A crise do fotojornalismo
O jornalismo de imagens tem um problema: seja em fotos, seja em vídeo, a tecnologia digital permite alterar a aparência da realidade. Cenas de destruição no Líbano foram falsificadas durante o ataque de Israel, mísseis foram adicionados ao recente teste iraniano. Até coisas mais tolas, como a adição de fogos de artifício à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos contribuem para que, lentamente, o público vá ficando mais cético. E com razão. O que ele vê não é necessariamente verdade.
Diretor de Ética da Associação Nacional de Fotojornalistas dos EUA, John Long fala à Newsweek:
Há um ano, você disse que ‘o público está perdendo sua confiança em nós. Sem confiança, não temos credibilidade, não temos nada, não podemos sobreviver.’ Como você vê a situação hoje?
O público não confia em nós. Não melhorou nada. Nós produzimos essa situação, nos atrapalhamos em nosso profissionalismo. No passado, aprendíamos na profissão que o instante era sacrossanto. Era um momento único, bidimensional, instantâneo. Agora você pode modificar aquele momento. [Os novos fotojornalistas] estão vendo a realidade de uma forma diferente.
Existe alguma maneira e evitarmos a publicação de fotografias falsificadas? O que deveria ter sido feito no caso dos mísseis iranianos?
Quem distribuiu aquela fotografia na agência de notícias deveria ter checado suas fontes melhor. Quando você é o editor de fotografia de um jornal, vê 35.000 fotos todo dia nas agências. Você não tem tempo para pensar ’será que essa é falsa?’ Você precisa confiar em suas fontes. Se vem da Associated Press ou da Reuters, que são serviços de boa reputação, você espera que eles tenham verificado e que se responsabilizem por aquelas imagens. É lá que houve um problema. Eles deviam ter verificado a procedência daquelas fotos.
Como fotógrafos podem reconquistar a confiança do público e convencê-lo de que as imagens são reais e que não foram alteradas?
Esse problema já aconteceu com repórteres. Também é possível mentir com palavras, mas nossa sociedade acredita que um repórter dirá a verdade com tanta precisão e correção quanto lhe seja possível. É assim que se faz com o jornalismo. Acreditávamos na fotografia, mas agora teremos que acreditar no fotógrafo que, como o repórter, tenta apresentar o momento com tanta precisão e correção quanto possível.
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well…fotos jornalísticas podem ser símbolos. Quando símbolos são pervertidos, perde-se a noção e o alcance da realidade e supervaloriza-se o espetáculo. In other words, a foto deixa de ser símbolo do real para ser rabisco da ficção.
PD,
Hoje seu blog saiu dos meus favoritos. Nada demais. Apenas parei de ler os blogs que eu considero muito “Dantescos”.
Beroaldo, dantesco não é o Doria, mas essa manipulação da opinião púbica pela falsificação de imagens. Isso é antigo. Stalin apagava seus oponentes das fotos, Vargas montou a foto de Prestes segurando o microfone para ele, entre outros exemplos. Só que a tecnologia digital permite uma falsificação bem mais convincente do que antes. A imagem que é sempre mais sugestiva do que o relato, pois parece espelhar a verdade diretamente a quem se comunica, é agora tão falsa ou mais falsa que o depoimento de quem presenciou um fato. É preciso alertar as pessoas para isso. Ou o jornalismo invente uma forma de certificar as fotos assim como órgãos internacionais dão credibilidade às suas estatísticas, as quais não temos acesso aos bancos de dados mas damos um voto de confiabilidade, como a Onu, Banco Mundial etc.
Não podemos esquecer a importância de uma imagem, afinal a campanha de repúdio à guerra do Vietnam dependeu das imagens daquele genocídio. A aceitação da intervenção militar no Iraque foi feita através da “guerra limpa”, que na realidade manipulou a opinião pela exclusão das cenas de morte de crianças e da população civil pelos bombardeamentos que nunca tiveram a precisão que divulgaram. Mas os ianques, envergonhados, preferem esquecer essas imagens dantescas, como pudessem ser apagadas da História ao se apagar as fotos.
Um bom dia a todos.
púbica=pública
O que significa “dantesco”?
Acho que o beroaldo mal sabe o significado da palavra, quanto mais quem foi Dante Alighieri.
Quanto ao post: já faz mais de uma década que não levo a sério a maioria do que é publicado em jornais…
Quem acredita piamente na mídia sem restrições, francamente, é um pouco tolo.
Ou será que o Dantesco é uma referência ao Daniel Dantas?
Curiouser and curiouser…
E outra coisa, não são só as fotos não.
Dias atrás por exemplo todos os jornalões diziam que a Geórgia havia matado 2.000 civis “ossetas do sul” no primeiro dia de guerra, e portanto acusando-a de genocídio e justificando a invasão russa.
Mas qual era a fonte que TODOS os jornalões beberam? Apenas o governo russo.
