Eleições EUA: ‘Quem é Barack Obama?’
E a questão da raça no pleito
Edição 20 | segunda-feira, 13 – A Pensilvânia já era. A última pesquisa do jornal local Morning Call põe Obama com 51% contra 39% de McCain. Enquanto mais um swing state parece cair, a campanha de John McCain mostra desorganização. Enviaram Sarah Palin para lançar o disco inicial em um jogo de hockey no principal estádio da Filadélfia, capital do estado. Estádios esportivos são o tipo de lugar no qual político não entra, dizia Antônio Carlos Magalhães. Com as pesquisas indicando uma vitória tão grande do adversário, talvez não seja surpresa que ela tenha sido recebida por uma vaia ensurdecedora. (Que a tevê disfarçou aumentando o áudio da música.)
♦ As pesquisas nacionais como elas estão: Gallup, Obama 51%, McCain 42%. Rasmussen, Obama 52%, McCain 45%. Research 2000, Obama 52%, McCain 40%. Zogby, Obama 48%, McCain 44%.
♦ McCain prometeu, ontem, que irá ‘whip his you-know-what in the debate’. Numa tradução não literal mas de todo correta: vai meter a chibata na bunda de Obama. O candidato republicano não tem escolha. Precisa mesmo, na quarta-feira, quando ocorrerá o último debate, de uma vitória acachapante. Surpreendente. Não é uma tarefa fácil. Ele não tem muitos dias para virar o jogo.
♦ Sarah Palin, sugere a propaganda republicana, é uma norte-americana típica, ‘como todos nós’. Barack Obama é perigoso por ser um desconhecido. ‘Quem é Barack Obama?’, pergunta em tom ameaçador a propaganda de McCain. Palin era um nome desconhecido fora do Alaska até dois meses atrás. Barack Obama está em campanha presidencial faz dois anos, participou de inúmeros debates neste período, deu incontáveis entrevistas e escreveu duas auto-biografias.
♦ Os eleitores sabem mais sobre sua vida pessoal, hoje, do que jamais souberam sobre candidatos passados. Sabem a história de sua mãe e de seu pai, de seus avós maternos, sabem em que escolas estudou, que igreja freqüenta, quem o apoiou em cada campanha, como voto em quê. A quantidade de informação biográfica sobre Obama – basta fazer uma busca no Google – é muito maior do que a sobre o próprio McCain.
♦ Por trás da idéia de que ‘Obama é um desconhecido’ e ‘Palin é imediatamente reconhecida’ o subtexto é racista. Ninguém jamais realmente conhece um homem negro. Não é para dizer que a maioria dos norte-americanos aceitem essa idéia. De forma alguma. Funciona assim: em estados como a Pensilvânia, Michigan, Ohio, Virgínia, há uma extensa classe média baixa branca. Nestes estados, há tensão racial. Estes eleitores estão entre os que mais sofrem com a crise econômica. Seu primeiro impulso é votar contra o partido que está no governo. É neste contexto sutil que a propaganda republicana pergunta: ‘quem realmente é Barack Obama?’
♦ A campanha presidencial norte-americana é talvez a mais sofisticada que existe no mundo. Há muitos níveis de análise e mensagens são passadas para os espectadores (eleitores?) de muitas formas diferentes. Obama é considerado um dos maiores oradores da história recente norte-americana. No entanto, ninguém lembra – ou cita – seu discurso de aceitação da candidatura durante a Convenção Democrata. O discurso sobre o racismo dois meses antes é lembrado. Seu discurso de lançamento da campanha, em 2007, é citado. O na Alemanha? Inesquecível. Aquele que fez na Convenção de 2004 o transformou em candidato nesta eleição. Então por que um discurso apagado no pontapé inicial? Não foi sem querer.
♦ No momento em que deixou de disputar apenas os eleitores democratas e passou a buscar o eleitorado (mais difícil) de todo o país, a estratégia mudou. Passou a ser Obama, o pacato. Obama que passa férias de bermuda com as filhas no Havaí. Obama que passeia de bicicleta. Obama que não faz mais discursos apoteóticos. Obama não apresenta mais grandes teses a respeito dos EUA. Tem idéias normais e só fala de problemas comuns. Fala à classe média e só da classe média. E aparece muito com a família. O tempo todo com a família. Há um motivo: todo o esforço de campanha é voltado para fazer da família Obama uma família como todas as outras. Papai, mamãe, filhinhas. Desconte-se o Cosby Show, dos anos 1970, e os norte-americanos não estão habituados a ver uma família negra funcional. Este não é o estereótipo da típica família dos subúrbios com gramado à frente, jardim com churrasqueira atrás, cerca branca, casas todas iguais uma após a outra, crianças de bicicleta pelas ruas.
♦ A estratégia de ambos foi para um jogo em que terminariam empatados. A crise econômica repentina caiu dos céus para o democrata.
♦ Ainda assim, a verdadeira briga política neste momento não está sendo travada nos discursos ou propostas. Ela não é racional. É um jogo de percepção. E os republicanos seguirão perguntando: quem é realmente Barack Obama como se a pergunta fizesse algum sentido. E Obama seguirá agindo como se fosse o mais pacato e tranqüilo dos homens.
♦ Não é, repita-se, que todos os norte-americanos sejam racistas, muitos poucos o são. E o racismo não é aquele racismo de incendiar cruzes e vestir-se de KKK. Toda a campanha está voltada para o fiel da balança: o eleitor de classe média baixa, sem seguro de saúde, ameaçado por mais uma crise, com medo de perder seu emprego e que percebe o negro como um concorrente direto. Um estranho. Por enquanto, nesta disputa subliminar, os democratas estão vencendo.
♦ Em 2008, são 40 anos do assassinato de Martin Luther King. Outros 40 do assassinato de Bob Kennedy, principal articulador do fim das leis segregacionistas. E 45 do assassinato de Jack Kennedy, o presidente que tomou a decisão de enfrentá-las. Se Obama for eleito, a vitória será daqueles três. É porque o racismo declarado ou não já não tem mais força política nos EUA.
∞ Se esta campanha presidencial tem a ver com raça? Ela é só raça.
Ainda sobre o assunto:
- Quem é e o que pensa Barack Obama? Saiu hoje, no Estadão, um longo perfil que escrevi do candidato democrata à presidência dos EUA: Quando, anos mais tarde,...
- Eleições EUA: Quem define o que se discute
na campanha? John McCain, não Obama ♦ Há um fenômeno interessante ocorrendo na campanha eleitoral norte-americana. Os democratas têm todas suas armas voltadas contra Sarah Palin.... - Eleições EUA: Quem é mesmo esse tal de Zapatero? ♦ Não há momento mais intrigante, no dia de ontem, do que a entrevista concedida por John McCain à repórter...
- Obama 338 x 156 McCain
A corrida até 270
(Barack Obama é o novo presidente dos EUA) 3h17. Obama: Hello Chicago! Há alguém ainda duvida que a América é um lugar no qual tudo é possível? Que... - Eleições EUA: Obama 10 pontos à frente Edição 21 | quarta-feira, 15 – No debate de hoje à noite, último desta eleição norte-americana, John McCain promete...



Se no Brasil um candidato branco dissesse que ia “acoitar” (ou “chibatar”) a bunda do candidato negro ia ser um deus nos acuda. Referencias a escravidao, postes, pelourinhos… Convenhamos, McCain foi infeliz na escolha de palavras…
Sinto que esse fio aqui vai dar trabalho e vais ter gente dizendo besteiras puníveis pela Afonso Arinos.
PD, discordo da sua afirmativa, “poucos americanos são racistas”. Ou então peço uma complementação. Se você considerar que racismo é necessariamente uma visão NEGATIVA do Outro baseada em preconceitos sustentados no seu fenótipo, então podemos dizer que nem todos os americanos são racistas. Mas se considerarmos que o racismo é a visão pré-conceituosa (vou dar uma de Barthes para deixar a idéia mais nítida) do Outro baseada numa suposição de que pessoas que possuem mesmo fenótipo possuem também determinadas características psicológicas, então quase TODOS os americanos são racistas. Ficam pouquíssimos de fora.
Explicando ainda mais. Se tomarmos por exemplo a “Négritude” de Senghor e Césaire. Até Sartre reconheceu o racismo da Négritude. Ele disse que era positivo, mas isso de racismo positivo não existe. Foi isso sim, terrivelmente redutor, estupidificante da população negra. Serviu bem no Senegal, o presidente, os governados, todos são “frères”. Vai nessa. Me engana que eu gosto.
