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Os mamíferos se vão

October 9th, 2008 · · 105 Comentários

Metade das espécies de mamíferos do mundo estão sofrendo uma redução populacional. E um quarto delas sofre o risco de extinção. O balanço vem de um estudo que envolveu 1.700 especialistas em 130 países.

Os maiores problemas estão na Ásia, onde o aumento da área cultivada representa perda de habitats naturais e nos oceanos, por conta do uso cada vez mais intenso por parte de nós, homens. No sul e sudeste asiático, 79% das espécies primatas estão ameaçadas. Em todo o mundo, 40% das espécies de mamíferos estão perdendo seus habitats. Aí, não é apenas caso da Ásia: a situação é extrema nas Américas do Sul e Central, em Madagascar e na África Subsaariana.

Não, o problema não é só do mundo pobre: existem apenas 143 linces ibéricos (que vivem entre Espanha e Portugal) vivos. Neste caso, é uma história típica de desequilíbrio ecológico. Há um excesso de lebres, que atacam plantações. Os fazendeiro matam as lebres, que são o principal alimento das linces. Quando a população do predador vai a números gritantemente pequenos, lebres que não tem qualquer dificuldade de se reproduzir aumentam ainda mais em número.

Outro ameaçado é o diabo-da-tasmânia. (Sim, o mesmo que inspirou o personagem de desenhos animados Taz.) Trata-se do maior marsupial carnívoro do mundo, um bichinho feio que dói, do tamanho de um cachorro pequeno. Na última década, sua população diminuiu em 60% graças a um estranho câncer que ataca sua boca. Ele morre de fome.

via Polymeme

Tags: Biologia · Ciências

105 Comentários até agora ↓




  • 1 caceta // 9/October/2008 às 12:22

    Assim caminha a humanidade!!! Vamos destruindo os mamíferos até acabar com a nossa própria espécie.

  • 2 Pax // 9/October/2008 às 12:38

    É triste ver isso tudo acontecer.

    O bicho “mais inteligente” causa a extinção dos menos inteligentes. Muitas vezes desnecessariamente. A maioria das vezes.

    Essa crise é mais importante que um crash de bolsas gananciosas mundo afora. Essa mata mais.

  • 3 Diego // 9/October/2008 às 12:44

    Quando será o fim da nossa espécie?

  • 4 Ivan // 9/October/2008 às 12:50

    Para alguns, esse post é apenas mais um capítulo da “histeria ambientalista da esquerda mundial”.

  • 5 Rodrigo // 9/October/2008 às 12:50

    Isso tudo é coisa de esquerdista. Tudo coisa da cabeça de vocês, seus comunistazinhos!

  • 6 Rodrigo // 9/October/2008 às 12:51

    Cocozinhos gamcianos!

  • 7 Zé Bush // 9/October/2008 às 13:03

    well….qual a utilidade de um lince ibérico? Para que serve um diabo da tasmânia? O que uma baleia tem de útil?

  • 8 Rodrigo // 9/October/2008 às 13:08

    Pra que serve um bush?

  • 9 The Fan // 9/October/2008 às 13:15

    #6, equilibrio ecologico ! pouco né…

  • 10 Nhé! // 9/October/2008 às 13:20

    #6, sem ser uma grande estudiosa no assunto e nem fazer uma pesquisa de campo, apenas me baseando no texto resumido do PD, acho que os linces ibéricos servem para comer as lebres que devastam plantações. Pode-se deduzir, que essas plantações devem ser importantes a ponto de fazer seus donos ficarem caçando lebres que a devastam… =-P

  • 11 Wiliam // 9/October/2008 às 13:21

    Eita, fosse pelos direitobas hoje o um mundo seria uma grande Cubatão dos anos 80.

  • 12 Tiago // 9/October/2008 às 13:22

    #6, Pra que serve qualquer animal?
    Acho que é meio simples.

    Como você teria evoluído até este ponto sem a ajuda de todos os animais, que estão por aí?
    Como iriam criar o silício em que você trabalha sem a ajuda de animais, mesmo aqueles bem microcoscópicos?

    E árvore, não conta?
    Pff. Não creio nesse comentário.

  • 13 Os mamíferos se vão | Biologia para todos! // 9/October/2008 às 13:23

    […] Fonte: http://pedrodoria.com.br/2008/10/09/os-mamiferos-se-vao/ […]

  • 14 Darwinista // 9/October/2008 às 13:36

    A pergunta “qual a utilidade de um animal (ou vegetal, ou protozoário, qualquer coisa) é a mais ignorante que alguém pode fazer. Ignorante em todos os sentidos que a palavra pode ter.

    É exatamente esse pensamento utilitarista, derivado da cultura judaico-cristã, que fez e faz que o homem destrua os habitats e se relacione de maneira absolutamente predatória com outras espécies. E como o retorno disso só será a longo prazo, que se fodam nossos netos e tataranetos. O importante é aproveitar o máximo e agora.

    Organismos vivos não têm utilidade, eles são. Simples assim.

    (Claro que o rapaz que escreveu essa besteira fez de propósito, pra provocar os esquerdistas-ambientalistas que ele julga serem todos babacas. Sim, eu cai na provocação. E vou cair sempre. Mas ignorar é pior, porque as pessoas bem intencionadas tentam responder no mesmo nível de argumentação. Aprendam: falar em utilidade, ao se referir às espécies biológicas, é conceitualmente errado).

  • 15 Gunnar // 9/October/2008 às 13:36

    Isso são casos exóticos. Muito mais sério do que o câncer de boca do Tasmania é o “branqueamento” dos oceanos… esse sim, bem triste.

  • 16 Ricardo Cabral // 9/October/2008 às 13:39

    Rodrigo, avise aos que não te conhecem que vc está com o sarcasmo ligado…

  • 17 Gunnar // 9/October/2008 às 13:39

    Darw

    Digo mais, eles são e têm o direito de ser.

    Tanto quanto nós.

    Talvez MAIS do que nós.

    Qual o conceito de praga?

    Verão que se aplica perfeitamente à nossa espécie.

  • 18 Walter // 9/October/2008 às 13:51

    IT´S A MAD MAD MAD WORLD!!!

  • 19 Darwinista // 9/October/2008 às 13:52

    Gunnar, perfeito.

    E muito boa a lembrança da morte dos corais. Vou aproveitar sua deixa e lembrar de mais uma calamidade que poucos têm conhecimento: grande parte das espécies de anfíbios estão desaparecendo numa velocidade vertiginosa, maior que a da maioria dos mamíferos. As previsões são tenebrosas.

  • 20 C.Barbosa - Subersivo // 9/October/2008 às 14:21

    #2

    Pax,

    Acha mesmo que existe algo inteligente em nós?

    Até aceito inteligente, mas consciente não. Sabemos de tudo, mas na hora da atitude a mente fraca e pouco evoluida se revela.

  • 21 Zé Bush // 9/October/2008 às 14:33

    well,Darwinista…porque todos ambientalistas tem que ser necessariamente “esquerdistas”?

    Quer dizer que um “direitista” não pode ser ambientalista?

    Afinal, ser ambientalista é prerrogativa, reserva de mercado ou conceito ideológico?

  • 22 Darwinista // 9/October/2008 às 14:41

    Zé Bush,

    São vocês que classificam todo ambientalista de esquerdista. Preocupação com a preservação do meio deveria ser de todos, esquerdista, direitista, anarquista, preto, branco, pobre, rico, católico, muçulmano e qualquer outra classificação estéril que você queira usar.

  • 23 Pax // 9/October/2008 às 15:19

    Ôpa, tem direitista no Conselho da reserva onde atuo. Tem gente mais à direita, gente mais à esquerda e gente que nem está aí pra política.

    Papo mais besta esse de dizer que ambientalismo tem lado.

  • 24 Clara C. // 9/October/2008 às 15:21

    o que é ‘branqueamento’ dos oceanos?

