Eleições EUA: Obama vai de Flórida
e governo republicano de Estado grande
♦ Causou alguma discussão, ontem, a nota sobre o avanço de McCain nas pesquisas nacionais. ‘Não quer dizer nada, o que importa é a eleição estado a estado’, dizem uns. ‘Negam os fatos’, dizem outros. Ambos estão certos. A eleição que decide é aquela que acontece em alguns estados chaves, resultado do formato norte-americano de eleição indireta. (Este post fala um pouco sobre isso.) Mas os índices nacionais informam algo: caiu bem, perante o eleitorado, a escolha de Sarah Palin.
♦ Nos estados decisivos, swing states, McCain melhorou um bocado em Ohio e a disputa em Michigan continua árdua. Na Pensilvânia, a tendência pró-Obama se consolida. E, o que talvez seja surpreendente, a Flórida está pendendo para os democratas. Lá, eles são conservadores fiscais e liberais do ponto de vista do comportamento. O tipo de conservadorismo de Palin não ressoa bem ali.
♦ A imprensa está em debate. Dos entrevistados pelo grupo de pesquisas Rasmussen, 51% disseram que a imprensa tentou ferir a candidatura de Sarah Palin. Mais importante: 49% dos entrevistados que não se consideram nem republicanos, nem democratas, tiveram essa impressão. Muitas das perguntas levantadas pela imprensa são legítimas. Palin se esconde de jornalistas; embora tenha buscado emendas ao orçamento federal que beneficiassem seu estado, diz que é contra tais emendas; diz que é contra uma obra faraônica que apoiou; se mostrou a favor do banimento de certos livros em bibliotecas; defende o ensino do criacionismo. Questionar quem busca o poder é obrigação da imprensa. Mas o público não é obrigado a gostar disso.
♦ A MSNBC, um dos canais noticiosos da TV a cabo, afastou seus dois principais âncoras políticos, Keith Olbermann e Chris Matthews. Eles sequer disfarçavam sua preferência pelos democratas. Assim como todos na FoxNews sequer disfarçam a preferência pelos republicanos. Mas a direção de jornalismo da NBC chegou à conclusão de que a estratégia de fazer uma ‘FoxNews democrata’ feria seus padrões jornalísticos. Os dois servirão de comentaristas, o jornalismo isento volta à bancada.
♦ No fim de semana, o governo dos EUA assumiu a administração de Fannie Mae e Freddie Mac, os dois maiores financiadores da compra de imóveis. Sarah Palin foi rápida no gatilho: ‘eram caros demais e o dinheiro vinha do contribuinte’. A blogosfera conservadora nos EUA bate na mesma tecla: o governo ajudando pessoas demais a comprar imóveis criaram a atual crise das hipotecas. Só há um detalhe. Fannie e Freddie são entidades privadas. O governo garante ambos contra uma corrida, verdade. Mas não houve corrida, portanto não há dinheiro do governo federal. A crise nasceu num mercado privado que perdeu o controle. O governo partiu para o resgate antes que houvesse uma corrida contra os bancos. Se agiu certo? Esta é outra discussão.
♦ De um blogueiro de esquerda: ‘Há uma incrível dissonância cognitiva nesse nosso discurso político nacional contra o Estado grande. Chegamos a um consenso nacional sobre a necessidade de nacionalizar uma indústria [Fannie e Freddie], que é a definição de socialismo e Estado grande, mas os políticos em ambos os partidos continuam a falar das virtudes do Estado mínimo. No dia seguinte à Convenção Republicana, que incluiu incontáveis ataques ao Estado grande, o governo republicano vai lá e nacionaliza uma indústria.’
∞ A vida real teima em atrapalhar as idéias bonitas.
Ainda sobre o assunto:
- Eleições EUA: O impacto financeiro
no próximo governo ♦ Agora pela manhã, o Barack Obama disse numa entrevista ao Today Show da NBC que o plano de resgate... - Flórida, Michigan e onde foram parar
as campanhas de Hillary e Obama O Sub-comitê de Regras do Partido Democrata acaba de encerrar sua reunião. Os estados da Flórida e de Michigan, desobedecendo... - Eleições EUA: Libertários de Ron Paul, mulheres
de McCain e piadas de Obama ♦ São os seguintes os estados em que há um número razoável de eleitores libertários: Colorado, Dakota do Norte, Nevada,... - Eleições EUA: Obama investe na televisão;
Sarah Palin também. Mas para ela é de graça ♦ Uma informação discreta mas importante: de duas semanas para cá, lentamente, Barack Obama vem aumentando o dinheiro gasto com... - Eleições EUA: Mercado em colapso favorece Obama ♦ O noticiário nas rádios, tevês e sites na manhã de domingo foi dominado pela longa reportagem do New York...



Em um exercício de futurologia: Como seria o mundo daqui a 2 (dois) anos, com a eleição e posterior falecimento de McCain. Sarah seria boa presidente? O que mudaria em relação ao Alasca? Na educação? Na política externa? Quem se habilita?
Eleição é um grande show para o público, todo mundo sabe.
Aquele com o show que atrair a maior part e do eleitorado, ganha.
Agora seria um mau presságio para os EUA se Obama ganhasse no voto popular e perdesse no colégio eleitoral.
Ou se o contrário acontecesse, aí eu queria ver os republicanos chorando o sistema.
Não sei o que acontece com a cabeça dos americanos. No post anterior Pedro Dória citava esse trecho da revista Economist:
“É difícil entender como uma mulher que apóia o ensino do criacionismo, é contra o uso de contraceptivos e será avó aos 44 pode ajudá-lo com as mães dos subúrbios da Filadélfia.”
Duvido que um Paulo Francis recomenda-se voto no partido republicano com uma candidata com essa qualificações.
Chega a ser ofensivo declarar voto numa pessoa assim.
E digo mais:
O que importa não é o tamanho do Estado, e sim como ele é usado.
Quasimodo #1,
O McCain nem ganhou e,( espero que não ganhe) você já tá matando o cara? Será que ele tá tão ruinzinho assim?
Zictor,
Concordo. Porém vou um pouco além.
Discordo da visão marxista-leninista de controle estatal da economia, dogmatismo e concentração de poder na estrutura partidária única.
Mas concordo com a visão social democrata de economia de mercado, antidogmatismo, multipartidarismo e que alguns meios de produção e de satisfação das necessidades coletivas sejam propriedade do Estado sim (Escola, Hospital e Polícia, como bons exemplos, além de algumas outras atividades).