Kwami Apiah propõe que se utilize a palavra racialista para nomear essa atitude de “racismo positiva”. Eu sou contra, sempre é uma discriminação. Atletas e cantores de jazz têm que ser negros, bailarinas clássicas, matemáticos brancos, artesãos e trabalho de precisão chineses, comércio é gênio de árabes variados e cinema e violino só sendo judeu.
O que sobra para nós, mestiços do Novo Mundo? Aliás os americanos correm, quase todos, atrás de pureza racial, coisa que não existe em nenhum lugar do mundo. O que é um branco europeu? Um negro africano? Um magrebino? Um chinês? Os fluxos migratórios, desde a pré-história misturam gente.
Raça não existe como realidade biológica. Foi uma invenção desgraçada reforçada pelo colonialismo.
Por isso acho que ou se diz que a maioria dos americanos é racista, ou se diz que a maioria dos americanos é racialista (mesmo que eu não concorde com a existência dessa coisa de racialismo).
Ah, esses torcedores de hockey, esses torcedores do Philadelphia Flyers. São todos uns esquerdistas-comunistas-fdp. O Wachovia Center não poderia receber esses esquerdopatas. rsrs
Me lembrei do Lulinha no Pan do Rio.
Pedro Doria, bom dia, boa tarde de onde estou…
O que eu quero saber mesmo é o seguinte: o filtro que a polícia da Inglaterra mostra nas filmagens para evitar que se mostre dentro das casas tal é a quantidade e a cobertura destas, é este um filtro pré ou pós-gravação? Digo: as imagens são capturadas sem filtro e depois aplicado o filtro na hora de visualizar ou as imagens já são capturadas com o “blurred” no lugar do interior das casas?
Imagina que material não tem a policia inglesa, caso o filtro seja pós-filmagem?? Que perigo ao direito à privacidade, he??
abs
Mario
Baxt (1)-Talvez não, os americanos sempre falam coisas assim, tipo “kick ass”. Não tive a impressão de racismo, pareceu mais com um “vou ser agressivo no debate”.
Mas não ponho a mão no fogo, não estou imerso no contexto deles. Nem conheço o MacCain. E realmente dá margem a mais de uma interpretação.
http://www.youtube.com/watch?v=kputKjS2HLk
Se acontecesse com a Sarah Palin o que aconteceu com a garota do vídeo acima, o McCain teria um ataque do coração. Vexame maior, impossível.
Memento
parabéns pela fundamentalização dos seus argumentos. Não tenho a mesma profundidade, confio em que estejas bem fundamentado pois concordo contigo, pelos argumentos que explanou e pela forma que descreveu. Ou, como dizía Sartre: “o inferno são os outros!”!
abs
Mario Nobre
Fundamentada, Mário, fundamentada. É meu hobby o estudo dessas questões. E me assusta porque a sociedade brasileira está comprando o “pacote racial USA”. Essa fragmentação no nível da ficção da raça esconde a verdadeira fragmentação social que é classial. René Depestre em um antigo ensaio, chamado Bom dia e Adeus Négritude (http://www.ufrgs.br/cdrom/depestre/depestre.pdf) fala muito bem desse e de outros problemas relacionados à questão.
Gosto muito de recomendar um curta da Aza Pinho (afilhada do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil), Aristocrata Clube, como um belo exemplo dos equívocos desse entendimento da realidade. O filme mostra muito bem, de forma claríssima, como naquele, como em muitos outros, não se trata, nem nunca se tratou, de buscar melhores condições de vida para negros abstratos, mas de conseguir inserção social para a classe média de cor negra em ascensão. Assim, a geração dos pais cria um clube para permitir que essa classe média tenha uma vida social equivalente à da classe média paulista. Os filhos, num momento posterior, onde as barreiras que prevaleciam já não existem, deixam o clube abandonado, uma imensa área no coração de uma favela, onde a maioria esmagadora dos moradores é de negros e pardos. No terreno, quadras, campo de futebol, e piscina. Se estivessem realmente preocupados com os “irmãos de negritude” o lógico seria que utilizassem aquele clube para ajudar a inserir na sociedade seus irmãos pobres. Mas aí, aí vem a realidade nua e crua, das classes sociais e os negros da favela não são talvez tão negros e não despertam nenhuma simpatia.
O preconceito existe sim, a discriminação também, mas o pacote USA de tratamento do problema racial não colabora em nada para a resolução do problema. Parece muito com a piada clássica do sujeito que se mija todo às 11 da manhã. Antes ele ficava chateado e envergonhado. Depois da terapia ele continuava se mijando todo, mas já nem liga…
“Não é, repita-se, que todos os norte-americanos sejam racistas, muitos poucos o são.”
Caro PD, você, como jornalista bem informado que é, sabe pefeitamente que tal afirmação não passa de puro, simples e descabido otimismo (em português, wishful thinking).
O racismo está entranhado no cerne do estadunidense típico (wasp), talvez e exatamente porque ele, pelo menos em cor da pele, torna-se cada vez menos típico, visto que negros e “latinos” (estes, curiosamente, em sua maioria americanos nativos, isto é, descendentes de povos pré-colombianos, mas isto é demais para um redneck entender) caminham para ser maioria.
Tal racismo está presente desde a sofisticada NY, onde a polícia do Giuliani atirava em negros antes de fazer perguntas (nunca o fizeram com um branco) até, claro, o meio-oeste, o extremo norte e o deep south, onde ele não precisa de disfarces.
Você, caro PD, sabe disso melhor do que eu, portanto, ao dizer que pouquíssimos estadunidenses são racistas, está nos passando, deliberadamente ou uma informação falsa ou um ardoroso desejo sub-consciente, nobre, é verdade, mas inconsistente como qualquer sonho.
;-)
Essa é uma campanha “no pleito e na raça”…
Muitos aqui já devem ter lido, inclusive nosso maestro PD, os livros “A guerra contra os fracos” e “A IBM e o Holocausto”. Muitos outros já foram escritos sobre o assunto, mas estes dois foram os traduzidos para o português. Neles, o autor, Edwin Black, estadunidense, judeu, descendente de sobreviventes do Holocausto, com todas as fontes exaustivamente documentadas, conta como os EUA criaram a idéia de eugenia, da super-raça nórdica, das sub-raças incapazes de serem recuperadas (leia-se: todos que não fossem da super-raça nórdica). Como começaram a por em prática tais idéias, com leis restritivas de casamento e esterilização forçada. Como utilizaram membros da sub-raça (leia-se: negros) em experiências “científicas” como cobaias condenadas até, pelo menos, a década de 1970. Como exportaram tais idéias para a Alemanha, encontrando lá um adepto fervoroso (precisa dizer quem foi?). Como financiaram as mesmas pesquisas “científicas” na Alemanha e informatizaram a SS e os campos de concentração do citado adepto fervoroso, então já o Fuehrer de plenos poderes. Este é o país que, por milagre visto apenas pelos que querem ver, tornou-se o paraíso da igualdade racial.
E a Marta insinuando que o Kassab é veado?
Joao Daltro,
Explica aqui pra gente qual o seu intuito de classificar o Edwin Black como judeu ? Sera’ que agora deveriamos nos referir a voce como Joao Daltro, catolico (supondo que voce o seja…) ?
O Nobel de Economia foi para o Paul Krugman.
Aquele mesmo mesmo que escreve no órgão oficial do Partido Comunista Americano, o The New York Times…
:-)))
Terminando de expressar meu espanto com filadélfia racial (filadélfia no seu significado grego) que os EUA se tornou, segundo o PD. No interessante texto com que ele nos apresenta o tópico, diz a última frase, traduzindo corretamente o aspecto atual da campanha: “Se esta campanha presidencial tem a ver com raça? Ela é só raça.”
Ora se ” Não é, repita-se, que todos os norte-americanos sejam racistas, muitos poucos o são.”, qual seria a razão de a campanha ter-se tornado “só raça”? Querer perturbar a fraternidade racial fulgurante que brilha luminosa da pontinha do Maine até San Diego, da pontinha do estado de Washington do Bill Gates à pontinha da Flórida do Jeb Busha? Ou será que o apelo ao racismo é tudo o que restou aos republicanos, agora finalmente atingidos pela herança maldita da economia bushesca?
Sim, a crise econômica caiu dos céus (melhor seria dizer, caiu da “sabedoria” econômica Reagan-Tatcher-Bushes) no colo dos democratas. A única chance de reverter é apelar para… o racismo. Sim, os comerciais republicanos insistem que Obama “não é um de nós”. Ele é africano (leia-se: negro), é muçulmano (a religião que o ativismo negro estadunidense adotara para marcar sua diferença; então, leia-se de novo: negro), não é americano (leia-se: branco).
