Pedro Doria | Weblog

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O que um economista assassinado por
Stalin diz sobre a crise econômica mundial

September 17th, 2008 · · 65 Comentários

A história de Nicolai Kondratieff tem um quê da típica história de um pensador soviético. Engajado pela Revolução de 1917 como um dos mais talentosos economistas russos, ajudou a escrever o primeiro Plano Quinqüenal da futura União Soviética. Como o livre pensar não era exatamente o modelo incentivado pela URSS, terminou num Gulag onde passou seus últimos oito anos antes de ser executado, em (provavelmente) 1938.

História da Carochinha? Não. Kondratieff tem, talvez, o modelo teórico que explica aquilo que a economia do mundo está vivendo hoje. Ondas de Kondratieff.

Segundo ele, o capitalismo – ou a economia, tanto faz – vive ciclos de 70 anos mais ou menos divididos entre primavera, verão, outono e inverno.

A primavera é marcada por um período de crescimento com inflação de uns 25 anos. O desemprego cai, salários e produtividade crescem, com a bonança vêm cobranças de ordem social.

O verão que segue é provocado pelo crescimento que encontra seu limite – não há mais recursos a explorar, sejam humanos, sejam materiais. Não é raro que as tensões após este período de crescimento culminem com uma guerra.

No outono vem e é marcado por um período de crescimento moderado. Costuma ser um período em que inovações tecnológicas levam ao sucesso de algumas indústrias pontuais e o consumismo permeia a sociedade.

No inverno, novamente a economia enfrenta seus limites mas, desta vez, o impacto é mais violento. É quando acontecem as depressões. Uma guerra mais intensa aparece no fim deste período.

Quando Kondatrieff escreveu seu estudo, ele analisou três períodos inteiros no passado e previu, daquele final de década de 20, o inverno econômico estava chegando. De fato veio a Grande Depressão e, a ela, seguiu-se a Segunda Guerra.

Se Nicolai Kondratieff está correto, o novo ciclo teve início em 1949 e o outono terminou no ano 2000. Estamos a caminho do meio do período do Inverno. Não dá para dizer que houve uma depressão profunda da economia, tampouco que um grande conflito armado fechou esta fase. Ele pode estar errado, evidentemente. A onda dos ciclos de crescimento e depressão da economia se encaixam com exatidão. Alguns analistas sugerem que o ciclo deve ser corrigido pela expectativa de vida da população – se ela se alonga, também o ciclo cresce.

Mas, nesta semana, o sistema financeiro norte-americano está enfrentando uma crise barra pesada. Um banco que já foi dono da American Express – o Lehman Brothers – quebrou. Outro, que foi símbolo do sistema financeiro, foi comprado – o Merril Lynch. E uma das maiores seguradoras do mundo, a AIG, acaba de ser virtualmente estatizada. Isso mesmo: o governo republicano dos Estados Unidos da América estatizou uma seguradora. (Alguns vão dizer que não foi bem isso. Mas foi.)

Este é o tamanho da crise.

É hora de rezar para que Nicolai Kondratieff esteja errado.

Tags: EUA · Ideologias · Mundo

65 Comentários até agora ↓




  • 1 Darwinista // 17/September/2008 às 7:29

    Se ele estiver certo, a crise vai durar mais tempo e teremos uma guerra das grandes logo logo, é isso?

    Mas em compensação vem aí a primavera…

  • 2 Zictor // 17/September/2008 às 7:49

    Mas e os países que estão crescendo?
    E a relativa imunidade do mundo aos problemas americanos até agora?

    Contudo, se a vaca for pro brejo aqui na China, e a economia parar de crescer, podemos ver uma guerra pesada rolando logo, logo.

    Especialmente com a Rússia se eriçando do lado de lá.

  • 3 Gerson B // 17/September/2008 às 8:08

    Acho que a situação mundial é muito complexa pra ser explicada só por um fator. Mãssssss… e se?

    Brrrrr….

  • 4 Arpex // 17/September/2008 às 8:16

    Deve haver algum estudo antropológico que assimila as ondas de Kondratieff a fenômenos sociais, do gênero tensão estatal, estados policialescos (não necessariamente o q se diz que acontece no Brasil) auto-estima de países emergentes e escaladas armamentistas, novas lideranças representando pequenas revoluções populares… manja?

  • 5 Radical Livre // 17/September/2008 às 8:25

    Zictor,

    qual a dependência da China em relação às exportações para os EUA? se os EUA pararem de comprar, quanto isto significa em termos de comércio para a China? e em PIB?

    se a China diminuir sua produção significativamente - por conta da diminuição de encomendas dos EUA -, quantos países que dependem de suas exportações de matérias primas para a China serão afetados? Qual a participação do comércio destes países com a China?

    tem um efeito dominó aí - e está só começando. Os índices de consumo nos EUA já estão baixando, assim como a medição de expectativas futuras das famílias.

    Eu estou meio que nem a Regina Duarte - com medo.

  • 6 Bruno Stern // 17/September/2008 às 8:30

    Seria bim que o inverno do ciclo fosse como o inverno carioca…

  • 7 Diego // 17/September/2008 às 8:46

    Vamos torcer ou rezar para que ele esteja errado em relação a economia e em relação as guerras.

