Obama venceu o debate. Aqui está o porquê
Há uma discussão boa, nos comentários, a respeito de quem venceu o debate de ontem à noite. E há bons argumentos de um lado ou de outro. Os fatos, no entanto, são os seguintes: tanto a pesquisa da CBS quanto a da CNN indicam que, para os eleitores independentes, Obama saiu vencedor.
A pergunta que nos importa, aqui, é: por quê?
McCain arrancou risadas do público ao ironizar uma possível conversa entre Obama e Ahmadinejad. (Foi o momento mais forte do debate.) McCain deixou claro que conhece os países, que conhece muito dos líderes nesses países, principalmente no que toca as ex-repúblicas soviéticas ele demonstrou conhecimento superior ao de Barack Obama.
Então por que Obama foi percebido como melhor pelos eleitores independentes?
Uns dez anos atrás, aprendi algo cobrindo a eleição para governador no Rio de Janeiro que poria Anthony Garotinho no Palácio Guanabara: jornalistas têm imensa dificuldade de avaliar debates enquanto eles acontecem. Tudo que achei como um repórter de política foi negado pelas pesquisas. Quem gosta muito de política tem a mesma dificuldade. E o motivo é o seguinte: somos, todos aqui no Weblog, gente que presta atenção demais. Não é assim que eleitores que ainda não decidiram em quem votar vêem debates. Estes eleitores simplesmente não ligam muito para política. (Se ligassem, já teriam feito sua escolha.)
O blogueiro que tenho gostado de ler nestes momentos é Nate Silver, o estatístico por trás do FiveThirtyEight.com. (Dada a quantidade de vezes que o citam no blog da Economist, não sou o único jornalista em dificuldades.) Estatísticos são melhor capacitados para fazer a análise de debates porque eles não prestam atenção no conjunto. A cada palavra dita, tentam imaginar a que grupo demográfico aquilo vai interessar.
As pesquisas dizem que Obama venceu o debate para os independentes. Segundo Silver, eis o porquê:
Os independentes não estão nem aí para a Rússia ou para o Irã. Mas estão preocupadíssimos com a casa própria e o dinheiro na Bolsa.
McCain não se referiu à classe média uma única vez. Obama se referiu a ela três vezes. (Este é um país no qual a maior parte da população está na classe média.)
Ao falar de economia, McCain tomava o rumo de argumentos tecnocráticos, como cortar gastos e onde. Obama simplesmente dizia: Para 95% da população, os impostos vão cair.
Obama olhava para as câmeras (e quem assistia na TV) enquanto falava e para McCain, quando era a vez de seu adversário. McCain olhava para o público no teatro ao falar (e não para as câmeras) e ignorava seu adversário na vez dele. Parece um detalhe, mas não olhar para o adversário transmite insegurança.
No fim, Obama falou, essencialmente, o que o público queria ouvir. Se ele vai conseguir cortar os impostos de 95% da população? Só se for mágico. Esta crise sairá uma fortuna para os cofres federais. Mas é assim que se vence eleição. E é por isso que Barack Obama venceu o debate. Noutra crise econômica, George Bush, o pai, também prometeu impostos baixos e venceu uma eleição. No governo, aumentou-os. (E isto custou-lhe sua reeleição.)
Silver também chama atenção para três números mais importantes das pesquisas de ontem à noite. Para 62% dos independentes, Obama percebe os problemas da classe média; apenas 32% acham que McCain tem essa empatia. Essa era uma vantagem que Obama já tinha e que, talvez, tenha se consolidado por conta do debate. Os outros dois números são novos. Por 49 a 43%, Obama ganhou como o ‘líder mais forte’. Esses números costumam pender para o lado de McCain. Deu empate na pergunta quem está melhor capacitado para ser presidente. O argumento da experiência e do preparo de McCain se perdeu no debate de ontem.
O importante, aqui, é que não foi um grande debate. Não foi particularmente marcante. Ninguém foi incrivelmente superior ao outro. Os números de ontem não necessariamente indicam uma tendência. Podem indicar, mas precisaremos de alguns dias para ter certeza.
Enquanto isso, alguns analistas continuarão dizendo que John McCain venceu o debate. Um dia alguém os convence de que não são os seus critérios que determinam essas coisas. Infelizmente, diga-se.
Ainda sobre o assunto:
- Joe Biden venceu o debate (e o porquê) As primeiras pesquisas saíram: deu Joe Biden, dizem os indecisos. Na pesquisa da CBS, a diferença é grande: 46% para...
- E Obama venceu mais um A essas alturas, não há muito mais o que falar: as pesquisas da CNN e da CBS dão resultado semelhante....
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Pedrão, queria ler o que pensa o Idelber, mas ele não atualiza desde 22 de setembro. Tem notícias dele?
“Os independentes não estão nem aí para a Rússia ou para o Irã. Mas estão preocupadíssimos com a casa própria e o dinheiro na Bolsa.McCain não se referiu à classe média uma única vez. Obama se referiu a ela três vezes. (Este é um país no qual a maior parte da população está na classe média.)”
Xeque-Mate
Vai chover de comentários do Chesterton e do DJ enchendo a paciência do PD. Obamista será o mínimo que eles irão dizer. Eles só enxergam o que querem.
Semana que vem, pra eles a gloriosa Sarah Palin terá destruído o velhinho do Biden.
O Idelber está viajando, Ale, e provavelmente com dificuldades de atualizar.
E eu achando que o Obama tinha ganhado o debate porque falou de uma nova abordagem americana para o mundo.
Nada como um dia depois do outro. E uma noite no meio.
No fundo, no fundo, a classe média americana é medíocre. Nada além disso. Como todos nós.
MEDÍOCRE
Adjetivo de dois gêneros(latim mediocris,e)
1. Que está entre o grande e o pequeno ou entre o bom e o mau.
2. Sem destaque; comum, ordinário, vulgar.
Adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros
3. Diz-se de ou pessoa de pouca capacidade ou de talento insignificante.Substantivo masculino
4. O que está abaixo da média quanto à qualidade, ao valor intelectual ou artístico etc
A classe média americana não conseguiu enxergar a roupa nova do Imperador
Então eles não devem ser inteligentes mesmo…
Eu não conheço Joe Biden direito, mas depois deste vídeo passei a ser fã:
http://www.youtube.com/watch?v=XberX_t-WvI
Ótima lição de como desconcertar um jornalista com uma palavra. Engraçado e inteligente. E mostra que não leva as coisas muito a sério.
