PT, PSDB, DEM, PMDB – quem, afinal, venceu?
O post do Ryff, ontem, rendeu uma discussão e tanto. Como é típico das discussões neste e noutros blogs, cada um escolhe os dados que lhe apetecem para justificar a vitória eleitoral de um ou de outro. Ontem à noite, baixei do TSE as planilhas com os resultados eleitorais desta eleição e da de 2006. Joguei-as no Excell para brincar um pouco.
Em 2006, o presidente Luis Inácio Lula da Silva elegeu-se com uma coligação formada por PT, PCdoB e PRB. No primeiro turno daquela eleição, Lula teve 45,3% dos votos em cidades com mais de 200.000 eleitores e 50,6% deles em cidades menores. Geraldo Alckmin, da coligação entre PSDB e o atual DEM, recebeu 40,3% dos votos em cidades grandes e 42,5% nas menores.
Neste primeiro turno de 2008, a mesma coligação que elegeu Lula fez 29,1% dos votos em cidades grandes e 20,3% em cidades pequenas. A dupla PSDB/DEM fez, respectivamente, 27,9% e 21,8%.
A base governista é bem mais ampla do que aquela coligação de 2006, naturalmente. Em cidades com mais de 200.000 eleitores, o governo recebeu 57,6% dos votos e, nas menores, 60,6%. Dois grupos distintos fazem diferença nesta conta. O primeiro é o PMDB. O partido fez 16,1% dos votos nas cidades de grande porte e 20% nas pequenas. Em segundo vêm três partidos miúdos, PDT, PSB e PTB que juntos não chegam a fazer um PMDB, mas estão quase lá.
PSDB/DEM e PT/PRB/PCdoB, se é que podemos tratá-los como dois partidos, se apresentam como forças políticas urbanas nesta eleição. Os dois grupos têm mais ou menos o mesmo tamanho eleitoral nos mesmos lugares. O PMDB, ao que parece, é uma força política mais rural do que urbana.
No total, PSDB/DEM receberam 24% dos votos válidos em todo o Brasil. PT/PRB/PCdoB, 20%; e PMDB, 18,6%. Estas três forças reúnem quase 63% dos votos brasileiros. O resto está fragmentado entre partidos nanicos, dos quais os com maior representatividade são PDT, PSB e PTB, que somam 17%.
Em essência: a coligação que elegeu Lula e a coligação que elegeu Fernando Henrique têm, em 2008, o mesmo tamanho eleitoral.
Faz sentido incluir o PMDB nas contas do governo para definir uma vitória eleitoral de Lula? Se amanhã o presidente for tucano, lá estará o PMDB no governo. O PMDB estará com o governo não importa quem seja governo. E tem peso político para fazer exigências. O PTB encontra-se na mesma situação. PSB e PDT, talvez não.
Agora, a divisão por regiões do país em percentual de votos recebidos das três grandes forças políticas:
| PT/PRB/PCdoB | PSDB/DEM | PMDB | |
| Sul | 19,2% | 18,9% | 25,3% |
| Sudeste | 22,4% | 29,4% | 15,5% |
| Nordeste | 16,8% | 22,5% | 17,1% |
| Centro Oeste | 10,5% | 26% | 40,4% |
| Norte | 20,8% | 15,3% | 21,3% |
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COLUNA DE SONIA RACY NO ESTADÃO:
O bicho pegou anteontem em conversa entre Eduardo Suplicy e Gilmar Mendes. O presidente do STF teria chegado a dizer a Suplicy que não o medisse pela régua dele ou do governo Lula.
Mendes foi informado que Suplicy, em visita à Abin, questionou se a investigação sobre o grampo do STF levava em consideração o fato de os próprios grampeados serem… os autores do grampo.
Pelos números apresentados no post, PMDB ganhou.
O Brasil continuará a ser sempre o Brasil, enquanto PMDB continuar ganhando.
Se PT ou PSDB tivessem ganho tal como o PMDB, o Brasil mudaria, seja para um lado, seja para outro lado, mas mudaria. O PMDB ganhando, seja com Lula ou FHC na presidência, o Brasil continua na mesma.
Valeus,
Um empate técnico entre uma coligação de oposição e o partido do governo, num país de um presidencialismo quase imperial, com discursos diários do presidente pautando a imprensa há 6 anos, durante a maior bolha econômica da história?
E quando você bota uma lupa nos números e ainda vê que a oposição está nos grandes centros urbanos e o PT nos grotões?
Continuo sem conseguir ver a tal vitória do PT, a onda vermelha.
Agora com pelo menos um ou dois anos de recessão mundial pela frente para esvaziar o maior factóide da história do Brasil, que é o bom desempenho da economia no lulismo, vocês acham mesmo que Lula está com boas chances para 2010? Isso sem falar da provável entrada de um democrata neófito e protecionista na Casa Branca para deixar os mercados ainda mais arredios em relação aos emergentes.