É uma boa discussão.
Não é possivel que o pessoal não entenda até hoje que não dá pro Estado ser nem minimo e nem maximo. Discutir o meio termo é dificil eu sei mas opiniões fechadas no estado minimo e no estado maximo não ajudam em nada.
O estado mínimo é como enterro de anão ou Roberto Carlos de bermuda - nimguém viu, ninguém conhece. O estado necessário deve ser necessariamente forte para, entre outras coisas, fazer cumprir os contratos e, por que não, intervir quando o andamento em setores localizados da economia assim exigir. O resto é falácia, fundamentalismo neo-liberal que não resiste ao último parágrafo do post.
Essa turma social democrata da boca para fora me mata de rir !
Meus caros republicanos brasileiros, desde quando Estado grande é sinônimo de ineficiência?
Dos dez países melhor classificados segundo o seu Índice de Desenvolvimento Humando - IDH (na ordem, Islândia, Noruega, Austrália, Canadá, Irlanda, Suécia, Suíça, Japão, Holanda e França), todos possuem carga tributária em relação ao PIB superior à dos EUA. Alguns casos extremos são Suécia (carga/PIB=50,84%) e Noruega (carga/PIB=43,95%). Para efeitos de comparação, tal índice, nos Estados Unidos, é de 25,39%.
Por óbvio, não quero afirmar que uma elevada carga tributária e, portanto, um Estado “grande”, leve ao desenvolvimento econômico e social. A relação não é causal. Mas, por outro lado, espero ter demonstrado que tampouco existe correlação entre Estado “pequeno” e desenvolvimento.
Pedro,
> estratégia de fazer uma ‘FoxNews democrata’
Não acredito que tenha sido essa a estratégia da MSNBC, em nenhum momento. O que eles fizeram foi apenas separar o “editorial” do “noticioso”. Olbermann e Chris Matthews continuarão a tecer seus ótimos comentários, mas não mais “editorializarão” a cobertura mais noticiosa das eleições.
E comparar Olbermann com O’Reilly é totalmente descabido. Eu sei que não foi isso que você fez, mas o fato é que mesmo que Olbermann e Chris Matthews seguissem fazendo o que faziam, não haveria como imaginar a MSNBC como uma ‘‘FoxNews democrata’. Ambos (os âncoras da MSNBC) apelam à razão e ao bom senso (e não ao fundamentalismo ideológico) e, quando cometem um erro de julgamento, pedem desculpas e se corrigem posteriormente (aproveite sua estadia na Califórnia e assista a eles mais vezes).
O’Reilly manipula, faz sua visão sempre prevalescer, a FOX News edita o conteúdo das entrevistas para fazer o entrevistado de esquerda sempre parecer pior que é e, como bons estanilistas de direita, até mesmo manipulam fotografias!!! (aqui e aqui, por exemplo)
É anti-jornalismo, o que fazem, e a MSNBC nunca se deixaria reduzir àquilo.
> Fannie e Freddie são entidades privadas.
Médio. São GSE (Government-Sponsored Enterprises), criadas pelo Congresso americano. Pense “BNH”.
“Fannie Mae” é uma corruptela de “FNMA” (Federal National Mortgage Association), e “Freddie Mac”, de “FHLMC” (Federal Home Loan Mortgage Corporation) — bem mais distante, eu sei…
“espero ter demonstrado” não tinha soado tão absurdamente pedante na minha cabeça.
Problema é pagar 40% de imposto e entrar na fila do SUS ou mandar o filho pra escola pública e querer passear de noite com a patroa pelas ruas das cidades.
Paga-se o plano de saúde, escola particular, portão de ferro e aço, carro blindado, segurança privada, e torce pro aborrecente passar pro Fundão, USP ou UNICAMP pra aliviar a aposentadoria. Essas ainda estão boas, ou quase.
A esquizofrenia de pagar impostos como numa social democracia e ver a grana vazar por dantas ralos é dose pra leão.
Quer dizer, do Leão do imposto de renda.
Vai um habas corpus aí?
Na minha mão é 10.
Vai um partido aí?
Na minha mão é 20. Se for PMDB é 40.
Vai uma emenda aí?
Na minha mão é 25% de comissão e tá feito o carreto, aprovada sem restrição.
Vai uma Medida Provisória aí?
… melhor calar…
Pedro Doria, não me lime não, a discussão tem relação com as eleições americanas, com o Estado ianque engrandecendo e quetais. E comparando com o resto do planeta umbigando para o Estado Brasileiro gordo feito Garfield.
Gordo & Gatuno - essa dói.
Olha lá !
é bom avisar, cariocas flamenguistas as vezes acordam em São Francisdo de mau humor e saem tascando o Lima pra todo lado
Desculpe pelo off-topic, Pedro, mas acho importante divulgar:
http://www.novacorja.org/?p=4238
Abraço.
Se para ser eleito o McCain precisa de 55% dos votos dos independentes e de 15% dos votos dos democrata, ele parece estar bem perto disso:
http://www.gallup.com/poll/110137/McCain-Now-Winning-Majority-Independents.aspx
“diz que é contra tais emendas; diz que é contra uma obra faraônica que apoiou”
A Dona Sarah Palin não parece político brasileiro? Ou será que ela além de ser reacionária, defender o ensino do criacionismo, fugir da imprensa, também sofre de perda de memória?
E pensar que o velho, é o McCain.
Arguademos dezembro. De qualquer maneira, se a crise continuar tão brava, é capaz de vivermos uma onda de economias voltadas para que o estado as regule, depois de um tempo haverá crise, e teremos outra onda liberal, a economia é assim desde os tempos de Adam Smith, e provavelmente continuará assim, resta ver se essa crise será tão grande quanto ainda prometem, como no caso do resultado da eleição só veremos com o tempo.
estado grande = grande carga tributaria
( o resto é balela)
grande carga tributaria = menos crescimento econômico
pois eh, dessa maneira eh brincar de capitalismo…
enquanto vai tudo bem, o sistema eh o melhor…
na hora da quebradeira, chama o governo…
detestei essa decisao, tendo ela o fim que tivesse…
se tinha de quebrar, que quebrassem todos e a partir dali tomassem como licao…
ao deixar apenas duas empresas tomar conta da metade do mercado imobiliario do pais, corria-se um enorme risco…
essas gigantes sao assim mesmo, quando a desgraca acontece, a correria eh grande…
agora se o mercado esta melhor igualmente distribuido, os efeitos sao sentidos com menor intensidade…
menos crescimento econômico = pobre continua pobre, remediado continua remediado e rico continua rico
essa obra faraonica era uma ponte que a Sarah recusou:-
- se um dia quisermos essa ponte, a faremos nós mesmos (sem verbas federais), ela disse.
