Eleições EUA: Obama investe na televisão;
Sarah Palin também. Mas para ela é de graça

EUA · 24/09/2008 - 12h51 - 48 Comentários

Uma informação discreta mas importante: de duas semanas para cá, lentamente, Barack Obama vem aumentando o dinheiro gasto com comerciais de televisão. Ele e John McCain estavam gastando mais ou menos o mesmo. Agora, Obama começa a aproveitar-se de sua vantagem financeira e já investe 50% mais do que o adversário. Estados de maior foco, segundo o TPM: Flórida, Colorado, Nevada e Pensilvânia.

O Google lançou um serviço que permite a qualquer um checar o que os candidatos realmente falaram. Chama-se: In Quotes. Num mundo de internet, em que boatos se espalham a respeito de ambos toda hora, faz sentido.

Ontem, na ONU, fotógrafos e câmeras foram convidados a documentar o encontro da candidata a vice Sarah Palin com líderes estrangeiros. No grupo estaria um repórter do Wall Street Journal e um produtor da CNN representando todos os jornalistas que não tratam de imagem. A campanha quis proibir sua entrada: Palin não responderia perguntas. Só sorriria. A CNN ameaçou não enviar seu câmera. (Um problema: a campanha McCain precisa que essa imagem circule.) Os dois repórteres foram liberados. Nada que pudessem descrever ocorreu, Palin não respondeu qualquer pergunta.

A campanha de McCain alega que a imprensa trata Palin mal.

Por trás disso, um fato: pesquisa após pesquisa indica que a maioria das pessoas lembram de imagens do que viram na imprensa, vídeo e fotos, mas não lembram da informação vinculada a estas imagens. Eleitores independentes são, não custa lembrar, os menos politizados, os que estão menos ligados no processo. O consumidor típico do produto da imprensa não tem nada do leitor típico deste Weblog. Palin sempre sorridente, um líder importante ao lado, será lembrada. Palavras só atrapalham. Do ponto de vista da campanha, é o melhor dos mundos. A imprensa topa o jogo porque quer. (Essencialmente, faz propaganda, não jornalismo.)

Joe Biden, vice de Obama, deu uma entrevista a Katie Couric, âncora do principal jornal da noite da CBS. Em um trecho, criticou um anúncio de sua própria campanha que faz graça de John McCain não usar email. Este é um que roda a rede sem parar já há mais de 24 horas. Mas sua melhor frase não é essa, é outra: ‘Quando houve o crash da Bolsa, em 1929, Franklin Roosevelt foi à televisão e não falou apenas da ganância do mecado. Ele explicou o que de fato aconteceu.’

Não sem sarcasmo, Jesse Walker, da Reason, pontuou: ‘e aqueles que acaso tivesse um aparelho de tevê experimental o viram e se perguntaram, Quem é esse sujeito? O que aconteceu com o presidente Hoover?’

Ainda sobre o assunto:

  1. Eleições EUA: O desmonte de Sarah Palin Edição 18 | quarta-feira 1 – Toda atenção para Sarah Palin. Em um determinado momento, Katie Couric, da CBS,...
  2. Eleições EUA: Sarah Palin fala à imprensa ♦ A ABC levou ao ar, ontem, trechos da entrevista de Palin a Charlie Gibson. Cobre a parte que ela...
  3. A louca jogada de McCain ao escolher
    Sarah Palin para vice de sua chapa
    Vocês foram bem mais rápidos do que eu, nessa. Obrigado =) A surpreendente escolha de Sarah Palin, governadora do Alaska,...
  4. Bush alerta para a esquerda raivosa
    e Sarah Palin permanece muda
    Longe dos EUA, é um clichê comum sugerir que Democratas e Republicanos, no fim das contas, são mais parecidos do...
  5. Eleições EUA: E um dia Sarkozy ligou para Sarah Edição 24 | domingo 2 – Que ninguém negue a John McCain o mérito de que ao menos tenta...