Achei triste, sabe lá quantas crianças estão nessa situação….
:-/
2
Silvio
10/25/2008 - 18h17
Acho que o que o curta propõe as deconexões.
Da filha com a mãe, já que se ocupa das fantasias que a pouca idade busca e produz.
E da mãe com o mundo, uma vez que o Alzeimer avança, sorrateiramente.
3
Nat
10/25/2008 - 18h56
Nossa, que deprê…
4
João Daltro
10/25/2008 - 19h01
Gostei. A menininha é uma graça, além de excelente atriz. A mãe, coitada, pirou geral… deve ter visto muitos debates de candidatos na TV. Dois comentários de chato: o mundo do Tolkien é tão bobo e infantil quanto o do Harry Potter, é típica literatura de infantilóide, de nerd; os autores das legendas podiam aprender como se escrevem os nomes dos autores estadunidenses.
5
Diego
10/25/2008 - 19h05
Bastante triste.
6
Memento
10/25/2008 - 19h33
João, ou você tem que ler Tolkien, ou tem que ler Rowlings. Não dá nem para a saída a comparação…
Aliás, na verdade, no duro no duro, não dá para comparar Tolkien, um folclorista, com Rowlings, uma escritora comercial preocupada no máximo em satirizar algumas coisas da contemporaneidade e fazer caricaturas à clé de alguns afetos e desafetos lá dela.
Agora, se você só VIU os filmes, então sei até é possível, porque nem em 20 temporadas com dois episódios semanais, seria possível reproduzir a complexidade do trabalho de Tolkien.
É claro que para quem só reconhece a complexidade presente nas ações político partidárias e/ou econômicas, a complexidade de uma obra que é inspirada em uma cosmovisão muito antiga, anterior ao capitalismo não pode mesmo ser captada.
Qualquer tentativa de fazer de Tom Bombadil um herói do PartidoVerde, ou porta-estandarte do Greenpeace ou WWF será severamente punida.
Ó Ricardo Leal, vem aqui me ajudar a explicar Tolkien para os incréus… :-))))
7
andretnies
10/25/2008 - 20h41
Angustiante e sufocante. E de uma maneira estranha, muito bom.
Sem dúvida, com ênfase no racismo descarado que emana dos livros de Token que deixam bem claro como a obra dele é fruto daqueles anos de guerra…
9
Saruman o Branco
10/25/2008 - 21h33
É isso aí.
Os Orks sempre foram subjulgados, explorados e mau tratados por sua aperência, até o dia que eles se juntaram com alguns humanos e criaram a raça dos Urukais.
Daí em diante, o proletariado Orks/Urukais cansados dos baixos salários, da discriminação e das precárias condições de moradia, liderados pelo companheiro Sauron, partiram para a tomada do poder através de uma autentica revolução bolchevique com o propósito de combater os opressores na figura dos Elfos, Anões, Homens e os piores: os Hobbits.
Afinal, Ork e Urukai unidos, jamais serão vencidos. :op
ambos são coisas de nerd mas ainda assim distintas.
bom dia.
11
Pretaleone
10/25/2008 - 21h41
Este é um dos lugares onde a conversa começa com Tolkien e termina na direita x esquerda em menos de …. quantos? Uns 10 posts? ;)
(brincadeirinha, com um mega-fundo de verdade).
A propósito, concordo com o tema das desconexões no filme. Só espero que tenha sido intencional.
12
the talk of the town
10/25/2008 - 22h04
Isso é o que? Uma nova seção do blog? Viver é rememorar?
Isso é velho pacas (principalmente pra era da Internet, que tem ritmo, um tanto, digamos, particular).
Sugiro a tab “Vale a pena ver de novo”.
Abçs,
13
Alba
10/25/2008 - 22h31
O filme é interessante e a garotinha é ótima, embora conviver com Alzheimer seja difícil, até insuportável, em qualquer idade.
Memento e André,
Li apenas o Senhor dos Anéis, de Tolkien - mesmo assim, porque dei o livro para meu afilhado, que ficou tão encantado, que pedi emprestado. Garanto que não foi lá muito fácil vencer as 1200 páginas, mas concordo com a Memento quando diz que os escritos de Tolkien são substancialmente diferentes do Harry Potter, que li todo. A autora, aliás, sempre credita Tolkien como uma de suas influências e até relativizo essa coisa de ela ser uma escritora comercial, apenas interessada em dinheiro. É habilidosa, escreve bem, mostra domínio do mundo infantil e adolescente e mais - conseguiu a proeza de garantir uma legião de leitores - alguns dos quais jamais haviam aberto um livro antes. Pra mim é um grande mérito.
