Joschka Fischer e sua União Européia ideal
entre EUA, Rússia, G20 e o mundo que muda
O El País de hoje publica uma entrevista com o ex-chanceler alemão Joschka Fischer, um dos mais influentes políticos europeus. Fischer é um dos proponentes da idéia de que a União Européia deve ser fortalecida para que a Europa continue a ter influência, no futuro.
Como vê a UE em meio à tormenta financeira? E a Comissão Européia?
Precisamos fazer referência ao euro. Não entendo porque os líderes europeus não são mais agressivos em sublinhar para a opinião pública a importância do euro e do Banco Central. Onde estaríamos agora sem eles? Este é o maior bem que temos e esta é a hora de convencer os europeus do que é a UE: nossa força, nossa proteção, nosso interesse, nossa voz comum no mundo de amanhã. O que vimos no sábado em Washington foi histórico. O G8 é o passado. O G20 é o futuro. Nosso futuro é a Europa, mas a Europa vai mal. Perdemos a constituição. O Tratado de Lisboa está no limbo. Os EUA elegeram o futuro, sabem se reinventar perante suas piores crises. A Europa está no caminho contrário.
O Tratado de Lisboa tinha por objetivo aumentar a relevância política da União Européia. O Parlamento teria mais poderes, entre outras questões, ampliando a importância da União em detrimento das nações individuais. O Tratado entraria em vigor no primeiro de janeiro próximo após, este ano, ser ratificado pelos eleitores em todo o continente. República Checa e Suécia ainda devem votar por sua aceitação. Em junho, os irlandeses o rejeitaram, bloqueando todo o processo.
Cada vez mais pensamos em todo o processo como nações. E a Comissão Européia é fraca. Seu presidente é ainda mais fraco. E sua fraqueza será premiada com outro mandato. É preocupante porque o mundo está mudando muito rápido. É este o momento de decidir. A Europa, dividida e fraca, corre o risco de terminar sendo um lugar agradável para viver e visitar, mas sem qualquer influência no mundo de amanhã.
A Europa também aparece dividida perante a Rússia, principalmente após a crise na Geórgia. Por um lado, os defensores de uma atitude mais dura, por outro os que propõem uma saída pelo diálogo.
Sempre teremos interesses distintos. Internamente, os EUA também têm impulsos diferentes. Mas, no fim do processo, falam com uma só voz. Alemanha, Itália, França e Reino Unido têm interesses importantes na Rússia. É claro que não podemos aceitar que a Rússia volte à dinâmica imperialista que um dia teve. Mas o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili deu a Putin uma oportunidade de ouro. Antes, Sarkozy e Merkel fizeram bem em bloquear a adesão da Geórgia à OTAN. Não estava madura. Para o futuro, a melhor resposta ao desafio russo é a formação de um mercado de gás europeu plenamente integrado. E o desenvolvimento de um fórum de política energética. Juntos, temos interesses comuns. Só desta forma podemos impedir que a Rússia jogue uma partida de divide et impera.
Independência do Kosovo. Ampliação da OTAN. Escudo antimísseis. Você crê…
[Interrompe.] O Kosovo é idferente. Conheço a posição espanhola. Mas o Kosovo é outro assunto, não o misturaria com o escudo etc.
Fischer está falando a um jornal espanhol – por isso sua informação. A Espanha viu e vê com maus olhos qualquer movimento separatista por conta de suas questões com os bascos.
Mas todos esses itens são percebidos como provocações pela Rússia.
Não. Não. O Kosovo não foi uma provocação. O Kosovo foi o resultado das ações de Milosevic.
E o escudo? E a ampliação?
Essas são políticas dos EUA. O Kosovo é fruto de um amplo debate internacional que deu uma resposta realista a um problema. A Rússia interpretou a independência como uma provocação de uma forma míope, burra. E sejamos claros: o escudo antimísseis também é uma política míope.
Fischer é um homem ouvido e respeitado – mas não tem mais poder. Atualmente, presta serviços à empresa de consultoria da ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Allbright. Persiste sendo um dos políticos mais populares da Alemanha. É a melhor voz para se ouvir o que pensam os melhores dentre os defensores do Projeto Europeu. Ele imagina uma UE que não tem qualquer animosidade em relação aos EUA mas que age de forma independente, de acordo com seus interesses. Tem uma visão aguda de como funciona a geopolítica.
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Tenho dificuldade para entender o “pavor” que esses caras - principalmente os que mais entendem de geopolítica - tem de que europa e eua percam influência.
