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Eleições EUA: McCain na busca por controle

October 11th, 2008 · · 104 Comentários

Edição 19 | sábado 11 – Os últimos três dias foram agitados na trilha para a presidência norte-americana. A pesquisa nacional do canal de notícias de direita FoxNews, divulgada ontem, põe Barack Obama com sete pontos mais do que John McCain. A pesquisa da Newsweek põe a disputa em 52% a 41%, uma diferença de 11 pontos. Há apenas um mês, estavam empatados. Os números confirmam a impressão que as pesquisas instantâneas após os debates sugeriam – de que Obama e Biden eram os favoritos de mais gente.

Obama está disparando também nos swing states, aqueles estados em que tanto republicanos quanto democratas têm chances de vencer. Nas eleições dos EUA, não custa lembrar, o voto direto não vale. Cada estado, dependendo do tamanho de sua população, tem direito a um determinado número de votos no Colégio Eleitoral. O objetivo não é vencer a eleição em todo o país, mas conquistar o maior número de votos no colégio. Se as eleições fossem hoje, sugere o estatístico Nat Silver, que acertou mais do que todas as pesquisas durante as primárias, Obama venceria McCain por 348 votos no Colégio contra 190.

Há um obstáculo para Barack Obama: racismo. Eleitores em alguns estados mais pobres prometem votar em candidatos negros, mas algo entre 2% e 7% deles viram o voto na última hora. É o chamado Efeito Bradley. Trata-se de uma teoria em aberto, ela só foi testada na prática em eleições locais e nunca num pleito presidencial. Se as primárias são indício, Obama não tem o que temer. Seus números finais invariavelmente batiam com média das pesquisas. Mas o risco está lá.

Ontem, o ex-governador republicano de Michigan William Milliken retirou seu apoio a John McCain. O seu, que era um swing state, está cada vez mais certo na conta dos democratas. ‘Este não é o McCain que conheço’, disse Milliken. Situações do tipo estão ocorrendo em todo o país. Há um princípio de pânico na campanha McCain, que ontem tentou novamente virar sua tática.

McCain e Sarah Palin vinham batendo duro em Obama. Querem tirar a economia do foco e questionar o caráter do candidato democrata. Nos últimos dias, começaram a explorar pesadamente a relação de Obama com Bill Ayers, o democrata de Chicago que aparentemente o ajudou muito no início de sua carreira política. Ayers foi terrorista de esquerda nos anos 1960, plantou bombas, esteve preso.

Desde que Bob Kennedy foi assassinado, a proteção especial do Serviço Secreto norte-americano dedicada a presidentes e ex-presidentes foi estendida aos possíveis futuros presidentes. A preocupação com Obama tem sido especial – ele é negro e, até o governo Kennedy/Johnson, a discriminação era legal neste país. Quando os republicanos batem nas ligações entre Obama e Ayers, a idéia se soma aos spams por email com boatos bizarros como de que Obama é árabe, ou muçulmano, ou ele próprio terrorista. Nos últimos dias, conforme Obama cresce nas pesquisas, os ânimos tem se acirrado. Nem McCain nem Palin vinham intervindo. Mas, aqui e ali, após seus eleitores mais exaltados insinuarem ameaças, o Serviço Secreto teve que puxar um ou outro para interrogatórios.

Não é o tipo de situação com a qual um candidato presidencial, nos EUA, quer lidar: o Serviço Secreto investigando gente em seus próprios comícios por ameaças ao oponente. Não bastasse, há republicanos já pulando do barco. McCain começou a intervir. ‘Ele é árabe, tenho medo dele’, disse uma mulher para McCain. O senador tirou o microfone da mão dela e corrigiu: ‘Não há nada o que temer de um governo Obama, ele é um homem respeitável.’ Foi vaiado. Mas interpelou outro. E outro.

A crise econômica é um assunto que John McCain não mais conseguirá dominar. As impressões estão definidas, consolidadas. Cometeu erros demais. Ele precisa desviar do assunto mas sem acirrar demais os ânimos. Ânimos acirrados no lado republicano, neste momento, afastam eleitores independentes, não o contrário. McCain está na pior das situações: precisa bater em Obama, precisa questionar Obama, precisa que a maior quantidade possível de eleitores tenha dúvidas a respeito do caráter de Obama. Ele não tem outra escolha. No assunto que está dominando as discussões – a economia – ele é visto como perdido, desorientado, fraco. O fator que define a eleição, portanto, terá que ser outro. Mas quanto mais bate, quanto mais questiona, mais John McCain afasta eleitores.

Muitos estrategistas democratas estão surpresos, na verdade, que McCain tenha decidido explorar Ayers neste ponto da campanha. No início, quando poderia ter sido mais eficiente, sua campanha pela tola acusação de que Obama seria uma celebridade. Os eleitores acharam a alusão engraçadinha mas, no fundo, no fundo, serviu de elogio.

Faltam 24 dias e tudo pode mudar. Um ataque terrorista árabe em território norte-americano e tudo muda repentinamente. Ou não. Se as eleições fosse hoje, Obama teria uma vitória estrondosa. Mas a eleição não é hoje.

A pedido de alguns de vocês, botei um pouco o pé no freio das atualizações diárias da campanha norte-americana. Vou acelerar um pouco mais esta semana (faltam 24 dias para o pleito) e, na semana seguinte – que começa no dia 20 – voltarei ao ritmo diário.

Tags: EUA

104 Comentários até agora ↓




  • 1 Mr X // 11/October/2008 às 15:29

    Bill Ayers (companheiro e mentor de Obama) esteve recentemente na Venezuela, onde elogiou os projetos educacionais bolivarianos…

    Há alguma coisa na educação na Venezuela que seja melhor do que nos EUA? Evidente que não.

    Esses caras querem terceriomundizar os EUA, não resta dúvida. É um pouco triste.

    http://www.ibdeditorials.com/IBDArticles.aspx?id=308271974461547

  • 2 Mr X // 11/October/2008 às 15:30

    Racismo, é PD?

    E quantas pessoas votam em Obama exclusivamente porque ele É negro?

    90% dos negros e grande parte da elite branca liberal.

    Se Obama fosse um candidato branco, posso assegurar que teria MUITO MENOS votos. A grande novidade de Obama é mesmo ser negro. Suas políticas não são novidade nenhuma.

  • 3 Clara // 11/October/2008 às 15:36

    O crash da crise financeira equivale a uns 100 ataques terroristas, Pedro. Acho que eles nâo vão se dar ao trabalho, vendo o ocidente pegar fogo por si mesmo.

  • 4 Clara // 11/October/2008 às 15:37

    Correção: acho que eles, os terroristas, não vão se dar ao trabalho….

  • 5 Mr X // 11/October/2008 às 15:39

    O novo hino de Obama…

    http://nl.youtube.com/watch?v=zY3spl48_0Y&eurl=http://blogbis.blogspot.com/

  • 6 Mr X // 11/October/2008 às 15:44

    O novo hino de Obama…

    http://nl.youtube.com/watch?v=zY3spl48_0Y&

  • 7 Danilo // 11/October/2008 às 15:49

    Imaginem um candidato branco com as seguintes características: jovem, menos de dois anos de mandato como senador, sem experiência política ou administrativa relevante, cheio de conexões estranhas no passado. Que chances ele teria de concorrer à presidência e ganhar? Nenhuma.

    Obama se valeu da raça para chegar onde chegou e, se perder, vai culpar o racismo dos americanos…

  • 8 Marcus // 11/October/2008 às 16:09

    Choradeira geral da tropa de choque reaça com a situação de liderança de Obama. Não sabem perder, mesmo.

  • 9 Pedro Doria // 11/October/2008 às 16:27

    Danilo: vc descreveu John F. Kennedy.

  • 10 Danilo // 11/October/2008 às 16:44

    PD, Kennedy foi eleito deputado em 1947 e senador em 1952. Não era, de modo algum, um outsider da política americana. Além disso, tinha o dinheiro do pai e da máfia. Obama tem a raça, a eloquência e alguns amigos estranhos. Mas, sobretudo, a raça.

  • 11 Pax // 11/October/2008 às 16:51

    Pedro Doria,

    Independente de qualquer preferência, seja pelos Democratas, pelos Republicanos, pelo Obama, pelas coxas da Sarah Palin (vide blog do Mr X que me honrou com um vídeo dela desfilando de maiô - bem gostosa por sinal), gostaria da tua opinião sobre a honestidade - ou a falta de - americana apontada por essa crise.

    Diga aí, jornalista Pedro Doria, o que você acha. Qual tua opinião?

    Sei que andas americanizado, mas seja sincero. Confesse!

    ps.: sei que tua área não é Economia. Mas fale-nos um pouco do noticiário daí, um apanhado geral, um clipping desse fim de semana. É um pedido. Sei que dá trabalho, mas parece-me um bom momento.

  • 12 Apedeuta // 11/October/2008 às 16:59

    A democracia americana é estranha.
    Primeiro o presidente é eleito por um colégio eleitoral (me corrijam se eu estiver errado), depois, quando o sujeito é leito, se não for do agrado dos conservadores, é imediatamente riscado do mapa a custa de bala.
    Que coisa hein?

  • 13 Namber Uam // 11/October/2008 às 17:06

    teste

  • 14 João Daltro // 11/October/2008 às 17:18

    No índice de Desenvolvimento Humano, produzido pela ONU, em que educação e saúde são pontos fundamentais, Cuba está bem acima dos EUA. Então, sim, os EUA teriam muita coisa a aprender em termos de educação com outro país americano. Menos o Mr. X (nosso estadunidense virtual de mais tradição), que se recusa terminantemente a aprender com a realidade. Tudo o que ele disse aqui nos últimos anos foi amplamente desmentido pelos fatos, do Iraque ao Afeganistão, de Wall Street a Caracas, mas ele vem sempre com a velha cantilena que mistura a mentira dita com a candidez de uma criança (embora saibamos que de criança ele não tem nada, vide seu furor sexual com a anta Palin) com uma cara de pau digna de qualquer político deste vasto mundo. Continue, caro Mr. X, sua insistência no ininsistível muito nos diverte.
    Enquanto isso, os EUA pedem penico no Afeganistão e propõem uma conversa com o Talibã. No Iraque a coisa está ainda mais feia, mas eles não podem sair, eles foram até lá atrás do petróleo, logo não planejam sair, nem com Obama, nem com McCain, nem com ninguém. Resultado, vão ser postos pra forra na marra, como no Vietnã. O novo todo poderoso Henry Paulson está propondo à China, por debaixo dos panos, que ela e os EUA se aliem para dividir o mundo entre os dois. Com a China, o anti-cristo de olhos puxados? Há, há. Há.
    O estadunidense médio é visceralmente racista. A própria anta Palin já criou o mantra: “Ele não é como nós”, que ela repete aonde quer que comece a ornejar. Ou seja, ele não é branco, gente, cuidado! Este alerta vai calar fundo na caipirada fundamentalista, que já estava desempregada e agora está mais ainda. Se por um descuido o Obama for eleito, esse pessoal vai providenciar logo que ele seja assassinado. Afinal, assassinato de presidente é mais americano que torta de maçã, que beisebol, que serial-killer.
    Vai ter muito estadunidense emigrando para a Venezuela. Mr. X ainda vai aprender a falar espanhol. Outros coleguinhas de direita aqui do arraial vão acabar no Paraguai, fazendo questão de se dizerem brasileiros. Há, há, há! E o mundo está rindo à toa, agora que o maior império genocida da história começa a desabar.

