O casamento gay na Califórnia
E o futuro que nos aguarda
Ao longo da última semana, recebi nos comentários e por email cobranças sobre a falta de menção da vitória da Proposição 8, na Califórnia. Em pelo menos dois dos emails havia uma nítida aflição: se nem na Califórnia o casamento gay passa, será que haverá alguma chance em algum lugar no mundo? É um assunto que mexe principalmente com quem está pessoalmente envolvido. E dói.
Este post segue num formato um pouquinho diferente.
Como o Sim venceu na Proposição 8, a constituição do Estado será emendada para ganhar um artigo no qual o casamento civil é caracterizado como a ‘união entre um homem e uma mulher’. Uniões civis entre pessoas do mesmo sexo continuam legais.
Na Califórnia, enquanto o resultado não é oficializado, alguns condados estão celebrando tantos casamentos quanto possível.
Lutas por direitos civis não são simples e seguem sempre assim, com idas e vindas. Não consigo imaginar um mundo em 2030 no qual o casamento entre homossexuais não seja legal em todo o ocidente. Será. Vai acontecer. Acontecerá até no Brasil. Acontecerá antes se o movimento LGBT tupinambá pressionar. Depois de todo o mundo, se ninguém tocar na questão. Acontecerá – mas demora.
Por que ‘casamento’?
Palavras são importantes. A palavra casamento tem um peso na sociedade. Perdoem se pareço piegas, mas é que não há outras palavras para exprimir a idéia: casamento quer dizer um vínculo de amor e dedicação. Casamento é uma mudança, uma fase de vida que se inicia – uma fase que, idealmente, só será interrompida pela morte de um no casal. Este é o tamanho da dedicação. É uma das decisões mais importantes de nossas vidas. É uma união maior que todos reconhecemos, uma maneira de comunicar a todos que agora você divide a totalidade de sua vida, de seus projetos, ambições, com um par. Casamento é um processo pelo qual quase todos nós, humanos, passamos. Casamento não é uma obrigação, mas faz parte de nossa humanidade. Não se tira esse direito de parte da humanidade.
Dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem casar quer dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem desenvolver um vínculo de amor e dedicação. No fim, a idéia disfarça o preconceito de que só pode ser tara. Só pode ser sexo.
Simplesmente não é certo.
Mas nem na Califórnia?
A Califórnia não é o estado mais liberal dos Estados Unidos? Não é – como me perguntou um leitor por email – onde fica San Francisco, a capital gay do planeta? (Não sei se San Francisco é a capital gay do planeta; é uma cidade como todas as outras grandes cidades que conheço e, como todas, também tem sua vizinhança gay. Mas, até por motivos históricos e turísticos, Sanfran cultiva esta imagem e, rebeldes dentro dos EUA, os cidadãos daqui gostam da idéia de se sentirem mais tolerantes a diferenças do que todo o resto. Na verdade, não são tão diferentes assim dos novaiorquinos. E, se me ouvirem falando algo assim, apanho.)
A Califórnia tende a ser liberal, sim. Mas é preciso tomar cuidado com estereótipos. A imprensa sensacionalista de direita, nos EUA, gosta de pintar Califórnia e Nova York como Sodoma e Gomorra perante uma América cristã e conservadora no miolo. Nem um, nem outro, são verdade. Não foi apenas o prefeito playboy e democrata de San Francisco que fez campanha pelo Não. O governador republicano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, também fez. Em todo o país, um em cada três republicanos se declaram favoráveis ao casamento gay e parte do Partido Republicano da Califórnia fez campanha pelo Não.
A Califórnia não é um estado homogêneo. Como mostra o mapa de quem votou contra e quem votou a favor, é um estado dividido entre litoral e interior.
No litoral, se concentram as grandes cidades – San Diego, Los Angeles, San Francisco – e boa parte da indústria de ponta que enriquece o estado: o cinema, a tecnologia e o desenvolvimento de alternativas ao petróleo. Aqui onde vivo, no Vale do Silício, península de San Francisco, em cada gramado havia uma placa de Obama e outra de NO à Proposição 8. As pessoas realmente se engajaram. O casamento gay lhes era uma causa tão cara quanto tirar o Partido Republicano da Casa Branca. Evidentemente, os eleitores do outro lado também estavam igualmente envolvidos.
O interior, próximo a estados como Arizona, Novo México e Texas, é formado por cidades pequenas e muitas estradas, o típico interiorzão norte-americano.