  • 25 Danilo // 9/October/2008 às 15:29

    Preocupação com o meio-ambiente não tem nada a ver com ideologia. O problema é a maneira como a esquerda trata a questão. Para começar, com histeria e alarmismo insuportáveis que não se sustentam na realidade. Depois, com propostas de redução radical do consumo e do crescimento econômico. Ora, o meio-ambiente só vai melhorar com mais tecnologia, o que só é possível com mais crescimento econômico. País rico é limpinho; as maiores degradações estão em países pobres, que consomem pouco e utilizam tecnologia rudimentar.

  • 26 Wiliam // 9/October/2008 às 15:39

    Danilo,

    o fato de a esquerda ser alarmista e radical tem a ver tb com o jogo de poder e a forma de conquistar seus objetivos. Se a esquerda fosse mole na sua atuação é capaz que os trabalhadores ainda estivesse trabalhando mais de 15 horas por dia.

  • 27 Danilo // 9/October/2008 às 15:50

    Se o radicalismo da esquerda triunfasse, estaríamos trabalhando 15 horas por dia para ganhar um pouco de comida racionada e algumas roupas e sapatos de baixíssima qualidade.

    E ainda só poderíamos assistir à TV estatal no final do dia.

  • 28 surfando na jaca // 9/October/2008 às 15:53

    Para que serve um Zé Bush? Essa é a pergunta que não quer calar!

    Precisamos exterminar os direitobas para evitar o fim da humanidade!
    Não digo eliminação física, a solução final, mas retirá-los de qualquer cargo de direção e governo. Lanço aqui essa campanha humanitária.

  • 29 Danilo // 9/October/2008 às 15:57

    Surfando na Jaca, com essa sintaxe você não vai conseguir dirigir coisa nenhuma.

  • 30 Darwinista // 9/October/2008 às 15:59

    Pais rico é limpinho mesmo. Limparam todas as matas e construiram um monte de cidades e pastos por cima. Foi uma boa limpa.

  • 31 Darwinista // 9/October/2008 às 16:06

    com histeria e alarmismo insuportáveis que não se sustentam na realidade.

    De que tipo, como a preocupação com o aquecimento global, que a despeito de todas as provas vocês insistem em dizer, de maneira absolutamente irresponsável e inconsequente, não é um fato?

  • 32 Danilo // 9/October/2008 às 16:08

    Mora no mato então, uai. Eu prefiro cidades, de preferência limpinhas. Você não acha que Zurique ou Viena valem mais do que a Amazônia inteira?

    O ruim de derrubar a Amazônia é que geralmente se planta soja ou se cria gado no lugar. Mas se fosse para erguer belas cidades eu não teria nada contra.

  • 33 Danilo // 9/October/2008 às 16:16

    O aquecimento global é um fato, da mesma forma que o esfriamento global ocorrido entre 1945 e 1976 foi uma fato. Mas as causas desses fatos estão longes de ser comprovadas.

  • 34 Nhé! // 9/October/2008 às 16:18

    Dizem que no Japão - país limpinho e com cidades bem modernas - não se derruba uma árvore.
    A demanda por essa matéria prima vem de outras florestas.
    Ou seja: eles não derrubam a deles, mas pagam para os outros derrubarem. Bem longe deles, fazfavor.

  • 35 Rodrigo // 9/October/2008 às 16:22

    Aliás, algumas madeireiras na Amazônia são japonesas.

  • 36 Darwinista // 9/October/2008 às 16:24

    O ruim de derrubar a Amazônia é que geralmente se planta soja ou se cria gado no lugar. Mas se fosse para erguer belas cidades eu não teria nada contra.

    Tá vendo? Esse é o problema de quem não entende porcaria nenhuma de assuntos ambientais querer debater a coisa. Quando o post é de economia eu fico na minha, quietinho, só aprendendo, porque reconheço minha ignorância. Seria ótimo se todo mundo fizesse o mesmo em relação ao que não domina.

  • 37 Danilo // 9/October/2008 às 16:26

    Foi uma brincadeirinha, Darwin. Não leve isto tão a sério.

  • 38 Darwinista // 9/October/2008 às 16:26

    Ah, e antes que eu me esqueça:

    Mas as causas desses fatos estão longes de ser comprovadas.

    Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

  • 39 Ueta // 9/October/2008 às 16:26

    Já vão (vamos) tarde. Vivam os protozoários!

  • 40 Darwinista // 9/October/2008 às 16:28

    Danilo, tem coisas com as quais não se brinca. A manutenção da vida no planeta, por exemplo.

  • 41 Pax // 9/October/2008 às 16:29

    Aqui temos um paradoxo sendo explorado de forma agressiva e infantilizada por comentaristas. Mas o paradoxo é interessante.

    Progresso e Florestas são antagônicos?

    No fundo estamos falando da destruição das florestasprincipalmente por conta dessa devastação que várias espécies estão desaparecendo. Há outros motivos, como caça, mas o principal é esse. E porque isso acontece? Aí a discussão começa a ficar boa.

    A síntese, na minha pouca experiência e envolvimento no assunto, é que mato em pé vale menos que mato derrubado. No curto prazo é isso mesmo. Você derruba, vende a madeira nobre, faz carvão do resto, vende, faz uma queimada e depois joga gado ou passa o trator pra plantar alguma coisa, pode vender as terras por um preço bem maior, e o desmatamento avança. Nossa Amazônia é um exemplo claro disso, MT, PA, RO, AC, RR e AM… É o mesmo problema que acontece nos outros países. A Mata Atlântica já quase se foi, hoje temos uns 7 a 8% do que tínhamos e ainda há desmatamento acontecendo. Nos mesmos moldes. Os outros biomas não diferem muito.

    Enquanto isso há terras e mais terras improdutivas que poderiam ser usadas tanto para o gado quanto para o cultivo.

    Só que o desequilíbrio ambiental cobra um preço alto, a médio e longo prazo. As nascentes secam, as chuvas rareiam, o ar se renova menos e várias outras consequências que todos sabemos.

    Podemos até nos lixar para a vida selvagem, como muitos, não vou discutir esse assunto, é de fórum íntimo quem gosta, quem não gosta, quem é extremamente sensível - meu caso, quem se preocupa mais ou menos, enfim, cada um com seu cada qual.

    O que não podemos é dizer que o desequilíbrio provocados pelos desmatamentos inconseqüentes e demasiados não traz problemas para o planeta. Traz sim, traz muitos.

  • 42 Danilo // 9/October/2008 às 16:31

    Eu desafio você a provar que a causa do aquecimento global é meramente antropogênica.

    Vamos lá.

  • 43 Monsores // 9/October/2008 às 16:36

    O comentário #30 do distinto senhor Danilo foi de uma ignorância sem igual, realmente, Darw.

    No meu ideal de mundo, haveria segregação sim. Metade do mundo seria de quem age respeitando o meio ambiente e pensa pelo coletivo - a curto, médio e longo prazo. Do outro lado, seria para onde eu gostaria de enviar todo e qualquer sujeito estúpido, de esquerda ou de direita. E esse espaço, eu adoraria que parecesse um parque de diversões de Thomás de Torquemada.

    É mais do que óbvio que o mundo só vai melhorar com a extinção das espécias. As espécies estúpidas tais como as que proferiram o comentário 6 e o comentário 30.

    E Pedro Dória, 1000 anos passarão até que na caixa dos seus comentários suma o maniqueísmo infantil, besta e insuportável desse papo de torcida de esquerda e direita. Lado a e lado b.

    Agora vou procurar alguma coisa de útil pra fazer.

  • 44 Darwinista // 9/October/2008 às 16:38

    Eu? Eu não tenho que provar nada. A comunidade científica tem produzido, há anos, centenas de trabalhos demonstrando a associação entre o aumento na emissão de gases estufa por causas antropogênicas e o incremento do efeito estufa.

    O ônus da prova recai sobre a acusação. Vocês duvidam do que a maioria da academia tem encontrado, vocês que provem que eles estão errados.

  • 45 Danilo // 9/October/2008 às 16:38

    “Agora vou procurar alguma coisa de útil pra fazer.”

    Tipo, escrever num blog?