  • 15 Diego // 11/October/2008 às 17:31

    As viuvinhas do Bush, os direitobas, não se conformam com a possível vitória de Obama. Como pode um negro democrata e com nome muçulmano ser presidente dos States?

    God Bless America para as viúvas do Bushinho.

  • 16 João Paulo Rodrigues // 11/October/2008 às 17:32

    Mc Quem?!

  • 17 João Paulo Rodrigues // 11/October/2008 às 17:33

    “sem experiência política ou administrativa relevante” (Danilo).
    Qual a experiência administrativa do branquelo Kennedy em 1960?

  • 18 Mr X // 11/October/2008 às 17:45

    Marcus e esquerdobas gerais:

    Ué, deveria eu por acaso me convencer que a candidatura do Obama é a melhor coisa para os EUA, justamente quando tantos esquerdistas e anti-americanos torcem por ela?

    E o João Daltro diz que Cuba tem educação melhor do que os EUA…. Ai ai ai… É, deve ser por isso que milhões de estudantes estrangeiros querem estudar em Cuba… E fogem dos EUA… A incrível educação cubana… Criando um Einstein a cada minuto…

    E o “americano médio” é tão racista que está elegendo um presidente negro… Realmente, é a maneira mais original de demostrar o racismo: colocar um negro no poder pra mostrar que ele é um panaca. Brilhante!

  • 19 João Paulo Rodrigues // 11/October/2008 às 17:51

    Com uma recessão mundial e os EUA consumindo menos petróleo, pode ser que Chávez peça arrego antes dos EUA.
    A rapidez com que já se decretou a morte, se enterrou e se encomendou a missa de sétimo dia daquele país me faz pensar que logo o veremos por aí, ilustrando aquele dito do Mark Twain: “As notícias sobre meu falecimento estão um pouco exageradas”.

  • 20 Danilo // 11/October/2008 às 18:00

    com. 12 - 14 anos no Congresso americano…

  • 21 João Paulo Rodrigues // 11/October/2008 às 18:13

    OK. Tá bom como experiência política.
    Mas qual a experiência administrativa ele, como representante e senador possuía ?
    Mais: ainda que um senador possa aprender alguma coisa sobre o executivo enquanto membro do legislativo, o que ainda não é exatamente um “experiência” enquanto administrador, quem tinha mais em 1960, o jovem senador Kennedy, ou o bi-vice-presidente Nixon?
    Realmente, esse argumento da “experiência” já deu o que tinha que dar, isto é, em nada.

  • 22 cristina // 11/October/2008 às 18:35

    pois eu venho todos os dias na esperança de noticias sobre a campanha. infelizmente nem sempre tem..
    não gosto do acompanhamento dos jornais portugueses.

  • 23 Pedro Doria // 11/October/2008 às 19:44

    Danilo, ele tinha dinheiro do pai e da máfia, é vero. Obama tem o dinheiro que o povo dá para ele. O que é mais legítimo?

    Como senador, passou quase todo o mandato na mesa de cirurgia, na cama do hospital e na de casa. Tão experiente quanto o Obama. Foi deputado? Foi. Obama foi senador estadual num dos estados mais complexos dos EUA.

  • 24 Pedro Doria // 11/October/2008 às 19:48

    E, Danilo, só de brincadeira… E Abraham Lincoln, que fortuna, conexão familiar ou experiência política ele tinha?

    (Eu consigo outros exemplos.)

  • 25 Harry // 11/October/2008 às 20:54

    “A pedido de alguns de vocês, botei um pouco o pé no freio das atualizações diárias da campanha norte-americana”

    Atendendo a um pedido por menos informação?
    Informação, avaliações e bons julgamentos nunca são demais, quem estiver cansado do assunto que pule o post.
    Mexer na barra de rolagem não dá tanto trabalho assim..

  • 26 marco // 11/October/2008 às 21:21

    Poxa, a Sarah Palin de coxas de fora e ninguém me avisa….

    Mr X, você já foi mais meu amigo…

    abs,
    ma

  • 27 marco // 11/October/2008 às 21:24

    Fui, vi, voltei.

    E esculachei o pacto de sangue entre X e o Pax.

    Vi e revi!

    Morram de inveja…

  • 28 marco // 11/October/2008 às 22:18

    Pedro - Há um obstáculo para Barack Obama: racismo.

    eu- E para Maccain?
    A maioria esmagadora dos negros irá votar em Obama, levando em conta a cor da pele do candidato. Isso tem um nome : racismo

    Pedro - Se as primárias são indício, Obama não tem o que temer. Seus números finais invariavelmente batiam com média das pesquisas.

    eu - Ou seja, nas primárias, aonde Obama venceu em vários Estados com 87 % da população branca, não houve racismo. Caso o resultado se modificar nas eeleções de novembro, é racismo.

    Pedro - Mas o risco está lá.

    eu- O risco também está em líderes democratas compararem os comícios de MacCain aos de ? Desde que Bob Kennedy foi assassinado, a proteção especial do Serviço Secreto norte-americano dedicada a presidentes e ex-presidentes foi estendida aos possíveis futuros presidentes. A preocupação com Obama tem sido especial – ele é negro e, até o governo Kennedy/Johnson, a discriminação era legal neste país, governador racista.

    ? Desde que Bob Kennedy foi assassinado, a proteção especial do Serviço Secreto norte-americano dedicada a presidentes e ex-presidentes foi estendida aos possíveis futuros presidentes. A preocupação com Obama tem sido especial – ele é negro e, até o governo Kennedy/Johnson, a discriminação era legal neste país.

    Eu- Era legal mas não era moral. Caiu.
    Tanto que o negro Obama é favorito para ganhar a Presidencia dos Estados Unidos da America.
    Com votos de estados mais brancos que a Finlândia. Um oceano de olhos azuis e cabelos loiros votou nele nas primárias e lhe dá vantagem esmagadora nas pesquisas.

    Seus comícios são assistidos por milhares e milhares de brancos entusiasmados.

    E quanto a MacCain, não existe o medo que ele leve um tiro?
    Afinal Bob e John Kennedy, Ronald Reagan, eram brancos e sofreram atentados.

    Aliás, por falar em atendados e clima de medo, George Wallace, o racista a quem MacCain foi comparado pelos democratas levou um tiro.
    Alguma indução, ato falho, ou apenas infelicidade verbal?

    Pedro - McCain começou a intervir. ‘Ele é árabe, tenho medo dele’, disse uma mulher para McCain.

    eu- Obama, em seu discurso ” histórico”, disse que a avó tinha medo de negros. Essa mulher apenas mudou para árabe seu medo.Obama compreende lindamente essas manifestações.
    Faz delas uma plataforma para seus dicursos.

    Pedro- Muitos estrategistas democratas estão surpresos, na verdade, que McCain tenha decidido explorar Ayers neste ponto da campanha.

    eu- A questão não é essa. De oportunidade eleitoreira. A questão é a ligação, que não sei qual é, entre esse radical e Obama. Se é nenhuma tudo bem. Se foi mais estreita, tudo mal.
    Talvez fosse melhor Obama desmentir e romper publicamente com esse cara, assim como fez com o pastor do dane-se a América.
    Ou não, ele é quem sabe.

    Pedro - Faltam 24 dias e tudo pode mudar. Um ataque terrorista árabe em território norte-americano e tudo muda repentinamente. Ou não.

    eu- Só um ataque terrorista pode mudar a eleição? Por certo sob a orientação da CIA…

    Já a crise do fim do mundo joga a favor.
    Mesmo que o mundo exploda.
    Depois a Esperança dá um jeito.
    Nada poderá perturbar aquele que, além de mudar a América, irá mudar o mundo, a começar pela invasão do Paquistão, caso esse pais continue se metendo a besta.

    Quanto a teorias conspiratórias tenho a acrescentar a lista de horrores, duas:

    1- Bin Ladem é capturado. Ou aparece morto.

    2- Israel aproveita a ocasião e manda bala nas usinas nucleraes do Irã.

    ( em ambos casos, seria sempre uma suja jogada eleitoral do 666 e da CIA…)

  • 29 Cortez // 11/October/2008 às 23:43

    Mesmo com uma vitória esmagadora no Congresso Eleitoral, Obama terá uma parte da população odiando-o, ou incapaz de confiar-lhe as políticas da nação, por ser negro ou árabe ou terrorista ou democrata ou muçulmano ou por chamar-se Osama.

    Americanos acostumaram-se aos guetos, nos E.U.A. pelo CEP de uma pessoa você sabe que pito ela toca, e há uma parcela considerável da população que não aceita a liderança de um negro chamado Barack, aconteça o que acontecer.

    Conhece a história do Grande Tarado? Que em seu auge satisfez 17 mulheres na mesma viagem de elevador, e terminou a carreira velho, acabado, preso por violação correspondência? É por aí. O sonho acabou. Irmão contra irmão, pelo último hamburguer.

    Tudo por causa de um cara que saiu de casa um dia com um estilete no bolso, disposto a derrubar o World Trade Center, e conseguiu.

  • 30 Leila // 12/October/2008 às 0:24

    Mr. X, o Obama é muito mais moderado do que você pensa. Há pencas de democratas mais à esquerda do que ele. O Ayers não é mentor, e nem amigo do Obama. É um cara que participou de uma fundação de caridade junto com o Obama da qual também faziam parte vários republicanos, na área de educação em Chicago. Qualquer canal de TV ou jornal que não seja a Fox News facilmente comprova que o Obama tem uma ligação superficial com Ayers, e que se há qualquer interesse em uma aproximação maior é por parte do ex-radical, e não de Obama, que era uma criança nos anos 60.

    Se você sair um pouco da Fox News e suas outras fontes conservadoras, talvez consiga formar um quadro mais equilibrado sobre o candidato democrata, sem esse besteirol de Venezuela e terceiro-mundização dos EUA. Quem periga fazer isso aliás é o Bush, que depois de permitir a bandalheira em Wall Street nessa visão de Estado mínimo, agora se vê obrigado a estatizar o problema, para impedir uma catástrofe maior.

  • 31 Danilo // 12/October/2008 às 0:33

    Acho que as notícias que dão conta do fim dos EUA são muito exageradas. Não foram poucas as vezes que a “queda do império americano” foi decretada, mas eles sempre conseguiram se safar. Vale lembrar que a atual recessão sucede um período de pujança econômica de quase 30 anos, com curtos períodos de contração e ajuste. Não acho de jeito nenhum que os EUA estejam condenados no longo prazo.