Falta muito, mas o cenário hoje é desfavorável ao lulismo.
Lula é um animal político como poucos e sabe disso, portanto preparem-se para o assédio ao Aécio, que está mesmo sem espaço no PSDB, numa provável chapa com ele no PMDB e um lulista de carteirinha como vice.
Concordo com vc, PD.
A maioria dos partidos q fazem parte do governo estarao la’ nao importa quem seja eleito. Na minha modesta opiniao, PT e PSDB tem cerca de 30% dos votos cada em qq eleicao, o resto dos eleitores votam de acordo com a conjuntura economica/regional do pais.
Em eleição municipal, mais que nas outras, as pessoas votam no candidato, não no partido. Tem candidato que escolhe o partido simplesmente pela verba de campanha. E nas coligações para vereador tem coisas inacreditáveis.
PT em direção ao abismo!
O partido da boquinha e seu presidente, aquele que beija a mão de ladrão em palanque, vai mal das pernas.
Em São Paulo então o descrédito de Lula e sua descabelada candidata é total.
PT= zero
é isso aí…
ma
Por este post, pelos outros sobre o assunto e pela maioria dos comentários parece que bloqueiro e comentaristas são muito jovens e não conhecem a história: colocar dem (arena) junto com PSDB é de fazer muita gente boa revirar no túmulo…imagine-se o mário covas em sua cova (sem trocadilho) kkkkk
Que diferença faz se o pt ganhou ou não ganhou? Hoje quem faz o papel da arena é o pmdb, que antes fazia o papel do pt.
Mas, importante mesmo, para os que acham que o brasil não mudou, é que a gente tem partidos, tem liberdade e tem um povo que vota em massa. Tá certo…o voto é obrigatório, mas se as pessoas não quisessem participar, iriam lá e anulariam ou votariam em branco.
Tirando uma parcela da classe média que sempre será mediocre - aquela que não consegue alcançar o próprio sonho de ser rica e quer mostrar que não é pobre - o povo brasileiro está aprendendo a fazer uma democracia vigorosa. Mesmo com toda a torcida contra!
E isso não é mérito do pt, do lula, do psdb ou do fhc, ou de quem quer que seja. é mérito do próprio povo, que vai aos poucos sabendo se livrar de uma elite entreguista e anti patriótica, que sempre esteve no poder.
bom final de semana para todos os bobos e os espertos também!
Em São Paulo o PT sempre teve rejeição. Só se vota no PT em forma de protesto ou quando as coisas vão mal das pernas (assim elegemos Erundina e assim elegemos Marta), geralmente para se consertar as “melecas” feitas por gente como Maluf e cia.
É histórico que em São Paulo, o PT sempre tem, em média, 30% dos votos válidos.
Não adianta os IMBECIS acreditarem que o PT já éra, por que ele continua aí firme e forte para desespero dos canalhas que vêm aqui lamber as botas da direita, não é mesmo MARCO?
PT SAUDAÇÕES
PD ou alguem, esses numeros sao baseados em todas as cidades ou as cidades com mais de 200 mil ????
Sim, sim é o fim do PT… acho que li isso em 2005, na capa de uma revista que não tem mais nenhuma credibilidade, hoje. Contudo, devo lembrar que Lula venceu as eleições por duas vezes quando sua coligação tal qual apresentada por PD era bem menor. E ele pode sair de vice, por que não?
Imagina o Lula de vice!!! Quanta ingenuidade, ou será desespero de quem faz essa proposta? Quem foi presidente não se diminui saindo de vice, isso é loucura, e louco, Lula não é.
Pedro, tem como você ter um link da música principal da campanha de Gabeira - O Rio de Gabeira? O site vai sair do ar às 23:59 , hora local.
caceta bobo pra caceta, já argumentei aqui uma penca de vezes que a aliança PT/PSDB seria imbatível.
Mas quem junta o PSDB com o DEM não sou eu. São os tucanos.
Joao Avion, os números apresentados na tabela incluem todos os votos válidos para prefeito no país.
Petistas são tão previsiveis….tão fácil de dar corda…
Queria mesmo cutucar o petista alfa, o idelber….
Enfim…
Pronto…fui dar corda pro jagunço lambe-botas, agora aguenta…
” Os candidatos à prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT), usaram o horário eleitoral desta sexta-feira para se despedir dos eleitores pedindo votos no domingo. Para isso, o democrata mostrou pela primeira vez um depoimento de apoio do governador José Serra (PSDB), enquanto a petista recebeu ligações dos filhos Supla e João Suplicy.”
marco- Supla aproveitou o ensejo para apresentar seu novo CD - e até cantarolou um tantinho ” inútil, a gente somos inútil…”
Fofo!