  • 46 Arpex // 9/October/2008 às 16:39

    Me pergunto se o bom senso e a serenidade que fluem de um modo geral nos comentários se deve a uma redução populacional entre as galinhas domesticas ou se é apenas um distinto comentarista integralista tentando evitar uma piada pronta…

  • 47 Danilo // 9/October/2008 às 16:44

    E desde quando há consenso na comunidade científica sobre esse assunto? Que eu saiba os cientista estão bem divididos. É claro que o patrocínio da ONU dá mais evidência a um dos lados, mas não me venha dizer que a comunidade científica já chegou a um veredito e pronto.

    A não ser que você acredite que Al Gore é um cientista e representa toda a comunidade científica…

  • 48 nada será como antes // 9/October/2008 às 16:45

    É óbvio que não se deve medir a importância de qualquer ser vivo pelo prisma de sua utilidade.

    O utilitarismo é a visão que norteia, em essência, a concepção capitalista.

    Para o capital, não importa se répteis, anfíbios, árvores ou crianças serão contaminados ou mortos, quando algum projetos ou mortos quando uma indústria é implantada. Se a perspectiva é de lucro, a utilidade está satisfeita e, desse abominável ponto de vista, válida.

    Se alguns países ricos são mais “limpos”, como mostram as aparências, isto se deve á terceirização de produções químicas poluentes, que são alocadas em países pobres, os quais suportam, além da exploração imperialista, a sujeira indesejada nos territórios das metrópoles neo-colonialistas.

    O imperialismo exporta sujeira, corrupção, ditaduras, exploração, mortandade, doenças, experiências tóxicas, guerras e diversas outras formas de extermínio. Em troca recebe, das dóceis e débeis elites colonizadas, a maior parcela do lucro resultante dessas insanidades.

    A parte mais lamentável é que ainda existem defensores dessa barbárie.

  • 49 nada será como antes // 9/October/2008 às 16:53

    quando algum projetos ou mortos quando uma indústria é implantada = quando algum projeto ou indústria são implantados

  • 50 Pax // 9/October/2008 às 16:58

    Volto ao meu ponto, essa questão ambiental não tem ideologia.

    A China hoje é um dos países mais poluentes do mundo.

    Que me conste não é capitalista.

  • 51 surfando na jaca // 9/October/2008 às 16:59

    Danilo, seu animal direitoba, vc. deveria trocar de moradia com os bichos do zoo.

  • 52 Danilo // 9/October/2008 às 16:59

    Aparentemente, piadas ambientais causam mais revolta do que xingar a mãe.

    Mas não vou perder a oportunidade de dizer que estou muito desconfiado do tal aquecimento globoal. Afinal, onde já se viu um frio assim em outubro? Em São Paulo há gente andando de sobretudo pelas ruas. O Al Gore enganou todo mundo!

  • 53 surfando na jaca // 9/October/2008 às 17:12

    Eu não sei quais os motivos que levam um direitoba a negação do aquecimento global. A questão não tem definição ideológica em termos políticos. É humanitária. O socialismo, assim como o capitalismo, sempre tiveram uma ilusão progressista com a industrialização, que de fato tornou a vida mais fácil. O desequilíbrio ambiental é uma questão de nosso século. A China é um desastre ecológico, a ex-URSS idem, os EUA idem e a Europa idem.
    Agora, só um imbecil nega a realidade e, neste blog, temos alguns. Bom, vou trabalhar. Ando cansado de tanto dar cascudos virtuais nessa gente beócia.

  • 54 surfando na jaca // 9/October/2008 às 17:12

    à negação

  • 55 surfando na jaca // 9/October/2008 às 17:14

    Darwin, mais um idiota chestertiano autista, que só olha para o umbigo. Tem algum psiquiatra de plantão no blog?

  • 56 surfando na jaca // 9/October/2008 às 17:29

    O amigo do Danilo foi condenado pela Justiça:

    O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra foi declarado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo responsável pela tortura de três pessoas da mesma família durante o regime militar, na década de 1970. Ustra comandou o DOI-Codi em São Paulo entre 1970 e 1974, período de maior repressão política no País. A decisão é inédita no País e foi tomada em 1ª instância. À defesa, cabe recurso.
    Na sentença do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi julgado procedente o pedido de declaração de responsabilidade de Ustra pela tortura do casal de ex-presos políticos Maria Amélia de Almeida Teles e César Augusto Teles. Também foi reconhecida a tortura a Criméia Schmidt de Almeida, irmã de Maria.

    O julgamento é apenas moral e político, já que Ustra foi beneficiado pela Lei de Anistia, em 1979. A tortura é considerada crime contra humanidade e penalidades podem ser discutidas na Justiça.

    “Eu me sinto vitoriosa. Gostaria que a Justiça tivesse reconhecido também a tortura a mim e ao meu irmão, que éramos crianças na época. Mas o juiz disse que não há elementos para isso. A decisão faz com que a gente pense mais. De uma maneira mais séria dos crimes do passado. Ela traz à família satisfação e alívio”, diz Janaína Teles, que na época tinha cinco anos de idade. O irmão, Cesar Teles, é um ano mais novo.

  • 57 Antonio // 9/October/2008 às 17:35

    Danilo e Zé Bush

    De fato, a esquerda “sequestrou” o discurso ambientalista para colocá-lo a serviço de seu eterno sonho de impor rédeas ao capitalismo – afinal, trata-se de implementar regulamentações que ferem o princípio de livre funcionamento dos mercados.

    Assim como a direita “sequestrou” o discurso dos cientistas céticos para colocá-lo a serviço de suas duas utopias particulares: manter a ilusão de que existe algo como um mercado auto-regulável funcionando livremente, e desacreditar ou destruir o pensamento de esquerda.

    De fato, não há um consenso sobre o aquecimento global.

    Mas ass *evidências* até aqui recolhidas parecem dar mais razão aos “alarmistas” do que aos “céticos”. Por que? Porque o número de cientistas “alarmistas” é muito superior ao de céticos. Simples assim.

    (E não venham com esse papo de que o patrocínio da ONU desequilibra o jogo. Isso seria supor que não existe neutralidade na comunidade científica. Quem são os maiores mantenedores das grandes pesquisas? A iniciativa privada? Os governos? Estariam todos eles comprometidos ideologicamente?)

    Isso *garante* a validade das conclusões dos alarmistas? É claro que não. Estamos falando de hipóteses e teorias.

    Mas quando a vasta maioria da comunidade científica aponta para um lado, em geral ela acaba se provando certa.

    Isso, meus caros, está nos livros…

    ACT

  • 58 surfando na jaca // 9/October/2008 às 17:48

    Ser cético não é uma escolha, mas ignorância frente a várias medições ambientais, especialmente do derretimento das calotas polares. Eu não discuto assunto científico sem evidências. Isso é imbecilidade pura. A questão ecológica não é só aquecimento global, mas o desequilíbrio ambiental. O Deus-Mercado não vai nos proteger. O capital impede qualquer controle ambiental que prejudique seus lucros. É mais fácil um canalha manter sua fábrica poluindo e pagar uma taxa irrisória do que instalar filtros. Esse imbecil não mora perto de sua fábrica e pouco está preocupado com seus semelhantes. Não se trata desse argumento idiota de esquerda e direita. O que se procura é a exploração econômica sustentável e só a intervenção governamental poderá impedir que o lucro ameace a humanidade.

  • 59 Antonio // 9/October/2008 às 17:57

    Surfando,

    Ser cético (em termos científicos) é uma escolha sim. O cara simplesmente interpreta os dados à disposição de uma outra forma, os relaciona com outras variáveis e extrai conclusões diferentes.

    Não se pode dizer que, a priori, seu trabalho seja menos científico.

    Mas vc tem razão quando diz que a questão é o desequilíbrio ambiental como um todo, e não apenas o aquecimento.

    Isto, nem o mais cético dos céticos é capaz de negar. A Terra está sendo degradada.

    E aí não tem jeito: ou o Estado impõe uma série de regulamentações, ou a farra continua comendo solta.

