O casamento gay na Califórnia
E o futuro que nos aguarda
Ao longo da última semana, recebi nos comentários e por email cobranças sobre a falta de menção da vitória da Proposição 8, na Califórnia. Em pelo menos dois dos emails havia uma nítida aflição: se nem na Califórnia o casamento gay passa, será que haverá alguma chance em algum lugar no mundo? É um assunto que mexe principalmente com quem está pessoalmente envolvido. E dói.
Este post segue num formato um pouquinho diferente.
Como o Sim venceu na Proposição 8, a constituição do Estado será emendada para ganhar um artigo no qual o casamento civil é caracterizado como a ‘união entre um homem e uma mulher’. Uniões civis entre pessoas do mesmo sexo continuam legais.
Na Califórnia, enquanto o resultado não é oficializado, alguns condados estão celebrando tantos casamentos quanto possível.
Lutas por direitos civis não são simples e seguem sempre assim, com idas e vindas. Não consigo imaginar um mundo em 2030 no qual o casamento entre homossexuais não seja legal em todo o ocidente. Será. Vai acontecer. Acontecerá até no Brasil. Acontecerá antes se o movimento LGBT tupinambá pressionar. Depois de todo o mundo, se ninguém tocar na questão. Acontecerá – mas demora.
Por que ‘casamento’?
Palavras são importantes. A palavra casamento tem um peso na sociedade. Perdoem se pareço piegas, mas é que não há outras palavras para exprimir a idéia: casamento quer dizer um vínculo de amor e dedicação. Casamento é uma mudança, uma fase de vida que se inicia – uma fase que, idealmente, só será interrompida pela morte de um no casal. Este é o tamanho da dedicação. É uma das decisões mais importantes de nossas vidas. É uma união maior que todos reconhecemos, uma maneira de comunicar a todos que agora você divide a totalidade de sua vida, de seus projetos, ambições, com um par. Casamento é um processo pelo qual quase todos nós, humanos, passamos. Casamento não é uma obrigação, mas faz parte de nossa humanidade. Não se tira esse direito de parte da humanidade.
Dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem casar quer dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem desenvolver um vínculo de amor e dedicação. No fim, a idéia disfarça o preconceito de que só pode ser tara. Só pode ser sexo.
Simplesmente não é certo.
Mas nem na Califórnia?
A Califórnia não é o estado mais liberal dos Estados Unidos? Não é – como me perguntou um leitor por email – onde fica San Francisco, a capital gay do planeta? (Não sei se San Francisco é a capital gay do planeta; é uma cidade como todas as outras grandes cidades que conheço e, como todas, também tem sua vizinhança gay. Mas, até por motivos históricos e turísticos, Sanfran cultiva esta imagem e, rebeldes dentro dos EUA, os cidadãos daqui gostam da idéia de se sentirem mais tolerantes a diferenças do que todo o resto. Na verdade, não são tão diferentes assim dos novaiorquinos. E, se me ouvirem falando algo assim, apanho.)
A Califórnia tende a ser liberal, sim. Mas é preciso tomar cuidado com estereótipos. A imprensa sensacionalista de direita, nos EUA, gosta de pintar Califórnia e Nova York como Sodoma e Gomorra perante uma América cristã e conservadora no miolo. Nem um, nem outro, são verdade. Não foi apenas o prefeito playboy e democrata de San Francisco que fez campanha pelo Não. O governador republicano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, também fez. Em todo o país, um em cada três republicanos se declaram favoráveis ao casamento gay e parte do Partido Republicano da Califórnia fez campanha pelo Não.
A Califórnia não é um estado homogêneo. Como mostra o mapa de quem votou contra e quem votou a favor, é um estado dividido entre litoral e interior.
No litoral, se concentram as grandes cidades – San Diego, Los Angeles, San Francisco – e boa parte da indústria de ponta que enriquece o estado: o cinema, a tecnologia e o desenvolvimento de alternativas ao petróleo. Aqui onde vivo, no Vale do Silício, península de San Francisco, em cada gramado havia uma placa de Obama e outra de NO à Proposição 8. As pessoas realmente se engajaram. O casamento gay lhes era uma causa tão cara quanto tirar o Partido Republicano da Casa Branca. Evidentemente, os eleitores do outro lado também estavam igualmente envolvidos.
O interior, próximo a estados como Arizona, Novo México e Texas, é formado por cidades pequenas e muitas estradas, o típico interiorzão norte-americano.
Durante boa parte da campanha, as pesquisas indicaram que o Não venceria com facilidade. Foi apenas em outubro que o resultado começou a mudar. Um comercial de televisão que foi ao ar no último mês pareceu ter sido bem eficaz: afirmava que, se o casamento gay fosse incentivado, crianças aprenderiam sobre homossexualidade no jardim de infância. Coincidência ou não, as pesquisas viraram quando ele foi ao ar. E foi muito ao ar. Bastava ligar a tevê que o filmete já estava passando. Houve gente, impossível saber quantos, que confusa com a pergunta votou Sim achando que defendia o casamento gay. Algumas pesquisas dizem que o Não venceu entre brancos mas perdeu entre hispânicos e, principalmente, entre negros. Mas há também especialistas que sugerem que as pesquisas tinham falhas metodológicas.
Não é, aqui na Califórnia, uma questão religiosa. Todos os bispos episcopais fizeram campanha pelo Não. O rabinato saiu oficialmente a favor do casamento gay. Uma boa parte da Igreja Adventista, idem. Houve oposição religiosa, principalmente dos mórmons, que trouxeram dinheiro de fora do estado para a campanha, mas a disputa foi equilibrada até em termos financeiros. O Sim teve a sua disposição 35,8 milhões de dólares e o Não, 37,6 milhões. Jamais uma campanha eleitoral por uma causa, e não por um candidato, custou tão caro nos EUA.
E as Uniões Civis?
Nos EUA, há algumas diferenças do ponto de vista fiscal entre união civil e casamento; há alguns direitos como o de visitas em hospital que também são afetados. União civil resolve a questão de herança, mas não caracteriza família. Este é um detalhe; os contratos de união civil poderiam ser modificados por uma lei para ficarem idênticos ao de casamento.
A questão que está realmente em jogo é a palavra casamento.
Na verdade, se a palavra fosse irrelevante como sugerem alguns, não haveria tanta gente lutando contra seu uso civil para uniões do mesmo sexo. E é justamente porque é importante que o Estado não deve decidir quem pode ou quem não pode casar. A decisão cabe a dois adultos responsáveis e a ninguém mais. Para expressar a mesma idéia em termos liberais, a decisão cabe a dois indivíduos e o Estado nada tem com isso.
E agora?
O Condado de Santa Clara, onde vivo, e as cidades de San Francisco e de Los Angeles estão movendo ações de inconstitucionalidade. Alegam que, como o objetivo da Proposição 8 é a supressão de um direito, ela não deve ser uma emenda (ou inclusão) à Constituição e sim uma revisão da carta. Assim, para que a mudança ocorra, seria necessário não um plebiscito mas a aprovação de 2/3 do plenário da Câmara e Senado estaduais. Se a Justiça considerar que estão certos, a Proposição 8 cai por terra e o casamento volta a ser legal.
Independentemente disso, o caminho do casamento gay passa pela Suprema Corte dos EUA que definirá, para todo o país, se é constitucional ou não. Barack Obama venceu. Os novos dois ministros da Corte serão liberais. Proibir o casamento gay terminará por ser considerado inconstitucional em dez ou quinze anos.
Me permitam ser mais pessoal.
Nas constantes discussões a respeito de questões sociais, sempre busco compreender o outro lado. Sou a favor da legalidade do aborto, mas compreendo o dilema do início da vida. Sou contra a pena de morte – mas compreendo o dilema perante crimes hediondos. Entendo menos – mas entendo – quem questiona o estudo de células tronco embrionárias. São questões, no fim, que nos levam a conclusões dolorosas. É escolher entre duas possibilidades ruins que nos obrigam a compreender o que é ser humano e optamos por sacrifícios de um lado e do outro.
Alguns têm certezas. Certezas são reconfortantes, sempre. Feliz de quem tem certezas pelo mundo, a vida fica bem mais simples.
A questão da franca repulsa ao casamento gay não é uma que compreendo. Tenho dificuldades de ter empatia pelo outro lado. É um assunto que caminha ali com as leis segregacionistas que tantos países tiveram. Nada de racional o justifica. Todos os argumentos me parecem apenas uma desculpa para o preconceito. Não sei o que o futuro dirá a respeito de aborto e tantas outras questões. O casamento gay será legal em boa parte do mundo e este tempo em que vivemos nesta luta por sua legalização será lembrado como o período em que ainda havia Apartheid na África do Sul ou Jim Crow no sul dos EUA.
Passará.
Só que 2030, ou 2040, é muito longe. Há uma ou duas gerações de gays que não poderão se casar em vida porque este direito lhes foi negado. O fato de que está próximo não lhes traz conforto.
Mas, principalmente para quem está aflito, lembrem a história de Alan Turing. Matemático, de longe uma das mentes mais brilhantes do século 20, um dos maiores heróis da Segunda Guerra – decifrou o código dos nazistas permitindo aos aliados interceptarem e compreenderem suas mensagens –, inventor do computador, foi condenado em 1953 pela prática de sodomia. Por ser gay. Em Londres. Foi condenado a fazer um tratamento hormonal para ’se curar’. Turing, que era um homem bonito, e vaidoso, começou a ver o peito inchar por causa dos hormônios. Como se virassem seios. Cometeu suicídio.
Em Londres, nos anos 50, era assim que tratavam um herói de guerra por ser gay. Barbárie. Olhem para Londres hoje. Vejam como esse passado parece remoto.
Em 2002, ser gay era crime no estado do Texas. Aí a Suprema Corte dos EUA considerou a lei inconstitucional. Às vezes, o passo da história é lento. Sei que, hoje, algumas pessoas ainda não estão plenamente integradas à sociedade. Não têm direitos plenos. Como já aconteceu com negros. Com mulheres. Com índios. Mas mesmo mulheres e negros e índios ainda têm coisas por conquistar. Vai acontecer.
