Índia: Mumbai cercada

Islã · Terror · Ásia Central · 27/11/2008 - 04h40 - 62 Comentários

O grupo que assumiu o ataque terrorista generalizado a Mumbai, Índia, atende pelo nome Deccan Mujahedin. Ninguém os conhece. Deccan remete a um planalto no sul do país, onde não há muitos muçulmanos. Mas é um grupo muçulmano – mujahedin é a palavra árabe para guerreiro.

No momento em que este post foi escrito, a polícia indiana falava de 100 mortos, a maioria dos reféns soltos mas alguns – número indefinido – ainda sob o controle dos terroristas.

Ricardo, um dos leitores do Weblog, escreveu um artigo sobre o cotidiano na Índia para a seção O Mundo Segundo os Leitores.

Os primeiros sinais de que algo ia mal se deram na noite de quarta, no restaurante do imponente Taj Mahal Palace & Tower, um dos mais luxuosos hotéis do mundo. Jovens vestidos de jeans e camisetas, com AK-47s às mãos, entraram no salão chamando por todos os cidadãos norte-americanos e britânicos. O diário Haaretz de Israel informa que também buscavam israelsenses. Fizeram reféns. Ataques simultâneos aconteceram também no Hotel Oberoi, no Leopold Café, no mercado da cidade e na principal estação de trens. A maioria dos locais são freqüentados principalmente por estrangeiros. Mas isto não é verdade para a estação e para o mercado. Entre os mortos estão indianos pobres.

Mumbai tem um Esquadrão Anti-Terrorista, organizado por causa do terrorismo hindu, que é conhecido pela sua eficiência. É uma tropa de elite com 35 homens. Onze deles morreram, ontem à noite, entre eles seu comandante, Hemant Karkare.

Mumbai (antiga Bombaim) fica no noroeste do país e é a capital do maior estado, Maharashtra, que tem mais de 17 milhões de habitantes. Oitenta por cento dos indianos são hindus, mas quase 14% são muçulmanos – a maior das minorias, bem maior do que o número de cristãos, sikhs e budistas somados. Em Mumbai, onde uma das línguas mais faladas ainda é o inglês com o típico sotaque indiano, muçulmanos também representam 14% da população.

Em 29 de setembro último, sete pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas quando um grupo terrorista hindu atacou o bairro muçulmano de Malegaon, não longe de Mumbai. Até este ataque, era o terrorismo hindu contra muçulmanos que vinha numa crescente, no país. A discussão a seu respeito vinha mexendo com a imprensa do país. O governo tem consciência de que ser muçulmano na Índia, hoje, quer dizer estar preocupado com a própria segurança. Há opressão e tensão étnica no norte do país.

É neste contexto que estes misteriosos Deccan Mujahedin aparecem. Foram buscar britânicos, norte-americanos e israelenses, tornando a crise internacional. Foi certamente um ataque planejado e caro.

Um blog para ficar de olho nos próximos dias: Indian Muslims.

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