  • 8 C.Barbosa - Subversivo // 17/September/2008 às 8:58

    Sempre que o assunto apontar uma possível guerra vou levantar a mesma questão (apesar de não compactuar com a idéia de conflito… principalmente armado).

    A solução… Dizimar em massa… Como disse o Darwinista, existe a compensação da primavera a seguir.

    Salve Kondratieff… Mano responsa… Só na observação dos fatos, pois as personagens sempre estarão à espera de um ator.

    Viajei no lance do ciclo do Kond (mó íntimo heim). 70 anos também é a idade média dos atores (nós humanos).

    Só o avanço tecnológico pode interferir (muito pouco) nessa realidade, e nos dar uma falsa impressão de evolução.

  • 9 Asmodeu // 17/September/2008 às 9:24

    Recomendo urgentemente a leitura de um manual de macroeconomia de graduação (aqui vão 3: Mankiw, Blanchard, Abel & Bernanke), onde se aprende que, atualmente, considera-se que o ciclo econômico resulta de choques ALEATÓRIOS (mudanças no preço de matérias primas como o petróleo, mudanças na confiança dos consumidores, mudanças na confiança dos empresários, etc. etc.) que influenciam a demanda agregada e a oferta agregada. Kondratieff e seus ciclos longos não estão muito na moda…

  • 10 Fabiano Dias // 17/September/2008 às 9:31

    A ligaçao entre a crise e a Lehman Brothers quebra na economia é mínima. A riqueza foi baseada em terras durante toda a historia, pq esta produzia alimento, que alimentava soldado que conquistava mais terras.
    Com as colonias, a partir das navegaçoes surgem as colonias, e seu desenvolvimento culmina na matéria-prima, elemento que possibilitou a revoluçao industrial.
    Com a segunda guerra surge o terceiro elemento de riqueza, o armamento pesado. A 2 guerra conseguiu com que os EUA pela primeira vez atingisse 100% de emprego ( conforme descrito por Malcolm Caldwell), e a ajuda belica e de dolares formaram a potencia economica dos EUA que precisam portanto continuar emprestando dolares e guerreando ou financiando guerra.
    Portanto ou a agricultura, ou a materia-prima
    ( ou alguma forma de reversao no sistema colonialista, como mudança de politica em naçoes coloniais tipo…Colombia e Venezuela???)
    ou o desarmamento/ajuda cessou para resultar em crise, ou a crise mesmo nào é rea.l

  • 11 nada será como antes // 17/September/2008 às 9:40

    Afirmei neste blog, várias vezes, nos últimos meses, que fatalmente ocorreriam drásticas mudanças no panorama econômico dos USA (é só procurar nos arquivos).

    Afirmei, também, em várias ocasiões, que depois dos USA o próximo tombo será o da China. Pois reafirmo uma vez mais.

    O México, que também amarrou o burro no império decadente, experimenta convulsões sociais ainda localizadas e restritas a certas provícias. Esses fatos são providencialmente ocultados pela rasteira imprensa brasileira.

    Poucos países serão poupados desta atual crise, dentre os quais, pode parecer incrível, alguns da África e vários da América do Sul.

    A crise de Wall Street expõe, para quem tinha dúvidas, que o problema financeiro dos USA não está restrito às especulações hipotecárias. É bem mais amplo e tem ramificações poderosas na artificialidade do “poder de compra” de seus cidadãos.

    Economia não é área propícia para principiantes e curiosos.

  • 12 Zé Bush // 17/September/2008 às 9:49

    well…e pra que servem os governos? Quer dizer que o governo não pode intervir na economia para regular, orientar, compensar, etc.etc.etc?

    Se o governo americano não tivesse tomado providencias, metade da população estaria na sarjeta e no olho da rua.

    Por consequencia, países emergentes (Brazil no meio) estariam passando por um apagão de investimentos e terror inflacionário.

  • 13 C.Barbosa - Subversivo // 17/September/2008 às 9:54

    #11

    Nada…

    Concordo, e como sou curioso pergunto: No meio dessa queda dos USA, você não acha que prepotente como são, não irão ocasionar uma guerra mundial, como única alternativa para levar mais países com eles pro fundo?

  • 14 the talk of the town // 17/September/2008 às 9:54

    PD,

    O FED usou uma clausula do seu estatuto que nao usava desde de 1930, que permite que ele intervenha em qualquer empresa que necessite credito. O AIG nao era da alçada do FED, nem o Bear Stearns.

    O pessoal se pergunta qdo é que o FED vai resgatar a Ford e a GM, pq afinal tem pouca diferenças entre os bail-outs.

    Uns já dizem que os EUA podem entrar em Depressao (Recessao eles já estao).

  • 15 Palhaço H.Romeu Pinto // 17/September/2008 às 9:56

    Belo comentário o numero 11……mas a parte da China me assusta……

  • 16 Palhaço H.Romeu Pinto // 17/September/2008 às 9:59

    Zé Bush…….estou mandando minha contribuição para a biblioteca presidencial do Bushinho……gibis da Monica,Pato Donald e do Mickey!
    O Pequeno principe o Bushinho já tem…….
    Dizem que a “coqueluche” dessa biblioteca vai ser a coleção completa do Mandrake, que o Michael Jackson doou!
    Grande cara esse Bush!

