Radicais são os outros

Mundo · 22/10/2008 - 03h29 - 70 Comentários

Há uma discussão importante acontecendo nos comentários entre Fabio Passos e Antonio. Fabio, como muitos, acusam os EUA de terem cometido genocídio no Iraque. Ele confunde assassinato em massa com genocídio.

Não são a mesma coisa. A diferença não é etimológica, é jurídica. É uma distinção importante. O fazer ‘jurídico’ não sai de uma burocracia. Sai de uma filosofia. Uma busca pelo conceito do ideal de Justiça. Tem que haver um crime, um algo, maior do que o assassinato em massa. É mais grave quando, além daquelas vidas humanas, algo que deveria ser para sempre se perdeu.

O genocídio é mais do que a sistematização do assassinato de muitas pessoas. Mesmo que sejam contadas às centenas de milhares. Ou aos milhões. Genocídio é a tentativa de eliminar aquelas pessoas e sua cultura. Sua culinária, língua, filosofia, suas histórias e músicas. Seu conhecimento, aquilo que representam, seu conceito de o que é ’ser humano’. Genocídio é tentar limpar do mapa um conceito de humanidade. É uma perda terrível. Uma perda para sempre.

Genocídio, por definição, é a tentativa de exterminar um povo, uma etnia. Os turcos o fizeram contra os armênios. Os nazistas, contra os judeus. O Khmer Vermelho contra os cambojanos de entnias vietnamita e chinesa. Os hutu contra os tutsis, em Rwanda.

Nestes tempos de polarização mundial e no qual a Internet aceita e publica tudo que qualquer um desejar, é muito fácil jogar palavras ao vento. Qualquer coisa dita a respeito daquele de quem não gosto há de ser verdade. Ahmadinejad é um homem santo, vai um dos comentários. Afinal, é contra Bush. Obama nasceu no Quênia e é terrorista, segue outro. Os EUA são o mal encarnado. O indivíduo tudo pode, o Estado é que é o Mal – eme maiúsculo. Radicais são os outros.

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