Bobo que sou, acho que se eles perderam e outros ganharem, teremos um mundo mais equilibrado, o que será bom para todos. O equilíbrio sensato é o que pode enfraquecer desejos imperialistas - sejam da esquerda ou da direita.
Quanto ao que ele fala do fortalecimento do euro, uma prova de que este é o caminho é o desespero dos islandenses que agora pedem peloamordedeus para trocarem de moeda.
Não há grandes perspectivas para a economia européia em 2009. Nem para a economia americana. Nem para a economia japonesa. Todas deverão experimentar um crescimento negativo, não se sabe de quanto.
Porém há uma perspectiva de crescimento de uns 5% na economia dos emergentes. Há uma demanda reprimida indefectível. Há fundos de private equity & venture capital (gente que procura onde investir) ainda bastante capitalizados esperando definições para suas apostas e alocações.
A lógica e a expectativa é que invistam onde a economia tende a crescer. Vai saber. Não entendo nada de economia.
Continuando esse meu achismo, os EUA, o império, são mais ágeis que a Europa, que parece uma velha com sérios problemas articulares de bursites, osteoporoses e coisas do gênero. É um continente envelhecido e não se vê, de forma geral, uma agilização da região. Não mesmo. E é o que me parece necessário.
Qual o resumo desse achismo todo (cheio de chutes e desconhecimento da minha parte)? Que é bem provável que o império reaja mais rápido, que procure uma sobrevida, que alguns emergentes, com o Brasil no meio, assumam papel de maior importância na economia global e que passem a ser objeto de mais cobiça nos investimentos. E que a Europa afunde mais um pouco.
Infelizmente. Não gosto desse cenário para o velho continente. Mas é o que vejo.
Longo demais, interrompe a leitura dos comentários — PD
O baixa renda poderia aumentar sua renda fazendo um blog só dele kkkkkkkkkkk. Caixa de comentário é para comentar!
PROFTEL:
Cadê voce? Eu venho aqui só prá ti ver!
E prá não dizer que saí do post: Economia é um tema complicado.
A Europa é uma boa idéia. Ainda pode ser uma entidade, e não uma colcha de retalhos.
Hannah Arendt acabou acertando, embora não falasse da Europa, mas da diferença de tradições entre EUA e “o resto”: enquanto a constituições norte-americana era constituída pelo povo, as constituições de outros países (e creio que ela pensava sobretudo na FRança pós-revolucionária) eram outorgadas pelo poder, pelo que os povos não se viam refletidos nelas.
Eu gostaria que o Obama retirasse as tropas americanas…da Europa! O que iria ter de neguinho correndo de pires na mão…
É o seguinte:
Ou a Europa se une ou acaba. Simples e fácil.
Se os políticos de cada país quiserem ficar defendendo seu feudinhos, seus orgulhecos nacinazinhos vão é acabar atrás do resto do mundo. A Rússia - que está nas mãos de máfias diversas, herança da sífilis mental do Stalin - vai se impor militar e políticamente. A China vai impor-se com suas quinquilharias e depois eu continuo porque minha filhota de dois anos tá aprontando…
Olhem só que divertido, sobre a crise:
http://www.dailymotion.com/swf/k2GEzYKbv1P6IUHSpY
A propósito, pesquei do blog do Marcelo Coelho, na FSP.
Boa noite Caro Pedro Doria.
Seu Blog é simplesmente fantástico. Seus textos são cuidadosamente elaborados, dando um sabor especial ao leitor. Fiz a indicação de seu blog em minha página. Gostaria de obter sua visita, seus comentários e se possível, sua indicação também. Falo sobre política, cultura e banalidades.
Grande abraço e sincera admiração pelo seu trabalho.
Renato Cristopher Santos
http://www.cafecompizza.blogspot.com
Carlos Chagas
O que é bom para os Estados Unidos…
Coube ao lendário Juracy Magalhães, então ministro das Relações Exteriores do governo do marechal Castello Branco, a frase mais significativa daqueles idos: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil!”
Referia-se a uma das atitudes do governo de Washington diante da Cuba de Fidel Castro, com a qual o primeiro presidente militar havia rompido relações diplomáticas. Passados mais de quarenta anos, o presidente Lula busca inverter a equação. Para ele, o que é bom para o Brasil deve ser bom para os Estados Unidos, conforme se depreende de sua mais recente mensagem radiofônica ao povo brasileiro.
