A semana está apenas
começando para John McCain

EUA · 1/09/2008 - 11h40 - 79 Comentários

Num país traumatizado pelo Katrina, estão todos de olho no furacão Gustav que lentamente se aproxima de Nova Orleans. A tempestade perdeu um pouco de seu fôlego, mas ainda não dá para saber se uma parte da cidade inundará. Aqui nos EUA, Katrina é lembrado como um dos maiores desastres do governo Bush. E vem Gustav logo hoje, em que abriria oficialmente a Convenção Republicana.

A primeira coisa que John McCain fez foi reduzir para uma pequena cerimônia a convenção de segunda-feira. Esperto. Está a postos para, se necessário, fazer por vídeo, do local de um possível desastre, seu discurso de aceitação da candidatura, na quinta-feira. No fim de semana, um blogueiro flagrou o ex-presidente do Partido Democrata celebrando a tempestade. “Deus está do nosso lado.” Não, não está. É uma oportunidade tremenda para McCain se distanciar do maior peso que carrega: George W. Bush.

E o presidente, assim como seu vice Dick Cheney, não vão aparecer pessoalmente em Saint Paul, estado de Minesotta, para falar aos delegados do partido. Não é praxe, mas dada a situação, para McCain é melhor.

Sarah Palin se saiu bem no seu primeiro fim de semana como candidata a vice. A estratégia de McCain continua soando arriscada. Mas, a contar pelas reações na imprensa, nos programas conservadores de rádio e na blogosfera, parece um bocado inteligente. A massa ultra-conservadora está agitada. Envolvida emocionalmente como jamais esteve.

Eleição nos EUA – é sempre muito importante lembrar – é uma questão de atingir a maior quantidade de grupos demográficos possível. O setor ultra-conservador do Partido Republicano, que garantiu a George W. Bush sua vitória, andava descolado. Com Palin, antenaram-se. Ela é ainda mais conservadora do que Bush: defende o ensino do criacionismo nas escolas, é contra a pílula anticoncepcional, acha que o homem é inocente no Aquecimento Global. A direita cristã está num alvoroço só.

Será que uma vice de seus sonhos é capaz de fazer esse grupo de eleitores, em geral despolitizado, sair de casa para votar? Em 2000, os marqueteiros de Bush conseguiram. Em 2004, foi preciso mais esforço. Emplacaram em vários dos estados mais divididos referendos locais para legalização do casamento gay, da maconha e quetais. O povo da ultra-direita teve o incentivo de dizer não ao casamento gay e votar em Bush ao mesmo tempo. McCain terá a vice dos sonhos mas ela terá que ser motivo o suficiente. Ou, então, Obama terá de parecer muito assustador. Talvez muçulmano. Ainda não há indícios de que essa parcela da população, no entanto, esteja assustada com Obama. Ele é um bom cristão, religião faz parte de sua vida – não era o caso dos dois candidatos democratas anteriores.

A ver. Mas, por esse ponto de vista, a não ser que tenha ainda muitos esqueletos em seu armário, Sarah Palin foi uma escolha inteligente. Palin terá uma convenção inteira para se apresentar e, profissionalmente, todos no Partido Republicano estarão engajados neste processo.

Enquanto isso: Gustav. Barack Obama está imobilizado. A semana é de McCain, como a passada foi dele. Se Obama começa a se manifestar muito, corre o risco de parecer estar se aproveitando de uma possível tragédia. O jeito é torcer para um erro de McCain. Ou então rezar para que Gustav não passe de um vento forte seguido de uma chuvinha.

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