13, acho que o Pax sintetizou com extrema inteligencia a questão toda.
Grande carga tributária na mão de um governo bom:
- Investimentos, obras públicas, escolas, hospitais, polícia, tudo funcionando bem.
- Povo feliz, iniciativa privada acontecendo, planejamento incutindo a carga tributária e empreendores abrindo negócios, gerando empregos e renda.
- Empreendedores bem sucedidos não tão distantes dos não empreendedores, dos funcionários.
- Menor desigualdade social.
Sucesso. Simples, curto, fácil. Até meu Lula, se quiser, entende.
A percepcao do publico de que “Sarah Palin foi prejudicada pela imprensa” e’ simplesmente o resultado da estrategia dos republicanos que nao cansaram de repetir que ela estava sendo injusticada. Na verdade, Sarah Palin virou uma celebridade, alcada ao status de vice-presidente viavel, gracas ‘a imprensa que NAO PARA DE FALAR nela. No dia seguinte ao emocionante discurso de Obama para 80 mil pessoas, os republicanos anunciaram o nome de Sarah Palin para vice e depois disso Sarah nao saiu mais do noticiario, Obama foi simplesmente ignorado varios dias. Dizer que a imprensa prejudica Palin e’ a coisa mais mentirosa que eu ja’ ouvi, talvez tao mentirosa quanto dizer que Palin se opos ‘a tal Ponte para Lugar Nenhum.
mesmo um governo 100% bom (a utopia) tem menos eficiência que o individuo.
menos eficiencia = pobreza
Pax, 26, se o 13 estava bom, porque o dobro tem que ser assim tão distante da realidade dos fatos? Medo de ser feliz?
Leila, a imprensa tentou de todo modo difamar a Sarah, daí o volume de noticias…mas não colou, o tiro saiu pela culatra.
outra coisa, parem de reclamar de crise, nessas horas é que se compram casas baratas, empresas baratas, ações baratas…
Báh, #16 merece atenção.
Chesterton
Você acha Islândia, Noruega, Austrália, Canadá, Irlanda, Suécia, Suíça, Japão, Holanda e França maus exemplos?
vá estudar Chesterton, velho e bom Chesterton :-)
A caminho da saída - Da Zero Hora de hoje, do blog da Rosane Oliveira, a melhor jornalista política do RS, na minha opinião. Aliás, uma das melhores do Brasil.
“É questão de tempo a saída da secretária municipal de Governança, Clênia Maranhão, do PPS. O partido quer expulsar os filiados que não aderiram à campanha de Manuela D’Ávila (PC do B). E Clênia decidiu continuar ao lado de Fogaça. Ontem, participou do comício do prefeito e diz que nem pensa em sair do cargo.
Seu marido, o ex-secretário Cézar Busatto, só não está nessa saia justa porque optou por dedicar sua atenção a outra eleição, a do presidente dos Estados Unidos. Busatto ficará na Califórnia, como convidado da Universidade de Stanford, até o final do proceso eleitoral”.
Pedro Doria,
Confira aqui (youtube) e procure-0 aí para maiores explicações. A indiarada de Pindorama (pelo menos o bugre aqui) adorariam uma exclusiva.
http://www.youtube.com/watch?v=zhntCIpPTFw
Quando sair meu comentário da censura, troquem “adorariam” por “adoraria”.
Censura: libere meu comentário, silvuplé.
“Assim como todos na FoxNews sequer disfarçam a preferência pelos republicanos”
Greta von Susteren não é filiada a nenhum partido, Alan Colmes é liberal e muitos dos contributors são democratas, como Juan Willians e partidários de Obama. É meio engraçado que colocam na legenda: “Partidário Democrata” ou algo que o valha, mas a emissora está tentando caminhar ao centro sim.
Pax, 34, são países velhos, ricos, com enorme p-oupança acumulada e não precisam enriquecer para agregar mais gente ao mercado de trabalho, pelo contrario, podem viver das aplicações de dinheiro que juntaram quando praticaram o capitalismo e a liberdade econômica.
http://www.johannorberg.net/?page=articles&articleid=45
Hoje um colega mais velho chamou a Sarah de extrema-direita porque ela não abortou a criança com Down e carrega armas….é triste a ignorância.
Acabo de ouvir notícia que deu no Washington Post algumas coisitas sobre Sarah.
Que embolsou verbas de viagem sem ter viajado, que pagou contas do marido com grana do Estado etc e tal.
Já apostei 3 Alfajores que ela não vai até o fim das eleições. Será “adoecida” e “por motivos de força maior” trocada.
Dobro a aposta: 6 Alfajores.
leu o 37, ou prefere a alegria da ignorancia?
aí, Pax, no final do artigo eles dizem que ela poderia ter cobrado ainda mais dinheiro e não cobrou- por cada criança
Gubernatorial spokeswoman Sharon Leighow said Monday that Palin’s expenses are not unusual and that, under state policy, the first family could have claimed per diem expenses for each child taken on official business but has not done so.
Parece que essa tal Sarah Palin nasceu em terras brasileiras, os escândalos são idênticos aos nossos corruptos. Só não vê, quem não quer.
grandes carttons
http://media.townhall.com/Townhall/Car/b/Shelton_C20070904.jpg
Neoliberalismo - nunca existiu a não ser em cabeças cheias de ideologia esquerdista que transformaram uma palavra significando nada em um palavrão político.
O mesmo aconteceu com - globalização - , que existe desde dos tempos de caverna, passou passou por camelos com seus donos mascateando tapetes no meio do deserto, e hoje, viaja a velocidade da luz, transportando bens, pessoas, capitais e informações, e que virou uma” explicação ” para todos os males do mundo, da falta de chuva na Holanda à pobreza em Bangladesh.
Somente uma pessoa ” politizada ” nos botequins ideológicos quase sempre localizados nas franjas das faculdades, poderia imaginar que um Estado não agiria, em caso de crise grave, no mercado, POR IDEOLOGIA.
Principalmente por uma, o tal neoliberalismo, inventada por mentes difusas e algo conturbadas.
É como imaginar que um país de profundas raízes pacifistas não vá à guerra, caso seja invadida por bárbaros.