  • 32 Brancaleone // 12/October/2008 às 0:47

    Obama vai ganhar. Pelo menos aqui no Brasil ele ajuntou um monte de eleitores só por ser amigo do tal de Ayers que dizem que era comunista ( nenhum comunista é comunista. Qualquer comunista com vergonha na cara ERA comunista…) . Pouco importa o caráter, a moral, os planos ou o a honestidade do Obama: Se ele tem amigo comuna isso é sinal que ele é lindo, perfeito, honesto e competente porque afinal todos os comunistas ( até os facínoras genocidas) são perfeitos, bonzinhos, honestos e decentes. Qualquer comunista daqui sabe e vive afirmando isso. A esquerda tem a vantagem de se apropriar( ou expropriar ou desapropriar) de todas as bondades. Até Obama entrou nessa.
    Quem diria. Mc Cain vai perder porque Obama tem uma amigo comuna…
    Já disse antes: Obama é um Collor negro que fala inglês e que Já mora nos EUA…

  • 33 Leila // 12/October/2008 às 1:12

    Mr. X, por falar em Fox News, você viu aquele programa do Sean Hannity todo dedicado a um anti-semita desvairado e sua versão sobre o candidato Obama? A Anti-Defamation League escreveu a seguinte carta:

    http://www.adl.org/media_watch/tv/Hannity_Anthony_Martin.htm

    Enfim, complicado confiar em qualquer coisa que sai dessa rede de televisão.

  • 34 Ricardo Leal // 12/October/2008 às 1:20

    Danilo, #32, achei engraçado porque me lembrei daquela história do G. K. Chesterton, o inglês, dizendo serem exageradas as notícias sobre sua morte. Sobre ambiente político e econômico nos EUA e alhures, na língua do GK porque não tenho tempo de traduzir, umas ponderações do Ratzinger (”Igreja, Ecumenismo e Política”). O final merece contexto, mas talvez surpreenda quem opera em cima de caricaturas.
    “(…) the first service to politics rendered by the Christian faith is that it liberates man from the irrationality of political myths, which are the real threat of our time. Taking a stand for sobriety, which does what is possible and does not cry with an ardent heart after the impossible, is of course always difficult; the voice of reason is not as loud as the cry of unreason.
    But, as a matter of fact, political morality consists precisely of resisting the seductive force of the big words for which humanity and its chances are being gambled away. The moral thing is not adventurous moralism, which tries to mind God’s business, but rather honesty, which accepts man’s limits and does man’s work within them. Not the uncompromising stance, but compromise is the true morality in political matters.”

  • 35 Ricardo Leal // 12/October/2008 às 1:32

    Complementando #34, quem tiver interesse em extrato mais amplo pode consultar (se o filtro permitir) http://ignatiusinsight.com/features2008/ratzinger_faithpolcep_oct08.asp

  • 36 Antonio // 12/October/2008 às 1:37

    Na boa? Tô meio cansado disso tudo.

    Num post anterior, o Ronald lançou um desafio, e eu aceitei: explicar as conexões terroristas-criminosas-fraudulentas de Obama.

    Aos poucos, mostrei que aquilo tudo ao qual ele atribuía valor de verdade não passava de suspeitas maldosas ventiladas pelo conservadorismo.

    Obama tinha forjado a certidão de nascimento: não era cidadão americano.

    Obama tinha apoiado Odinga, líder islâmico de um partido político no Quenia, mesmo sabendo que o sujeito havia ordenado um massacre de inocentes.

    Obama tivera a sua educação financiada por um maluco terrorista chamado Khalid Abdullah Tariq al-Mansour.

    Mas o que é mais curioso nessa maluquice toda é algo que eu havia dito ao Ronald, e que a Leila sugeriu agora, na mesma linha de raciocínio. Vou recolocar aqui, pq acho que vale a pena.

    É o seguinte: normalmente, os conservadores são os primeiros a exaltar as virtudes da América: que é o país da democracia, o país da igualdade, o país da liberdade, o país onde as instituições que garantem o bom funcionamento de tudo isso operam com eficiência e vigor: a justiça, a imprensa, as associações políticas e civis.

    Mas as “denúncias” que os ultra-conservadores levantam em relação a Obama pressupõem exatamente o contrário disso. Pressupõem uma imprensa cega e comprometida ideologicamente. Pressupõem uma justiça que não vigia, que não trabalha, que não faz o seu dever. Pressupõem, em suma, que as instituições que servem de sustentação ao regime democrático tenham perdido a eficácia. Ou seja, a “Obama mania” as teria colocado numa espécie de torpor, de sono paralisante.

    E como num passe de mágica, os EUA viraram uma república de banana qualquer, com suas instituições absolutamente desacreditadas, todas elas tomando parte numa imensa conspiração esquerdista para eleger um homem que vive em meio a ditadores sanguinários e terroristas, e os apóia de coração.

    Enfim, é de uma cretinice que não tem mais tamanho. Mas cada país tem os extremistas que merece…

    ACT

  • 37 Danilo // 12/October/2008 às 4:12

    Antônio, sua tese de que a seriedade das instituições americanas - sobretudo a Justiça - serve como filtro contra a tomada do poder por foras-da-lei não se sustenta.

    Digo uma palavra: Kennedy. Foi notório o papel da Máfia em sua eleição, e as pilantragens de seu pai eram mais do que conhecidas. Cadê as instituições americanas para evitar sua eleição? Não só foi eleito como é até hoje endeusado por boa parcela da população.

    O pior é que, uma vez eleito, o fora-da-lei torna-se inatingível: em nome da solidez da instituição chamada Presidência da República, o público e a Justiça preferem fazer vistas grossas à feiúra moral do comandante da nação. E aí Kennedy vira grande estadista, quando na verdade não deveria ter passado de um arremedo de Michael Corleone.

  • 38 veritas // 12/October/2008 às 7:32

    E a HISTORIA NÃO TINHA ACABADO COM A QUEDA DO MURO…..A religião neo-liberal do Deus Mercado MORREU!

    Para solução da crise: estatização do sistema financeiro americano e europeu. Bem vindos ao novo país depois da crise: Estados Unidos Sovietico da America.

  • 39 Maior Abandonado // 12/October/2008 às 9:40

    Pichações e placas que estão aparecendo nos Estados Unidos:
    “Eu gosto da América, só não gosto mesmo do Bush.”

    Eu sairia com esta placa: “Eu gosto da América, só não gosto mesmo dos extremistas republicanos.”

  • 40 Antonio // 12/October/2008 às 10:49

    Do site do jornal O Globo:

    “Polêmica nas eleições americanas. O nome do candidado republicano Barack Obama foi impresso de forma equivocada em cerca de 300 cédulas eleitorais enviadas a eleitores do condado de Rensselaer, no estado de Nova York.

    No lugar de Obama, está escrito “Osama”, o que pode fazer lembrar o nome do terrorista mais procurado do mundo, Osama Bin Laden, mentor dos atentados de 11 de setembro. As informações são do site timesunion.com.

    - Infelizmente, este erro terá impacto negativo sobre nosso candidato - disse o presidente regional do partido Democrata, Tom Wade.

    Ainda não se sabe se a impressão foi proposital ou apenas um equívoco. Mas um político lembrou que as letras “s” e “b” estão posicionadas em lugares distantes no teclado, o que diminuiria as chances de um erro de digitação.”

    É mole?

    ACT

  • 41 Antonio // 12/October/2008 às 10:54

    Se fosse o inverso — isto é, se por acaso fosse o candidato Republicano a ter o nome de “Obama” –, nós agora iríamos estar ouvindo uma sinfonia de impropérios:

    “Veja como a esquerda é canalha!”

    “Que golpe baixo! Esses vermelhinhos apelam, como sempre, para todo tipo de manipulação fraudulenta”

    “Pura tática Gramsciana, de desmoralizar o adversário, seja por que meio for”

    tsc, tsc.

    ACT

  • 42 Brancaleone // 12/October/2008 às 11:26

    Eu fico por aqui preocupado com os que estão apregoando o “fim dos EUA” como isso fosse a extirpação do mal do planeta. Se Obama ganhar acontece assim, se for o McCain acontece assado… A crise econômica vai arrasar o “american way of life” e por aí vai.
    Tá, os EUA podem mesmo ser bem ruinzinhos. Interferem em tudo, se acham os xerifes do planeta e os cambau. O problema é quem vai substituí-los. Ou alguém aqui acredita que a fila não vai andar? Tá, tem os romanticóides que acreditam na canalhice da “autodeterminação das nações” ( normalmente os anarquistas, que são uma espécie de comunistas em fase terminal, pensam assim …).
    A idéia boa seria um McCain vencer e quem sabe assim a disputa pela vaga de “chefe do mundo” seja prorrogada.
    Alguém aí tá querendo o domínio chinês? russo talvez? Como meu patrão é americano (bom emprego, bom salário inclusive pros duzentos e tantos peões daqui) tenho mais é desejar que as coisas continuem assim. Tem uns e outros que acham que o Brasil pode viver só do seu mercado interno ( normalmente economistas que passaram colando nas provas ou então fizeram destas faculdadezinhas medíocres pensam assim.)
    Não gosto de gente muito profissional. Gosto sempre de pensar que a Arca de Noé foi feita por um amador e o Titanic por profissionais…

  • 43 Antonio // 12/October/2008 às 11:35

    Brancaleone,

    Se não fosse a “canalhice” (como vc coloca) da idéia de “autodeterminação das nações”, os EUA até hoje seriam uma colônia britânica.

    abs,

    ACT

  • 44 João Daltro // 12/October/2008 às 11:43

    Na Folha de São Paulo de hoje há uma entrevista com Joe Bageant, um estadunidense de uma cidadezinha da Virgínia, que se declara um redneck e que escreveu um livro em que descreve a mentalidade de seus iguais, ou seja, a grande maioria branca e pobre do interior dos EUA, sempre desprezada e esquecida pelos governos, sejam democratas ou republicanos. Permitam-me uma breve transcrição:
    “Os “rednecks” têm uma raiva que não conseguem expressar, pois não sabem colocar em palavras, não têm vocabulário. Aí os republicanos vêm e dizem a eles o que fazer. Os “rednecks” são manipulados para pensar que são livres e para achar que tudo é culpa deles.
    Sempre houve uma subclasse nos EUA, e ela não pára de crescer. As classes educadas há três gerações torcem o nariz para os “rednecks”. Em vez de ajudar a resgatar seus irmãos, ficaram felizes por subir na vida e deixar o resto na ignorância. Mas uma hora os “rednecks” vão pegá-los. Estão em todos os lugares, ignorantes e violentos. E votam. É apavorante. Se não fossem 50 anos de negligência, as coisas não estariam assim.”
    Em outras palavras, é o que eu repito aqui nestas tertúlias e sou acusado de menosprezar os EUA (como se isso fosse preciso!). Com o capitalismo financeiro levado a sua dimensão máxima como economia fictícia, com a economia real de produção e consumo de bens atrelada a essa economia irreal, com o grande desastre gerado com cuidados de vovó desde o vovô Reagan, esse povão dos cafundós lidimamente “americanos” está cada vez mais propenso a uma solução tipo atira primeiro e pergunte depois. E eles vão sair de casa para votar em novembro, coisa não muito de seu agrado, mas a última chance antes de engatilharem o rifle.
    Os tais 50 anos citados pelo redneck Joe são bem significativos: é o tempo decorrido desde que as políticas salvadoras de Roosevelt foram definitivamente abandonadas. De lá pra cá foi estouro atrás de estouro, com os responsáveis pelos estouros sendo socorridos pelo governo e o povão pagando o pato. Seis dias depois que o Bushinho botou 85 bilhões de dólares do povo estadunidense nos cofres da AIG, para salvá-la da bancarrota, a mesma AIG gastou 443 mil dólares numa festança para seus executivos num semi-bordel da Califórnia.
    Para os que dizem estamos exagerando o tamanho do buraco, vejam o discurso atual do FMI. Suas previsões fazem o Apocalipse ser festinha de criança, com guaraná e bolo de chocolate. Nem assim os que mandam nos EUA se sensibilizam, todo o socorro por eles promovido visa apenas os autores da crise, as vítimas que se danem. Depois se espantam que os rednecks sejam os puritanos neandertálicos racistas que são. Eles já estão umedecendo as miras de seus rifles. Vem bala por aí. O primeiro a cair vai ser o Obama. Espero que o segundo seja vovô McCain. Eu adoraria ver os EUA governado por Sarah Palin, a das pernas de miss e cérebro de bactéria. Opa, desculpem-me, bactérias!