Os hospitais da região indicaram apenas 273 feridos e 44 mortos…
E assim vamos.
É cada um que aparece…
Pô, nunca comenta, se bobear é a primeira vez que aparece e vem falar merda, ainda bem que caiu fora.
Voltando ao assunto, não acredito em fotojornalismo, depois que o Photoshop ficou acessível então, nem se fala.
Basta olhar as donas nas “playboys” da vida, tá mais pra propaganda enganosa.
Até míssil fantasma os iranianos tascaram recentemente em foto.
Assim não dá.
:-/
well….desde que o jornalismo existe, imagens são manipuladas segundo a vontade do dono. Assim foi nas guerras, revoluções e no mundo empresarial, passando pelo pornográfico marketing de propaganda. Tudo retocado,realçado e “facilitado” para o distinto freguês.
Já andaram dizendo que o novo manual do Photoshop foi substituído pela Playboy….
Sabem aquela foto dos soldados americanos levantando a bandeira em Iwojima? Produzida para objetivos de propaganda. Tudo armado e ensaiado. Fotos de Hitler, Stalin, Mao e outros facínoras,tudo produzido e aromatizado artificialmente para as massas.
E Se o Beroaldo naõ simpatiza com coisas dantescas, problema sexual dele. Talvez o menino prefira coisas mais assimiláveis, tipo álbum de figurinhas.
Zé Bush, o Weblog foi abalroado.
kkkkkkkkkkk rsrsrsrsrsrsrrssrsrs
:-))))))))))))
“mas nossa sociedade acredita que um repórter dirá a verdade com tanta precisão e correção quanto lhe seja possível.” hahahahahaha
Só pode ser piada isso né? Os jornalistas estão perdendo leitores pros blogs justamente por não prezarem esta precisão e correção. Pra ler um texto pessoal é muito melhor ler blog.
kopimi, é por aí, hoje em dia blog tá dando de dez a zero em muitos assuntos.
:-)
“Não existe mulher feia. Existe mulher pobre”.
Parodiando teríamos:
“Não existe mulher feia. Existe mulher sem fotoshop”.
fotoshop = photoshop
Surf,
Adorei seu comentário sobre o uso das imagens. Isso, como você nota, vem de longe, e foi usado por direita e esquerda no afã de legitimar certas coisas e manipular outras tantas.
Agora, então, tornou-se um verdadeiro esporte. Quem sabe a blogosfera consiga impor alguma ordem nesse tipo de caos que, claro, é interessado sempre.
A propósito, descobri um blog sensacional, de que deixei link no Open, e por algum motivo, travou. Mas a pessoa que o escreve chama-se Mary Buck. Acho que dá para achar no google.
Pra falar a verdade, me deu tanto prazer quanto assistir, digamos, a Noviça Rebelde (pois é, eu gosto muito)
A última resposta foi quase uma síntese profética, com a qual concordo plenamente. A entropia dos fatos mediados pelos sistemas de informática (informação + automática) só tende a crescer, junto à inevitável mudança constante dos valores que tiramos da e acrescentamos à mídia.
De certa forma me conforta o fato histórico de que as informações antigamente eram passadas basicamente pela fala das testemunhas, ou seja, qualquer pessoa disposta a relatar algo. A emergência da escrita, da imprensa, das mídias e do caos multimidiático é uma sequência evolucionária do mesmo sistema de tecnologia da informação, na qual o poder do indivíduo sobre a informação tende a crescer cada vez mais rapidamente, inversamente proporcional à exclusividade e a importância distintiva da detenção deste poder.
Meu conforto se apóia na constatação histórica que as socidades renascentistas tendem sempre à retornar aos valores da antiguidade. Nesse cenário um blogueiro seria como um cidadão que decidiu subir em um banco e relatar informações em meio à multidão de transeuntes. Caso o discurso seja interessante, atrai a atenção das pessoas que passam a assimilar e (quiçá) questionar os fatos relatados.
Atualmente, o poder argumentativo dos indivíduos tende muito mais à homogeneidade, já que os desenvolvimentos sociais e a tecnológicos permitem uma disseminação muito mais eficiente e frenética de informações. E isso permite que os fatos sejam questionados com muito mais frequência e eficácia.
Logo em seguida à abertura dos jogos, às cenas de destruição do Líbano e à exibição militar do Irã, uma onda de publicações divulgava a falsidade das imagens veiculadas. Pode ser que a modernidade e o poder da tecnologia deixe o espectador eventual e disperso mais vulnerável, mas consequentemente também aumentam o poder dos indivíduos que se interessam em questionar a idoneidade dos meios de informação em massa (que, sejamos sinceros, nunca foram muito confiáveis).
Albita,
vc. sempre gentil comigo.
