Bush alerta para a esquerda raivosa
e Sarah Palin permanece muda

EUA · 3/09/2008 - 11h31 - 66 Comentários

Longe dos EUA, é um clichê comum sugerir que Democratas e Republicanos, no fim das contas, são mais parecidos do que diferentes. Quem assistiu alguma das noites da Convenção Democrata na semana passada e tirou uma meia hora para assistir à primeira noite da Convenção Republicana, ontem, não pode sair com essa conclusão. O público, jovens com terno e gravata, homens com medalhas militares, é de todo diferente. O tom, idem.

Foi uma noite patriótica. Como alguém disse em um dos canais de noticiário na tevê, o partido que fez pouco de um veterano do Vietnã, há quatro anos, fez o elogio de outro dessa vez. Falaram à Convenção o ex-senador e ator Fred Thompson, a primeira-dama Laura Bush, pelo vídeo o presidente e, enfim, o senador (ex-)democrata Joe Lieberman. (Sim, o candidato a vice de Al Gore em 2000.)

Bush saiu-se com a frase mais forte da noite: ’se o Hanói Hilton não dobrou John McCain, não será a esquerda raivosa que o fará’. O Hanói Hilton, naturalmente, é a prisão vietnamita na qual McCain passou alguns anos. De esquerda raivosa ninguém havia falado no governo dos EUA até agora. Mas o termo acaba de entrar para o vernáculo político: Barack Obama representa a esquerda raivosa, diz o presidente.

No lado de fora da Convenção, militantes anti-Bush foram expulsos pela polícia com bombas de gás. Dentro, o assunto continuava a ser Sarah Palin. Quando prefeita de Wasillia, demitiu a bibliotecária-chefe porque ela não queria censurar alguns livros. (Depois recontratou-a por pressão popular.) Seu pastor previu que quem condena a Guerra do Iraque arderia no fogo dos infernos. Apenas duas semanas atrás, ele fez um sermão sobre a necessidade de os judeus abraçarem Jesus para que não sejam condenados. Já o presidente do Partido da Independência do Alaska, do qual seu marido era membro até o ano passado, previu a danação dos EUA – tal qual o pastor de Obama.

(Raivosa é a esquerda?)

Ontem à noite, John McCain daria uma entrevista a Larry King, da CNN. A campanha cancelou de última hora por conta da entrevista que a âncora Campbell Brown fizera no dia anterior com um de seus assessores. ‘Como vocês dizem que experiência é importante ao criticar Obama e aí escolhem uma pessoa inexperiente?’, ela perguntou. Ele respondeu que, como governadora, Palin já havia comandado a Guarda Nacional do Alaska. ‘Então cite uma decisão que ela tomou que indique suas qualificações?’ O rapaz não tinha nenhum exemplo na manga. Ficou mal. Mas pouca gente vira a troca. Quando McCain, considerando-se maltratado, recusou-se a dar a entrevista por esse motivo, a troca se espalhou pela Internet.

Sarah Palin não dá entrevistas. Tinha um discurso programado, ontem, foi cancelado. Trancada no hotel, passou o dia aprendendo sobre as posições políticas de John McCain e sendo orientada a respeito do discurso que fará, hoje. Que se reitere um fato: a imensa pressão que ela está recebendo pode repercutir bem perante o eleitorado. Ou não. Mas certamente a convenção abriu turbulenta.

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