E qualquer um, evidentemente, tem o direito de me questionar: paciência é fácil quando se é homem, branco e heterossexual. É. Não sinto na pele o que é não ter direitos plenos. Só porque vai acontecer não quer dizer que ninguém tenha que ter paciência.
Pois bem: lutem. E me avisem se precisarem de ajuda.
Atualização – Keith Olbermann fez um bom comentário à respeito.
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PD,
Você deve ter visto aí, mas vai a dica pros/as leitores/as:
http://tinyurl.com/68d9hu
Puxa, PD, gostei o texto!
Me pareceu sincero, equilibrado.
Valeu!
The great PD is back ! benza deuses !
Pedro:
Como heterossexual convicto e juramentado e típico machão católico-latino-americano a única coisa que posso falar sobre esse seu post é que ele é simplesmente perfeito. Você fez algo que inacreditavelmente a imprensa brasileira ainda não fez: explorou a maneira como o assunto está sendo tratado dos EUA de maneira observando quase todas as nuances possíveis. E, devo acrescentar, a maneira como você colocou o uso da palavra “casamento” atinge o grande cerne da questão. Aqui no Brasil um dos argumentos mais hipócritas que são usados por aqueles que se opõem a uniões entre pessoas do mesmo sexo é que os gays estão querendo aderir a uma instituição (no caso, o “casamento”) careta, e que “bonito” é a “liberdade” que eles têm de não se casarem. Que pensamento sofisticado, hein? E o pior de tudo é que essa linha de raciocínio supostamente liberal é usualmente proferida pela pior direita-jeca-reacionária brasileira! Bem, acho que não preciso acrescentar mais nada ao que você já falou… A única coisa que preciso fazer é parabenizá-lo pelo brilhante texto.
Esse plebiscito nos EUa foi como o do armamento aqui? Sim para não e não para sim?
Deveriam fazer de novo, se foi o caso. Garanto que mais gente do que parece se confundiu. Lá e cá.
> Aqui no Brasil um dos argumentos mais
> hipócritas que são usados por aqueles que se
> opõem a uniões entre pessoas do mesmo sexo é > que os gays estão querendo aderir a uma
> instituição (no caso, o “casamento”) careta, e
> que “bonito” é a “liberdade” que eles têm de
> não se casarem.
the reinaldo azevedo way of think.
engraçado que a direita brasileira se apresenta não como defensora de uma ideologia, mas da democracia, e, no entanto, na questão dos gays defende a surpressão de direitos.
DuCaralho, PD. Na modesta opinião deste que tecla, um dos melhores textos já publicados no WebBlog.
De minha parte, sou contra qualquer tipo de casamento. Ponto.
A adoção de crianças por um casal gay está de alguma forma vinculada a essa lei, ou é um processo independente?
Perdoem se pareço piegas, mas é que não há outras palavras para exprimir a idéia: casamento quer dizer um vínculo de amor e dedicação.
chest- e isso os gays podem fazer em qualquer igreja heterodoxa, existem montes espalhadas por aí. Podem até fundar a Igreja Gay Casamenteira. Mas não é isso que eles querem, eles querem aval do Estado.
Rafael, adoção é um processo de todo independente.
Então sou a favor. :)
Dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem casar quer dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem desenvolver um vínculo de amor e dedicação. No fim, a idéia disfarça o preconceito de que só pode ser tara. Só pode ser sexo.
chest- isso é pura caretice, muito preconceituoso o PD. Sexo fora do casamento é proibido, imoral ou antiético
é uma pergunta….
pelo post, pedroca.
O casamento gay será legal em boa parte do mundo e este tempo em que vivemos nesta luta por sua legalização será lembrado como o período em que ainda havia Apartheid na África do Sul ou Jim Crow no sul dos EUA.
chest- pode até passar, mas de novidade não tem nada, lembre-se que na India uma pessoa pode casar com um cachorro.
PD, parabéns pelo texto, excelente. Espero que esse futuro que você cita no texto, chegue logo.
Uma das minhas bandas de rock prediletas é o Queen, do espetacular Freddie Mercury. Uma das coisas mais insuportáveis de escutar, é alguém falar que não gosta de Queen porque Freddie Mercury era gay. Apenas isso. Não sabe se ele canta bem ou mal, se o som da banda é decente ou não. Mas o simples fato de que ele era gay, fazia dele um péssimo músico. E ainda tinha que escutar: “Queen é coisa de veado”. Vai escutar MC sei lá o que então. Ou o anabolizado 50 Cent.
a dona de casa gorda, aquele que nao curte champagne…
E é justamente porque é importante que o Estado não deve decidir quem pode ou quem não pode casar.
chest- como assim(pergunta). Se o casamento civil é um contrato que o estado tem que proteger, juizes do estado decidem pensões e guarda de filho em caso de dissolução.
Mas, principalmente para quem está aflito, lembrem a história de Alan Turing. Matemático, de longe uma das mentes mais brilhantes do século 20, um dos maiores heróis da Segunda Guerra – decifrou o código dos nazistas permitindo aos aliados interceptarem e compreenderem suas mensagens –, inventor do computador, foi condenado em 1953 pela prática de sodomia. Por ser gay. Em Londres. Foi condenado a fazer um tratamento hormonal para ’se curar’. Turing, que era um homem bonito, e vaidoso, começou a ver o peito inchar por causa dos hormônios. Como se virassem seios. Cometeu suicídio.
chest- essa é uma interferencia indevida do estado na vida privada de um ser humano. Mas ele queria casar(pergunta) Não, só queria dar o rabo em paz, no que tem todo direito. PD usando um assunto completamente diferente para defender seu ponto de vista.
Alias, esse é um caso que exemplifica bem como os viados tem todo interesse em manter o estado longe de seus relacionamentos.
chesterton, seu cinismo é uma graça.
O Estado é responsável pelo cumprimento de contratos.
O Estado não decide quem assina contratos.
Sei que, hoje, algumas pessoas ainda não estão plenamente integradas à sociedade. Não têm direitos plenos. Como já aconteceu com negros. Com mulheres. Com índios. Mas mesmo mulheres e negros e índios ainda têm coisas por conquistar.
chest- o que, por exemplo(pergunta). Que que as mulheres tem por conquistar, o direito de mijar em pé().
21, PD você é um invertido mental. Claro que não decide quem assina os contratos, mas a partir do momento que eles são assinados, tem o dever de protegê-los. Daí, sim, poder opinar sobre a legitimidade deles.
Os EUA estão piorando sua cabeça.
Parabéns, PD. Post impecável
No mundo ocidental casamento significa homem+mulher. Algumas exceções, como os mórmons, admitem a poligamia, mas servem poara confirmar a regra. No oriente as formas são múltiplas, quem não se lembra dos harens otomanos das mil e uma noites(). A poligamia masculina era oficial, e outras eram extra-oficiais, como no mundo islamita, onde um homem pode se divorciar (se livrar) de uma de suas mulheres a renegando 3 vezes.
Como já citei, outras culturas admitem casamento entre especies diferentes, como o caso do cão, admitido como divindade (casadoira).
Mas o mais estranho é que os gays, que se achavam na vanguarda das lutas sociais, queiram a caretice do casamento para si. Isso mostra que estão atrás apenas de benefícios financeiros colocados a disposição de casais normais, como as Allocations Familialles da França, onde o welfare state tenta incentivar uniões estáveis a procriar (parce que la France a besoin de bebés), e outros, que abundam na Europa e começam a aparecer em grande escala na America do Norte.
Estima-se que 50% da população viverá “encostada” (on the dole) se os programas dos democratas foram todos implementados, e parece que os gays não querem perder a boquinha…como se parecem com os petistas.
Grande texto, Pedro. Muito bom. A safra atual está ótima.
E eu não sei por que uma pessoa como esse Nemerson Lavoura, ou quem quer que se esconda sob o nome de Chesterton, ainda não foi banido da caixa de comentários deste blog.
Ele te chama de “invertido mental”, e essa é só uma das coisas que ele fala aqui todos os dias, aparece aqui apenas com o propósito de tumultuar, e você o mantém. OK, o blog é seu, mas permita apenas esse desabafo.
PD, bom texto. Acho que faltou mencionar que houve uma votação na Califórnia em 2000. Decidiram contra o casamento gay, derrubando a votação. Depois, alguns juízes de S. Francisco decidiram a favor. Então, encabeçados pela Igreja Mórmon, quem era contrário entrou com a Prop. 8. Esse é outro debate: muita gente não gosta que os juízes mudem as coisas assim radicalmente. Pessoalmente, também não vejo motivo para barrar o direito dos outros.
Sobre o Olbermann. Não consigo levar o cara a sério, com aquele melodrama de ator amador. A esquete do SNL sobre ele foi ótima.
Será q o Nemerson é um homosexual adormecido? E aí ta vomitando recalque pelos poros…
“Casamento gay”. Caro Pedro Doria, você foi etimologicamente incoerente. Primeiro, você partiu de um racíocinio errôneo, para defender uma idéia politicamente correta. Todo PC (politicamente correto), defende aborto, porque não limpa os pedaços de fetos esmigalhados por sucção, nem querem olhar de perto, como médicos e enfermeiros. Do mesmo modo, defendem casamento gay, porque não ligam para os filhos dos outros. Casamento, significa união entre opostos. O que se pode oferecer aos gays é o reconhecimento pelo estado de sua condição, com todos aqueles direitos legais inerentes aos heteros. Seria a união entre casais homoafetivos. “União” não casamento.
Geralmente pessoas politicamente corretas partem do racíocinio cínico da defesa das liberdades individuais, porém excluem a liberdade dos outros. Assim defendem direitos sexuais, mas querem proibir os outros de pensarem aquilo que julgam errado. O livre direito a opinião já nasce como um preconceito que deve ser punido por lei. Ou seja, liberdade para um PC, é um conceito unilateral que não leva em consideração a auto-exclusão. Pela ótica deles, as igrejas católicas deveriam casar, por ordem legal, os casais homoafetivos, porque “discriminar” é crime e homofobia é errada. Mais ou menos como Stalin fazia na antiga URSS, qualquer coisa contra a revolução deve ser punida, porque as pessoas não têm o direito de estarem erradas.
