Kosovo valeu a pena? Pergunte à Ucrânia,
à Geórgia ou à Moldávia
Kosovo é uma história de crise, informa na Newsweek a professora Ruth Wedgwood. Entre os jovens, o desemprego é de 60%. O medo é de que, estando no coração do Leste Europeu, busquem se dedicar ao tráfico de drogas, armas ou mulheres, criando um centro de ilegalidade no continente. Ou, então, esperam um êxodo para a Itália, Suíça ou Alemanha.
O jovem país não tem juízes, policiais ou quem cuide da alfândega. Não tem exército que o proteja (a OTAN mantém tropas lá). Não tem eletricidade – todo dia a luz cai. Não tem estradas que escoe a produção agrícola ainda inexistente de uma terra fértil. (Em cinco anos, espera-se, uma grande rodovia para a Albânia. Mas essa não é a melhor rota de escoamento.) Não é reconhecido pela ONU, e nem o será enquanto a Rússia mantiver o veto. Bósnia, Grécia, Macedônia, Montenegro, Romênia, Eslováquia e Geórgia são os vizinhos imediatos que não reconhecem sua independência.
Não estão sozinhos: apenas 45 países reconheceram o Kosovo, afinal ninguém busca uma zona de desgaste gratuita com a Rússia. O resultado é que, com seu passaporte, kosovares só têm 45 países no mundo com os quais fazer negócios ou visitar. Estão isolados e nada indica que algo mudará.
Incentivar a independência do Kosovo valeu a pena? Agora a Rússia quer o direito de independência para a Ossétia do Sul, na Geórgia. Nada como uma boa desculpa e, diz o professor Otto Luchterhandt, Ucrânia e Moldávia estão preocupadas. Semana passada, o presidente russo Dmitry Medvedev informou ao presidente da Moldávia Vladimir Voronin que não aconselhável que seu país tentasse impor autoridade sobre o estado da Transnistria. Qualquer estado rebelado terá o apoio da Rússia. Convém que os ucranianos tampouco pensem na Criméia como sua.
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Pois é, antes de berrar “Liberdade à/ao…” deve-se pensar em alguns detalhes não tão românticos.
que pragmatismo rasteiro, caramba.
Eu aqui no meio do oba-oba já havia declarado ser contrário a essa tal independência, acho que foi furada.
A Transnístria já não é, de fato, independente?
+ A crise eterna do balcãs só serviu, ao menos pro ocidente, para colocar o nome desses pitorescos lugares no mapa do coletivo.
Ou alguém aqui sabia alguma coisa sobre Kosovo, excetuando os que estudaram levemente as Grandes Guerras?
Bom, tudo quizeram e ficaram “côzovo” na mão.
Taí.
Voltaram à Idade da Pedra.
ai, proftel, esta foi horrível… hehehe.
Radical, vê só como estão à míngua outros povos que tentaram ser “livres” por aí.
Cuba mesmo, se não fosse o Chaves a coisa estaria feia por lá, os palestinos então, nem se fala.
Nem sempre a tal liberdade política é vantagem.
Bom, sei lá, já pensou se o Brasil fecha as fronteiras com o Paraguai? Até o porto de Paranaguá? Os caras se lascam.
No primeiro disjuntor desligado de Itaipú e aquilo fica num breu só.
É mais ou menos por aí que funciona a coisa, não pensaram nisso por lá né?
Sei que vem pedrada, que a liberdade é coisa que não se vende e coisa e tal mas, peraí, há outros interesses na geopolítica e, nem sempre uma visão assim de independência funciona.
Na prática a teoria é outra, taí a constatação.
E o Slobodan Milosevic?
Epa! A Rússia NÃO quer o direito de independência para a Ossétia do Sul. Quer anexá-la. E vai fazê-lo também com a Criméia e a Moldova, se seu regime mafi-fascista não for contido agora.
Aliás, pesquisei no Google e não existe nenhum registro da expressão mafi-fascista: vou cobrar royalties de quem usar a partir de agora.
Os problemas de Kosovo são típicos de um país que acabou de ser constituído depois da guerra. Podem ter certeza que a situação da Coréia do Sul nos anos 50 era bem pior…
Outra coisa: dizer que “apenas 45 países reconheceram o Kosovo” pode ser um tanto enganador, visto que dentre os 45 países que estão todos os membros do G7 (EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Japão, Itália e França) e a maioria dos membros da OTAN e da União Européia. Não é pouco não.