Já Tolkien, ao que eu me lembre, ao publicar O Senhor dos Anéis, já era professor respeitado de Linguística (se não estou enganada). De fato, ele vai fundo nas lendas nórdicas e, me parece, porque não li toda sua obra, que embaralha essas referências num todo muito atraente e intrigante - certamente de um mundo pré-capitalista.
Agora, lembro de ter lido o prefácio do livro, onde ele explica que rejeita as interpretações da obra como metáfora dos tempos pré- segunda guerra, opondo as forças do bem (os Aliados), contra o Mal (sauron e os nazistas). Além disso, nenhum filme mostrou - e acho que seria mesmo difícil - o que acontece depois da derrota de Sauron e como foi penosa a luta pela reconstrução da Terra Média. Bão, mas onde o racismo, André, sîl-vous-plait?
14
Ricardo Leal
10/25/2008 - 22h38
Memento #6, estou com preguiça de conhecer a Lisa e receio escorregar para fora do tópico. Deixei mensagem no fio aí embaixo. A Elbereth Gilthoniel…
15
Alba
10/25/2008 - 22h48
Ricardo, pôxa, nem um alô? :((
16
marco
10/25/2008 - 23h13
Otto Lara Resende, uma das obssessões de Nelson Rodrigues escreveu o abaixo:
“Uma criança vê o que um adulto não vê.
Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso exige às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos.
É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença”.
(Vista cansada).
Pois bem, Otto escreveu também um conto sobre a demência do Alzheimer.
Um dia, um homem esquece como dar o nó na gravata. Nada sério. Aparentemente.
Termina com ele se perguntando ” quem é essa aí? ”
” Essa aí ” era sua mulher, companheira de uma vida inteira.
Choque em quem le. Medo de acontecer conosco.
Otto era um grande escritor. é, já que escritores nunca morrem.
Mas são esquecidos. q
17
Ricardo Leal
10/25/2008 - 23h14
Oi, Alba. Acho que minha mensagem cruzou pela sua e por algum motivo (nem link tem, caramba) ficou retida no implacável filtro do PD. Justamente, fiz uma brincadeira com essa história de invocar Elbereth Gilthoniel e vê-la regressar ao blog. Trecho de carta muito despretensiosa do Tolkien sobre técnica e poder: “…mágica de planos ou dispositivos (aparatos) no lugar do desenvolvimento de talentos e poderes internos e inerentes (…) passando um bulldozer em cima do mundo verdadeiro, ou coagindo outras vontades (…) A ´Magia´ [dos elfos da história dele, que estão lá para contrastar com a magia de Sauron] é uma Arte (…) e seu propósito (…) não é o Poder, sub-criação”. Remete à capacidade de criar verdadeiramente, não de dominar.
18
marco
10/25/2008 - 23h15
q= erro de digitação.
19
marco
10/25/2008 - 23h35
Em uma certa época, J. K. Rowling morou no Porto, casada com um português escroto. Depois de mais um espancamento o cara jogou Rowling na rua, trancou a porta e e voltou para a sala assistir TV, com grande preocupaçao em palitar dos dentes os restos do bacalhau ordinário do jantar.
Sózinha no mundo, ela voltou para a Inglaterra.
Criou Harry Potter.
Até hoje vendeu mais de 300 milhões de livros.
Criou, na cabeça de milhões de crianças, um mundo fantástico que elas amaram de paixão.
Aliás, continuam amando, pois as gerações se renovam e as aventuras de Harry, por isso mesmo, se tornaram eternas.
20
RX
10/25/2008 - 23h38
Bom, uma pessoa aqui resolveu tomar veneno pra cupim que guardo no armário do escritóvio, segurou por cima e o armario que veio junto, levantei o armário, tirei debaixo e dei um tapão que foi parar na conzinha.
Agora está me xingando que batí.
Pô.
21
Alba
10/25/2008 - 23h39
Ricardo,
Obrigada! ( e continuo meio analfabeta em Tolkien)
Salve, marco!
Acho que você fez um comentário dos mais pertinentes. Afinal, há aquela coisa de imaginar as crianças como incapazes de administrar a dor, ou problemas, ou whateaver. O fato é que a maioria delas, (e de nós, se estou bem lembrada) pelo menos na nossa sociedade e, principalmente, na classe média, têm sido poupadas de quase tudo que possa representar desgaste. Não à toa, se fala em adolescência aos 30 anos por excesso de proteção das famílias.
Nesse sentido, o filmete é bem revelador, acho.