  • 17 Outro Paulo // 17/September/2008 às 10:02

    Arpex, economistas não lêem antropólogos, e vice-versa. Goste ou não, isto é um fato.

    Asmodeu, o Mankiw é um parvo. Ele é partidário de uma corrente que, durante quarenta anos do século XX, não conseguiu explicar o funcionamento da economia. É somente em um período recentíssimo da história que suas teorias (i.e. as teorias dos outros que ele compila em seu livro) se mostram com um poder analítico superior ao desprezível.

    Mas fique à vontade para seguir as teorias da moda.

  • 18 nada será como antes // 17/September/2008 às 10:06

    C.Barbosa (13),

    Não acredito que exista espaço político para uma guerra mundial. Talvez intervenções localizadas, de pequeno espectro, para fomentar o setor de armamentos e manter o costume.

    A tentativa maior dos USA, como é praxe, será a de “exportar” sua crise financeira para países dependentes. Mas também essa possibilidade está cada vez mais estreita, devido à conjuntura econômica internacional. A capacidade de absorção dos ônus não é a mesma dos anos 1970, por exemplo.
    ____________________

    HRP,

    Não se assuste com o problema chinês. É assunto deles e afetará apenas marginalmente a América do Sul. E agradeço o elogio.

  • 19 C.Barbosa - Subversivo // 17/September/2008 às 10:11

    #18

    Perfeito… compreendido! É a cara deles também…

  • 20 Diogo // 17/September/2008 às 10:15

    Corram para as montanhas.

  • 21 Marcelo P. // 17/September/2008 às 10:21

    O Roubini está possesso:

    “So soon enough the transformation the USA into the USSRA (United Socialist State Republic of America) will be complete: we have defeated the USSRR to create a communist economy in the most advanced free market economy in the world. And calling it socialism (even socialism for the rich, the well connected and Wall Street) is giving a bad name even to a failed experiment like socialism; this is more akin to the creation of a corporatist state (like the Italian fascism or the Germany Third Reich) where private sector interest are protected (gains privatized and losses socialized) where the government is taken over by corrupt and reckless private interests.

    The paradox is that this this whole mess was creaete by a bunch of zealot fanatics who believed in the laissez faire ideology of free markets unbound by propers rules, regulation and supervision.”

    http://www.rgemonitor.com/roubini-monitor/253625/the_transformation_of_the_usa_into_the_ussra_united_socialist_state_republic_of_america_continues__at_full_speed_with_the_nationalization_of_aig

  • 22 Zé Bush // 17/September/2008 às 10:35

    well,Palhaço…Mandrake é aquele sujeito que sempre anda com um negão de lado e que gosta de fazer mágica com cobra?

    Alguém aqui sabe dizer quanto está saindo do Brazil para “tapar o rombo” lá nos EUA?

    Quer dizer que esse dinheiro que está indo embora não vai fazer falta aqui?

  • 23 Marcelo Augusto // 17/September/2008 às 10:36

    Hallo, Pessoal!

    Interessantes as idéias do Kondratieff.

    Excerto:

    The collapse of the tech market and NASDAQ, Enron, Aldelphia, K-Mart, Global Crossing, WorldCom, Arthur Anderson and numerous others are the corporate face of the scandals and the debt collapse. On the country side we have the implosion of Argentina and possibly Brazil, which would imperil all of Latin America. African countries never seem to be out of bankruptcy. As the job losses mount the consumer driven economy will fall into a deep funk and the consumer will go through their own debt implosion.

    Destaque meu.

    O verbete da Wikipédia sobre as ditas K-Waves afirma:

    Academic economists do not posit the existence of these waves.

    []’s

    Marcelo

  • 24 Palhaço H.Romeu Pinto // 17/September/2008 às 10:42

    Zé Bush….voce lia muito o Mandrake?

  • 25 Mr X // 17/September/2008 às 10:45

    Essa teoria parece meio Paulocoealhana…

  • 26 Maurício Santoro // 17/September/2008 às 10:47

    Pedro,

    alguns intelectuais marxistas, como o historiador britânico Eric Hobsbawm e o economista italiano Giovanni Arrighi, têm escrito análises muito interessantes a partir da teoria dos ciclos de Kondratieff. Só que para eles o momento de declínio é a década de 1970, com o colapso de Bretton Woods, os choques do petróleo, a estagflação etc.

    Sou um tanto cético com relação a grandes interpretações como a de Kondratieff, porque em meio aos ciclos maiores há muitos movimentos diferentes e contraditórios. Por exemplo, a economia dos EUA cresceu muito na década de 1990 e atualmente, mesmo em meio à crise naquele país e na Europa, parece ter havido um relativo “descolamento” da China, Índia e mesmo da América Latina.

    Contudo, fico mesmo na dúvida sobre qual o limite da crise atual. A bola de neve parece cada vez mais assutadora, ainda que seja pitoresco ver a República Bolivariana das Nacionalizações se instalando em Wall Street… Aguardo a qualquer momento o elogio que Bush fará de Bolívar.

