Como funciona a eleição nos EUA
Dia da Eleição 04. Para quem chegou agora, sempre fica a pergunta: como funciona o sistema eleitoral norte-americano? As eleições não são diretas, nos EUA. Não adianta somar todos os votos, ver quem tem mais. Em 2000, Al Gore teve mais votos que George W. Bush. Não é assim que se conta: quem elege o presidente da república é o Colégio Eleitoral.
O Colégio é formado por 538 eleitores. O presidente é aquele escolhido por metade mais um destes – 270 votos, portanto.
As eleições de hoje são, essencialmente, eleições estaduais. Cada estado está decidindo para quem vão seus eleitores. O número varia. A Califórnia tem 55 eleitores – é o maior estado. Sete estados têm apenas 3 eleitores cada.
Na maioria dos casos, quem vence um estado leva todos seus eleitores. Isso ocorre mesmo que a diferença seja de apenas uma meia dúzia de votos. Assim, em 2000, Bush venceu Gore na Flórida por 154 votos. (São os resultados oficiais.) Ambos tiveram 49% dos votos no estado – é preciso ir para a segunda casa decimal para perceber a diferença. (Ralph Nader, candidato do Partido Verde, teve 2% dos votos.) Não importa: Bush teve direito aos 25 votos que pertencem à Flórida no Colégio Eleitoral.
Os EUA são divididos entre estados azuis e vermelhos e swing. Os azuis são estados que sempre votam nos democratas; os vermelhos, sempre republicanos. Os swing states, estados que balançam, estão em um lado numa eleição, em outro noutra. Alguns suspeitam e as pesquisas sugerem que, este ano, além dos swing states típicos, alguns dos estados sempre vermelhos podem se bandear para o lado democrata.
A estratégia de ambas as campanhas, portanto, é vencer nos swing states.
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E why the hell o eleitor comum sai de casa pra votar?!
Buenas…PD…no último parágrafo: “…alguns dos estados sempre vermelhos podem se bandear para o lado republicano.”
Não seria “…se bandear para o lado democrata.”?
PD, você quis dizer que alguns estados vermelhos podem debandar para o lado democrata, não?
Errata:
Última frase, penúltimo parágrafo:
“Alguns suspeitam e as pesquisas sugerem que, este ano, além dos swing states típicos, alguns dos estados sempre vermelhos podem se bandear para o lado democrata.”
ok, minha vez:
Pd, você quis dizer que os estados vermelhos podem ficar azuis, certo?
kkk!!!
Todos atentos, pois.
Corrigido, obrigado =)
Lá como cá: os maiores estados estão sub-representados e os pequenos sobre-representados.
http://www.nytimes.com/interactive/2008/11/02/opinion/20081102_OPCHART.html
+ O que dá margem para esta piadinha infame (a qual esperamos que se confirme):
http://www.patrickmoberg.com/november-4-2008.jpg
Deve ser frustrante para um republicano de Nova York ou para um democrata do Texas saber que seu voto nunca terá valor numa disputa presidencial.
Justifica o “why the hell to vote”?
E o pior é que um sistema eleitoral tão estúpido como este, dá certo (para eles, pelo menos) há mais de dois séculos!
Mas essa história de estados azuis, vermelhos e swing, embora se confira nas últimas 4 ou 5 eleições, está longe de ser lei divina escrita em rocha. Reagan ganhou 49 estados. Reagan teve um baita impacto no mundo - todas as eleições depois dele seguiram a mesma lógica, daí a tendência de estados vermelhos continuarem vermelhos, e azuis azuis. O mundo reaganiano, ganhe Obama ou McCain, já desmoronou, depois de 911, aceitação do aquecimento global e crash de 08. É de se esperar que estados mudem de cor. The times they are a-changin’!
O republicano de Nova York elegeu Reagan. O sistema é ilógico mesmo, como os velhos campeonatos brasileiros pré lógica juca-kfouriana dos pontos corridas. Mas, com todos os defeitos, que são muitos, permite que o eleitor avalie com muito mais profundidade os candidatos. (Confesso que morro de saudades das finais do Brasileirão).
PD, mas o que define quantos delegados cada estado tem direito? O número de habitantes? A economia?
E, além disso, qual exatamente é a relação entre o eleitor comum e o colégio eleitoral? Quanto mais votos de eleitores comuns, maiores os votos no colégio eleitoral? Ou um não tem absolutamente nada a ver com o outro?
Obrigado.
abs,
ACT
Antonio,
É o número de habitantes: quanto mais populoso o estado, mais distritos ele tem e cada distrito elege um delegado.