    Abs,

    ACT

  • 60 Wiliam // 9/October/2008 às 17:58

    Cara esses direitobas acham que todo mundo é retardado e não vê o diversionismo deles. A maioria dessas cabecinhas de ameba sabe . no fundo, a merda que a humanidade tá fazendo.

  • 61 Darwinista // 9/October/2008 às 18:01

    surf e Antonio, obrigado.

    Eu ja ando cansado de discutir com esses caras. Sempre bom ter com quem contar na luta contra o obscurantismo, seja lá de que tipo for.

  • 62 Mr X // 9/October/2008 às 18:15

    1) Em geral os países mais desenvolvidos conservam melhor suas espécies animais e seu ambiente do que os países pobres. É fato. O “capital” nada tem a ver com isso. O homem sempre viveu da Natureza, aliás é parte dela. Aliás 99% das espécies que já existiram no mundo se extinguiram sem ação do homem.

    2) ACT e Darwinista: O fato de que haja “mais cientistas a favor do que céticos do aquecimento global” prova rigorosamente: nada. Ciência não se realiza por votação, basta UM cientista estar certo e os outros dois milhões errados.

  • 63 marco // 9/October/2008 às 18:29

    Enquanto os pobres mamíferos se vão os malditos mosquitos ficam.

    Quase 70 milhões de pessoas são infectadas por ano, pelos mosquitos.

    Outros tantos milhões de animais também são.

    Em resumo, mosquitos são apenas transmissores de doenças.

    Como provocar a extinção dessas irritantes criaturas?

    Respostas para a Redação.

  • 64 Wiliam // 9/October/2008 às 18:32

    E as ratazanas de Wall Street??

  • 65 João Paulo Rodrigues // 9/October/2008 às 18:39

    “Mas quando a vasta maioria da comunidade científica aponta para um lado, em geral ela acaba se provando certa.”

    Nos séculos XVIII e XIX todos os cientistas naturais afirmavam peremptoriamente a existência de raças humanas e sabiam que ela explicava a dinâmica da sociedade. Não consta que Blumenbach, Cox ou Galton estivessem certos.
    Não é a comunidade científica que acaba indo para um lado e provando as certezas, são as provas que criam certezas e fazem a comunidade científica pender para um lado.
    A rigor, não existe “comunidade” científica, posto que ela não é um grupo de iguais e que um dos critérios básicos de seu funcionamento é justamente o debate e a divergência. Agora, é claro que alguns consensos vão sendo formados, mas mesmos eles são sujeitos a constantes reformatações e alterações. Um bom exemplo é o do darwinismo, para lembrar o nome de um comentador. A teoria tal como formulada por Darwin sofreu alterações e adendos consideráveis.

  • 66 pingafogo // 9/October/2008 às 18:50

    Para a atual sociedade do consumo não existe solução. Já matamos, em nossa corrida gananciosa, inclusive os humanos que tomavam conta da natureza.

    É simples assim: temos de mudar os hábitos de consumo, pois estes estão nos matando.

  • 67 João Paulo Rodrigues // 9/October/2008 às 18:53

    Mas vamos a assuntos. Foi perguntado sobre o “embranqueciento” dos oceanos. Explico:
    Trata-se de uma política racista e preconceituosa da elite escravocrata, que quer erradicar a africanidade oceanal, discriminando os afro-descendentes das fossas Guinés-Abissais, assim como os dos Corais Gospeis. Eis por que é necessário imediatamente a criação de uma secretaria especial, que dê emprego aos militantes do Movimento Aquo-negro, bem como de uma política de cotas, para que 30% dos mares a serem preservados sejam pretos e pardos.

  • 68 Antonio // 9/October/2008 às 19:04

    JP Rodrigues,

    Eu me referia à ciência moderna, digamos, da segunda metade do século XX para cá. Hoje em dia é mais difícil de haver um equívoco tão gritante como, por exemplo, o daqueles cientistas europeus de meados do século XIX que inferiam do tamanho e formato do crânio a inferioridade da raça negra.

    Mas discordo de sua afirmação de que “Não é a comunidade científica que acaba indo para um lado e provando as certezas, são as provas que criam certezas e fazem a comunidade científica pender para um lado.”

    As “provas” de que vc fala são, na maioria das vezes, mais produzidas do que descobertas. De acordo com o seu raciocínio, as “provas” existiram por si mesmas, estariam aí, vagando, apenas esperando mentes sagazes o suficiente para reconhecê-las. Mas não é assim que as coisas se passam.

    Cientistas operam baseados em paradigmas — um conjunto de teorias aceitas num determinado tempo e espaço. Fazem isso não porque os paradigmas “correspondem à realidade”, e sim porque, apesar de suas inúmeras falhas e insuficiências, não dispõem de paradigmas melhores. Nesse sentido, o progresso científico não seria uma consequência direta do acúmulo de certezas e conhecimentos, ou o desenrolar natural da investigação cada vez mais racional, mas antes saltos inovadores de percepção, *rupturas* de paradigmas que resultam da inovação, da criação de uma nova maneira de pensar, não de uma refutação sequencial e contínua que seguiria do falso ao verdadeiro.

    O primeiro a chamar a atenção para este fato foi Thomas Kuhn (ele próprio um físico), no seu clássico “A estrutura das revoluções científicas”. Recomendo a leitura. Quem se interessar, vale a pena ler também o Paul Feyerabend e o Bruno Latour.

  • 69 Alba // 9/October/2008 às 19:09

    JPR, (65)

    Essa foi muito engraçada, viu? :=))

  • 70 Antonio // 9/October/2008 às 19:10

    X,

    Eu não disse que o fato de que a maioria dos cientistas seja alarmista constitua “prova” de que eles estão certos, e os céticos, errados. Disse que se trata de um indício, uma evidência.

    Marco,

    Deixe o off topic para o Chester…

    ACT

  • 71 Pax // 9/October/2008 às 19:38

    ACT,

    Mr X é um polemista na mais pura acepção de Foucault! Muito boa aquela tua série do blog. Parabéns.

    E, srs, repararam que o Post não é sobre aquecimento global?

  • 72 João Paulo Rodrigues // 9/October/2008 às 19:47

    Antônio (#66):
    Sim, concordo com você, sobretudo com a parte sobre o falso do verdadeiro. Eu não estava dizendo que a prova “está lá”. Não creio que isto esteja dito. Posso ter deixado passar uma impressão errada. O que eu quis apenas dizer foi que os cientistas não podem apenas decidir aonde ir, ou que a simples maioria seja um fator de averiguação de dados ou teorias. Os cientistas podem decidir quais áreas atacar e quais perguntas fazer. Mas as respostas não podem ser simplesmente manufaturadas, “produzidas”. Do contrário, seria apenas uma questão de ponto de vista. Ora, teoria é a formulação de uma explicação sobre a realidade. Portanto, ela está submetida a um teste de validade, de acordo com princípios geralmente aceitos e comprováveis por mais de um observador. Em alguns casos, pela repetição. Em outros não extamente.
    Na questão do paradigma, acho que é preciso lembrar que, um pouco diferente do que você afirma, existe sim um certo acúmulo de conhecimento. Seja na biologia, seja na física, há um maior número de dados hoje do que há 50 ou cem anos, além de mais realidades conhecidas. Também há mais dúvidas, é certo. E nem sempre isso leva ao simples abandono de antigas teorias, já que às vezes se trata de novos campos. Mas há avanço. Pois é isso que justamente leva a que as falhas dos paradigmas fiquem evidentes e, assim, seja necessário propor novos paradigmas que busquem dar conta do esgarçamento das antigas explicações.
    Mas acho que, no fundo, não estamos discordando.
    Um abraço.

  • 73 João Paulo Rodrigues // 9/October/2008 às 19:49

    Obrigado Alba. Eu gosto de piadas chulas. Mas prometo maneiras nas referências a vegetais de duplo ou triplo sentido.
    Um abraço.