  • 45 João Daltro // 12/October/2008 às 11:51

    Transcrito da Folha:
    “O FMI (Fundo Monetário Internacional) vê o sistema financeiro global “à beira do derretimento” e afirma que os mercados podem desabar mais 20% nos próximos dias.”

  • 46 Linda // 12/October/2008 às 12:17

    Ai!!! Não existe terceiro mandato nos EUA, não?
    Eu adoraria Bush na terceira versão.

  • 47 Antonio // 12/October/2008 às 12:18

    Danilo

    Sei que há espaço para a malandragem na cultura e nas instituições americanas. Bush, por exemplo, foi eleito numa jogada do gênero.

    Mas daí a achar que eles elegeriam para presidente um cara que, além de não ser cidadão americano, é unha e carne com o que de pior há em termos de terrorismo e contravenção, vai uma distância gigantesca.

    Abs,

    ACT

  • 48 Antonio // 12/October/2008 às 12:24

    Linda,

    Saca só esta notícia, que saiu faz pouco tempo, e passou quase desapercebida:

    “O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciará na quinta-feira que deseja concorrer a um terceiro mandato e pedirá ao conselho municipal que revise a lei que restrinja a oito anos a permanência em cargos eletivos, informou hoje o jornal The New York Times em sua página na internet.”

    Fonte: site de notícias do Terra, 30 de setembro.

    Agora, se é um esquerdista a querer fazer o mesmo, já viu, né? Ia ser aquela gritaria de que os safados dos comunistas querem sempre se perpetuar no poder e etc.

    ACT

  • 49 Leila // 12/October/2008 às 13:39

    Antônio, obrigada por ser uma voz de sanidade aqui nessa caixa de comentários. Você pescou muito bem a contradição dos conservadores americanos.

    Esse erro do Osama nas cédulas é inacreditável. Não pode ser um erro de datilografia qualquer, porque o b e o s no teclado são beeeem longe um do outro. Sem falar que várias pessoas devem ter revisto a cédula antes de ir para a impressão.

  • 50 PELA REVISAO DA LEI DE ANISTIA // 12/October/2008 às 13:58

    “Danilo: vc descreveu John F. Kennedy.” (#9)
    -> Danilo diz: é.. é.. mas o obama… kennedy.. é.. é…

  • 51 Brancaleone // 12/October/2008 às 14:04

    Ófetopique mas necessário, uma vez que …

    “Pela revisão da lei da anistia”

    Concordo plenamente, mas para TODOS absolutamente todos, não interessa de que lado estavam, incluindo aí a perda de mandatos de quem se elegeu às custas da tortura e devolução das indenizações recebidas.
    Pau que dá em Chico, dá em Francisco.
    Ou se restabelece a decência ou nos locupletamos todos.

    E agora de volta às eleições nos states…

  • 52 Brancaleone // 12/October/2008 às 14:05

    du-vi-do-de-o-dó que Zé Dirceu e Genoíno vão topar uma destas…

    E agora voltamos em definitivo às eleições na terra do meu patrão…

  • 53 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 12/October/2008 às 14:06

    Fidel abre seu voto: é Obama.

    Fidel lançou mais uma das suas Reflexiones,desta vez para abrir o seu voto em Barack Obama que, a cada dia, angaria os apoios mais inusitados…

    En Estados Unidos existe un profundo racismo, y la mente de millones de blancos no se reconcilia con la idea de que una persona negra con la esposa y los niños ocupen la Casa Blanca, que se llama así: Blanca. De puro milagro el candidato demócrata no ha sufrido la suerte de Martin Luther King, Malcolm X y otros, que albergaron sueños de igualdad y justicia en década recientes. Tiene además el hábito de mirar al adversario con serenidad y reírse de los aprietos dialécticos de un oponente que mira hacia el vacío.Por otro lado, el candidato republicano, que cultiva su fama de hombre belicoso, fue uno de los peores alumnos de su curso en West Point. No sabía nada de Matemáticas, según confiesa, y es de suponer que mucho menos de las complicadas ciencias económicas. Sin duda, su adversario lo supera en inteligencia y serenidad. Lo que más abunda en McCain son los años, y su salud no es en lo absoluto segura. Menciono estos datos para señalar la eventual posibilidad ?si algo ocurriera con la salud del candidato republicano, si lo eligen? de que la señora del rifle e inexperta ex gobernadora de Alaska fuese Presidenta de Estados Unidos. Se observa que no sabe nada de nada.

  • 54 Pedro Doria // 12/October/2008 às 14:12

    Danilo, o Kennedy de fato venceu a eleição roubando em Chicago.

    Mas, olha, foi um grande presidente, e por dois motivos: intercedeu para que acabasse a segregação racial legal nos EUA e, junto com o Khrushchev, impediu uma guerra nuclear.

    O Nixon, que ele derrotou, foi um presidente terrível.

    E é muito conveniente vc sacar o exemplo do Kennedy ignorando o caso mais recente de roubo eleitoral. E não se pode dizer que o Bush tenha transformado os EUA como o JFK fez em três anos, não é mesmo?

  • 55 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 14:53

    “Marco - A maioria esmagadora dos negros irá votar em Obama, levando em conta a cor da pele do candidato. Isso tem um nome : racismo”
    Não. A imensa maioria dos negros vota desde os anos 60 nos democratas. Obama é um democrata.
    “Marco - Ou seja, nas primárias, aonde Obama venceu em vários Estados com 87 % da população branca, não houve racismo. Caso o resultado se modificar nas eeleções de novembro, é racismo. ”
    Mais uma vez: Obama venceu entre democratas. Os democratas elegem negros; seu eleitorado é menos racista que o republicano. Os republicanos não possuem um governador, representante, senador ou membro da campanha de McCain que seja negro.
    “Marco - Era legal mas não era moral. Caiu.”
    É verdade. Mas ainda existe. Os republicanos estão sutilmente usando o “race card”. Basta ler os relatos de seus comícios. Só não vê quem não quer.
    “Marco - E quanto a MacCain, não existe o medo que ele leve um tiro? Afinal Bob e John Kennedy, Ronald Reagan, eram brancos e sofreram atentados. ”
    Até o Serviço Secreto deu prioridade máxima a Obama. Quem grita que Obama é “terrorista”, que ele deve ser pendurado no alto de uma forca (referência explícita aos linchamentos do início do século XX), que ele é “inimigo da América” é a assintência dos comícios de McCain, não os branquelos que apóiam Obama.
    “Marco - Aliás, por falar em atendados e clima de medo, George Wallace, o racista a quem MacCain foi comparado pelos democratas levou um tiro.
    Alguma indução, ato falho, ou apenas infelicidade verbal?”
    Wallace era democrata.
    “Marco - Obama, em seu discurso ” histórico”, disse que a avó tinha medo de negros. Essa mulher apenas mudou para árabe seu medo.Obama compreende lindamente essas manifestações.
    Faz delas uma plataforma para seus dicursos.”
    Isso aqui não faz o menor sentido.
    “Marco - eu- A questão não é essa. De oportunidade eleitoreira. A questão é a ligação, que não sei qual é, entre esse radical e Obama. Se é nenhuma tudo bem. Se foi mais estreita, tudo mal. Talvez fosse melhor Obama desmentir e romper publicamente com esse cara, assim como fez com o pastor do dane-se a América.”
    Para seu conhecimento ele já o fez, ao dizer que o encontrou apenas duas vezes e que não mantém contato com ele há anos. O ônus da prova cabe a quem acusa. E Ayers já trabalhou com políticos republicanos em Chicago.

  • 56 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 14:59

    “Marco - Digo uma palavra: Kennedy. Foi notório o papel da Máfia em sua eleição, e as pilantragens de seu pai eram mais do que conhecidas. Cadê as instituições americanas para evitar sua eleição? Não só foi eleito como é até hoje endeusado por boa parcela da população.”
    Ah, claro, e a prova é que a fragilidade das instituições permitiu a Kennedy corromper, atacar as instituições, atentar contra a constituição, revelar o nome de agentes secretos, tentar alterar a ordem democrática… Ah, ooops, acabei de descrever uma mistura de Bush com Nixon.
    Agora sério. Nenhum sistema é imune a manipulações. Mas o americano tem um histórico de ao menos se corrigir. Bush será o presidente pior avaliado da história. Nixon foi enxotado. Mas nenhum era anti-americano, no sentido que se quer fazer Obama parecer. O que só reforça a idéia de que o sistema é imune a traidores. Se Obama o fosse, nem candidato seria.
    A canalhice do argumento sobre o anti-americanismo de Obama está sendo evidenciado pelo eleitorado. Ou será que metade dos EUA são traidores?

  • 57 Mr X // 12/October/2008 às 15:24

    1) McCain subiu dois pontos, Obama caiu dois. Prova de que continua sem convencer completamente o eleitorado, e de que NÃO venceu o debate.

    2) Temo que JFK só seja famoso por ter sido assassinado.

    3) Leila, e as fraudes obâmicas do Acorn em Ohio e vários outros estados?

  • 58 Mr X // 12/October/2008 às 15:27

    A visão que o João Daltro tem dos americanos é hilária. Os “rednecks” raivosos que sao tão burros que precisam que os “Republicanos” lhes digam o que fazer, e obedecem como robôs…

    Pelo visto, o João Daltro nunca visitou os EUA, muito menos seu interior. Eu já e posso dizer que essa visão é totalmente caricatural.

    É como um americano dizer que no Brasil só tem mulata andando de seios de fora em pleno centro, que cobras e macacos passeiam pela cidade, etc.