Clara #11,
Teve presidente que virou prefeito. Mas concordo com você - nessa Lula não embarca.
Sobre os números, eu acho que a melhor comparação seria com o desempenho nas municipais anteriores. Sabe como é, elimina as ’sazonalidades’.
“Inútel” a gente somos “inútel”…Hino oficial da vitória do Kassab…os paulistanos vão cantar mmuiiito isso quando pagarem pedágio pra tirar o carro da garagem. Quem viver, verá.:o)
Eu conheço o interior mineiro. Lá os caciques políticos registram diretórios de vários partidos, onde os presidentes são da mesma panelinha. Então, cada cacique pode controlar quantos partidos a sua turma agüente. Vê-se coligação de PT com DEM, PSDB com PCdoB, PTdoB com PMDB, enfim uma salada. Na última eleição para presidente e governador, em Minas votou-se no Lulécio.
Portanto, os números, as porcentagens , não retratam a realidade pois, poucos são aqueles brasileiros que votam na legenda.
Há um erro flagrante: a falta do PP. Foi o quinto partido mais votado no primeiro turno deste ano, à frente do PTB, PDT e PSB - e muito à frente do PC do B, citados no levantamento. Bem, nossa sopa de letrinha tem, salvo engano, 29 legendas, a maioria delas inexpressiva. Os números do primeiro turno (em milhões de votos) são:
PMDB - 18,4
PT - 16,4
PSDB - 14,4
DEM - 9,2
PP -6,0
PDT - 5,9
PSB - 5, 6
PTB - 5,0
PR - 4,2
PV - 2,9
PC do B - 1,7
Outros (somados) - 5,8
Penso ser ruim o critério de somar votos do PSDB e DEM contra PT, PC do B e PRB. Por uma razão simples. Historicamente, o Brasil tem quatro grandes partidos desde 2000. São eles (pela ordem do primeiro turno): PMDB, PT, PSDB e DEM.
Até 1996, eram três os grandes. Em 2000, pela primeira vez, o PT rivalizou com os grandes partidos, ficando em quarto, com pouco mais de 11 milhões de votos. O PSDB já foi o mais votado (2000), sendo superado pelo PT (2004), que agora perdeu a liderança para o PMDB.
A leitura do PMDB, aliás, está perfeita. Dentre os quatro grandes, é o que MENOS se comporta como partido. Se se comportasse como partido, racharia em mil cacos.
Desde 2000, o PT e o PMDB tiveram crescimento no número total de votos a cada eleição. O PSDB teve uma pequena redução se comparados os anos de 2004 e 2008. A situação do DEM é mais delicada. O partido vem perdendo votos a cada eleição.
Em 2000, o então PFL teve cerca 12 milhões, caiu para 11 milhões em 2004 este ano, esteve na casa de 9 milhões de votos . Nesse período, a massa de eleitores (e de votos válidos, registre-se) aumentou. O DEM, hoje, aproxima-se mais do PP, o quinto, que do PSDB, o terceiro.
O fato de ter grandes chances de levar a principal capital do país é relevante. Não pode ser desdenhado, mas também é um erro superestimá-lo (até por conta da bênção de Serra, que ajudou a implodir a candidatura de Alckmin). Sem São Paulo, a performance do DEM teria sido um completo desastre.
Banida da natação, Rebeca Gusmão, petista histórica, vira atacante ‘trombadora’ no futebol.
Gusmão fará dupla de área com Obina, do Flamengo. Marcio Braga diz que com esse ataque o Fla vai virar o Dream Team do futebol mundial.
Fábio Carvalho, não estou defendendo meu modelo de todo, não. Estou realmente tentando entender o que ocorreu.
O PP teve o equivalente a 6,15% dos votos para prefeito. Tem o tamanho do PDT, deveria tê-lo incluído. Pela minha planilha, o PP teve muito pouca votação em cidades com mais de 200k eleitores (menos de 4%), mas uma presença bastante expressiva no interior (7,4%).
Não acho que seja um erro somar os votos do PT com os do PCdoB e do PRB, não. Formam uma aliança nacional.
Alguns comentam que as pessoas, nas eleições regionais, votam em nomes, não em partidos. É verdade. Mas os partidos é que ficam com poder para negociar à frente seus apoios no pleito nacional.
A situação do DEM não é tão complicada assim. O partido foi desidratado com a migração em massa dos adesistas rumo a PR, PTB, PP e ao próprio PMDB. Com uma eventual vitória do PSDB, esses partidos-ônibus (à exceção do PMDB) perderiam musculatura, e multidões de deputados voltariam para o DEM.