Durante boa parte da campanha, as pesquisas indicaram que o Não venceria com facilidade. Foi apenas em outubro que o resultado começou a mudar. Um comercial de televisão que foi ao ar no último mês pareceu ter sido bem eficaz: afirmava que, se o casamento gay fosse incentivado, crianças aprenderiam sobre homossexualidade no jardim de infância. Coincidência ou não, as pesquisas viraram quando ele foi ao ar. E foi muito ao ar. Bastava ligar a tevê que o filmete já estava passando. Houve gente, impossível saber quantos, que confusa com a pergunta votou Sim achando que defendia o casamento gay. Algumas pesquisas dizem que o Não venceu entre brancos mas perdeu entre hispânicos e, principalmente, entre negros. Mas há também especialistas que sugerem que as pesquisas tinham falhas metodológicas.
Não é, aqui na Califórnia, uma questão religiosa. Todos os bispos episcopais fizeram campanha pelo Não. O rabinato saiu oficialmente a favor do casamento gay. Uma boa parte da Igreja Adventista, idem. Houve oposição religiosa, principalmente dos mórmons, que trouxeram dinheiro de fora do estado para a campanha, mas a disputa foi equilibrada até em termos financeiros. O Sim teve a sua disposição 35,8 milhões de dólares e o Não, 37,6 milhões. Jamais uma campanha eleitoral por uma causa, e não por um candidato, custou tão caro nos EUA.
E as Uniões Civis?
Nos EUA, há algumas diferenças do ponto de vista fiscal entre união civil e casamento; há alguns direitos como o de visitas em hospital que também são afetados. União civil resolve a questão de herança, mas não caracteriza família. Este é um detalhe; os contratos de união civil poderiam ser modificados por uma lei para ficarem idênticos ao de casamento.
A questão que está realmente em jogo é a palavra casamento.
Na verdade, se a palavra fosse irrelevante como sugerem alguns, não haveria tanta gente lutando contra seu uso civil para uniões do mesmo sexo. E é justamente porque é importante que o Estado não deve decidir quem pode ou quem não pode casar. A decisão cabe a dois adultos responsáveis e a ninguém mais. Para expressar a mesma idéia em termos liberais, a decisão cabe a dois indivíduos e o Estado nada tem com isso.
E agora?
O Condado de Santa Clara, onde vivo, e as cidades de San Francisco e de Los Angeles estão movendo ações de inconstitucionalidade. Alegam que, como o objetivo da Proposição 8 é a supressão de um direito, ela não deve ser uma emenda (ou inclusão) à Constituição e sim uma revisão da carta. Assim, para que a mudança ocorra, seria necessário não um plebiscito mas a aprovação de 2/3 do plenário da Câmara e Senado estaduais. Se a Justiça considerar que estão certos, a Proposição 8 cai por terra e o casamento volta a ser legal.
Independentemente disso, o caminho do casamento gay passa pela Suprema Corte dos EUA que definirá, para todo o país, se é constitucional ou não. Barack Obama venceu. Os novos dois ministros da Corte serão liberais. Proibir o casamento gay terminará por ser considerado inconstitucional em dez ou quinze anos.
Me permitam ser mais pessoal.
Nas constantes discussões a respeito de questões sociais, sempre busco compreender o outro lado. Sou a favor da legalidade do aborto, mas compreendo o dilema do início da vida. Sou contra a pena de morte – mas compreendo o dilema perante crimes hediondos. Entendo menos – mas entendo – quem questiona o estudo de células tronco embrionárias. São questões, no fim, que nos levam a conclusões dolorosas. É escolher entre duas possibilidades ruins que nos obrigam a compreender o que é ser humano e optamos por sacrifícios de um lado e do outro.
Alguns têm certezas. Certezas são reconfortantes, sempre. Feliz de quem tem certezas pelo mundo, a vida fica bem mais simples.
A questão da franca repulsa ao casamento gay não é uma que compreendo. Tenho dificuldades de ter empatia pelo outro lado. É um assunto que caminha ali com as leis segregacionistas que tantos países tiveram. Nada de racional o justifica. Todos os argumentos me parecem apenas uma desculpa para o preconceito. Não sei o que o futuro dirá a respeito de aborto e tantas outras questões. O casamento gay será legal em boa parte do mundo e este tempo em que vivemos nesta luta por sua legalização será lembrado como o período em que ainda havia Apartheid na África do Sul ou Jim Crow no sul dos EUA.
Passará.
Só que 2030, ou 2040, é muito longe. Há uma ou duas gerações de gays que não poderão se casar em vida porque este direito lhes foi negado. O fato de que está próximo não lhes traz conforto.
Mas, principalmente para quem está aflito, lembrem a história de Alan Turing. Matemático, de longe uma das mentes mais brilhantes do século 20, um dos maiores heróis da Segunda Guerra – decifrou o código dos nazistas permitindo aos aliados interceptarem e compreenderem suas mensagens –, inventor do computador, foi condenado em 1953 pela prática de sodomia. Por ser gay. Em Londres. Foi condenado a fazer um tratamento hormonal para ’se curar’. Turing, que era um homem bonito, e vaidoso, começou a ver o peito inchar por causa dos hormônios. Como se virassem seios. Cometeu suicídio.