  • 74 João Paulo Rodrigues // 9/October/2008 às 19:52

    E, apenas para que não reste dúvida: eu acredito no aquecimento Global. Eu acredito na origem antropocêntrica, antropogênica ou outra forma antropológica de geração do dito processo.
    Não sou tricolor. Mas eu acredito.

  • 75 Antonio // 9/October/2008 às 20:05

    Pax, obrigado!

    Pois é, aquela definição do Foucault serviria para um bando de gente por aqui, não só o Mr X não…

    JP, tô meio enrolado aqui, depois respondo. Mas acho sim que concordamos mais do que discordamos.

    Abraços,

    ACT

  • 76 j.m.qUEST.mANÉ rELOADED! // 9/October/2008 às 20:55

    Eu estou super chateado……..porque a mulher do Surf….sempre tem uma super recorrencia sobre todos os assuntos………………..AHAHAhahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh….PORRE PURO.. !
    QUE SACO!

  • 77 Proftel // 9/October/2008 às 21:51

    Olha, não li nada aí em cima mas, creio, o homem será o último mamífero a ir prô saco nessa velha Terra.
    Até lá, se ficarem umas vacas e uns porquinhos pra mistura de domingo, de boa.

    :-)

  • 78 marco // 9/October/2008 às 22:08

    70 # Antonio, as formigas em extinção ao invés dos mamiferos, seria esse um off topic força 5?

    abs,
    am

  • 79 Tia // 9/October/2008 às 22:10

    Ai Alex, não me mata de vergonha. : (((

  • 80 Proftel // 9/October/2008 às 22:18

    Bem já pensou depois de velho e já perto do fim-do-mundo ser forçado a virar vegetariano?
    Pô, pelo menos meu bifinho e minha bisteca com mostarda né?

    kkkkkkkkkkkkk rsrsrsrsrsrsrsrsrsr

    :-)))))))))))))))))

  • 81 marco // 10/October/2008 às 0:27

    Bichinho que não nasce, não morre, não respira, põe á prova a Teoria Da Evolução !

    Ou… Sim, A vida pode ser boa com poluição!

    SÃO PAULO - Dentro de uma mina de ouro da África do Sul, numa fenda da rocha cheia de água, a 2,8 km de profundidade, vive a bactéria Desulforudis audaxviator - e mais ninguém.

    Longe da luz do sol e sem nenhuma outra criatura para lhe servir de alimento, a audaxviator (”viajante audaz”, em latim: o nome é citação de uma frase latina que aparece em Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne) usa a radiação do urânio presente nas rochas como fonte de energia e os minerais e gases dissolvidos na água como matéria-prima para produzir tudo de que precisa, inclusive mais cópias de si mesma.
    Trata-se do primeiro ecossistema completo de uma espécie só já encontrado.

    “Ela constrói moléculas orgânicas incorporando carbono inorgânico e nitrogênio da amônia e nitrogênio elementar”, explica o cientista Dylan Chivian, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos EUA, principal autor do artigo que descreve a descoberta, publicado na edição desta semana da revista Science. “A biodensidade na fenda é baixa demais para que as bactérias vivas consigam reciclar o material das células mortas”

  • 82 Darwinista // 10/October/2008 às 7:57

    Põe à prova a teoria da Evolução? Não entendi porque.

  • 83 fabiano // 10/October/2008 às 8:38

    teste pandorama 2

  • 84 Antonio // 10/October/2008 às 10:25

    JP,

    Claro que, entre as ciencias “hard”, a questao da descoberta como ponto-de-vista eh mais espinhosa (nas ciencias sociais, eh so disso que se trata, pontos-de-vista). Mas veja, o proprio exemplo que estamos a discutir aqui serve como contraponto: ha cientistas que olham para os mesmos dados e extraem conclusoes diferentes.

    A ciencia “hard” nao exclui a interpretacao. Nao exclui o observador.

    E isso foi bem colocado pelo famoso “principio de Heinserbeg”. Heisenberg mostrou que nao se pode observar um eletron sem criar uma situacao que o modifica. Ou seja, mesmo no interior da fisica, a questao do observador (e nao apenas do “dado”, daquilo que eh observado) eh relevante, tem influencia.

    Alias, ha boa filosofia que desconstroi o “mito do dado” — estou a pensar em Wilfrid Sellars. Mas ai ja seria desviar demais do assunto aqui.

    Para concluir, eh claro que ha algum acumulo de informacao. O volume de conhecimento, a quantidade de dados de que dispomos hoje eh maior do que ha 80 anos. O que eu questionava, na esteira de Kuhn, eh que o progresso cientifico se de sempre atraves do acumulo — como se uma descoberta fosse a consequencia natural e inevitavel da anterior, um processo continuo. Kuhn diz que nao: sao as rupturas com o conhecimento entao estabelecido, mais do que o aperfeicoamento deste, as grandes responsaveis pelas revolucoes cientificas.

    Grande abraço,

    ACT

  • 85 Antonio // 10/October/2008 às 10:28

    Marco,

    Perdoe, mas falar de doenças transmitidas por mosquitos num post sobre a atuaçao do homem na degradação do meio ambiente é mudar de assunto.

    E, conhecendo o seu conservadorismo, e sua inteligencia, sei bem aonde vc queria chegar…

    ACT

  • 86 João Paulo Rodrigues // 10/October/2008 às 12:54

    Perfeito, Antônio. Acho que agora os pontos em comum estão claros.

  • 87 nada será como antes // 10/October/2008 às 15:12

    Antonio (84),

    Desculpe confrontá-lo, mas não procede e não tem a menor consistência sua afirmação de que, nas Ciências Sociais, só se trata de “pontos-de-vista”.

    É claro que nessa área existe espaço que é ocupado por meros palpiteiros e especuladores. Outros, ainda, como Comte, revestem suas propostas de pseudo-cientificismo, para impingir e tornar palatáveis suas armadilhas.

    As Ciências Sociais não constituem, como pretendem alguns vulgarizadores, a realização de experiências sociais ou meras induções de projetos de controle, como se vê, por exemplo, na corrente funcionalista.

    As Ciências Sociais, diferentes das experimentais, não comportam processoas de laboratório e, por isso, têm outra natureza, ou seja, buscam as leis que regem os processos sociais e, compreendidos estes, possibilitam a formulação de eventuais e não-obrigatórias propostas de encaminhamento, estas últimas sempre de caráter político.

    As Ciências Sociais são, sem dúvida, mais delicadas e críticas que as demais, inclusive devido ao fato de que não permitem erros, os quais, se existentes e implementados, interferem gravemente e podem provocar sérios danos de largo espectro, capazes de atingir as negativamente as demais ciências e a própria espécie humana, em paroxismo. Isto amplia e não diminui o caráter científico dessas ciências.

    Sua afirmação, insisto, não procede.

  • 88 nada será como antes // 10/October/2008 às 15:14

    atingir as negativamente = atingir negativamente

  • 89 marco // 10/October/2008 às 15:57

    Antonio,

    Um carro velho é triturado, esmagado e transformado em um pequeno quadrado de metal. Segue para a fundição. Vira aço.
    E depois, um novo carro.
    Vou parar esse ” processo” por aqui, dado as inúmeras variantes possíveis, mas a conclusão é uma só - por menor que seja o lixo sempre é mais.

    Vamos morrer afogados por ele, no meio ele.
    Ou então a ciência nos salva, desintegrado-o completamente, se é que isso é possivel.

    O homem usa a Terra. A única maneira de não degradá-la seria ficarmos imóveis, zens.
    Morrer por entropia.

    Lixo reciclável, tudo bem , mas é apenas um band -aid em cima de uma ferida aberta.

    Qual a solução? Não sei.
    Quase com certeza são ( serão ) várias.

    Não acredito que passem por verdes abraços em lagoas, ou em xiitismo igual a uma prefeita vert da França contrária a toda e qualquer forma de transporte que não fosse andar.

    Pergunta do jornalista: como alguém poderá ir desta cidadezinha a Paris, visitar um parente por exemplo, visto que são centenas de quilometros etc…

    Madame respondeu- ora, as pessoas tem que parar com esse costume de sair de onde moram.