    Abraços

  • 27 Palhaço H.Romeu Pinto // 17/September/2008 às 10:48

    Bom …se está saindo grana daqui para cobrir rombo nos EUA?
    Num primeiro momento o que eu sei é que a turma está usando muito nossos papeis, que pelo grau de investimento parecem ser confiáveis……
    Esse anos foram batidos todos os records de investimento na terra brasilis…..e a maioria em projetos a longo prazo……

  • 28 Marcelo Augusto // 17/September/2008 às 10:50

    Hallo, Pessoal!

    Para uma análise crítica das K-Waves:

    The Kondratieff Cycle: Real or Fabricated?

    by Murray N. Rothbard.

    Texto adicionado aos meus favoritos!

    []’s

    Marcelo

  • 29 Diogo // 17/September/2008 às 11:00

    República Bolivariana das Nacionalizações se instalando em Wall Street…

    Melhor frase do dia, por enquanto.

  • 30 Marcelo Augusto // 17/September/2008 às 11:03

    Hallo, Pessoal!

    Aguardo a qualquer momento o elogio que Bush fará de Bolívar.

    Bolívar possuía ideais de cunho liberal, sem dizer que era um grande admirador da Revolução Americana. Ele era um liberal no sentido clássico do termo, suspeito. Nada tem a ver com essa interpretação fajuta que tiranetes ao estilo Hugo Chávez fazem e que tomam corpo sob a forma da dita Revolução Bolivariana.

    Uma fajutice, lógico.

    []’s

    Marcelo

  • 31 nada será como antes // 17/September/2008 às 11:35

    Existe um ponto pouco discutido na teoria de Kondratieff.

    A tentativa do Sr. K. consiste em esmiuçar, no varejo capitalista, o que MARX realizou, no Materialismo Histórico, acerca dos modos de produção.

    Marx buscou, nos ciclos escravista, feudal e capitalista, as Leis do processo de superação dos sistemas econômicos.

    Kondratieff tentou equivalente percurso dentro do sistema capitalista. Mas ai começa o problema.

    Para enxergar ciclos é preciso, antes, estabelecer quando se inicia o sistema capitalista. Delimitado o início, é preciso entender que formas pré-capitalistas exerceram algum papel no sistema, como é óbvio. Aliás, se o sistema capitalista tem ciclos, por analogia é possivel afirmar que o feudalismo os tivesse.

    Qual teria sido, então, o papel das formas pré-capitalistas atuantes em pleno feudalismo ?

    E as relações não-capitalistas que ainda existem ? Qual sua influência nos ciclos ?

    Outra questão. O capitalismo não foi implantado de modo uniforme e simultâneo. Portanto, os ciclos também não seriam uniformes.

    Existe um movimento denominado de “desigual e combinado”, cujo entendimento permite a compreensão mais adequada dos processos capitalistas.

    E, por favor, Pedro Doria, no terceiro parágrafo do post você afirma…..”o capitalismo - ou a economia, tanto faz-.”…. Faz muita diferença, sim.

  • 32 Rastov // 17/September/2008 às 11:36

    Ciclos de 70 anos? Isso parece numerologia.

  • 33 Rastov // 17/September/2008 às 11:37

    O Kondratieff usou maçãs para explicar a teoria?

  • 34 Papagaio Alex // 17/September/2008 às 11:57

    Meus caros periquitinhos verde-amarelos!

    O grande Papagaio Alex vos aconselha: Paguem TODAS as suas dívidas o quante antes, pois a quebradeira geral nâo demora! Assim, os bancos nâo poderâo se apoderar de seus bens, adquiridos a crédito em sua grande maioria, a preço de banana, e jogá-los na rua.

    Está mais claro que água de rocha que a economia da periquitada chinesa irá implodir. Por que raios de milagre este país de 1,3 bilhôes de habitantes e parcos recursos minerais (petróleo, gás, minerais estratégicos), poderá garantir seu crescimento fantástico - por enquanto! - de 13% ao ano - sem ocupar (pelo menos economicamente, e talvez até militarmente) outros países detentores de tais recursos? A China já ocupa a África piano piano, na barba dos ocidentais que dormem no ponto.

    Ademais, a economia ocidental, dependente do consumerismo artificial (entâo, já tem o seu telefone que fala, tira foto, toca música, passa vídeo, acessa a internete, lava, passa, cozinha, faz carinho e trepa com a patroa?) sem limites e ad infinitum, irá pro brejo, pois também faltará matéria prima para alimentar o apetite insaciável do capitalismo selvagem. Adeus USA e Europa! O planeta já dá sinais de estafa, poluído até o tutano. Por acaso, caros periquitinhos, já ouviram falar dos 100 milhôes de toneladas de lixo plástico que perabumla num vórtex pelo oceano Pacífico? É uma sopa de 10 metros de profundidade, de área equivalente a superfície da Europa. Papagaio Alex já sobrevoou aquilo alí. Aposto que até o periquito Doria nunca ouviu falar.

    O século 20 foi, na história da humanidade, o mais sangrento, permeado de guerras, de uma violência extrema. Pois o século 21 será ainda pior, e a “guerra infinita”, no jargâo do cretino periquitinho Bush, já começou e irá continuar, com a volta da Guerra Fria. A 3a grande guerra, mundializada ou globalizada (ao seu gosto, caro periquitinho), durará séculos. Os grandes impérios de hábito nâo morrem sem causar grande destruiçâo e levar consigo, para os quintos do inferno, populaçôes e países inteiros.

