Eleições EUA: Mercado em colapso favorece Obama

EUA · 15/09/2008 - 13h15 - 118 Comentários

O noticiário nas rádios, tevês e sites na manhã de domingo foi dominado pela longa reportagem do New York Times com o perfil de Sarah Palin. Ela, afinal, realmente pediu a censura de livros na biblioteca da cidade que governou – chamava-se ‘Daddy’s roomate’, o cara que divide a casa com o papai, sobre homossexualismo para crianças. Fez no Alaska, informa o Times, um governo em que quem não era de seu grupo foi demitido, e no qual perseguições pessoais não faltaram.

Já à noite e hoje pela manhã, após os anúncios da compra do Merryl Linch pelo Bank of America e da falência do banco de investimentos Lehman Brothers, o mercado financeiro entrou em pânico e as manchetes viraram. O noticiário das últimas duas semanas foi totalmente consumido por Sarah Palin. Mudou de uma hora para a outra: a Bolsa despenca e é lá que a classe média norte-americana investe o dinheiro de sua aposentadoria. A economia volta a ser o tema principal da campanha política.

O New York Times está blogando ao vivo o dia de hoje.

John McCain disse, agora de manhã, que o governo tem que parar de ajudar os grandes bancos e permitir que o mercado atue livremente. Obama, por sua vez, disse que a falta de regulamentação e a incompetência do governo federal são responsáveis pelo colapso econômico.

Colapso, diga-se, que passa ao largo de sua campanha. Os rumores eram de que Barack Obama estava começando a arrecadar cada vez menos dinheiro pela Internet. Em agosto, anunciaram ontem: 66 milhões de dólares. Dez milhões mais do que seu recorde anterior.

John McCain havia declarado, no início da campanha, que economia não era seu forte. Naquela época, a Guerra do Iraque, as pesquisas sugeriam, ia dominar a discussão política neste ano. Outra declaração que pode persegui-lo é a de que ‘os fundamentos de nossa economia estão fortes’. Talvez até faça sentido do ponto de vista de ciência econômica, mas não é o que o americano médio sente. Abre a guarda para a crítica que Obama tem repetido um comício após o outro: com sete casas ele está out of touch, descolado da realidade, do homem comum.

A história de que McCain mente em campanha e que distorce sempre que pode – num nível muito maior do que o de Obama – começa também a circular com força na imprensa. Washington Post, Boston Globe, Bloomberg e a rede NBC publicaram textos sobre o assunto. O pior golpe, no entanto, veio de fogo amigo (YouTube). ‘McCain deu um passo em falso ao atribuir a Obama coisas que, sabe, não passam pelo teste de 100% verdade.’ A frase é de Karlo Rove, o marqueteiro de George W. Bush, no programa dominical da FoxNews, o canal de direita dos EUA.

Após duas semanas terríveis, em que o Partido Democrata se perdeu na campanha, o assunto parece favorável a Obama. Se tudo ocorrer bem dependerá de seus aliados pararem de falar sobre Palin.

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