  • 59 Mr X // 12/October/2008 às 15:32

    Obama É anti-americano, no sentido que como todo esquerdista é contra a grande tradição do individualismo americano, é fã do coletivismo, do paternalismo estatal, do coitadismo. Mas é um mal que hoje afeta todo o Ocidente, e se continuar assim creio que será sua ruína. É a terceiro-mundização do Primeiro Mundo, importando idéias bananeiras.

    E não é curioso que todos os que odeiam os EUA, do Fidel a Chavez ao Irã ao Hamas aos marxistas radicais, todos torcem por Obama?

    É a pergunta que não quer calar.

  • 60 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 15:55

    “… no sentido que como todo esquerdista é contra a a grande tradição do individualismo americano, é fã do coletivismo, do paternalismo estatal, do coitadismo. ”
    Temo informar que tal coisa não existe, é uma generalização banal de uma realidade complexa e que mudou ao longo da história. Por certo os americanos têm uma visão pouco benevolente do Estado, mas mesmo a “social-democracia” deles é bem pálida perto da européia, por exemplo, razão pela qual falar em coitadismo num país que não tem salário mínimo nacional ou sistema público de saúde é um escárnio. Dentro do chamado individualismo há uma enorme gama de idéias e atitudes. De Jack Kerouac a Milton Friedman. Além do mais, afirmar isso é esquecer que os EUA possuem uma tradição de, vá lá, “coletivismo”. A “cidade no topo da colina”, a nova Jerusalém que moveu os peregrinos, ou não-conformistas, a migrar da Inglaterra, era uma utopia fortemente reguladora da vida social e individual. É só ler as Blue Laws dos séculos XVI e XVII para ver como a coletividade era responsável e vigiante não só da moralidade individual e familiar de TODOS os cidadãos, mas até mesmo, pasmem, da vida econômica. No século XIX há todo um embate entre os adeptos do laissez-faire puro e da maior presença do Estado na economia, e essa divisão não incidia sobre uma dicotomia esquerda-direita, nem mesmo repubicana-democrata.
    Pulando diretamente para o século XX, pode-se lembrar que mesmo os republicanos, ou conservadores sociais, viam com maus olhos o individualismo e a ética do lucro pelo lucro, preferindo uma vida mais coletiva, voltada para as instituições sociais das comunidades, de que o indivíduo se faz no seio delas e da solidariedade, o que é bem ilustrado pela imagem “típica” dos anos 40 e 50.
    Enfim, a visão burra e iletrada da America individualista, uma abrangência que é constantemente reinterpretada e bastante elástica, deveria começar a ler mais, começando por Tocqueville.

  • 61 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 15:58

    Ah, sim, apenas mais dois exemplos da ausência atávica de “coletivismo” norte-americano.
    Os EUA foram o primeiro país a ter partidos operários, já em 1830. Seu movimento sindical foi tão forte que não só ajudou os democratas a dominarem a política por 30 anos (mais ou menos o mesmo tempo da atual voga individualista), como foi responsável pela grande data trabalhista do mundo, o primeiro de maio.
    Mas deviam todos ser, sei lá, canadenses ou mexicanos…

  • 62 Mr X // 12/October/2008 às 16:06

    João Paulo Rodrigues,

    A “vida mais coletiva” americana a que você se refere nada tem a ver com o coletivismo moderno, i.e. socialismo, mas sim no sentido de uma comunidade de valores, de costumes e de boa vizinhança e que provém muito, como você mesmo observa, da religião. Nesse sentido sim pode-se falar de uma “vida mais coletiva”, visível nas pequenas cidades, mas que está acabando. Especialmente graças à destruição da religiosidade e dos costumes tradicionais e, porque não, devido ao consumismo (materialismo).

    Nem tudo é preto e branco, em verdade. Nem mesmo o Obama, que é filho de pai negro e mãe branca e foi, na verdade, criado pelos avós brancos.

  • 63 marco // 12/October/2008 às 16:07

    João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 14:59

    “Marco - Digo uma palavra: Kennedy. Foi notório o papel da Máfia em sua eleição, e as pilantragens de seu pai eram mais do que conhecidas. Cadê as instituições americanas para evitar sua eleição? Não só foi eleito como é até hoje endeusado por boa parcela da população.”

    Caro João Paulo Rodrigues, você errou de nome. Eu, Marco, nunca escrevi o acima do Kennedy .

    fora isso tudo bem

    abs,
    ma

  • 64 Mr X // 12/October/2008 às 16:09

    Quando falo em “individualismo” refiro-me aos direitos individuais e à noção de indivíduo, em contraposição à idéia de grupos privilegiada pelos progressistas.

    De mais a mais, o homem é um animal social, é óbvio que até certo ponto é sempre “coletivista”, pois vive em sociedade e todo homem precisa interagir com os outros.

    O problema surge quando se tenta fazer reengenharia social.

  • 65 Mr X // 12/October/2008 às 16:18

    O que acho mais insuportável na esquerda, no entanto, é sua noção de “liberdade de expressão”, que só encobre um lado.

    Falar mal do Obama, apontar suas ligações suspeitas? Não pode, é “ofensivo” ou até “racista”. Mas tripudiar sobre a Sarah Palin, pode e deve.

    Censurar artistas esquerdistas? Jamais. Censurar conservadores ou veículos de “direita”? Pode e deve.

    Nota-se a mesma coisa no Brasil, aliás. Nem fazem por mal: simplesmente os esquerdistas não conseguem conceber que outras pessoas pensem diferente deles, e se o fazem, deve ser porque são “burros” ou “racistas”.

  • 66 marco // 12/October/2008 às 16:23

    João Paulo Rodrigues, vamos lá, mais um ping pong…

    “Marco - A maioria esmagadora dos negros irá votar em Obama, levando em conta a cor da pele do candidato. Isso tem um nome : racismo”

    você - Não. A imensa maioria dos negros vota desde os anos 60 nos democratas. Obama é um democrata.

    marco- Nunca houve um candidato negro em quem votar, caro.

    “Marco - Ou seja, nas primárias, aonde Obama venceu em vários Estados com 87 % da população branca, não houve racismo. Caso o resultado se modificar nas eeleções de novembro, é racismo. ”

    você - Mais uma vez: Obama venceu entre democratas. Os democratas elegem negros; seu eleitorado é menos racista que o republicano. Os republicanos não possuem um governador, representante, senador ou membro da campanha de McCain que seja negro.

    marco- Obama lidera as pesquisas. Os EUA tem 300 milhões de habitantes. Uma grande maioria de brancos, logo….

    “Marco - Era legal mas não era moral. Caiu.”

    você - É verdade. Mas ainda existe. Os republicanos estão sutilmente usando o “race card”. Basta ler os relatos de seus comícios. Só não vê quem não quer.

    eu- A raça foi, é, e será importante nessa eleição.
    Mas esse fator não é exclusividade dos - brancos que- não -irão -votar -em - Obama.
    Será de de todos.
    Inclusive do ilustre democrata que comparou Maccain ao racista Wallace.

    “Marco - E quanto a MacCain, não existe o medo que ele leve um tiro? Afinal Bob e John Kennedy, Ronald Reagan, eram brancos e sofreram atentados. ”

    você - Até o Serviço Secreto deu prioridade máxima a Obama. Quem grita que Obama é “terrorista”, que ele deve ser pendurado no alto de uma forca (referência explícita aos linchamentos do início do século XX), que ele é “inimigo da América” é a assintência dos comícios de McCain, não os branquelos que apóiam Obama.

    eu- Quem grita que MacCain é racista também deveria esperar uma prioridade máxima do serviço secreto para ele.
    Ou seja, não existem coitadinhos, e sim dois políticos que tem de ser protegidos dos loucos de plantão.
    Outra coisa, branquelos, é uma forma de tratamento depreciativo que passa batida ás custas do politicamente correto.

    “Marco - Aliás, por falar em atendados e clima de medo, George Wallace, o racista a quem MacCain foi comparado pelos democratas levou um tiro.
    Alguma indução, ato falho, ou apenas infelicidade verbal?”

    você -Wallace era democrata.

    eu- E racista. E levou um tiro.

    “Marco - Obama, em seu discurso ” histórico”, disse que a avó tinha medo de negros. Essa mulher apenas mudou para árabe seu medo.Obama compreende lindamente essas manifestações.
    Faz delas uma plataforma para seus dicursos.”

    você - Isso aqui não faz o menor sentido.

    eu- Obama, em seu discurso ” histórico” disse compreender esses medos.

    “Marco - eu- A questão não é essa. De oportunidade eleitoreira. A questão é a ligação, que não sei qual é, entre esse radical e Obama. Se é nenhuma tudo bem. Se foi mais estreita, tudo mal. Talvez fosse melhor Obama desmentir e romper publicamente com esse cara, assim como fez com o pastor do dane-se a América.”

    você - Para seu conhecimento ele já o fez, ao dizer que o encontrou apenas duas vezes e que não mantém contato com ele há anos. O ônus da prova cabe a quem acusa. E Ayers já trabalhou com políticos republicanos em Chicago.

    eu- Quem bom para o Obama. E para os USA.

    abs,
    ma

  • 67 Alba // 12/October/2008 às 17:02

    Olhem só que artigo interessante, na Piauí, sobre o romance de Monteiro Lobato, “O presidente negro”

    http://www.revistapiaui.com.br/edicao_25/artigo_775/Visionario_espiroqueta.aspx

  • 68 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 17:17

    “A “vida mais coletiva” americana a que você se refere nada tem a ver com o coletivismo moderno, i.e. socialismo, mas sim no sentido de uma comunidade de valores, de costumes e de boa vizinhança e que provém muito, como você mesmo observa, da religião. Nesse sentido sim pode-se falar de uma “vida mais coletiva”, visível nas pequenas cidades, mas que está acabando. Especialmente graças à destruição da religiosidade e dos costumes tradicionais e, porque não, devido ao consumismo (materialismo).”
    Ah, é, que bom. Eu não sabia. Ocorre que quem agora está matizando o “coletivismo” é você, após fazer uma acusação genérica. Eis por que se pode perguntar: onde está o coletivismo socialistas nos Estados Unidos?Onde ele esteve, aliás? De mais a mais, sinto informar-lhe, mas essa tal “comunidade de valores” não é um dado da natureza, não surge do nada, mas é algo historicamente contruído, razão pela qual a “comunidade de valores” puritana punia com a morte o adultério e a permanência de quackers em comunidades dissidentes, não permitia a compra e venda de terras sem a anuência da assembléia comunal. Eis, também, uma das leis dos antecessores dos atuais fanáticos religiosos: “Ninguém poderá ser um homem livre, ou dar seu voto, a não ser que se converta, e seja um membro em completa comunhão com uma das Igrejas permitidas neste Domínio.” Partido único? Hegemonia gramsciana? Quem diria que o cristianismo tinha dessas coisas, não é mesmo? Realmente, é um incentivo e tanto à liberdade individual…
    Tocqueville já ensinava: o espírito de liberdade, nos EUA é temperado por altas doses de espírito de religião…
    Por fim, sempre é bom lembrar que a perda destes caros valores coletivos não é exatamente culpa dos democratas anti-americanos, geralmente adeptos do protecionismo, mas dos republicanos, que incentivaram a extrema liberdade de capital, a desindustrialização que mantinha boa parte destas comunidades, o individualismo consumista e por aí vai.