Gostei do seu post, Sr. Doria. É bem verdade que uma coisa é o analista preocupado com o conjunto das falas, inclusive considerando ridículas algumas proposições diante do aperto orçamentário que a crise irá impor. Bem diferente o eleitor comum e o que deseja ouvir. Lembrou-me do Collor, que todos com algum raciocínio via como um farsante, sem base política para governar, mas foi a sua demagogia que os eleitores queriam ouvir. Depois, nunca mais se soube de quem votou no Collor. Todos negam. Só me lembro de algumas raras pessoas, pois sou um rancoroso político, como a Elba Ramalho, porque era do nordeste.
Pax, a classe-média é medíocre em qualquer lugar.
Incrível também é que depois de um debate morno, sem momentos de grandeza intelectual, alguns cismem de repetir que o Obama é medíocre. Olhem para a fina estampa do negão e sua capacidade de sacudir a política dos EUA. Só isso basta para que não o menosprezem.
Não adianta dar murro em ponta de faca, o texto do PD tá numa lógica.
Continuo achando uma leve vantagem prô McCain, no mínimo empate mas, quem vota são eles e não nós daí, o que interessa lá é imposto e não política internacional.
Fica assim então.
Pedro Doria, haverá outro debate antes das eleições?
:-)
Proftel, haverá mais dois debates presidenciais e um de vices. O de vices é no dia 2.
Bom, esse debate dos vices promete ser interessante, os outros entre eles devem ser os “quentes”, esses não perderei, tomara que a Globo faça como nesse último, minha conexão e curiosidade agradecem.
Brigadão pela explicação.
:-)
Esse post está ótimo, e na hora de analisar o debate a gente tem que se colocar na pele de alguém que não conhece profundamente os candidatos e não toma partido de nenhum lado. O que eu vi ali foram dois candidatos competentes e com bom conhecimento geral; a postura de Obama era mais diplomática e a de McCain mais teimosa e arredia; Obama falou boa parte do tempo direto ao eleitor, direto aos seus problemas, enquanto McCain não olhava direto na câmera (e nunca para Obama) e só falava em cortar gastos públicos.
Surf…..a Tereza Rachel e a Claudia Raia encheram o saco de todo mundo com esse pooooooorra do Collor….
FHC queria ser seu ministro……louquinho para……
Fora os velhinhos da rua em morava, que puseram aqueles plasticos no carro quando da época do impeachement…..
Rancoroso ……já fui!….hoje entendo esses espiritos orgulhosos…..
Encontra-se argumento para tudo. Quando se pergunta quais as qualificações de Obama para ser presidente, enumeram-se suas inesgotáveis qualidades intelectuais, algumas das quais inventadas ou infladas. Quando se pergunta quem venceu um debate em que Obama nem de longe mostrou ser esse cara brilhante, diz-se que Obama venceu por ter sido simplório e ter conseguido se conectar mais com o povão…
Um velho conservador e um politico standart norte americano…..a diferença é que Obama é mulato, mestiço……..
Os dois vão manter por um tempo a chacina do oriente médio…..estão numa sinuca de bico.
Surf, de boa, não vi ninguém chamar o negão de medíocre.
O cara até que manda bem mas, não sei se teria culhão pra fazer algumas coisas, nessa hora é que um cara mais experiente é que conta.
E, convenhamos, esse mundo véio não tá assim tão estável pra ficar colocando experiências em prática.
Bom, essa é minha humilde opinião.
:-)
Eu fico imaginando uma viatura, trabalhei por muitos anos com veículos chapa-branca.
Pegava a viatura e ia direto pra estrada, como a gente não sabe muito bem como tá a mecânica do bicho, melhor não abusar nas curvas, ficar freando muito em cima e ultrapassagem só com muita margem de segurança, a economia tá assim.
Já com uma viatura conhecida, com no mínimo três meses em cima dela, dá pra fazer o diabo.
Botar o Obama na presidência pra mim é mesma coisa de pegar uma viatura que você não conhece e sair cantando pneu, ultrapassar pela direita, dar cavalo de pau e o scambau, é arriscar com um troço que você não conhece, que provavelmente está “no osso”.
Só isso.
Pensando bem, ser comentarista político é ainda mais fácil do que ser comentarista de futebol.
É Danilo, deve ser difícil baixar o QI pra comentar futebol….
kkkkkkkkkkkkk rsrsrsrsrrsrsrsrrs
:-)))))))))))))
Danilo, ofender é fácil. Afinal, o comentarista político, aqui, sou eu, não é? Meu trabalho deve ser realmente muito fácil.
Você acha que este trabalho se resume a buscar argumentos, não importa quais, para defender um lado sempre. Que é só ficar navegando na Internet.
Mas não é isto. O objetivo é tentar explicar o que está acontecendo. Não importam minhas simpatias, aqui. O que importa é que duas pesquisas indicam que o público achou Obama melhor. O que eu estou tentando fazer é explicar de onde vem essa percepção do público. Não é a explicação que eu gosto, pessoalmente.
Eu sei que vc tem opinião formada e tem certeza de que estou tentando manipular informações e que minhas simpatias pessoais e minhas ignorâncias várias determinam minha linha editorial.
Olha: as simpatias pessoais estão declaradas, prefiro mesmo Obama, e o número de coisas que não conheço direito e sobre as quais, vez por outra, tenho que escrever é grande. O trabalho de jornalista é esse, mesmo. O que a ética jornalística determina é que devo buscar as informações mais detalhadas que conseguir e que devo apresentá-las com a maior imparcialidade que me for possível. Deixo claro minhas simpatias aos leitores para que eles possam levá-las em consideração, mesmo, na hora de avaliar qualquer argumento que eu faça. Este, o do jornalismo, é um ofício de aproximações, de imperfeições. Avaliar história com um ano de passada é fácil. Em cima do laço, não é, não. Ainda mais na internet: os arquivos estão todos aí para avaliar se avalio direito ou não.
Tem gente que lembra até hoje que defendi Israel nos primeiros dias da desastrosa guerra do Líbano. Eu estava errado e avaliei o momento mal.
Mas tento fazer isso aqui de forma honesta. Fácil? Não é não, cara. Dá trabalho pra cacete. Divertido é estar lá em Stanford assistindo aula, e não aproveitando cada intervalo para ler mais um artigo ou acordar mais cedo para conversar com algum analista. Dar trabalho não quer dizer que saia direito ou que saia bom. Não quer dizer que seja competente. Ou mesmo mais ou menos. Mas dá trabalho: portanto, aí é fato, fácil, não é, não.