Em recente comício de McCain na Flórida, um participante (que não é racista, segundo o PD) gritou a solução para o Obama: “Matem o cara!”, e foi aplaudido. Outro, no mesmo comício, animadinho (mas não racista, segundo o PD), insultou um cinegrafista negro que filmava a cena e foi aplaudido. Um deputado negro de Maryland disse depois, em entrevista ao NY Times, ter ficado surpreendido porque nem McCain nem Palin criticaram tal procedimento, seja no citado comício, seja depois. Criticar como, cara não-pálida, se esse é o possível mapa da mina? Para que cruzes e capuzes, se um bom rifle de mira telescópica se compra em qualquer WalMart da esquina?
Caro RW em Miami.
Eu não “classifiquei” o Edwin Black, eu apenas lembrei que ele é judeu e descendente de vítimas do Holocausto para que não pensassem que estava citando um desses malucos nazistóides que negam o Holocausto e tentam relativizar a culpa do nazismo.
Gerson (5). Nao faco ideia se ele quis dizer alguma coisa “a mais” com o “whip”. So me ocorreu que no Brasil nego faria um escandalo com isso. Pessoalmente, acho que ele podia ter dito “kick his ass,” seria agressivo sem a dupla interpretacao.
Mas enfim, acho que eu fui a unica pessoa a ter feito essa associacao, entao tudo bem :)
Evidente, caros companheiros de palpite, que a escolha da palavra “whip” foi intencional. O chicote sempre foi o símbolo máximo da relação senhor/escravo, ou seja, no contexto estadunidense, branco/negro. Este “whip” há de valer uns bons votos para vovô McCain, o arauto da economia sólida, agora que tal solidez revelou-se tão ilusória como o sonho de que o estadunidense não é racista.
(em português, wishful thinking).
chest :)
Memento, João Daltro, o único objetivo de eu ter dito que a maioria dos norte-americanos não são racistas foi para evitar um levante desnecessário, e tentar me livrar de uma generalização.
Aconteceu o contrário.
Vcs têm toda razão quando dizem que é tudo empírico. Como contar exatamente quantos são racistas numa sociedade? E como mensurar o nível de racismo? E como distingüir entre racismo negativo e positivo? A idéia não era escrever um tratado sobre o tema. (Eu nem teria competência para isso.)
O objetivo era outro. No último post, houve uma longa discussão a respeito de se havia racismo ou não, se se raça era um fator importante nesta campanha política. Eu acho que é. E mais: ambas as campanhas sabem disto e estão trabalhando o tema, não no nível do discurso aberto, mas as armas que a propaganda tem para falar indiretamente do assunto.
Meu único objetivo era mostrar como isso se dá =)
Baxt, a referência à chibata pega realmente mal em português. Mas não creio que tenha a mesma conotação racial em inglês dos EUA. Ao menos, ontem à noite, sequer me passou pela cabeça essa idéia.
Vou perguntar por aqui e digo.
Estou com o Daltro. Certas palavras são na melhor das hipóteses (ou pior???) atos falhos.
O maior desafio de Obama, no campo das relações raciais nos EUA vai ser superar essas barreiras que esfacelam-na e a transformam num campo de batalha sempre pronto para explodir.
PD, o mundo todo antenado pouca coisa mais, está sabendo desse problema racial na campanha. Saiu um artigo do Halimi, acho sobre isso no Le Monde Diplomatique. Não tenho certeza se é do Halimi, mas saiu um bom artigo. Estamos acompanhando, nada do que aconteça fica sem repercussão por aqui e essa questão tem que ser vigiada de perto.
Não estou achando ruim, estou pedindo complementação. e andei contribuindo para isso :-))). Entendi muito bem no que você estava pensando quando escreveu aquilo. Ser chamado de antiamericano, racista, anti-semita, comunista e fascista é a coisa mais corriqueira por aqui. Como não estou preocupada com isso, meti meu bedelhinho.
Quanto ao racismo, disse que acho que é um fenômeno asqueroso e não há nenhuma possibilidade dele ser positivo. Qual a positividade de um militante do movimento negro me negar um panfleto em uma passeata e me virar a cara? Mistério. Podemos discutir isso uma outra ocasião, especialmente para isso.
para saber se os americanos são racistas, poder-se-ia começar perguntando aos negros o que acham dos brancos. Seria engraçado. 100% de racismo.
Chester, você sabe o que os africanos pensavam dos brancos na época do comércio de escravos? Que os brancos eram canibais. Que comiam gente. Era uma explicação possível para a quantidade de gente que eles levavam embora.
Os persas diziam que os cristãos roubavam mulheres e faziam comércio de escravas.
Os muçulmanos diziam que os zoroastristas eram bruxos perigosos. Etc… etc…
Ação e reação. Só saber o que os negros americanos pensam dos brancos é pouco. O que deve ser feito é procurar se informar sobre a razão. O caminho certamente não é alimentar ressentimento.
Por isso é que um dos melhores livros de Sinclair Lewis apanhou de todos os lados.
Carlos Lacerda, governador do extinto Estado da Guanabara, disse uma vez: “Eu mudo de idéia sempre que encontro uma melhor do que a minha”. A frase esperta ganhou uma versão popular também atribuída a ele: “Quem tem idéia fixa é louco”.
Ora, mas por que resgato Lacerda? Para falar mal de Eduardo Paes, candidato do PMDB a prefeito do Rio.
Nada demais que Paes tenha pedido desculpas a Lula por chamá-lo de “líder da quadrilha” do mensalão. Na época, era deputado federal do PSDB e membro da CPI que investigou o escândalo.
Nascera para a política na escolinha do professor Cesar Maia. Saltara do PV para o PFL e PTB. Mais tarde, por seu desassombro cívico, foi promovido a secretário-geral do PSDB. Aderiu ao PMDB quando vislumbrou a chance de ser candidato a prefeito do Rio com o apoio do governador Sérgio Cabral.
Ao concluir que fora injusto com Lula, tinha mais era que pedir desculpas. Sabe como é: no calor de uma discussão dizemos coisas das quais nos arrependemos depois. Acontece no âmbito das melhores famílias.
Paes foi um dos poucos políticos que tentaram envolver Lulinha, filho de Lula, com a operação de compra e venda de votos montada pela cúpula do PT. Uma vez que nada restou provado contra Lulinha, seria compreensível que remetesse à mãe dele, dona Maria Letícia, uma carta de retratação. Sabe como é mãe…
O comportamento de Paes só é censurável à luz da oportunidade – ou do oportunismo se preferirem. E é isso que faz toda a diferença.
O mensalão foi denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson no dia 6 de junho de 2005 – lá se vão três anos, quatro meses e alguns dias.
Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal indiciou 40 pessoas acusadas de fazerem parte da “sofisticada organização criminosa” que quis se apossar de parte do aparelho do Estado. Lula não foi denunciado. Tampouco Lulinha.
Quer dizer: Paes teve tempo de sobra para pedir perdão a Lula, Lulinha e a dona Marisa Letícia. Por que só o fez na semana passada? Por que só agora quando corre o risco de ser derrotado por Fernando Gabeira (PV) no segundo turno da eleição para prefeito do Rio?
Na verdade, o pedido de desculpas e a carta enviada a dona Marisa Letícia foram o preço pago de bom grado por Paes para poder posar alegre ao lado de um Lula visivelmente constrangido. E para que Lula gravasse um vídeo onde cobra votos para ele.
Depois de ter sido humilhado, e de ter-se deixado humilhar, Paes protagonizou um memorável show de cinismo. “Se enviei carta a alguém, é carta pessoal”, esquivou-se. “Não teve nenhum pedido de desculpa”. E por fim “Ninguém quer surfar na popularidade do presidente. Ninguém tem a ilusão de que a população é gado e nem massa de manobra”.
Menos, Paes! Mais respeito à inteligência alheia! Se não lhe interessa tirar proveito da popularidade de Lula por que a foto sorridente ao lado dele e de Cabral? E por que o vídeo?
A eleição carioca está indefinida. A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha registrou empate técnico entre Paes e Gabeira com uma minúscula vantagem em favor do último.
Continua de pé a receita infalível do ex-governador Leonel Brizola para se ganhar eleição majoritária no Rio: atraia mais votos na zona oeste e perca de pouco na zona sul.
Paes investe pesado na zona sul, onde Gabeira lhe roubou votos. A zona oeste parece menos refratária a Gabeira do que ele imaginava embora mais receptiva a Paes.
Com 38 anos, Paes foi a novidade do primeiro turno da eleição. A novidade do segundo é Gabeira com 67 anos. Paes saiu na boa da direita para a esquerda. Gabeira ficou mais ou menos onde sempre esteve. A direita foi que se mexeu na direção dele.