E em termos de entrar ou não para a ONU, basta lembrar que a Suíça até 2005 nunca pertenceu à organização, e que Taiwan, desde sua expulsão em 1971, também não está lá e hoje em dia é reconhecido por poucos países, se bobear até num número menor que Kosovo.
Não me consta que Suíça ou Taiwan tenham graves problemas sociais ou econômicos.
Ou não.
Outra coisa: comparar os casos de Kosovo com os casos da Abkházia, da Ossétia do Sul e da Transnístria (região separatista da Moldávia) é ingenuidade.
As três regiões citadas acima estão ocupadas por tropas russas e ex-agentes da KGB que engessam toda a política dessas regiões desde o início dos anos 90; no caso da Abkházia e da Ossétia do Sul, as duas províncias tinham praticamente metade de sua população georgiana, população esta que foi sendo expulsa, muitas vezes de maneira brutal, pelo soldados russos. No caso da Transnístria, dois terços de sua população não é russa, o maior contingente populacional é de moldávios que falam romeno, mas ainda assim a única língua sancionada lá é o russo — até mesmo o alfabeto latino tem seu uso proibido.
E no fim das contas, Abkházia, ossétia do Sul e Transnístria nunca buscaram independência de verdade, e sim incorporação à Rússia — no caso da Transnístria, isso daria à Rússia uma segunda Kalinigrado (território arrancado da Alemanha à força pelos tratados de Yalta e Potsdam), situada ao sul, estrategicamente próxima da Romênia e da Ucrânia.
E sobre a Criméia, bem… a maioria russa de lá foi criada por Stálin, que mandou os tártaro-criméios de lá para o Uzbequistão com a desculpa de que eles eram “colaboradores nazistas”.
Hoje em dia, a população da Criméia, apesar de haverem muitos russos, também possui grandes quantidades de ucranianos e de tártaros que voltaram depois do fim da União Soviética. O problema é que, devido às estruturas políticas da península-que-é-quase-uma-ilha, os ucranianos e tártaorso ainda são tratados como cidadãos de quinta categoria — os russos de lá, desde os tempos da Czarina Catarina, sempre formaram a elite política do local, e nunca viram a democracia de estilo ocidental com bons olhos.
MaGioZal salvou o post , depois de tanta bobagem!
bravo
Os russos estão jogando duro. E vão continuar assim até conseguirem recuperar sua posição geopolítica secular: o centro de poder da Eurásia.
Se conseguirem esse primeiro objetivo - recuperar o lugar de império/potência - vão redesenhar também a geopolítica do Oriente Médio.
Haverá muita “emoção”nos próximos anos… especialmente se os EUA mantiverem os pés e as mãos afundadas nas guerras que começaram, venceram, mas não conseguem terminar.
O terreno está aberto para a Rússia avançar.
“Russia, Mr. Medvedev said, would observe international law. It would reject what he called United States dominance of world affairs in a “unipolar” world. It would seek friendly relations with other nations. It would defend Russian citizens and business interests abroad. And it would claim a sphere of influence in the world…”
http://www.nytimes.com/2008/09/01/world/europe/01russia.html?_r=1&ref=world&oref=slogin
Magiozal,
os ucranianos são russos, só fingem que não sabem disso. Falam a mesma língua, têm a mesma religião, têm história em comum (a ucrânia fez parte da Rússia durante séculos). A população ucraniana, ainda hoje em dia, é majoritariamente de etnia(?)/cultura(?) russa.
corrija-me se estou errado.
de kosovo para o maranhão. ou seria amapá? um videozinho pra quem adora o sarney: http://www.youtube.com/watch?v=BTNiRu3Os0U
Não sou o Magiozal, mas vou corrigir assim mesmo: ucranianos falam ucraniano e têm horror aos russos.
Aliás, eles têm razões de sobra para isso.
Yulia Tymoshenko que o diga !
Cricket,
que eles têm horror aos russos, eu sei. Agora, vamos lá: a língua ucraniana é quão diferente da Rússa? pelo que pude pesquisar, pouco.