O direito de pensar “torto”, porém, é tão indispensável, com o de pensar “certo”. Quem conhece Voltaire sabe bem dissso. Infelizmente, liberdades individuais para esquerdistas têm um preço caro para quem discorda. Sou a favor da união gay, e não do casamento, se quiserem casar-se, criem igrejas, como já existem, e façam seus ritos nelas. Não obriguem os outros a acharem dois gays ou lésbicas numa igreja, a coisa mais linda do mundo. Isso é dissonância cognitiva, opressão inversa assim como o que nos obrigam a pensar sobre as paradas gay: Lindos espatáculos! Quando na verdade o que se ver são pessoas se drogando e andando semi-nuas numa avenida pública.
É no mínimo engraçada a postura dos mormons, que praticam a poligamia, colocarem-se contra os casamentos gays. Pelo visto, além das possibilidades jurídicas que a união civil contempla, há nuances nos EUA como a permissão de acompanhamentos em hospitais. Aqui neste nosso país tupiniquim, não precisa apresentar comprovante de casamento para nada, até porque basta namorar (mesmo sem morar junto) por dois anos ou mais que você tem o direito de requerer, no caso de separação, metade dos bens adquiridos no período da relação. Por favor, me corrijam se eu estiver errada. Eu fiz um contrato de união estável com meu companheiro pseudo marido por isto, para não dar confusão depois, com filhos e filhas para herdar e gerar os nossos “caramingués”. O que é meu é meu e o que é dele é dele. Ninguém se engalfinha depois. Sabe como é pobre, né?
o chesterton é um comediante nato.
ah, esses gays e esses petistas! o mundo está perdido.
bebeto_maya, nem passa pela cabeça exigir da Igreja Católica, ou de qualquer outra religião, que celebre casamentos que não considera religiosamente corretos.
Minha questão é pura e simplesmente com o Estado. Com o casamento civil.
Seu raciocínio parte do princípio de que ‘casamento significa união entre opostos’. Huh… quem disse? O casamento entre pessoas de religiões diferentes já foi proibido. Mudou. O casamento entre pessoas de raças diferentes já foi proibido (não no mundo lusitano, mas em outras partes do Ocidente). Mudou. Casamento significa união.
Você me chama de cínico e depois me acusa de não respeitar quem ‘pensa torto’. (Pensa diferente?) Companheiro, fica até parecendo que quem está defendo uma minoria aqui é você. Fica até parecendo que quem está criticando a maneira como a sociedade pensa há séculos é você. Aí me chama de cínico? Me perdi no seu raciocínio. Mas a citação de Voltaire foi bonitinha.
P.S “Direitos Plenos”, Doria? Meu Deus, esse pessoal vive numa eterna luta de classes. Hoje ser mulher é tão bom que já se pode até apontar um pai para o futuro filho e receber pensão automaticamente, é a gravidez por telepatia…
Você deveria processar a natureza que fez a todos diferentes, e não iguais (graças a Deus!), com todas as virtudes, e adivinhe só!!! Defeitos, também. Inerentes a brancos, negros, vermelhos, morenos, homens, mulheres, gays, deficientes etc. Mas para vocês, ser diferente são só virtudes. Como o chesterton citou: “Que que as mulheres tem por conquistar, o direito de mijar em pé…”. Pelo amor de Deus, ser diferente não é perfeição. É condição.
#29, pois é, de pessoas semi-nuas andando numa avenida já temos (graças a Deus) o carnaval todos os anos.
Engraçado o malabarismo dos reaças pra criticar o post. O Bebeto então se superou.
Muito bom o post. Parabens.
um dos melhores textos que já li no blog!mto bom!!!
O Bebeto maya não deve nunca ter ido ou visto um desfile de escola de samba. E aliás, achei legal apontar um pai por telepatia. Nem precisa exame de DNA. Aliás, não precisa nem trepar.
Depois de #32, só posso dizer uma coisa: os dias que o PD sumiu valeram a pena, o cara voltou muito inspirado :)
Essa história de “direita é liberdade, esquerda é igualdade” fez algo imprensável: tornou a liberdade o último refúgio do arcaico. É impressionante ver tanta gente se declarando “defensora da liberdade” e, ao mesmo tempo, tentando utilizar o Estado para impor suas opiniões sobre o foro íntimo alheio, criando argumentos tão distorcidos quanto os dos defensores de Stálin.
O mundo dá umas voltas estranhas, não?
Gostei do seu texto, viu sobrinho, mas acho que você é até careta em algumas coisas, como aborto e pesquisa de células tronco. Eu não tenho dúvidas que sou a favor. Mas sou também a favor da pena de morte, para certos casos, o que me faz bem mais fascista que você.
Caro Willian,
Por que quem é contra o casamento gay é reaça? Particularmente não estou nem aí para o assunto, cada um com seu cada um. Mas não entendi a correlação que você fez.
Sr. bebeto_maya, não sabia que a palavra “casamento” era de propriedade da igreja católica (ou de qualquer outra)…
Em tempo: junto-me ao coro, ótimo post, PD, lúcido e equilibrado.
Que post excelente! Concordo com cada virgula e nao conseguiria expressa-lo melhor. Parabens.
Eu não entendo esse negócio mesmo, acho tudo uma confusão. por exemplo: você disse que o casamento foi proibido mas que a união civil continua valendo???? Como é que é isso? Qual é a diferença? O que foi proibido afinal?
Eu sempre soube que raça é um conceito cultural, pois biologicamente o projeto Genoma provou que raça não tem nenhum significado (um negro pode compartilhar mais genes em comum com um branco que com outro negro).
Mas em alguns posts abaixo, PD, você disse que tinha sangue tupinabá, ou tipiniquim, sei lá. Agora fica dizendo que não sente o preconceito na pele porque é branco?!!!
“E qualquer um, evidentemente, tem o direito de me questionar: paciência é fácil quando se é homem, branco e heterossexual. É. Não sinto na pele o que é não ter direitos plenos. Só porque vai acontecer não quer dizer que ninguém tenha que ter paciência.”
Agora ser banco, negro, mulato, índio, ou asiático é um estado de espírito?! ; - )
Por essa revolução Obamista eu realmente não esperava.
Só para chegar mais no tema do casamento Gay, as Exit Polls indicaram que 70% dos negros e 53% dos latinos rejeitaram o casamento gay na Califórnia.
A coisa vai pegar fogo.
Os hipócritamente corretos e as “patrulhas GLS” estão de prontidão, armas engatilhadas e prontinhos para trucidar a mais leve discordância com o direito dos gays serem felizes…
Tenho que me cuidar. Sempre tem um metido a advogado GLS ameaçando a gente com processos e pedidos de indenizações.
Aqui está cheio de gente que apoia integralmente a união gay - desde que seu filho ou filha não seja um dos nubentes é claro. Tem ainda os que chamam seus filhos de “gays” ou “homosexuais” mas os filhos do vizinho são é “viados” ou “bichonas” mesmo…
O importante aqui é parecer “moderno”. Parecer intelectual, dizer que votou no Obama, apoiar união civil gay e alguns extremados chegam ao cúmulo de serem vegetarianos veganos…
Eu cá com meus botões (mais um zipper e dois velcros) ainda sou conservador demais. “Casamento” pressupõe dois sexos DIFERENTES unindo-se legalmente com o objetivo de gerarem-se filhos e constituir-se uma família tradicional.
Mas eu sou tacanho, vivo enfiado aqui neste sertão e estou desatualizado quanto a institucionalização da sem vergonhice. Para mim Omo sexual é sabão em pó para lavar as partes íntimas.
Só fico preocupado com esta onda de liberalidades.
Viadagem já foi crime punido com morte. Depois passou a ser tolerada, agora esta sendo legalizada e logo logo vai ser obrigatória…
É esse o X da questão PD? Aquilo que Tia Cláudia aponta? Sobre hospitais e outras nuances que valem lá mas aqui nem sei se valem?
Uma coisa que sempre me faz rir é hmmm… esse medo dos homens brasileiros de serem homossexuais. A primeira coisa que os homens tiram de seus bolsinhos para xingarem outros é o: Viado! Viadão! Pederasta! Boiola! etc…
Eu hein… isso é alguma coisa recalcada que só alguns conseguiram liberar geral?
Por exemplo, o Kassab é uma besta quadrada, está ligado a todo tipo de mal caráter de São Paulo, mas, para vocês verem que estou sendo absolutamente imparcial na questão, nem uma vezinha meu marido deixa de referir ao prefeito eleito de São Paulo sublinhando a homossexualidade dele.
Não entendo essa truculência pseudo-viril, não entendo o que incomoda tanto na homossexualidade, que não é só de homens mas de mulheres também. Tenho zilhões de conhecido/as que são homossexuais, cada um/a vive de uma maneira, tem suas próprias convicções políticas, tem os libertários, tem os conservadores, tem reacionários mesmo, tem comunistas, tem alienados… católico/as, budistas, ateus, protestantes… Tem os que são pessoas excelentes, outros são grandes safardanas, nenhuma relação com seu gênero, apenas são pessoas diferentes.
Ainda acho que essa obsessão do homem brasileiro em ser MACHO, bem macho, bem heterossexual é coisa de quem não se sente muito seguro.
“o Estado não deve decidir quem pode ou quem não pode casar. A decisão cabe a dois adultos responsáveis e a ninguém mais. Para expressar a mesma idéia em termos liberais, a decisão cabe a dois indivíduos e o Estado nada tem com isso.”
Taí. Concordo 100% também com este post. Mais libertário, impossível!
Brancaleone, não precisa se sentir perseguido, pode continuar conservador à vontade e achar que o objetivo do casamento é “(…) gerarem-se filhos”.
Há espaço para a sua visão de casamento e a visão defendida pelo autor do post, até porque a simples liberdade de opinião não está em pauta. (Da minha parte, devo seguir na mesma união estável em que estou com a minha mulher, sem filhos, por opção, e simpático à causa do direito ao casamento civil dos gays, embora considere isso um tanto quanto careta.)