Em Londres, nos anos 50, era assim que tratavam um herói de guerra por ser gay. Barbárie. Olhem para Londres hoje. Vejam como esse passado parece remoto.
Em 2002, ser gay era crime no estado do Texas. Aí a Suprema Corte dos EUA considerou a lei inconstitucional. Às vezes, o passo da história é lento. Sei que, hoje, algumas pessoas ainda não estão plenamente integradas à sociedade. Não têm direitos plenos. Como já aconteceu com negros. Com mulheres. Com índios. Mas mesmo mulheres e negros e índios ainda têm coisas por conquistar. Vai acontecer.
E qualquer um, evidentemente, tem o direito de me questionar: paciência é fácil quando se é homem, branco e heterossexual. É. Não sinto na pele o que é não ter direitos plenos. Só porque vai acontecer não quer dizer que ninguém tenha que ter paciência.
Pois bem: lutem. E me avisem se precisarem de ajuda.
Atualização – Keith Olbermann fez um bom comentário à respeito.
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Tia Claudia (147),
União estável não é, em princípio, registrada em cartório. Ela é uma união de fato, cujos direitos, para serem reconhecidos, passam pelo crivo judicial, mediante processo específico.
Alguns, para evitar o reconhecimento judicial, registram a união em cartório. Mas ai cabe a pergunta : se é para registrar a sociedade, por que não registrar como casamento civil ?
Talvez alguns prefiram a união estável para apresentar uma certa “modernidade” ou inconformismo. Mas do ponto de vista jurídico, a validade é equivalente ao casamento.
Na minha opinião, o inconformismo deve ser manifestado de forma direta e clara, pela simples negação das de ambas as formas de sociedade conjugal. Afastar uma e aderir à outra é mera relação de consumo de alternativas jurídicas, mantida a presença do Estado.
Lucas (150),
Realmente os direitos dos filhos independem do estado civil dos pais. Porque tais direitos decorrem de linha sucessória, não de casamento ou união estável.
Mas, a rigor, “desquitado” não é estado civil. O antigo desquite, atualmente substituido pela “separação judicial”, como esta não extingue o casamento. Portanto, para efeitos legais, o vínculo matrimonial é mantido até a eventual conversão em divórcio.
Não é só uma questão de modernidade não. Vivo há oito anos com uma pessoa que não se divorciou, embora há nove anos separado. É bem mais simples registrar uma união estável em cartório que casar. Basta redigir, assinar e registrar.
Tia Claudia (153),
Escrevi …”Talvez ALGUNS prefiram a união estável para apresentar uma certa “modernidade”….. (maiúsculas para ressaltar)
Seu caso é devido ao impedimento de casamento civil pois, conforme escrevi no comentário seguinte (#152), a separação não extingue o vínculo da sociedade.
Concordo com o Nada será. Mas essa opção tem suas desvantagens claras. Principalmente para os herdeiros e ex-coabitantes.
A relação entre duas pessoas quem a faz são as duas pessoas. O Estado entra para garantir que nenhuma será esbulhada pela outra, caso alguma das duas tenha um mínimo de juízo.
O Estado não considera crime coabitar com ninguém, nem estar de tico-tico-no-fubá. Nem adultério é crime mais, me parece. Antes tinha uns problemas na guarda dos filhos, mas nem isso se não me engano.
O fato é que essa lei da união estável deve ter sido imaginada para resolver o problema de muitas mulheres das chamadas classes populares, que depois de viverem anos ao lado de um homem, mas sem terem casado, com a sua morte ou partida, se viam completamente desamparadas junto com os filhos. Não acho que quem imaginou a lei estivesse pensando em regularizar a situação de ficantes descolados :-)))
Aliás, acho ridículo esse entendimento de que a “família” é a base da sociedade.
A base da sociedade são os indivíduos livres.
chest- Lucas, a familia é a base da sociedade livre, por mais paradoxal quen possam parecer. Se não é a familia, quem vai cuidar das crianças? O estado? Aí viramos sovietes.
Na minha opinião, o inconformismo deve ser manifestado de forma direta e clara, pela simples negação das de ambas as formas de sociedade conjugal. Afastar uma e aderir à outra é mera relação de consumo de alternativas jurídicas, mantida a presença do Estado.
chest- bom, e o pacto pré-nupcial é o quê? Um instrumento jurídico.