  • 69 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 17:19

    Caro João Paulo Rodrigues, você errou de nome. Eu, Marco, nunca escrevi o acima do Kennedy .

    Desculpe-me, Marco. Foi o Danilo. Si confundi.

  • 70 Alba // 12/October/2008 às 17:31

    JPR, (68)

    Bravo! Acho ótemo que alguém aqui chame a discussão para o que ela pode ser, e não essa coisa rasa, de acusações absolutamente genéricas, em que os argumentos, o que é beeem cansativo, às vezes, são mais enrolados do que qualquer coisa, como também sabiamente, notou o Antonio.

    E é isso que dá enfado..:((

  • 71 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 17:36

    • Quando falo em “individualismo” refiro-me aos direitos individuais e à noção de indivíduo, em contraposição à idéia de grupos privilegiada pelos progressistas.
    Quais progressistas? Os americanos? Os democratas pregam “reengenharia social”?! Qual? De novo, os progressistas americanos são individualistas. Ocorre que, como disse, a noção de indivíduo, da liberdade do mesmo, ou seja, o recheio do que se faz com e a partir do indivíduo varia muito. Mesmo entre os conservadores isso é bem elástico. Ocorre que os arqui-conservadores querem um indivíduo que: não possa se casar com uma pessoa do mesmo sexo; tenha que orar ao ir à escola; tenha que aprender sobre castidade e não possa receber aulas decentes de educação sexual; tenha sua biblioteca pública expurgada; tenha a “pornografia” censurada etc. etc. Ou seja, queiram uma sociedade formada de indivíduos… iguais.
    Além disso, é curiosa essa noção de que os progressistas americanos pensem em termos de grupos, quando é o puritanismo que insere nos EUA essa noção, onde cada região era um exclusivo de comunidades religiosas (cada estado original foi fundado por uma delas, muitas vezes com os novos estados formados por comunidades expulsas de outras, como Rode Island, por exemplo), onde cada grupo só se mistura e se relaciona entre os seus, onde os nativistas do século XIX queriam a expulsão dos imigrantes irlandeses e católicos, onde a primeira grande solução para a escravidão é o envio dos negros para a África, onde a política de cotas é criação das universidades de elite da costa leste no início do século XX PARA HAVER UM PREDOMÍNIO DE MEMBROS DAS CLASSES ALTAS PROTESTANTES E BRANCAS face o aumento de estudantes negros e judeus etc. etc. O que isso, essa reificação da identidade grupal, esse horror à mistura (que fazia com que os políticos americanos do século XIX desprezassem os hispânicos por serem mestiços), tem de não-coletivo?!

  • 72 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 17:41

    Apenas para ficar no meu Tocqueville: ele ensinou que na América, no séculos XVIII e XIX, o sentido de democracia era o de igualdade, isto é, o de que todos são iguais, não apenas nas leis, mas nas condições sociais. Mais, indicava uma das origens disso as leis que, entre outras coisas, impediam que as propriedades fossem passadas apenas para os primogênitos. Tal idéia, aliás, estã em Locke e acho que em Hayek: o Estado, este intrujão, deveria PROIBIR a herança, forma de valorar mais a individualidade, o talento, o mérito. É claro que Wall Street, essa meca do progressivismo, essa fortaleza do Partido Democrata Socialista da America, não via com bom olhas tais medidas…

  • 73 Pedro Doria // 12/October/2008 às 18:05

    Pô, Mr X, vc foi pregar para quem entende do assunto… =)

  • 74 Alba // 12/October/2008 às 19:27

    Sabe o que aborrece? É a tendência a conceber uma sociedade fechada, com características facilmente verificáveis, como se TODAS as sociedades não sofressem mudanças, influências, tudo o que mostra que a História está correndo, para o bem ou para o mal.

    É, mais ou menos, como congelar uma imagem no tempo e querer que ela seja eterna, ignorando que a fila, como dizem, anda. A tal imagem, certamente vai sofrer modificações, distorções, não será tão bonita talvez, como no início. Bão, sem querer ser pedante, é a História.

    E a História - arriscando uma aproximação talvez sem pé nem cabeça - não aceita desaforo.

  • 75 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 19:30

    •marco- Nunca houve um candidato negro em quem votar, caro.
    Já houve um pré-candidato, Jesse Jackson. Isso ao nível presidencial, posto que em outros cargos eles se contam a centenas, se não mais. De mais a mais, sua lembrança é só mais um indício do racismo ainda presente por lá, meu caro. E o que é curioso: nunca um negro chegou tão longe; quando chega, o que é um fato político, os negros, que votariam num democrata anyway, não podem fazer do fato político que é um presidente negro (até Monteiro Lobato via isso, até Lima Barreto via isso) um… fato político! E eles é que são racistas! Veja: existe racismo anti-branco e anti-hispânico entre os negros. Assim como dos hispânicos contra os negros. Mas é hipocrisia ficar assanhado com isso e esquecer o racismo que tem o histórico da expulsão para a África, da Klu-Klux Klan, dos linchamentos, das leis Jim Brown, do sutil racismo republicano das últimas décadas e por aí vai.

    •marco- Obama lidera as pesquisas. Os EUA tem 300 milhões de habitantes. Uma grande maioria de brancos, logo….
    Sim, é verdade, mas você se baseia num discurso que é um falso silogismo. Não se está dizendo, a não ser alguns democratas mais exaltados ou temerosos, que os EUA são racistas como o foram no passado. Mas que em havendo um pouco de racismo, em eleições como as presidenciais americanas, nas quais dificilmente alguém ganha como o Lula despachou o Alckmin em 2006, basta um punhado de racistas enrustidos mudar seu voto na cabine que o resultado geral pode ser outro daquele que no momento parece o definitivo. Ocorre, ainda, que o discurso da raça sempre o foi, e hoje com a deslegitimação do racismo como plataforma cultural e política, dissimulado. E os republicanos estão usando esta carta, quando não reprimem as bases que pedem que Obama seja enforcado (referência aos linchamentos dos anos 20), quando políticos estaduais o tratam como “moleque”, quando a vice cita um autor racista dos anos 50 em seu discurso de aceitação da indicação, quando a propaganda televisiva liga uma figura negra ao perigo dos abusos sexuais (o mito do negão de pica grossa, luxuriento e animalesco, que quer comer nossas filhas branquinhas, medo que dava a desculpa para boa parte dos linchamentos aos quais já me referi), quando suas credenciais acadêmicas são desvalorizadas (negro só entra na universidade com ajudinha, excluindo-se a Condi, o Sowell e o Colin, claro).
    Ninguém está falando de outras críticas a Obama, como a de que ele não tem um plano preciso para a economia, ou que sua estratégia para Paquistão-Afeganistão possa estar errada. Se está falando disto que mencionei. Estas “críticas” é que são sujas, nojentas, abjetas. Não há equivalente no campo democrata.

    eu- Quem grita que MacCain é racista também deveria esperar uma prioridade máxima do serviço secreto para ele.
    Não sei por que. O Serviço Secreto deve ter mais experiência do que eu ou você para lidar com essa situação. No dia em que um político branco e conservador for morto porque é branco e conservador, bem, aí se espera que se faça algo, é claro. Ocorre que isso não está no radar nem dos republicanos. E que a experiência é de que os políticos sejam assassinados por malucos ou por quem não gosta de gente que foge ao estereótipo wasp. Ah, sim, e ninguém chama McCain de racista, mas de permitir que um racismo insidioso seja propagado por sua campanha ou por seus eleitores.
    Marco - Ou seja, não existem coitadinhos, e sim dois políticos que tem de ser protegidos dos loucos de plantão.
    Outra coisa, branquelos, é uma forma de tratamento depreciativo que passa batida ás custas do politicamente correto.
    Eu posso usar “caucasiano”, um termo neutro, é claro…

    •eu- E racista. E levou um tiro.
    Aparentemente ele não levou um tiro por ser racista, até porque quando o levou, já estava deixando a retórica segregacionista.
    •eu- Obama, em seu discurso ” histórico” disse compreender esses medos.
    Eu também compreendo. A avó dele viveu num tempo em que o racismo era um ódio disseminado, onde os tolerantes não tinham voz ou vez, onde as escolas ensinavam o racismo às crianças, onde as pessoas cresciam num ambiente de hojeriza ao diferente, ao negro em especial. É a isso que ele se referia, ao contexto em que mesmo as pessoas de bem eram contaminadas pelo racismo reinante. Leia-se o bom livro de Jennifer Ritterhousa (Growing up Jim Crow, The University of North Carolina Press, 2006), veja-se o belo filme How to kill a mockinbird (1962), com Gregory Peck. Explicam bem como é possível compreender gente como a avó de Obama. Que, aliás, demonstrou não ter ressentimento e uma virtude cristã básica, que é o perdão. E me parece que os conservadores querem é uma América mais cristã…

  • 76 João Paulo Rodrigues // 12/October/2008 às 19:31

    É isso aí, Alba. Eu acrescentaria que existe também o perigo de imaginar identidades essencializadas, sobretudo as nacionais.

  • 77 Brancaleone // 12/October/2008 às 19:48

    Cá no meu sertão estou felizmente livre de algumas coisas que infestam certas comunidades e grupos sociais. Por aqui o dia a dia é mais duro, mais trabalhado e no fim do dia a gente tá cansado demais para sentar em mesas de butecos e dar umas de “re-vol-ta-dos” com situação social do mundo. Nós trabalhamos, garantimos um salário decente no fim do mês e tá bom.
    Uns e outros ficam por aí exigindo direitos individuais, honestidade na política, igualdade social e outras arengas ideológicas-filosóficas-enrolativas que servem apenas para dar ao populacho o que roer enquanto quem domina fica com o mignon…
    Pelo que se vê e lê por aqui, vem funcionando e bem a uns 3.000 anos ou mais e parece que cada dia funciona melhor.
    Agora vem o Obama com o tal de “Change”, na base do “I have a dream” e pasmem: Fidel apóia o cara e só esse apoio é um sinal para ele ser rejeitado nas urnas e até expulso dos EUA. Fidel apóia Chávez (o palhaço da Venezuela, não o do SBT…), associa-se ao Almedinejade e todos estes reunem-se com a máfia russa através do Putin…
    Sei não. Máfia metida em política eu prefiro a Máfia italiana à russa. Acho que os italianos tem mais “finesse”, um certo “glamour” certamente devido a filmes como o Poderoso Chefão e eu prefiro massa à strogonoff e um bom vinho me cai melhor que boa vodka…
    Mas o mais divertido é umas viúvas de Marx (Carl Marx, não o Grouxo Marx) querendo açular lutas de classes, explorar diferenças raciais nos EUA só para conseguir uns votinhos ou umas linhas a mais aqui nos posts.
    Volta e meia me saem com péroças tipo “Obama é um Luther King bem sucedido”, ou “os EUA vão Change prá melhor” McCain é direitista fascistóide” e por aí vai.
    Gente: Estamos em 2008, século 21 lembram-se? Estas patacoadas comunistas terminaram exatamente as dez da noite de 17 de outubro de 1917 lá na Russia. Deixem disso. Obama nos EUA vai ser uma bela porcaria. Aquele ar de bom moço, de “self made man” (eu diria self MAD man” e de “olha o preto que chegou à presidência dos EUA” tá mais para um bom marketing que para um político competente.