Danilo, se esta sua simplificação dos comentários daqui lhe satisfaz, parabéns. Acho que não foi essa a opinião de ninguém. O Obama não foi brilhante como falamos ontem e nem o Caim para nós e que nem votamos no próximo imperador. Mas pode ser a impressão do povão, segundo afirma o Doria. Acho que vc. misturou canais. Proftel, não vejo o que temer com o Obama. Acho que melhorará a política externa, que será menos agressiva e mais persuasiva, pelo menos foi o que declarou o Obama.
debates tem avaliações subjetivas enormes e em grande quantidade. Talvez Obama tenha conseguido se conectar ao público, talvez Mc Cain tenha conseguido. Se saberá nos próximos dias, e aí as pesquisas de opinião nos trarão esse dado.
Mas Obama tinha que ter trucidado o republicano , em fim de governo republicano, cheio de merda para colocar no ventilador e não trucidou. Pelo contrário, tudo que Mc Cain fez foi jogar as contradições do próprio Obama no ar.
Chester, pela primeira vez concordo contigo. Sei lá, vou ler de novo. Estou passando bem? Foi o uísque?
Pelo menos era essa expectativa, pois se falava que o Caim estava fugindo de Abel Obama.
o debate lembrou aquela piada do galo velho e do galo novo, onde ao apostar corrida, o fazendeiro achava que o mais velho perseguia o mais novo, e o mais velho continuou reinando.
o jornalista tem 2 opções, ou ficar neutro 9u declarar seu candidato na primeira linha. É óbvio que o PD está torcendo pelo Obama, portanto não se pode acusá-lo de desonestidade, mas essa preferência pode provocar distorções em suas análises.
Gostei das colocacoes do PDoria. McCain massacrou Obama no debate. Obama nao foi capaz de apontar os principais problemas do adversario e o discurso de McCain teve muito mais coerencia intelectual. Foi sensacional ele ter feito a plateia dar risada de Obama, fragilizado em seus argumentos. Mas foi insuficiente, pelos motivos explicitados pelo PDoria.
De qualquer forma, se Obama for eleito e a PEX americana for um desastre, essa imagem do publico rir dele sera bastante lembrada.
se eu fosse dos taf do Mc Cain, teria que encontrar uma maneira de debater este FATO
But we now know that many of the senators who protected Fannie and Freddie, including Barack Obama, Hillary Clinton and Christopher Dodd, have received mind-boggling levels of financial support from them over the years.
Throughout his political career, Obama has gotten more than $125,000 in campaign contributions from employees and political action committees of Fannie Mae and Freddie Mac, second only to Dodd, the Senate Banking Committee chairman, who received more than $165,000.
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=aSKSoiNbnQY0
Uma risada histórica, puxa, e para o resto da vida… Baboseira…O todo é que vale e o Caim não conseguiu ridicularizar o Obama. Atacou mais e para mim isso foi o inesperado do debate.
Pedro Doria, no #21 aí em cima, melhor explicar como sempre digo ao pessoal: “tudo bem explicadinho pra não deixar dúvida”.
Seguinte, não estou compactuando com essa idéia de que é fácil ser comentarista internacional, de forma alguma, é um trampo extremamente difícil, cheio de nuances da política internacional, interesses financeiros e geopolíticos que se mesclam como nós numa rede.
Para fazer d’um comentarista internacional do seu nipe um comentarista esportivo, só com lobotomia e olhe lá.
Tá explicado?
:-)
Dória, concordo com seu post - e as pesquisas te dão total razão. Entretanto, em relação ao debates de IDÉIAS, Obama tomou uma sova e não há como negar. Principalmente em relação às relações internacionais, restou evidente que ele foi humilhado. Só negaria quem não assistiu ao debate.
Quanto à economia, acredito que ambos chafurdaram na mediocridade, com uma pequena vantagem para McCain que expô um plano, não apenas fez afirmações populistas. Mas como você bem expôs, o povão não presta muita atenção, osta mais de ouvir o que quer, não o que deveria.
Entretanto, devemos considerar que ao mesmo tempo que o povão não se interessa por detalhes, também não se interessa por debates. Por outro lado, quem elege são os delegados e a eleição ainda se põe empatada.
Não descarto a idéia de Obama ser eleito. Aliás, a tendência é que seja mesmo, embora esteja tudo relativamente empatado. Mas é evidente que, embora McCain não seja metade de um Reagan, ele é muito, mas muito superior a Obama, que é totalmente vazio, apenas repete o que a imprensa diz. Talvez por isso jornalistas gostem tanto dele.
Obanana é uma fraude, e como todos sabem você não consegue enganar todo mundo o tempo inteiro. Mc Cain é um guerreiro, denotativo e conotativo, galo velho que intimidou o galinho. Uma eleição que prometia ser uma lavada está empatada. Vai ser bom assistir de camarote.
Há uma confusão entre afirmar que McCain foi melhor e identificar que ele foi mais agressivo e procurou apontar as incongruências e falhas de Obama. McCain efetivamente fez o segundo, medianamente, na medida em que pouco foi contradito por Obama. Todavia, McCain pode ter cometido dois erros graves: não foi incisivo o bastante (Obama só perdeu o rebolado, e mesmo assim de forma sutil, quando foi alvo das risadas), e, curiosamente, passou uma imagem de paternalista. Ora, o candidato da situação, que quer ser um Maverick (embora em política externa defenda, no fundo, todo o programa de Bush), não pode dar uma de que vai dar lições, como se fosse o rei da ilha; isso simplesmente é incongruente, e o mais bocó dos eleitores saca isso rapidinho. Não dá para afirmar que entende tudo sobre o mundo, afirmar que não estava ao lado de Bush, mas na hora de dissecar as políticas, defender o principal do que foi feito até aqui. Além disso, para que a estratégia de ontem à noite tivesse dado certo (McCain precisa muito mais que Obama de vitórias incontestes, já que está atrás e é a situação), o republicano precisaria que seu tom levemente arrogante, tivesse sido sentido por Obama, que ficou cool 90% do tempo. Obama passou a imagem da liderança e da calma. Ou seja, manteve a imagem que o trouxe até aqui. McCain muda a cada semana de cara, e parece dar quase sempre com a cara na parede. Está gastando munição, e o adversário continua frio e no controle dos nervos e de seu discurso. Pode-se até especular se o Homer Simpson não terá ficado intrigado com as dezenas de vezes em que Obama disse que McCain mentia sobre suas posições. É preciso lembrar que boa parte dos baixos índices de Bush se devem a ser considerado alguém que mentiu durante estes anos todos.
Mas, enfim, a questão não é econtrar argumentos para defender Obama. A eleição já está ganha. Não há nada que McCain possa fazer. Tudo o que fizer se voltará, de uma forma ou de outra, contra ele.
