Paul Krugman e a solução da crise
Poucas leituras são mais interessantes, quando o assunto é a crise econômica dos EUA, do que a coluna de ontem assinada por Paul Krugman, no New York Times. Candidato ao Nobel, à esquerda do espectro político norte-americano, ele não discute que algum tipo de resgate é necessário. Mas tem problemas com o plano de 700 bilhões de dólares proposto pela Casa Branca. Primeiro, no entanto, começa como uma explicação das origens da crise:
1. O estouro da bolha imobiliária provocou uma epidemia de calotes e hipotecas cobradas que, por sua vez, provocou que os títulos ancorados nessas hipotecas que circulam no mercado despencassem de valor.
2. Esta perda de valor fez com que muitas instituições financeiras terminassem com pouco capital nas mãos em relação a suas dívidas. Este é um problema particularmente sério porque todas se endividaram muito no período da bolha.
3. Como as instituições financeiras têm muito pouco capital em relação a suas dívidas, elas não têm conseguido ou não têm tido vontade de fornecer o crédito que a economia precisa.
4. Para pagar suas dívidas, essas instituições têm procurado vender os papéis que têm, incluindo os títulos ancorados em hipotecas, o que empurra ainda mais para baixo seu preço, conseqüentemente desvalorizando ainda mais suas reservas. É um ciclo vicioso.
O projeto do governo norte-americano consiste em comprar 700 bilhões de dólares em títulos. Segundo Krugman, isso talvez possa até quebrar o ciclo vicioso. Mas apenas talvez: a essa altura, vários outros papéis estão com seu valor despencando. Em resumo, o governo quer intervir no item 4. O colunista acha que a intervenção tem de ocorrer em outro ponto do processo: no 2.
Em essência, o dinheiro é do povo. Do país. Se é para fazer uma intervenção, o povo tem que ganhar algo com isso. Ao dar dinheiro para instituições financeiras, deve sair com um pedaço delas. Ao colocar dinheiro, o governo deve tornar-se sócio. O governo não deve simplesmente comprar papéis ruins sem que os banqueiros sejam punidos. Deve assumir um pedaço. Tendo controle, capitalizando quem se meteu no buraco, aí deve vender parte dos papéis ruins, mas também parte dos bons.
De outra forma, o povo assume a dívida e os incompetentes lavam as mãos com suas fortunas.
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É o socialismo dos ricos detectado muito bem pelo Idelber em seu Blog. Estados Unidos Sovietico da America. Distribui riqueza para os ricos e socializa o prejuizo. No fundo, no fundo até o Mr. X é socialista, desde que a riqueza seja so para os ricos.
O bom(mas nem tanto) e velho (mas nem tanto) Jorge Castañeda tece loas a esquerda de Lula e diz que é tempo dos EUAs se aproximarem dos amigos latino americanos e propor a Cuba logo o fim do embargo, em vista da eminente mudança em Cuba!
Detalhe:
Ele defende isso ,já, mesmo sem garantias de que Cuba torne-se ,de imediato, um país democratico…….
Medo, muito medo…..
Por parte da escumalha facista cubana de Miami!
Detalhe II:
Castañeda escreveu isso no Miami Heralld!
Finalmente alguém colocou o povo no debate. É isso mesmo. Muita gente ganhou muito dinheiro com toda essa especulação irresponsável. O Estado deve assumir em nome do povo parte dessas instituições.
Finalmente alguém colocou o povo no debate. É isso mesmo. Muita gente ganhou muito dinheiro com toda essa especulação irresponsável. O Estado deve assumir em nome do povo parte dessas instituições.
A ideia parece boa. E principalmente justa.
+ Ler que “as instituições financeiras têm muito pouco capital em relação a suas dívidas” quase me fz pensar que as ditas tem problemas semelhantes como eu e você.
Quer dizer, não exatamente como o senhor, que está com avida ganha já.
Eu ainda tenho que ganhar a minha. De qualquer forma, 700 bilhões de dólares são uma soma considerável.
O Sr. Krugman que me desculpe, mas a origem da crise é mais problemática e aponta questões estruturais da economia do império decadente.
Lancei post explicativo no meu blog, agora há pouco. O buraco é bem maior e mais antigo.
Senhor Nadaseracomoantes,
Li atentamente o post no seu blog.
Gostei muito do post, traz informações interessantes.