Rapaz que confusão jurídica em potencial isso aí Tia Cláudia… Pois se entendi bem, a esposa, porque não é ex-esposa, porque são só separados, mantém todos os direitos dela como esposa? Certo Nada Será?
E a Tia Cláudia, que tem uma união estável com o marido também adquiriu direitos como pensão etc? Ou a união só serve para preservar os direitos dos herdeiros dela, excluindo o parceiro ainda casado? Ou depende do contrato entre as partes? Cada par estabelecendo as próprias regras?
Outra coisa, dado o teor dos comentários aqui, cai por terra a tese do casamento como uma aspiração emocional do ser humano. O casamento é só um ato jurídico que garante ambas as partes e a eventual prole.
O resto é lucro das casas de festa, buffets e cartórios que lucram alto para comparecerem devidamente empetecados nas grandiosas comemorações casamenteiras com orquestra, salgadinhos etc…
159, é verdade.
e sendo verdade, porque os gays, que não tem prole por definição, querem “casamento”? Só para escrachar com o troço. (excraxar?, escraxar?)
Senhor Chesterton (157),
Pacto pré-nupcial é instrumento utilizado para estabelecer, por exemplo, a comunhão total de bens no casamento, que afasta a parcial ou a separação total dos bens. É óbvio que se trata de instrumento jurídico.
Mas isso pouco ou nada tem a ver com a discussão presente.
“Perdoem se pareço piegas…” É PD, você foi muiiiito piegas.
Contudo, mesmo piegas você fez uma “bela defesa” de um assunto muito controverso e sem praticamente nenhuma defesa válida que o absolva.
..ou a separação total de bens. E tem tudo a ver com casamento, é uma maneira de impedir que questoes economicas tenham um papel importante demais na decisão.
well,boys…me parece evidente que o maior objetivo nisso tudo é a garantia financeira que o casamento trará para o cônjuge. Tipo herança, pensão alimentícia ou outra forma de obrigação econômica que permeia uma relação.
Qualquer um dos ‘conjuges” terá o direito de pedir pensão alimentícia em caso de separação, adultério ou outra causa qualquer. Um tipo de golpe do baú cor de rosa que vai trazer felicidade à muita gente.
Belíssimo texto, PD.
Grande abraço,
ACT
Senhor Chesterton (164),
Equívoco seu. Separação total de bens, no casamento, independe de pacto pré-nupcial.
Para que ela seja validada basta a respectiva opção no casamento civil, que tem as modalidades de separação total ou parcial de bens. A exceção é a comunhão total de bens, que exige o prévio pacto.
Zé Bush (165),
Cônjuge não tem direito à herança. Cônjuge tem direito à meação, nos casos de comunhão parcial ou total de bens.
Herança é direito de sucessão reservado a parentes ou por testamento.
Pedro,
Belíssimo texto!!
167, acabei de passar por esta situação, creia-me.
Tá vendo né Surf? Eu tenho direito à meação. Vou-lhe colocar em um baú lindo e despachar para Beijing! guiliguiliguili…
Uai… quando nos casamos, Surf e eu, ambas as opções radicais, separação e comunhão, deviam ser ratificadas por um documento próprio, que tinha um nome lá e deveria ser lavrado em cartório junto com a papelada do casório. Ambas são uma porcaria e o justo meio é comunhão parcial, na maioria dos casos. Assim parece que o Estado desencoraja os audaciosos e protege os desvalidos dificultando ambas as opções radicais.
na comunhão parcial há o risco de um dos lados (em egral a mulher) se esforçar menos em termos patrimoniais. Mas tem um conhecido meu que se deu bem.
#165, Zé Bush, acho que agora, se um dos ex-cônjuges não provar por a+b que é incapaz, se não houver filhos, ninguém tem direito a pensão em caso de divórcio. Quem tem direito sempre à pensão, até a maioridade são os filhos. A discussão agora é estender esse prazo até a conclusão dos estudos, porque tem muito pai que não ajuda a custear os estudos universitários dos filhos porque eles já fizeram 18 anos.
As vezes chego a pensar que as mulheres deveriam se organizar como as amazonas da lenda grega. E que todo homem no fundo é homossexual, tal o desamor (em graus diversos, da indiferença ao asco) que eles têm pela prole de uma forma geral.
Mama Killa, #158
Andei circulando por aí na net, acompanhando o bang bang perto de minha casa, no PavãoPavãozinho. Um horror. Nem fui à aula de italiano.
No meu caso, fiz um contrato de união estável para justamente evitar qualquer compartilhamento de bens, já que tenho um filho do primeiro casamento e meu “parceiro” nesta vida, duas. O que eu possuo é meu, o que ele possui, é dele. Assim, filhos não disputam nada. Se nós quisermos comprar algo em comum, um imóvel, ou um carro, vamos ao cartório e fazemos outro acerto, explicitando o percentual de cada um na transação. Não teria direito, nem quero, a nenhuma pensão. Mas que o assunto é confuso no Brasil, é. Se eu não fizesse o contrato, mesmo sem casar poderia requerer. Doido, né?