Acho o ocntrario, Obanana vacilou várias vezes, e não teve papel de lider. E de modo algum a eleição está ganha. Se os democratas pensarem assim, vão, de novo, dar tiro no pé.
JPR, que sua bola de cristal esteja certa.
gostei, acho o oirartnoc!
Há também a tendência a deixar que a última impressão seja a que fica. Contudo, Obama se saiu melhor na parte sobre economia: já na primeira pergunta elencou quatro ou cinco prioridades. McCain foi mais hesitante, e ainda acabou derivando para um tema sem relação direta com a crise financeira (petróleo). Se dedicou a alguns truísmos (os responsáveis devem ser responsabilizados) e generalidades sobre a ganância etc. Chegou a aludir ao déficit público e, como exemplo, falou de pesquisas financiadas pelo governo federal sobre o dna dos ursos de Montana! Atacou Obama como gastador e Obama devolveu ressaltando que suas emendas são fichinha perto das que McCain votou a favor, beneficiando os ricos e deixando a classe média de lado. McCain derivou então para tecnicalidades sobre emendas, um subterfúgio da discussão mais de fundo, que ele sabe que não se resolvem com a postura do “choque de gestão”, dessa coisa meio Alckmin de que basta vontade e uma caneta para, reduzindo gastos com superfluidades, devolver a economia a seus trilhos.
I agree with Howie Carr on this one: “Barack’s leading in the polls, there were no killer soundbites, George Bush is not going away before Nov. 4, and foreign policy is, after all, McCain’s strong suit. But last night anyway, McCain bloodied Obama, again and again.”
I also agree that this will not be a foreign policy election, so yesterday might no help as much. But if Obama keeps mumbling and using weasel words like he did yesterday, McCain might still win.
fyi
O Chest sempre foi McCain desde que nasceu, eu tô mais prô lado dele por conta da economia mundial, se estivesse estável iria de Obama pra que tivesse chance de fazer algumas experiências e tentar melhorar as coisas mas, na atual conjuntura de instabilidade, um cara mais pé no chão e conservador que a gente sabe o que pensa, creio ser a melhor opção.
Podem crer, essa crise não se resolve só com esse pacotaço de 700 bilhões, ainda há muita água por rolar debaixo da ponte.
Bom, sei lá, mas é só o Obama se esforçar mais para colar a imagem do Bush ao Caim. Só isso bastará. O Bush sai com a popularidade de um FHC em fim de segundo mandato.
Surf, se o McCain der uma de Itamar e ajeitar a economia já será o bastante, fará muito.
O que não dá na atual conjuntura é colocar um “Collor” que tente matar o leão com um tiro só.
Creio que ficou ponto pacífico aqui que Obama vacilou algumas vezes e que McCain foi no geral mais incisivo. Mas McCain precisa praticamente de um milagre ou que Obama perca as estribeiras, daquelas que entram para a história. E ninguém em sã consciência pode dizer que isso ocorreu ontem. É assim: Obama ganha mesmo que perca a partida de um a zero, pois já fez trocentos gols na casa do adversário (quer dizer, o momento econômico e político fez isso para ele). Só isso.
Na realidade, tem mais (e daí vem minha “bola de cristal”). Obama era um novato, tratado como o futuro longínquo. Calmamente, na dele, tornou-se uma alternativa real. Foi para as primárias, contra um peso pesadíssimo, tomou paulada, teve o choro da Hillary, tudo ia contra ele. Ele ganhou, com elegância e sendo chamado de sem substância. Aí veio o pastor. Pronto: acabou para Obama, ele foi desmascarado. Ninguém fala mais no rev. Wright. Depois foi o anúncio das “celebridades”. Obama será ridicularizado. Nada. A seguir, a mulher de uma noite só, Palin, a revolução conservadora, a jogada de mestre, uma mulher como as outras, ela tirará as eleitoras de Hillary. Água!
Enquanto isso, qual real obstáculo McCain suplantou? Até a escolha de Palin já foi pro buraco. Acabou o encanto e a moça só demonstra seu despreparo, volubilidade, medo da imprensa, enfim, um desastre político. Nem tudo (talvez pouco) é culpa do McCain, mas o fato é que cada dia ele precisa mais de uma virada que não vem. Todas suas pequenas vitórias foram desfeitas. Pode-se desgostar disso. Mas acho que tal sequência indica alguma coisa sobre a eleição.
JPR, concordo e a Palin foi uma escolha populista e desesperada de uma assessoria burra. A mulher é um desastre. O próximo debate promete. Deverá ser mais divertido.
40, iria de Obama pra que tivesse chance de fazer algumas experiências e tentar melhorar as coisas
chest- tá maluco? que experiências?
Aí sim, concordo que esse debate será divertido pacas, d’um lado a moça, do outro o chegado numa gafe.
Por nada não, eles se merecem.
:-))))))
Não me atrevi a dar uma opinião ontem porque perdi parte dele. Comecei a assistir quando estavam falando de Iraque e Afganistão. De início achei o McCain um tanto estranho em sua postura(piscava muito), mas não tinha reparado que não estava olhando para Obama, o que de fato é muito ruim. Se você tem de enfrentar um opositor num debate, claro que é fundamental que o olhe nos olhos.
De qualquer forma, da parte que vi, achei o McCain com mais desnvoltura com as palavras. Confesso que esperava mais do Obama, para quem torço. Por isso, se Obama ganhou o debate, está ótimo.
Esse post foi bastante interessante, explicando de maneira clara a percepção do debate para as pessoas que de fato contam para decidir a eleição.
Correção: perdi parte do debate.
JPR, Obama não era um azarão, começou a corrida presidencial como favoriot e TODA midia ao lado dele.
Acho que o título do post deveria ser:
” Mc cain ganhou, mas não foi o suficiente”, representaria melhor a realidade dos fatos.
Claro, que o PD torcendo contra Mc Ccain não percebe.
Chest, principalmente na matriz energética, nos problemas ambientais, num outro enfoque dessa luta maluca contra o terrorismo, uma chacoalhada nas Forças Armadas e seus contratos milionários e por aí vai…
Só que, numa conjuntura de instabilidade financeira isso não rola.
1matriz energética
2ambiente
3terrorismo
4exército
O que Obama faria
1. cataventos
2 . andar a cavalo
3. abrir as pernas
4. diminuir o poder bélico
Ihhh, agora o frangote descambou para a oligofrenia.
estou sendo irônico, pois não há nada de prático a fazer que não tenha sido feito.