Chegando lá no leste, para mais perto da fronteira com a Rússia, começa a ficar difícil diferenciar uns dos outros.
E sim, ali por perto todos têm razão para não gostar da Rússia. Quem gosta de uma potência imperialista no quintal do lado?
Da mesma forma, nós aqui por perto dos EUA teríamos todas as razões para odiá-los (afora o Mr X e o Chesterton, que acham que eles são bonzinhos).
wiki faz um resumo historico correto da Ucrania:
http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Ukraine
A história é um tanto complicada, mas vamos lá: os ucranianos estão para os russos mais ou menos como os portugueses estão para os espanhóis: são etnicamente muito parecidos, mas tem identidades a princípio separadas.
Os ucranianos “começaram” sua história a partir da dissolução da “Rússia de Kiev” (Kievan Rus), um antigo reino eslavo medieval, pelo avanço das hordas turco-mongóis da família Gêngis Khan.
A partir daí, a população do sul e do sudoeste passou a viver ou uma existência nômade nas pradarias (tornando-se os cossacos) ou camponesa nas zonas de floresta e montanhas (tornando-se os rutenianos), e houve uma evolução linguística (em parte influenciada pela presença polonesa nas terras rutenianas) que acabou dando origem à língua ucraniana. Mais ao norte, onde os antigos russos de Kiev receberam influência lituana, formou-se o povo bielorrusso.
Os russos em si se formaram etnicamente através de dos contatos comerciais que passaram a existir nas cidades mais ao norte e ao oriente, principalmente ao redor de Moscou e Novgorod.
O Principado de Moscou com o tempo se livrou dos mongóis, a partir do fim da Idade Média começou a se consolidar conquistando outros reinos ao seu redor, se tornou Rússia uns dois séculos depois… e o resto é história.
Mas a questão é que hoje em dia na Ucrânia, metade da população fala russo, e essa concentração se dá principalmente no sul, no leste e nas grandes cidades. Por que isso, se a maioria dos ucranianos não se considera russa?
A resposta é que desde a conquista de parte das terras ucranianas pelos russos (a Rússia, na sua encarnação soviética, só conseguiu conquistar todas as terras ucranianas depois de 1945), o império sempre tentou incorporar as populações ucranianas, seja pelo bem ou pelo mal, à Rússia. O ucraniano era visto como uma língua “feia”, um dialeto de componeses ou então de cossacos e rebeldes anti-russos.
O sistema de educação, a igreja, os jornais, as leis, eram em russo. E para completar, grande parte das elites políticas que governaram a Ucrânia nestes últimos séculos ou era russa via assimilação cultural ou então era russa das regiões tradicionalmente russas mesmo, mas que migraram para terras ucranianas como governadores ou nobres.
Mas acredito que o passo definitivo à russificação da Ucrânia se deu neste século, através do governo de Stálin. Com a política de fome em massa forçada (Holodomor) no início dos anos 30, ele não só eliminou garnde parte da população ucraniana que vivia no campo, mas também toda a cúpula do partido comunista ucraniano, que era na época razoavelmente independente de Moscou. Milhões morreram, e só quem tinha fidelidade e sbjugação absoluta ao Kremlin sobrava. E isso incluía falar russo, a língua da capital.
Bom, acho que é mais ou menos por aí.
Pois é no que dá estes paisequinhos de m… se independentarem à torto e à direito.
Em pleno mundo maravilhosa e felizmente globalizado, estes zé povinhos se arrogam em “independências” e bairrismos inúteis.
Estão parecendo aqueles municípios brasileiros criados do nada: Bastava ter um boteco, uma igreja e um puteiro ( podia não ter igreja) e pronto: Criava-se um município sem renda nem estrutura…
O resultado é que os cosôvos e ossétias da vida tão aí, mal das pernas. Alás, êta nomezinhos lazarentos prá país nénão?
Coisa curiosa: a língua ucraniana teve mais liberdade para se desenvolver justamente dentro do Império Austro-Húngaro, onde a liberdade linguística e cultural era muito maior do que no lado leste da fronteira, no Império Russo.
E até hoje são essas as regiões onde o ucraniano é mais falado pela população, atingindo proporções maiores do que 90%. Curiosamente, é o lugar onde mais se apóia o atual presidente, Victor Yushchenko, que tem popularidade muito mais baixa em outras regiões.