Caríssimo Pedro,
Eu também não sei qual é “o” critério mais sensato para analisar o que aconteceu. E não disse que era errado. Continuo pensando que é um critério ruim (o PRB nem aparece na minha lista; o PC do B é o último). Nem o critério do G-79, que me parece melhor, é de todo bom. Em eleições pretéritas, perdidas por Lula, o PT tinha bom desempenho em capitais importantes e médias. Perdia mesmo era nos grotões.
A noiva de 2010 é o PMDB, mas… sua análise desse partido é, a meu juízo, perfeita. Acrescento que a aliança firmada em 2002, em torno da candidatura de Serra, não redundou em campanha uníssona por parte do PMDB: defecções capitaneadas por Sarney, incomodado com o aborto da candidatura de Roseana, ex-PFL.
Não acho que houve nenhuma “onda vermelha” nessa eleição. Mas o PT não perdeu espaço no G-79 (ao contrário, ganhou) e ainda chegou em lugares onde antes não chegava. Por outro lado, Serra fica muito fortalecido com o resultado da capital paulista. Ficaria ainda mais se a candidatura de Lacerda naufragasse nesse segundo turno em BH, mas não é isso o que as as últimas pesquisas apontam.
Seguinte: desde que a nova Constituição foi promulgada, a cena política do Brasil foi definida pelos 4 grandes partidos:
1. PMDB, o mais velho da lista, surgido como MDB em 1965 em virtude do AI-2;
2. PT, surgido em 1980 — logo após o fim do AI-5 e da promulgação da Lei da Anistia;
3. DEM, surgido como PFL a partir de uma dissidência do PDS que passou a apoiar Tancredo Neves para a eleição indireta de 1985;
4. PSDB, surgido de uma dissidência do PMDB de Ulysses Guimarães e José Sarney durante a constituinte de 1988.
Esses 4 possuem a maioria dos deputados e senadores do Congresso Nacional, e fora a era Collor, têm feito os presidentes da república desde então.
E é possível traçar uma certa ascendência dos partidos brasileiros a partir do período 1945-1964: o DEM seria “descendente” da UDN, o PMDB e o PSDB do velho PSD e p PT do velho PTB.
Clara (12), isso ajuda?
http://br.youtube.com/watch?v=VyJcaDC9C9I
E concordo com o Luiz Alexandre no (3). Pra époga que pegou no governo o PT não conseguiu o crescimento que poderia ter alcançado.
Gerson, obrigado pela referência elogiosa, mas nem acho que seja mérito meu nessa análise, é a obviedade ululante (com trocadilho), gritante mesmo, dos números. E Lula sabe disso, seus militantes lunáticos, botocudos ou patrocinados é que não.
É claro que a esquerda e os governistas vão torcer os números até que confessem algo favorável, manchetes do tipo “PT é vitorioso nas cidades em que ganhou” serão comuns, mas é só comparar os recursos da máquina petista, a avaliação de um presidente que é um comunicador nato e que faz discursos diários há 6 anos, pautando a imprensa bananeira e adesista, que acha que todas as suas frases são notícia, e os resultados alcançados, para se ter um quadro fiel do (perdoem a expressão) “recado das urnas”.
Na verdade, quem melhor explicou o resultado das eleições até agora foi o sociólogo Alberto Carlos Almeida no Roda Viva do último dia 6, se você não viu eu recomendo enfaticamente.
Abraços a todos e, em especial, ao Ryff, um grande amigo, um jornalista dono de uma erudição incomum e admirável e um verdadeiro democrata, que teve a ousadia de abrir espaço a uma opinião imune do patrulhamento ideológico.
Anos dificeis virão com Serra e o Consenso de Washington de volta ao “puder”!
Muito desemprego, mais privadizações, mais emendas a constituição(sempre tirando direitos dos trabalhadores) e aquele comportamento “padrão” do tucanato e da malta de wall street por aqui……VIVA MALAN!
Dória e Fábio Carvalho # 25 - É preciso colocar uma nova determinante para análise da campanha de 2.010. O resto do Brasil quer dar um basta ao que se convencionou chamar de “arrogância paulista” . O Serra, paulista, vai encontrar um grande rejeição nos outros estados brasileiros ao postular a presidência, levando em conta 16 anos de FHC e Lula.
E, no mais, Serra não tem carisma fora de São Paulo. Minas, segundo colégio eleitoral, não vai engolir.
Alguém do RS, PR, BA, PE, etc. poderia comentar o clima, em seus estados, para um paulista pleitear a presidência em 2.010.