    Assim, termino sem conclusão. ( ainda achando que mosquitos devem ser desintegrados…)

    abs,
    ma

  • 90 Gunnar // 10/October/2008 às 16:38

    nada #87

    Desculpe, mas as “Ciências” Socias, de fato, não a rigor não podem ser consideradas ciência, considerando a definição* que a maior parte da comunidade científica daria ao termo.

    Constituem, sim, uma área de conhecimento, mas na melhor das hipóteses, conhecimento empírico.

    *s e é que alguém sabe definir o que é essa coisa que chamamos ciência…

  • 91 nada será como antes // 10/October/2008 às 17:28

    Gunnar (90),

    A Ciência, a rigor, não possui hierarquia nem separação.

    O corpo de conhecimentos acumulado pela humanidade conforma um todo indissolúvel e transdisciplinar. Ainda mais rigorosamente, a única e abrangente ciência é a História, pois seu objeto conforma a totalidade da experiência e perpetua o que chamamos de diversas áreas do conhecimento.

    No meu comentário # 87 fiz uma leve crítica (no sentido vulgar do termo) à concepção funcionalista, esta sim empírica e comprometida. O empirismo moderno é originário do método de Bacon e se aplica, por razões óbvias, às Ciências Exatas e, com os devidos cuidados, às Biológicas. Mas aplicá-los às Sociais constitui um andar em círculos.

    As Ciências Sociais são de caráter analítico e podem derivar em propostas e problematizações.

    As peculiaridades das Ciências Sociais não afastam seu caráter científico e são, sim, uma área do conhecimento, tanto quanto as Físicas e Biológicas.

    O conhecimento científico pressupõe a utilização da Lógica (em suas diferentes acepções) e do adequado e testado aparato metodológico. Com exceção dos meros especuladores e/ou palpiteiros, é plenamente possível o exercício da atividade científica digna do termo, especialmente na área das Ciências sociais.

  • 92 marco // 10/October/2008 às 19:10

    Darwinista #82

    Não tenho a mínima idéia, caro.

    Achei que seria o início de uma bela polêmica.

    Não foi.

    Pena.

    abs,
    ma

  • 93 Thiago Azevedo // 10/October/2008 às 20:41

    PD e blogueiros, desculpe o meu comentário, que não tem muito a ver com o assunto do post.
    Quando eu leio comentários dizendo que é melhor uma bela cidade do que a floresta amazônica e outros com opiniões semelhantes acerca do assunto, me vem a cabeça um termo que ouvi em Curitiba - “Piá de apartamento”. Me desculpem dizer isso, mas não foi possível resistir.

    Acho que deveriam experimentar acampar ou acompanhar alguma expedição em uma bela floresta.
    Minha mãe tinha horror de mato, morria de medo. Convidei-a para me ajudar nas minhas coletas do meu mestrado (em botânica). Totalizamos várias horas de coletas e no final das contas ela adorou, mudou completamente de opinião. Acho que vocês deveriam tentar. Tenho certeza que a maioria de vocês que não dão o devido valor às nossas matas, simplesmente não o fazem por não conhecerem.

  • 94 Antonio // 10/October/2008 às 23:43

    Nada será como antes,

    Fique a vontade para discordar… Eh um prazer debater com inteligencia.

    Bem, eu começaria, de modo um tanto provocativo, citando um professor meu, que diz o seguinte: “Existem dois tipos de ciencia, as desumanas e as inexatas…”

    Então vamos lá.

    O que define a ciencia?

    Na minha opinião, é a capacidade de fazer previsoes acuradas.

    Se vc juntar dois atomos de hidrogeneo com um de oxigeneo, terá sempre uma molécula de água.

    Neste sentido, o termo ciencia se aplica somente as chamadas ciencias naturais ou hard — quimica, fisica etc.

    De minha parte, nao gostaria de chamar a sociologia, antropologia e história de “ciencias”.

    Certamente elas pressupoem um conhecimento tecnico especifico, distante do senso comum, mas isso nao deveria ser motivo para as chamarmos de “ciencia”.

    Antropologia, sociologia e historia nao sao capazes de estabelecer leis gerais, e prever o comportamento de fenomenos futuros com base em experiencias passadas.

    No entanto, chamamos todas elas de “ciencias humanas” por uma questao de hábito, por uma questão de costume institucional. (Claro, Foucault diria aí que há um elemento de poder — afinal, o rótulo de “ciencia” é o que basta para legitimar um determinado saber… Mas deixemos a relação saber-poder de lado.)

    Daí minha insitencia de que, no fundo, tudo o que as ciencias humanas produzem são pontos de vistas.

    Creio que as ciencias sociais ha muito abandonaram o projeto de buscar “as leis que regem os processos sociais”. Pq, quando vc fala em lei, fala em algo que nao admite excecao — do contrário, não é lei. Se jogássemos um objeto para cima, e, surpreendentemente, ele ficasse lá, mesmo que isso fosse raríssimo, não se poderia falar em “lei da gravidade”.

    Pois bem: não há como postular o funcionamento de leis sociologicas, históricas e antropologicas. Por um simples motivo: a acão humana é sempre potencialmente inovadora, criativa, introduz novos elementos, modifica as circunstancias — no limite, é impossivel compreende-la completamente de antemão.

    No máximo, o que se pode fazer é buscar analises estruturais ou conjunturais — e extrair daí hipoteses. E o que sao hipoteses, senão pontos de vista bem fundamentados?

    Discordo de vc também quanto ao fato de que “as Ciências Sociais (…) não permitem erros, os quais, se existentes e implementados, interferem gravemente e podem provocar sérios danos…”

    Weber afirma justo o inverso: todo cientista social deve saber que está condenado a ser superado, corrigido e ultrapassado por seus sucessores. Supor que as ciencias sociais não admitem erros é dizer que o conhecimento por ela produzido teria validade eterna, não-contingente.

    Agora, se os governantes decidem se apropriar do conhecimento das ciencias sociais e acabam fazendo merda, o problema é menos das ciencias sociais do que dos governantes. Até porque a política tem por hábito se apropriar das idéias da forma que melhor lhe convier no momento…

    Grande abraço,

    ACT

  • 95 Memento // 11/October/2008 às 9:24

    Deixo aqui meu protesto, o diabo da Tasmânia não é feio coisa nenhuma. É um animal muito bonito, e que faz uns barulhos estranhíssimos. Se não fosse tão zangado eu teria um com muito prazer. E uns gambás também, opossuns, são umas gracinhas. E cuícas, que são mais lindas ainda. E um Joe, isso para ficar só nos marsupiais. poderia adotar uma família de linces, lebres realmente não tenho muita simpatia, mas poderia criar, para alimentar os linces. Legal mesmo ia ser escolher um local assim bem bacana, Araras por exemplo, e fazer ali uma fazenda de preservação de onças. Pardas, pintadas, jaguatiricas… para liberar na natureza e repovoar a mata atlântica.
    E uma outra, mas aí tinha que ser em Minas… estremeções diversas… paras criar guará. Coisa linda é o lobo guará.
    Pax, você poderia criar tatu canastra, é muito comum no sul do país e está ameaçado. Tem um projeto mas na Argentina. Só não dá para comer tatu canastra, eu acho, ele come carniça, inclusive dizem que é comum que eles abram caixões e comam os defuntos.
    Tatu é um bicho muito lindo. E tamanduá também.
    Não existe bicho feio, só uns seres humanos. Mais função de seu péssimo caráter que de considerações estéticas.

  • 96 nada será como antes // 11/October/2008 às 18:14

    Antonio (94),

    Desculpe a demora da resposta.

    Sua definição de ciência, parece, é parcial e, se levada a extremos, perigosa. “Previsões acuradas” são, certamente, parte integrante do processo científico, mas não o esgotam.

    Previsíveis são determinadas ocorrências físico-químicas, que atingem também a área biológica mas que, antes, são decorrência do trato e conhecimento científico acumulados, mas não a atuação científica propriamente. Prever circunstâncias decorre do conhecimento passado mas não constitui exercício presente, o que não significa menor importância, claro. Essa é a área da História da Ciência, ainda que camuflada sob a etiqueta da especialidade.

