Promessas que Obama não cumprirá (1 de 3)
Conversas incondicionais com inimigos

Coreia do Norte · Cuba · EUA · Irã · Venezuela · 20/10/2008 - 11h59 - 45 Comentários

Como todo político, durante sua campanha Barack Obama fez promessas e algumas delas definiram como ele é percebido pelo eleitorado. Neste momento, Obama tem mais chances de ser eleito presidente do que John McCain.

Este é o primeiro de uma série de três posts: as promessas que Obama não será capaz de cumprir, caso chegue à presidência. Os outros virão amanhã e quarta-feira.

Na quinta e na sexta-feira, haverá uma outra série, esta de dois posts. O que é possível saber nos programas e promessas de John McCain (na quinta) e Barack Obama (na sexta) que interferem no Brasil.

Mas, antes, a uma introdução. É um fato da política que é impossível passar por uma campanha sem promessas que não serão cumpridas. Por isso mesmo, o trabalho de escolha do eleitor sofisticado não é simples. Ele precisa entender que políticos exageram e que, sem exageros, não conseguem se eleger. Este eleitor precisa ser tolerante, também, com uma certa dose de alianças. Precisa compreender que políticos precisam se unir a outros e que este processo nem sempre é bonito.

A maioria do público cobra afirmações peremptórias e certezas, mas a arte de governar é cheia de indecisões e improviso; verdades pétreas, dogmas, não têm espaço. As promessas devem ser compreendidas – vindas de qualquer político – como uma tendência a uma determinada posição, mas não como uma posição imutável. Isto posto:

Barack Obama não se encontrará incondicionalmente com chefes de Estado.

Em julho de 2007, durante o debate CNN/YouTube, Obama foi perguntado se ele se encontraria incondicionalmente com os líderes de países como Coréia do Norte, Irã, Cuba e Venezuela. Ele respondeu categoricamente: sim. Na seqüência, Hillary Clinton informou que ela, enquanto presidente, pessoalmente, não o faria. Mas que seu governo investiria sim em diplomacia. Gente nos segundo e terceiro escalões procurariam conversas. Hillary estava simplesmente repetindo aquela que é a política do Partido Democrata há décadas. Não há nenhum mistério aqui. O governo George W. Bush tentou inovar ‘punindo’ países com ausência de diplomacia. Não conseguiu rigorosamente nada, acirrou alguns ânimos, e teve que se engajar agora no fim. Aqui está a resposta que iniciou tudo:

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É impossível saber porque Obama, naquele dia, disse que se encontraria pessoalmente com Kim Jong-Il e seus pares. Eram debates com muitos candidatos nos quais a maioria dos eleitores não estava prestando atenção. Talvez ele mesmo, distraído, tenha achado que a pergunta se referia a seu governo e não a ele mesmo. O fato é que foi uma resposta tão diferente que ganhou manchetes nos dias seguintes. Obama se destacou, talvez por acidente. E, como é pecado mortal voltar atrás numa afirmação, Obama ficou preso a ela.

Durante as primárias, a afirmação agiu em seu favor. O que os pré-candidatos democratas tinham para diferenciar um do outro, afinal, eram suas personalidades. A plataforma de todos eles é a plataforma do Partido. Diferenças mínimas de opinião. Quando a eleição se acirrou entre Hillary e Obama, eles se agarraram aos pequenos detalhes para se distanciarem um do outro. E, naquele momento, as ‘conversas incondicionais’ viraram um tema forte. Hillary batendo, Obama defendendo. Ao insistir tanto no caminho da responsabilidade, Hillary se colocou numa posição que parecia criticar a diplomacia. Estava mais próxima das políticas de George W. Bush do que de sua oposição. Como disputavam o comando do partido de oposição, este foi um dos fatores que fortaleceu Obama e a enfraqueceu.

Mas, desde que as eleições presidenciais de fato começaram, muito cautelosamente, para que ninguém o acuse de flip-flop, de vira-casaca, Obama tem voltado atrás. Conversas incondicionais com líderes? Claro, mas com negociações preparatórias antes, disse em um debate. Mahmoud Ahmadinejad não é realmente o líder do Irã, alertou numa entrevista, dizendo que com Ahmadinejad provavelmente não se encontrará. Talvez com o aiatolá Khamenei.

A mensagem importante aqui é: enquanto presidente, Barack Obama vai investir pesadamente em diplomacia. Ele estará disposto a se encontrar com líderes estrangeiros para grandes acordos. Mas nenhum encontro do tipo será incondicional. Esta é uma promessa que ele não cumprirá.

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