Eleições EUA: O impacto financeiro
no próximo governo

EUA · 23/09/2008 - 11h53 - 58 Comentários

Agora pela manhã, o Barack Obama disse numa entrevista ao Today Show da NBC que o plano de resgate dos mercados deve afetar seus planos para universalização da saúde, melhoria da educação e mudança da infra-estrutura energética. Os projetos todos já eram bastante onerosos antes. ‘Deve afetar’ é dizer pouco. Vão afetar profundamente.

Ainda assim, há de se questionar a sapiência de confessá-lo publicamente. Michael Dukakis, que foi o candidato democrata contra George Bush pai, em 1988, foi perguntado se aumentaria impostos acaso fosse presidente. Dado o cenário econômico, ele disse que talvez se visse obrigado. Bush pai, por outro lado, havia prometido – e batia na tecla sempre que podia – ‘leiam meus lábios: não aumentarei impostos’. Chegou ao governo e aumentou, evidentemente. Não tinha escolha. Mas a história sugere que há limites para a honestidade em campanha.

A campanha entrará num ritmo de lentidão, amanhã, porque os candidatos desaparecerão, dedicados que estarão aos ensaios para o debate.

O debate será sexta-feira às 22h (Brasília). Segundo o International Herald Tribune, ele será transmitido ao vivo para o mundo pela CNN International e pela BBC World. Estarei online para o live blogging. (Assim como, imagino, o Idelber também estará.)

Hoje faz 40 dias que John McCain não dá uma entrevista coletiva. Sarah Palin jamais deu. Assim, fogem à praxe de campanhas eleitorais, na qual candidatos sempre respondem às perguntas de repórteres. McCain, em particular, fez fama de ser um dos republicanos mais acessíveis à imprensa que existiam.

O raciocínio da campanha é: a imprensa está contra McCain. Então os malefícios de não dar coletivas – criar má vontade entre repórteres, por exemplo – já estão lá. Os benefícios são: McCain evita lapsos que fujam ao discurso ensaiado para o pódio e Sarah Palin não se expõe.

A educação de Sarah Palin, diga-se, continua: amanhã ela conversará com Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia, com Viktor Yuschenko, da Ucrânia, Jalal Talabani, do Iraque, Asif Ali Zardari, do Paquistão e com o premiê indiano Manmohan Singh. São as vantagens da abertura da Assembléia Geral da ONU.

Mas ninguém sabe dizer ainda se sairá do batidão especialista em algo.

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