Oba, meu companheiro é bígamo!!! E eu sou a “outra” concubina. Gostei. Gosto de uma transgressão, ou como diria Pedro Doria, meu sobrinho, gosto de uma coisa errada.
Uma coisa que o Keith Olbermann falou no comentário da MSNBC fez lembrar esse argumento, digo, essa baboseira, de que “o homossexualismo compromete os valores da família”.
Ora, bem ao contrário! Se um gay puder se casar com outro gay, e se a sociedade aceitar isso numa boa, ele não vai precisar manter um casamento de fachada. As pessoas terem o direito de se casarem com quem amam, não importa quem seja, é uma coisa que não tem como comprometer os valores da família. Muito ao contrário.
O único motivo possível para esse argumento homofóbico dos “valores da família” é o sujeito machão enxergar um casal gay e pensar “ai, que vontade de largar minha família e experimentar isso!!”
Ora, esse papo de comunhão disso e daquilo me causou borboletas no estômago. Vou ter que ter falar sobre esse assunto chato em breve.
Como se aborda esse tipo de coisa? “Querida, precisamos conversar sobre o que vai acontecer quando eu te deixar?” ou “Querida, assine aqui. Nào, aqui embaixo, não precisa ler!”. Talvez, “meu bem, precisamos conversar sobre o que acontecerá com nossos bens quando você me deixar” (acho que esse com jeito de coitadinho é o mais adequado).
Blergh.
Monsores // 12/November/2008 às 17:55
Olha, no meu caso foi bem simples. Eu ia comprar um apartamento para meu filho, e já morava junto há anos. Este meu filho, por sinal (somos todos fora da lei nessa família…) iria e foi morar com a namorada. Se deixasse no nome dele, no caso dos dois se separarem, ela poderia requerer a metade, pois estavam juntos há mais de dois anos. Deixar em meu nome foi a opção. Daí a decisão de fazer o contrato. Meu “cumpanheiro” também estava para receber dinheiro do Fundo de Garantia. Achamos melhor deixar tudo resolvido. Se acontecer de nós dois irmos dessa para uma melhor ou pior, não há discussão. Meu filho herda o que é meu e as filhas dele, o que é dele. Mas no início ele ficou meio chateado, achando que eu não confiava em suas filhas, que seu primeiro casamento tinha sido realizado com separação total de bens, mas hoje ele concorda e achou melhor.
Nada a ver Monsores. Bobagem. Eu não nem começaria a me sentir ofendida se tivesse que assinar alguma coisa assim. Até porque não ficaria constrangida de pedir ao futuro marido para assinar nada caso fosse necessário resguardar qualquer bem material meu.
O mais curioso é que são sempre homens, ou quase sempre, os que ficam nesse chove não molha do “ai Meu Deus como eu vou dizer isso…”
No entanto em todos os meus anos de vida só conheço UM único caso em que a mulher real e efetivamente deu um senhor golpe no homem.
Em compensação o que conheço de mulher que tomou bolachada até sair de casa (para que o safardana entrasse com queixa de abandono de lar e requeresse a propriedade total do único imóvel da família), que perdeu absolutamente tudo, inclusive a roupa do corpo, desbastada aos poucos por marido no tradicional tríduo: jogo, mulher e álcool. Mulher que foi expulsa de casa no meio da madrugada e com os filhos, depois de uma brilhante armação. Mulher que só não perdeu imóvel dado como presente de casamento pelos seus pais porque sabiamente eles o deram ANTES do casamento portanto não entra em partilha de bens. Ou porque ela sabiamente fez questão de registrar o imóvel como comprado com recursos de adiantamento de herança, o que também livrou mais de uma de ter que dividir patrimônio familiar por ocasião de divórcio.
Pois é… Mulher que não presta geralmente dá golpe nos golpeáveis. Homem que não presta dá golpe até na mãe dele…
O pessoal que entende dessa coisa de união estável diz: “Se quiser morar junto, vai no cartório e casa. É mais fácil assinar um papel no início e definir as condições direitinho do que ter que encontrar 50 testemunhas pra provar que estão juntos desde não sei quando.” Da mesma forma, quando não quer mais morar junto, vai no cartório e separa e diz quem fica com quem. Pronto. Mais fácil e dá muito menos confusão.
Muito boa colocação. Esperar tantos anos para ver um direito ser reconhecido não é só injusto, é cruel para com o ser humano. Parabéns pela abordagem.