O que diferencia um regime de liberdade econômica de um dogmático, é a enorme capacidade de mudança, criatividade e adaptação á circurnstâncias adversas do primeiro. mais conhecido como capitalismo.
Que não está nem aí para ideologias.
O negócio dele é ganhar dinheiro.
Qualquer obstáculo, incluindo má gestão, é contornado, absorvido, resolvido, de uma maneira ou de outra.
Os negócios em primeiro lugar.
Fora isso, só os muitos ingênuos imaginariam que uma aguda quebradeira da economia americana, em tempos de eleição, fosse tolerada pelo governo Bush.
No way.
Caso uma alma mais sensível se pergunte - por que Bush despejou bilhões de dólares em duas entidades com nome de personagens da Disney e, receba como resposta que o presidente quebrou uma coisa chamada neoliberalismo, basta esperar pela próxima machete do NYT -
São as eleições, estúpido!
Fora isso, tudo bem.
Marco (# 44), dê uma lida em dois livros fininhos: um de David Held & Anthony Mcgrew, Prós e Contras da Globalização, e o outro do Milton Santos, Por uma outra Globalização. Depois dessa leitura talvez você pare de falar do conceito como se resolvido estivesse.
Quanto ao Neoliberalismo, antes de dizer que se trata de uma sandice esquerdista, uma olhada na história dos que aplicaram a cartilha do famigerado Consenso de Washington valeria a pena. O ex-presidente argentino Carlos Menem seguiu quase à risca, vale dizer, e deu no que deu. (Não penso que o casal Kirchner seja lá melhor do que ele, vou logo avisando!).
A intervenção da Hillary recolocou a coisa onde ela deve estar …simplesmente notável a argucia daquela mulher ….
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/402505
há muito que a ideologia económica serve apenas para a propaganda …quanto ao resto todos os próceres do liberalismo praticam o sagrado principio dos lucros que são privados e os prejuizos são para socializar…. nada de novo
Kenji, voce tem assistido a Fox com regularidade? Veja so’ o que o “Diretor de Media Analysis” da Fox disse hoje sobre a ancora Rachel Maddox da MSNBC: “lesbian Air America host”. Foi a Fox que espalhou a mentira de que Obama tinha sido educado numa madrassa; foi a Fox quem fez campanha contra a Michelle Obama chamando-a de antipatriotica e “Obama’s Baby Mamma” (termo pejorativo racista). Nao ha’ duvida que a Fox e’ reconhecidamente republicana e conservadora e a propria audiencia do canal sabe disso.
Sem falar no baixo padrao de jornalismo da Fox, ao levantar e debater falsos rumores como se fossem verdadeiros, perpetuar cliches conservadores, jamais questionar as politicas republicanas. Na minha opiniao a Fox e’ um cancer, o pais ficou pior depois que essa rede foi criada. As chamadas “guerras de valores culturais” foram intensificadas pela Fox nos ultimos 8 anos de Bush.
Marco
Gosto de seus arrazoados, embora discorde deles com frequência. Mas desta vez você saiu de órbita.
Honestamente? Deixe as afirmações rasteiras do tipo “neoliberalismo e globalização só existem na cabeça de esquerdistas” para o Chesterton. Este papel é dele aqui neste blog. Você com certeza é mais inteligente que isso.
Pra começar: o termo neoliberalismo representa uma realidade que existe concretamente sim — o retorno ao liberalismo clássico (final do século XIX), que ocorreu sobretudo a partir dos anos 1970, depois que a política intervencionista (keynes) reergueu economicamente o mundo da devastação da II Guerra Mundial.
E é claro que o “processo de globalização” começou, vá lá, com as Cruzadas — ou talvez com os Espanhóis em 1492, isso vai depender de seu gosto histórico. Mas o termo “globalização”, tal como é utilizado há já alguns anos, vem designar uma realidade totalmente diferente, marcada pela integração de mercados num sistema capitalista de alcance mundial e pela revolução tecnológica na comunicação. (A propósito, a dica do Ricardo Cabral é boa: o livro do Held & Mcgrew é baratinho, fácil de achar e de ler, e vai te dar um bom panorama sobre o assunto. Aliás, não há um consenso sobre as vantagens e desvantagens da globalização, pelo menos nos estudos acadêmicos que conheço. Há visões conflitantes, como é natural).
Mas o principal é que sua resposta, ao que me parece, desvia do assunto principal: o bom e velho “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”.
Veja: o que aconteceu agora não tem nada a ver com eleições. Quando o segundo ou terceiro maior banco americano adoeceu há coisa de alguns meses (acho que foi no ano passado), lá estava a mão pesada da viúva americana para lhe socorrer. Agora ocorre algo semelhante. O princípio é este que vc apontou mesmo: evitar prejuízos financeiros. Se o governo deixasse de intervir, ia ser uma quebradeira geral. Logo, melhor fazer alguma coisa a respeito.
Isto é justo e legítimo. Mas é o contrário do que está escrito na cartilha econômica que eles tanto se esforçam para vender mundo afora.
Coerência, meu caro Marco, coerência. É só o que se pede.
Abraço,
ACT
Ricardo Cabral, sugestão anotada.
Obrigado.
abs,
ma
Ricardo cabral, Milton Santos não dá, marxista de debaixo do Equador é o fim da picada.
Antonio, Lula virou neo-liberal? Responda só isso.
Pax, e o 38?
Um adendo rápido. Os Fedmec, fedimei não foram estatizados pelo Bush, são estatais desde os anos 80.
Só um favor: colocar Wikipédia como fonte em discussão sobre economia é mais ou menos como debater a crise do futebol brasileiro e citar como fonte o Eurico Miranda.
O texto que está lá hoje (deve mudar todo dia) é um panfletinho de esquerda muito mal escrito e que nem tenta disfarçar o quanto é tendencioso.
Antonio // 9/September/2008 às 18:58
Marco
Gosto de seus arrazoados, embora discorde deles com frequência. Mas desta vez você saiu de órbita.
Honestamente? Deixe as afirmações rasteiras do tipo “neoliberalismo e globalização só existem na cabeça de esquerdistas” para o Chesterton. Este papel é dele aqui neste blog. Você com certeza é mais inteligente que isso.
Pra começar: o termo neoliberalismo representa uma realidade que existe concretamente sim — o retorno ao liberalismo clássico (final do século XIX), que ocorreu sobretudo a partir dos anos 1970, depois que a política intervencionista (keynes) reergueu economicamente o mundo da devastação da II Guerra Mundial.