Apenas mais uma coisa para lembrar: o grande interesse da Rússia em evenbtualmente anexar o sul e o leste da Uctrânia estaria no fato de que as grandes minas de carvão e metalúrgicas da bacia do rio Don, os grandes estaleiros da cidade de Mykolayiv (Nikolayev) e a fábrica Antonov de aviões ficam justamente nessa região. Isso daria a Moscou uma imensa vantagem industrial, populacional e sobretudo militar.
Nos tempos da União Soviética, era justamente esses lugares que sustentavam boa parte da indústria bélica. Ah, e na Criméia também haviam bases para lançamentos de mísseis atômicos, atualmente sem uso, convertidas em museus a céu aberto.
Bem, então o Bush pode invadir, Cuba, Venezuela, Bolivia…que tal os separatistas bolivianos com apoio da USAF?
Putin demonstrando virilidade: http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/09/01/ult4909u5368.jhtm
Magiozal,
ok, thanks, lição absorvida.
Agora, outra pergunta: e os Kazares? onde eles estão hoje em dia?
Chest: hein? e o kúkascalças?
Bom, até onde sei, Cuba já está cercada a muito tempo, é um tal de embargo.
A Venezuela já tá no papo faz tempo e, a Bolívia é questão de tempo, o Lula se encarrega disso, é só baixar o petróleo que periga a coisa entortar.
De resto, infelizmente, potências regionais sempre serão potências, não adianta dizer que não.
Até na física um corpo com maior massa leva vantagem.
Inverti “Bolívia” e “Venezuela” no texto.
:-/
Agora, outra pergunta: e os Kazares? onde eles estão hoje em dia?
Olha, não posso te dar certeza, uma vez que nem os próprios historiadores devem saber direito, acho.
Mas tudo indica que eles tomaram dois rumos: parte deles se integraram às comunidades judaicas do Leste Europeu ou do Império Otomano ou então se integraram às populações das regiões em que ele viviem: turcos ao sul, ucranianos-cossacos um pouco mais ao norte.
MaGioZal, realmente você salvou o post.
Erudição e grande conhecimento do assunto.
Parabéns.
abs,
ma
Pois é. Daí vem os papos ” isso era meu, quero de volta”, “o povo daquele lugar fala quenem nóis intão nóis vai invadi eles” e velhos arranca rabos que teriam origem lá pras antigas acabam servindo de desculpa para separações e invasões.
Neste “vai da valsa”, vão querer os Sudetos de volta e arrisca o Lula querer o Uruguai. Até o indiozinho cocainero do Evo vai querer o Acre de volta…
Fico cá pensando se o México não vai querer o Texas e o Novo México…
E no fundo mesmo é só interesse em carvão, petróleo e outras riquezas. Mas os caras são espertos: Usam nacionalismozinhos barrelas e cutucam velhas feridas só prá ver o populacho se coçar. Populacho é foda. Tipo de gentinha que nem devia existir ou se existir é só para trabalhar e ficar de bôca fechada. Povão quando se mete a dar palpites dá em merda. Sempre deu.
Magiozal,
Pois existem teorias dizendo que os judeus askhenazis, do leste europeu, são todos descendentes dos kazares. Tem um livro muito bom sobre eles, do Arthur Koestler “Os Kazares - a 13ª tribo e as origens do judaísmo moderno”.
hehehe, eu já li. Achei que você poderia ter outras informações, mas tá batendo. Desculpe-me a tentativa de sugar um pouco mais de seu (vasto) conhecimento.
abs.
Povão quando se mete a dar palpites dá em merda. Sempre deu.
Taí a prova.
Radical, prezado radical…
Voce pelo vista acredita em “democracia”, “socialismo”, “liberdade”, “fraternidade”, coelho da páscoa e cegonhas trazendo bebês.
Cara, detesto ter que dizer a verdade mas infelizmente o povão é isso mesmo: Massa de manobra, bucha de canhão e é claro, consumidores.
Coisicas como “nacionalismos”, “democracias” e afins são apenas bem urdidos e falsos argumentos que apenasmente servem para ludibriar o populacho.