22
Brunogrego
10/26/2008 - 00h00
Ei João Daltro, boba e infantilóide é a unha do seu dedo mindinho. A alusão ao autor no vídeo possui um contexto meramente tangencial, serve para caracterizar a personagem, não cabe juízo de valor algum, seu comentário não foi apenas chato, também foi desnecesssario, bobo e infantilóide, assim como seu dedo mindinho…
23
Gerson B
10/26/2008 - 00h38
O vídeo é ótimo. Demorei um pouco pra entender o que ocorria com a mãe. Triste.
Nem dá pra comparar Tolkien com Harry Potter. Que alias tem muuuitas semelhanças com Timothy Hunter* pra parecer minímamente original.
*-Um personagem criado anos antes.
24
Theo
10/26/2008 - 03h32
Faz tempo que não comento aqui no blog por razões pessoais em que me impedem. Razões, na verdade é apenas uma razão, é que eu prometi pra mim mesmo que não iria comentar nem ler nada a respeito da eleição norte-americana, não que eu seja antiamericano é somente por pura convicção pessoal que é uma perda de tempo discutir sobre esses candidatos, mas enquanto o PD não parar com essa palhaçada eu não paro com a minha.
Só que hoje me deparei com esse vídeo muito bonito, que para alguns é antigo, mas que eu nunca vi, e resolvi ler os comentários e vi que surgiu uma comparação entre Tolkien e Rowling(não sei se é assim que escreve e estou com preguiça de procurar saber)
Primeiro digo que não existe comparação, o Tolkien foi um Gênio, tá não sei se isso tudo, mas só pra encerrar a discussão, ele criou uma língua, o Elfico(com regras gramaticais e tudo), somente para incluir na sua obra, vc quer o que mais desse cara??
Um dia ainda vou entender a linha de pensamento dos comentaristas daqui.
Gente, é um filme sobre Alzheimer que, em poucos minutos consegue retratar como num vi antes, nem mesmo num longa, a angústia de alguém que passa por essa situação. Seja um filho, um sobrinho, um neto ou uma mãe, o Alzheimer é uma doença triste, que mata (e não é pouco), e ninguém encontrou uma cura ainda. Há esperança nas células-tronco, mas só.
Mas se vocês preferem discutir aquele chato do Tolkien ou as historinhas imbecis do Harry Potter, fazer o que?
E Theo, pelo que meu parco conhecimento sobre o chato to Tolkien diz, ele era linguista. Se eu criasse um idioma, seria um gênio. Um linguista criando um idioma, é apenas notável.
Ok, ok, próximo post.
26
Memento Morti em onda de Galadriel
10/26/2008 - 09h25
O problema é que tem gente que não consegue ir além do preto X branco. Esquerda X Direita. Certo X Errado. Feio X Bonito. Gordo X Magro. É por isso que a conversa descamba sempre. Não vi o filme, não vou ver, já entendi sobre o que é. O Alemão espera sentadinho na soleira e não estou com pressa de abrir a porta. :-))))
27
João Daltro
10/26/2008 - 10h09
Cara Memento.
Aceito a bronca, não li o Tolkien (parei nas primeiras 20 páginas, com algumas incursões ao resto do livro – tentarei ler todo no futuro). Li o primeiro Harry Potter, mas não sou dos que endeusam a autora, é apenas literatura infantil ao gosto do mercado atual.
Mas não aceito o resto da crítica. Literatura é minha praia, com curso universitário e tudo mais. Além de tê-la lecionado por muito tempo. Curiosamente, faz um ano que iniciei um estudo da história da Inglaterra no período anterior à conquista normanda, que inclui, obviamente, religião e cultura. Falta muito a estudar, prevejo que a coisa toda dure uns 5 anos, mas foi exatamente por ver que o Tolkien (folklorista ou não) está longe da realidade histórica que desisti da leitura.
Concordo que para fazer uma avaliação literária do Tolkien teria de ler toda a obra. Mas acho difícil mudar minha opinião de que é literatura para quem joga RPG. Sorry.
Um nota: o élfico, embora tenha lá suas regrinhas e alfabeto, não pode ser chamado de idioma, eu acho, porque não é possível haver fluência nele. No máximo, monta-se umas frases.
Ah sim: o Tolkien não criou só um “idioma”, criou vários. Vide a língua do fogo, que o Sauron fala quando aparece no filme (esse é o detalhe do detalhe).
30
Ricardo Leal
10/26/2008 - 12h38
Daltro, se me permite, arrisco fazer observação para quem é do ramo: sucede que o Tolkien não trabalhou em cima de dados históricos. Nada a ver. A matriz que ele usou é outra; tem a ver com mitologias do norte da Europa. Claro que, por outro lado, o sujeito expressa mesmo apego intenso a uma Inglaterra idealizada. Não é demérito.