Convencido da derrota de Marta Suplicy (PT) em São Paulo, Lula quer fingir que ganhou no Rio se Paes de fato ganhar. Se der Gabeira, José Serra, aspirante à vaga de Lula, dirá – e com razão - que venceu no Rio e em São Paulo.
(Em tempo: espero que Paes não se sinta ofendido com o comentário acima. Se eu concluir que fui injusto com ele, daqui a três ou quatro anos lhe pedirei desculpas.)
Memento, os maiores traficantes de escravos negros eram os árabes. Que tambem assaltavam cidades costeiras no Mar Mediterraneo, onde (até hoje) raptavam mulheres brancas para vender aos harens do oriente.
Ler mulher defendendo árabes, ´persae e islamitas me lembra a piada:
Perguntam ao velho árabe porque não deixam mulheres dirigir..
-mas não é nada demais, há uma boa explicação. Por causa da Burka elas não conseguem ver direito……toing
Memento,
Boas intervenções. Gostaria da indicação do livro do Lewis.
Concordo em gênero, número e grau sobre a praga do cotismo. Aqui em minha universidade estamos numa lide dura, mas sou pessimista.
Eu gosto muito de um livro da Célia Mara Marinho de Azevedo sobre os paradoxos do anti-racismo, onde ela prefere o termo racialismo, não para se referir às atitudes cotidianas, mas para se referir aos que ainda usam a categoria de raça, mesmo que para denunciar o racismo. Eis porque eu fico com um pé atrás para falar que todo americano é racista, mesmo que quase todos se refiram à categoria racial. Não tenho certeza se, nesse sentido, no nosso Brasil não encontraríamos o mesmo “racismo”. Racismo é um pouco (ou muito) mais do que identificar raças, mas discriminar com base nisso. E parece que nos EUA isso está mudando. Claro que há uma base social ainda racista no sentido tradicional. Mas ha algo mudando: um negro como Obama, que seria um “pardo” segundo o IBGE, não é mal visto por ser fruto de uma união “inter-racial”, o que seria um anátema e uma chaga há duas décadas. O mesmo ocorre com Tiger Woods. Quem anda pelas grandes cidades norte-americanas vê muitos casais que eles chamam “inter-étnicos”, algo também impensável, ou ao menos discriminado, há alguns anos.
Enfim, é justamente por ver essa alteração do comportamento, sem negar a permanência de focos fortes do racismo (incluindo entre negros), que me deprime essa onda ultrapassada por aqui de cotas e políticas de identidade.
Chesterix:
Até hoje os Sarracenos fazem razias no litoral mediterrâneo atrás de escravas brancas?!
O que você tomou no seu café da manhã, meu caro?
Depois, não dá para entender sua referência aos traficantes árabes numa discussão sobre o racismo nos EUA.
Os árabes, que todos sabem, nos séculos 18 e 19 possuíam a maior e mais eficiente frota de navios do mundo, cruzaram o Atlântico com moura persistência, enchendo as plantations lá de cima e nosso canaviais aqui de baixo com milhares de negros. No intervalo, davam um pulinho na Riviera francesa, italiana, espanhola e roubavam mulheres (dispensavam as ingleses, sinal, pelo menos, de que tinham bom gosto).
Há, há, há. Sabe-se que o único livro que George W. Bush leu foi a história ilustrada de uma lagartinha. Agora sei o que seus seguidores leem: Edgar Rice Burroughs, Emilio Salgari, Henry Haggard. E acreditam…
“Em 2008, são 40 anos do assassinato de Martin Luther King. Outros 40 do assassinato de Bob Kennedy”
Na verdade, são os mesmos 40 anos, não? Do contrário, fica parecendo que são 80.
Bingo. Aquele anti-semita que foi na Fox News durante um programa inteiro do Sean Hannity é justamente a origem dos falsos rumores sobre Obama, desde 2004.
http://www.nytimes.com/2008/10/13/us/politics/13martin.html?_r=1&ei=5070&emc=eta1&oref=slogin
DEVER DA RESISTÊNCIA
Inserção do PT na TV indaga se o prefeito Gilberto Kassab é casado e tem filhos. A cidade inteira sabe que a resposta é “não” e “não”. Então por que a pergunta? É óbvio que se tenta fazer um questionamento sub-reptício, covarde como sói na turma, sobre a sua sexualidade, que não interessa a ninguém, a não ser a ele próprio. Seria ridículo sustentar isso ou aquilo, asseverar esta ou aquela condição. Corresponderia a fazer o jogo da canalha que tenta transformar preconceitos em escolha política.
E se ele fosse gay? Isso o impediria de ser o grande prefeito que é? O PT chafurda na lama, na propaganda mais odienta, na escolha mais desprezível, na discriminação mais asquerosa. Ao mesmo tempo em que assim procede, tenta criminalizar o DEM, como se o partido não tivesse direito de existir. É o fim da linha. No partido de Celso Daniel, de Santo André, e de Toninho do PT, de Campinas, tudo é permitido, tudo vale, tudo pode. Eis a campanha que está sob o gerenciamento de Gilberto Carvalho, braço direito de Lula — o mesmo Carvalho que era braço direito de… Celso Daniel.
Alguém poderia indagar: “Mas a própria Marta não foi vítima de preconceito por ter-se separado de Eduardo Suplicy e casado com o argentino Felipe Belisário Wermus?” Eu acho que sim. Já escrevi isso aqui. E também observei à época que seus acertos e seus erros nada tinham a ver com a sua opção. Mas há algumas diferenças aí. Quem levou o drama de alcova do trio para a praça pública foi um dos vértices do triângulo: o marido agravado. Ninguém foi escarafunchar a vida de Marta ou perguntar se ela primeiro se divorciou para, então, ficar com seu novo amor. Mais: Belisário Wermus, que prefere ser chamado de Luís Favre, fez questão se tornar uma espécie de assessor especial de marta e de participar do debate público brasileiro. Kassab não ofereceu a sua vida privada ao escrutínio de ninguém.
Muitos dirão que este texto não deixa de ser conseqüência da estratégia vil do petismo. Errado. A questão está dada. Recebi ontem oito telefonemas de amigos — dois deles de esquerda, eleitores (serão ainda?) de Marta — que estão absolutamente enojados. Os leitores começaram a comentar no blog antes mesmo que eu escrevesse qualquer coisa a respeito. A campanha de Marta comete uma dupla canalhice ética.
A primeira, evidentemente, é especular, sem que lhe tenha sido dada licença, sobre a condição sexual de alguém, o que é inaceitável; a segunda é sugerir que, se fosse verdadeira a ilação, seria uma mácula. Não! Kassab, acreditem, não está sendo pessoalmente atingido. Mas todos os gays do país estão. Marta quer lhes cassar a cidadania com uma campanha covarde e homofóbica, que nem mesmo ousa dizer seu nome. Justo ela, que iniciou a sua carreira política fazendo proselitismo entre os homossexuais. Mais uma farsa se revela — ou uma “bravata”, para usar expressão do presidente Lula: os gays serviram para dar visibilidade a Marta Suplicy. Agora, se preciso, ela os manda para a fogueira para conquistar os votos evangélicos. Foram usados e agora são jogados fora. No PT, vale tudo para se eleger. Sempre valeu.
No dia 10 de julho de 2006, o jornal O Globo registrava uma fala emblemática. Indagaram a Marco Aurélio Top Top Garcia, então presidente interino do PT, se não era constrangedor para Lula dividir o palanque com mensaleiros. Sabem o que ele respondeu? “Constrangedor é não ter voto”. É o vale-tudo.
Vão silenciar?
Imaginem se um partido considerado “de direita” pela imprensa fizesse com um petista o que a campanha do PT fez ontem com o dito “conservador” Kassab? Vocês já imaginaram a reação da imprensa e das falanges do politicamente correto? Maria Rita Kehl escreveria, claro, um artigo indignadíssimo, mostrando quão suja pode ser a direita… Mas, desta feita, o silêncio deve gritar a pusilanimidade dessa gente. Porque eles não só tem o monopólio da representação de supostas minorias, como também reivindicam o direito de discriminá-las se isso for útil à sua causa. Aliás, em matéria de preconceito, Marta está se tornando um caso de estudo. Ontem, no debate da Band, só faltou pedir que declarem a ilegalidade do DEM (comento num post abaixo).
Por quê?
Vocês viram que a capa de O País dos Petralhas abre este texto. É que essa gente está devidamente caracterizada no livro. Eis os petralhas. Meus leitores sabem da minha indisposição com o que chamo de “minorias profissionais” — sejam gays, pretos, gordos, míopes, magros, mancos, heteros, belos, sei lá o quê. Só indivíduos me interessam. Na sua particularidade.