Tenho pelas estatísticas o mesmo apreço que tinha Mark Twain, portanto não me daria ao trabalho de buscar explicações sobre o citado debate junto a um estatístico, aliá, não me daria ao trabalho de buscar explicações sobre o debate em lugar nenhum, da mesma forma que não me dei ao trabalho de ler transcrições do mesmo. Porque concordo com o PD quando ele diz que os estadunidenses estão se lixando pro resto do mundo.
Portanto, como brasileiro (coisa que muita gente boa aqui deste pedaço parece ter vergonha de ser), não vejo maiores diferenças entre os dois candidatos. Poderia até arriscar e dizer que não vejo qualquer diferença.
Nenhum dos dois vai sair do Iraque, porque a guerra do Iraque tinha por único objetivo o petróleo, logo pressupõe uma ocupação permanente. Sairão apenas se forem postos para fora. Talvez saiam do Afeganistão, se a coisa ficar muito feia (leia-se cara).
Nenhum dos dois vai deixar de intervir, da forma violenta e absurda de sempre, em qualquer parte do mundo, toda vez que os interesses das grandes corporações estadunidenses for contrariado.
Os dois podem ter decorado o livro de geografia (coisa que o Bushinho, mais pragmático – o pragmatismo não é uma filosofia nascida nos EUA? – não se deu ao trabalho de fazer), mas continuam vendo o mundo como a América e o que não é a América, o que já demonstra que eles não têm a menor idéia das origens e do significado do nome América.
Então, mesmo louvando o trabalho do PD em nos trazer as impressões que os expertos de lá formularam sobre o debate, eu passo.
Já que eu costumo citar o The Guardian, aqui vai a opinião do jornal britânico: o debate terminou em empate. Em português, rima pobre e assunto mais ainda.
João Daltro, acho que ampliando suas impressões, que coincidem em parte com as minhas, poderíamos pedir ao blogueiro (será que ainda se acha brasileiro?) uma cobertura sobre o que os candidatos desejam para a América Latina. Até agora não vi nada de significativo e dará no máximo duas linhas, ou estarei enganado?
54, ainda bem.
Chesterix (49):
Eu não afirmei que ele era um azarão, apenas que era um novato. O fato da imprensa desde o início lhe ser favorável (nem sei se isso é verdade, mas vá lá) não o fazia ser o favorito, pelo simples fato de que Hillary, por exemplo, estar à sua frente. A diferença é que enquanto McCain era o favorito entre os republicanos, Obama teve que ir até o final numa disputa árdua.
Mais: o fato de que, a partir do lançamento de sua pré-candidatura, estar na frente de McCain não significa que sua trajetória fosse ou tenha sido fácil. Você confunde o ponto de partida com o caminho percorrido.
O Idelber acabou de postar sobre o debate também:
http://twurl.nl/xeu4o7
Da série: Até tu Nelson ?
Ou, a espantosa história do colunismo brasileiro.
NELSON DE SÁ
COLUNISTA DA FOLHA
( Obama) Estava essencialmente correto, porém, debatedor de poucos recursos e aparentemente sem preparo, permitiu que gastos públicos e corte de impostos, bandeiras republicanas, se impusessem no jogo.
O democrata insistiu no esforço de vincular o republicano ao governo Bush, de gastos fartos, e chegou a marcar pontos, como quando McCain, tenso, se disse um “independente”.
Mas a naturalidade de McCain em debates, já conhecida, aos poucos dominou e não deixou espaço para uma reação maior.
Sobre política externa, por outro lado, a insistência de McCain em declarar vitória no Iraque e citar soldados americanos mortos como heróis, só fez reafirmar seu militarismo, o que pode não ser a melhor mensagem na crise.
Mas foi também nessa hora final que Obama pareceu entregar os pontos.
A segurança com que McCain se pronunciava sobre o Irã ou a Rússia levou o democrata a usar além da conta o recurso de dizer “John está certo”.
De sua parte, quando parecia se exceder nas piadas sobre a própria idade, McCain acertou uma em cheio, sobre não ouvir o que Obama dizia, e parou.
É o “timing”, que permitiu desarmar o democrata até quando ele estava flagrantemente em vantagem.
Já Obama mal consegue rir, menos ainda ironizar.
João Paulo, você fez uma narrativa interessante, mas deixou muita coisa de fora. O Obama tem a vantagem natural de estar no partido de oposição, depois de 8 anos de governo republicano, um governo que tem um nível de aprovação de apenas 28%. Independente de quem se candidatasse no partido democrata, o McCain teria essa difícil missão de se mostrar diferente de um governo que cansou os americanos.
O Obama já vinha sendo sondado como candidato à presidência desde 2004. Os democratas estavam com dificuldade de achar um candidato carismático e inspirador para combater a eficiente máquina de propaganda republicana. O discurso do Obama na Convenção Democrata em 2004 foi sensacional e todos os olhos se voltaram para ele. De lá para cá, a popularidade dele aumentou nacionalmente, os Kennedys os declararam herdeiro político deles, e ele teve uma longa jornada nas primárias democratas para mostrar que era um candidato viável, capaz de agradar os moderados e indecisos, e não só os democratas fiéis.
Leila,
Creio que remeter a presença nacional de Obama em 2004 a uma viabilidade é um certo exagero (sem contar que, neste quesito, McCain tem imensa vantagem já que foi pré-candidato em 2000). Como você mesmo menciona, Obama discursou na convenção em 2004, mas não havia nenhuma possibilidade ou força política agitando sua candidatura em 2004, nem mesmo em 2005, ou 2006. Seu nome só apareceu como contendor sério ano passado. É a partir daí que as coisas começam a contar.
E eu chego a arriscar que é o extato oposto do que você fala. O argumento que você avança me parece retirado da nossa forma de tratar das disputas políticas e as eleições. Nos EUA, a não ser que o candidato seja o presidente, as eleições nos EUA, a diferença do resto dos países democráticos, não costuma ser um plebiscito sobre o partido no poder. Por uma série de fatores da cultura política norte-americana, a questão costuma ser o futuro, não o que o partido do poder fez nos últimos anos.
McCain já carrega uma vantagem, a de ser um senador (e não o vice de Bush) e de, efetivamente, ter uma imagem de independente, até mesmo um histórico de divergências com Bush. Quem tem que provar, para o leitor americano médio, pasmem, que McCain é mais do mesmo, é Obama. Esta trasnferência não é automática nos EUA, como costuma ser no Brasil, por exemplo. É até talvez por isso que Obama não está com uma vantagem maior. Creio que seria um achado inovador por lá se ele falasse aquilo que parece só circular na imprensa e em outros países: bater mais fortemente na tecla, que McCain é o Bush 3. Eu não acho que seja, mas se Obama falar mais enfaticamente para a classe média, ligando McCain a Wall Street, CEOs, Corporações etc., e insistir a identidade do adversário com Bush, ele amplia sua vantagem. Ontem, nos poucos (acho que dois) em que McCain quase perdeu a paciência foi quando Obama insistiu que no que importa (ter apoiado a guerra no Iraque) McCain se identifica com o atual presidente, e que McCain está do lado dos que já têm muito. Se ele inserir nestes pontos uma piada e um comentário ácido, McCain desmontará. A questão é que, como Nelson de Sá afirmou, Obama parece meio bobo quando se trata de usar estes atributos retóricos.
