O que Obama quer

EUA · 29/08/2008 - 11h39 - 54 Comentários

Não foi exatamente criativo ou particularmente impactante o discurso de Barack Obama, ontem à noite, dedicado a aceitar a candidatura à presidência pelo Partido Democrata. Seu objetivo era dizer especificamente o que quer dizer com ‘change’, mudança, seu mote de campanha.

Terminar com a dependência de petróleo estrangeiro em dez anos, investir em educação, saúde, promover cortes de impostos para a classe média, apertar os mais ricos. Dinheiro virá de uma longa revisão da regulamentação das indústrias várias para soltar a burocracia um quê. Apertar os impostos na velha indústria – petroleiras, por exemplo – e promover incentivos para a indústria da nova tecnologia. Incentivos fiscais para quem empregar nos EUA, o contrário para quem fechar fábricas para empregar no exterior.

Os críticos da direita estão certos quando dizem que ele não detalha de onde virá o dinheiro. Afinal, terminar com a dependência estrangeira de petróleo sem perfurar poços em território norte-americano só acontecerá se outras fontes de energia vierem. Obama promete carvão limpo (que não é lá tão limpo assim) e investimento em energia nuclear. Ajuda, claro. Desenvolvimento de novas tecnologias é ainda melhor. Mas é o tipo da coisa que custa tempo e dinheiro. Dinheiro, num país com déficit alto e inflação, é difícil de arranjar. Quando o objetivo é buscar novos combustíveis e, simultaneamente, ampliar acesso aos serviços de saúde e aumentar o salário de professores – ambos causas novas – fica mais difícil.

Mas Obama e os democratas têm razão quando dizem que o Iraque é um dreno financeiro desnecessário. E os republicanos ficam pior na fita depois que deixou-se claro o valor do superávit iraquiano: mais de 70 bilhões de dólares. Enquanto os EUA pagam a conta. Difícil explicar para a população.

Em todos os discursos da convenção, um tema era repetido incansavelmente: John McCain é um homem honrado. É um herói. O problema é que ele pensa economia como George W. Bush. E George W. Bush afundou o país. O problema é que ele quer continuar no Iraque. Os iraquianos pedem a saída. E até George W. Bush já está fazendo acordos para sair. (Nesse quesito, McCain ficou mal.)

Ontem à noite, durante os intervalos comerciais da convenção, veio ao ar um anúncio de McCain.

‘Senador Obama, hoje é realmente um bom dia para os EUA’, ele diz. ‘Em geral, as conquistas de nossos adversários passam despercebidas. Então eu gostaria de parar para dizer parabéns. É fantástico que sua candidatura seja oficializada nesse dia histórico. Amanhã, estaremos novamente na disputa. Mas hoje, senador, bom trabalho.’

Ontem, o dia histórico ao qual McCain se refere, foi o aniversário do mais famoso discurso de Martin Luther King: ‘Eu tenho um sonho.’

Ainda sobre o assunto:

  1. E a Suprema Corte ouviu o caso Obama.
    Quer dizer: nem isso, imagina
    A história nunca vai embora – e nunca irá, por anos. Mas me perguntaram se é verdade que a Suprema...
  2. O que quer Hillary Clinton? Não são poucas as pessoas que estão, neste exato momento, tentando responder à pergunta do título. A decisão de Hillary...
  3. O Brasil de Lula quer mercado aberto,
    os EUA de Bush apelam para os subsidios
    Após o fracasso das negociações na OMC e, provavelmente, o fim da rodada de Doha para liberalização do comércio internacional,...
  4. Obama 338 x 156 McCain
    A corrida até 270
    (Barack Obama é o novo presidente dos EUA)
    3h17. Obama: Hello Chicago! Há alguém ainda duvida que a América é um lugar no qual tudo é possível? Que...
  5. E Obama venceu mais um A essas alturas, não há muito mais o que falar: as pesquisas da CNN e da CBS dão resultado semelhante....