    Kondratieff, cuja obra o grande Papagaio Alex estudou com afinco, foi um economista genial. Seus grandes ciclos econômicos, queira ou nâo queira, estâo provados e se provam a cada dia que passa, nâo obstante os peidos e arrôtos arrogantes de economistas chinfrim (modernos, ou na moda, dizem os incautos e intelectuais venais) e bloguistas mal-informados.

    Pois é, caros periquitinhos, segurem o rojâo ou procurem algo para mantê- los com a cabecinha fora d’água, pois o Titanic está indo a pique!

    Grande abraço do Papagaio Alex, rei da Guiné e Congo, isento de dívidas e que nâo deve nada a porra de banco nenhum. Meu reino está a salvo. Quanto ao seu…

  • 35 Pax // 17/September/2008 às 12:17

    Nessas horas aparecem os gurus, os que disseram que tinham dito, os que possuem antevisão estratosférica e os que correm pra igreja adventista do fim do mundo.

    Dessa vez estou com o Mr X, parece coisa do Paulo Coelho.
    _________________________________

    Aconselho o livro Macrotransição de Erwin Laszlo.

    Há um momento interessante, segundo tal livro. Uma macrotransição em curso. E elas são sempre parecidas. O mundo bate em limites em alguns recursos, os arranjos sócio-econômicos se tornam incômodos demais e aparecem novidades tecnológicas relevantes, capazes de gerar mudanças significativas (função de x,y,z). O contexto impele uma macrotransição.

    Ainda segundo tal livro, podemos definir um bom ou um mau caminho.

    O bom seria o planeta se voltar para a sustentabilidade dos recursos naturais básicos, ar, terra e água, bem como para minimização das desigualdades sociais.

    Quem sabe não estamos justamente num momento ótimo para questionarmos certas posturas do Império?

    Parece-me que sim.

  • 36 surfando na jaca // 17/September/2008 às 12:32

    Bom explicar que o ciclo Kondratieff tem uma fase A (+- 30-35 anos) e outra B (fase negativa de igual duração, pois tudo que sobe, desce) com duração intemediária dentro do trend secular, conforme demonstrou Simiand/Juglar. Como podemos também localizar os ciclos menores, dentro desses ciclos, como Kitchin. O que fica disso é que o capitalismo possui ciclos econômicos menores do que os da economia de antigo regime, mais afetada pelos fatores naturais e demográficos. Mas não nasceu o economista que possa explicar convincentemente as razões desse sobe-desce. Ou que possa construir um modelo explicativo para todas essas crises do capitalismo. Lembro que a fase B, de crise iniciada em 1970 fechou em 2000. Estamos iniciando a fase positiva (A), ou será o fecho da fase B? Bom, para o Schumpeter, as inovações tecnológicas jogam um papel importante e quando se arrefecem, pois se popularizam no mercado, perdem sua força impulsionadora da economia. Estamosna era da informática e da globlablablalização. Podemos estar é num interciclo de baixa na fase de alta de Kondratieff, que é o que parece, ao contrário dos descalabros tenebrosos de Greenspan. Vejamos quem está certo. Pelo menos o Doria não cometeu mais bobagens sobre a Bolívia. Parabéns.

  • 37 Capitão América // 17/September/2008 às 12:36

    1. O AIG não foi estatizado. Canalhice ideológica com ignorância. Vai ler um pouco.
    2. Você é comunista do tipo herbívoro, mas comunista. O que não te faz menos perigoso do que os carnívoros.
    3. O seu blogar não tem nada de engraçado e, por vezes, é patético.

  • 38 surfando na jaca // 17/September/2008 às 12:36

    Caros intelijumentos direitobas ou confusos bloquianos,
    não se trata de teoria expolicativa de futurólogo, coisa que o Kondratieff não era, mas mera constatação da montanha russa do parque de diversões capitalista através dos preços do mercado mundial.
    Câmbio, desligo.
    Um bom dia aos bons e gases mefíticos aos maus.

  • 39 surfando na jaca // 17/September/2008 às 12:38

    Nervosa esse capitão américa…

  • 40 Pedro Doria // 17/September/2008 às 13:17

    Capitão América, se você realmente acha que sou comunista é porque, francamente, não entende absolutamente nada de política.

    Se o Estado assume o comando de uma empresa ela passa a ser estatal. Ou seja: pertencente ao Estado. Definir de outra forma é vontade de não dar nome aos bois.

  • 41 Marcelo Augusto // 17/September/2008 às 13:35

    Hallo, Pessoal!

    O Pedro Dória não é comunista. Ele já se declarou, aqui no blog, como sendo de esquerda. Mas há diferenças entre ser de esquerda (digamos na vertente européia do termo), ser um socialista e ser um comunista. O pessoal mais conservador não sabe diferenciar um do outro e, quase sempre, joga no mesmo balaio todos. Normal.

    Eu gosto deste blog, apesar de discordar de algumas coisas que o Pedro Dória escreve.

    []’s

    Marcelo

    P.S: Eu, Marcelo Augusto, me identifico muito com as convicções políticas do Benjamin Franklin e outros Founding Fathers.