Mas terminar com “o império está perto do fim”, que puta babaquice. Parece um adolescente que não bebe Coca-Cola e usa camsieta do Che Guevara falando.
O PD falando de economia até parece o McCain… É bom que o ciclo de notícia volte para a guerra no Iraque ou então vocês dois tão danados!
Bom dia, meus periquitinhos!
A criso do sistema financeiro americano é muito mais profunda do qe meros 700 bilhoes de dólares do povao nao o
Sr. Denão (8),
Gostou do post de meu Blog? Obrigado e agradeço sua presença.
Bebo Coca-Cola, às vezes e gosto do sabor. Mas prefiro soda-limonada e cachaça de Salinas/scotch/wodka, nesta ordem.
Quanto ao Che, admiro sua luta mas não cultuo ídolos de nenhuma espécie. Minhas camisetas são lisas, sem inscrições.
Em relação ao império, seu fim não é assunto adolescente, mas fruto da decomposição do sistema.
Como dizia… a crise do sistema financeiro americano é muito mais profunda do que aparenta. Está ancorada na irresponsabilidade do consumidor americano de se endividar até o tutano para manter, artificialmente, o alto nível de vida que desfruta e o desperdício irresponsável com o qual se acostumou. Este comportamento infantil deverá mudar se de fato os USA desejam sair da crise.
700 bilhôes de dólares é um mero curativo numa artéria seccionada que espirra sangue por todos os lados. O curativo poderá estancar o sangue por certo tempo, mas a artéria voltará a sangrar, mais cedo ou mais tarde.
A dívida total do conjunto do mercado financeiro americano beira os 15 trilhôes de dólares US. Haja grana para salvar Tio Sam do desastre financeiro que ora se anuncia! De onde virá esta mixaria, caros periquitos? Do bolso de quem?
A era do “free for all”, sem pensar no dia de amanhâ, chega ao fim. Papagaio Alex espera que a liçâo tenha sido bem aprendida. Mas duvida. Nao existe freios à ganância do mercado financeiro e ao frenesi de seus especuladores, sobretudo americanos. A sêde patológica por lucros e mais lucros induz à cegueira.
Que seja o McCain ou o Obama, o novo presidente americano herdará, além desta enorma crise, uma situaçao explosiva com a volta da Guerra Fria, dos países emergentes nâo-alinhados, do terrorismo que se alastra e o problema israelo-palestino nâo rfesolvido. Cenário de guerras regionais sem fim. “Guerra infinita”, nâo é isso que queriam o Jorginho Bush e seus asseclas, ancorados pelo apôio da metade do povo yankee? A hora de pagar a conta chegou…
Papagaio Alex vos abençoa….
Quando fala de economia, Krugman é, ainda, bastante bom. Quando fala de sistema universal de saúde, muito embora diga coisas acertadas, soa como um chatíssimo disco riscado. Quando fala de política, é tão isento quanto um editorial do WSJ (o conteúdo do discurso, claro, é diretralmente oposto).
Seu maior mérito, sempre me pareceu, aquilo que mais desagrada alguns dos comentaristas acima: identifica, para o leigo, o fulcro de uma questão econômica. Ele sabe que a questão é mais complexa, sabe estar fazendo uma simplificação. Simplificação que crê (a meu ver corretamente) necessária em uma curta coluna lida por não-especialistas.
Anteriormente a esta crise, encarnou à perfeição a Cassandra: havia anos que metia a ronca no Greesnspan a alertava para a possibilidade de algo assim acontecer.
O grande problema da economia são os economistas, latu sensu. São os versados nesta ciência que nunca foi ciência que torcem as coisas, criando riqueza fictícia, disfarçada por um mecanismo propositadamente complicado e confuso, no qual os não iniciados acreditam apenas por fé. Ora, se a riqueza é fictícia, pode sumir no ar, como bola de sabão estourada, a qualquer momento. Aí, novamente são os não iniciados que se danam, enquanto os autores da lambança saem ricos e satisfeitos.
Os bancos estadunidenses emprestaram sem a menor responsabilidade, apenas para criar riqueza fictícia em sua contabilidade que justificasse nababescas gratificações a seus executivos. A bolha estourou. Os executivos, que já receberam suas gratificações, saem de fininho e vão descansar na mansão favorita, bebericando alguma bebida cara. Os não iniciados, que tomaram os empréstimos, perdem tudo. Os bagrinhos que trabalhavam para os executivos perdem tudo. E agora o povo vai perder muito, pois o dinheiro que deveria ser empregado a seu favor vai ser empregado para salvar não os que perderam tudo, mas as empresas dos executivos que não perderam nada e que vão ficar mais ricos e aprontar outro golpe.