Por ingenuidade ou muita esperteza, o presidente exige todo o poder ao G-20, quer o retorno da rodada de Doha, pretende uma nova ordem econômica internacional e a defesa do preço de nossos produtos no mercado externo. Se os americanos aceitarem as sugestões, o Brasil nem se incomodará com o desmonte ou a manutenção da prisão de Guantánamo, sequer com o rápido retorno dos soldados do Iraque. Quem sabe a roda da História vai girar ao contrário?
Coutinho
Barack Obama
Durante meses, acompanhei a histeria da Europa por Obama. E, no meu espanto, tentei vislumbrar os motivos da paixão nas promessas do homem. Não encontrei nada. Internamente, Obama surgia, no limite, como um social-democrata moderado; e, externamente, como uma “pomba musculada”, disposto a lidar duramente com o Afeganistão, o Irão e o Paquistão. Como explicar a loucura generalizada?
Numa palavra, com a raça. Obama é preto e as esquerdas da Europa, em atitude profundamente racista, entenderam que a pigmentação da pele fazia toda a diferença. As esquerdas que embarcaram histericamente por Obama fazem lembrar os antigos fazendeiros que achavam imensa graça quando viam um escravo devidamente vestido e calçado. O racismo invertido não deixa de ser uma forma de racismo.
Resta saber se a paixão por Obama vai durar. A resposta é óbvia, porque existe um óbvio paradoxo com a eleição do homem: depois de 1989, quando o Muro caiu na cabeça das esquerdas neolíticas, o antiamericanismo converteu-se no alimento principal dos órfãos de Moscovo. Os mesmos órfãos que, agora, levados por uma forma invertida de racismo, desataram a aplaudir o novo presidente americano. Para eles, Obama é uma espécie de dr. Louçã, embora mais alto, mais elegante e, como diria o sr. Berlusconi, ligeiramente mais bronzeado. Sem a América para insultar, o que será feito desta gente nos próximos anos?
Obviamente, a desilusão será uma questão de meses, não de anos. Quando Obama começar a lidar com o mundo real, o antiamericanismo regressa e, com ele, regressa tudo ao asilo psiquiátrico.
chester, meu bom, você superestima os europeus e subestima os EUA. Continuo dizendo - ainda bem q vc não é assessor para assuntos estratégicos da presidência de George Walker…
Digamos assim - pq poderíamos achar q os EUA mantém tropas na Europa tem mais de 60 anos? Pq gostam de jogar dinheiro fora? E pq poderíamos dizer q os europeus aceitam tropas estrangeiras em seus territórios? Mesmo q sejam os simpáticos mascadores de chicletes?
Acho q é fácil entender - defesa custa dinheiro. Mto dinheiro. Mesmo durante a Guerra Fria, qdo a Europa Ocidental tinha dois milhões e meio de russos nos calcanhares, eles investiram surpreendentemente pouco em defesa. Claro, os EUA estavam lá, com 125000 homens e toda uma parafernállia tecnológica - inclusive metade (metade, eu disse - 1 em cd 2) da força aérea lá. E, ainda assim, não conseguiriam impedir q, na eventualidade de um ataque convencional, os tanques russos estivessem olhando para “the White Cliffs of Dover” em 48 hrs. Era a estimativa da época - a Europa era toda integrada por ótimas estradas.
É claro q os EUA tinham seus interesses - afinal, o dinheiro europeu ficava em Nova Iorque, e aquela gente aceitou ceder parte de sua economia ao controle norte-americano. Aliás, com exceto o bloco soviético, o mundo aceitou. Daí a frase brilhante de Juraci Magalhães, lembrada pelo cara aí em cima - uma verdadeira aula de política internacional, no contexto da época. E a lógica da época era expansão. Claro, os EUA tinham - e tem - mto mais poder do q a URSS, e o poder era um sistema econômico- financeiro integrado e controlado desde Nova Iorque. Só tanque não vence guerra - acho q todos nós sabemos disso. Mas não se vence guerras sem tanques.
Alguns especialistas (Paul Kenneddy é um deles, seu querido Victor Hanson, outro - por sinal, por onde anda o Mr X?..) acham q a jogada estrategicamente mais brilhante, pós IIGM, foi a transferência da linha de frente, por Reagan, dos EUA para a Europa. Lembra de qdo Reagan transferiu parte do arsenal nuclear para a Europa Ocidental? Foi brilhante - obrigou q os russos passassem a ter de encarar o ETO como um teatro nuclear, e não mais meramente convencional. Essa jogada deu uma nova direção à détente, q já tinha tirado a China da jogada. Obrigou os russos mudarem totalmente seu foco político e estratégico. Seria mto longo considerar pq, mas o fato é q eles não conseguiram acompanhar os EUA. Quebraram.