João Paulo, acho que você não entendeu o que eu disse. Em 2004, na convenção nacional que ratificou a candidatura de Kerry, foi quando Obama discursou. Ele não tinha se candidatado na época, mas o seu discurso foi o de maior repercussão, e a partir disso ele se destacou nacionalmente e começaram as sondagens para uma futura candidatura dele.
Deixa eu completar… 2005, 2006, não havia ainda a urgência de lançar nomes.
Ah, João, desencavei um post que eu fiz sobre o Obama há quatro anos atrás, quando ainda tinha um endereço no blogspot: “Meu candidato para 2008″.
http://stuckinsac.blogspot.com/2004/11/meu-candidato-para-2008.html
Há muita gente brava comigo, alguns furiosos, porque afirmei que McCain estava vencendo o debate contra Barack Obama. E explico o tempo do verbo: escrevi enquanto rolava o confronto. Mas não fui só eu, não. Até a CNN deixou isso mais ou menos claro ao fim do encontro. A mesa formada por jornalistas chegou à mesma conclusão. Pesquisas feitas aqui e acolá sobre o debate têm valor muito relativo. O espectadores da Fox News dirão uma coisa, os da já citada CNN, outra. A dúvida que todos devemos ter, os que torcemos para um ou para outro, é em que medida esses encontros interferem na escolha do eleitor.
Ora, por que escrevi que McCain estava vencendo e sustento agora, com o verbo no passado, que “venceu”? Por duas razões básicas, uma evidenciada como fato e outra que era apenas potência. Huuummm… Vamos lá:
a) Fato – as respostas de McCain foram melhores e mais objetivas do que as de Obama sobre rigorosamente todos os assuntos, especialmente defesa e política externa. Em economia, os dois estão feito baratas tontas;
b) Potência – Que é que há, gente? A noite era de Obama, não é mesmo? Quem é que pode ser apontado — ainda que seja injusto — como herdeiro de Bush e caudatário da crise? McCain. Alguém dirá, por mais obamista que seja, que o candidato democrata se comportou como o franco favorito? Alguém dirá que ele utilizou bem essa vantagem?
Especialmente no que concerne à defesa, Obama parecia um colegial: muito respeitoso, muito dedicado, sem dúvida de nariz empinado (como sempre), ciente de suas qualidades intelectuais — mas, ainda assim, um aluno. Sua resposta sobre o Irã foi CA-TAS-TRÓ-FI-CA. Não conseguiu se livrar da pecha de homem que senta para debater com terroristas sem precondições. Até porque ele reafirmou que o faria, evocando… Henry Kissinger! No auge de sua ousadia, evoca um republicano? E em situação absolutamente distinta? Quando os EUA estabeleceram relações com a China, o país não era um estado terrorista e ainda contribuía para isolar a ex-URSS.
Ademais, há o que apontei ontem e que está computado e documentado num blog da republicaníssima Fox News — só que é verdade: as vezes — nove!!! — em que Obama afirmou que seu adversário estava certo. Como apontou um jornalista da New Yorker e da CNN (ver post do começo da madrugada), eis algo “idiota” a se fazer num debate. Até porque o mantra de McCain era outro: “O senador Obama não entende que…” Eis Obama:
“Well, I think Senator McCain’s absolutely right that we need more responsibility, but we need it not just when there’s a crisis.”
“Not willing to give up the need to do it but there may be individual components that we can’t do. But John is right we have to make cuts. We right now give $15 billion every year as subsidies to private insurers under the Medicare system. Doesn’t work any better through the private insurers. They just skim off $15 billion.”
“Well, Senator McCain is absolutely right that the earmarks process has been abused, which is why I suspended any requests for my home state, whether it was for senior centers or what have you, until we cleaned it up.”
“He’s also right that oftentimes lobbyists and special interests are the ones that are introducing these kinds of requests, although that wasn’t the case with me.”
“Now, John mentioned the fact that business taxes on paper are high in this country, and he’s absolutely right.”
“Senator McCain is absolutely right that the violence has been reduced as a consequence of the extraordinary sacrifice of our troops and our military families.”
“And, John, I — you’re absolutely right that presidents have to be prudent in what they say.”
“Now, Senator McCain is also right that it’s difficult. This is not an easy situation.”
“Senator McCain is absolutely right, we cannot tolerate a nuclear Iran.”
Finalmente
Obama, dada a realidade americana, continua a ser o favorito. Mas duvido que seus próprios partidários não tenham se decepcionado ontem. E a razão é simples: nos embates com Hillary Clinton, nas primárias, ele sempre falava de utopias, de um futuro glorioso, posto em algum lugar das nossas (sim, do mundo) esperanças. Os impulsos de generosidade, os nossos, também enganam e se enganam. Ontem, era preciso falar de propostas, de respostas práticas. E elas não vieram ou foram de uma timidez constrangedora.
Leila,
Realmente, agora entendi. Contudo, permanece a questão: se Obama está sendo sondado desde 2004 (com um intervalo de dois anos), o que dizer de McCain, possível candidato desde 2000?
Vou lá ler o post.
Um abraço.
Vejam o que saiu publicado na ‘Folha Online’:
“”Obama, que se apresentou ontem como o paladino da classe média e como quem vai promover a necessária mudança no país, insistiu hoje nessas idéias. Sua campanha vem reiterando que McCain não mencionou a classe média no debate.
Durante sua ida à Carolina do Norte, o senador mencionou que ele e McCain falaram ontem de economia durante 40 minutos “e nem uma só vez o senador [McCain] se referiu às dificuldades das famílias da classe média”. “”.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u449637.shtml
Como a classe média é, como já disse o Pedro Dória em seu brilhante texto, a imensa maioria da população dos EUA, Obama saiu do debate como o ‘herói da classe média’, ou seja, como o candidato que mais se preocupa com os problemas da imensa maioria da população. E isso é fundamental para que Obama vença as eleições.
