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O que Keynes pode nos ensinar

September 30th, 2008 · · 27 Comentários

Colunista do Washington Post, David Ignatius foi à estante buscar alguns volumes de lord John Maynard Keynes. Trata-se do economista que ergueu os EUA após a crise de 1929. Esta coluna – O que Keynes pode nos ensinar – foi publicada na semana passada, portanto antes de o Congresso dos EUA derrubar o pacote do governo. Este pacote ainda pode ser reapresentado – mas a negociação é dura e difícil.

O problema com o mercado financeiro, argumentava Keynes, é que os investidores são tomados periodicamente por aquilo que ele chamava de ‘preferência pela liquidez’, o que os impunha temor de botar seu dinheiro em nada que não fosse o mais seguro investimento. ‘É da natureza dos mercados de investimento organizados que, quando a desilusão cai sobre um mercado excessivamente otimista e excessivamente comprometido, ela cai repentinamente e muitas vezes com força catastrófica’, ele escreveu. ‘Quando a dúvida começa, ela se espalha rapidamente.’ […]

A idéia revolucionária de Keynes era que o mercado financeiro não se corrigia por natureza, como argumentava a economia clássica. Deixada a si própria, Wall Street pode se manter na armadilha da liquidez que congela os mercados e qualquer investimento produtivo desaparece. Aí, cabe ao governo tomar ações que restaurem a conviança e estimulem o investimento. ‘A conclusão é de que o trabalho de organizar o volume de investimentos não pode ser deixado nas mãos da iniciativa privada em segurança’, escreveu.

O que nos traz ao secretário do Tesouro, Henry Paulson, e a atual crise financeira. Desde que ele interveio para resgatar o Bear Searns, em março, Paulson tem procurado botar dinheiro nos mercados bloqueados pela preferência extrema por liquidez dos investidores. Mas cada resgate apenas engatilha o desastre seguinte – e do Bear Stearns, Paulson vai para Fannie e Freddie, de lá para AIG, e agora a promessa do governo de mais 700 bilhões de dólares.

Que conselho Keynes poderia oferecer a Paulson e ao presidente do Fed, Ben Bernanke? Seu primeiro instinto seria reiterar que o mercado, deixado a si mesmo, não resolverá a crise atual. É preciso ajuda do governo – neste caso, ajuda numa escala que deixaria até Keynes impressionado. Isto inclui garantir hipotecas, impedir certas negociações no mercado e outras medidas. Mas se estas medidas vierem de pouco em pouco, sem amplo apoio político, elas podem apenas ampliar a ansiedade pública. E este é o medo: que o pânico em Wall Street se transforme em pânico nacional.

Tags: EUA

27 Comentários até agora ↓




  • 1 Danilo // 30/September/2008 às 11:07

    Há controvérsias.

  • 2 Chesterton Dracul // 30/September/2008 às 11:12

    nada adianta

  • 3 Danilo // 30/September/2008 às 11:17

    A “Teoria Geral” foi lançada em 1936, o New Deal corria solto desde 1933… Bem mais preciso dizer que a economia dos EUA ergueu a “Teoria Geral”.

    Marcos Lisboa, um economista de verdade, na Folha de domingo:

    “GRAVES CRISES econômicas costumam ser generosas com os historiadores, porém não muito com os gestores de política econômica. Com o tempo, o desenvolvimento de técnicas de análise e o acesso a novos dados permitem conhecer melhor suas causas e desdobramentos. Inevitavelmente, reavaliam-se as políticas adotadas como reação à crise, que, muitas vezes, resultaram em conseqüências inversas às pretendidas, prolongando e agravando as dificuldades que procuravam superar.
    A explicação clássica sobre a crise de 1929, por exemplo, sugere que escolhas de política econômica foram responsáveis pela transformação de conjuntura difícil em depressão. A deflação em regime de câmbio fixo teria agravado a crise do sistema financeiro e, em seqüência, aprofundado a retração dos demais setores.
    Recentemente, novas pesquisas têm reduzido a importância da condução da política monetária e da crise financeira na recessão inicial, explicada, em boa medida, por uma queda da produtividade. O prolongamento da crise, porém, pode ter sido uma infeliz conseqüência do New Deal. A intervenção pública teria impedido o ajuste dos preços relativos e, contrariamente ao desejado, prolongado a crise até o fim da década. Boas intenções nem sempre garantem bons resultados.”