Os EUA continuavam com o dinheiro e controle econômico centralizado em NY. Mas tem uma outra teoria q complementa essa (não me lembro o autor): o desequilíbrio duraria só até q os russos viabilizassem as reservas de petróleo e gás da Sibéria - hidrocarbonetos mto mais baratos do q os do Oriente Médio e, principalmente, fora do controle das companhias transnacionais de óleo - todas sob controle direto ou indireto do sistema econômico dos EUA.
Segundo essa linha de pensamento, a burrada suprema foi decorrente do sugimento das TIC (se eu fosse o PD, estudaria isso… - é mais divertido), q permitiram investimentos globais em tempo real, e q transações finaceiras começassem a ser feitas entre agentes diretamente. E os EUA não tentaram entender nem regulamentar essa nova situação. Pq essa explosão coincidiu com a “revolução conservadora”. Aí, a coisa ficou assim: os europeus podiam comprar óleo à vontade da Rússia e as transações financeiras começaram a acontecer fora dos EUA.
Década de 80, meu bom - foi qdo começou a acontecer.
Acho q tá mto comprido, isso. Se alguém quiser, pode complementar. :c)
conclua você Bitt, lero-lero .
Grande Entrevista, o cara sabe das coisas.
Obama não honra militância negra americana, diz líder da Al Qaeda
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colaboração para a Folha Online
Atualizado às 12h45.
O número dois da rede terrorista Al Qaeda, Ayman al Zawahri, disse, em vídeo publicado na internet, que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, é um “house negro”. O termo foi usado pelo líder negro Malcolm X, para descrever uma pessoa negra que está mais ligada a valores “dos brancos”.
chest- a lua-de-mel está acabando…
Um mistério tão profundo quanto o Triangulo das Bermudas foi o derretimento da URSS.
Num dia era sólida no outro líquido. ( tudo que é sólido desmancha no ar? )
Com o barril a 120 dólares o mundo era um. Com a explosão da crise do fim do mundo o preço derrete e está chegando perto dos 50. Com tendência a cair um pouco mais.
Assim, agora o mundo é outro.
No espaço de alguns meses, mudou todo o cenário. Os atores ficaram sem chão.
Todo mundo fala sobre o que irá ( ou deveria ) acontecer, vale até teses academicas ) e persona sabe sequer o que está se passando, agora, no momento..
Na verdade ninguém sabe o que é essa crise.
E como ela vai acabar, se é que vai.
E quando, mesmo aproximadamente.
A única coisa que está em franca ascenção é a pirataria. Mesmo assim essa lucrativa atividade começa a ser incomodada pela marinha da India( sim, ela existe).
Um navio de combate indiano afundou a tapas e pontapés um corsário com bandeira de caveira e duas tibias cruzadas.
Tudo bem, os caras mereciam.
Caso fosse um navio americano que tivesse aberto fogo…….há !… se fosse um navio da uss navy…no minimo seria um caso grave de ” uso excessivo da força ”
Putin e Hugo Chavez perderam a fala. Momentaneamente, é claro.
Por aqui a Petrobrás navega a todo vapor em direção ao seu iceberg, chamado falta de capital de giro. Na cobertura da Avenida Chile a orquestra continua a tocar uma marchinha de carnaval….você pensa que pré sal é fundo, pré sal não é fundo não…
Enquanto isso Pedro Dória procura seu G-20, 30, 34, condição básica para o futuro governo mundial, onde a Tasmania terá um voto com o mesmo valor que o da Alemanha. E , um juiz nomeado pela ONU terá direito a mandar prender o líder da China caso o país não se comporte direitinho…
O presidente da Alemanha aliás, pede, implora, por uma ação militar do Ocidente na crise humanitária africana, que ameaça se espalhar por todo continente. E cobra uma solução para um não pais, a Somália tribal.
Hillary deve adorar abacaxi.
O correspondente da NYT lança um livro aonde reafirma que Lula bebe muito e que Celso Daniel é um crime de autoria conhecida.
Voltando assim a correr risco de deportação imeditada. Abin, PF, Protógenes, De Sactis, Tarso, já se movimentam, impacientes.
O tempo não para. Mesmo que Cazuza tenha morrido.