Mas… É “vencedor leva tudo”. Portanto, mesmo que McCain ganhe em vários distritos de um estado azul, é Obama que leva todos os delegados do estado (com exceção de Maine e Nebraska, que são proporcionais). Ou seja, eleitor comum meio que não tem nada a ver com o colégio eleitoral (o delegado legalmente pode até votar no outro candidato, mas isso nunca acontece).
Para resumir:
Eleição indireta parecida com a da ditadura brasileira, com a “pequena” diferença de que essa é concebida para que só dois partidos tenham chance. Aquela tinha a intenção de eleger um partido só (e alguns mecanismos para isso que desconectam ainda mais a decisão do voto popular).
Confesso que até gosto de change pelo change. Deve ser vício de jornalista, mas gosto de história acontecendo, dá uma certeza de estar vivo. Prosperidade sem emoção? Ah, que tédio. A Suécia tem taxas altíssimas de suicídio (e olha que eles têm também uma excelente indústria pornô).
Não é só população, o que traz em si algumas distorções grandes. Tem este artigo do NYT que explica bem o Colégio Eleitoral.
http://www.nytimes.com/2008/11/02/opinion/02cowan.html?_r=1&scp=3&sq=electoral%20college&st=cse&oref=slogin
Não…consigo…entender…
Por quê votar assim?
Não daria pra fazer uma eleição direta dentro de cada Estado?
Denis. Saberia responder estas perguntas?
O Reagan perdeu em qual estado?
E no Texas? Algum democrata já faturou por lá?
Agradeço as informações e compartilho com você a saudade de um mata-mata final no brasileirão (apesar do campeonato deste ano estar emocionante).
Campeonato sem final parece sexo sem orgasmo.
Em Cuba as eleições também são indiretas, mas dizem que são antidemocráticas…
Vou contar pra todo mundo que foi aqui onde eu finlmente entendi.
O Reagan, na reeleição, em 1984, perdeu só no Minesotta e em DC. E o Nixon, em 1968, ganhou arrasadoramente, com mais de 300 delegados. Perdeu só em poucos estados grandes, entre eles o Texas.
Outro Paulo,
Tem razões históricas para cada esquisitice do modelo americano. Algumas delas são acomodações conciliatórias pós-Guerra Civil (a autonomia estadual para definir suas regras servia para manter a segregação racial em alguns estados do sul sem vetar o direito ao voto aos negros ricos do norte). Mas, para te dar uma resposta resumida: o sistema é estranho porque o sistema federativo dá autonomia para cada pedacinho do país criar suas próprias regras e o que sobra no final é imensamente confuso (e estranhamente democrático).
Em outras palavras, Outro Paulo, SergioSikeira:
Sistemas complexos decentralizados, como o eleitoral americano, tendem ao caos. Mas caos não é necessariamente o oposto de ordem: tem uma sabedoria na bagunça. Outro exemplo desse jeito americano decentralizador de pensar: esta internet aqui.
PD,
Já aconteceu de delegado não acompanhar o voto das eleitores? O que implica isso?
“Na maioria dos casos, quem vence um estado leva todos seus eleitores. ”
E há outros casos? Quais?
Denis # 14, obrigado.
Mas confesso minha total ignorancia: continuo sem entender a relação entre eleitor comum e delegados do colegio eleitoral.
Entendi que o vencedor leva tudo: se, por exemplo, McCain tiver 20 delegados na California, mas Obama tiver 25, Obama leva os 55.
Ok.
Mas se o que decide a eleição é de fato o voto dos tais 538 delegados, por que diabos milhões de pessoas saem de suas casas e enfrentam filas para votar?
Abraço,
ACT
Antônio, esse sistema eleitoral peculiar tem origem na fundação dos EUA: como diz o próprio nome do país, o regime político americano é fortemente federalista. A idéia original era uma União com poderes limitados, sendo as principais políticas públicas tocadas pelos Estados. Assim, a eleição indireta por colégio eleitoral serviria para balancear o poder dos Estados, sobretudo dando algumas voz aos Estados menos populosos. É claro que muita coisa mudou desde então, e o governo federal adquiriu poderes mastodônticos. Mas a idéia original permanece nas eleições presidenciais.
Acompanhem a apuração pelo Politico.com. Fizeram uns gráficos bacanas lá.
Antonio, os eleitores votam em que candidato preferem. Se a maioria dos votantes preferirem McCain, os delegados daquele estado terão a missão de votar em McCain.
Monique, Maine e Nebraska distribuem de forma propocional seus eleitores, dependendo de como foi a eleição no estado. Mas são estados pequenos e a diferença não tem muito impacto na eleição.
Denis sabe tudo =)
Diretas já nos EUA! Abaixo o voto indireto!