Oposição deve amargar perda de 10 milhões de eleitores pelo país
“Mesmo se confirmar a vitória em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a oposição deverá acordar segunda-feira com um patrimônio perdido de cerca de 10 milhões de eleitores, informa neste sábado”
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u460088.shtml
Que triste!
hehehe
Eu ainda acho que a força do PT nunca foi tão grande quanto é hoje em dia com o governo Lula e principalmente o bolsa família. Mas sou obrigado a concordar com fato de que enquanto o PMDB for o principal partido brasileiro ainda seremos eternos reféns do pragmatismo e da corrupção, não que com o PT e PSDB sejam diferentes, mas hoje em dia são o mais próximo que podemos chamar de um partido político verdadeiro, que tem ideologias e planos políticos traçados. Me pergunto se não é a hora de PT e PSDB (sem aquele bando de almofadinhas, pseudo-coronéis do “DEMOCRATAS”), se unirem para extirpar o Brasil do PMDB.
Linda….espero que nos outros estados o povo perceba quem é o Sera….senão estaremos fudidos!
SERRA!
Linda,
É impossível antecipar o clima para 2010. Quantas vezes Lula largou como favorito e perdeu a parada? Kassab não estava no segundo turno no início da campanha. Passou Alckmin e tem grandes chances de levar a principal capital brasileira amanhã. Essa temperatura não tem como ser medida agora.
Resido em Porto Alegre. Por aqui, mais exemplos dessa impossibilidade. O ex-governador Germano Rigotto (PMDB) acreditava estar forte o suficiente para tentar uma candidatura à Presidência da República. Foi candidato à reeleição em 2006, quando apanhou muito do PT no primeiro turno.
Na reta final, Rigotto foi superado pela tucana Yeda Crusius , que levou a parada no segundo turno. O PSDB aqui é pequeno (e acaba de perder sua principal vitrine em 2008, Canoas, após um escândalo de corrupção). Mas isso não impediu a eleição de Yeda. Lula teve vitórias no RS em 1989, 1994, 19998 e 2002. Perdeu em 2006: nos dois turnos. Por aqui, deu Alckmin.
Yeda está MUITO mal avaliada pela opinião pública. É difícil encontrar quem a defenda, pois ela mal consegue explicar a compra de sua casa. Fogaça escondeu o apoio da governadora na atual eleição (Simon está caladíssimo sobre a crise no governo estadual). A crise política em seu governo não tem fim: o último capítulo, na semana passada, foi o pedido de demissão da tucana Mercedes Rodrigues, ex-titular da Secretaria de Transparência (pasta criada no auge do escândalo do Detran, a maior fraude já documentada da história dos cofres gaúchos). Ao sair, Mercedes disse que o governo não pode tratar a corrupção com “lassidão”.
Até agora, foram três chefes da Casa Civil (um deles gravado pel vice, Paulo Feijó, do DEM), três titulares da Segurança Pública. Outro pediu para sair depois de tomar chope com um denunciado. Outro caiu por comprometedoras citações em áudios da Operação Rodin. É uma dança de cadeiras inacreditável.
Então, Serra não poderia esperar apoio da Yeda por aqui se a eleição fosse hoje. Naufragaria inexoravelmente em seu palanque. Mas… quem diria, no auge do mensalão, que Lula seria reeleito? Somente os petistas mais histéricos e esquizofrênicos, convenhamos.
O PMDB e o PT no RS são, de fato, os dois grandes antagonistas. Em 2010, se Dilma for a candidata do PT, penso que boa parte dos eleitores do PMDB tende a apoiá-la - e isso não é só uma questão de bairrismo, a meu juízo. Penso (maior achismo) que ela é um nome que está um pouco descolada do antipetismo, que é muito forte por aqui. Por quê?
Foi uma boa secretária de Minas e Energia (ou algo equivalente) durante o governo Olívio. Eu não morava aqui. Mas me lembro dela no “Jornal Nacional”, peitando tecnicamente Pedro Parente. “Quero que o governo federal me demonstre por que o RS terá que entrar no apagão”. Resultado: o RS ficou de fora do racionamento de energia. Graças, entre outras razões técnicas, ao enfrentamento de Dilma.
Ela demonstra, gostem ou não dela, competência à frente da Casa Civil (tal como Serra foi um bom ministro da Saúde, gostem ou não dele). O PAC não é um factóide e não parece privilegiar entes federados aliados do governo federal - como foi “abre” de página da Folha de São Paulo desta semana, citando o exemplo da capital paulista. O candidato Fogaça, nesta eleição, passou longe de críticas ao governo federal. Ao contrário, sua adversária, Maria do Rosário (PT), acusa o atual prefeito de ser lento e de perder dinheiro do governo federal por falta de projetos. (Rosário não está completamente errada, não: Fogaça perdeu recursos do Fundeb por não inscrever escolas em tempo hábil).
