O furacão Sarah Palin se apresenta

EUA · 4/09/2008 - 11h19 - 96 Comentários

Que ninguém tenha dúvidas: Sarah Palin fez um discurso brilhante, ontem à noite. Estava bem escrito e foi muito bem dito. Tinha algumas frases brilhantes: ‘Ser prefeita de uma cidade pequena é mais ou menos como ser um assistente social com a diferença de que você tem responsabilidades de fato’ – Obama foi assistente social; ela, prefeita de uma cidade pequena. ‘Para alguém que já escreveu duas autobiografias, é incrível que jamais tenha escrito uma lei importante’ é a melhor de suas frases.

Palin não foi a única a fazer pouco do trabalho de assistência social de Obama no início da carreira. O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, já tinha feito isso imediatamente antes e arrancou gargalhadas do público.

Foi a noite mais agressiva do GOP, Bom e velho partido na sigla norte-americana, apelido dos republicanos. Mas foi uma agressividade bem-humorada, sarcástica. O público na platéia adorou. E não poderia ser diferente: frustrados com a primeira noite da Convenção, terça-feira, lendo nos jornais novas denúncias contra Palin dia após dia, queriam algo convincente. Uma resposta. Isso, tiveram.

A questão é que não são os republicanos que Sarah Palin deve convencer. Não são os conservadores. São os eleitores que não têm particular predileção por nenhum dos dois partidos ou que flutuam de uma ideologia para a outra conforme suas preocupações imediatas. Ontem, Sarah Palin deixou claro que muita coisa deve ser mudada em Washington. É isso que os eleitores querem ouvir.

Só tem um detalhe: é o partido dela que está no governo.

Foi um discurso agressivo e, por isso, arriscado. Ficou clara a função de Palin nesta campanha eleitoral: ela irá atacar. Será um ‘cão de ataque’ de McCain, para usar a expressão comum nos EUA. (Joe Biden deve ser o de Obama, diga-se.) Ela trouxe sua família ao palco, citou sua família no discurso, e fala da maneira como cuida de sua família como se fosse um exemplo. É uma tática arriscada: isso quer dizer que sua família pode ser discutida.

Ao sair para todo o ataque, sem mostrar uma gota de respeito, convida um rebate igualmente agressivo. O tom da Convenção Democrata foi completamente diferente. ‘McCain está errado a respeito do que o país precisa’, diziam, ‘mas ele é um herói, um homem honrado’. O tom republicano é de condescendência. Obama é um rapazinho. Talvez tenha futuro. Um dia. Sarcasmo. É um jogo arriscado. As pesquisas dirão nos próximos dias se funcionou.

Hoje, quando fará seu discurso de encerramento, é John McCain que tem um problema. Ele precisará ser no mínimo tão eficiente quanto sua vice.

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