Caríssimo Antonio,
Independente do que seja, academicamente, o liberalismo e o tal neo, destaco que - o termo — neoliberalismo - é usado com frequência por pessoas não conservadoras ( eufemismo para pessoas de esquerda) como a Mãe de todos os males do mundo. Ou seja, meu caro, a palavra virou palavrão político.
Os EUA nunca deixaram de ser uma nação com alto grau de liberdade econômica sob admistrações totalmente diferentes, como as quatro, de Franklin Delano Roosevelt ou as duas, de Ronald Reagan.
( quem era neo, liberal, ou outra coisa? )
Mas a realidade da intervenção na economia, quando necessário, sob a forma de incentivos, ou cortes, ou intervenção direta mesmo, com dólares ou, pior, Leis, sempre foi um poderoso instrumento que ambos utilizaram alegremente.
E é claro que o “processo de globalização” começou, vá lá, com as Cruzadas — ou talvez com os Espanhóis em 1492, isso vai depender de seu gosto histórico. Mas o termo “globalização”, tal como é utilizado há já alguns anos, vem designar uma realidade totalmente diferente, marcada pela integração de mercados num sistema capitalista de alcance mundial e pela revolução tecnológica na comunicação.
Antonio, lá vou eu, de novo:
A globalização é a circulação de bens, capitais, pessoas, informações.
Existe a milhares de anos.
Hoje, funciona a velocidade da luz.
Acho que é boa.
Por exemplo, há apenas 80 anos atrás uma pessoa que viajasse a Paris, seria imediatamente classificada de rico.
Hoje, 70 milhões de pessoas visitam a França.
Outros tantos, inundam a Espanha.
Só a Torre Eifell recebe inacreditáveis 16 milhões de turistas por ano.
A maior parte classe média, assalariada.
(A propósito, a dica do Ricardo Cabral é boa: o livro do Held & Mcgrew é baratinho, fácil de achar e de ler,
Sugestão anotada, Antonio.
Livros recomendados ou são algo como…. vai aprender, vai…ou são sugestões mesmo.
Prefiro acreditar nessa hipótese.
Sou um otimista.
e vai te dar um bom panorama sobre o assunto. Aliás, não há um consenso sobre as vantagens e desvantagens da globalização, pelo menos nos estudos acadêmicos que conheço. Há visões conflitantes, como é natural).
Natural. Normal.
Mas o principal é que sua resposta, ao que me parece, desvia do assunto principal: o bom e velho “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”.
Veja: o que aconteceu agora não tem nada a ver com eleições. Quando o segundo ou terceiro maior banco americano adoeceu há coisa de alguns meses (acho que foi no ano passado), lá estava a mão pesada da viúva americana para lhe socorrer. Agora ocorre algo semelhante. O princípio é este que vc apontou mesmo: evitar prejuízos financeiros. Se o governo deixasse de intervir, ia ser uma quebradeira geral. Logo, melhor fazer alguma coisa a respeito.
Antonio, o amigo vai me desculpar, mas nesse caso específico juntou a necessidade vital com a vontade de ganhar a eleição.
Isto é justo e legítimo. Mas é o contrário do que está escrito na cartilha econômica que eles tanto se esforçam para vender mundo afora.
Antonio, quem compra a idéia que liderar uma nação é seguir regrinhas econômicas de auto ajuda, é uma besta quadrada.
Liberdade, por certo.
Democracia, o menos pior dos regimes, também.
Regrinhas ao léu, tão volúveis como a dieta da moda, quase sempre engessam as idéias, conduzindo à morte por entropia.
Coerência, meu caro Marco, coerência. É só o que se pede.
Eu tento, Antonio, eu tento….
Abraço,
ACT
Outros,
ma
Ricardo Cabral, o ex-presidente argentino Carlos Menem quebraria a Argentina, ou outro país que tivesse a má sorte de tê-lo como presidente, em dois tempos.
Sua burrice congênita independe de cartilhas econômicas.
O último grande político argentino foi Sarmiento.
O que ele priorizava? Educação.
Quem estragou sua boa obra foi um turbilhão de caudilhos, que infelizmente, parecem crescer como a verde grama nos pampas, seu alimento de todos os dias.
abs,
ma
Marco
Claro que sei que o termo “neoliberalismo” é utilizado por boa parte da esquerda para explicar tudo o que de ruim acontece no mundo. (Da mesma forma que, na direita, usa-se com frequência o “livre mercado” para explicar tudo o que de bom rola por aí).
Mas há uma grande distância entre dizer que uma palavra (ou conceito) é apropriado por uma parcela da intelectualidade de uma determinada forma, e dizer que este mesmo conceito (neoliberalismo) “so existe na cabeça de esquerdistas”.
E é claro que “quem compra a idéia que liderar uma nação é seguir regrinhas econômicas de auto ajuda, é uma besta quadrada”. Mas isto não anula o fato de que existe uma discrepância entre o que os çábios da economia recomendam para fora de casa e o que eles praticam no próprio quintal.
Este é o ponto em discussão, e que vc (e tantos outros), parece relutante em assumir e dizer “bem, é verdade”.
(Aliás, eu não cobrava coerência de você.)
Mas continuo discordando do amigo e achando que, mesmo sem a eleição, o socorro do governo americano teria se dado da mesma forma. Quando há risco de envenamento sistêmico (efeito dominó), a viúva sempre dá as caras.
Abraço,
ACT
ps - Chesterton, Lula seguiu o que FH já havia iniciado na área econômica, apenas com um pouco mais de ênfase em redistribuição. Mas não sei se isso faz dele um neoliberal. Certamente ele não é um comunista das antigas, mas isso é outro papo. Veja: não sou contra todos os preceitos do neoliberalismo — acho que o estado brasileiro é inchado e pesado, por exemplo. Não falo em “neoliberalismo” como um palavrão, como o Marco bem assinala. Apenas não sou cego para suas contradições: há qualidades, por certo, mas há defeitos. A diferença entre eu e você — aliás, entre 99% das pessoas que frequentam este espaço e você — é que vc enxerga tudo por uma ótica radical, 8 ou 80, que não deixa espaço para nuances, detalhes, paradoxos, contradições.
eu sou radical, no sentido que as pessoas devam ser cobradas por suas palavra s e seus atos até a raiz. Absoluta coerência, ou então o raciocínio está equivocado.
è mais ou menos aquele negócio de que as palavras tem consequência.
Daí meu desprezo ao Lula
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=em_qual_lula_acreditar&cod_Post=125071&a=111
Antonio, li o que você escreveu.