    Agora, por favor, atenção ao que se segue. Tomo uma área da qual sou conhecedor apenas rudimentar, mas que não temo discutir. Na produção de energia por meio de reatores nucleares, existem vários modelos e meios de produzir a fissão nuclear, ambos factíveis e demonstrados na prática de geração energética. Seriam alguns deles mais e outros menos científicos ? Certamente não, pois o objetivo (a geração de energia) é atingido. A discussão, então, neste exemplo, fica por conta da otimização obtida por cada um desses modelos de reatores. E é justamente neste ponto que reside o objetivo talvez maior das Ciências.

    Racionalidade, lógica, otimização e objetividade são os alvos prioritários da atividade científica. O desprezo a esses alvos, geralmente, decorre da onipresente política nos rumos da Ciência. As opções decorrem, sempre, de interesses, de esforços relacionados a objetivos muitas vezes estranhos ao ato científico, mas que acabam por ditar e direcionar os rumos deste.

    Apresento outro exemplo. Pra ir de automóvel de São Paulo a Campins, há várias opções de trajeto. É possivel escolher as Rodovias Anhanguera e Bandeirantes, que correm quase paralelas mas chegam ao mesmo destino. Também é possivel sair de SP pela Rodovia Fernão Dias até as cercanias de Atibaia e, de lá, acessar a Rodovia D. Pedro I, que também chega a Campinas, ainda que em outro extremo da cidade. Um viajante excêntrico também pode optar por rodovias secundárias, como a antiga via SP/Campinas, que hoje começa numa avenida do bairro de Pirituba, passa por Franco da Rocha, Campo Limpo Paulista, Jundiaí e, depois, por outras estrada secundárias, também se chega a Campinas.

    Qual a razão do prolixo e metafórico exemplo acima? Demonstrar a complexidade das opções disponíveis em quase todas as atividades, inclusive as científicas. Os projetos e as execuções de todas essas opções rodoviárias, em tempos e condições distintos, resultaram do conhecimento científico apropriado pela engenharia, com grandes imposições de teor político/econômico, porém todos propiciam atingir o objetivo, isto é, a ligação São Paulo/Campinas.

    Assim ocorre em todas as áreas da Ciência, inclusive a das Sociais, que você enumera como Antropologia, Sociologia e História. De minha parte, acrescento Economia e Ciência Política. Sim, Economia, entendida como organização do espaço produtivo, é Ciência Social e não técnica ou exata. Os cálculos econométricos são meras ferramentas econômicas, mas não o eixo dessa Ciência. A propósito, em meu blog tratei, algumas semanas atrás, das diferenças entre métodos científicos e suas ferramentas, num post a respeito das pesquisas sobre o uso do tabaco.

    Para continuar sobre as Ciências Sociais, acrescento que igualmente existe a possibilidade de distintos caminhos serem adotados para que deterninado objetivo seja atingido. A maior versatilidade propiciada por alguns deles ou as dificuldades e impedimentos encontrados por outros serão determinados pela observância dos alvos prioritários (racionalidade, lógica, otimização e objetividade) da atividade científica, conforme mencionei no início de um dos parágrafos acima.

    Todas as Ciências dependem e são presas fáceis das articulações políticas. As opções, mais ou menos otimizadas, mais ou menos eficazes, mais ou menos dispendiosas, são decididas em esferas alheias ao âmbito científico, que fica com o encargo de observar e atender às prioridades.

    Para retomar meu comentário # 91, dirigido ao Gunnar, reafirmo que as Ciências não têm hierarquia nem fronteiras. A inter/transdisciplinariedade é, cada vez mais, a característica principal da atividade científica e a presença das Ciências Sociais é inequívoca.

  • 97 nada será como antes // 11/October/2008 às 18:16

    Campins = Campinas

  • 98 Antonio // 11/October/2008 às 19:14

    Nada,

    Permita-me discordar de vc, uma vez mais.

    Racionalidade, lógica, otimização e objetividade são atributos que, embora presentes na investigação científica, não a definem.

    Uma decisão de política pública, por exemplo. Um prefeito reúne uma equipe de especialistas em saúde pública, traça um plano e o implementa. Há racionalidade, há lógica, há otimização e há objetividade. Mas nada disso qualifica a atitude do prefeito, ou seu processo de tomada de decisão, como “científico”.

    A pergunta, pois, persiste: o que separa a ciência do saber comum, e a define enquanto tal?

    Há quem diga que é o “método”. Por exemplo: o sociólogo tem um método de análise, o jornalista, não.

    Mas método nada mais é do que um conjunto de regras e procedimentos aceitos através de consenso no seio de uma comunidade intelectual. O que, é claro, cria um problema: métodos estão sempre a mudar. Aliás, é muito comum acontecer de uma nova descoberta científica de uma determinada área alterar o método até então utilizado dentro dela. Aí o nó: como poderia a característica definidora da ciência ser algo que está a ser constantemente refutada por si mesma?

    Discordo também que a otimização seja o objetivo maior da ciência. É certamente um dos objetivos, mas não o principal. Afinal, vc só pode otimizar o funcionamento ou desempenho de algo depois que descobre como este algo funciona, quais as suas características, a que finalidade serve etc.

    Então, eu gostaria de voltar ao meu argumento (que aliás não é meu: tomei emprestado do filósofo Richard Rorty) de que a ciência se define pela capacidade de fazer previsões.

    Veja bem: não é que a capacidade de fazer previsões *esgote* o processo científico. Eu não disse isso. O que eu disse é que tal capacidade é justamente aquilo que distingue ou qualifica a atividade científica. É isso que a diferencia da atividade política, do conhecimento produzido pelo senso comum, da sensibilidade literária etc.

    Mas eu concordo com vc numa coisa: a inter/transciplinaridade da ciência é cada vez mais uma constante dentro da atividade científica.

    Eu, por exemplo, sou um cientista social meio suis generis… Creio, na esteira de autores como Boaventura Santos, Wolf lepenies, Clifford Geertz, Richard Rorty, Foucault, Derrida etc. que, por exemplo, a literatura muitas vezes produz sociologia de melhor qualidade do que as teses sociológicas propriamente ditas…

    Mas isso seria um outro papo.

    Abs,

    ACT

  • 99 Memento // 11/October/2008 às 22:00

    Só porque tem uns nomes que não agüento nem ver. Geertz e Rorty… brrrrrrrr…
    Sahlins? Bem melhor… muito melhor… incomparavelmente melhor. Rorty? Ciência tem que fazer previsões? Puxa… Não sabia que deveríamos concorrer com a Mãe Dinah…
    Por essas e por outras é que não gosto desse cara.
    Andei xeretando lá pelos lados da teoria do caos, aliás acho que vou aproveitar minha licença prolongadíssima e terminar de ler o livrinho de entrevistas sobre esse tema. E a primeira coisa que percebi é que as naturais não são tão exatas assim e que se acertam nem sempre o fazem pelos caminhos convenientes, como o frade investigador do Eco.
    Assim vamos. Um chuta um pouquinho, outro também, dá até para fazer gol de vez em quando, mas sempre? De jeito maneira…

  • 100 Memento // 11/October/2008 às 22:03

    Derrida era um amor de pessoa, gentil, simples e sinceramente modesto, pelo menos no final da vida. Sempre digo isso, mas nem tudo que ele escreveu se aplica.

  • 101 Antonio // 11/October/2008 às 23:19

    Memento

    Partilho com vc a idéia de que as ciências naturais não são exatas assim. Li, e adorei, o primeiro grande livro a se debruçar sobre esta questão: “A estrutura das revoluções científicas”, do Kuhn.

    Kuhn, é claro, é acusado de relativista. Assim como Rorty. Eu acho uma bobagem, em ambos os casos.

    Mas não entendi sua implicância com Geertz, ao mesmo tempo em que louva Sahlins (com justiça, aliás: é um grande antropólogo).