Além do link que virou atualização, eu deveria ter dito: ótimo post! E, sinceramente, a sessão onde você se permite ser mais pessoal ficou perfeita. Valeu!
Discordo que não tenha sido influência das igrejas. A influência principal na vitória do Yes on 8 foi das igrejas. No meu bairro, de classe média, eu via mais placas “Yes on 8″ do que dos candidatos a presidente. Negros, latinos, russos votaram fortemente pelo Yes - mesmo quando votavam por Obama.
A verdade é que a campanha do No on 8 foi fraca, se tivesse sido mais eficiente poderia ter contrabalançado a influência dos sermões de domingo e dos homofóbicos em geral.
Mama,
Concordo integralmente com seu comentário48. Também nunca entendi muito bem essa necessidade de macho brasileiro afirmar a própria macheza, insultando gays. É uma mania nacional, parece. :((
Inda bem Alba. As vezes fico me sentindo meio estranha no ninho. Nunca associei gênero com nenhum tipo de qualidade ou falha de caráter.
Mas considero que muita gente acaba com problemas sérios por ter sido reprimido, por não conseguir viver em paz com a sua sexualidade, isso entre heterossexuais, mas sobretudo entre homossexuais, que são ainda mais reprimidos que as mulheres.
Os homens já têm que lidar com um problema diferente, a cobrança exagerada de atuação sexual. Meu bode está solto, prendam as suas cabritas… por exemplo. Argh…
Sou a favor desde que deixem as crianças longe disso. Como elas entenderiam que não tem pai e mãe ‘normais’ como as outras? Como as outras crianças lidariam com essa criança ‘diferente’? Ela suportaria o massacre de piadas na escola ou voltaria depois de grande para fuzilar todo mundo? Podemos fazer experiências assim utilizando crianças como cobaias em nome de um suposto avanço social?
Ótimo post, PD.
Concordo quase plenamente, e a grande virtude é que é bem argumentativo. Não gosto quando alguns comentaristas se dizem contra ou a favor, despejam algum chavão politicamente correto ou então preconceituoso e vazam. A discordância é livre, mas que fosse mais argumentativa e responsável.
Muitas vezes leio um texto aqui e gostaria de dizer algo, mas não tenho tempo. Se não tenho tempo, não escrevo. Ser ligeiro, na maioria das vezes é ser leviano.
Eu sei que o veículo, a web, prima pela velocidade, mas não confundir rapidez com superficialidade.
Não estou policiando, nem poderia, o blog. Estou só divagando sobre o que eu imagino ser uma “caixa de comentários” ideal. Além, é claro, de dar menos trabalho ao PD na moderação.
Abraços a todos.
Paulo Porto,
Quer coisa mais anormal que criança abandonada? Melhor ter dois pais ou duas mães amorosos que ser abandonado à própria sorte. Uma coisa é certa: por serem mais discriminados, os casais homosexuais são muito mais tolerantes que os heteros na hora de escolherem filhos para adoção. Em geral não escolhem raça, idade, etc…Tudo bem, isso é fruto das naturais dificuldades, pois se não houvesse nenhuma, em algum dia distante no futuro, talvez se comportassem como os demais. Pode ser apenas por não serem considerados como todo mundo que hajam assim, além da impossibilidade biológica óbvia de não poderem gerar filhos. Isso nunca mudará.
Brancaleone,
Sei não, não me sentiria mortificada por ter um filho ou filha gay. Apenas me preocuparia por seu sofrimento diante do pré-conceito alheio, mas ri muito do “obrigatório”. Lembrou-me um senhor que conheci, cuja mulher era inglesa (ele nordestino) que dizia que a cada vez que ia à Inglaterra, havia maior tolerância em relação a tudo (gays, pedófilos - ele juntava tudo num mesmo saco). A partir de um certo ponto dizia que não queria mais ir pois se tornaria obrigatório e ele não queria ser gay. rsrsrsrsrsr….
em quase todos os comentários, não aparece o casal gay feminino! e olha que hoje em dia tem a bessa! pq será?
Houve uma época em que as crianças se sentiam “diferentes”, sem ter uma família “normal” porque os pais eram divorciados. Dizer que filhos de casais homossexuais terão problemas é parar no tempo.
Se não me engano, há ainda muito Estado nos EUA em que sexo anal é crime, ou não é Dória? Lugarzinho estranho, sô.
Quanto ao seu comentário no primeiro parágrafo, de que “É um assunto que mexe principalmente com quem está pessoalmente envolvido. E dói.”, a solução é fácil, e tem duas letras, nenhuma delas muito usada na ortografia portuguesa. Se algum amigo seu tiver problema com isso, fala para perguntar ao farmacêutico. (((-;
Alba, acho que entendi, ou tenha começado a entender. Estava lá, pegando meu pedaço de pizza de mozzarela quando ainda pensando sobre esse tema, me veio um estalo. Os homens entendem isso como uma indignidade. O que é uma indignidade? O fato de desejar uma pessoa do mesmo sexo? Não. Acho que eles entendem, erradamente, que o gay quer ser mulher. E acho que é aí que o bicho pega. Eles acham um absurdo completo que um homem queira ser mulher. Como alguém pode desejar ser um inferior na escala humana? É só isso, acho minha amiga. O velho e repugnante machismo brasileiro, que mata “por amor” e em “defesa da honra”. Aliás recebi um mail, vou passar para vocês, té já…
Ana, veja minha resposta a Alba aí em cima. São apenas manifestações do que há de pior do machismo nacional. Tudo bem?
ana,
Eu falei sobre a possibilidade de ter uma filha gay.
Concordo com o PD, o problema é na palavra casamento. São praticamente nulas as diferenças entre casamento e união civil.
No Brasil, as coisas são diferentes. União civil, por aqui não existe, e nem união estável.
A nossa Constituição Federal só reconhece uma entidade familiar se esta for formada da união entre um homem e uma mulher, através do casamento ou união estável.
Os direitos dos gays no Brasil são preservados somente no quesito direitos patrimonias, por isso eles podem assinar contratos estabelecendo a data do início do relacionamento, os bens adquiridos ou podem assinar um testamento deixando os bens para o companheiro. Na ausência destes documentos e se a família de um ou outro interferir, nada se pode fazer.
Voltando ao casamento. O casamento é considerado um ato jurídico, cuja definição está no Código Civil: “Todo ato lícito, que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos, se denomina ato jurídico.”
No começo deste ano, a justiça do Rio decidiu que não há impedimentos para uma união estável, ou até mesmo um casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque a Constituição, em um de seus artigos, proibe a discriminação e os juízes entenderam que qualquer pessoa pode se valer dos atos jurídicos para preservar seus direitos.
Uma das soluções para isso seria simplesmente alterar a definição de entidade familiar, embora alguns já entendam que mesmo que a entidade familiar esteja definida na Constituição, ela não exclui a possibilidade de outros tipos de agrupamentos familiares.
Já a união civil entre homossexuais ainda não existe porque não foi aprovado o Projeto da D Marta Suplicy de 95 sobre a união civil dos homossexuais, nem foi julgada a ação impetrada pelo Sérgio Cabral pelo reconhecimento dessa união.
O projeto de união civil dos gays prevê o direito à herança, a sucessão, benefício previdenciário, seguro-saúde conjunto, declaração conjunta de imposto de renda e direito à nacionalidade no caso de estrangeiros.
O site “HOMENS PELO FIM DA VIOLÊNCIA” faz parte da campanha nacional “Homens unidos pelo fim da violência contra as Mulheres”, lançada pela SPM e parceir@s. É importante dizer que esta campanha está no marco da Campanha dos 16 Dias de Ativismo pela não Violência contra as Mulheres e faz parte da campanha mundial “Unite to End Violence Against Women”, divulgada pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon.
Esta iniciativa busca um diálogo específico com os homens e a idéia é que as assinaturas sejam recolhidas até o dia 6 de dezembro, que é Dia de Luta dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. Como a campanha é dirigida ao público masculino, é importante que SÓ HOMENS ASSINEM NESTE SITE:
http://www.homenspelofimdaviolencia.com.br
Ao aderirem à campanha, por meio de assinaturas, os homens se comprometem publicamente a contribuir pela implementação integral da Lei Maria da Penha (11.340/06) e pela efetivação de políticas públicas que visam o fim da violência contra as mulheres.
Nossa meta tem que ser ambiciosa: queremos no mínimo 500 000 assinaturas. Os resultados da campanha serão divulgados em um evento com o Presidente Lula, Governadores, artistas, políticos, líderes comunitários, desportistas etc. Neste dia, o Presidente Lula enviará “on line”as assinaturas recolhidas ao Secretário Geral da ONU, e estas passarão a compor às assinaturas da campanha internacional.
Paralelamente, homens e mulheres podem assinar no site do UNIFEM ( SAY NO TO VIOLENCE AGAINST WOMAN):
http://www.saynotoviolence.org/index.htm
Peço a todas e todos a divulgação dos sites e o empenho na coleta de assinaturas.
Afinal, temos direito a uma vida livre de violência!!!!!
Nilcéa Freire
Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
Flávia Roberta de Souza Siqueira
Ofícial de Gabinete II
Subsecretaria de Articulação Insitucional da
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da
Presidência da República
Fone: (61) 2104-7699
FAX: (61) 2104-8899
E-MAIL: flaviasouza@spmulheres.gov.br
Resumindo, enquanto eles brigam pelo “casamento”, a gente tá muito longe de chegar lá…
Muito longe mesmo!
Não há dúvidas de que o preconceito é fruto da ignorância, mesmo quando não existe má fé. Muitos aqui defenderam o casamento como uma instituição cristã que une apenas homem e mulher. Mas se as pessoas se dessem ao trabalho de estudar a história da Igreja (assim como o PD, eu gosto de história das religiões), veriam que durante pelo menos uns seis séculos da Baixa Idade Média foram celebrados casamentos entre dois homens nessa mesmíssima Igreja. E alguns desses homens eram, pasmem, padres. Porque o casamento dos padres era aceito e praticado naturalmente. Portanto, a novidade não está no casamento gay ou no casamento de padres (cuja a proibição gera os problemas de sedução infantil), a novidade foi o casamento exclusivamente heterossexual e o celibato dos padres. Um bom autor para se conhecer esses fatos é o professor John Boswell, da Universidade de Chicago. Na verdade, a maioria das fobias histéricas começou com o protestantismo, indo o catolicismo atrás, para não perder eleitorado.