Mas, para encerrar este longo comentário, penso que Minas é o fiel da balança. É o nosso “swingle state”. Se não conseguir contrabalançar a provável vantagem de Serra em São Paulo, a eleição fica quase que selada para o tucano. O problema é Aécio e a histórica disputa da política “café-com-leite” (sem olvidar que Serra foi muito bem votado nos grotões mineiros em 2002 e FHC ganhou por lá em todas as disputas contra Lula).
A Dilma pode ser presidenciável mas não é “votável”.
Só pra ajudar um pouco a análise, vou falar de Santa Catarina. Não é um estado grande, ao contrário, mas representa um padrão que pode ser que se repita em vários lugares.
SC é repartido politicamente em regiões, cada uma com as suas lideranças mais fortes, espalhadas por mais de um partido. Apenas no oeste o PT é mais forte, mas mesmo assim não tem um nome forte o bastanta para disputar o governo do Estado. Mas tem tudo para crescer com o tempo.
No resto do Estado, a disputa ainda é praticamente a mesma de 1985. Na maioria das cidades do interior, ou você é 11 ou você é 15 - e as lideranças desses partidos ainda são as mesmas da época, ou os herdeiros diretos deles. Como terceira força, o PFL de Bornhausen já vicejou e já está meio em decadência.
Em Florianópolis, este segundo turno é entre 11 e 15, mas é quase coincidência: o atual prefeito era do PSDB, e o irmão dele foi eleito prefeito da cidade vizinha (que ele próprio governou até 2004) alugando uma vaga no PSB. Já em Joinville, maior cidade do Estado, é DEM contra PT. O grande perdedor, lá, foi o governador, do PMDB, cria da cidade, e que tem um estilo de governar que faria Golbery reclamar proteção aos direitos humanos.
Clara,
Dilma não tem carisma, predicado que José Serra também não dispõe. Serra é mais experiente em termos eleitorais, já tem várias disputas no currículo. Dilma nunca foi candidata a nada. Mas a (suposta) candidata petista tem mais de dez anos de experiência administrativa no Executivo, com bom desempenho em todas as pastas que ocupou.
Ou seja, um programa de TV bem feito, penso eu, conseguirá apresentá-la como “votável”. Ela tem, pessoalmente, o que mostrar. Mantidos os atuais patamares de aprovação de Lula, o presidente será, sim, um importante cabo eleitoral (em 2010, o fator Lula tem peso, sim, pois Dilma seria a candidata da continuidade; Serra precisou esconder FHC na eleição de 2002).
Hoje, a despeito das pesquisas (que não valem nada para 2010), eu seria capaz de apostar num segundo turno entre ela e Serra.
Outro exemplo: Márcio Lacerda (que eu não conheço) também não dispõe de carisma. É o que se diz. Já foi candidato a alguma coisa (eu não sei)? Lula, antes de ser eleito, tinha experiência eleitoral e apenas um mandato de deputado, anterior a 1989 (foi constituinte). Nunca foi conhecido por um bom desempenho em debates, embora tenha desempenho notável nos palanques.
Fábio, se o José Serra não tivesse algum carisma, não teria sido presidente da UNE(espero não estar enganada nessa), deputado, senador, prefeito, governador. Ou seja, não é um Lula, mas é Serra, o sujeito já venceu n eleições. Como você mesmo disse, ele é experiente em eleições, a Dilma, não.
Quem veio com força e derrotou o carlismo na Bahia, contrariando todas as pesquisas foi Jaques Wagner. Ele parece poder encarar uma eleição presidencial, saindo do eixo Minas-São Paulo, se a política café-com-leite petista/tucana permitir.
Acho que o Fábio tem razão ao dizer que o fiel da balança será Minas Gerais. É um Estado com muita capilaridade nacional. Nesse sentido, os resultados apontam para um crescimento acachapante em grande parte das grandes cidades mineiras (o que inclui BH, onde o PT deve fazer o vice).
Nesse sentido, acho que a Dilma vai vir com muita força, ainda mais se aliada ao Ciro Gomes ou algum nome forte do PMDB. O fator Aécio também pode desequilibrar a eleição. Ninguém sabe o que vai ser feito dele e uma coisa é certa: ele não arrisca, não entraria pra perder. Mas quando ele construiu sua candidatura a presidência da câmara dos deputados.
Quanto ao Márcio Lacerda, ele nunca foi candidato a nada e eu nem sabia que ele já tinha sido deputado. Apesar de ser uma demonstração de forças do Pimentel e do Aécio, é também bom dizer que eleição de BH nunca definiu o resultado em MG. Afinal, o PT já administra a cidade a quase 16 anos e nunca elegeu governador no Estado.
Lauro,
Eu morei em Juiz de Fora a maior parte da minha vida. Lá, Lula sempre ganhou de modo inquestionável. Mesmo em 1989, quanto Itamar (que é de lá; quer dizer, é baiano, mas tem sua carreira política la) foi vice do Collor. Lavada no 1º turno. O comício do Collor terminou, inacreditavelmente, com uma passeata pró-Lula.