  • 42 George // 17/September/2008 às 15:16

    Perdoem-me os comentaristas sérios ( obviamente não sou um deles) mas a associação de idéias foi imediata.
    http://donaldsoffritti.blogspot.com/2008/07/capitan-america-decadence.html
    E, já que todos estão sacando suas teoriaas econômicas prediletas, ninguém vai falar de economia ecológica?

  • 43 Radical Livre // 17/September/2008 às 15:48

    Capitão América,

    vai ver se encontra o caveira vermelha para se ocupar, vai rapaz.

    que coisa mais antiga ficar vendo comunista em tudo que é lado.

    voltando à discussão…

  • 44 Radical Livre // 17/September/2008 às 15:48

    Marcelo Augusto,

    fora a parte da escravidão, claro, né?

  • 45 tio jaca // 17/September/2008 às 16:02

    Já eu sou comunista, meu vizinho deve ser… Mamãe era. A Memento é anarquista, coisa que só vi servir para empresário quando não quer pagar impostos. Capitão América procurando comunista, enquanto o Hulk bota chifre nele.

  • 46 tio jaca // 17/September/2008 às 16:41

    Prezado Nascalina,
    bom ver o companheiro de volta. Veja que as flutuações da sociedade pré-capitalista foram estudadas pelo historiador marxista Ernest Labrousse. Quanto ao resto, estou aqui para esclarecer, pois sou homem de muito cabedal nesse assunto de altos e baixos da vida. E vejo muita gente assanhada em domínio acadêmico que quer opinar sem saber do que se trata, como o Doria, que é o mais honesto de nós. Sim, porque confessou de que nada sabe de economia e nem deseja saber. É honesto e jornalista consciente, pois seu papel não é o de substituir o acadêmico, mas de divulgar conhecimento. É por isso, que geralmente livro de jornalista é uma droga quando desejam ser o que não são.
    Parabéns, Sr, Doria.

  • 47 nada será como antes // 17/September/2008 às 17:56

    Tio Jaca,

    Pois é. Flutuações existem, claro, em qualquer sistema, não apenas econômico, mas também político, energético, etc.

    Minha preocupação, quanto à proposição de Kondratieff, é de caráter metodológico. Nisso, a teoria do Sr. K. escorrega um pouco e desliza para um certo positivismo.

    Veja que, se o processo de um sistema é dialético, então, o capitalismo, em evolução constante, não se dobra em ciclos de periodicidade fixa. Ao contrário, a periodicidade deve ser, quase obrigatoriamente, de ritmo minimizante.

    Temos, então, que constatar que ou a periodicidade não é repetitiva em qualidade ou não obedece a durações temporalmente idênticas. Negar qualquer das duas ou ou pretendê-las simultâneas equivale a negar o método.

    Aliás, para um marxista, mais do que se aprofundar nos rios capitalistas, o importante é superá-lo. O Sr. K. contribui à discussão e suas conclusões constituem ótimo ponto de partida, mas não de chegada.

  • 48 nada será como antes // 17/September/2008 às 17:57

    o importante é superá-loS

  • 49 Chesterton // 17/September/2008 às 18:03

    gostei do termo comunista herbívoro…

  • 50 Surfando na jaca // 17/September/2008 às 18:21

    Misterioso companheiro de Nazca,
    temos aqui um equívoco. Impossível fazer beicinho para as constatações de ciclos com certa regularidade do capitalismo até o momento. O positivismo não fora totalmente errado, ao exigir a prova científica em dados comprováveis. Isso serve até aos nossos dias. Explicar essa regularidade é outro passo, bem mais difícil. De qualquer forma, ter comprovado metodicamente essa regularidade foi um avanço para o conhecimento da dinâmica capitalista. Regularidade não se confunde com ciclos perfeitamente idêntico em duração ou futurologia. Mas graças ao Kondratieff temos uma grande chance dessa crise que se aproxima seja apenas um interciclo de baixa na fase positiva que se iniciou. Mas é pura futurologia e hipótese mais possível do que a de continuidade da fase B. Outra coisa, pelo post parece que o Kondratieff era um bolchevique, o que não é verdade pelo que saiba.
    Saravá, misinfio Nazca.

  • 51 leonardo // 17/September/2008 às 20:27

    PDoria,
    Nenhum economista sério acredita em ciclos de Kondratieff.
    Estranhamente, eu vejo o Kondratieff sempre citado em artigos de (otimos!) historiadores econômicos brazucas. Nao sei pq isso aconteceu.
    Abracos,
    LMM

  • 52 Surfando na jaca // 17/September/2008 às 20:29

    Leonardo,
    poderia citar o Arrighi, Wallerstein e outros economistas ou não, que usam essa referência. Bom, vc. deve estar lendo os economistas e historiadores de seu gosto, mas não precisa esbanjar ignorância.

  • 53 Maluco Beleza // 17/September/2008 às 21:29

    Teoria cabalística por teoria cabalística, vejam essa: cada século tem uma “cara” definida, e os acontecimentos que o define costumam acontecer na metade da segunda década. Ou seja, o início de cada século está sempre ‘atrasado’ em uns 15 anos, mais ou menos.