Previsão, futurologia? Não, apenas memória, isso já aconteceu tantas vezes…
Enquanto isso as tropas do Bushinho matam gente pelo mundo afora e vão ter de matar muito mais, para que os perfeitos idiotas anglo-americanos continuem acreditando do Capitão América.
é o fim do império!!!!
Peguem os balanços de qualquer banco, de qualquer país e em qualquer época.
O capital próprio de qualquer deles jamais ultrapassa — assim como jamais ultrapassou — a 20% do patrimônio total.
Banco vive de intermediação financeira. Vive de trabalhar com o dinheiro alheio.
Daí porque o verdadeiro capital do banco é a credibilidade. O mais sólido dos bancos não resiste a 24 horas de “corrida” (daí, também, porque não se deve estatizar banco: é o mesmo que estatizar dívida).
A sentença “esta perda de valor fez com que muitas instituições financeiras terminassem com pouco capital nas mãos em relação a suas dívidas” não diz muito como diagnóstico. Essa é a condição normal de qualquer banco, em qualquer lugar e qualquer época.
Pelo que se vem dizendo por aí, o problema não está no passivo dos bancos, e sim nos ativos.
Com o estouro da bolha imobiliária, os ativos bancários se tornaram irrealizáveis e, por isto, os passivos estão se tornando insolventes. Sem realizar os ativos, os bancos não têm como fazer frente aos passivos.
Não li os originais do Paul Krugman, mas, pelo que entendi do que o PD transcreveu, ele quer que a injeção do dinheiro estatal seja usada pra liquidar os débitos de quem comprou imóveis e não conseguiu pagar.
Isso realizaria os ativos e, por conseqüência, daria aos bancos meios para remunerar seus passivos.
Mas, nesse caso, os Bancos não perderiam um único e pequeno “naco” deles mesmos. Apenas sairiam do buraco.
Os bancos perderiam um enorme naco se o governo norte-americano cruzasse os braços, e deixasse a coisa se resolver ao sabor do mercado, como Mr X e Chesterton pensam que acontece nos EUA.
Aí sim! Cada vez um um banco balançasse, se estabeleceria uma “corrida”. Os depositantes à vista sacariam sua grana atropeladamente. Os depositantes a prazo venderiam seus títulos perdendo os anéis pra preservar os dedões, e assim por diante.
À banca, sobraria a bancarrota.
Imaginem só isso acontecendo com um banco atrás de outro, em rápida sucessão…
Como se sabe, jamais acontecerá. Um trilhão de verdinhas, novas em folha, resolverá o problema.
Liberalismo econômico é papo de professor ocioso ou de ministro (e, principalmente, ex-ministro) brasileiro, o que dá no mesmo.
Uma parte da conta evidentemente que será paga pela casa grande. Mas, certo como dois e dois: vai sobrar pra senzala.
Apurem os ouvidos, e ouvirão, ao longe (mas cada vez mais perto), o estalar do chicote…
To hear today’s Democrats, you’d think all this started in the last couple years. But the crisis began much earlier. The Carter-era Community Reinvestment Act forced banks to lend to uncreditworthy borrowers, mostly in minority areas. Age-old standards of banking prudence got thrown out the window. In their place came harsh new regulations requiring banks not only to lend to uncreditworthy borrowers, but to do so on the basis of race.
These well-intended rules were supercharged in the early 1990s by President Clinton. Despite warnings from GOP members of Congress in 1992, Clinton pushed extensive changes to the rules requiring lenders to make questionable loans. [...] Failure to comply meant your bank might not be allowed to expand lending, add new branches or merge with other companies. Banks were given a so-called “CRA rating” that graded how diverse their lending portfolio was. [...] In the name of diversity, banks began making huge numbers of loans that they previously would not have. They opened branches in poor areas to lift their CRA ratings.
Banco vive de intermediação financeira. Vive de trabalhar com o dinheiro alheio.
chest- mas que novidade , hein Elias. Queria o que? Que deixasse o meu dinheiro parado?