De maneira geral gostaria de dizer que trocar idéias de maneira civilizada é sempre um prazer.
Eu recomendaria aos políticos que fossem muito além das neos - recomendações, do que fazer para serem bons meninos, e lessem a obra de um grande filósofo, já com idade avançada, Zygmunt Bauman.
( na realidade ele é sociológo, mas dado o que essa palavra traz em si de delírios PUCianos, achei melhor chamar o velhinho de outra coisa. )
Ele nos dá a rara oportunidade de enxergar o mundo-agora, nesse momento, não o que passou, mas o que está passando.
Isso é fantástico.
Leitura difícil.
Não de compreender, mas de aceitar sem grandes sustos.
Ele escreve coisas como doces e gentis como,
lixo humano.
São, a exemplo dos livros que me foram recomendados, finos, baratinhos, e plenos de conteúdo.
Sem querer dar a última palavra, mas só para terminar o assunto neo liberalismo, seja ele real ou não: faz parte do jogo mundial ditar aos outros o que fazer, de acordo com os interesses de quem faz as recomendações.
Em todos os níveis.
Pobre de quem aceita pensar com o manual dos outros.
Ou, de quem se cimenta em idéias imóveis, por representarem a Verdade, Ùnica e Imutável.
Bacana é aprender com os erros e acertos dos outros,e se possível, criar. ( é possível. e é assim que a humanidade avança, criando.com humildade, mas com coragem )
É isso, aí.
um grande abraço,
ma
fui censurado na resposta, depois o PD libera
Neo liberalismo não existe, é uma palavra para ofender, assim como a palavra fascista. Na fila do Banco do Brasil ouvi um sujeitobarbudinho com visível deficiência intenectual bardar contra FH- essa fila é culpa do neo-liberalismo!
O liberalismo , isto é o conjunto de idéias liberais são a única coisa decente e possível para se viver. O estado tem seu papel justamente para permitir que ele funcione mais ou menos harmonicamente, pois nunca será perfeito enquanto acreditamos eu e você que o cerumenu nunca será perfeito.
Quanto ao fato de que Lula teria dado ênfase na distribuição posso concordar se conseguirmos enxergar 2 coisas:
1. gastou dinheiro do futuro (empurrou as contas aos seus sucessores)- BASTA VER A DÍVIDA PÚBLICA AUMENTANDO
2. aumentou a carga tributária - e nós tambem sabemos que quem sofre com isso é a população de baixa renda, O POBRE, pois o grosso do imposto é cobrado de modo indireto.
Calma, intervencionistas:
“Para tal, é necessário entender um pouco da história dessas duas empresas. A Fannie Mae (Federal National Mortgage Association) foi criada em 1938 por Franklin Delano Roosevelt, durante o New Deal. Sua função era fornecer liquidez ao mercado hipotecário. Durante os 30 anos seguintes, ela desfrutou do monopólio do mercado secundário de hipotecas nos EUA. Tornou-se uma corporação privada em 1968, para conter o déficit orçamentário do governo. A Freddie Mac (Federal Home Loan Mortgage Company) foi criada em 1970, no governo Nixon, para expandir o mercado secundário de hipotecas e, assim como a Fannie Mae, tem a função de fazer empréstimos e dar garantias a empréstimos. Tanto a Freddie Mac como a Fannie Mae, junto com outras empresas, compram (dos bancos) hipotecas no mercado secundário e as revendem para investidores no mercado aberto como títulos lastreados em hipotecas. Ambas são empresas de capital aberto.
A Fannie Mae e a Freddie Mac são conhecidas como “empresas apadrinhadas pelo governo”, o que significa que elas são empresas privadas, mas com propósitos públicos. Esse tipo de empresa tem o apoio implícito do governo americano, conquanto não tenha obrigações diretas para com ele.”
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=125
Marco
Sim, de fato é um prazer. Você, Ricardo Cabral, Elias, Leila, Alba, Pax, até (vez ou outra) o Mr X, e alguns outros comentaristas, são bons debatedores, com quem gosto de argumentar.
Conheço alguma coisa do Bauman, mas não faz minha cabeça. Eu sempre desconfio de argumentos catastróficos. Em geral, eles são mais uma visão nostálgica do passado do que um diagnóstico preciso do presente.
A filosofia de que mais gosto é a neopragmática, made in USA. Mas isso é papo pra outra hora.
Abração,
ACT
já que a moda é recomendar livros, recomendo esse texto, como cura contra sociologias sub-equatorianas
http://www.claudiotellez.org/blog/2008/07/24/nem-tanto-a-guerra-nem-tanto-a-paz/
de novo o link não passa, vou colocar minha recomendação toda
Nem tanto à guerra, nem tanto à paz
Published by Claudio Téllez on July 24, 2008 09:00 pm under Antropologia, Ciências Sociais, Teoria política
Apesar do título, que parece indicar uma obra de apelo mais sensacionalista do que científico, o livro War Before Civilization, do arqueólogo Lawrence H. Keeley, do Departamento de Antropologia da Universidade de Illinois (Chicago), trata de uma pesquisa que tem por objetivo colocar sob escrutínio diversas crenças a respeito de como conviviam os seres humanos nas sociedades pré-letradas. Os homens da pré-história viviam uma era dourada de paz e harmonia, ou foi um período de selvageria e derramamento de sangue? A bondade é o estado natural do ser humano, que corrompeu-se pelo desenvolvimento das instituições, ou é da nossa natureza sermos maus e sanguinários? Esses questionamentos envolvem duas posições correntes e representativas na Teoria Política. Antropólogos, contudo, costumam desconfiar de denominadores comuns e é exatamente aí que reside a riqueza da contribuição de Keeley. Da leitura de War Before Civilization, sai-se com a sensação de que antropo(arqueó)logos têm muito a ensinar aos teóricos e cientistas políticos.
O alvo imediato de Keeley são arqueólogos profissionais que, de maneira sistemática e artificial, pacificam o passado ignorando ou descartando (deliberadamente) evidências que têm diante de seus olhos. Após sentir na própria pele a dificuldade de produzir resultados que contrariam o establishment, Keeley realizou uma recopilação massiva de dados oriundos de pesquisas arqueológicas e etnográficas. Analisando-os cuidadosamente, ele procurou mostrar que as sociedades pré-letradas, bem antes do surgimento dos primeiros centros urbanos, engajavam-se com freqüência em conflitos armados e praticavam inclusive genocídios. Ele conclui ainda que, em comparação com as populações e condições das sociedades modernas, mantidas as devidas proporções, as guerras primitivas eram mais violentas e brutais. A análise de Keeley representa, portanto, um duro golpe para conclusões e pressupostos amplamente difundidos tanto em Antropologia Cultural quanto em outras áreas do conhecimento, como por exemplo a idéia de que a tecnologia torna a guerra moderna mais mortífera do que a guerra na pré-história, ou de que as sociedades pré-letradas eram pacíficas e foram apresentadas à prática da guerra e à violência pelo contato com os colonizadores europeus.