    Século XV (século dos descobrimentos): de 1415 (Conquista de Ceuta) até 1522 (Circunavegação).
    Século XVI (século da Reforma): de 1517 (Lutero) até 1618 (Guerra dos 30 Anos).
    Século XVII (século do Absolutismo): de 1618 até 1715 (Morte de Luís XIV).
    Século XVIII (século do Iluminismo): de 1715 até 1815 (derrota de Napoleão);
    Século XIX (século do Liberalismo conservador): de 1815 a 1914 (Primeira Guerra Mundial).
    Século XX - Hobsbawm diz que terminou em 1989, porque pra ele é o século da Guerra Fria. Mas e se for outra coisa? Só vai dar pra saber direito daqui a uns 30 anos. E será que todos os arautos numerológicos (ciclos de Kondratieff, calendário maia, esta teoria maluca daqui) não prevêem coisas ruins pra daqui a uns anos?

  • 54 marco // 17/September/2008 às 21:41

    O russo - que Deus tenha piedade e guarde sua alma de condenado político e mantenha seu assassino queimando no inferno por milênios ) criou um mantra sem pé nem cabeça.

    Ciclos matemáticos regendo as ações dos homems….

    É proibido proibir também não quer dizer nada mas ao menos tinha seu charme em ‘68, o ano que terminou, menos nos livros do mestre Zuenir Ventura.

  • 55 Surfando na jaca // 17/September/2008 às 22:14

    Mais difícil do que Simão pregando no deserto. Não se trata de futurologia, seus meliantes intelectuais internéticos. Trata-se de constatação simples de que o capitalismo passa por crises periódicas desde seu surgimento, como comprovam os dados empíricos. Pois então, a crise econômica tem sido uma componente da dinâmica econômica do capitalismo, seus pangüás.

  • 56 namber uam // 17/September/2008 às 22:44

    Não entendo nada de economia global, por isso pergunto:
    E o Neoliberalismo?
    Foi pro buraco?
    Estado mínimo teria salvado a AIG?
    Cadê a auto-regulamentação do mercado?
    Se o FED comprou, porque isso não é uma estatização?
    Desculpem o meu apedeutismo exacerbado.:o)

  • 57 marco // 17/September/2008 às 22:44

    Surf, caro,

    Crises, várias, tudo bem.

    Mas, matemáticamente previsiveis?

    Tanto quanto as marés dos verdes mares de Iemanjá?

    Sorvetão, Surf…

    abs,
    ma

  • 58 surfando na jaca // 17/September/2008 às 23:21

    Sei que todo direitoba tem dificuldade de leitura e interpretação de texto, mas repito pela décima vez: crises periódicas constatadas pelo movimento dos preços do mercado não são crises previsíveis, coño!
    É uma constatação das crises na dinâmica do capitalismo, que até Marx já havia observado, mas não imaginava que tivesse uma periodicidade. Se vc. quer mudar a realidade histórica, faça um trabalho mostrando que essas crises não existem e essa periodicidade comprovada e vivida é mera ilusão de ótica. Vai, gênio da raça! Alça aos céus essa intelijumência toda! Mostre para humanidade, a força do seu coice!

  • 59 Edgar Suzuki // 18/September/2008 às 3:48

    Post 2. Minha humilde opinião é que está próximo o período bíblico denominado GRANDE TRIBULAÇÃO. Todo o planeta será palco. O camarada Kondratiev apenas notou, sem medo de parecer ridículo, que haviam ondas. Os descobridores do DNA devem ter ficado pasmos também quando supuseram a forma helicoidal pela 1a vez. Beleza é sinal de inteligencia e pode por o “dedo” de Deus nisto. Só para tentar explicar um comentário anterior desta comunidade sobre a certa presença das ondas de Kondratiev na academia brasileira, lembro que o belga Mandel, dirigente e economista da IV internacional escreveu um livro “(neo)Capitalismo Tardio” onde K é a grande explicação para a continuidade do sistema capitalista. Mandel, chamado de revisionista por trotskystas mais ortodoxos, é o pai de um setor modesto do PT, PSOL e governo federal(Mantega).
    1949 (ou 1948) também é a restauração do Estado de Israel, a “figueira” que o Senhor Jesus se referiu em Mateus 24. “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram”…. Como lembrou alguém por aqui, uma geração são 70 anos. Leiam a Bíblia. Acontecimentos como uma paz temporária e a reconstrução do templo em Jerusalem estão próximos. Um forte abraço!

  • 60 nada será como antes // 18/September/2008 às 9:31

    Surfando na jaca (50),

    O acrônimo de meu nick “nada será como antes” é NASCA, outorgado por outro frequentador do blog, à minha revelia, logo que comecei a comentar aqui. Mas de modo algum seria NAZCA, que é nome de cidade e região costeira do Pacífico, cortada pela Rodovia Panamericana, no sul do Perú, notabilizada por conter, em seu território, grandes e antigas inscrições em porções de terrenos que, vistas do alto ou a certa distância, revela figuras inusitadas. Alguns , como eu as consideram meras expressões de sacrifícios de trabalho dedicados a divindades primitivas. Outros, como um alemão (Danniken), viram a oportunidade de especular e vender livros imprestáveis ao redor do mundo.