Depois, o casamento deixou de ser uma instituição exclusivamente religiosa desde que os romanos criaram o direito de família. Se há diferenças práticas entre uma União Civil e um Casamento Civil, é óbvio que os prejudicados têm todo o direito de batalhar pelo casamento, independente de qualquer religião. E lembrem-se de que os EUA surgiram baseados, entre outros princípios, na separação do Estado e da religião (ainda que, como todos os outros princípios constitucionais, este tenha sido muito mais teórico do que verdadeiro).
Ainda, para aqueles que gostam de exaltar as democracias ocidentais, é bom lembrar que o Alan Turing foi proibido de deixar a Inglaterra, em busca de um país de legislação menos hipócrita e homofóbica (a alegação é de que ele “sabia demais”, por ter pertencido ao serviço secreto). E a quase certeza entre os modernos historiadores de que ele foi “suicidado” pelo mesmo serviço secreto, por ter se tornado um incômodo (embora ninguém tenha se lembrado de que ele era gay durante a Segunda Guerra, quando salvou a Inglaterra decifrando o código secreto alemão). Mas a Inglaterra era uma Democracia…
Por fim, lamento que o PD considere que o Brasil ande a reboque do EUA e da Inglaterra, ao falar da aprovação de um casamento gay. É bom lembrar que nunca no Brasil alguém foi condenado por ser gay, simplesmente porque não era crime. Os gays foram prejudicados, segregados, humilhados, devido ao preconceito pessoal de quem com eles tratava, mas condenados por serem gays não foram, porque nossa legislação não considerava a homossexualidade crime. Logo, era mais avançada do que a dos EUA, da Inglaterra e de outras maravilhas do mundo ocidental. Também é bom lembrar que a homossexualidade como crime persiste na legislação de vários estados dos EUA. Apenas a aplicação dessas leis foi suspensa pela Suprema Corte (que não pode legislar nem revogar leis). Basta uma maioria conservadora na Suprema Corte para que sua decisão seja modificada, pela ação de poucos homens que, por definição, não são representantes do povo.
na época da ditadura muitos militantes foram presos com a alegação de crime da pederastia
Nunca imaginei que nos EUA houvesse criminalização do homossexualismo. Em que estados, JOÃO DALTRO? No país do Obama, nosso Deus supremo momentâneo, hein…Desilusão.
Até onde sei, não era crime homossexualismona época da Ditadura. pode ter sido uma desculpa imbecil por um pretexto idiota para prender ou torturar alguém. Que eu saiba, não havia leis a respeito. Tudo bem, para que leis naquele momento, não?
tem sim viu,axo que em 11 estados!mas pense bem..não é tão difícil imaginar quais são..
Texas, Kansas, Arkansas, …, o Centrão norte - americano?
Não é só o homossexualismo não. O sexo anal entre homem e mulheer também dá cana.
http://en.wikipedia.org/wiki/Sodomy_law#United_States
Em alguns estados o sexo anal é proibido até entre homem e mulher. Mas a aplicação dessas leis foi suspensa pela Suprema Corte.
http://en.wikipedia.org/wiki/Sodomy_law#United_States
Tia Cláudia, Derrida em uma de suas últimas conferências, falou da questão do perdão. E em meio a exemplos, ele, que estudou a questão sul-africana, disse que era muito comum que as militantes antiapartheid fossem acusadas, julgadas e tratadas como prostitutas. O objetivo era desmoralizar as mulheres e quebrar sua resistência moral. Negar a elas a possibilidade de atuação política era negar-lhes a dignidade humana. Excelente essa conferência do Derrida. Anda por aí na internet um texto dele sobre o perdão. Muito bom também.
Existem muitos países ainda que possuem em seus códigos penais, punição para a sodomia. Líbano, Afeganistão, Senegal, Nepal, Argélia, Cingapura, Marrocos, Angola, Congo, Egito, Costa Rica, Quênia, Índia, Jamaica, Moçambique, Camarões, Paquistão, Síria, entre muitos outros.
Fora os que aplicam a lei da Sharia Islâmica, como Arábia Saudita, Indonésia, Irã e algumas regiões da Nigéria:
“Sodomia é toda relação sexual entre pessoas do sexo masculino. No caso de sodomia ambos parceiros, ativo e passivo, serão os dois condenados à devida punição.
A punição para sodomia é a MORTE. O juiz da Sharia decide como a sentença se dará.
A punição para sodomia é a morte se ambos os parceiros, ativo e passivo forem adultos, em bom estado de sanidade física e mental e tiverem agido em livre arbítrio.
Se homem adulto com bom estado de saúde física e mental mantiver relação sexual com menor, este será condenado à morte e o parceiro menor, se não tiver sido forçado a manter relação sexual será condenado a Ta’azir (punição leve) de 74 chicotadas. Se menor mantiver relação sexual com outro menor ambos ficarão sujeitos a Ta’azir (punição leve) de 74 chicotadas a não ser que um deles tenha sido coagido ao ato.”
no documentário de uma escritora canadense muçulmana passa cenas de um homossexual sendo enforcado e uma mulher acusada de adultério recebendo pedradas..todo ano homossexuais tentam fugir de países muçulmanos com o sonho de uma vida livre no ocidente!mas isso é a minoria,a maioria acaba renegando a própria vida.
é nessa região mesmo tia claudia
Mama,
Pois é, acho que a coisa corre por aí, de alguma forma. Afinal, nossa imagem como “brasileiros cordiais” esconde uma sociedade extremamente violenta, em que mulheres e gays são muito maltratados, de várias formas. E acho que faz sentido os homens imaginarem que gay “quer ser mulher”, o que já os desqualifica como inferiores de saída. :((
João,
Excelente comentário. Sua reflexão sobre a Igreja, me fez lembrar de um romance, de uma série, que li - “Os Reis Malditos” - que mais ou menos descreve as intrigas que deram origem à Guerra dos Cem Anos.
Pois é, num dos livros, se não me engano, “A Loba de França”, o rei virtualmente deposto da Inglaterra, seu marido, Eduardo II, Plantageneta, mantido prisioneiro em condições precárias, esperando que alguma doença desse cabo dele, é condenado pela carta de um bispo, onde o truque era como colocar a vírgula na sentença em latim.
No fim, depois de assistir seu amante ser supliciado com os requintes da época, ele é condenado a ser empalado por um ferro em brasa - para pagar por onde pecou. Dizem que o urro que proferiu foi ouvido a longa distância. Repugnante. :((
E a história é real. Aconteceu no Castelo de Berkeley.
[...] do comentário de um modo geral. Absolutamente tocante. O Pedro Dória também fala disso em seu blog. Pablo Villaça, Keith Olberman e Pedro Dória. São vozes de caretas no meio do tiroteio entre [...]
[...] do comentário de um modo geral. Absolutamente tocante. O Pedro Dória também fala disso em seu blog. Pablo Villaça, Keith Olberman e Pedro Dória. São vozes de caretas no meio do tiroteio entre [...]
Tia Cláudia,
Sempre achei curiosa a legislação de alguns estados americanos. E ficou pior depois da onda politicamente correta, onde me lembro de ler coisas como um cara ter que pedir permissão para beijar na boca, depois do abraço, pra não caracterizar assédio. Sem falar nas permissões pra tudo que vem depois! =))
É claro que eu sou a favor do casamento entre homosexuais. Afinal, se eles querem ser tratados como iguais, tem que passar por esse tipo de infortúnio também.
Só agora consegui ver o que o Keith Olbermann disse. Lindo, lindo…
Alba, adorei os Reis Malditos, viva Druon!!! Acho que vou me oferecer a coleção de presente. Vou pegar na mediateca e xerocar, rararara… Já não sabem mais contar uma história hoje em dia…
Já te falei do últio romance que li? A distância entre nós, de uma escritora indiana radicada nos EUA, Thrity Umrigar. Saiu pela coleção de bolso da Agir. Fiquei de bobeira e perdi dois romances do autor do Dia em que Nietzsche chorou. O filme foi bem legal.
Mama,
A minha coleção é mantida com ciúme. Emprestei uma época e como não me devolveram, deu um trabalhão pra achar de novo, viu? Hoje, não saem daqui. HUmmpff!
Não conheço a autora indiana. Vou sapear, mas li um romancinho interessante ” A História do Rei TRansparente”, que conta como uma serva de gleba acaba se passando por escudeiro e cavaleiro, até acabar no massacre dos cátaros pela Igreja. Bem legal.
Gostei disso…
você já deve ter lido Mika Waltari né Alba? Acho que li todos os romances dele, indicados por uma bibliotecária que trabalhava na biblioteca Municipal da Lagoa, uma senhora estrangeira. Ela era fantástica… Conhecia os sócios da biblioteca, conhecia os livros, indicava a leitura certa para você. Eu devia ter uns doze anos, primeiro ia com minha mãe, depois passei a ir sozinha, e toda semana eram pelo menos 4 livros. Da mesma forma que me indicava Tolstói e ainda conversava comigo depois sobre o livro, indicava Sidney Sheldon para minha mãe e também comentava o livro. Nunca conheci uma bibliotecária assim. Ela realmente gostava de livros. Geralmente bibliotecários detestam livros, tanto que gostam deles bem arrumadinhos nas estantes (cf. Les assis. Rimbaud)
Vou dormir. Boa noite
Colonizados… Sempre olhando para papai colonizador… Aquí do lado, no Uruguay, foi legalizado o casamento gay em 2007. Eu sei, Uruguay não importa. Importante mesmo é país q nos mandou a pipoca no cinema…
Paulo Porto #55
O que seria melhor para uma criança?
Um pai e uma madrasta nos moldes “nardoni” ou o filho da Cassia Eller criado pela companheira dela, após a sua morte?