  • 78 Alba // 12/October/2008 às 19:53

    JPR,

    :=)

  • 79 Brancaleone // 12/October/2008 às 20:15

    Carece de estudos acadêmicos a influência dos botecos e seus freqüentadores nas mudanças sociais ocorridas nos séculos 18, 19 e 20.
    Seria interessante verificar se as mudanças iniciadas nos botecos decorreram das ideologias envolvidas ou das quantidades de bebidas ingeridas…
    Algumas tentativas de mudanças (tipo a Change do Obama) só podem decorrer de teor alcoólico. Se existisse bafômetro em palanque eleitoral, muita gente ficava de fora…

  • 80 Alba // 12/October/2008 às 20:25

    JPR,

    Sobre identidades essencialiazadas, é isso que trava a maioria dos debates.

    Alguma coisa como “brasileiro é bonachão” (e é), italiano é espalhafatoso, espanhóis são teimosos, argentino é arrogante.

    Se transpusermos essa pobre, mui pobre, classificação, dá pra ver que ela se reproduz o tempo todo.

  • 81 Diego // 12/October/2008 às 20:34

    “Se existisse bafômetro em palanque eleitoral, muita gente ficava de fora…”

    Inclusive o idiota do Bushinho.

  • 82 Brancaleone // 12/October/2008 às 20:45

    Se cá mencionássemos os líderes dados a excessos nas libações etílicas, alguns pseudo trabalhistas da terrinha aqui sentir-se-iam assaz ofendidos…

    Mas é fato que alguns arroubos que descambaram para movimentos de luta surgiram em mesas de butecos…

  • 83 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 12/October/2008 às 21:59

    os textos estão muito grandes, simplifiquem e resumam.

  • 84 Antonio // 12/October/2008 às 22:34

    JP Rodrigues, perfeito.

    Se todo mundo aqui tivesse o conhecimento de causa (e a paciência) que vc demonstra, o nível do debate seria bem melhor.

    Obrigado.

    ACT

  • 85 Antonio // 12/October/2008 às 22:38

    E, só pra provocar o Chest…

    Cara, vc é o rei copiar/colar textos loooongos, mas na hora de ler os — ótimos — argumentos daqueles que pensam diferente de vc, reclama do tamanho, e pede que eles sejam menores e resumidos…

    Mas pedir coerência seria demais, né?

    ACT

  • 86 marco // 12/October/2008 às 23:01

    João Paulo Rodrigues, infelizmente vai ser um post longo, mas assim é a vida…

    Vamos nessa!

    •marco- Nunca houve um candidato negro em quem votar, caro.

    Já houve um pré-candidato, Jesse Jackson. Isso ao nível presidencial, posto que em outros cargos eles se contam a centenas, se não mais. De mais a mais, sua lembrança é só mais um indício do racismo ainda presente por lá, meu caro.

    eu- É exatamente isso, o racismo ainda está lá.
    E não é exclusividade de brancos não votantes em Obama.

    você - E o que é curioso: nunca um negro chegou tão longe; quando chega, o que é um fato político, os negros, que votariam num democrata anyway, não podem fazer do fato político que é um presidente negro (até Monteiro Lobato via isso, até Lima Barreto via isso) um… fato politico!

    eu- Muita gente boa acha que Monteiro Lobato escreveu um livro racista dado a ” solução” que ele encontra para ” resolver ” o problema.

    Relembrando: ” Três candidatos disputam os votos: o negro Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição. A cisão da sociedade branca em partido masculino e feminino possibilita a eleição do candidato negro. Perante o fato consumado, a raça branca engendra uma típica “solução final”: a esterilização dos indivíduos de raça negra, camuflada num processo de alisamento de cabelos ”

    Quanto ao restante, insisto, se alguns brancos votarão levando em conta a cor da pele, a maioria esmagadora dos negros também o fará, pelo mesmo motivo.

    você - E eles é que são racistas! Veja: existe racismo anti-branco e anti-hispânico entre os negros. Assim como dos hispânicos contra os negros. Mas é hipocrisia ficar assanhado com isso e esquecer o racismo que tem o histórico da expulsão para a África, da Klu-Klux Klan, dos linchamentos, das leis Jim Brown, do sutil racismo republicano das últimas décadas e por aí vai.

    eu- Você esqueceu, além de todos os ódios acima, do racismo dos negros contra os judeus.

    E, o racismo negro é tão ou mais virulento que o racismo branco. Não preciso citar nomes e movimentos você, inteligente e bem informado como é, os conhece todos.

    •marco- Obama lidera as pesquisas. Os EUA tem 300 milhões de habitantes. Uma grande maioria de brancos, logo….

    Sim, é verdade, mas você se baseia num discurso que é um falso silogismo. Não se está dizendo, a não ser alguns democratas mais exaltados ou temerosos, que os EUA são racistas como o foram no passado.

    eu- nem se poderia, o fato de Obama estar onde está prova isso lindamente.

    você - Mas que em havendo um pouco de racismo, em eleições como as presidenciais americanas, nas quais dificilmente alguém ganha como o Lula despachou o Alckmin em 2006,

    eu- Já foi respodindo acima.

    você - basta um punhado de racistas enrustidos mudar seu voto na cabine que o resultado geral pode ser outro daquele que no momento parece o definitivo.

    eu- um punhado de racistas brancos, você quer dizer. Os racistas negros estão absolvidos por antecipação.

    você - Ocorre, ainda, que o discurso da raça sempre o foi, e hoje com a deslegitimação do racismo como plataforma cultural e política, dissimulado.
    E os republicanos estão usando esta carta, quando não reprimem as bases que pedem que Obama seja enforcado (referência aos linchamentos dos anos 20), quando políticos estaduais o tratam como “moleque”, quando a vice cita um autor racista dos anos 50 em seu discurso de aceitação da indicação, quando a propaganda televisiva liga uma figura negra ao perigo dos abusos sexuais (o mito do negão de pica grossa, luxuriento e animalesco, que quer comer nossas filhas branquinhas, medo que dava a desculpa para boa parte dos linchamentos aos quais já me referi), quando suas credenciais acadêmicas são desvalorizadas (negro só entra na universidade com ajudinha, excluindo-se a Condi, o Sowell e o Colin, claro).
    Ninguém está falando de outras críticas a Obama, como a de que ele não tem um plano preciso para a economia, ou que sua estratégia para Paquistão-Afeganistão possa estar errada. Se está falando disto que mencionei. Estas “críticas” é que são sujas, nojentas, abjetas. Não há equivalente no campo democrata.

    eu- Existe uma proibição do politicamente correto, uma espécie de ditadura cultural que assola os EUA, de se contestar Obama, por ele ser negro.

    No momento em que alguém pega pesado, e nessa eleições já houve até ” porco de batom - lá vem linchamento e comparações do republicano com um governador racista.

    Não esquecer que estamos falando de uma sociedade que absolveu um jogador de futebol que assassinou sua ex-mulher e o namorado dela, pelo simples fato dele ser negro.

    Uma importante revista americana foi severamente censurada por todos movimentos negros por ter dado uma capa com o close do assassino ” muito negro e mal encarada ” disseram os movimentos.

    eu- Quem grita que MacCain é racista também deveria esperar uma prioridade máxima do serviço secreto para ele.

    Não sei por que. O Serviço Secreto deve ter mais experiência do que eu ou você para lidar com essa situação.

    eu- Mais ou menos. Kennedy foi abatido a tiros acenando alegremente em um conversível, Bob foi atingido na cozinha de um hotel, Reagan, na rua…e assim por diante.

    você - No dia em que um político branco e conservador for morto porque é branco e conservador, bem, aí se espera que se faça algo, é claro.

    eu- Reagan…

    você - Ocorre que isso não está no radar nem dos republicanos.

    eu- Reagan …

    você - E que a experiência é de que os políticos sejam assassinados por malucos ou por quem não gosta de gente que foge ao estereótipo wasp.

    eu- Kennedys, Reagan….

    você - Ah, sim, e ninguém chama McCain de racista, mas de permitir que um racismo insidioso seja propagado por sua campanha ou por seus eleitores.

    eu- Foi comparado a Wallace, então….racista também é.

    Marco - Ou seja, não existem coitadinhos, e sim dois políticos que tem de ser protegidos dos loucos de plantão.
    Outra coisa, branquelos, é uma forma de tratamento depreciativo que passa batida ás custas do politicamente correto.

    você - Eu posso usar “caucasiano”, um termo neutro, é claro…

    eu- foi só para lembrar a força do politicamente correto.

    •eu- E racista. E levou um tiro.

    você - Aparentemente ele não levou um tiro por ser racista, até porque quando o levou, já estava deixando a retórica segregacionista.

    eu- ninguém morre ou fica aleijado de aparentemente, e sim de tiro.

    •eu- Obama, em seu discurso ” histórico” disse compreender esses medos.

    você - Eu também compreendo. A avó dele viveu num tempo em que o racismo era um ódio disseminado, onde os tolerantes não tinham voz ou vez, onde as escolas ensinavam o racismo às crianças, onde as pessoas cresciam num ambiente de hojeriza ao diferente, ao negro em especial. É a isso que ele se referia, ao contexto em que mesmo as pessoas de bem eram contaminadas pelo racismo reinante. Leia-se o bom livro de Jennifer Ritterhousa (Growing up Jim Crow, The University of North Carolina Press, 2006), veja-se o belo filme How to kill a mockinbird (1962), com Gregory Peck. Explicam bem como é possível compreender gente como a avó de Obama. Que, aliás, demonstrou não ter ressentimento e uma virtude cristã básica, que é o perdão. E me parece que os conservadores querem é uma América mais cristã…

    eu- O que prova o que eu quis dizer, que Obama lida bem com o assunto.

    abs,
    ma

    ps- é um prazer trocar idéias com você.

  • 87 marco // 12/October/2008 às 23:45

    E João Paulo Rodrigues,não se preocupe com votos de última hora. Obama já ganhou essa eleição.

    abs,
    ma

  • 88 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 12/October/2008 às 23:53

    Antonio, em egral coleio posts bem curtinhoas, os longos são para eu mesmo ler.

  • 89 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 12/October/2008 às 23:55

    a questão náo é não votar em Obama por ser negro, negros existem aos montes nos EUA, porque escolher logo o picareta, islamita e radical?