  • 4 nogall // 30/September/2008 às 11:19

    opa, acho que rolou um “trás” que deveria ser “traz”…

  • 5 ailton // 30/September/2008 às 12:21

    Pedro,

    O “New Deal” precedu a Teoriga Geral. Na realidade, foi um conjunto de medidas de caráter keynesiano, porém antes da existência do keynesianismo. A prática precedeu a teoria. Isso em nada diminui a importância de “Teoria Geral do emprego, do juro e da moeda”. Acabou sendo uma feliz “concidência” o sucesso do “New Deal” em arrancar os EUA da Depressão econômica e o surgimento e a consolidação da teoria keynesiana.

  • 6 ailton // 30/September/2008 às 12:42

    Essa tese do Marcos Lisboa é o chamado contra-factual. Se… Ora, o governo americano tinha que resolver o problema do desemprego de 25% da mão-de-bra, gente passando fome e coisa e tal. O fato é que com o “New deal” a economia se recuperou fortemente e no pós guerra os EUA emergiram como a maior economia do mundo (metado do PIB mundial) E isso foi consequência das medidas em estilo keynesiano adotadas na administração Roosevelt. Contestar isso é revisionismo pobre. Contra fatos não há argumentos . Isso é baboseira idéológica. O Lisboa quer ser o Pochman da direita e brigar com a realidade. Se os fatos não apoiam a teoria, os fatos estão errados.
    PS. Não acho que hoje keynesianismo seja a solução dos problemas. Ou que o estado deva se intrometer muito na economia. Porém em algumas ocasiões isso foi sumamente necessário. Talvez seja o caso da atual hecatombe financeira em “Wall Street”. Não acredito que haja receita de bolo para responder a atual crise. Os governos terão que gerenciar o problema, com base em muita tentativa e erro. Novas teses econômicas devem surgir para explicar os fatos atuais e apontar soluções para futuras crises.

  • 7 the talk of the town // 30/September/2008 às 13:23

    @Danilo,

    Ok, deixa eu ver se eu entendi, a sua “teoria” é que Keynes escreveu o seu livro INFLUENCIADO pelo New Deal?

    É isso?

    Sobre o texto do Marcos Lisboa, blz, Dead Drop, Wall St. Destruição criadora neles. O Capitalismo sem a falência é como o cristianismo sem o inferno.

    Eu concordo, mas com ele, somos 2. Se vc estiver junto, somos 3. Mas parece que não há muito “consenso” (vide Congresso dos EUA) sobre isso né?

    Principalmente se o bailout for beneficiar os mais mais ricos (como sempre). Então é facil falar do papel do governo depois que a crise passa e, principalmente, se vc tem um exercito de seguidores cegos e mudos, que não te cobram um pingo sobre a incapacidade historica dos mercados se auto-regularem.

    O Marcos Lisboa teve a oportunidade de sentar na cadeira que toma as decisões, e parece que não aguentou a pressão não. Aliás, parece que não aguentou a pressão nem da patroa, qto mais de guiar a economia de uma Nação.

  • 8 Rodrigo // 30/September/2008 às 13:42

    Puxa vida, quem diria que Keynes acabaria “reabilitado”?

  • 9 Pedro Doria // 30/September/2008 às 14:27

    nogall: corrigido, obrigado.

  • 10 Radical Livre // 30/September/2008 às 14:51

    Danilo,

    você sabe, obviamente, que o Marcos Lisboa, apesar de ser um economista de verdade, tem agenda própria, né?
    em economia, ideologia é tudo.

  • 11 Danilo // 30/September/2008 às 15:04

    Radical Livre…
    É óbvio que Marcos Lisboa tem “agenda própria” e é altamente ideológico, como não poderia deixar de ser. Mas, à direita ou à esquerda, é um dos economistas mais interessantes do Brasil atualmente - pelo modo cuidadoso com que trata os argumentos, pela procura por nuances e pela fuga do lugar-comum. Em economia, estou mais interessado na inteligência do sujeito do que em qualquer outra coisa.