    Ao que eu saiba, não há grandes diferenças entre a antropologia de Sahlins e a de Geertz. Já entre Sahlins e Obeyeskere, ou entre Geertz e James Clifford, quanta diferença!

    ACT

  • 102 nada será como antes // 12/October/2008 às 2:50

    Antonio (98),

    Mais uma vez, demorei para retornar a este bog e só há pouco li sua tréplica.

    Parece que você mudou um pouco o teor de nosso debate. Desde meu comentário # 87, tentei refutar suas palavras no # 84, onde afirmou que as Ciências Sociais tratam penas de “pontos-de-vista”.

    No meu comentário # 96 afirmei que …”Racionalidade, lógica, otimização e objetividade são os alvos prioritários da atividade científica.”

    Alvos prioritários não são o mesmo que objetivos, como você interpretou no # 98. Se eu quisesse me referir a objetivos, teria utilizado o termo, como fiz em outros trechos de meu texto.

    No # 96 ainda mencionei a atenção especial e inafastável ao método que, para você, é apenas um conjunto de regras aceitas, por consenso, no seio de uma comunidade intelectual. Mais uma vez, discordo e muito!

    O método é sempre algo testado e comprovado. Não depende de posicionamentos de grupos, que sempre sofrem influências e pressões políticas , ou de intelectuais, estes quase sempre comprometidos. O método evolui segundo o avanço das pesquisas e sofre contínuo aperfeiçoamento, sob pena de, não o fazendo, perecer na vala comum do esquecimento e da obsolecência.

    As Ciências Sociais têm, pelo menos, três métodos distintos, porém aparentados. Dürkheim, Marx e Weber apresentara, simultaneamente, métodos analíticos e suas respectivas concepções. De meu ponto-de-vista, o método materialista histórico/dialético é o mais completo existente, inclusive porque aplicável, na prática, nas demais áreas físico/biológicas. O método de Marx é, além de ajustado perfeitamente às Ciências Sociais, o fio condutor não da previsão, mas da previsibilidade, que é algo bem diferente. Mas não vou estender esta questão para evitar a fuga do tema principal do debate.

    Você afirma, também, que o sociólogo tem um método de análise e o jornalista, não. Claro! E sua afirmação demonstra o que tento provar a você. Sociologia é uma Ciência. O jornalismo não é Ciência.

    Num dos parágrafos você argumenta que as decisões políticas de um prefeito não se qualificam, necessariamente, como científicas. Claro! Estratégias e táticas políticas não são o mesmo que Ciência Política. Partidos, grupos de pressão e agentes políticos se guiam por interesses econômicos e/ou sociais, não pela Ciência, necessariamente.

    Por fim, devo ressaltar que você se define como um “cientista social meio suis (sic) generis”. Com isso, você se apresenta como um cientista, mas nega, antes, a validade das Ciências Sociais, ao caracterizá-las como expressões de “pontos-de-vista”.

    Também sou sociólogo, mas não atuo sob pontos-de-vista. Minhas análises são baseadas em metodologia e técnicas adequadas e reivindico, sempre, o caráter científico do percurso e das conclusões. Posso, claro, cometer equívocos no curso do processo, porque não sou infalível. Mas sou disciplinado e respeito os procedimentos. Afasto, sempre, opiniões pessoais e especulações, sempre nocivas e estranhas à Ciência.

    Como você, também aprecio e utilizo as contribuições de Foucault e Derrida, devidamente vistos sob aspectos filosóficos, sem esquecer o foco do método, parâmetro elementar da pesquisa. E concordo, em parte com suas afirmações sobre a contribuição literária, de cuja área também tenho formação.

    Você é um bom debatedor e tem a elegância conveniente.

    Saudações.

  • 103 nada será como antes // 12/October/2008 às 2:57

    bog = blog
    penas = apenas
    apresentara = apresentaram
    de cuja área = em cuja área

  • 104 Antonio // 12/October/2008 às 11:31

    Nada,

    Então chegamos finalmente à diferença entre as nossas posições.

    Quando me apresento como um “cientista social” é porque minha formação de pós-gradução é em “ciências sociais”. Trata-se portanto de uma convenção, que sigo apenas por preguiça de ter que explicar sempre que, apesar do que consta nos diplomas, não me considero um cientista — porque, reitero, seria mais honesto (e correto) não classificar as ciências sociais enquanto tais, isto é, ciênciais.

    Posso estar enganado, mas, se tivesse que chutar, diria que vc e eu pertencemos a gerações acadêmicas diferentes. Vc provavelmente deve ter mais idade do que eu (fiz 31 por agora). Provavelmente deve ter uma formação teórica mais sólida em termos dos 3 pais fundadores de nossa disciplina. Eu, por outro lado, fui formado já em meio ao caldo de cultura pós-moderno, como gostam de dizer. Não é que não tenha lido Marx, Durkheim e Weber. Li, é claro — mas tomei contato com suas obras ao mesmo tempo em que conhecia as críticas recentes que lhes foram dispensadas.

    Por exemplo. Li “Cultura e Razão Prática”, de Marshall Sahlins, pouco depois de “A ideologia alemã”. E o Sahlins não faz outra coisa senão mostrar o quão falho e reducionista é o método do materialismo dialético.

    (Aliás, eu sempre me perguntei o seguinte: a própria influência da obra de Marx já não seria uma prova de que a superestrutura também modifica a infraestrutura? Mas deixemos isso de lado :-)

    O ponto que quero destacar é que, sendo um pós-modernista assumido, eu gostaria de borrar as distinções entre gêneros. Não vejo, repito, porque rebaixar a literatura a um status inferior, de mera ficção, quando o conhecimento que ela muitas vezes proporciona é tão agudo e penetrante quanto o de uma tese sociológica.

    Como pós-modernista, eu gostaria de diluir fronteiras… Os intelectuais formados numa tradição mais classica tendem a enxergar isso não apenas como conceitualmente equivocado, mas como politicamente irresponsável.

    Penso justo o oposto. Penso que é a única coisa que podemos fazer, se é que queremos ser responsáveis, tanto em termos intelectuais quanto políticos.

    Quando vc diz, por exemplo, que “Minhas análises são baseadas em metodologia e técnicas adequadas e reivindico, sempre, o caráter científico do percurso e das conclusões” e que afasta ” sempre, opiniões pessoais e especulações, sempre nocivas e estranhas à Ciência”, eu vejo isso como fazendo parte de um modo de pensar a epistemologia e a relação sujeito-objeto que não leva em conta a crítica de autores como Foucault, Derrida, Hayden White, Homi Bhabha, Gayatri Spivak, Donald Davidson, Richard Rorty, Wilfrid Sellars, e por aí vai.

    Mas aí, se a gente fosse entrar nesses méritos, seríamos obrigados a enveredar por uma discussão em filosofia da linguagem, que é o pano de fundo que está por trás disso tudo. Não sei, mas creio que ficaria chato, talvez maçante — a caixa de comentários não é o lugar mais adequado para uma discussão desta natureza, ainda mais num post sobre a estupidez humana no trato com a natureza…

    Enfim, acho que faremos melhor em apenas reconhecer a diferença de nossos pontos de vista, aceitar o fato de que pensamos de forma diversa — e concentrar nossas energias no debate contra os reaças nos posts mais recentes! :-)

    Foi um prazer.

    Abração,

    ACT

  • 105 Memento // 12/October/2008 às 16:29

    Hmmm existe pelo menos uma grande diferença entre Sahlins e Geertz. Geertz vê estruturas cristalizadas, não dinâmicas. Sahlins percebe a dinâmica das sociedades. Geertz parece acreditar na realidade da ficção que é o recorte que se faz para delimitar objeto.
    Homi Bhabha o homem que baba é um chato. De galochas. Escrita pós-colonial em texto acadêmico só atrapalha. Ele poderia deixar para demonstrar a dupla identidade dele escrevendo prosa ficcional. Como um monte de gente fez e faz.
    Mas o que têm os mamíferos a ver com isso?
    Vou ver Animal Planet.

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