31
Ricardo Leal
10/26/2008 - 12h51
#30, em tempo: o Tolkien ainda por cima fabricou narrativas mitológicas e “históricas”, ligando formas pré e pós-cristianismo. Agora, pelo que sei não está no canon bem-pensante - e aqui não estou nem sendo irônico nem fazendo juízo de valor.
Muito triste. Até pouco tempo tinha uma pessoa com Alzheimer na família, ela já se foi. Às vezes perguntava quem eu era e em outros momentos só me olhava com um sorriso. Que mistério.
33
visionário
10/26/2008 - 12h57
não deixa de ser miopia discutir se o tolkien é melhor que a rowling
34
Ricardo Leal
10/26/2008 - 13h15
Visionário, #33, ignoro se a miopia a que você se refere concerne ao interesse em comparar os dois autores, ou à discussão literária, vá lá, em face da história de Lisa. Não consegui assistir ao video inteiro. Parece muito bom, mas tenho problemas de conexão. De todo modo, ainda que lateral, a menção ao Tolkien na fala da menina tem clara relevância no contexto. Tive a impressão de que ela remete ao “Senhor dos Anéis” porque entende (e expressa isto com ênfase) que a história contada ali faz sentido para ela própria, nas condições reais em que está inscrita: de sofrimento e construção de uma narrativa que lhe dê sentido.
35
Memento
10/26/2008 - 13h40
Pois é João, não entendi a parte relativa ao RPG, sei que não é pertinente comparar Rowling a Tolkien pela natureza diferente dos trabalhos. Li todos os HP. O primeiro é o melhor. O último é confuso, ou então, como eu estava bem doente, eu é que estava confusa. Não sei ao certo. Me deu a impressão que ela não suporta mais nenhum dos seus personagens e que quando pôs o ponto final naquele imbróglio ficou super feliz. Ia ganhar mais uma dinheirama e de quebra ficar livre daqueles estrupícios.
Sem chegar a abominar HP (afinal eu li todos os livros da série) como aquele crítico literário norte-americano que organizou aquelas lindas antologias “Para crianças muito inteligentes” e cujo nome esqueci completamente, Harold Bloom? Acho que são uns livros bobinhos.
Já os irmãos Baudelaire me intrigam. Apesar do rocambolesco das histórias, existe algo ali no fundo, muito sério e que me desagrada profundamente. E não é o Conde Olaf… Existe algo torto por ali, mas só lendo todos os livros para ter certeza. O mais intrigante daqueles livros não é quem é Lemon Snicket…
Nárnia é livro para criança mesmo. Perdi rapidamente o interesse. Acho que só li até o fim da aventura do príncipe Caspian.
O que mais eu gosto nesse tipo de literatura é exatamente como a História se infiltra na narrativa. O cara está falando de elfos e feiticeiros, mas o indivíduo histórico está ali, em algum canto. Isso é o que faz, na minha opinião, uma narrativa ser um clássico, “que atravessa o tempo”. A historicidade marcada da narrativa, que provavelmente não está explícita, certamente está em elipse.
Rowling faz muita crítica de costumes. Consumismo dos jovens, racismo, discriminação social. Mas está tão óbvio que o leitor pode se perguntar se aquilo está ali por convicção da autora ou por concessão ao politicamente correto ou ao nicho de mercado dos pais que acreditam que seus filhos devem sempre fazer “leituras educativas”.
Historicidade explícita é panfleto e panfletos não são narrativas clássicas :-))).
Logo, ao ler Tolkien, não se pode encontrar a Europa medieval, quem escreveu foi um homem contemporâneo. Mas também não se pode fazer um paralelo rastaqüera e falar em racismo e encontrar Hitler e Mussolini disfarçados de Sauron ou Saruman. Não se trata disso tampouco.
Inda bem que você não pendurou o doutorado na parede, como foi moda por aqui…
Não sou de literatura, só apreciadora distante, rata de biblioteca :-))) Do tipo que vai ler no Real Gabinete Português por desfastio. Mas meu gabinete de leitura mais querido ainda é o Jardim Botânico. Aquilo lá foi inventado para a gente ler…
36
marco
10/26/2008 - 20h45
Alba, beijos…
ma
37
Memento
10/27/2008 - 11h49
Para quem se interessa por livros e alzheimer, uma lista não exaustiva, pescada em um fórum francófono:
Gerson B, muito boa a lembrança do Timothy Hunter. Li a série toda dele, e as semelhanças com o HP são gigantescas. Provavelmente a JK deve ter tido contato com um ou outro quadrinho que a ajudou a imaginar o personagem.