Nesta eleição, Margarida Salomão levou o PT, pela PRIMEIRA VEZ, ao 2º turno, contra Custódio Mattos (PSDB), que é ex-prefeito. A disputa anda acirradíssima: 45% X 44% segundo a última pesquisa. Mas a curva favorece Custódio. Custódio vencendo NÃO significa vitória de Serra contra Dilma em 2010. é o que diz a história daquela cidade.
Minha família é de uma cidadela próxima, chamada Mar de Espanha. O PT “não existe” nesse grotão. Nunca nenhum vereador petista se elegeu por lá. A polarização política em Mar de Espanha se dá entre “baianos” (DEM) e “caratingas” (PMDB). Esse ano, os “caratingas” conseguiram se manter na Prefeitura. Os “baianos”? Perderam numa aliança entre DEM, PSDB e PT. Isso mesmo. PT, DEM e PSDB.
E em 2006, em Mar de Espanha?
Alckmin levou no primeiro turno (53%) contra Lula (38%). No segundo turno, deu Lula (55%) contra Alckmin (44%). São cidades como Mar de Espanha que decidem eleições majoritárias em Minas. Aliás, são cidadelas desse tipo que ajudam a explicar por que Alckmin teve mais votos no primeiro que no segundo turno.
Não é BH, Juiz de Fora e Contagem (embora esses colégios eleitorais NÃO mereçam, de modo algum, menosprezo). Mas o lance é que Minas tem mais de 800 municípios. Meia dúzia está no G-79. Algumas dezenas chegam a 100 mil habitantes. O resto é grotão, como Mar de Espanha.
Só para arrematar. Mar de Espanha é uma cidade conservadora, aquelas da “tradicional família mineira”. Não existe direita e esquerda: baianos e caratingas são centristas. Em 2002, meu pai ainda era vivo. Ele votou no Collor e duas vezes em FHC. Quando, em 2002, meu pai me disse que iria votar no Lula, tive a sensação de que o Serra perderia. Não deu outra.
Ninugém venceu! Ninguém é melhor que ninguém!
Acho que o comentário do Fábio Carvalho mais do que procede. O interior de Minas é, hoje, lulista. Aécio não inventou o Lulécio à toa. Quem assitiu a campanha de Juiz de Fora viu a Margarida quase esnobar o Aécio e o Custódio só lamber menos as botas de Lula do que as do governador.
HRP, ainda me lembro perfeitamente de uma pergunta feita a propósito de José Serra: “O que pensa este rapaz?”. Parece sempre estar na sombra. Parece vampiro…rs
Infelizmente não me lembro quem fez esta pergunta, embora a ache extremamente pertinente.
E aí no Rio, Clara? Já dá para perceber qual o sentimento do fluminense-carioca sobre uma candidatura Serra em 2.010? Há uma rejeição natural a eleger presidente um paulista após 16 anos de FHC e Lula?
Fábio Carvalho, estou sabendo do governo bem confuso e difícil da Yeda Crusius aí no RS. E tb do sentimento anti-petista. No interior mineiro há, até hoje, medo do PT. Conseguem separar Lula do PT, como se Lula não fosse o fundador do PT.
Acho engraçado que os brasileiros não prestam atenção ao que se diz, ao que se faz. Se a mídia ficar batendo e repetindo conceitos, eles absorvem. No auge do mensalão perguntaram ao Lula se iria sair do PT. Respondeu que não sairia pq o PT estava dentro dele.
O eleitorado mineiro tem sido muito volúvel. Várias ocasiões a provar. Hélio Costa quase venceu a eleição para governador. No primeiro turno conseguiu 49% dos votos. No segundo turno, o Azeredo virou. Quando das candidaturas a presidente de Serra e Alckmim, ambos tiveram menos votos no segundo turno. Agora, para prefeito de BH, Lacerda ganhou o primeiro turno com pouca diferença. Leonardo Quintão o ultrapassou e muito, nas primeiras pesquisas para o segundo turno. Aparentemente, Márcio Lacerda está virando de novo. Agora é ver o resultado das urnas.
Independente disto tudo, há aqui um sentimento de não ceder cabeça de chapa a paulista para as próximas eleições presidenciais. Portanto, Serra vai enfrentar uma muralha.
Fabiano, Santa Catarina me passa a idéia de um estado bastante conservador politicamente. Procede?
Mar de Espanha está a toda na propaganda de um banco.