E, já escrevi aqui, pouco me importa o que fazem na cama desde que as práticas sejam consensuais e excluam crianças e bichos. Não é problema meu. Meus amigos são testemunhas de que jamais comento minha vida privada, por mais próximos que sejam. Nunca! Para lhes salvar a vida, se preciso, dou um rim. Mas não me peçam segredos de alcova. E também não abro espaço para que me contem suas aventuras. Fazer o quê? Sou assim. Quando Lula exaltou a sua virilidade com a Galega logo na primeira noite, quase vomitei. Sou do tipo que transforma, sempre que possível, palavras em imagens… Calculem, então, o que penso da possibilidade de o estado ou um partido tentarem legislar sobre individualidades. Essa é uma prática muito comum do nosso tempo, a que aderiram as esquerdas, agora que não podem mais fazer revolução: politizam o desejo, os anseios, as frustrações de grupos… Tenho horror a esses bandos de discriminados profissionais, escravos das próprias frustrações. E, claro, diz a canalha: “Reacionário!” Eu???
Não! Reacionária é Marta Suplicy. Ela, sim, sob o pretexto de respeitar minorias — de quem queria o voto —, avança, sem qualquer respeito ou pudor, sobre a vida privada de um ndivíduo que nada lhe deve, tampouco explicações.
E concluo
Há questões que são estritamente privadas. E outras têm interesse público. Eu não quero saber se Marta namorou Belisário Wermus só depois de se separar de Suplicy. Aliás, eis outro triângulo amoroso que me embrulha o estômago. Suplicy tratou muito do assunto. Marta falou a respeito num livreco que circula por aí. Eles é que são desabridos. Agora, saber qual é a fonte de renda de Belisário pode ser do interesse da coletividade. O homem é uma figura bastante presente na vida pública brasileira, não? Ele vive mesmo do quê? Quando trabalhava para Duda Mendonça, qual era mesmo a sua especialidade?
Entendo por que O País dos Petralhas está em todas as listas dos livros mais vendidos do país. Lê-lo está se transformando numa espécie de sinal de resistência. Uma resistência não-partidária. Uma resistência cidadã. Uma resistência em nome da civilidade.
Putz, agora temos que aguentar textos do Reinaldinho Azevedo.
Este último parágrafo, é de rolar de rir.
O Reinaldo se auto bajulando. É ridiculo demais.
Eu pensei que o assunto aqui fossem as eleições nos EUA, não no Brasil. Caríssimos diritistas, há um tópico “faits divers” aberto, esbravejem por lá.
Pedro Doria,
Existe esse tipo de discussão aí entre os analistas?: a respeito da questão racial histórica, de preconceitos arraigados, de disputa de empregos na baixa classe média branca, enfim…? Essa analise muito profunda de uma questão que me parece bastante delicada (eu pergunto por que realmente estou desinformado a respeito).
-> Se existe eu fico feliz com o avanço do pensamento norte-americano que prega sempre “politicamente correto”.
PD, precisa fazer uma limpeza aqui nesse fio.
JP, já volto da padaria, deixo a indicação do livro e outras coisinhas tá? Se não for muita indiscrição, você poderia me dizer pelo menos se sua universidade é pública ou particular e em que unidade da federação ela se encontra? Para que eu possa localizar melhor o problema. As questões raciais são importantes para meu trabalho particular.
Se você não quiser responder alguma coisa aqui no blog, pode mandar pra meu email bloguístico: mementomemento@hotmail.com.
Chester, já volto, não fique alegrinho não!
Voltemos ao ponto que o sr. ainda não se pronunciou, Dória, sobre as mídias conservadoras que você nunca cita, embora tenham muito, mas muito mais audiência do que o NYTimes e a CNN juntas.
World Net Daily: 3 milhões de acesso diários e 4 milhões de revistas em todo os EUA;
Rush Limbaugh - 20 milhões de ouvintes diários;
NY Times: tiragem: 1,1 milhão; acesso ao site: 1,4 milhão;
CNN - 1,3 milhão de telespectadores.
Dito isto, vamos às perguntas:
Pergunta-se: quanto tempo conhece Sarah Palin?
R: Talvez um mês!
E Obama?
R: Dois anos, três.
Faltou perguntar: quantos escândalos o sr. conhece de Sarah Palin?
R: três: um sobre ela ter demetido um superior que se negava a demitir um policial que usava armas não-letais no filho de 11 anos. Outro, por ter uma filha mãe-solteira; e mais um sobre livros que ela teria banido e que se viu ser uma armação dos obamistas-democratas.
E quantos escândalos conhece sobre Obama? Pelo menos seis:
1) sobre um advogado membro do partido democrata, Philip Berg, que o acusa de exibir uma certidão de nascimento falsa e se negar a mostrar a original em juízo, usando de estratégias protelatórias;
2) outra dele ter compartilhado uma ONG em Chicago com Bill Ayers, terrorista do grupo Homem do tempo, embora ter negado que o conhecia intimanente, lançou a campanha ao senado na sala de estar de Ayers e ainda só arrumou emprego na ONG porque Ayers o indicou.
3) Obama teve como principal arrecadador de fundos para suas campanhas, o senhor Tony Rezko, que hoje se encontra preso acusado de 16 crimes. Tentou dizer que nunca compartilhou dos crimes de Rezko, que fora enganado pelo vigarista, mas hoje aparecem cartas que o Senador Barack enviou para as prefeituras solititando que avaliassem os empreendimentos imobiliários de Rezko. Mais a fundo, até a casa de Barack tem rolo reskiano e está sob investigação.
4) fanáticos religiosos, Jeremiah Wright e Louis Farrahkan, que compartilharam a mesma Igreja durante quase 20 anos com Barack e o primeiro o casou e batizou suas duas filhas.
5) Caso Odinga: Barack Hussein apoiou a campanha de Raila Odinga no Quênia, que perdeu a eleição e inicou uma guerra civil que matou milhares e o pessoal da sua guerrilha ainda queimou mulheres e crianças vivas numa Igreja.
6) Khalid Abdullah Tariq al-Mansour, mentor do grupo Panteras Negras e mentor e patrono de Obama em Harvard.
A questão que se impõe versa sobre o senso de proporção. Depois, qual a verdade sobre os relacionamentos de Barack e os senhores dos tópicos acima?
Agora, voltemos a pergunta: QUEM É BARACK OBAMA?
A torcida pro Barack tá te fazendo comer bola, Dória. Quero ver o que você vai alegar caso o McCain vença, já que aos seus leitores a informação é de que a eleição já está ganha, quando em verdade, está totalmente indecidida.
Não sei se percebes, mas o que está em jogo a tua credibilidade, que já não anda muito bem cotada depois que admiste que analisa a alma americana através de publicações inglesas…
Ainda em tempo: essa coisa de dizer que virou questão de raça é pura bobagem democrata, que sempre acha um ranço racista para proteger Barack.
Meter-se com criminosos é imoral, não racial…
PELA REVISAO DA ANISTIA, o programa On the Media da rádio pública fez uma matéria sobre o assunto. Num podcast recente da revista The New Yorker, o Chris Cillizza do Washington Post também falou sobre o assunto. Existe discussão sobre a questão racial e sobre sua sutileza na campanha, sim. Mas não é a discussão que aparece com mais freqüência, não.
O bom e velho Ronald, repetindo a mesma estratégia de antes: atribuir valor de verdade a um bando de suspeitas que não passam de baixaria torpe, efeito do desespero ultra-conservador com a liderança de Obama nas pesquisas.
E sabe o que acontece quando alguém lhe pede alguma espécie de confirmação ou evidência daquilo que ele está a acusar?
Ele apresenta artigos de colunistas conservadores — no melhor dos casos; no pior, apresenta sites de “investidores” — que não fazem mais do que levantar tais suspeitas!
É ou não é uma lógica argumentativa formidável?
(Já vi este filme antes. Sei como termina.)
ACT
Ronald, com informação, quantidade e qualidade não caminham juntos. O National Enquirer vende mais do que o New York Times também, o The Sun, na Inglaterra, vende mais que o Guardian e o The Times juntos e isso não faz do Sun melhor do que o Guardian ou o Times.
Leia meu post abaixo: eu digo claramente que, se as eleições fossem hoje, Obama venceria. Mas que isto pode mudar. Não me acuse de estar dizendo que tudo é definitivo porque não é o que estou dizendo. Vc que pula os trechos que quer ao não gostar dos fatos que lê.
