Um boato sobre Obama; outro sobre o Vaticano

Blogs · EUA · Igreja Católica · 1/12/2008 - 07h00 - 70 Comentários

Dois boatos tem batido aqui na caixa de mensagens com alguma freqüência, nas últimas semanas.

Um deles diz que Barack Obama na verdade nasceu no Quênia e que a certidão de nascimento apresentada por sua campanha, garantindo que ele vem do Havaí, é falsa. Tendo nascido em terra estrangeira, não é elegível ao cargo de presidência dos EUA.

Por que alguém além da meia dúzia na direita selvagem de cá e de lá acreditaria numa história dessas vai além da minha compreensão. Se fosse verdade, Hillary Clinton adoraria tê-lo sabido. John McCain, idem. E, desconfia-se, CIA, FBI, NSA, Serviço Secreto e tantas outras agências o descobririam.

A certidão de nascimento é verdadeira e já foi averiguada. A fonte do boato afirma que o documento nem tem selo, nem assinatura, nem número de identificação de algum cartório no Havaí. Mas o documento tem tudo isto. Encontraram até uma notinha de jornal local em que os pais do jovem Barack anunciavam o nascimento de seu filho. Jornal local do Havaí, entenda-se. Não do Quênia.

ATUALIZAÇÃO - Quando as pessoas querem acreditar em algo, acreditam, não há jeito. Mas, para modo de esclarecer. O link acima, aqui repetido, leva a uma página do site FactCheck.org, utilizado durante a campanha por ambos os partidos. É um grupo independente que simplesmente checa as afirmações de ambos os candidatos. O autor do artigo viu a certidão, tocou-a e também a fotografou. As fotos estão publicadas ali no link para comprovar que o documento tem todas as formalidades exigidas por lei para comprovar que é verdadeiro. Se isto não é suficiente para convencer os estranhos céticos, se eles persistem em acreditar que os EUA elegeram um queniano comunista para sua presidência e ninguém fez nada a respeito, aí já não é matéria de falta de fatos, é matéria de fé. E, com fé, não há discussão.

O segundo boato é bem mais divertido. Afirma que o Vaticano publicou um calendário com fotos de padres jovens e fortes insinuações homoeróticas. Cá não vai um blogueiro que põe a mão no fogo para definir como, por quem ou pelo quê padres, bispos, cardeais ou o papa incentivam suas libidos. Mas o calendário, que de fato existe, não tem qualquer relação oficial com o Vaticano. Deste mal, a Santa Sé é inocente.

Obra do fotógrafo italiano Piero Pazzi, o Calendario Romano sai todo ano desde 2003. Nem todos os padres posaram – muitos foram flagrados por Pazzi em procissões, missas e afins. E, bem, nem todos nas fotos são de padres. Pazzi, que nunca pede autorização aos fotografados, já cometeu erros no passado.

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