39
André Coelho
10/28/2008 - 23h34
Triste.
Há pouco mais de 5 meses meu avô faleceu, no ápice do Alzheimer. A evolução é essa. A agressividade e a depressão, pouco enfatizadas no vídeo, são dois sintomas que entristecem mais ainda a família do enfermo.
No começo, as pessoas que mais convivem com o doente ficam como a menininha. Perdem a paciência. Leva tempo pra entender…
Se a minha mãe ver esse vídeo não vai cessar o choro.
Achei triste, sabe lá quantas crianças estão nessa situação….
:-/
Acho que o que o curta propõe as deconexões.
Da filha com a mãe, já que se ocupa das fantasias que a pouca idade busca e produz.
E da mãe com o mundo, uma vez que o Alzeimer avança, sorrateiramente.
Nossa, que deprê…
Gostei. A menininha é uma graça, além de excelente atriz. A mãe, coitada, pirou geral… deve ter visto muitos debates de candidatos na TV. Dois comentários de chato: o mundo do Tolkien é tão bobo e infantil quanto o do Harry Potter, é típica literatura de infantilóide, de nerd; os autores das legendas podiam aprender como se escrevem os nomes dos autores estadunidenses.
Bastante triste.
João, ou você tem que ler Tolkien, ou tem que ler Rowlings. Não dá nem para a saída a comparação…
Aliás, na verdade, no duro no duro, não dá para comparar Tolkien, um folclorista, com Rowlings, uma escritora comercial preocupada no máximo em satirizar algumas coisas da contemporaneidade e fazer caricaturas à clé de alguns afetos e desafetos lá dela.
Agora, se você só VIU os filmes, então sei até é possível, porque nem em 20 temporadas com dois episódios semanais, seria possível reproduzir a complexidade do trabalho de Tolkien.
É claro que para quem só reconhece a complexidade presente nas ações político partidárias e/ou econômicas, a complexidade de uma obra que é inspirada em uma cosmovisão muito antiga, anterior ao capitalismo não pode mesmo ser captada.
Qualquer tentativa de fazer de Tom Bombadil um herói do PartidoVerde, ou porta-estandarte do Greenpeace ou WWF será severamente punida.
Ó Ricardo Leal, vem aqui me ajudar a explicar Tolkien para os incréus… :-))))
Angustiante e sufocante. E de uma maneira estranha, muito bom.
Memento,
Sem dúvida, com ênfase no racismo descarado que emana dos livros de Token que deixam bem claro como a obra dele é fruto daqueles anos de guerra…
É isso aí.
Os Orks sempre foram subjulgados, explorados e mau tratados por sua aperência, até o dia que eles se juntaram com alguns humanos e criaram a raça dos Urukais.
Daí em diante, o proletariado Orks/Urukais cansados dos baixos salários, da discriminação e das precárias condições de moradia, liderados pelo companheiro Sauron, partiram para a tomada do poder através de uma autentica revolução bolchevique com o propósito de combater os opressores na figura dos Elfos, Anões, Homens e os piores: os Hobbits.
Afinal, Ork e Urukai unidos, jamais serão vencidos. :op
ops. No lugar de Token leia-se Tolkien.
ambos são coisas de nerd mas ainda assim distintas.
bom dia.
Este é um dos lugares onde a conversa começa com Tolkien e termina na direita x esquerda em menos de …. quantos? Uns 10 posts? ;)
(brincadeirinha, com um mega-fundo de verdade).
A propósito, concordo com o tema das desconexões no filme. Só espero que tenha sido intencional.
Isso é o que? Uma nova seção do blog? Viver é rememorar?
Isso é velho pacas (principalmente pra era da Internet, que tem ritmo, um tanto, digamos, particular).
Sugiro a tab “Vale a pena ver de novo”.
Abçs,
O filme é interessante e a garotinha é ótima, embora conviver com Alzheimer seja difícil, até insuportável, em qualquer idade.
Memento e André,
Li apenas o Senhor dos Anéis, de Tolkien - mesmo assim, porque dei o livro para meu afilhado, que ficou tão encantado, que pedi emprestado. Garanto que não foi lá muito fácil vencer as 1200 páginas, mas concordo com a Memento quando diz que os escritos de Tolkien são substancialmente diferentes do Harry Potter, que li todo. A autora, aliás, sempre credita Tolkien como uma de suas influências e até relativizo essa coisa de ela ser uma escritora comercial, apenas interessada em dinheiro. É habilidosa, escreve bem, mostra domínio do mundo infantil e adolescente e mais - conseguiu a proeza de garantir uma legião de leitores - alguns dos quais jamais haviam aberto um livro antes. Pra mim é um grande mérito.