Meanwhile, Congress gave Fannie and Freddie the go-ahead to finance it all by buying loans from banks, then repackaging and securitizing them for resale on the open market. That’s how the contagion began. With those changes, the subprime market took off. From a mere $35 billion in loans in 1994, it soared to $1 trillion by 2008.
CRISE ACABOU(COMEÇOU):QUANDO TUDO PERDE A IMPORTANCIA.
Sábado.10 da noite.Numa emergencia pediátrica na zona sul do Rio.
A crise do sistema financeiro mundial acabou.
Pelo menos pra mim.
Minha sobrinha,paixão da minha vida,Amanda,está no hospital.
Machucou a mãozinha.
Sente dor.
O importante perdeu a importancia.
A mãozinha vira O TUDO.
Nada pior do que ver uma criança de 1 ano e meio sofrer.
Nesse momento trocaria todo sistema financeiro mundial por uma lágrima da Amanda.
UMA.
Me fez pensar.
As vezes exageramos.
Uma crise é apenas uma crise.
Ela passa,sempre.
Por pior que seja a crise,por real e grave que seja,o mundo,O mundo real,não acabará.
Pelo menos pra mim.
A dor dela me parece eterna.
A dor da Amanda é o verdadeiro fim do mundo.
A mão machucada da minha sobrinha,ela sofrendo,é a verdadeira crise global.
Nada mais importa.
A semana mais tensa dos mercados nos últimos 80 anos parece que foi há um século.
Mas me fez pensar .
Na irmã que durante anos tão pouco falamos.
O amigo que há muito não vemos.
Aquele telefonema que você não atende.
Ainda é tempo.
Tanto tempo perdido.
Pode ser tarde amanhã.
Pessoas queridas de todos nós as vezes precisam de atenção.
Como o mercado precisou.
E ficou sem receber atenção durante anos.
O mercado estava com a mão machucada.
Quem tinha que leva-lo ao medico não o fez.
Agora ele tem uma fratura exposta.
Fratura exposta que acarretará em sequelas que durarão décadas.
O maior problema da humanidade,pra você, é o seu problema,seja ele qual for,insignificante que seja.
O maior problema da humanidade,pra mim,é a mão da minha sobrinha.
Somos mesquinhos.
Enquanto pensamos na desvalorização do Ibovespa,milhares de pessoas perderam seus empregos.
É o lado real da crise,humano.
Cada familia,uma mãozinha.
Cada familia uma dor.
Cada familia,muitas crianças.
Cada criança,um futuro ameaçado.
Cada familia,uma possivel ex família no futuro próximo.
E pra nós, tudo se resume em quanto vão estar as ações da PETROBRAS nesta segunda feira.
Nesse espaço falamos sobre o mercado financeiro,esse ente presente,que ninguem nunca viu,ou tocou,como Deus.
Mas o mercado existe.
Como Deus.
Ele,o mercado é visível,ou melhor,nesse momento,o mercado REAL é invisivel.
Invisivel em cada pai e mãe de familia que perderam suas economias de anos.
Deles pouco se fala.
Pouco se vê.
Curioso é que em breve teremos notícias dessas pessoas.
E todos nós nos importaremos finalmente com elas.
Como?
Em forma de estatística.
Daqui há alguns meses,num desses indices sobre a economia americana que saem todos os dias,nós veremos essas familias.
A bolsa nesse dia cairá,por causa delas.
Familias destruidas virarão o PPI,CPI,ATA DO FED,LIVRO BEGE.
E num passe de mágica,num passe de meses, as famílias destruídas pela falta de regulamentação,fiscalização,serão responsabilizadas pela queda das ações da Vale.
E nós culparemos as vítimas pela queda das ações da VALE.
Quando as autoridades tiveram oportunidade,não atenderam os telefonemas das irmãs,amigos.
Dar atenção à essas pessoas é nossa obrigação.
As autoridades americanas largaram pra lá.
Deixaram o mercado seguir o rumo do vento.
O rumo,natural do ser humano.
O rumo da ganancia.
Da falta de regulamentação.
Da fiscalização zero.
O capitalismo não acabará.
O unico sistema possível,que tirou bilhões da miséria,vai dar a volta por cima.
Agora se faz a intervenção ,se saneia,se pune,e se devolve para os mercados começarem tudo de novo.
Assim funciona o capitalismo.