Keeley ataca corajosa e frontalmente dois mitos antigos e persistentes que permeiam as discussões acerca da guerra e da paz na pré-história: o mito do progresso e o mito da era dourada. Segundo o mito do progresso, o estado natural da humanidade era de ignorância, brutalidade e violência, porém o progresso decorrente das invenções humanas fez com que o homem abandonasse esse estado de natureza. A concepção filosófica de Hobbes a respeito das sociedades pré-históricas reflete aspectos desse mito. Já o mito da era dourada é a crença em que o advento da civilização arrancou o homem do paraíso idílico de paz e harmonia que era o estado de natureza, lançando-o na competição desenfreada que se originou com a instituição da propriedade privada. No período moderno, o mito da era dourada reflete a atitude filosófica de Rousseau. Ora, “estado de natureza” é uma elaboração filosófica que serve para fins de teorização. Tanto Hobbes quanto Rousseau utilizaram-se do conceito de estado de natureza para avançar suas teses a respeito da vida política e para responder a questões colocadas pelos momentos históricos em que viveram. A partir dessas teses, diversas interpretações subseqüentes desenvolveram e/ou distorceram as idéias originais desses dois pensadores, abrindo espaço para a produção e defesa de idéias no mínimo ingênuas e no máximo explicitamente desonestas acerca da guerra primitiva.
Outro mérito do trabalho de Keeley, portanto, é colocar em evidência como cientistas políticos, antropólogos e mesmo arqueólogos (que lidam diretamente com evidências de natureza física) muitas vezes comportam-se de maneira descaradamente enviesada. Cientistas sociais têm consciência de que há problemas epistemológicos talvez incontornáveis que decorrem da impregnação teórica das observações, mas defender que, nos restos de um homem crivado de flechas e segurando um machado, tanto o machado quanto as flechas não são mais do que “símbolos”, “amuletos” ou mesmo “moedas da época”, é ir além da impregnação teórica e exagerar na licença poética.
Para Keeley, a pacificação do passado é inadequada por ser incongruente com as evidências etnográficas e arqueológicas relevantes, isto é, os valores preditos pela hipótese de que o passado primitivo era uma época de ausência de guerras são incongruentes com os valores de fato observados, que compreendem aldeias queimadas, pontas de flechas incrustadas em ossos, fortificações e valas contendo centenas de corpos sistematicamente mutilados, entre outros. Contudo, apesar de freqüente e sanguinária, Keeley nota que a guerra não era a porção principal da vida social pré-histórica, já que diversas outras atividades pacíficas eram necessárias para preservar a vida e satisfazer a outras necessidades humanas. Assim, se a era dourada rousseauniana não passa de uma fantasia mitológica, a vida solitária, pobre, sórdida, brutal e curta do estado de natureza hobbesiano também é impossível. Nem tanto à guerra, nem tanto à paz: tanto a cooperação quanto o conflito desempenham funções sociais em uma realidade humana que é continuamente construída e reconstruída a partir dos processos que, em vários níveis, permeiam as interações humanas.
Em seu ensaio O mundo em pedaços: cultura e política no fim do século, o antropólogo Clifford Geertz afirma que cientistas políticos funcionam em níveis que ficam acima do mundo de infindáveis detalhes que fazem parte do cotidiano da pesquisa antropológica. O problema de esquivar-se de tais detalhes, quando lidamos com ambientes sociais complexos e repletos de interações de diversas naturezas, é que corre-se o risco de comprar, talvez inadvertidamente, mistificações que ocultam o que está por trás da evolução dos processos políticos que desejamos compreender. O trabalho do cientista ou do teórico político não é o mesmo do antropólogo, sem dúvida, mas o livro de Keeley ilustra bem como a interação entre essas áreas do conhecimento, mais do que saudável, é desejável.
Apesar do título, que parece indicar uma obra de apelo mais sensacionalista do que científico, o livro War Before Civilization, do arqueólogo Lawrence H. Keeley, do Departamento de Antropologia da Universidade de Illinois (Chicago), trata de uma pesquisa que tem por objetivo colocar sob escrutínio diversas crenças a respeito de como conviviam os seres humanos nas sociedades pré-letradas. Os homens da pré-história viviam uma era dourada de paz e harmonia, ou foi um período de selvageria e derramamento de sangue? A bondade é o estado natural do ser humano, que corrompeu-se pelo desenvolvimento das instituições, ou é da nossa natureza sermos maus e sanguinários? Esses questionamentos envolvem duas posições correntes e representativas na Teoria Política. Antropólogos, contudo, costumam desconfiar de denominadores comuns e é exatamente aí que reside a riqueza da contribuição de Keeley. Da leitura de War Before Civilization, sai-se com a sensação de que antropo(arqueó)logos têm muito a ensinar aos teóricos e cientistas políticos.
O alvo imediato de Keeley são arqueólogos profissionais que, de maneira sistemática e artificial, pacificam o passado ignorando ou descartando (deliberadamente) evidências que têm diante de seus olhos. Após sentir na própria pele a dificuldade de produzir resultados que contrariam o establishment, Keeley realizou uma recopilação massiva de dados oriundos de pesquisas arqueológicas e etnográficas. Analisando-os cuidadosamente, ele procurou mostrar que as sociedades pré-letradas, bem antes do surgimento dos primeiros centros urbanos, engajavam-se com freqüência em conflitos armados e praticavam inclusive genocídios. Ele conclui ainda que, em comparação com as populações e condições das sociedades modernas, mantidas as devidas proporções, as guerras primitivas eram mais violentas e brutais. A análise de Keeley representa, portanto, um duro golpe para conclusões e pressupostos amplamente difundidos tanto em Antropologia Cultural quanto em outras áreas do conhecimento, como por exemplo a idéia de que a tecnologia torna a guerra moderna mais mortífera do que a guerra na pré-história, ou de que as sociedades pré-letradas eram pacíficas e foram apresentadas à prática da guerra e à violência pelo contato com os colonizadores europeus.
