Eleições EUA: McCain derrapa perante a economia
E ainda sofre com fogo amigo

EUA · 17/09/2008 - 12h50 - 44 Comentários

O noticiário aqui nos EUA amanhece, como não poderia deixar de ser, dominado pela economia. Tanto Barack Obama quanto John McCain têm novos anúncios no ar e na Internet, nos quais tentam explicar qual sua avaliação do problema e o que podem fazer para resolvê-lo. Do ponto de vista do marketing político, a questão é clara: o público quer primeiro saber quem culpar; em segundo, como resolver.

Para John McCain, a culpa recai sobre ‘especuladores gananciosos de Wall Street’. É um anúncio curto no qual ele apenas promete ‘reformar Wall Street’. McCain tem cobrado a criação de uma comissão para estudar o problema financeiro nos moldes daquela que estudou o Onze de Setembro. Até ontem pela manhã, McCain vinha dizendo em seus discursos que os ‘fundamentos da economia estão sólidos’. Parou com isso –estava ressoando mal nos ouvidos dos eleitores. Ele, no anúncio, ainda diz que a única solução que Obama oferece são ‘mais impostos e conversa fiada’.

Para Barack Obama, a culpa é dos republicanos. Se dirigindo ao norte-americano comum, diz: ‘enquanto você tem cumprido suas responsabilidades, Washington não tem’. Aí, num comercial bem mais longo, sai a listar aquelas que imagina serem as soluções. Cortes de impostos para a classe média e aumento para as grandes empresas que fabricam seus produtos no exterior; regulamentação que proteja os pequenos investidores em Wall Street; investimento em tecnologia que possa fazer do país independente energeticamente em dez anos; regulamentar as ações dos lobistas no Congresso para diminuir seu poder de desviar recursos para grandes corporações; e trazer um ‘fim responsável’ à Guerra do Iraque para conter os gastos exorbitantes.

A bolsa afeta diretamente a classe média: todo norte-americano tem ações e é deste investimento que tira o dinheiro para a faculdade dos filhos e sua aposentadoria. Todo norte-americano rola a dívida do cartão de crédito – e os juros estão aumentando. O eleitor está preocupado, atento. Obama tem uma explicação na ponta da língua. McCain parece ainda estar correndo atrás.

Não bastasse, uma das principais porta-vozes de McCain, a ex-presidente da Hewlett-Packard Carly Fiorina, foi ao rádio ontem. Quando perguntada se Sarah Palin teria condições de assumir sua antiga empresa, Fiorina disse ‘não’. Mais tarde, foi à tevê e cobraram sua afirmação. Ela se adiantou: ‘Acho que John McCain também não teria como’. Fiorina queria dizer que não importa pois eles não são candidatos a presidir empresas. Mas foi de presto posta na geladeira pela campanha.

Também ontem, um assessor de McCain explicou que Blackberrys – celulares inteligentes – não existiriam se não fosse uma lei de McCain. O assessor estava tentando explicar a experiência de seu candidato no comando da Comissão de Comércio do Senado para falar de experiência econômica. Um repórter pediu um exemplo dos feitos do senador, o entrevistado mostrou seu telefone. ‘Este é um milagre que John McCain ajudou a criar’. Referia-se à desregulamentação das telecomunicações que permitiram smartphones.

Mas esticou um pouco demais a metáfora. Nas ruas ninguém fala de outra coisa: assim como Al Gore achava que inventou a Internet, McCain acha que criou o Blackberry.

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