Deixa eu ir que minha sobrinha está saindo da sala do médico toda sorridente.
O pior problema do mundo,o meu, já acabou.
Para milhões de familias,esta apenas começando.
fonte
http://newsbusters.org/blogs/noel-sheppard/2008/09/20/ibd-carter-more-blame-financial-crisis-bush-or-mccain
Ray, legal o libelo, mas a ilação é incorreta.
quantas vezes o Bush pediu reformas do FredieMac e Fanimei?
Essas instituições eram as maiores doadoras da campanha do OBAMA!!!!
aqui o Link
http://gatewaypundit.blogspot.com/2008/09/bush-called-for-reform-of-fannie-mae.html
chesterton..pq?
tem lido oque eu venho escrevendo sobra essa confusão toda?
os links explicativos não saem, o PD tem que liberar./
Tem gente aqui que acha que o que está em inglês é a palavra de Deus. Transcrevem um blog de um colunista de extrema direita, conhecido mais por sua pobreza vocabular do que por sua pobreza de idéias (embora ambas sejam equivalentes) e, pronto, nos forneceram um mantra para repetirmos como verdade de fé. A culpa da lambança do Bushinho não é dele, sabiam, é do Clinton, é do Carter, é do Roosevelt, é do George Washington, é da Pacahontas, é do Alfredo o Grande, é de Adão e Eva. Bush é um gênio incompreendido. Tão bonzinho, o Bushinho, maldade o que estão falando dele. A economia dos EUA não poderia estar melhor.
É, dito assim eu até concordo, espero que fique melhor ainda…
João Daltro, eu não vou traduzir para você. Leia e conclua o que puder.
A ruína financeira do império é um exemplo didático de como os EUA são controlados por uma minoria diminuta e inescrupulosa…
a casa caiu… e para salvar a pele dos ricos… vão roubar mais dinheiro dos pobres.
Um barato…
… os EUA são agora, descaradamente, uma cleptocracia …
recuperaram uma definição de Franklin Roosevelt para a classe dirigente(?) estadunidense:
“banksters” (banqueiros+gangsters)
Crise do capitalismo?…
ÁLVARO PEDREIRA DE CERQUEIRA*
Há limites para o bem que o Estado pode fazer à sociedade.
Mas não ao mal que pode fazer.
__ Ludwig von Mises
De acordo com Ludwig von Mises (1881-1973), da Escola Austríaca de Economia, o intervencionismo do Estado no mercado não realiza os seus fins pretendidos. Em vez disso, ele altera o mercado. E aquela distorção precisa de ajuste. O resultado é mais distorção, conduzindo a mais intervenção e a concomitante estagnação causadora muitas vezes de falência de negócios. Uma prova atual é a causa da presente crise econômica que assola a economia mundial. Nos anos 20 o presidente Hoover, dos Estados Unidos, fez intervenções que resultaram na quebra da Bolsa de Nova York em 1929, em parte por inexperiência das autoridades monetárias, levando o mundo à maior depressão econômica da História. Eleito o presidente Roosevelt, este aplicou as idéias de Keynes, que recomendavam que o Estado gastasse para reanimar a atividade econômica e o emprego. Hayek, aluno de von Mises, avisou que os elevados gastos estatais trariam inflação, nova queda na atividade e novo surto de desemprego. Tal não ocorreu logo porque estourou a segunda Guerra mundial e os Estados Unidos passaram a fornecer à Europa não só armas, veículos e soldados, mas também petróleo, alimentos e remédios. O PIB americano cresceu 6 vezes no período da guerra, escondendo a inflação.
Em 1938 Roosevelt criou duas empresas de financiamento da habitação a juros subsidiados (nova intervenção no mercado), a Fannie Mae e a Freddy Mac, para financiar hipotecas garantidas pela Federal Home Administration. Elas foram usadas por cada presidente que sucedeu a Roosevelt como um meio de realizar este estranho valor americano de que cada cidadão deve possuir uma casa, não importa quem. Assim, deram permissão legal a essas duas companhias de comprar hipotecas privadas e incorporá-las às suas carteiras, as subprime. Mais tarde, nos governos dos presidentes Johnson e Nixon, elas foram transformadas em empresas públicas e venderam ações nas bolsas. As pessoas chamaram esta venda de ações de privatização, mas isto é falso. Elas tiveram acesso a uma linha garantida de crédito junto ao Tesouro dos Estados Unidos, com direito a taxas de juros mais baixas do que qualquer de suas concorrentes do setor privado. Depois da crise do choque do petróleo dos anos 70, em que Nixon acabou com o padrão ouro e adotou o câmbio flutuante, os Estados Unidos tiveram inflação elevada e o FED subiu as taxas de juros para 6% para controlá-la. Mais tarde o Fed, sob Allan Greenspan, abaixou a taxa de juros dos fundos federais de 6 % em Janeiro de 2001 para 1 % até o Junho de 2004, por cerca de 3 anos e meio, causando uma explosão inusitada dos empréstimos hipotecários. Sem a baixa agressiva das taxas de juros pelo Fed, os empréstimos hipotecários não poderiam ter explodido.
