Frank Sinatra e algo de estúpido

Música · 30/11/2008 - 16h31 - 43 Comentários

Tenho, e cá confesso, um fraco por Frank Sinatra. Não há Tony Bennett que me convença ou Bing Crosby que me anime. Sinatra é tão superior a qualquer outro – na interpretação, na voz. Principalmente, Sinatra era um bad boy disfarçado.

Nos Anos 50 e primórdios dos 60, irremediavelmente caretas, ‘anos dourados’, dechavando em canções que todos lembram como românticas, Sinatra era capaz de sugerir que uma determinada mulher era melhor do que cocaína (I get a kick out of you) e que outra, que todos dizem frígida, só precisava de um homem de verdade na cama (You’re sensational).

Algum leitor mais bem informado pode de presto levantar: o mérito em ambos os exemplos está nas letras de Cole Porter.

Mas há mais preciosidades no repertório de Frank Sinatra, entre elas Something Stupid, que ele gravou em dueto com a filha Nancy.

À primeira vista, a letra fala de um homem inseguro que enfim consegue sair com a mulher de seus sonhos.

I know I stand in line, until you think you have the time
To spend an evening with me
And if we go someplace to dance, I know that there’s a chance
You won’t be leaving with me

And afterwards we drop into a quiet little place
And have a drink or two
And then I go and spoil it all, by saying something stupid
Like: I love you

I can see it in your eyes, that you despise the same old lies
You heard the night before
And though its just a line to you, for me its true
It never seemed so right before

I practice every day to find some clever lines to say
To make the meaning come through
But then I think I’ll wait until the evening gets late
And I’m alone with you

The time is right your perfume fills my head, the stars get red
And oh the night’s so blue
And then I go and spoil it all, by saying something stupid
Like: I love you
(I love you, I love you,…)

Sei que devo esperar na fila até que você tenha tempo
De passar uma noite comigo
Sei que se depois sairmos para dançar, haverá a possibilidade
De você não querer ir comigo

Depois, podemos passar em um lugarzinho
Para beber um drink ou dois
E aí estrago tudo dizendo algo estúpido
Como: eu te amo

Vejo em seus olhos que você ouve as mesmas mentiras
Que ouviu na noite anterior
E embora seja apenas uma frase para você, para mim é verdade
Nunca nada pareceu tão certo

Ensaio todo dia para encontrar a maneira certa de dizer
Para convencer você de que é verdade
Mas aí acho que vou esperar até bem tarde da noite
Quando estiver sozinho com você

É a hora certa, seu perfume me enche a cabeça, as estrelas ficam vermelhas
E a noite, tão azul
E aí estrago tudo dizendo algo estúpido
Como: eu te amo
(Te amo, te amo)

Mas isso de esperar na fila para que ela possa sair, as mentiras que ela ouviu tantas vezes, a quase certeza de que no fim da noite estarão sozinhos. Nada me tira da cabeça que, apesar da inocência de pai cantando com a filha esta musiquinha, trata-se da descrição de um homem que se apaixona pela garota de programa de luxo.

(Diga-se: descobri, fazendo buscas para este post, que Robbie Williams gravou uma versão da música com Nichole Kidman. Uma graça.)

Atualização – Como Gabriel e Guta bem o observaram, misturei as bolas no post já corrigido. I’ve got you under my skin foi feita para heroína; a música quem compara a moça a cocaína é I get a kick out of you.

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