Keeley ataca corajosa e frontalmente dois mitos antigos e persistentes que permeiam as discussões acerca da guerra e da paz na pré-história: o mito do progresso e o mito da era dourada. Segundo o mito do progresso, o estado natural da humanidade era de ignorância, brutalidade e violência, porém o progresso decorrente das invenções humanas fez com que o homem abandonasse esse estado de natureza. A concepção filosófica de Hobbes a respeito das sociedades pré-históricas reflete aspectos desse mito. Já o mito da era dourada é a crença em que o advento da civilização arrancou o homem do paraíso idílico de paz e harmonia que era o estado de natureza, lançando-o na competição desenfreada que se originou com a instituição da propriedade privada. No período moderno, o mito da era dourada reflete a atitude filosófica de Rousseau. Ora, “estado de natureza” é uma elaboração filosófica que serve para fins de teorização. Tanto Hobbes quanto Rousseau utilizaram-se do conceito de estado de natureza para avançar suas teses a respeito da vida política e para responder a questões colocadas pelos momentos históricos em que viveram. A partir dessas teses, diversas interpretações subseqüentes desenvolveram e/ou distorceram as idéias originais desses dois pensadores, abrindo espaço para a produção e defesa de idéias no mínimo ingênuas e no máximo explicitamente desonestas acerca da guerra primitiva.
Outro mérito do trabalho de Keeley, portanto, é colocar em evidência como cientistas políticos, antropólogos e mesmo arqueólogos (que lidam diretamente com evidências de natureza física) muitas vezes comportam-se de maneira descaradamente enviesada. Cientistas sociais têm consciência de que há problemas epistemológicos talvez incontornáveis que decorrem da impregnação teórica das observações, mas defender que, nos restos de um homem crivado de flechas e segurando um machado, tanto o machado quanto as flechas não são mais do que “símbolos”, “amuletos” ou mesmo “moedas da época”, é ir além da impregnação teórica e exagerar na licença poética.
Para Keeley, a pacificação do passado é inadequada por ser incongruente com as evidências etnográficas e arqueológicas relevantes, isto é, os valores preditos pela hipótese de que o passado primitivo era uma época de ausência de guerras são incongruentes com os valores de fato observados, que compreendem aldeias queimadas, pontas de flechas incrustadas em ossos, fortificações e valas contendo centenas de corpos sistematicamente mutilados, entre outros. Contudo, apesar de freqüente e sanguinária, Keeley nota que a guerra não era a porção principal da vida social pré-histórica, já que diversas outras atividades pacíficas eram necessárias para preservar a vida e satisfazer a outras necessidades humanas. Assim, se a era dourada rousseauniana não passa de uma fantasia mitológica, a vida solitária, pobre, sórdida, brutal e curta do estado de natureza hobbesiano também é impossível. Nem tanto à guerra, nem tanto à paz: tanto a cooperação quanto o conflito desempenham funções sociais em uma realidade humana que é continuamente construída e reconstruída a partir dos processos que, em vários níveis, permeiam as interações humanas.
tá dificil, recusa tudo, links, nomes….
Curiosidades eleitorais.
Pesquisa da BBC mostra o seguinte :
Obama ganha em todos os países abaixo com as seguintes porcentagens:
Quênia - 82 %
Itália - 76%
França - 69%
( outra pesquisa, do Figaro, dá vitória de Obama com 80 % ! )
Alemanha - 65%
Brasil- 51 %
( apenas 8% disseram preferir que McCain )
Comentário ma-
Esse é o tipo de notícia perigosa.
Corta dos dois lados.
Pode encher os democratas de orgulho.
Como também pode encher os republicanos do patriótico dever de acabar com essa farra de estrangeiros saberem o que é melhor para os americanos.
Em minha modesta opinião acho que os democratas deveriam esconder essas pesquisas assim como os republicanos preservam sua arma secreta, Mrs Palin, a alaskiana com uma arma na mão, cinco filhos e um marido na outra.
Pela primeira vez tou achando que o Obama pode mesmo perder. O cara tá nervoso. Agora num discurso fez um trocadilho chamando a Sarah Palin de “pig”, os Republicanos não vão deixar barato não:
http://blogs.wsj.com/washwire/2008/09/09/obama-attacks-gop-tickets-mantra-of-change/
Ah, ia esquecendo: O Idelber deve achar que essas pesquisas da BBC são fatos insofismáveis, sólidos, verdadeiros.
Já qualquer pesquisa americana que mostre MacCain na frente, Idelber não perdoa - trata-se de um não- fato.
Rapaz, esse não-fato é a coisa mais divertida já digitada nesse espaço Pedro Doriano.
Salvador Dali puro na veia.
Mr X, caríssimo,
O primeiro erro fatal de Obama foi não se enrolar na bandeira americana e, em cadeia nacional, cantar God Bless America´, com sinceridade, logo após aquele reverendo raivoso ter cuspido um Deus Dane a América na cara dos habitantes daquele país, que por supuesto, é o de Obama.
Preferiu o discurso da avó medrosa.
O segundo, mandar Hillary e seus 18 milhões de votos passear.
Preferiu um vice tedioso, velho, previsível.
Até então Obama estava perdendo para ele mesmo.
Ninguém conseguia entender como o queridinho da mídia, a ponto de eclipsar Hillary- a primeira mulher na história desse país, não disparava nas pesquisas.
Então aconteceu.
MacCain deu um Golpe de Mestre, definitivo, nas pretenções do partido democrata ganhar uma eleição fácil demais.
Uma eleição que seria apenas uma formalidade a cumprir. passar o bastão de um desgastado Bush para o partido democrata.
Sarah Palin entrou no jogo. .
Obama, nesse momento, perdeu seu grande trunfo.
O monopolio da emoção.
Sim, Obama pode perder.
Incrível, ma vero.
abs,
ma
Liberalismo e neo-liberalismo são, óbvio, fundamentalmente a mesma coisa. Depois das administrações Reagan e Thatcher, foi formulado um conjunto de medidas para ser ‘recomendado’ aos países em desenvolvimento e outros nem tanto. Essa ‘recauchutagem’ engendrou o neo. Nada demais.
O problema é que alguns liberais (ou neo) relutam em aceitar a conveniência do estado forte, mais instrumentalizado para cumprir o seu papel de regulador, o que implica também em algum intervencionismo. Acham isso incompatível com o capitalismo.
estado forte ou gordo?