Ih, Linda,
Nem me fala dessa propaganda: minha mãe até me ligou para falar nada: o assunto principal foi comentar sobre o comercial da CEF. Eu já morei em cinco Estados (quatro, excluído Minas). Quando dizia, nas férias, que iria para Mar de Espanha, todos exclamavam… “Nossa, que legal”. Todos achavam que era perto de Ibiza, sei lá. Muito engraçado.
Eu não sei se o interior de Minas perdeu o medo do Lula, mas morre de medo do PT. Não sei mesmo. Não é que sugere o resultado das eleições municipais deste ano. Meu pai, um típico conservador centrista, nunca foi antipetista. Ao contrário, até admirava alguns nomes do partido. Ele tinha reserva, de fato, ao Lula (muito mais do que ao PT). Só votou no Lula em 2002, certamente porque o candidato “desradicalizou”.
No mais, o caso de Alckmin é único em nível nacional. O Serra, ao contrário do Alckmin, não teve menos votos no segundo turno, não. Nem no Brasil, nem em Minas (onde Serra teve votação próxima da média nacional, aliás, sobretudo no 1º turno).
Os números no país foram (votos válidos):
1º turno - Lula, 46,4%; Serra, 23,2%
2º turno - Lula, 61,2; Serra, 38,7%
Em Minas, o resultado foi (votos válidos):
1º turno - Lula, 53,0%; Serra, 22,8%
2º turno - Lula, 66,4%; Serra 33,5%
Tem razão, Fábio. Quanto ao Serra, aqui em Minas, cresceu pouco no segundo turno e não diminuiu. Mas, desde 1989 eu ouço que o Lula não é radical como a mídia falava. Isto em decorrência dos debates.
Há, de fato, nas classes mais “tradicionais” um preconceito contra o operário, contra a pessoa sem curso superior.
O interior não tem medo do Lula mais. Foram muito beneficiados não só com o bolsa-família. No entanto, o PT, para os grotões, continua “radical e comunista”. Erro de avaliação. Afinal de contas, o PT anda no cabresto agora. Os caciques já dizem em quem a base vai votar. Pelo menos em BH. rs
Olha,
Eu, se fosse o Serra, tentaria, de todas as formas (lícitas), trazer o Aécio para uma chapa puro-sangue. O DEM, que hoje tem na capital paulista sua maior vitrine, topa (é mais ou menos o que eu li hoje, domingo, na Folha). Burrice seria a Executiva Nacional do DEM criar caso. Não criaria, eu acho.
Com Minas e São Paulo votando em peso na chapa tucana (e combinando com o eleitor, é claro, risos) seria difícil batê-los. Daí, os tucanos poderiam até deixar a “noiva” do PMDB para o PT, pois os tucanos SABEM que haverá defecções. Quércia, por exemplo, apoiará quem?
Daí, vai uma crítica àqueles que combateram (com ótimos argumentos) a candidatura de Márcio Lacerda (PSB), apoiado pelo PT e pelo PSDB em Belo Horizonte. O “poste”, ao que parece, levará a capital mineira.
SE, veja bem, SE o PT mineiro conseguiu arrancar do Aécio o compromisso de não se aliar a Serra, terá sido uma ótima estratégia. O que não significa que Aécio irá honrar o compromisso, é claro. Parece-me que o compromisso é Fernando Pimentel (PT) para governador de Minas em 2010. E, vendo as chances de candidatura a presidente distante, Aécio ainda poderia migrar para o PMDB e ser o vice da Dilma, risos. Pode invocar o avô e tudo mais para fazê-lo.
Mas, putz, tudo isso é muito achismo meu. Não tenho fontes, não tenho bola de cristal. Se eu fosse um pouquinho mais sério e responsável, não clicaria no “submit” agora, risos.
Tá certo, rs. Seu exercício de futurologia é ótimo.
E, afinal, o Márcio Lacerda ganhou. Vamos ver os cacos do PT. No mínimo deve haver uma moção de censura ao Pimentel.
Ah, o poste falou no segundo turno e mostrou a cara.
Fabio,
Só para corrigir um comentario seu. O PMDB em Mar de Espanha é orginário dos Monarquistas que depois foram intitulados Jagunços (por causa da Guerra de Canudos, e depois em 1952 mudou para Baianos. Hoje se institulam 15 ou Jacaré.
O PSDB com o DEM é originário dos Republicanos, apelidados de Jacobinos ( por causa da mesma Guerra de Canudos)e em 1952 , alterado para Caratingas. Hoje se intitulam 45 ou Elefante.
Durante a ditadura um foi Arena I o outro foi Arena II.
A coligação do PT com uma das facções foi meramente estratégica para pleitear a Assistência Social e realizar um trabalho possível, de melhoria na condição de pobreza., uma vez que não dispunha de recursos nem força política para romper a polaridade da duas forças conservadoras, apesar de ter apresentado candidatura própria em 2004.
Um grande abraço
Manoel