Qual era, tradicionalmente, a função do casamento? Autorizar o sexo. Só sob o casamento os filhos podiam ser reconhecidos, pois era ’sexo legalizado’. Era uma concessão que a Igreja fazia ao desejo humano. Ver I Cor 7,1-9: “Penso que seria bom ao homem não tocar mulher alguma. (…) Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.”
Aí está a chave da questão: ver um casal no altar pressupõe que, dali a algumas horas, eles estarão transando (e depois, o marido iria ainda mostrar o lençol manchado na janela). E que, nove meses depois, a mulher vai estar tendo um bebezinho, devidamente legalizado e herdeiro do legítimo marido - o único homem que ela poderá ter na vida, pois o matrimônio serve para garantir o patrimônio.
Mesmo quando o casamento civil foi criado, sua função não mudou: para o Estado, assim como para Deus, só era gente de verdade quem nascia de papai e mamãe (com o perdão do trocadilho) casadinhos. Os outros eram bastardos, não herdavam nada, não tinham direitos. Inferiores, juridicamente, aos gays hoje em dia.
Mas ver aqueles dois homens (ou duas mulheres) celebrando casamento lembra aos moralistas que eles vão estar autorizados a transar dali a algumas horas - perspectiva que é, para um moralista, pavorosa. Como diz o Millôr, “obsceno é tudo o que excita os puritanos.”
O problema é que os moralistas falam de como eles gostariam que as coisas fossem, mas a sociedade precisa lidar com as coisas como elas são.
bemm , lendo tudo aqui parece que chegamos a conclusão de que apoiar casamento gay é coisa de viado…
A quebra do código da Enigma, feita por Turing, foi coisa de fichinha. Alan Turing é o pai das máquinas de Turing, ou seja, do modelo teórico em vigor para a computação.
Teu blog existe, Pedro, graças a Turing…
Frangão - bemm , lendo tudo aqui parece que chegamos a conclusão de que apoiar casamento gay é coisa de viado…
E bater o pé se posicionando contra é coisa de mona enrustida e trancada no armário…kkk
mas além de comunista tu és gay, namberuan?
Ué Frangão?
Você se importa com a minha sexualidade?
Tá querendo uma fungadinha e um roçar de barba no cangote?
Cuidado que se eu for gay, eu sou o ativo e, como você já disse em post anterior, todo gay tem o fetiche de transformar um hetero em homo…de repente eu posso querer começar por você…vai que eu queira te transformar num homo passivo…kkkk
Frangão
Você mesmo disse que é espada e eu lhe afirmo que espada corta dos dois lados igualzinho a uma gillete…kkkk
Só não vale querer casar, depois, de véu e grinalda só pra exigir pensão quando separar. kkkk
Espada tem dois fios, efetivamente. Não sei se todas, mas as que conheço com certeza.
Quem só tem um fio é aquele machado de desenho animado do Paul Buniam.
Vejam que ironia. Walt Disney fez um desenho contando a saga de Paul Buniam, a lenda de um desastre ecológico.
E agora como que ficam as coisas lá na terra do Tio Sam lá do PD???
“Entendo o casamento como entre um homem e uma mulher.” Barack Obama.
Yes, we can!
PD só esqueceu de mencionar o básico.
PD! PEEEEEEDEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!
ALô!!! AlOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!
Você poderia me indicar uma fonte que me esclarecesse sobre as sucessivas políticas de financiamento cultural e isenções fiscais nos EUA? Estou curiosa para entender até o fim um livrinho que comprei sobre mecenato e indústria cultural.
Não me obrigue a usar o twitter… :-)))
Obama ganhou as eleições graças ao seu slogan. Também quem não ganharia com um apelo desses?
Yes! Week-end!!!
Pois é : Yes, we can = Yes, week end
Se fosse em terra brasilis: Sim, nós podemos = Sim, nos f…emos.
he he
Caro Radical Livre:
““DSTs” ligados numa mesma frase ao homossexuais e múltiplos parceiros. Quem te disse que isto é uma exclusividade do mundo gay? se você tivesse dito apenas DSTs e múltiplos parceiros, você estaria 100% correto. Da forma como você disse, você apenas se mostrou preconceituoso.”
Não, não é. Mas você deve saber que a incidência é bem maior nesse grupo, o que não exclui os heteros dos mesmo riscos, Sr. Politicamente correto.
Você também deve saber que homossexuais têm mais facilidade em se relacionar, por um motivo biológico evolucionista muito simples: testosterona! São dois com esse hormônio. Responsável por boa parte da líbido, daí o maior número de parceiros. Número que pode ser reduzido com a solução que apontei: União gay.