    Sobre o acrônimo, acredito dispensável, inclusive porque, no meu caso, retira o sentido do nick utilizado. Seria o mesmo que me referir a você como SUJA ou SUNJA.

    Sobre a teoria do Sr. K.

    Quando afirmei, no # 47, sofre o deslize positivista de Kondratieff , não me referi à necessidade de exigência de provas científicas, que também considero essenciais a qualquer trabalho sério. Minha referência trata do racionalismo independente, isto é, desprovido de anteparo histórico no sentido estrito do termo.

    Note bem, não me refiro à História factual, que o Sr. K. utiliza. Minha referência é ao sentido, ao conteúdo, à essência. História nos termos do materialismo histórico/dialético.

    A racionalização da economia, que o Sr. K. desenvolveu a partir de pressupostos arbitrários e cálculos estatísticos, despreza a superação e enxerga a História como um calendário circular, típico da cultura maia, que alguém mencionou acima. A História não é circular e com ciclos de retorno, como explicou Marx na idéia da espiral.

    Por coincidência, no meu blog, há alguns dias, lancei post a respeito das “pesquisas” estatísticas a respeito do uso de tabaco e as “conclusões” precipitadas, que não passam de manipulação.

    Atividade científica é múltipla e requer delicadeza, atenção à complexidade e, especialmente, respeito ao método. Há muito a ser aproveitado da concepção positivista, que é parcial mas aponta critérios de seriedade.

    Schumpeter também trabalhou a respeito de ciclos e, nem por isso, revela algo substancial.

    Outra questão a respeito da teoria do Sr. K. Sua teoria , não sou apenas eu quem diz, é excessivamente ligada às mudanças tecnológicas como fatores desencadeadores dos ciclos. Então, pergunto, as inovações tecnológicas são o motor ou o resultado dos impulsos econômicos ? O tal biscoito é fresquinho porque vende mais ou o inverso ?

    Por qual razão o Sr. K. escolhe o início da era dos ciclos no final do século XVIII ? O que fazer com as atividades pré-capitalistas ?

    Hayek e outros monetaristas vêem os ciclos como decorrentes das variações da oferta de crédito e propôem exclusiva calibragem monetária. Mas isso contraria a lógica do capitalismo, que consiste em forçar, até além do limite, a perspectiva de excedentes e lucro. Mas as contrações e expansões de crédito conformam, também, a idéia de ciclos econômicos.

    Keynes e Samuelson, na trilha do consumo e subconsumo, admitem os ciclos, claro, mas suas periodicidades não se devem e não estão presas às voltas dos relógios.

    Alguns estudiosos encontram analogias entre os ciclos solares e as atividades econômicas. Essas também são parciais e pseudo-racionalistas, porque desprezam a atividade humana e sua própria racionalidade.

    Enfim, Surfando na jaca, você pode ter simpatia pela obra de Kondratiev e acho isto louvável. Mas, sugiro, examine até que ponto o Sr. K. toma a parte pelo todo.

    E desculpe a demora da resposta, pois tenho atividades noturnas que me impediram de ver, ontem, seu comentário.

    Abraços.

  • 61 nada será como antes // 18/September/2008 às 9:35

    sofre o deslize positivista = sobre o deslize positivista

  • 62 Asmodeu // 18/September/2008 às 9:54

    Outro Paulo, o “parvo” Mankiw é um professor bem remunerado de um dos 5 melhores departamendos de Economia do mundo em qualquer classificação que eu já tenha visto, e escreveu livros didáticos (que, informo, não têm nem deveriam ter pretensão à originalidade) que são vendidos no mundo todo e devem tê-lo deixado milionário. Se você é menos parvo que ele, como parece se achar, deveria tentar a mesma carreira, provavelmente obterá muito mais sucesso.
    Quanto à corrente da qual ele é partidário, e cujas teorias não explicaram o funcionamento da economia durante quarenta anos do século XX, aguardo mais informação.

  • 63 surfando na jaca // 18/September/2008 às 11:49

    O prezado masca? Pois bem, o Sunda aqui te remete ao comentário que fiz ao inteligente Marcarado acima.
    Constatar foi o que fez o russo Kondratieff, o negócio de explicar é outro barato. Se o capitalismo vai continuar subindo e descendo só a bíblia da moto Suzuki pode responder. Não deixa de ser incômodo esse mistério do capitalismo. Marx e Sweesy falaram das crises de subconsumo derivadas do encalhe do produtividade. Schumpeter mandou ver na questão tecnológica e misturou isso a outros fatores. Outros rezam pela crise final do capitalismo tardio. E ainda existem os que olham para as variáveis monetárias e taxas de juros. Mas, até o momento, foi um sobe e desce ladeira.
    abs, companheiro extraterrestre.

  • 64 surfando na jaca // 18/September/2008 às 12:42

    Sim, tenho a impressão de que o companheiro bolivariano Joseph Mário saberia explicar esses movimentos, tão rotineiros na profissão que exerce e que pacientemente espera pela queda final de sua avantajada língua, que foi o que lhe restou.

  • 65 Esprit de porc // 19/September/2008 às 11:20

    Engraçado que dessa vez os direitaças Mr X e Chesterton não fizeram nenhum comentário acerca da intervenção do estado no AIG…

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