O mais hilário (tragicômico na verdade), é que seja qual for a ideologia, religião ou viés econômico, estes argumentinhos são usados por aqueles que precisam manter ou obter o poder. Stalin fez assim, Bush faz assim, Medevedev faz também. Israel os usa e o Irã idem.
Inconstestavelmente estas tramóias vem dando certo. A história e a estória são a prova.
Maquiavel é eterno…
por que é que a direita sempre se vê como madura, racional e arguta e adora caricaturar a esquerda como imatura, infantil e ingênua? porque desta maneira seus argumentos pelo menos adquirem um ar de autoridade.
O papo do Bronco é sempre o mesmo……deveria morar dentro dum barril!
Caramba, Branca… você já usou de argumentos melhores.
roqueiro Gorki Águila, líder da polêmica banda Porno para Ricardo, compareceu na última sexta-feira no Tribunal Municipal de Playa, em Havana - onde centenas de seguidores, representantes da diplomacia na ilha e jornalistas se aglomeravam na porta - para enfrentar um processo pelo delito de “periculosidade social”.
Curiosamente, na mesma sala, Águila, de 39 anos, soube que a acusação havia sido modificada pela de “desobediência”. O músico, detido desde segunda-feira, foi condenado a pagar uma multa de 600 pesos (cerca de 30 euros). No sábado, já em casa, Gorki conversou pelo telefone com o El País.
El País - Como você fez para pagar a multa?
Gorki Águila - Era quase o dobro do meu salário. Eu ganho 320 pesos por mês em uma oficina de serigrafia - fazemos cartazes para o cinema -, então quem pagou a multa foi o meu pai, que é bastante castrista e sabe bem como economizar.
El País - Por que você acha que no mesmo dia do julgamento decidiram mudar a acusação?
Águila - Por causa da pressão das pessoas que se solidarizaram comigo. Essa é a prova de que quando a gente se une para enfrentar a tirania, podemos mudar as coisas. Eles tem medo de que o que fazem possa vir a público e condená-los internacionalmente. Por isso baixaram uma possível condenação de quatro anos de prisão, em uma multa de 600 pesos. Eles querem fingir que são bons.
El País - Quem são eles?
Águila - A segurança do Estado, o regime. Mas eles não calcularam que eu iria ter tanto apoio. Não é que a Justiça aqui fechou os olhos. Ela fechou o nariz, a boca, os ouvidos…
El País - Não é a primeira vez que o perseguem por causa as sua música. Você não tem medo?
Águila - Claro, estou sofrendo de uma espécie de estresse pós-traumático depois de quatro dias na masmorra. Fizeram com que eu, meus amigos e minha família sofressem muito. Eles me acusam faz tempo. O plano é silenciar o grupo, amedrontar os pequenos e me deixar sozinho. Em 2003, me prenderam durante a caça às bruxas que foi o plano Coraza. Fiquei dois anos na cadeia de Pinar del Río e mais dois em ‘liberdade condicional’.
El País - Do que você foi acusado?
Águila - De ocupação, posse e tráfico de drogas. Eles inventam o que querem para ferrar com você.
El País - E depois dessa ‘advertência’, você não ficou em dúvida se ainda queria fazer música com o Porno para Ricardo?
Águila - Minha música, meu grupo é parte de mim. Não vou abandoná-los. Agora quero terminar nosso disco - falta pôr voz em 5 das 13 canções - porque me incomoda deixar coisas pela metade.
El País - Qual canção desse novo disco causará mais polêmica?
Águila - A segunda parte de El Comandante, uma canção dedicada a Raúl Castro, que é a continuação de El Comandante I - “querem que eu o aplauda depois de falar sua merda delirante” - dedicada a Fidel.
El País - Todo mundo está de olho nesta mudança. Você acha que Raúl Castro vai poder fazer uma transição benéfica aos cubanos?
Águila - Não tenho nenhuma esperança com Raúl. Acho até que ele pode ser pior, porque é fanático pelo modelo chinês. Isso é bom no que se refere à indústria, mas estou certo que ele vai constringir ainda mais a liberdade de expressão. Para mim, a mudança aconteceria com eleições em a família Castro e com liberdade para todos os presos de consciência.
El País - Quem é Ricardo?