Mas vocês, politicamente corretos, são mesmo tão “vedados” que não conseguem entender que com as diferenças vêm não só as virtudes, como também os vícios. Se eu fosse gay, admitiria, que minha opção acarreta riscos extras a minha saúde (preciso falar da historinha da mucosa anal, ou você vai dizer que heteros também fazem sexo anal?), e seria extremamente covarde se não advertisse amigos também gays.
Ainda em relação as paradas gay: É uma via de mão-dupla: Se eles podem fazer 1000, eu, ou qualquer outro brasileiro, podemos ter opinião negativa contra as 1000.
Aproveitando, deixo um link bem interessante:
“Culto evangélico é atacado por homossexuais”
http://www.cristianismohoje.com.br/artigo.php?artigoid=36236 , Agora revida pra você ver. Eles batem, batem, batem e quando você revida, se encolhem pra se auto-vitimizarem. É a estratégia típica da esquerda mundial coitadista.
Como deixei bem claro: Defendo as liberdades individuais, cada um que faça o que quiser, desde que não acarrete trauma para os outros. Casamento gay não existe, porque é gramaticalmente impossível, e a culpa não é minha.
Viados atacando as igrejas é o fim da picada. Depois reclamam. Mas o pior é o gay enrrustido e o bisexual que passa para a esposa as cracas que pega na night.
O #1 defende essa conduta..porque?
Bem lembrado pelo Francisco Antonio.
Turing certamente foi um dos maiores gênios do século XX (e olha que teve muitos). Foi um dos fundadores da teoria da computação.
Engraçado é eu já ter estudado um monte de coisa que ele fez e nunca ter esbarrado com informação sobre sua morte trágica.
Quanta ciência e tecnologia a mais não teriamos hoje se esse gênio não tivesse sido brutalmente assassinado (sim, levar alguém ao suicidio é assassinato)?
Seria interessante fazer um levantamento de tudo o que a humanidade perde pela discriminação - e não apenas as vítimas diretas.
abraço,
lucas
Chesterton,
A família não pode ser a base da sociedade livre.
Não é dizer que a família não deva existir ou não possa ter direitos.
Mas dizer que a sociedade é formada em sua base por famílias é excluir os direitos dos órfãos (que nunca tiveram uma familia ou que deixaram de te-la em aglum momento), dos que optaram por não se casar, não ter filhos etc.
A base da sociedade são os indiviudos livres. A base do cuidado com as crianças pode ser a família, e isso é outra coisa completamente diferente.
1)Consigo entender porque PD considera impossível entender “o outro lado”, o que muito agostinianamente cabe reconhecer que é de fato inviável sem alguma empatia. 2) De toda forma, os temas na moldura são demasiado amplos para uma pequena mensagem: liberdade, pessoa humana, indivíduo, família e sociedade, etc. O que talvez caiba seja deter-se um pouco nesse fenômeno incontornável: no momento histórico exato em que se difunde no Ocidente a idéia de que a legalização de casamentos de gente do mesmo sexo, “baseados no modelo dos casamentos heterossexuais, são aquilo que a comunidade gay deseja”, o próprio casamento é rejeitado ou, enquanto conceito, em muitos circuitos de interlocução afasta-se do que era há poucas décadas. Os homossexuais buscariam (será? por que?) algo de que tantos heterossexuais “já desistiram” há muito tempo. 3) Pessoalmente acho interessante olhar o fenômeno alargando o foco. Em mensagem mais abaixo, segue link para pequeno ensaio em inglês, de onde saíram essas passagens entre aspas. O autor não se concentra no tema específico, mas de passagem o contextualiza, de um ponto de vista cristão, sem pretensões eruditas ou teses incríveis como as do laureado e muito controverso Boswell (#64). Tem lá seus deslizes feios (“homossexuais buscam algo de que homens e mulheres abriram mão”; como se houvesse algum terceiro gênero), mas ninguém é perfeito.
http://www.ignatius.com/Magazines/HPRweb/schall-Jan2005.htm
Em tempo: a referência ao Boswell é do João Daltro, #67.