O que seria pior, uma criança adotada por um casal homosexual e criada com amor e respeito, ou uma criança abandonada e maltratada pelos pais biológicos?
O que é uma “familia normal” no seu conceito?
Mika Waltari???
“O Renegado” é o melhor!!!!
Mas já leu Joseph Conrad?
“Tufão” é excelente
Mas o assunto é menos ameno.
O tema é casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Vou ser apedrejado mais que adúltera muçulmana e mais torturado que sodomita de antanho mas minha opinião é uma só:
Homossexulaismo:
Não é opção. É problema glandular ou mental.
E se eu sou obrigado por leis ou hipocrisias a aceitar as viadagens por serem elas consideradas “direitos” de opção, então a minha opção de não concordar com viadagens também deve ser aceito.
Uns “optam” por serem gays. Outros ( eu no meio) opto por não concordar. Vivam as diferenças!!!
Não sei. Se nem uma criança sabe, quem sou eu para estabelecer o que é certo ou errado? O problema começa, repito, é quando querem usar crianças para ganhar reconhecimento.
Eu não sou Nemerson lavoura, apenas gosto do blog dele como do Claudio Avolio, que estão a anos luz à frente.
30, Concordo com a Tia.
PD falou: bebeto_maya, nem passa pela cabeça exigir da Igreja Católica, ou de qualquer outra religião, que celebre casamentos que não considera religiosamente corretos.
chest- você, não, mas as bichas, sim.
No0 32, PD disse isto “Minha questão é pura e simplesmente com o Estado. Com o casamento civil.”
…..mas no 21, disse isto:
“chesterton, seu cinismo é uma graça.
O Estado é responsável pelo cumprimento de contratos.
O Estado não decide quem assina contratos.”
49 nada mudou // 11/November/2008 às 19:02
“o Estado não deve decidir quem pode ou quem não pode casar. A decisão cabe a dois adultos responsáveis e a ninguém mais. Para expressar a mesma idéia em termos liberais, a decisão cabe a dois indivíduos e o Estado nada tem com isso.”
Taí. Concordo 100% também com este post. Mais libertário, impossível!
chest- desde quando 2 libertários vão recorrer ao estado para dirimir questões pessoais? Isso não tem absolutamente nada de libertário.
Viadagem já foi crime punido com morte. Depois passou a ser tolerada, agora esta sendo legalizada e logo logo vai ser obrigatória…
chest- essa frase é minha, exijo royalties.
Frangão
Em que ponto você se sente afetado pela legalização do casamento homossexual?
Tá com medo de ser chamado pra ser “madrinha” na cerimônia religiosa? kkkkk
Toda vez que vejo alguém colocando as criancinhas no meio dessa conversa, eu lembro de http://br.youtube.com/watch?v=_qf0puHJ-KM …
Houve época em que filhos de pais separados eram vistos como ‘diferentes’. Até a coisa estabilizar-se, muitas vítimas sofreram discriminação na escola e sociedade. Alguns tornaram-se jovens esquisitos que viraram adultos problemáticos e tiveram muita dificuldade para enfim levar uma vida ‘normal’.
Insisto na tese de que não temos o direito de vitimizar crianças sob o pretexto de conquistar um questionável avanço da sociedade. Já temos crianças demais com problemas para cuidar.
Ok, ok, pessoal… só por dúvida: alguém tem algum argumetno contra o casamento de homossexuais? Vi muita piadinha mas nenhum argumento até agora…
96, pior que já fui a uma “cerimonia” de 2 amigos. Mas não eram viados, nem bichas loucas. Entre 4 paredes, tudo é permitido (desde que não sangre…muito).
De Conrad meu favorito sempre será Nostromo.
Também não acho que hetero ou homossexualidade seja opção. Mas tampouco acho que é doença. São gêneros. Não constituem perturbação da ordem, não ameaçam a sociedade, não ameaçam a preservação da espécie, nada. São.
Acho que se dá muita trela para quem não merece e inclusive teve um surto lá no 29. O estilo, se for possível chamar aquilo de estilo, é reconhecível de longe…
#98, vai me perdoar, mas acho que seu argumento é bem non sequitor. Não tô falando para ofender, é que realmente parece sem sentido mesmo. “Jovens esquisitos” sempre existiram, mesmo antes dos divórcios - diria até que são a regra, não a exceção.
O divórcio certametne pode traumatizar a criança - talvez, por razões externas - mas isso não é desculpa para forçar um casal infeliz a viver junto. O mesmo vale para os homossexuais.
#100
Mas, não foi madrinha não né? kkkk
O Porto não disse mas ele é do time que acredita que todo gay é pedófilo.
Roubaram meu Nostromo!!! (nome da nave do Alien 1…) e eu não acho outro. Edição de 1952!!! Capa dura!!
Que tipo de gentinha sórdida rouba um livro destes de alguém!!!
E Kurt Vonegutt? - Barba Azul e Um Pássaro na Gaiola? e o melhor: Deus o Abençoe Mr. Rosewater…
Agora já tem outro post. Este aqui vira Open…
André Veiga // 11/November/2008 às 21:42
É claro que eu sou a favor do casamento entre homosexuais. Afinal, se eles querem ser tratados como iguais, tem que passar por esse tipo de infortúnio também.
chest- essa é boa piada, mas explica muita coisa.
Não, Mama. Você radicalizou. Acredito que um gay tenha a melhor das intenções ao querer adotar uma criança. Só que as outras crianças não sabem disso.
Madrinha? Sou espada, poderia ser padrinho (rs).
Frangão
Cuidado, espada corta dos dois lados…kkkk
104, todo gay tem como fantasial transformar um hétero em gay. Já discutimos isso aqui com o (…..) esqueci o nome dele, quem lembra?
E ele confessou.
espada não, o que corta pelos 2 lados é gilete.
Agora estã na Globo sacaneando os boiolas.
Lutar pelo direito de se casar é como lutar pelo direito de ter colesterol alto e diabetes
Mamma e Alba, sei q vcs comentaram, eu li sim, mas foram as únicas… e duas mulheres! Não é engra;ado? só mulheres …
Claude Lévi-Strauss estabelece em “As estruturas elementares do parentesco” que a família é a organização básica da sociedade, indispensável para a fixação das posições e relacões sociais.
Com o casamento e a família se estabelece as relações sociais de lealdade, o que pertencem ao meu grupo e os que estão fora.
Nesse sentido as regras sobre as estruturas familiares são as normas gerativas da sociedade.
Tanto que a proibição do incesto se encontra em toda sociedade, desde a mais os índios até a sociedade nordica.
Se afeto e dedicação são a base para se formar qualquer família fica a pergunta: deve-se extinguir o incesto, pelo menos se praticado entre adultos?
Esse ponto não é piada com a questão, mas pois existem vários casos de adultos (pais e filhos, irmãos) que desejam descumprir a proibição do incesto, argumentando que se amam e querem se dedicar um ao outro.
Aqui o link
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080407_australiacasal_pu.shtml
Em vista disso é de um romantismo puro, belo, ingênuo e ao mesmo tempo decepcionante dizer que casamento quer dizer um vínculo de amor e dedicação, pois já aí se percebe o vício de buscar a essência das coisas, hábito funesto inaugurado por Platão.
Se olharmos para a História a idéia de que casamento tem haver com afeto é um fetiche ocidental que não tem nem trezentos anos.
Não sou contra o afeto, não sou um cínico que descre no amor - pretendo me casar com quem o meu coração hoje bate mais forte -, mas não sou um parvo que romantiza o mundo, outro dos vícios mentais próprios do ocidente.
Essa escolha minha, casar com quem amo é uma opção pessoal, pois poderia escolhar uma mulher por outra razão: sexo, beleza, riqueza, prestígio e por aí vai.
O que se deve ter presente é que o casamento não é em favor das pessoas, mas sim em favor da sociedade, uma vez que é sua regra constitutiva.
Exemplo do que digo foi dado outro dia, no Paquistão, quando dois pais pretenderam casar seus filhos, ambos menores de 10 anos, como forma de extinguir uma discussão entre eles pais.
O que afeto e dedicação tem haver com isso eu não sei, mas gostaria que aqueles que defendem a ideia me respondessem.
Cara Tia Cláudia.
Saber que estados dos EUA ainda possuem leis criminalizando o sexo homossexual é difícil hoje em dia, pois a decisão da Suprema Corte (acho que anulando uma sentença do Texas) impedindo a aplicação de tais leis é confundida com a revogação das mesmas leis, por isso é difícil achar uma relação confiável, principalmente na Internet.
É mais fácil citar os estados que têm leis anti-sodomia ou anti-felação e por eles depreender os que condenam qualquer forma de sexo homossexual. Entre os que têm esse tipo de leis encontramos desde os óbvios, como Texas, Arizona, Alabama, Arkansas (do velho Clinton e seus charutos), as duas Carolinas, Louisiana e o resto do sul e da meiuca, até surpresas como Nova York e Massachussets. Considerando que casais homossexuais normalmente praticam sexo anal e oral, é uma condenação implícita do sexo homossexual.
Então, quando as listas de criminalização do homossexualismo dão destaque aos países muçulmanos e excluem os EUA, elas estão erradas. O fato de a lei não ser costumeiramente aplicada não significa que ela não exista. E elas esporadicamente são aplicadas. Li há algum tempo a notícia de que uma jovem brigou com o namorado e o denunciou a polícia, como tendo feito sexo oral com ela. Ele foi preso e condenado. Sinceramente não lembro o estado, só lembro que era do sul.
A Suprema Corte suspendeu a aplicação das leis contra o homossexualismo puro e simples, mas as leis contra a sodomia ou felação continuam eficazes. Ora, se até entre os casais heterossexuais elas são aplicadas, também o serão contra os homossexuais, a menos que eles sejam platônicos, como quer o Vaticano.
Lembrando que no Brasil republicano nunca existiu qualquer lei punindo sodomia, felação, muito menos homossexualismo.
Cara Alba.