  • 12 Danilo // 30/September/2008 às 15:14

    Talk of the Town…
    É óbvio que não podemos falar de influência intelectual de Roosevelt sobre Keynes. Isso seria ridículo. Mas a Crise de 29 e o New Deal foram pano de fundo para a “Teoria Geral”. Em economia, a teoria chega sempre atrasada, esbaforida.

    Marcos Lisboa pulou fora quando percebeu as putarias em que Palocci estava se metendo. Literalmente.

  • 13 Leonardo // 30/September/2008 às 17:58

    Pode-se perguntar: como acabaria a crise caso não houvesse uma grande intervenção estatal?

    O governo americano acudiu como pôde e quer acudir muito mais, basta que o congresso deixe. Então, provavelmente nossa questão inicial restará sem resposta definitiva e se enredará por especulações intermináveis, entre argumentos de arquibancadas e chavões de torcida organizada.

    O fato é que o capitalismo não acabaria e, de uma forma ou de outra, alguém acabaria pagando a conta, cujo tamanho poderia variar entre grande e abissal, o mundo seguiria em frente e o mercado sobreviveria ao caos.

    Com a mão visível do Estado atuando no jogo, a crise pode ser atenuada e a retomada agilizada, mas as lições de Keynes não eram exatamente estas.

    É bom lembrar que o Estado pode atuar com força no mercado sem influir sobre os grandes agregados diretamente, mas apenas sendo firmemente regulador e direcionador.

    Ainda existem os ultra-liberais, como ainda existem os comunistas, mas o mundo real se vê cada vez mais ao centro - significando, aqui, longe de ambos os extremos.

    Portanto, que ninguém comemore a crise. Nem os clássicos liberais, nem os neo-keynesianos, nem os social-democratas, nem os socialistas, comunistas ou anarquistas. A dor será compartilhada, não necessariamente em proporções equivalentes aos prazeres anteriores, mas a injustiça é inerente a este mundo.

    Não se conformar com isso é uma coisa. Combater isso é até uma obrigação. Ficar resmungando pelos cantos que o mundo é injusto é que não dá.

  • 14 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 30/September/2008 às 18:52

    Ponto para a Democracia Americana

    Bush, Paulson e Bernanke acharam que estavam no Brasil: bastava assinar uma medida provisória que o dinheiro entrava na conta. A Câmara Americana deu uma lição de democracia ao mundo: não tem essa de aprovar uma medida na base do supetão, na base da ameaça. Dar 700 bilhões de dólares ao setor financeiro baseado no medo é um absurdo completo. Apóio a decisão da Câmara Americana, eles fizeram muito bem em REJEITAR o pacote de ajuda ao setor financeiro.

    Como este blog tem alertado desde o começo da crise, é absurdo o fato do governo americano querer ajudar empresas privadas que tiveram prejuízos decorrentes de suas más escolhas no passado. A Câmara Americana não precisa ficar preocupada:

    1) A crise americana NÃO será nem de perto parecida com a de 1929. Basta o governo não tentar salvar o sistema que a crise será breve. Aliás, devemos ressaltar que a economia americana NÃO está em crise. O PIB americano está crescendo e vai terminar 2008 positivo. TALVEZ o PIB americano CAIA em 2009, e esta será a crise. Dificilmente o crescimento americano será negativo em 2010.

    2) Aposto que as bolsas de valores voltam a subir na quarta-feira.

    3) Esse papo de crise sistêmica é papo-furado. Se uma economia não suportar a quebra de alguns bancos, então é melhor que não ajam bancos na economia. Afinal, se tivermos que socorrer o sistema financeiro toda vez que ele tiver prejuízo então logo logo alguém pedirá pela estatização desse sistema. Ou seja, é melhor abandonar essa estrutura e deixar espaço para o mercado criar algo no lugar. Afinal, os bancos são apenas uma forma criada pelo mercado para facilitar empréstimos. Na ausência de bancos outros sistemas apareceriam.

