Eleições EUA: Obama em meia hora

EUA · 30/10/2008 - 03h39 - 146 Comentários

Edição 23 | quinta-feira 29 – Foi ao ar, ontem à noite, o comercial de meia hora da campanha de Barack Obama à presidência dos EUA. Todas as redes pararam para transmitir – e um bom dinheiro foi pago por conta. Foi uma meia hora especial: imediatamente antes da final do beisebol, a World Series. (Os Phillies, da Filadélfia, são campeões.)

Obama em meia hora:

A campanha de John McCain reclamou muito. ‘Quando for presidente, jamais atrasarei a World Series’, chegou a dizer. (Obama não a atrasou.) McCain tem mais é que reclamar e torcer para que prestem atenção. Ele não tem escolha. Era tudo o que ele próprio queria.

É um baita filme. Utilizando a linguagem dos documentários jornalísticos típicos da tevê norte-americana, passa pelos problemas do cidadão comum – no momento, não são poucos – e oferece uma mensagem de esperança. Fazer um baita filme publicitário, quando se tem dinheiro, não é difícil. Não há nenhum mérito em tê-lo feito. Tampouco supreende. Dinheiro, numa campanha eleitoral, faz muita diferença. Obama tem dinheiro. McCain, não.

Há alguns motivos para Obama ter dinheiro e McCain, não. Um é que a mensagem do Partido Democrata, nesta eleição, inspira. Não é culpa de McCain que os republicanos não consigam o mesmo. É culpa de Bush. Desde o início da campanha, em 2007, McCain desperdiçou dinheiro à toa com aluguel de jatos, ônibus caros, superconsultores. Chegou ao ponto de não conseguir pagar as contas por volta de novembro do ano passado. Alguns analistas sugerem que a incapacidade de John McCain de gerenciar os recursos de sua campanha sugerem incapacidade de gestão.

McCain também não sabe usar a Internet para arrecadar fundos e organizar o trabalho de voluntários. Aí, talvez seja exagero dizer que é sua culpa. Hillary Clinton também não sabia e isto mostrou-se decisivo em algumas primárias chaves. Aproveitando-se do time que havia desenvolvido certas ferramentas para Howard Dean, em 2004, Obama conseguiu produzir uma máquina de arrecadação e organização de voluntários e profissionais invejável, jamais vista numa campanha política.

Nas últimas duas semanas, a campanha de John McCain tem vivido brigas internas. Defensores de Sarah Palin acusam uns de estarem a boicotando; outros acusam Palin de estrelismo. Alguém vazou internamente seus gastos com guarda-roupas. O mesmo ocorreu na campanha de Hillary Clinton quando ela disputava cada centímetro com Obama nas primárias. Brigas internas vazavam, pessoas eram demitidas. Ofereça à imprensa carniça que ela aceita com gosto e publica tudo.

Barack Obama não falou rigorosamente nada de novo em seu infomercial de meia hora. Repetiu o que vinha dizendo completando apenas com fotografia bonita, música agradável e um cenário que lembra o Salão Oval da Casa Branca – tudo truque publicitário. Mas esta é a história de John McCain e Barack Obama nos últimos dois anos. Obama é consistente, constante. McCain é errático. Muda os assessores. Muda as prioridades. Muda o discurso. De um inconformado pragmático foi buscar apelo na direita religiosa; de ‘os fundamentos da economia estão fortes’ foi para ‘Obama não sabe do que está falando em economia’. Fala antes de ter certeza que seus assessores investigaram de todo. Joe, o encanador, não era encanador, devia impostos, não era indeciso, e mentiu a respeito de sua renda.

Se há uma lição em toda a campanha é que, enquanto gerente, Barack Obama é extremamente disciplinado, mantém sua equipe em sintonia e gerencia muito bem os recursos que têm. McCain é o contrário. O resultado é este, hoje. Confiando no apelo de sua mensagem para possíveis doadores e na capacidade de gerenciamento de recursos de sua campanha, Obama abriu mão de dinheiro federal para a campanha. Fez tudo com caixa próprio. E, no fim, teve dinheiro para produzir a maior propaganda eleitoral da história.

A eleição é terça-feira.

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