  • 90 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 13/October/2008 às 0:15

    há uma confusão (talvez proposital) com o termo coletivista, do ponto de vista doutrinário-filosófico ou do ponto de vista antropológico.
    Não , os EUA não são coletivistas e nunca foram do ponto de vista doutrinário, o que não quer dizer que não tenham uma vida excelente em coletividade.

    Quando lá morei aprendi o valor do “who cares”, quer dizer, aja como homem e não fique se lamuriando da sorte. As experiências são edificantes. São mais frios que os latinos.
    Mas, mas, mas, se realmente ocorre uma catástrofe, um acidente, algo grave, são muito mais solidários que os superficiais latinos.

  • 91 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 13/October/2008 às 0:16

    Se os democratas não ganharem esta eleição, não ganham nunca mais.

  • 92 Danilo, o da esquerda // 13/October/2008 às 1:00

    Que bom que as eleições americanas vão voltar a ser abordadas com frequência por aqui…

    ” ‘Ele é árabe, tenho medo dele’, disse uma mulher para McCain. O senador tirou o microfone da mão dela e corrigiu: ‘Não há nada o que temer de um governo Obama, ele é um homem respeitável.’ Foi vaiado. Mas interpelou outro. E outro.”

    http://www.youtube.com/watch?v=Hez7W9pAS5k

    Aqui ele foi um pouco vaiado: http://www.youtube.com/watch?v=7hKn1SO7upY

    Comentários lá no TPM: “That’s all fine. But if McCain wants to lower the temperature, how about stopping with the new ad implying that Obama is currently in league with a current terrorist? And if we see Wright come up next week, will this stuff still be operative?”

    Indeed.

    Um quadro do Saturday Night Live matou a pau sobre essa situação: num estúdio de gravação, McCain assiste à gravação de uma peça publicitária com ataques absurdos contra o Obama. Ele então diz que não concorda com os ataques, que deve haver respeito, etc. Então um assessor lhe lembra que Bush fez o mesmo com ele pra derrubá-lo nas primárias de 2000. McCain inclina-se então ao microfone e diz: “I´m John McCain and I approved this message”.

  • 93 João Paulo Rodrigues // 13/October/2008 às 1:28

    Marco,
    O seu argumento é o de que os negros votam num negro por serem racistas, para contra argumentar a idéia de que os brancos votam em branco por causa de racismo. Ora, a questão é que os negros votam nos democratas, tanto que votaram em candidatos brancos. Se racistas o fossem até o talo, simplesmente se absteriam de votar. Os radicais negros dos anos 60 pregavam exatamente isso, uma auto-segregação, a introjeção em suas comunidades, a independência total da América branca. Ora, estes eram uma minoria exígua e quase não deixaram seguidores. Mesmo os paroquianos do reverendo Wright, classe média afluente de Chicago que eram, votam nas eleições. Os verdadeiros racistas negros são aqueles que condenam Obama, que se manifestaram CONTRA sua candidatura pelo menos duas vezes durante seus discursos, lembra?
    Bom, aí você ressalta que não houve candidato negro, o que é mais um indício do quanto o racismo ainda pesou após o movimento dos direitos civis, e pretende que essa lembrança seja um argumento em prol do racismo negro, quando a AUSÊNCIA de um candidato negro para presidente, que é o que faz de Obama uma NOVIDADE, representa, por auto-evidente, o contrário.
    É claro que negros racistas votarão em Obama. O que não dá é para dizer, como você o fez no início (e acho que já em posts anteriores do Pedro Dória), que o voto negro, em si, é racista. Repito: nenhum analista sério acusou o voto branco de racista, mas que há um voto branco racista que pode ser mobilizado para suplantar a pequena margem de Obama devido a outros critérios. A única sustentação da sua tese do voto negro racista é sua constante afirmação neste sentido.
    Citando o livro do Lobato, o interessante é que o argumento dele realça justamente o racismo branco, até na referência à esterilização forçada de negros, fato corriqueiro em prisões e hospitais americanos nos anos 20. O livro remete ao que Jefferson já dizia nas “Notas sobre o Estado da Virgínia”, ou seja, que devido à animosidade entre as raças, e, sobretudo, à violência infringida aos negros, a nação nunca veria uma reconciliação, o que a estória de uma eleição de um presidente negro que falha ilustra bem, me parece.
    Quando você alude ao anti-semitismo negro, mais uma vez vem essa visão de que o racismo subsiste nos EUA por única culpa das maiores vítimas. Não sei se você sabe, mas não há histórico de linchamentos ou de perseguição a judeus por parte de negros nos EUA. Nem o contrário. Nem negros, nem judeus pressionaram ou pressionam para a adoção de leis restritivas aos dois grupos. Todavia, o que essa lembrança do anti-semitismo vem fazer numa eleição em que não há um único judeu? Aliás, os judeus votam em sua maioria nos democratas.
    Da mesma forma, gostaria de saber ao que você se refere exatamente quando escreve: “Não preciso citar nomes e movimentos [do racismo negro] você, inteligente e bem informado como é, os conhece todos”.
    Acho até que sei para onde você vai, e, já antecipando, lembro que não se trata de absolver racistas negros, apenas de ressaltar o que você mesmo lembra: como os negros são uma minoria (cada vez menor, diga-se de passagem), qual é o maior problema, o racismo que tem menor ou o que tem maior número? Qual tem o maior poder de mudar o resultado de uma eleição? Qual tem sido açulado: o racismo redneck ou o do ressentimento negro?
    O resto que segue, sinto a sinceridade, é invenção. Quem disse que Obama não pode ser criticado? Quando, por causa do Iraque, da economia ou sei lá mais o quê, se acusou os republicanos de serem racistas? Eles estimularam o discurso racista… quando estimularam o discurso racista, não quando atacaram as credenciais acadêmicas, as vinculações com Ayers, as propostas políticas para a atual crise ou semelhantes.
    A referência é a O.J. Simpson. E não foi a sociedade que o absolveu, mas a justiça. Creio que na época as pesquisas de opinião o davam como culpado. Aparentemente, o sujeito matou mesmo a mulher, mas ele acabou de receber uma pena dura (acho que perpétua) por roubo e seqüestro. É bem provável que o politicamente correto tenha dominado parte da vida pública, mas o efeito político dele é bem menor do que se apregoa – do contrário os negros ainda não seriam a comunidade com os piores índices sociais do país.
    Você parece fazer crer que ninguém dá a mínima para McCain, quando o fato é que ele recebe proteção como todos os candidatos nas últimas eleições. Obama recebe mais proteção porque é mais ameaçado. Nos casos dos presidentes e candidatos mencionados, ameaça não havia. Tanto que foi uma surpresa (talvez em relação a Robert Kennedy não, mas não estou certo). Quanto a Reagan… francamente. Reagan foi baleado por um maluco que queria impressionar a atriz Jodie Foster (boa escolha), não, como eu disse, por ser branco e conservador. O atirador foi dado como insano e está numa clínica psiquiátrica. E Kennedy não era Wasp. Por ser “irlandês” e católico, não caía nas partículas “asp” do nome. Tanto que sua eleição também foi um avanço político no quesito que aqui se discute.
    Agora sim um ping-pong, pois parece que às vezes você só quer contradizer, e não fazer as coisas terem sentido:
    “JPR -você - Aparentemente ele não levou um tiro por ser racista, até porque quando o levou, já estava deixando a retórica segregacionista.
    Marco - ninguém morre ou fica aleijado de aparentemente, e sim de tiro.”
    Hã?! E eu disse outra coisa? A questão é que nem o caso de Wallace pode ser considerado um atentado contra um racista, na medida em que o atentado ocorre quando o segregacionismo não fazia mais parte de sua plataforma. Talvez o atirador ainda fosse mobilizado por seu discurso anterior, mas não é o que parece.
    “Marco - O que prova o que eu quis dizer, que Obama lida bem com o assunto.”
    Também não faz muito sentido, já que o problema não é a integridade psicológica de Obama, mas a questão política do racismo como fator de mobilização de uma pequena fatia do eleitorado branco, que, ainda assim pode ser influente. Se Obama lida bem com o racismo em sua família não tem nenhuma relevância.
    O prazer foi todo meu. Um abraço.

  • 94 João Paulo Rodrigues // 13/October/2008 às 1:38

    “Há uma confusão (talvez proposital) com o termo coletivista, do ponto de vista doutrinário-filosófico ou do ponto de vista antropológico.
    Não , os EUA não são coletivistas e nunca foram do ponto de vista doutrinário, o que não quer dizer que não tenham uma vida excelente em coletividade.”

    Niguém disse que os EUA são coletivistas, no sentido do socialismo utópico ou científico, ou do aplicado nos regimes comunistas. Mas seu individualismo é temperado por uma forte necessidade de sujeição do indivíduo a uma comunidade, a uma coletividade. O indivíduo deve ser contido por ela. Não vejo nisso um individualismo tão sadio ou invejável.
    Depois, sinto muito, mas há sim um elemento doutrinário “coletivista” no puritanismo.

    Quando lá morei aprendi o valor do “who cares”, quer dizer, aja como homem e não fique se lamuriando da sorte. As experiências são edificantes.
    E quem nega o valor da responsabilidade ou do trabalho por aqui?

    São mais frios que os latinos. Mas, mas, mas, se realmente ocorre uma catástrofe, um acidente, algo grave, são muito mais solidários que os superficiais latinos.
    Se você é superficial, não estenda sua auto-imagem aos demais. Quanto á outra questão, gostaria de ver o “solidariedômetro” em questão.

  • 95 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 13/October/2008 às 11:27

    qualquer vida gregária comporta a contenção do indivíduo, mas aí a confusão que você faz (de propósito).

    O coletivismo significa o sacrifício do indivíduo em prol da comunidade, e o que ocorre nos EUA é o costume de não se meter um na vida dos outros. O direito do indivíduo acaba quando começa o direito de outro individuo, não da coletividade.

    “Se você é superficial, não estenda sua auto-imagem aos demais. Quanto á outra questão, gostaria de ver o “solidariedômetro” em questão.”

    chest- aqui não há argumentação nem lógica que tenha algum valor, portanto va-se…….

  • 96 marco // 13/October/2008 às 18:31

    João Paulo Rodrigues, WASP é OUT.

    Já foi o tempo.

    O verdadeiro stablishiment de nossos dias é a minoria.

    Tom Wolfe, um dos fundadores do new journalism lá nos anos ‘60, declarou durante sua visita no Rio , que ” ser anti Bush é tão…tão …stablishiment!”

    Ironia fina. E verdadeira.

    Permita que eu destaque 3 pontos.

    1- Obama ganha essa eleição.

    2- Com o voto de uma nação.

    3- Que em sua maioria é branca.

    O racismo jogará uma carta importante.
    Mas ele não é exclusividade de não eleitores de Obama.

    uma abração,
    ma

  • 97 Antonio // 13/October/2008 às 18:49

    Marco: “O verdadeiro stablishiment de nossos dias é a minoria”.

    Cara, se vc fosse negro e homossexual, duvido que escreveria uma frase dessas.

    Como é branco, heterossexual, bem de vida e conservador, pode se dar ao