A montanha-russa Sarah Palin
e as supresas que ela dá

EUA · 2/09/2008 - 11h58 - 82 Comentários

A televisão passa dias de montanha-russa, aqui nos EUA. Enquanto Gustav – o furacão – foi gentil com Nova Orleans, a cada minuto parece que há uma acusação nova contra Sarah Palin.

Ontem foi a vez de os norte-americanos descobrirem que sua filha de 17 anos está grávida. O tom na tevê: ‘ninguém devia estar discutindo isso’. E continuavam discutindo. Obama veio à frente” ‘Quando nasci minha mãe tinha 18 anos e era solteira.’ De que adianta? Palin é contra educação sexual e pelo incentivo à abstinência. Seu caso é a personificação daquilo que os democratas dizem acontecer quando adolescentes não recebem educação sexual e são incentivados a se absterem do sexo.

Os republicanos, que começam seu segundo dia de convenção, é que divulgaram a história da gravidez. Aproveitaram-se de Gustav, apostando que seria um assunto menor no dia. Começou sendo, de fato. Mas Gustav se foi e a gravidez cresceu.

Nem todas as histórias nascem assim. Palin, a rede de tevê ABC descobriu, antes de ser republicana era do Partido da Independência do Alaska. Isso mesmo: um partido de extrema-direita separatista. No passo seguinte, Mark Arbinder, da excelente Atlantic Monthly, descobriu que a governadora fez um pequeno tributo em vídeo para a convenção dos separatistas no início do ano e flagrou o presidente do partido não apenas elogiando Palin como explicando que o Partido da Independência do Alaska deve infiltrar seus membros nos dois grandes partidos para conseguir seus objetivos.

É uma montanha-russa.

Seu marido foi preso por dirigir bêbado com vinte e poucos. (Vá, George W. Bush tinha bem mais que isso quando lhe aconteceu o mesmo e terminou presidente.)

O New York Times divulga que a equipe de John McCain que avaliava vice-presidentes potenciais chegou ao Alaska apenas quinta-feira passada, um dia antes do anúncio. É impossível saber o quanto eles realmente sabiam. Se sabiam com antecedência da gravidez, do Partido da Independência, de ela como governadora se empenhar para demitir o ex-cunhado, de ela ser criacionista ou anti-cientificista. De algo certamente sabiam: daquilo que o Google encontrava. Mas não haviam fuçado os jornais locais, aquilo que toda imprensa e o Partido Democrata estão fazendo com ardor neste exato momento.

Foi um lance de ousadia de John McCain. Ousadias carregam riscos. Mas cada novo micro-escândalo não quer, necessariamente, dizer que Palin se dá mal. Se seus eleitores mais dedicados – aqueles na direita religiosa – acharem que ela está sendo perseguida pela imprensa, podem fechar o cerco de apoio. Ontem, a Convenção Republicana foi mero abre e fecha em respeito ao Gustav. Hoje, George W. Bush falará, por um link de vídeo. O calendário mudou.

O que todos esperam é ouvir Sarah Palin, amanhã. E descobrir quais detalhes novos de sua vida serão descobertos hoje.

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