mas me perguntaram se é verdade que a Suprema Corte, ontem, ouviu secretamente o caso que tenta provar que Barack Obama não é cidadão norte-americano.

A resposta curta é: não, não ouviu. E não ouvirá.

A longa é um pouco mais complexa. Dois homens levaram o caso à Justiça, nos EUA. Philip Berg, um advogado da Pensilvânia, e Leo Donofrio, de Nova Jersey. Ambos argumentam mais ou menos o mesmo fato: Obama não nasceu nos EUA, não pode ser eleito. No caso de Berg, este é seu segundo caso que ele leva à mais alta corte do país. No primeiro, ele argumentava que o governo Bush havia sido cúmplice nos ataques terroristas de Onze de Setembro. (Sim, ele acredita que a CIA está envolvida.)

Ambos perderam o caso que apresentaram contra Obama em suas Cortes de Justiça locais, na Corte de Apelações e agora vão ao tribunal máximo. Perderam é maneira de dizer: os juízes sequer julgaram. Leram os papéis, não se deram ao trabalho de ouvir o caso. Consideraram que não havia nada ali para julgar – é uma causa improcedente.

No Los Angeles Times, explicam porque a Suprema Corte – como aconteceu nas instâncias inferiores – não não ouviu o caso: é perda de tempo. O jornal lembra que 150 casos chegam à Suprema Corte todas as semanas. Praticamente todos são rejeitados pelos juízes sem qualquer discussão. O principal indício de que este seria mais um deles é que, embora tenham o listado a avaliação dos processos, na sexta-feira, não pediram a Berg ou a Donofrio que apresentassem um argumento mais elaborado. É isto, em geral, que a Corte faz quando está avaliando se vai ou não ouvir um caso. Nem esse passo houve.

Este, na verdade, não é um processo misterioso: que a Suprema Corte não ouve quase nada é algo que todo norte-americano sabe. Que ela jamais ouve casos que sequer foram a julgamento nas instâncias inferiores é, também, um truísmo.

O primeiro caso de Berg – aquele, o de que o Onze de Setembro foi obra do governo – teve o mesmo triste fim.

Mas o que são fatos? Por mais que um documento tenha sido apresentado, quem decidiu por não acreditar continuará dizendo que quer documentos. É aquele desejo de estar secretamente certo quando a maioria ao redor não viu a luz. É, afinal, matéria de fé. Não de fatos.

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