Jeremiah Wright e Louis Farrahkan não dividem a mesma igreja, nem poderiam. Um é cristão, o outro muçulmano. Tony Rezko é um criminoso e ajudou Obama a angariar fundos. Todo político tem histórias semelhantes na carreira. McCain inclusive. Não há indício de que Obama tenha ganho dinheiro ilegalmente. Certidão de nascimento falsa? Amizade com radicais dos anos 60? Acho que não entendi exatamente qual a acusação. Tipo: e daí?
Só se conhecem três escândalos de Sarah Palin? É evidente. A conhecemos faz muito pouco tempo para que seu currículo tenha sido explorado o suficiente.
Os detratadores (não os críticos, que são outra coisa) de Obama parecem os negacionistas e os criacionistas. Têm uma fé profunda no que falam, apesar de serem rematadas besteiras, teorias conspiratórias cretinas levantadas por pessoas sem credibilidade, cuja única arma é a repetição incessante das mesmas “informações”, numa estratégia que visa vencer pelo cansaço e com duas táticas: fazer o acusado ter o ônus da inocência, e jogar com a idéia do “culpado por associação”.
A fé é tanta que sequer vêem as pesquisas e os analistas conservadores apontando como McCain está perdendo esta eleição.
De novo a velha história da certidão de nascimento falsa do Obama. Gente, se vocês acham que nós, da esquerda, somos imbecis, pelo menos livrem a cara das autoridades dos EUA. Se o Rupert Murdoch, australiano dono das mídias com miríficas audiências citadas, o rei da imprensa marrom (e não desse jornaleco desprezível que é o NY Times) teve de se naturalizar estadunidense para ser dono de TV por lá (é, isso que aqui vocês afirmam ser burrice de esquerdista lá é lei), será que as autoridades estadunidenses seriam tão displicentes a ponto de permitir que um estrangeiro seja candidato oficial a presidente da república? Se forem, por favor, me avisem, que eu me mudarei para lá, a fim de concorrer a um cargo de vereador naquela cidadeca em que a Palin foi prefeita. Só para assistir à anta voltar a sua toca… com o rabo entre as mui louvadas pernas (já que o cérebro não merece maiores admirações).
Dória, o NPR além de liberal, tem 22 milhões de ouvintes SEMANAIS.
O Rush Limbaugh tem 20 milhões de ouvintes DIÁRIOS! Mas é conservador, por isso você não o cita.
Depois, todos os escândalos que citei foram jogados por aí pela campanha da Hillary. E por incrível que pareça, estão todos sem respostas, os obamistas preferem falar em racismo a responder as ligações do ídolo com terroristas, escroques e lunáticos religiosos.
Clinton quase caiu num impeachment e todos aqui (acredito que você também) achavam um absurdo ele sofrer impedimento porque tinha tido relações sexuais com uma estagiária. Mas ignoravam um fato importante: ele havia mentido em juízo, perjúrio é crime.
Obama tem comitido, não perjúrio, mas a mentira todo santo dia. Primeiro disse que não tinha relações com Rezko, eis que já resta evidente suas ligações: cartas às prefeituras escritas por Obama solicitando audiências para Rezko; você diz que não há indícios de que Obama tenha se metido em ilicitudes, só demonstra o quão desinformado estás. Há sim uma acusação sobre a compra da casa de Obama ter sido irregular, já que foi feita com a ajuda do Rezko e seus trambiques.
Depois, Obama dizia que Bill Ayers era só um cara que morava no bairro dele. Eis que veio a tona o lançamento da campanha ao senado de Obama na sala de estar de Ayers e os documentos que provam que Obama foi contratado pela Ong através da indicação de Ayers.
Farrahkan não divide a Igreja com Wright, mas sim com Michael Pfleger, a quem Obama destiou 200 mil dólares de verbas federais.
Porém, o mais elementar escândalo, da certidão falsificada morreria com a simples apresentação da certidão original, mas obamistas preferem manter a dúvida protelando o processo. Ou são burros demais ou essa certidão original não existe. Veja que a esta altura, a dúvida é alimentada pela campanha de Obama, não mais pelo membro democrata - não republicano! - Philip Berg.
Por fim, não entendo o teu conceito de jornalismo, Dória. Pra você, um jornal ou radialista que tem no mínimo o triplo da audiência do mainstream media que você cita, não é levado em consideração quando se faz análises. Aí vem com essa coisa grotesca de qualidade x quantidade, como se a mídia conservadora não tivesse credibilidade.
Em outro post comentava as mesmas acusações e citei links. Acusaram-me da mesmíssima coisa, como se o WorldNetDaily ou o Townhall não fossem sérios. Refiz a postagem com links do mainstream media e sabe qual foi a resposta:
E daí, são só denúncias!
Quando você levanta denúncias contra a Palin ou essas coisas cretinas de que ela é burra, não é denúncia infundada, afinal você parte do princípio da presunção de legitimidade, não é mesmo?
Vale lembrar que o seu querido NY Times, que é sinônimo de qualidade, foi indicado em pesquisa que 70% dos seus leitores não acreditam no que lêem no jornal. Esta é a qualidade de que você fala?
Este viés obamista beira ao ridículo.
Até parece que o Dória tem que ser defendido, mas a questão é de bom senso e de ridículo:
“Quando você levanta denúncias contra a Palin ou essas coisas cretinas de que ela é burra, não é denúncia infundada, afinal você parte do princípio da presunção de legitimidade, não é mesmo?”
Palin não é burra. É ignorante e uma farsa. O vídeo da entrevista dele à CBS não é invenção, acusação ou algo assim. É fato. Tá lá para quem queira ver.
E o único dos escândalos com desfecho dessa campanha toda, curiosamente, é o relativo ao troopergate. É fato: a comissão de inquérito do Alasca confirmou que ela exerceu uma pressão indevida, por interesses pessoais, contra um funcionário público. Ponto.
João Paulo Rodrigues , não estou aqui a negar pesquisas. Ninguém sério o bastante aponta vitória de um ou outro como faz o Dória e agora ele mesmo desmente o que já escreveu.
Está tudo indefinido e pesquisa é pesquisa, tanto que se fosse infalível, o Gabeira não iria para o segundo turno e nem o Kassab levaria o primeiro turno em São Paulo.
Quando a coisa tá indefinida, ela está INDEFINIDA. Consegue entender isso? Ou tá difícil?
Obama pode, SIM, ser eleito presidente. Mas não restariam dúvidas que seria um vexame após todas essas SÉRIAS denúncias que têm sim FUNDAMENTOS.
Ronald, eu cito a Economist a toda hora e não porque é conservadora. Porque é uma excelente revista.
Não cito Rush Limbaugh porque ele não está no negócio de informar, está no negócio de propaganda de idéias. Está no negócio do entretenimento. Não me importa quantos ouvintes tem. Sei que tem influência política. Limbaugh merece ser analisado mas não tem qualquer credibilidade.
Perdoe-me mas quantidade de ouvintes não faz, nem jamais fez, qualidade de informação. Estes são os meus critérios.
(Diga-se, também não cito o DailyKos, porque aprendi, da maneira mais difícil, que não é confiável.)
Ronald, na sua insensatez, decidiu dizer que eu afirmei que Obama vencerá.
Jamais fiz esta afirmação. Indico os números das pesquisas sempre e com as ressalvas que cabem.
Não estou no ramo da invenção ou da adequação dos fatos à verdade que desejo esprimir. Posso errar – e erro um bocado – mas tento ser o mais honesto possível e busco informação de fontes confiáveis.
Se você considera Rush Limbaugh confiável e o New York Times fajuto, companheiro, o problema é entre você e sua vontade de ouvir apenas o que quer.
Oi Pedro,
Acho que vc quis dizer John, e não Jack Kennedy no último parágrafo…
João Paulo Rodrigues, o tropergate é uma farsa. Palin demitiu Walt Monegan porque este se negou a demitir o trooper Mike Wooten. Este era acusado de usar armas não-letais no filho de 11 anos, além de dirigir viaturas bêbado e com latas de cerveja dentro. Atualmente, a comissão que investiga o caso já aceitou a primeira denúncia (usar um Taser no filho de 11 anos) e ainda não há provas das outras (dirigir bêbado).
Você aceita um candidato que nos últimos vinte anos se envolveu com pessoas da pior espécie (terroristas, fanáticos-religiosos e trambiqueiros sírios), mas não admite uma vice-presidente que tenha demitido um cara que usava armas não-letais no filho de 11 anos, só porque ele era seu ex-cunhado. Que escândalo, não?
+++++++++++++++++
Dória - não citei o DailyKos, mas, sim, o WorldNetDaily e o Townhall, e ainda a NewsMax em outra oportunidade. Acho que para entender os americanos é necessário saber o que eles costumam ler - e as mídias conservadoras têm mais audiência. Além disso, tem aquela regrinha de ouvir os dois lados no jornalismo, que você não está seguindo - pouve somente o lado pró-Obama.