Já Tolkien, ao que eu me lembre, ao publicar O Senhor dos Anéis, já era professor respeitado de Linguística (se não estou enganada). De fato, ele vai fundo nas lendas nórdicas e, me parece, porque não li toda sua obra, que embaralha essas referências num todo muito atraente e intrigante - certamente de um mundo pré-capitalista.
Agora, lembro de ter lido o prefácio do livro, onde ele explica que rejeita as interpretações da obra como metáfora dos tempos pré- segunda guerra, opondo as forças do bem (os Aliados), contra o Mal (sauron e os nazistas). Além disso, nenhum filme mostrou - e acho que seria mesmo difícil - o que acontece depois da derrota de Sauron e como foi penosa a luta pela reconstrução da Terra Média. Bão, mas onde o racismo, André, sîl-vous-plait?
Memento #6, estou com preguiça de conhecer a Lisa e receio escorregar para fora do tópico. Deixei mensagem no fio aí embaixo. A Elbereth Gilthoniel…
Ricardo, pôxa, nem um alô? :((
Otto Lara Resende, uma das obssessões de Nelson Rodrigues escreveu o abaixo:
“Uma criança vê o que um adulto não vê.
Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso exige às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos.
É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença”.
(Vista cansada).
Pois bem, Otto escreveu também um conto sobre a demência do Alzheimer.
Um dia, um homem esquece como dar o nó na gravata. Nada sério. Aparentemente.
Termina com ele se perguntando ” quem é essa aí? ”
” Essa aí ” era sua mulher, companheira de uma vida inteira.
Choque em quem le. Medo de acontecer conosco.
Otto era um grande escritor. é, já que escritores nunca morrem.
Mas são esquecidos. q
Oi, Alba. Acho que minha mensagem cruzou pela sua e por algum motivo (nem link tem, caramba) ficou retida no implacável filtro do PD. Justamente, fiz uma brincadeira com essa história de invocar Elbereth Gilthoniel e vê-la regressar ao blog. Trecho de carta muito despretensiosa do Tolkien sobre técnica e poder: “…mágica de planos ou dispositivos (aparatos) no lugar do desenvolvimento de talentos e poderes internos e inerentes (…) passando um bulldozer em cima do mundo verdadeiro, ou coagindo outras vontades (…) A ´Magia´ [dos elfos da história dele, que estão lá para contrastar com a magia de Sauron] é uma Arte (…) e seu propósito (…) não é o Poder, sub-criação”. Remete à capacidade de criar verdadeiramente, não de dominar.
q= erro de digitação.
Em uma certa época, J. K. Rowling morou no Porto, casada com um português escroto. Depois de mais um espancamento o cara jogou Rowling na rua, trancou a porta e e voltou para a sala assistir TV, com grande preocupaçao em palitar dos dentes os restos do bacalhau ordinário do jantar.
Sózinha no mundo, ela voltou para a Inglaterra.
Criou Harry Potter.
Até hoje vendeu mais de 300 milhões de livros.
Criou, na cabeça de milhões de crianças, um mundo fantástico que elas amaram de paixão.
Aliás, continuam amando, pois as gerações se renovam e as aventuras de Harry, por isso mesmo, se tornaram eternas.
Bom, uma pessoa aqui resolveu tomar veneno pra cupim que guardo no armário do escritóvio, segurou por cima e o armario que veio junto, levantei o armário, tirei debaixo e dei um tapão que foi parar na conzinha.
Agora está me xingando que batí.
Pô.
Ricardo,
Obrigada! ( e continuo meio analfabeta em Tolkien)
Salve, marco!
Acho que você fez um comentário dos mais pertinentes. Afinal, há aquela coisa de imaginar as crianças como incapazes de administrar a dor, ou problemas, ou whateaver. O fato é que a maioria delas, (e de nós, se estou bem lembrada) pelo menos na nossa sociedade e, principalmente, na classe média, têm sido poupadas de quase tudo que possa representar desgaste. Não à toa, se fala em adolescência aos 30 anos por excesso de proteção das famílias.
Nesse sentido, o filmete é bem revelador, acho.
Ei João Daltro, boba e infantilóide é a unha do seu dedo mindinho. A alusão ao autor no vídeo possui um contexto meramente tangencial, serve para caracterizar a personagem, não cabe juízo de valor algum, seu comentário não foi apenas chato, também foi desnecesssario, bobo e infantilóide, assim como seu dedo mindinho…
O vídeo é ótimo. Demorei um pouco pra entender o que ocorria com a mãe. Triste.