Será que assim o link aparece mais rápido? Aí é cut and paste e deletar os espaços.
http: // http://www. ignatius. com
/Magazines / HPRweb/ schall-Jan2005. htm
Todos preocupando-se em discutir os efeitos provenientes da proposta 8, e percebo que esquecemos de nos importar com quem realmente mais sofreu durante todo o ocorrido. Depois de observar atenciosos os vídeos chocantes de irracionalidade, ódio, desumanidade e desrespeito a quebra dos direitos solenes do ser humano, quanto à liberdade de crença, por parte de seres humanos que dizem ser injustiçados por não terem seus direitos absolutamente concedidos, refleti sobre toda a dor que meu Pai celeste estava sentindo ao ver Sua casa terrena sendo profanada, podendo ela ser herdada por cada um deles caso fizessem a vontade do Pai. Meus olhos encheram-se de lágrimas e senti uma tristeza dominar-me por completo. Lembrei dos pioneiros, que tiveram suas famílias destituídas, suas casas queimadas, e seus corpos congelados à medida que percorriam milhares quilômetros em meio ao frio. Apesar de não sermos atacados fisicamente sentimos a dor quando nossos princípios, crença e padrões morais são atacados. Penso que isso é um grão perto de toneladas de areia que ainda adviram sobre nós Santos dos Últimos Dias. É uma tristeza ver até que ponto a consciência humana chegou, é uma infinita tristeza saber que definitivamente muitos perderam o senso do que é o correto, do que é reto, do que é de fato viver a maneira do Senhor.
Todas essas manifestações alarmantes estão bem longes de um ideal de felicidade, e de luta aos direitos individuais. Como se pode atingir moralmente o direito de alguém para agir de acordo com suas crenças, e querer ao mesmo para si qualquer outro direito? Sem dúvidas não há nada de correto nisso.
O Pai Celestial ama a cada um de nós independentemente da linha de crença de cada um, mas ele é justo e não deixará que nenhum de seus filhos obstrua sua obra na terra e o destino eterno de quem são seguidores.
Somos 13 milhões no mundo, uma grande família, com a certeza de que poderemos suportar tudo, pois não há nada que não possamos suportar. Com todas as nossas diferenças, nós SUDs nunca deixaremos de demonstrar amor a cada um de nossos irmãos, nem que para isso tenhamos que fazer pelo lado mais difícil.
Lembro-me do episódio sagrado, em que nosso Salvador, prestes a deixar a vida mortal, citou: Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem. Oro com muito fervor para que pessoas, com tais atitudes negativas, sejam brandadas pelo puro amor de Cristo do qual desconhecem, e que o Senhor as perdoe porque certamente elas não sabem o que fazem.
Sem mais.
Abraço a todos.
http://www.signonsandiego.com/uniontrib/20081113/news_1n13quit.html
#139, Lucas
“(…) o tornamos acessível a todas as opção, hetero, homo, poligamia etc.”
Penso que é por aí.
# 94
Chesterix disse:
“desde quando 2 libertários vão recorrer ao estado para dirimir questões pessoais? Isso não tem absolutamente nada de libertário.”
Penso que o casamento (acessível a todos) ofereceria necessária proteção aos indivíduos, sim. A TODOS. Sejam eles hetero, homo, bígamos ou polígamos.
Nessa hipótese, o casamento sob as leis do Estado serviria como garantia dos direitos dos indivíduos contra o uso de força ou fraude por outrem.
Bah, até quando vão discutir este assunto?
Os gays que saibam se por em seus lugares.
Não tem casamento, azar. Sorte da sociedade moralmente correta não ter que conviver com essa profanação. A democracia decidiu, e o choro é livre.
Caro Pedro Dória,
Só li seu post agora, mas nao podia deixar de parabeniza-lo por ele. Excelente análise, humanista e muito informativa.
Eu mesmo nao tinha entendido como essa Proposição 8 que proíbe o casamento gay havia sido aprovada em um estado teoricamente tão liberal como a Califórnia. Com o seu texto dá para se ter uma boa idéia do porque do Sim ter vencido nessa Proposição. E consegue-se vislumbrar quais serao os possiveis desdobramentos desse caso.
Ao mesmo tempo o seu texto é de uma sensiblidade e solidariedade( a uma causa que necessariamente nem é sua) rara de se encontrar hoje em dia. Creio que voce entende que a causa é, mais do que simplesmente gay, uma causa humana. Acredito nisso também.
Queria fazer aqui alguns comentário mais abrangentes sobre o tema, como os que fizeram Ricardo Leal (#200), ou o Fabiano(#183). Creio que deveria-se debater até que ponto o direito ao casamento( nos moldes tradicionais) deva continuar sendo o “Leitmotiv” do movimento gay atual.
Porém isso é uma discussão que só faz sentido quando se atinge um grau civilizatório ou de entendimento minimo.
Quando leio alguns comentários aqui, chamando casamento gay de profanacao, homossexualidade de doenca mental ou hormonal e dizendo cinicamente que daqui a pouco será obrigatório ser homossexual, vejo o quanto estamos distante desse nivel de civilidade e entendimento.
Pedro Dória, voce é otimista quando fala em 30 anos para o casamento gay ou a aceitacão a homossexualidade ser um ponto pacífico no mundo ocidental. Em alguns países, como o Brasil, certamente demorará muito mais…
Sai do armário Chesterton!
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