    4) O que gera crise é tirar dinheiro do setor produtivo e DAR para setores ineficientes. O pacote de ajuda ao sistema financeiro se propunha a tirar 700 bilhões de dólares do setor produtivo para ajudar os agentes que foram ineficientes no passado.

    5) A origem da crise americana esta no EXCESSO de regulação, e NÃO na ausência desta. DAR dinheiro ao setor financeiro só iria gerar pressão por mais regulação.

    6) Quem tem que estar preocupado é a China. A China é certamente o país que mais títulos podres deve ter em sua carteira. Fosse a China uma democracia e já saberíamos o tamanho do prejuízo deles. Cedo ou tarde esse número vai aparecer.

    7) Se regulação é a chave, então deveríamos esperar que os fundos menos regulados apresentassem os maiores prejuízos. Então, por que os fundos de hedge (um dos menos regulados) foram os que menos sofreram?
    Excelente a postura da Câmara Americana, verdadeira lição para o resto do mundo.

    Democracia não é dar poderes absolutos a um presidente, mesmo que este tenha sido eleito.
    Postado por Blog do Adolfo

  • 15 Cético // 30/September/2008 às 19:26

    De outro blog.

    Entenda a Crise Americana

    O estrago que Seu Biu causou.

    Quer entender a crise que pode levar os Estados Unidos para o buraco, segundo Bush, e com ele parte do mundo?
    “O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bebuns e quase todos desempregados.
    Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito e o aumento da margem para compensar o risco).
    O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
    Uns zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, PQP, TDA, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
    Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capítais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu ).
    Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
    Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.”

  • 16 the talk of the town // 30/September/2008 às 20:09

    @14, Chesterix

    Acho q vc assistiu o discurso do Ron Paul e achou que esse era o “espirito de corpo”. Normalmente é assim que os otimistas veem o mundo.

    Eu prefiro ficar com a visao que o Congresso Americano, fez politica e simplesmente deu o ultimo tiro no pato-manco, e acabou com qualquer tipo de liderança nesse resto de mandato.

    E que vao passar praticamente o mesmo pacote com mudanças cosmeticas em breve.

    @12, Danilo

    Uau, o Marcos Lisboa saiu qdo o chefe ia metendo os pés pelas mãos e nem pra esperar pra ver se a vaga cai na mão dele? No fim deixou o cargo mais importante depois da Presidencia do BC, Presidencia da Republica (nessa ordem) na mão dos novos-desenvolvimentistas, seja lá o que isso for.

    Boa estrategia.

  • 17 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 30/September/2008 às 20:11

    Se o Mc Cain se eleger, vai ser a coisa mais engraçada do mundo. Aliás, muito séria, pois seria APESAR do partido.

  • 18 Danilo // 30/September/2008 às 20:14

    Países da Europa estão sendo obrigados a salvar bancos também. Cadê a gritaria de quem culpa a falta de regulação?

    Isso só prova que a crise tem origem na farra de liquidez proporcionada pelos governos. No caso do EUA, há o agravante do incentivo aos empréstimos “politicamente corretos” para pessoas de baixa renda e minorias despossuídas. Sim, o governo americano, há muito tempo, enquadra os bancos que emprestam pouco para negros e latinos. Deu no que deu.

  • 19 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 30/September/2008 às 21:01

    quer maior regulamentação que forçar a emprestar a quem tem a ficha suja?

  • 20 João Paulo Rodrigues // 30/September/2008 às 21:02

    Ah, é claro, quem manda dar dinheiro para essa corja de crioulos e cucacrachas! Sem eles o mundo sriab bem melhor, né merrmo?

  • 21 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 1/October/2008 às 2:03

    tô boiando

    PD, olha isso

    http://faculty.chicagogsb.edu/john.cochrane/research/Papers/mortgage_protest.htm

  • 22 Darwinista // 1/October/2008 às 8:23

    Artigo interessante na Der Spiegel sobre a crise nos EUA:

    http://www.spiegel.de/international/business/0,1518,581517,00.html

  • 23 the talk of the town // 1/October/2008 às 8:59

    Quem disse que o sistema financeiro é bem regulado na Europa?