Nem dá pra comparar Tolkien com Harry Potter. Que alias tem muuuitas semelhanças com Timothy Hunter* pra parecer minímamente original.
*-Um personagem criado anos antes.
Faz tempo que não comento aqui no blog por razões pessoais em que me impedem. Razões, na verdade é apenas uma razão, é que eu prometi pra mim mesmo que não iria comentar nem ler nada a respeito da eleição norte-americana, não que eu seja antiamericano é somente por pura convicção pessoal que é uma perda de tempo discutir sobre esses candidatos, mas enquanto o PD não parar com essa palhaçada eu não paro com a minha.
Só que hoje me deparei com esse vídeo muito bonito, que para alguns é antigo, mas que eu nunca vi, e resolvi ler os comentários e vi que surgiu uma comparação entre Tolkien e Rowling(não sei se é assim que escreve e estou com preguiça de procurar saber)
Primeiro digo que não existe comparação, o Tolkien foi um Gênio, tá não sei se isso tudo, mas só pra encerrar a discussão, ele criou uma língua, o Elfico(com regras gramaticais e tudo), somente para incluir na sua obra, vc quer o que mais desse cara??
para os curiosos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quenya
Um dia ainda vou entender a linha de pensamento dos comentaristas daqui.
Gente, é um filme sobre Alzheimer que, em poucos minutos consegue retratar como num vi antes, nem mesmo num longa, a angústia de alguém que passa por essa situação. Seja um filho, um sobrinho, um neto ou uma mãe, o Alzheimer é uma doença triste, que mata (e não é pouco), e ninguém encontrou uma cura ainda. Há esperança nas células-tronco, mas só.
Mas se vocês preferem discutir aquele chato do Tolkien ou as historinhas imbecis do Harry Potter, fazer o que?
E Theo, pelo que meu parco conhecimento sobre o chato to Tolkien diz, ele era linguista. Se eu criasse um idioma, seria um gênio. Um linguista criando um idioma, é apenas notável.
Ok, ok, próximo post.
O problema é que tem gente que não consegue ir além do preto X branco. Esquerda X Direita. Certo X Errado. Feio X Bonito. Gordo X Magro. É por isso que a conversa descamba sempre. Não vi o filme, não vou ver, já entendi sobre o que é. O Alemão espera sentadinho na soleira e não estou com pressa de abrir a porta. :-))))
Cara Memento.
Aceito a bronca, não li o Tolkien (parei nas primeiras 20 páginas, com algumas incursões ao resto do livro – tentarei ler todo no futuro). Li o primeiro Harry Potter, mas não sou dos que endeusam a autora, é apenas literatura infantil ao gosto do mercado atual.
Mas não aceito o resto da crítica. Literatura é minha praia, com curso universitário e tudo mais. Além de tê-la lecionado por muito tempo. Curiosamente, faz um ano que iniciei um estudo da história da Inglaterra no período anterior à conquista normanda, que inclui, obviamente, religião e cultura. Falta muito a estudar, prevejo que a coisa toda dure uns 5 anos, mas foi exatamente por ver que o Tolkien (folklorista ou não) está longe da realidade histórica que desisti da leitura.
Concordo que para fazer uma avaliação literária do Tolkien teria de ler toda a obra. Mas acho difícil mudar minha opinião de que é literatura para quem joga RPG. Sorry.
[...] Updated graças ao Pedrinho Dória. [...]
Um nota: o élfico, embora tenha lá suas regrinhas e alfabeto, não pode ser chamado de idioma, eu acho, porque não é possível haver fluência nele. No máximo, monta-se umas frases.
Ah sim: o Tolkien não criou só um “idioma”, criou vários. Vide a língua do fogo, que o Sauron fala quando aparece no filme (esse é o detalhe do detalhe).
Daltro, se me permite, arrisco fazer observação para quem é do ramo: sucede que o Tolkien não trabalhou em cima de dados históricos. Nada a ver. A matriz que ele usou é outra; tem a ver com mitologias do norte da Europa. Claro que, por outro lado, o sujeito expressa mesmo apego intenso a uma Inglaterra idealizada. Não é demérito.
#30, em tempo: o Tolkien ainda por cima fabricou narrativas mitológicas e “históricas”, ligando formas pré e pós-cristianismo. Agora, pelo que sei não está no canon bem-pensante - e aqui não estou nem sendo irônico nem fazendo juízo de valor.