Águila - Ricardo é um amigo, um amigo criativo que gosta de pornografia. O nome do grupo é um contraponto ao lema “pátria ou morte”, é uma ode ao prazer, é a defesa do indivíduo frente aos que querem que a gente se converta em nada mais que uma massa. Em uma massa que vive na miséria. O mais democrático desse regime é repartir muito bem a miséria.
El País - Como vocês gravam e promovem a música do Porno para Ricardo?
Águila - Nós gravamos o disco de maneira independente, com um Pentium III, no ritmo dele. Fazemos cópias e presenteamos aqui na ilha e vendemos pela Internet.
El País - E os shows?
Águila - Fazemos poucos shows. Ninguém que se meter em problemas ao nos ceder um local e, além disso, temos poucos equipamentos de áudio. Tudo isso são eles que controlam. Assim, nada de concertos.
El País - Você tem medo?
Águila - Tenho. Aqui nunca se perde o medo. A segurança visita meu trabalho, mas não conseguiram me demitir. E espero que não consigam, porque eu gosto do que faço.
El País - Mesmo em casa, você não se sente um pouco preso?
Águila - Isto é como as bonecas russas. Você sai de uma cela pequena para passar a outra uma pouco maior. E assim por diante. Eu agora só estou em uma cela um pouco maior, mas sempre corro o risco de cair em uma boneca menorzinha.
Castro é um fdp e todos que o apoiam ou admiram são tambem fdp.
se Putin pode tomar as reservas de petroleo e os oleodutos da Georgia, os americanos vão tomar Roraima. Sem lei, vence o mais forte.
Mas os caras são espertos: Usam nacionalismozinhos barrelas e cutucam velhas feridas só prá ver o populacho se coçar. Populacho é foda.
se Putin pode tomar as reservas de petroleo e os oleodutos da Georgia, os americanos vão tomar Roraima. Sem lei, vence o mais forte.
Bom, eu acredito na Democratic Peace Theory: país democrático não vai à guerra para tomar o território do outro.
Logo, a Russia pode tomar o que quiser de quem quiser e os democraticos ficam olhando….
PD anda muito stalinista ultimamente….
Esse papo tá impagável!
Bão né, prá móde qui intão nóis resume mais ou menos assim:
Esquerda, direita, judeu, muçulmano, espírita (arghhh!!!), capitalista, socialista, comunista (duplos arghhhss!!!!!) EUA, Rússia, Bolívia, Irã, Ossétia, Kosovo e toda e qualquer modalidade de rezar e politicar que a raça humana pratica, usa e abusa é tudo e apenas para uma única coisa: Poder ( e toda a grana e glamour que acompanham) pruns poucos.
Sejam russos brigando pelas ossétias da vida ou os EUA no Iraque, é tudo a mesma coisa.
Bom, tem uns e outros ( os tais homo sapiens lindus fantasticus e perfectus) que ainda acreditam em alguns princípios já históricamente repudiados, mas é mais um romantismo, um otimismo totalmente contrário à nossa maravilhosa raça.
Mas até mesmo esta espécie evoluída de humanos continua sendo humana e basta uma provocaçãozinha e eles descem do salto e rodam a baiana. Num dianta. Humano é humano e aí é que está toda a graça em pertencer a esta raça.
E o cara que desfloresta e acaba com rios vem tentar cantar de esclarecido no pedaço.
Magiozal
Paguei pau pra vc, verdadeira aula de história, vc deu.
Magiozal,
Gratíssima pela aula de historia. Sou uma interiorana, octogenária, 11ª filha de 12 irmãos, nunca fui a uma escola, gosto de geografia ,história e amo a literatura russa do séc. XIX. Tenho enorme interesse por esse e outros assuntos históricos.
Magiozal,
Você detonou, salvou o post mesmo. Não podemos culpar o PD, porque realmente quase ninguém entende dessas coisa, somente os Russia watchers.
Eu, daqui da China, não sei nada de Rússia, mas sei que tudo isso no final das contas se resume a nacionalismozinho barato, como disso Brancaleone.
Vejam isso depois:
http://mundorama.net/2008/08/31/o-novo-realismo-a-ordem-internacional-a-luz-de-kosovo-e-georgia-por-artur-andrade-da-silva-machado/#more-954