A frouxidão monetária adubou o terreno para várias atividades falsas que não teriam ocorrido sem aquela facilidade. Mesmo se as autoridades tivessem mantido controles fortes sobre os empréstimos hipotecários, enquanto ao mesmo tempo criavam dinheiro “do ar rarefeito”, como escreveu Frank Shostak em artigo de 29.09.2008, “e os excessos teriam surgido em algum outro setor”. Os bancos acabariam tendo ativos ruins não-hipotecários. A política frouxa do Fed é o ponto crucial do problema. Assim, antes que culpar os sintomas, o que é necessário é “deixar o mercado trabalhar e fechar todos os buracos que permitem a criação de dinheiro e crédito a partir do nada”, como defende Shostak. Mas o presidente Bush decidiu emitir mais dinheiro falso, mais de 700 bilhões de dólares, para o resgate das hipotecas podres. É sempre assim, intervenção do governo traz problemas e as autoridades acham que o remédio é mais intervenção, como ensinou von Mises, jogando sempre a conta para os pagadores de impostos pagar. Eles juram que qualquer outra opção seria devastadora para o já sofredor mercado de habitação. A razão deste setor estar tão selvagemente inflado é que os bancos sabiam que a Fannie e a Freddie seriam capazes de comprar qualquer dívida de hipoteca criada pelo sistema bancário. O resultado está no pânico que tomou conta dos mercados mundiais. [...]
Lula acha que chegará ao Brasil apenas urna marola e não o tsunami que atingiu a Europa e a Ásia em 6 de outubro, a “segunda-feira negra” como foi chamada. Mas veja o leitor que não estamos falando sobre o fracasso do mercado. A imprensa e o governo americano estão se esforçando para culpar desta calamidade os tomadores de empréstimo privados e os emprestadores. Mas a origem dessa tragédia é a legislação federal americana. Essas duas companhias, Fannie e Freddie, não são entidades de mercado. Elas foram por muito tempo garantidas pelo Tesouro, ou seja, pelos pagadores de impostos. Segundo Llewellyn H. Rockwell, júnior, presidente do Ludwig von Mises Institute, do Alabama, EUA, elas também não são entidades socialistas, porque têm donos privados. “Elas ocupam um terceiro status para o qual há um nome: fascismo”, diz ele em um artigo de 14.07.2008. Realmente, é sobre isto que estamos falando: a tendência inexorável do fascismo financeiro para transformar-se em socialismo financeiro na sua plenitude, que acaba em bancarrota, em falência.
Ainda para este mesmo autor, intervenção do governo no mercado parece-se com um frasco de veneno que se despejasse no sistema de distribuição de água potável de nossa cidade. Poderíamos sobreviver com ele durante um longo tempo e ninguém parecer ficar envenenado. Um dia acontece que todo mundo fica doente, e a culpa não é do desconhecido veneno, mas da própria água. Assim aconteceu com a atual crise da habitação. Os emprestadores estão sendo culpados do fiasco inteiro, e o capitalismo está sendo submetido a uma surra, como de hábito, desde que a Freddie e a Fannie estão sendo vendidas em mercados públicos. Mas a causa real permanece, e há só uma razão para a crise que se agravou a esse ponto. A causa está naquele frasco de veneno do governo, chamado intervencionismo. Como ensinou von Mises nos anos 20 do século passado.
*Diretor do Conselho Nacional de Entidades – CONNACEN [Objetiva trabalhar pelo aperfeiçoamento do Estado brasileiro.]
**Artigo enviado para publicação no ‘Estado de Minas’ em 08.10.2008