Muito triste. Até pouco tempo tinha uma pessoa com Alzheimer na família, ela já se foi. Às vezes perguntava quem eu era e em outros momentos só me olhava com um sorriso. Que mistério.
não deixa de ser miopia discutir se o tolkien é melhor que a rowling
Visionário, #33, ignoro se a miopia a que você se refere concerne ao interesse em comparar os dois autores, ou à discussão literária, vá lá, em face da história de Lisa. Não consegui assistir ao video inteiro. Parece muito bom, mas tenho problemas de conexão. De todo modo, ainda que lateral, a menção ao Tolkien na fala da menina tem clara relevância no contexto. Tive a impressão de que ela remete ao “Senhor dos Anéis” porque entende (e expressa isto com ênfase) que a história contada ali faz sentido para ela própria, nas condições reais em que está inscrita: de sofrimento e construção de uma narrativa que lhe dê sentido.
Pois é João, não entendi a parte relativa ao RPG, sei que não é pertinente comparar Rowling a Tolkien pela natureza diferente dos trabalhos. Li todos os HP. O primeiro é o melhor. O último é confuso, ou então, como eu estava bem doente, eu é que estava confusa. Não sei ao certo. Me deu a impressão que ela não suporta mais nenhum dos seus personagens e que quando pôs o ponto final naquele imbróglio ficou super feliz. Ia ganhar mais uma dinheirama e de quebra ficar livre daqueles estrupícios.
Sem chegar a abominar HP (afinal eu li todos os livros da série) como aquele crítico literário norte-americano que organizou aquelas lindas antologias “Para crianças muito inteligentes” e cujo nome esqueci completamente, Harold Bloom? Acho que são uns livros bobinhos.
Já os irmãos Baudelaire me intrigam. Apesar do rocambolesco das histórias, existe algo ali no fundo, muito sério e que me desagrada profundamente. E não é o Conde Olaf… Existe algo torto por ali, mas só lendo todos os livros para ter certeza. O mais intrigante daqueles livros não é quem é Lemon Snicket…
Nárnia é livro para criança mesmo. Perdi rapidamente o interesse. Acho que só li até o fim da aventura do príncipe Caspian.
O que mais eu gosto nesse tipo de literatura é exatamente como a História se infiltra na narrativa. O cara está falando de elfos e feiticeiros, mas o indivíduo histórico está ali, em algum canto. Isso é o que faz, na minha opinião, uma narrativa ser um clássico, “que atravessa o tempo”. A historicidade marcada da narrativa, que provavelmente não está explícita, certamente está em elipse.
Rowling faz muita crítica de costumes. Consumismo dos jovens, racismo, discriminação social. Mas está tão óbvio que o leitor pode se perguntar se aquilo está ali por convicção da autora ou por concessão ao politicamente correto ou ao nicho de mercado dos pais que acreditam que seus filhos devem sempre fazer “leituras educativas”.
Historicidade explícita é panfleto e panfletos não são narrativas clássicas :-))).
Logo, ao ler Tolkien, não se pode encontrar a Europa medieval, quem escreveu foi um homem contemporâneo. Mas também não se pode fazer um paralelo rastaqüera e falar em racismo e encontrar Hitler e Mussolini disfarçados de Sauron ou Saruman. Não se trata disso tampouco.
Inda bem que você não pendurou o doutorado na parede, como foi moda por aqui…
Não sou de literatura, só apreciadora distante, rata de biblioteca :-))) Do tipo que vai ler no Real Gabinete Português por desfastio. Mas meu gabinete de leitura mais querido ainda é o Jardim Botânico. Aquilo lá foi inventado para a gente ler…
Alba, beijos…
ma
Para quem se interessa por livros e alzheimer, uma lista não exaustiva, pescada em um fórum francófono:
LA CAVALE DU GÉOMÈTRE, Arto Paasilinna
Small World , Martin Suter
Je ne suis pas sortie de ma nuit, Annie Ernaux.
Gerson B, muito boa a lembrança do Timothy Hunter. Li a série toda dele, e as semelhanças com o HP são gigantescas. Provavelmente a JK deve ter tido contato com um ou outro quadrinho que a ajudou a imaginar o personagem.
Triste.
Há pouco mais de 5 meses meu avô faleceu, no ápice do Alzheimer. A evolução é essa. A agressividade e a depressão, pouco enfatizadas no vídeo, são dois sintomas que entristecem mais ainda a família do enfermo.
No começo, as pessoas que mais convivem com o doente ficam como a menininha. Perdem a paciência. Leva tempo pra entender…
Se a minha mãe ver esse vídeo não vai cessar o choro.