Não se esqueçam de que a campanha de McCain usou muito tempo, energia e dinheiro tentando convencer os norte-americanos de que Obama era um elitista que não entendia os problemas do cidadão comum. Os Republicanos até o compararam com Paris Hilton, ou seja, como sendo uma celebridade vazia, oca.
E agora, depois do primeiro debate, o que temos? ‘Obama, O Herói da Classe Média Ignorada por McCain’.
Assim, o ‘elitista’ Obama morreu! E nasceu ‘Obama ou a Classe Média Vai ao Paraíso!’.
Além disso, o Idelber fez uma excelente observação no seu comentário lá no seu blog, de que é o fato de que o Obama não pode transmitir uma mensagem agressiva.
Como disse o Idelber:
”O problema é que esses observadores não parecem considerar um elemento decisivo, que é a política racial norte-americana. A última coisa da qual nós, do Partido Democrata, precisamos, é um negão nervoso e enraivecido na frente das câmeras. Uma única diatribe agressiva de Obama contra McCain e a vaca pode ir para o brejo. Atitudes que, num branco, são percebidas pelo eleitor médio como “firmeza” podem, num negro, serem percebidas como ameaçadoras e selvagens. Há que se conhecer bem os Estados Unidos para entender isso. A agressão não faz parte da tática de Obama. E essa tática até agora tem dado certo.”.
http://www.idelberavelar.com/archives/2008/09/o_primeiro_debate_obama_x_mccain.php#comments
Não se esqueçam, também, de que tempos atrás a campanha de McCain fez uma propaganda na qual Obama era, praticamente, apresentado como um defensor do sexo selvagem entre crianças, só faltando dizer que ele era um defensor da pedofilia e um estuprador.
Agora, vem Obama e evita, de fato, atacar McCain. Se quisesse, Obama teria acabado com McCain no assunto política externa quando o Republicano disse que a Rússia terá que aceitar a entrada da Geórgia e da Ucrânia na OTAN. Obama poderia retrucar, dizendo que McCain ignora o fato de que a Rússia é uma potência nuclear com grande poder de destruição e que uma guerra com ela significaria, com certeza, o fim da vida Civilizada na Terra e que o melhor caminho seria dialogar com a Rússia e não marginalizá-la no cenário internacional, pois isso poderia levá-la a posturas radicais, como a que se viu recentemente na Geórgia.
E que dialogar com quem pensa ou tem interesses diferentes não é o mesmo que concordar com tudo o que será dito, mas que é necessário fazer isso, dialogar, para se chegar a um acordo que evite a destruição da Civilização e que existe espaço para se chegar a acordos mutuamente satisfatórios, como já ocorreu no passado (exemplo: acordos assinados entre os EUA e a URSS, na época da Guerra Fria, que limitaram os testes nucleares e o número de mísseis que cada lado poderia ter).
Se Obama não partiu para uma postura mais forte e agressiva deve-se aos motivos inteligentemente apontados pelo Idelber.
Assim, estamos vendo, em 2008, nos EUA, o ‘Obaminha Paz e Amor’, uma nova versão do ‘Lulinha Paz e Amor’ de 2002 e que levou o ‘peão’ Lula à Presidência da República, vencendo com grande folga.
Portanto, em termos de campanha, Obama foi o vitorioso, pois desmontou tudo aquilo que a campanha de McCain tentou grudar na sua imagem, a de ser um elitista e predador sexual perigoso e agressivo.
João, o McCain realmente era mais conhecido, mas o Obama teve uma ascensão meteórica. Antes mesmo de lançar a candidatura nas primárias, ele já fazia aparições em vários estados e era recebido como super star.
Reinaldão, sobre o tema Irã, eu não podia discordar mais de você. Eu achei que foi um bom momento do Obama no debate, e ruim para o McCain, (que ainda por cima gaguejou o nome do Ahmadinejad). A política do Bush de fazer biquinho e se recusar a manter contato diplomático com países desafiadores não tem dado certo, e uma diplomacia eficiente é o melhor caminho. O McCain não olhava nem para a cara do Obama, deu pista de que não considerava a Espanha um aliado… Esse tipo de truculência o americano já experimentou por oito anos, e viu que não leva a nada.
O eleitor só está preocupado com sua própria dor de dente. Dane-se a Russia e a Georgia.
O olhar é fundamental. Quem fala para o espectador, olha para a câmera.
Quem não olha o adversário quando ele está falando, se mostra desinteressado, ou seja prepotente. Como chefe escutando funcionário. O povo odeia isso.
Leila,
Concordo com você. Me parece que, neste ponto, não estamos realmente divergindo. Aproveito para aletá-la que o Reinaldão ali de cima é apenas um cut and paste do mais recente post do Reinaldo Azevedo.
Um abraço.
Este debate foi mesmo uma grande porcaria… a democracia estadunidense é uma farsa.
http://www.nogw.com/images/decision_2008.jpg
A ditadura EUA continua forjando eleições fajutas… entre duas facções do mesmo partido.
Os EUA precisam é de uma intifada!
http://www.infoshop.org/graphics/latuff/liberty_med.gif
Latuff!
Ha ha ha, eu pensei que era alguém simpático ao Reinaldo, só isso. Que mala, hein?
Hahahahahaha
Novata na parada! Cara Leila, o inominável Chesterton, vulgo frangote da ditadura, adora copy and paste do Reinaldão Lobotomizado. Liga não. Nem adianta vc. ir ao blog original do boca de esgoto, que lá só quem o elogia é divulgado.
O negão é bem melhor que o velhinho fascista…
… só os pscicopatas ainda desejam mais guerra e genocídio para roubar dinheiro…
… só que ambos candidatos disputam o cargo de “relações públicas” da corporate america… e não mais que isso.
http://www.wsu.edu/~amerstu/pop/images/biglogoflag.gif
Quer saber… o gigante Mahmoud Ahmadinejad, importante líder do verdadeiro mundo livre, dava uma sova nestes dois bobalhões, que daria até pena dos coitados…
http://www.ahmadinejad.ir/
Será que o futuro “relações públicas” da corporate america, vai ter coragem de debater com o gigante Ahmadinejad?
O covardão do george “genocida” bush, todos sabemos, fugiu do debate… com o rabo entre as pernas.
Vou dar uma de advogado do diabo.
Escrevo no Tiozão regularmente, criticando-o. E sou “publicado”. O segredo é não ofendê-lo, não mencioná-lo diretamente, não apontar suas incongruências e falhas de raciocínio. Mas dá para divergir. Só é preciso deixar o monopólio da indignação e da superioridade moral com ele…
Vem cá, algum destes candidatos a “relações públicas” da corporate america, fez alguma menção a lavar a bandeira estadunidense?