Depois, falamos do NY Times, o jornal que escondeu o massacre ucraniano com reportagens forjadas. Ou então das reportagens de Walter Duranty que jurava que Fidel era amigo dos EUA; ou então àquelas famosas fotos de um palestino sendo agredido por judeus que depois foi descoberto que, em verdade, era justamente ao contrário.
Definitivamente a tua fonte é de boa qualidade, Dória!
Mas, uma questão não me foge à cabeça: Você não consegue ler um jornal conservador e depois um left liberal e chegar a uma conclusão para opinar? Tem mesmo que sempre se apoiar numa ou noutra matéria ou colunista para sustentar o que fala?
Sem dizer que voltamos àquela regrinha do jornalismo de ouvir os dois lados que você insiste em transgredir…
Dória, não apele.
1) basta ler teus textos e verificar que o fato, para você, é que Obama tem uma larga vantagem e que dificilmente McCain reverte tal vantagem. Ou seja: é razoável concluir que a você, dificilmente McCain vence Obama.
2) endoçou essa bobagem de que Palin é burra.
3) TALVEZ O MAIS IMPORTANTE: em nenhum momento estou aqui a defender se Limbaugh é ou não confiável, mas que para 20 milhões de americanos que o ouve diariamente, talvez ele seja, nõa é mesmo?
Credibilidade não é o forte do NY Times, e você sabe bem disso. Se a você não é o forte do Limbaugh, então a coisa empata. Só que você escolhe o caminho do left liberal, aí é fácil entender porque não cita jornais consevadores como o WorldNetDaily (que, aliás, denunciou e provou muitas safadezas jornalistas nos último anos) e o TownHall, que não têm nenhuma mácula em suas credibilidades.
O fato é: você só ouve um lado e isto é um atentado à credibilidade jornalística.
Ronald, você mora ou é eleitor nos EUA?
Ainda não consegui entender tanto ardor usado nesse debate se um não vive lá nem é cidadão americano. O que vai mudar a política externa americana não é o candidato,mas a falta de recursos faraminosos para gastar em expedições militares. Periga deles virem prá cá porque é mais perto. Se eles verem de bicicleta, para economizar combustível, dá tempo de fazer estilingue prá atirar mamona verde neles.
JP, o livro de Lewis é O nobre Senhor Kingsblood. Encontrei há meio lustro em um sebo na Marechal Floriano ali pela altura do Café Capital, tomo um tomo dois tomo três. Pela quantidade de volumes por lá suponho que não vendeu nada e puseram pra cantar no sebo.
Ronald,
Eu não disse apenas “ora, são só denúncias”, quando vc levantou estes mesmos ataques num post passado.
O que eu disse foi que:
1. O ônus da prova cabe a quem acusa. Num regime democrático, é assim que funciona. Portanto, se Obama é mesmo este monstro-terrorista-bicho-papão, quem tem que prová-lo são vcs, ultra-conservadores.
2. Uma pessoa é inocente até que se prove o contrário. Permita-me lembrá-lo mais uma vez que, numa democracia, é assim que funciona.
3. Quando questionado sobre provas ou evidências que corroboravam suas afirmações, o que vc fez? Apresentou fontes exclusivamente conservadoras, algumas das quais nem jornalísticas eram. (E, veja que espanto, vc acusa o Pedro Doria de ser parcial!). Mais uma vez, refresco suas memória: em todas as fontes que vc citou, o tom era o mesmo, de suspeita.
4. Ponderei que achava estranho que denúncias tão graves não chamassem a atenção da justiça e da imprensa americana como um todo. A idéia de um presidente não-americano e aliado a terroristas islâmicos é absurda demais para não ser levada suficientemente a sério — em primeiro lugar, pelo próprio partido democrata.
5. Ponderei também que, a darmos crédito às denúncias cabeludas que vc ventila, o MacCain é uma besta despreparada: porque ele está perdendo, a crise econômica favorece o adversário, e, mesmo tendo um monte de acusações explosivas para jogar no colo de Obama durante um debate ao vivo, escolher não o fazer! Isso, qualquer um há de concordar, não faz sentido algum. (Ou, deixando a ironia de lado: se as acusações fossem consistentes, MacCain já as teria usado há muito tempo.)
Na boa? Quem está apelando aqui é vc.
Claro, vc não se dá conta disso — se soubesse o papel que faz, não o estaria fazendo.
Rapaz, vc critica até o fato do PD ter endossado o argumento de que Palin é despreparada…
Meu Deus, Ronald. As entrevistas dela o comprovam. Nem os conservadores acham ela realmente qualificada para assumir a presidência, caso algo aconteça a MacCain.
ACT
Chester, vamos a mais uma aulinha de história para médicos. Os árabes acusavam os europeus de raptarem mulheres árabes e de vendê-las. Não tenho nada a ver com isso. Os árabes contam a história que os envolve de uma forma diferente da nossa, não me surpreende nem me escandaliza, vou lá leio ambos os dois, vejo quem apresenta o melhor caso e decido sobre o que me parece pertinente, usando critérios tão científicos e seguros quanto os usados por qualquer laboratório de análises clínicas de qualidade. A minha vangtagem é que não preciso remexer cocô literalmente, nem usar reagentes perigosos. A desvantagem é que o cocô moral também fede e poeira de arquivo dá um monte alergia na gente. Sem falar nas medonhas conjuntivites. Se eu puser um óculos pra mexer em papel velho vão rir de mim até o fim da minha vida, inclusive porque dizem aquela papelada já foi tratada. O problema é que acho que cresceu tudo de novo…
Ou seja não estou defendendo árabe, sou mais informada que você sobre esse assunto, e sei a diferença que existe entre os Rubayat e o Corão. E entre o Corão e as variadas interpretações que existem sobre ele. É que nem a Bíblia sabe? Se encontra de um tudo. Entre outras coisinhas aqui e acolá. Nã0 é muito mas é mais do que suficiente para que eu não possa condenar todo um povo por toda a sua história. Mas nós não estávamos discutindo a questão racial norte-americana e a campanha presidencial?
PD, não estou com tempo nem muita paciência para ler meses de jornal atrasado, diga lá, o que Obama tem dito a esse respeito, se ele tem dito e o que o eleitorado de uma forma geral espera que ele faça?
Pedro Dória - ‘ Em 2008, são 40 anos do assassinato de Martin Luther King. Outros 40 do assassinato de Bob Kennedy, principal articulador do fim das leis segregacionistas. E 45 do assassinato de Jack Kennedy, o presidente que tomou a decisão de enfrentá-las. Se Obama for eleito, a vitória será daqueles três.’
E também de Lyndon Johnson, Pedro.
Ele deu prosseguimento e tornou Lei os mais nobres desejos de Kennedy.
Com o Civil Rights Act.
E com o Voting Rights Act, que permitiu a milhões de negros americanos votarem pela primeira vez.
Ás vezes o heroísmo não tem estátuas nem vira feriado nacional.
abs,
ma
Não bastasse o Danilo da direita, agora vem esse tal de Ronald soltar as piores asneiras conservadoras que se tem notícia desde o paleolítico.
Este aqui é um dos blogs mais sóbrios e sérios que eu conheço (até mesmo com um posicionamento que eu poderia caracterizar como moderadamente “de direita”, mas nada, nada que comprometa a credibilidade jornalística do que se lê por aqui) e ainda por cima vem neguinho querendo encher o saco dizendo que há um bias “left liberal” aqui…
A maior de todas as bobagens foi essa: “Credibilidade não é o forte do NY Times, e você sabe bem disso. Se a você não é o forte do Limbaugh, então a coisa empata.” Uau, que lógica magnífica.
Haja paciência.
E a Palin não é burra, não. Acho até que ela tem uma massa encefálica boa para um INVERTEBRADO.
E eu rio. Porque o landslide Obama já é imparável. Haha.
marco: você tem toda razão. O Lyndon Johnson deu continuidade à política de pôr fim à segregação. Ele merece tanto mérito quanto JFK.
(O diabo é que o Johnson também foi aumentando e aumentando e aumentando a participação dos EUA no Vietnã e, embora uma coisa não tenha nada a ver com a outra, às vezes o cara é visto com uma certa antipatia que me contamina… mea maxima culpa)
henrique, Jack Kennedy e John Kennedy são a mesma pessoa =)
Nananinanão… Surf e Memento são as mesmas 8 pessoas.
É verdade, a mulher dele era a Jackie, eu que confundi… mal aê ;)
Obrigado, Pedro.