A série dos Reis Malditos é realmente muito boa. Como ela é contada por um francês, carregam nas tintas contra o Eduardo II e defendem sua mulher Isabel, filha do Felipe, o Belo. Na verdade, ela não era flor que se cheirasse, tanto que seu filho, Eduardo III, a chutou para escanteio, executou seu amante e, como você disse, iniciou a longa guerra da qual, se é possível apontar um vencedor, certamente não foi a França.
Cara Mama Killa.
Sua citação do Derrida me fez lembrar que ele era discípulo e grande amigo do filósofo Emannuel Levinas, um judeu nascido na Lituânia. Levinas tem estudos importantíssimos sobre ética, onde desenvolve a idéia do absolutamente outro. Uma boa leitura do Levinas (infelizmente só sei de um livro dele traduzido no Brasil) mostraria quanto é absurda a discriminação e a condenação daquilo que, para nós, é o outro.
Ufa, falei demais. Boa noite a todos.
[...] Leia a opinião do Pedro Doria por completa clicando aqui. [...]
Belo texto.
“Tia Claudia // 11/November/2008 às 18:19
O Bebeto maya não deve nunca ter ido ou visto um desfile de escola de samba. E aliás, achei legal apontar um pai por telepatia. Nem precisa exame de DNA. Aliás, não precisa nem trepar.
”
Já fui e vi. E tal qual as paradas gay, acho espetáculo decadente que passa uma péssima imagem do nosso país. Ainda em relação as paradas gay, me poupem, já são mais de 100 no Brasil, quase 200, e as singelas frases nas fachas geralmente são do tipo “gay é gente pra caralho”. Como você pode ver, bem família, né mesmo? Isso já virou uma balburdia, cada cidade interiorana deve ter sua parada gay agora, e eles ainda querem ser levados a sério e aí de quem discordar.
Me lembro de uma show de transformismo na câmera de vereadores de são paulo, o travesti ficou de calcinha e sutiã num local onde somente são permitidos trajes formais, e todo mundo com aquela cara de profundo respeito forçado. Se eu entrasse de camiseta ali, levava pau do segurança (sem trocadilhos…).Um sociopata do PT disse que era normal, que eles já faziam aquilo nas paradas, então é normal? Os caras são tratados como animais exóticos pelo governo, porque pro resto da população não é nada normal, e o brasileiro que é “hipócrita conservador”. Normal é fazer sexo, com quem e como quiser, entre quatro paredes.
PS.: tem gente aqui confundindo tudo. A maioria que é contra esse lance da “homomania”, na verdade é opositor dos exageros, como as 200 paradas gay anuais, criminalização da “homofobia”, sendo que homofobia agora é um conceito alargado ad infinitum, e casamento gay.
Eu não sou contra a união gay (com direitos civis), a relação homoerótica e até a adoção, desde que permeada por critérios rigorosos. Acho até, que isso vai diminuir o índice de DSTs no meio, visto que com parceiros fixos, talvez a coisa fique menos promíscua. O que acabaria sendo benéfico para eles e para o resto da sociedade.
Tampouco, sou a favor do tratamento medieval dispensado aos homossexuais 30 anos atrás. Infelizmente o ser humano tem uma tendência enorme a viver em extremos.
PD, belo artigo.
Eu realmente não entendi o resultado da prop. 8 na Califórnia. Mas também, né?, o governador do estado é o Exterminator - parte da imagem de liberais e modernos que os habitantes do estado têm é só isto mesmo, imagem.
pombas bebeto, quanto mais você fala, mais pior de ruim vai ficando. vamos lá:
“200 paradas gays é um exagero…” porque? quantas paradas não gays existem? o que te incomoda na celebração e na alegria das paradas gays? porque as faixas têm que ser inteligentes e não apenas comemorativas?
“criminalização da homofobia” hein? então criar uma lei punindo o tratamento medieval dispensado aos homossexuais até 30 anos atrás (suas palavras, eu acho que não tem tanto tempo assim) não é provavelmente o responsável pela diminuição de casos?
“DSTs” ligados numa mesma frase ao homossexuais e múltiplos parceiros. Quem te disse que isto é uma exclusividade do mundo gay? se você tivesse dito apenas DSTs e múltiplos parceiros, você estaria 100% correto. Da forma como você disse, você apenas se mostrou preconceituoso.
ã
Tanta coisa importante para a humanidade resolver e vcs com viadagem.
gj
Acabei de ler os posts. impressionante. Só para deixar registrado:
Primeiro: Homossexualismo não é um termo mais reconhecido. a OMS adota o termo homossexualidade, já que “ismo” é sufixo utilizado para designar doenças (Vêem que evolução, ser viado já não é mais doença)
Segundo: Ser homossexual não é uma escolha, como pregam alguns. é uma orientação. (ou alguem acredita realmente que alguém escolheria por uma condição de preconceito, tendo que discutir em pelno século 21 se pode ou não se casar)
Terceiro: É problema glandular ou mental??? como assim?
Quarto: Não se trata de um direito de escolha. se trata de um direito. ponto final. Como é que podemos discutir sub direitos, sub raças?
Quinto: pessoalmente não acredito que para uma criança o ideal seja dois pais, ou duas mães. por uma questão psíquica, mas não social. Ouvi isso quando meus pais eram divorciados, a 50 anos atrás. Minha mãe deixou de ser convidada a tudo e por todos. eu era xingado na escola….
Perpetuar preconceito por ignorância não pode ser chamado de direito de escolha.
[...] *fonte: blog Pedro Doria [...]
Diz o P.D.: E é justamente porque é importante que o Estado não deve decidir quem pode ou quem não pode casar. A decisão cabe a dois adultos responsáveis e a ninguém mais. Para expressar a mesma idéia em termos liberais, a decisão cabe a dois indivíduos e o Estado nada tem com isso.
Digo: eu e minhas quatro namoradas queremos nos casar, de comum acordo.O Estado não tem nada a ver com isso, é uma decisão infinitamente pessoal.
Me diga: por que uma situação pode e a outra não pode?
Excelente texto, Pedro. A gente está na onda da mudança, é verdade, só que levar caixote dói muito. E o problema é que, como dizia o Lula, quem tem fome tem pressa ;)
beijos, parabéns pelo trabalho. Você é tudo de bom.
Pois olhe Cláudio, por mim, se as 4 e você estão de acordo, porque não? Só tem que regulamentar a questão de direitos, pensão, essas coisas. Não sei se o INSS vai gostar da novidade, mas na minha opinião, repito, seu casamento com as 4, ou 5, ou 20 namoradas, é um problema de vocês. Estabeleçam um teto para pensão de viúvas e elas que dividam. Como as filhas solteiras de militares.
Ah Sadam, eu me lembro desse tempo. As línguas não davam sossego. Tive o privilégio de ter como vizinhas a “desquitada do 7º andar” e “a aeromoça”. Impressionante, elas não tinham nome. Eram “a desquitada” e a “aeromoça”.
Mais deprimente ainda eram os maridos que aquelas mulheres respeitáveis estavam “protegendo” das “rapinantes”. Quem, em sã consciência gostaria de uma coisa daquelas?
Criança ter dois pais ou duas mães, não acho que isso tenha importância não. Se fosse assim muito adulto hoje em dia seria doente, a maior parte de nossa geração foi criada por duas ou mais mães, a biológica e as avós, tias, primas, madrinhas etc… O pai era na maior parte dos casos aquela figura vaga que aparecia na hora do jantar e reclamava de tudo. Não existe uma receita para família ideal. O importante é gostar de estar em família, respeitar o outro. De repente dois homens ou duas mulheres se respeitam mais que um homem respeita uma mulher.
Não entendo porque em pleno século XXI tanta gente reclama de casamento. Pois hoje so casa quem quer e só fica casado quem o deseja. Que tolice. Casou? Não gostou? Divorcie-se e siga em frente. Garanto que não ficou nenhuma marca de ferro em brasa a não ser que infelizmente, você tenha se casado com um/a maníaca. Nesse caso, não se divorcie apenas, faça o possível para colocar o/a maníaco/a no asilo.
Taí uma curiosidade, bigamia ainda é crime?
Brancaleone,
Ladrão de livro deveria ter as mãos amputadas. é uma tremenda cretinice.
Kurt vonnegut é bom :-))). Bem interessante mesmo. Li dele o da revolta no presídio da Sony. Comprei um outro no sebo, antes de comprar livro sempre olho os sebos, assim economizo muito, mas ainda não tive tempo para ler.
Ontem depois de ler os comentários sobre Os Reis Malditos, me deu vontade de reler um monte livros que li há tanto tempo.
Cronin, Maughan, Steimbeck, Asimov…
Brancaleone, respondi, mas a moderação ou o servidor, ou sei lá o quê está segurando. Vai que depois aparece.
Belíssimo post, Dória. “Paciência é fácil quando se é homem, branco e heterossexual” é algo que vai ao ponto.
Só não posso concordar com a parte inicial que fala que o casamento é aquela coisa idílica entre dois parceiros e tal, que é uma aspiração humana e por aí vai. O casamento tal como o concebemos é algo recente. Ainda hoje a maioria da população na Índia casa por arranjos familiares. Na Península Arábica a poligamia é regra. Várias etnias desconhecem nossas formas ocidentais de amor romântico, esse papo de parceria para toda a vida etc. e tal. O casamento faz parte de nossa humanidade não como algo natural, mas como construção cultural.
Mas fora o reparo, mínimo, tá uma beleza.
Bravo.
#124, #127, boas perguntas. NO caso, acho que, obviamente, tinham de liberar a poligamia também. Proibir a poligamia é como proibir um casal sadomasorquista de se casar :p
Parabens !
Post Lindo, claro e coerente.
Espero um dia poder escrever assim.
Number Uam #89
“O que é uma “familia normal” no seu conceito?”
A pergunta não foi para mim, mas eu respondo:
Uma utopia.
Que eu saiba quem se junta para a vida toda são alguns pássaros. Periquitos e bem-te-vis com toda certeza. Dizem que as ararinhas azuis também.
O João Daltro tem razão, mais uma vez, na sua observação.
O casamento como entendido pela cultura ocidental, é uma aspiração de alguns seres humanos.