    Excesso de credito? Quem veio primeiro o ovo ou a galinha.

  • 24 Mascate // 2/October/2008 às 2:09

    Faço press releases, divulgo notas e vendo dossiês bem baratinho. Assessoro empréstimos em banco público e defendo políticos e empresários com ficha suja.
    Falar com mascate.

  • 25 Elias // 2/October/2008 às 11:52

    Nenhum mercado — não só o financeiro — dá conta de si mesmo. A tendência geral é, e sempre foi, a autodestruição.

    Daí porque, para funcionar adequadamente, o mercado sempre necessitou de uma regulamentação madura e firme e de um aparelho estatal capaz de aplicá-la com vigor.

    Quando isso não acontece, vira casa de mãe-joana.

    Um exemplo é o mercado financeiro brasileiro. A regulamentação é frouxa e descontrolada.

    Resultado: de modo geral, mesmo as pessoas que defendem mais ferrenhamente a economia liberal, na hora do vamos ver preferem depositar suas economias numa caderneta de poupança, que é garantida pelo governo. Dificilmente apostam no mercado de capital, porque, se o fizerem, jamais saberão o que será feito com seu dinheiro. Que terá tudo pra virar farelo.

    No Brasil, mercado de capital é jogo pra quadrilha. E de grande porte.

    Essa história é tão velha e conhecida que, em tese, nem precisaria ser repetida.

    Nos EUA, a partir de Roosevelt, o mercado financeiro chegou mais perto de ser tratado como o vigarista tendencial que nunca deixou de ser. Foi Roosevelt quem primeiro criou uma Comissão de Valores Mobiliários, modelo para o resto do mundo.

    Só que, com o passar do tempo, a regulamentação do mercado financeiro americano se tornou defasada. Seja porque alguns de seus dispositivos foram desvirtuados, seja porque muitos dispositivos jamais foram atualizados.

    Tudo em nome da liberdade de empreender, que, rapidinho, se transforma na liberdade de sacanear com o dinheiro alheio.

    Daí essa proliferação de “estouro de bolhas” ou “mini-cracks”.

    Nada pra surpreender ninguém.

    O que irrita é essa hipocrisia de sacar o Keynes de conveniência.

    Enquanto a bolha não estoura, não falta é cretino dizendo que o mercado tem remédio pra tudo.

    Quando a coisa explode, aí se “descobre” o óbvio: não só o mercado não tem remédio pra quase nada como ele próprio, o mercado, é um doente sem cura. Especificamente, um portador de psicose maníaco-depressiva, com seus clássicos surtos de euforia, seguida de depressão.

    Aí uma parte da ratarada liberal se recolhe às tocas; o resto vai pros jornais e tevês, lembrar que o genial Keynes sempre defendeu a intervenção estatal no domínio econômico.

    Engana-se quem apoia essa gente achando que está ganhando aliados para a tese de um controle minimamente decente sobre o mercado.

    Tão logo a gatunagem puser as mãos na baba, voltará a ser liberal desde criança.

    É claro que esse quase trilhão de verdinhas deveria ser usado, principalmente, para amortizar os débitos de quem se ferrou pensando estar realizando o sonho da casa própria.

    Duvido que essa hipótese seja pelo menos levada em conta seriamente.

    Enfim, eles que são gringos que se entendam. Ou não.

  • 26 jp Guimarães // 14/October/2008 às 13:20

    Acho que o Estado deve intervir na economia sim. No caso da crise atual deve interferir moderando a especulação quase “criminosa”, pois as bolhas foram criadas por especulações financeiras. E nem seria preciso ser economista para entender isso!

  • 27 jp Guimarães // 14/October/2008 às 13:28

    Além disso a intervenção deve ser constante! Para evitar desastres como estes que estamos assistindo! até pq concordo com o Leitor Elias no texto acima. “…antes da bolha estourar não faltam cretinos dizendo que o mercado tem remédio pra tudo.”
    Acabar com a crise é limitar as ações desses cretinos

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