No Dia de Ação de Graças, uma esperança
de paz para Israel e a Palestina

EUA · Israel e Palestina · 28/11/2008 - 06h03 - 93 Comentários

Se há duas lições que vários dos assessores de Barack Obama repetem consistentemente e que foi devidamente aprendida dos governos passados é a prioridade para a política externa.

Tanto Bill Clinton quanto George W. Bush começaram seus governos prometendo olhar mais para os EUA do que para o exterior. Tiveram que mudar de curso ainda no primeiro mandato. E só lá pela metade de seus segundos mandatos, chegaram à conclusão de que para resolver o embaraço do Oriente Médio é preciso, antes, resolver o conflito entre Israel e Palestina.

Clinton chegou perto, não deu. Através de Condoleezza Rice, George W. Bush tentou – mas já não tinha qualquer credibilidade para sequer dar início.

Obama provavelmente começará a buscar a instituição do Estado da Palestina em seu primeiro ano de mandato.

Acordo de paz não sai sem que Israel ceda – e ceda muito. É um Estado nacional estruturado, diferentemente da Palestina.

Terá que deixar a Cisjordânia, retirar de lá boa parte das colônias. Para as (poucas) colônias que deixar, terá que se comprometer em indenizar os palestinos com outras terras e recursos. O dinheiro não anda farto, nem em Israel, nem no mundo. Mas recursos vão aparecer vindos de fontes como o FMI e o Banco Mundial.

Não é só nisso que Israel deverá ceder. O Hamas é importante. O Hamas tem poder. Paz não virá apenas com o Fatah. O Hamas é importante, tem poder, mas é também frágil. Muitos de seus líderes, à boca pequena, reconhecem que a luta contra Israel é inútil. Mas consideram suicídio político reconhecer Israel. Israel terá que conversar com o outro lado e vai ter que engolir o fato de que, nos estatutos do Hamas, continuará escrito por um tempo que seu objetivo é destruir Israel. O Hamas, no máximo, se comprometerá a adiar por um tempo tal meta.

(Com o passar do tempo, ocupado com o comando de um Estado, o Hamas muda.)

Não terminam aí os sacrifícios que quem estiver no comando político de Israel terá de fazer. Quando os colonos tiverem sido retirados, quando for aceito que o Hamas continua desejando oficialmente o fim do sionismo, a paz não virá. Muito pelo contrário. Às vésperas da instauração da Palestina, sem que os líderes palestinos tenham qualquer controle, foguetes serão lançados contra Israel, passeatas de ódio circularão pelas ruas de Gaza, talvez um ou dois homens bomba se explodam em Jerusalém causando mortes de algumas dezenas.

Há um motivo para a paz não ter vindo: fora Yitzhak Rabin, poucos líderes israelenses tiveram coragem, autoridade e estatura histórica suficiente para encarar a opinião pública de seu próprio país porque o futuro poderia ser melhor. (Ariel Sharon, o carrasco de Sabra e Shatila, ironicamente ameaçou conseguir.)

Israel vai eleger um novo líder, no próximo 10 de fevereiro. As pesquisas põem Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, à frente da moderada Tzipi Livni. Se Livni for a próxima premiê, viverá sobre a constante pressão da direita e com maioria mínima. Se Netanyahu for eleito, a vontade de acordo de paz será mínima. Não importa o resultado, só há um país no mundo com condições de pressionar os líderes israelenses a ponto de, talvez, mover o processo.

São os EUA.

O primeiro nome indicado pelo recém-eleito Barack Obama foi o de seu chefe-de-Gabinete. O cargo não tem por responsabilidade apenas lidar com o Congresso. O chefe-de-Gabinete também controla quem fala e quem não fala com o presidente da República. O homem que abre as portas para Obama é um conhecido e experiente deputado de Chicago chamado Rahm Israel Emanuel.

O nome não diz tudo a respeito de Emanuel. Ele não é apenas judeu, ligado a uma sinagoga ortodoxa. Seu pai era israelense. Emanuel tem dupla cidadania. Serviu no exército de Israel durante a Guerra do Golfo, em 1991. E foi ele quem organizou a cerimônia de assinatura do acordo de paz entre Rabin e Yasser Arafat, em 1993.

Ao que tudo indica, após o Thanksgiving Obama deve anunciar que Hillary Clinton será sua secretária de Estado. Cabe lembrar que é uma indicação corajosa por parte do presidente eleito. Afinal, era justamente no quesito diplomacia que os dois tinham maiores desavenças durante as primárias. E Hillary, neste cargo, comandará a diplomacia do governo Obama.

Por que Obama escolheria Hillary para este cargo? Um dos motivos: o nome Clinton tem enorme respeito entre políticos israelenses, não apenas por causa do Acordo de Oslo, mas também por conta das conversações frustradas de Camp David, em 1999.

Com Rahm Emanuel e Hillary Clinton, o novo governo norte-americano pode desembarcar em Tel Aviv com toda a credibilidade necessária para uma ofensiva diplomática.

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