É curioso na literatura africana João, alguns testemunhos em textos femininos, que falam da poligamia como uma indignidade. Estou aqui escarafunchando minha cabeça para lembrar o nome da autora, da qual não li o livro, mas uma citação, muito comprida, coisa de meia lauda. Fica muito difícil nessas horas, para mim, distinguir a porção “ocidentalizada” no discurso, e a simples revolta do indivíduo diante do esquema tradicional de união, onde a mulher é pouco mais ou menos uma serva, caso sua família lá dela, não seja mais poderosa que a do marido, caso onde as coisas se invertem geral.
Lembro de Ahmadou Kourouma, em chat quando recebeu o Prix du Livre Inter 1999, por Allah n’est pas obligé, responder um provocador estúpido, que perguntou sobre a poligamia, respondeu que os cristãos eram sobretudo hipócritas. Que sempre criticavam a poligamia porém quem ali entre os presentes poderia negar que só há uma esposa, mas várias amantes? Foi engraçado. Depois ele explicou que a poligamia africana, mesmo em sociedades muçulmanas é de natureza diversa da muçulmana e que o a própria concepção de Islã na África é muito permeada pelas antigas religiões africanas.
Não Brancaleone, não apareceu.
Vou dizer e tenho certeza que muita gente aqui vai concordar, quem rouba livros alheios deveria ter as mãos amputadas.
Kurt Vonnegut é legal! Li o sobre a revolta no presídio da Sony. Comprei um outro no sebo, mas não tive tempo de ler ainda.
Já leu Jack London?
E John Fante?
Dele acho que você iria gostar de O Vinho da Juventude.
Mórmons não praticam a poligamia há mais de um século. Alguns grupos dissidentes mantiveram a prática, mas são pequenos e têm pouca importância.
Agora, PD, aonde foi que você leu que os adventistas apoiaram o casamento gay?
João Paulo Rodrigues (#129), ótimos adendos. A história do casamento de fato se pauta muito mais por alianças entre famílias do que por sentimentos como amor e assemelhados.
Sadam (#122) e Mama Killa(#126), nada como esse olhar de vcs para umas poucas décadas atrás, mostrando não só as antigas configurações familiares — acrescentaria os freqüentes casamentos entre primos de primeiro grau e o hábito bastante comum de se dar um filho para que uma irmã, uma prima ou mesmo uma vizinha criasse —, como tb as mudanças no foco do preconceito.
Acredito que o mais importante é que o Estado não se intrometa na vida privada do indivíduo.
Na minha opinião, deveriamos é abolir a regulamentação de todos os casamentos pelo Estado.
Nunca entendi essa de “estado civil”. Que diabos o estado tem a ver com minha vida sexual ou afetiva?
Que as pessoas se unam, vivam juntas, e chamem isso como quiserem. E que tenham o direito de assinar um contrato para estabelecer compromissos economicos e de co-responsabilidade.
Acho que o argumento “da direita” até é razoável - por que tanta onda pra querer casar? Mas como reagiriam à proposta de abolição do casamento enquanto instituição civil? Aposto que nunca aceitariam - para eles, é dever do estado proteger suas crenças - liberalismo é para os outros!
A união estável é uma boa solução: exige um mínimo de 2 anos para reconhecimento, o que evita o casamento apenas para conseguir beneficios. Caso o casal tenha filhos não há prazo. Esse benefício deveria incluir também casais do mesmo sexo que adotem uma criança, ou quando um deles reconhece responsabilidade sobre filho do parceiro.
Por outro lado, do jeito que está, o casamento é um privilégio concedido com base no “bom” comportamento sexual. Nada mais asqueroso.
Ou bem se extingue o casamento ou o tornamos acessível a todas as opção, hetero, homo, poligamia etc.
abraço,
lucas
Para que G.W.Bush não passe à história como um idiota, sem opiniões sensatas sugiro dar uma olhada. Ele pensa…
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Puxa, sou uma anta com essas máquinas, veio por e-mail, não dá para baixar. Conhecimento zero das mágicas da internet. É um arquivo. Zut!
Lucas,
Concordo. Não se justifica o casamento civil, já que há a prerrogativa da união estável. Quem quiser casar com as bençãos de uma religião, que escolha a que mais lhe parecer adequada e ponto. Acho que na verdade o casamento civil denota ainda os vestígios da influência religiosa, onde desde o nascimento os registros se faziam nas paróquias: do nascimento, passando pelo casamento e óbito (as demais práticas religiosas nem interessam, como batismo, comunhão, etc…). Mas hoje, salvo pelo casamento, que mesmo no cartório vem envolvido numa atmosfera diferente, todos os registros são cumprimentos burocráticos de controle do estado sobre sua população e dão acesso à cidadania, como o de nascimento, ou a direitos ou suspensão deles, como a morte. Me parece que a instituição do casamento ficou num limbo, que um contrato de união estável pode plenamente substituir. Para que casar no civil? Continua parecendo, nas atuais circunstâncias, uma “mera satisfação” à sociedade. Há resquício de preconceito no ar. Mais curiosa é a obrigatoriedade do mesmo num casamento religioso (no católico, pelo menos). Uma pessoa, mesmo que queira não pode se casar apenas na Igreja Católica (ainda se julgando atrelada ao Estado, e temendo a bigamia). Como o casamento religioso não tem efeito civil, então, que o contrato o substitua pela união estável, mais democrática e mais simples de desfazer. Fica mais “clean”.
Nunca entendi essa de “estado civil”. Que diabos o estado tem a ver com minha vida sexual ou afetiva?
chest- proteção a prole que pode aparecer.
Tia Claudia (141),
O casamento civil não é continuidade o tem vestígios da influência religiosa.
O termo “civil” decorre, justamente, da oposição ao “religioso”.
Juridicamente, o casamento é um contrato entre duas partes capazes, com finalidade societária total ou parcial.
A união estável, que foi reconhecida posteriormente, busca amparar direitos adquiridos de fato, pelo consórcio das partes.
Ninguém é obrigado ao casamento que, no entanto, é a maneira mais direta de garantir direitos, porque a união estável depende, em muitos casos, de reconhecimento judicial.
Antes da República, os vários registros realizados pela igreja eram motivados pela ausência de instituições de Estado e pela ausência de separação formal deste com a igreja.
o tem = ou tem
Na prática acho que o casamento civil só funcina para uma pequena parcela da sociedade. Aquela que é urbana e tem meios e conhecimento para se deslocar até o cartório e providenciar aquela gigantesca papelada. Acho que a pior parte é a das testemunhas. Ridículo você ter que incomodar amigo com aquela palhaçada.
Todo o problema do casamento civil é que ele é um tipo especial de união civil, me parece, que estabelece algumas regras sobre a responsabilidade sobre os filhos. Mas depois do DNA, isso também fica meio esquisito.
De qualquer maneira é uma proteção para quem sobra em caso de morte, não precisa chatear ninguém para testemunhar que viviam juntos há mais de não sei quanto tempo etc…
Se proibirem decoração luxuosa, orquestra e vestido de grife nos casamentos religiosos, garanto que mais da metade dos clientes dessa instituição não casa. Afinal se já não se leva em consideração nenhum dos pré-requisitos para esse sacramento, se acabarem com a festa imponente… E nem assim, vocês não viram a do padre casado? rsrsrsrsrsrs… Aquele monte de gente não está nem aí se o homem é padre mesmo, ou não. Um católico de verdade não entrou em pânico, claro, mas já procurou a igreja mais próxima para saber o que fazer. Mas já do princípio a coisa está engraçada, porque igreja e padre é coisa que vejo em todo canto. Se não foi regularmente à sua paróquia então já não é católico por definição.
Só não entendo porque o défroqué não criou sua própria igreja. Igreja Apostólica Universal dos Sacerdotes Casados do Brasil por exemplo. Tá cheio por aí e acho que dá isenção de impostos e outras regalias.
nada será como antes // 12/November/2008 às 13:19
“Juridicamente, o casamento é um contrato entre duas partes capazes, com finalidade societária total ou parcial.
A união estável, que foi reconhecida posteriormente, busca amparar direitos adquiridos de fato, pelo consórcio das partes.”
Bom, me parece que um pode substituir o outro. A união estável precisa de reconhecimento judicial? O que foi registrado em cartório não basta? E os direitos hoje extensivos aos relacionamentos com mais de dois anos, que extendem a maior parte dos benefícios aos concubinos? Sinceramente, isto está um pouco confuso, hoje, ou sou eu a confusa…Sei que é mais restritiva a quaisquer direitos a relação definida pelo casamento com separação parcial de bens do que a relação sem nenhum contrato. Nem sei se fora do Brasil outro país é tão aberto assim a estas escolhas. Ou seja, se você quiser de fato proteger seus bens na eventualidade de uma separação sem filhos, melhor é casar do que morar junto (me parece que agora basta namorar) por dois anos ou mais.
Well… casamento religioso eu não comento.
Casamento civil é uma palhaçada desde a concepção: declaração de estado civil e de domicílio da boca prá fora (tá ‘assim’ de gente que fala que mora na mesma cidade da outra metade da laranja só para econimizar no custo do proclame). A parte mais hipócrita é das testemulhas: elas respondem civil e criminalmente pela declaração!! Ah, tá, é quase uma lenda urbana, junto daquela história do motorista bêbado que foi condendo e preso… sei.
Enfim, se tudo gira em torno de direitos e deveres econômicos, é mais fácil abrir uma sociedade, não?
O que precisa se adequar são as regras trabalhistas da época da onça: licença-gala só com o documento de cartório??? Poupe-me!
Tia Claudia, acho que a única diferença da união estável ao casamento é a ausência da data do início da união no documento.
Chesterton,
Os direitos dos filhos independem do estado civil dos pais.
O que é um absurdo é o nível de intromissão na vida privada que o Estado patrocina. Não se pode preencher um formulário sem a perguntinha “Estado Civil: solteiro, casado, viúvo, divorciado, desquitado”. Mesmo quando o assunto nada tem a ver com direitos da família.
Aliás, acho ridículo esse entendimento de que a “família” é a base da sociedade.
A base da sociedade são os indivíduos livres.
abraço,
lucas