Vixe! Como tá imunda!
http://fc68.deviantart.com/fs15/i/2007/081/e/9/Scar_by_BenHeine.jpg
Ben Heine!
Fabio Passos,
Você deve se achar socialista. Você sabe o que os Aiatolás fizeram com a esquerda iraniana em 1979-80?
João Paulo,
Abomino padre… mas não tenho qualquer dificuldade em fazer uma escala de valor.
EUA = IV Reich
Só não vê quem não quer…
http://3.bp.blogspot.com/_r0L87X1NOo4/SKPKCfg8b5I/AAAAAAAAEhk/Q77_cwBNpeU/s400/THERE+WILL+BE+BLOOD.JPG
João Paulo,
Você deve se achar democrata… mas não sabe de nada.
“O objectivo dos EUA deve ser conservar os nossos vassalos em situação de dependência, garantir a sua docilidade e a protecção dos nossos soldados, bem como evitar a unificação dos bárbaros”
Zbigniew Kazimierz Brzezinski
Ideólogo do partido democrata
Eu sou um “bárbaro”
Você é um… “vassalo”?
EUA = IV Reich
Nunca é tarde demais para um “vassalo” acordar…
http://1.bp.blogspot.com/_r0L87X1NOo4/SKPIlk0dCKI/AAAAAAAAEhc/FIDB4u76MkE/s1600-h/THERE+WILL+BE+BLOOD.JPG
Vejam o gigante Mahmoud Ahmadinejad, importante líder do verdadeiro mundo livre, desmascarando a sanguinária ditadura da corporate america… é sensacional!
Mahmoud Ahmadinejad interview Sept 23, 2008 pt.1
http://br.youtube.com/watch?v=oUtnFGIjzAo
Uma aula de inteligência e dignidade que os dois bobalhões que concorrem ao cargo de “relações públicas” nos EUA deveríam assistir.
Assisti 5 min do debate Obama x McCain… lixo!
Já esta entrevista de Ahmadinejad… Fantástica!
vocês sabem quando eu posto, nunca finjo ser alguem.
ca
http://www.youtube.com/watch?v=z0zhZfhDGjE&eurl=http://www.c-avolio.com/
obanana
http://www.reason.com/UserFiles/cartoons/stantisjuly8.jpg
Fábio,
Você não entenderia a realidade política nem quando estivesse no cadafalso erigido pelos aiataolás.
Só faltou o JPR dizer que tem que ficar de quatro para escrever lá n Tiozão. Aprume-se e tome vergonha na cara!
Lembro que ri muito com uns erros do boca de esgoto sobre dados estatísticos. O animal confundiu as informações. Então escrevi avisando do erro boçal do lobotomizado. Não publicou, mas para não publicar teve que ler. Para mim, foi o bastante. Os leitores dele merecem o que é escrito por lá.
McCain did more than hold his own.
And most importantly he demonstrated several things that will resonate with voters.
First, he is ready on day one to be Commander in Chief.
Second, he can be trusted. His word is good.
Third, he is one of us.
Fabio Passos // 28/September/2008 às 1:23
Vejam o gigante Mahmoud Ahmadinejad, importante líder do verdadeiro mundo livre,
chest- eu não tinha visto isso. My God, surto psicótico.
João Paulo ficou magoado… será porque lhe faltam argumentos?
Vassalos…
Assistam a entrevista de Mahmoud Ahmadinejad!
É fora de série.
É 100x melhor que o debate dos dois bobo alegres que disputam o cargo de “relações públicas” da corporate america.
Na parte 2 Larry King tenta fazer um paralelo entre Ahmadinejad e sarah palin (religião… sacam?)
Mahmoud Ahmadinejad interview Sept 23, 2008 pt.2
http://br.youtube.com/watch?v=d5NxgkhHjK4
Ahmadinejad dá uma aula pro coitado do Larry King…
… os estadunidenses vão ter uma vice ainda mais burra que o bush!!!!
Vi o debate exatamente como o seu texto, sem tirar nem pôr. Deve ser por eu não ser jornalista político.
Obama é franco favorito, nunca um presidente de tão baixa popularidade conseguiu elegerr um membro de seu partido depois de 2 mandatos.
Mc cain é o cavalo que corre por fora, sem obrigação de ganhar.
Porque será que os bloguistas estão tão silenciosos? será que alguma coisa está dando errada no plano?
Olha essa é do Josias e mostra que o Doria está certo sobre o debate:
Sondagem divulgada neste domingo (28) pelo instituto Gallup informa que Barack Obama ampliou a vantagem que o separa do rival John McCain.
Segundo o instituto, Obama dispõe agora de 50% das intenções de voto, contra 42% atribuídos a McCain. Uma dianteira de oito pontos percentuais.
Os resultados emergem de pesquisa telefônica feita pelo Gallup. Chama-se “tracking”. O instituto ouve diriamente algo como mil eleitores. E consolida os resultados a cada três dias.
Exato, surfando… Todas as pesquisas mostram subida do Obama. O desespero na chapa do McCain é tanto que só estou esperando novas apelações e factóides para as próximas semanas. Parece que até o casamento da filha grávida da Palin está sendo visto como uma esperança de subida no ibope para os republicanos, segundo o Times de Londres.
PD, acho que o Danilo se referia a comentar aqui no blog. Seria ousadia equivocada falar que ser jornalista é fácil.
[...] certo que a matéria trata das eleições nos Estados Unidos, mas a experiência descrita foi em solo tupiniquim. Aliás, uma dos detalhes interessantes nessa [...]
O que eu quis dizer foi que não é preciso esculhambar, ofender, ser um anti-Reinaldo mas com a mesma retórica que ele. Evitando o próprio jogo desqualificador dele, é possível apontar a incongruência, omissões, erros e distorções.
O resto é fantasia infantil, aquela coisa de bater no peito e dizer que foi vitorioso, que o outro é um energúmeno etc. e tal. Gente adulta não precisa disso.
(vai nisso, também uma apreciação do Reinaldo, para os mais desavisados)
Para acalmar os ânimos, aí vai a verdade sobre o debate: McCain teve medo de se apaixonar por Obama!
Muito legal!
Vi aqui:
http://willbill.com.br/blog/2008/09/29/mccain-teve-medo-de-se-apaixonar-por-obama/
João Paulo Rodrigues,
Não perca tempo se justificando. Entre na resistência para derrubar o IV Reich.
É a intifada global.
Não racionalize… sinta. Olha só o que todo mundo sabe… mas poucos ainda tem coragem de dizer:
Uncle Sam Wants You DEAD!
http://dc.indymedia.org/usermedia/image/4/large/hitler.gif
Latuff!