O Reino Unido contra o Terrorismo,
os Comuns, os Lordes e John le Carré

Europa · Islã · Livros · Terror · 24/09/2008 - 01h54 - 68 Comentários

No dia 13 de outubro, a Câmara dos Lordes britânica analisará a lei aprovada pela Câmara dos Comuns que permite ao governo prender sem provas ou acusação formal suspeitos de terrorismo por 42 dias. Os Lordes não são como senadores – sua Câmara tem poderes muito limitados. Por outro lado, também já não são os velhos nobres que herdavam o cargo de seus ainda mais velhos pais. São indicados. E, neste caso, têm o direito de vetar a lei.

Ela é polêmica. Nos EUA, várias leis e regulamentos que vieram com o Onze de Setembro também são acusadas de ferir as liberdades básicas da população. Mas, no Reino Unido, enquanto a Câmara dos Comuns considera esta lei em particular essencial, a oposição entre os jornais e a população cresce. Alguns, não muitos, começam a levantar o tom da voz. O escritor de romances de espionagem John le Carré é um caso:

Tenho raiva. Raiva de que não haja raiva a meu redor por causa do que estão fazendo com nossa sociedade com o pretexto de protegê-la. Fomos levados à guerra por motivos falsos e nos tiraram nossas liberdades civis numa atmosfera de pânico. Mas nossos advogados não vão às ruas como eles fizeram no Paquistão.

Nossos deputados se permitiram enganar pelos seus próprios marqueteiros. Eles acreditam em sua própria propaganda. Nosso secretário de política externa vem às pressas de uma missão ao Oriente Médio só para votar nesta lei que dá 42 dias de detenção. Aí as pessoas me chamam de velho raivoso. Danem-se. Não é preciso ser velho para ter raiva disso. Estamos sacrificando nossa soberania por uma dita ‘relação especial’ que, de especial, não tem nada além do nome que nós damos.

A relação especial à que ele se refere é a de seu país com os EUA.

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