Vou procurar acompanhar essa ‘questão racial’. Promete ser bem interessante. Um verdadeiro marco, imagino.
-> O próprio McCain se envergonha da campanha absurda de difamação que os marqueteiros estão fazendo. Fiquei meio agoniado com o tal do vídeo em que ele corrige a velhinha que chama Obama de arab. Aquilo ali me constrangeu. Mas mente vazia é assim mesmo… logo tá cheia de besteira acrítica. Ronald é o mesmo caso da velhinha, tá comendo tudo, tudinho que botam no prato dele. :)
“E a Palin não é burra, não. Acho até que ela tem uma massa encefálica boa para um INVERTEBRADO.”
Valeu-me boas risadas! Aliás, essa moça é um verdadeiro FENÔMENO.
António, o sr. quer provas e já as apresentei.
1) O processo do advogado, membro do partido democrata, Phillip Berg, ainda corre. Bastava Obama mostrar a sua certidão de nascimento e o processo teria fim. Mas Obama preferiu protelar questionando o trâmite burocrático do processo. Para que tanto trabalho se essa porcaria de certidão existe?
2) Obama foi ao Quênia apoiar Odinga. Primeiro o sr. não acreditou. Depois, com as provas, prefiriu acreditar que ele fora “enganado” pelos quenianos, tadinho do Barack.
3) Ele disse que não tinha nenhuma ligação com o Bill Ayers. Ele era apenas um cara que morava no bairro dele. Vieram, então, as provas, de que Barack havia conseguido o emprego na ONG somente através da indicação de Ayers, com quem trabalhou durante anos. Depois, lançou a candidatura ao senado na sala de estar de Ayers, aquele que era apenas um cara que morava no bairro dele, e que havia praricado atos terroristas e após pensar bem achar que não teria feito o bastante…
3) Tony Rezko - um vigarista acusado de 16 crimes, a quem Obama indicava às prefeituras com cartas de próprio punho em troca dele arrecadar fundos para suas campanhas.
4) desta vez não irei falar de novo dos pastores malucos de Obama…
5) O caso ACORN, que o Barack também jurava que nunca tinha tido contato, mas eis que hoje há fotos, documentos e tudo mais mostrando que o onguista dava treinamentos sobre “militância”, sabe-se lá do que se trata isso.
6) As denúncias cabeludas não sou eu quem ventila, mas, sim, os próprios jornais americanos, até mesmo o NY Times que vcs tanto adoram. E se são deúncias infundadas, por que tanta mentira da parte do Barack? Por que tanta exitação em mostrar uma porcaria de uma certidão de nascimento? Por que apresentar uma certidão falsa? Pelo amor de Deus, isso são fatos, não fantasia! O fato do McCain não levantar isso nos debates não quer dizer que não existem. Nem dizer que seja algo que não tenha credibilidade. O WorldNetDaily e TonwHall, assim como o NewsMax são publicações sérias, embora o Dória queira fazer parecer que não sejam, só porque tratam de assuntos que ele não gosta de apurar, pois está aí entusiasmado com a obamania.
Você ponderou que a imprensa não se manifesta a respeito porque não faz a mínima idéia do que seja imprensa americana. Quando digo que o NY Times e a chamada mainstream media não tem a metade da imprensa conservadora, sou obrigado a ouvir que quantidade não é a mesma coisa que qualidade. Mas desde quando o Ny Times tem credibilidade, Santo Deus? É um jornal que em pesquisa revelou que 70% dos seus leitores não acreditam no que lêem no próprio jornal. É um jornal que forjou matérias para encobir massacre de Ucranianos pelo governo soviético. Publicou fotos de soldados árabes agredindo um judeu jurando que eram judeus agredindo árabes. São numerosas as falsificações de jornalismo do NY Times conhecidas na história.
Talvez, António, a prova para o sr. seja o Barack confesar publicamente que mentiu no caso Ayers; que mentiu no caso ACORN; que apresentou mesmo uma certidão de nascimento falsa; que recebeu contribuição do Fannie Mae (e isto tem ligação íntima com o caso ACORN)…
Depois, me acusa de trazer asneiras quem acredita piamente que este é um blog de direita.
Vocês são doentes, só isso explica…
prometo que este é o último comentário que posto neste blog, vou deixá-los em paz para cerebrar a obamania.
Antes, basta ver como se discute aqui. Em nenhum momento desmentem o que escrevi, nem se dão ao trabalho de se informarem a respeito. São assunto que estão em pauta na mídia americana - não importa se conservadora ou liberal, já que os conservadores têm muito mais audiência e assim sendo, os assuntos ganham mais divulgação. Mas o incrível é que até a mídia liberal tem noticiado isso e aqui se omite, dizendo que tudo não passa de jogo sujo da campanha de McCain, quando TODOS os fatos foram denunciados pela campanha da Hillary ainda nas préveas.
O mais interessante é que classificam Palin como uma burra, uma invertebrada, não é? Qual a fonte? Porque nos debates ela se mostrou muito bem articulada e nem o NY Times ousou contrariar isso. Depois, vocês estão ainda falando do caso Troopergate, quando já se verificou que ela demetiu o trooper porque ele usava armas-não letais no filho de 11 anos, e o comissário por não querer demití-lo.
Vocês querem obamania, não fatos. Tanto que António me fez perder um tempo imenso para selecionar todas as fontes para no final dizer:
- E daí? São apenas denúncias!
Fiquem aí com suas obamanias. O errado aqui sou eu de discutir com fanáticos!!!!!!
Dória, só uma última coisa:
Lembre-se que jornalismo se faz ouvindo os dois lados. É uma regra básica da profissão.
Eu disse, eu avisei que isso aqui ia se desvirtuar. Chatice, a discussão sobre a questão racial estava legal pô! O gente mala! Porque não vão defender o ourto lá num fórum onde tenha algum eleitor americano?
Aqui NINGUÉM vota nos EUA. Nem o RW nem o Mr X não é verdade? Nem o Doria. Então é só arte pela arte.
Já a questão racial estávamos aprendendo alguma coisa.
Repito a minha pergunta, PD, Obama tem algum ponto específico na sua plataforma para enfrentar esse problema nos EUA, ou nem pensou nisso?
Ronald,
Meu argumento é muito simples: se vc já apresentou “provas”, se tudo o que diz sobre Obama são “fatos”, então só há duas conclusões possíveis.
1. MacCain e todo o partido Rebublicano são idiotas.
2. Os EUA são uma republiqueta de banana, podre e cega, corrompida de cima a baixo.
Como a realidade não parece corroborar este cenário, só me resta concluir que vc está fora dela.
O que, aliás, explicaria muita coisa.
A darmos crédito às idéias de Freud, trata-se de um caso típico de “projeção” — isto é, vc imputa aos outros um comportamento que na verdade é seu.
Daí pq vc afirma que nós estejamos “doente”, que sejamos “fanáticos”, e que só escutamos “apenas um dos lados”.
ACT
Bye, Ronald. We´re gonna miss you.
Memento, o Obama foge qual diabo da cruz de qualquer discussão racial. Ele fez um discurso durante as primárias e nunca mais tocou no tema.
O motivo, o pessol da campanha diz em off, é que ele não quer parecer coitadinho, um negro perseguido ou coisa do tipo. O caminho para a vitória, eles consideram, é fazer com que o Obama esteja além da questão de raça, é um americano como outro qualquer. Se eles conseguirem que o Obama seja visto pelos eleitores assim, ‘aracialmente’, eles ganham. Mas se Obama vem ao tema, esta vantagem vai embora.
O engraçado é um sujeito afirmar que apresenta provas, e a primeira que se refere está formulada da seguinte maneira: “Bastava Obama mostrar a sua certidão de nascimento e o processo teria fim. Mas Obama preferiu protelar questionando o trâmite burocrático do processo. Para que tanto trabalho se essa porcaria de certidão existe?”
Ok, obrigada PD. Vamos esperar que ele ganhe para ver o que vai fazer para que todos os americanos passem a ser só americanos e não americanos de alguma raça específica. Ia ser ótimo para nós aqui, que somes financiados e cooptados pelas FF da vida. :-)))
[...] Pedro Dória [pt] says that the US elections and the race debate can not be taken apart, and Obama winning will be nevertheless a mark in history: Em 2008, são 40 anos do assassinato de Martin Luther King. Outros 40 do assassinato de Bob Kennedy, principal articulador do fim das leis segregacionistas. E 45 do assassinato de Jack Kennedy, o presidente que tomou a decisão de enfrentá-las. Se Obama for eleito, a vitória será daqueles três. É porque o racismo declarado ou não já não tem mais força política nos EUA. [...]