Pensei de imediato na comparação entre o convencimento que uma imagem provoca e a de um texto. Por exemplo, um livro como Os protocolos dos sábios de Sião é uma obra falsa antisemita, apesar de uns loucos a levarem a sério. Mas uma foto é difícil de duvidar. A imagem documentando um ato parece uma verdade inquestionável. Numa vez passei por uma experiência interessante com imagem. Havia um trabalho a ser feito por mim e uma pessoa fotografou o início do serviço e para me queimar, mostrou a foto como se eu nada tivesse feito. De imediato vc. acredita na foto. Só depois é que soube e expliquei o trabalho todo como foi feito, por etapas e que aquela tinha sido a primeira delas. Engraçado, não sei se por praga, o sujeito já foi dessa para a melhor num ataque cardíaco fulminante. Ainda bem que estava longe dessa alma ruim.
beijocas
Surf,
Nos tempos que correm, uma imagem é pra lá de poderosa.
Bom, a linda abertura dos jogos olímpicos, que envolvem mil interesses, é prova disso.
E, obrigada, Daniel!
Pensando bem, o título poderia ser “A crise de identidade do fotojornalismo depois do Photoshop”.
hehe
Faz muito sentido, ainda vindo de um especialista em ética.
(Diretor de Ética? Se não for picareta é quadrado!)
Porém, acho que ele menospreza -como muita gente que trata do assunto- a percepção e senso crítico que há por aí.
Acho isso uma besteira. A realidade é questionada a cada dia e nunca vi foto mudar o que se pensa da realidade, apesar do ditado que diz que “vale mais que mil palavras”.
Eu acho que a “crise” sempre existiu. Robert Capa que o diga, conseguiu plantar a dúvida por um clique analógico, da época da sagacidade na manivela, naquela foto incrível e absolutamente real de um soldado levando bala em 1936.
Não acho que estejamos mais mentirosos que antes, ou que tenham passado mais mentiras, impunes, graças às novas tecnologias de trucagem.
Os manipuladores de imagem tampouco conseguiram ultrapassar a realidade e acho pouco provável que algum dia ultrapassem a vigilância. Ainda não é possível afirmar um sonoro “não” com uma foto que grita um “sim”. Enquanto a realidade for espantosa continuaremos vigilantes.
Fotojornalismo , o bom pelo menos, é isso: o registro da realidade espantosa. Quando o assunto é espanto, o povo é vigilante. Quando a matéria prima é a realidade (cada vez mais espantosa a cada dia que passa, diga-se de passagem) não vejo coisa mais saudável e eficaz que o questionamento. Apesar de nunca ter visto foto sozinha, sem texto, mudar o rumo de um pensamento comum.
Eu acho que a explosão de aparelhagem, de câmeras e técnicas de trucagem (photoshops ou artimanhas simples do enquadramento, que, aliás, sempre houve) são um benefício para o fotojornalismo. Quando se quiser averiguar a factualidade de um registro será sempre fácil, os mísseis multiplicados do Irã e os bombardeios aéreos no Líbano, últimos exemplos mais flagrantes, foram desmascarados em pouco tempo.
A solução é deixar rolar, abrir as porteiras às fraudes, porque atrás delas sempre virão os que as identificam. Sempre haverá realidade.
Se estiverem preocupados com as imagens, eu continuo muito mais preocupado com os textos.
E fotógrafo é lá profissão? Acabou depois do advento do digital. E jornalista é um ofício em decadência, com a aparição dos blogs.
Profissão é médico, engenheiro e advogado.
MEU DEUS!!!!
Era tudo verdade!!!!! Por mais de 25 anos nos fizeram acreditar que era ficcao!!!!
http://current.com/items/89204971_death_star_over_san_francisco
Acudam-nos!
Arpex, não menospreze o convencimento que uma foto pode provocar na opinião pública. Volto ao exemplo da fotomontagem do Prestes segurando microfone para o Vargas. Prestes morreu negando a foto, inclusive relatou que só se encontrou duas únicas vezes com o ditador. Mas a foto é lembrada por seus detratores como verdadeira até hoje. Inclusive muito jornalista repete essa bobajada. Agora quando se pode desmascarar a farsa, às vezes a mobilização que a foto causou já passou. Foi o caso da patifaria no Iraque, que assistimos aqueles mísseis teleguiados acertando os alvos perfeitamente e de noite, sem matar civis inocentes. Depois, quando divulgaram o documentário sobre aquela operação, bem depois do fim da invasão, é que pudemos perceber a carnificina que foi. Mas aí já ninguém queria saber disso, a invasão havia sido vitoriosa. Foto não muda a determinação da farsa, mas pode servir para manipularmos facilmente.
Prestes e Getulio, Stalin e Lenin, bandeiras fincadas no topo de montes conquistados com sangue suor e lágrimas?
Estou preocupadomesmo é com o gol.
Antigamente a foto da bola batendo dentro do gol era prova cabal e definitiva do tento auferido pelo centro avante do glorioso Santos FC, o alvi negro da Vila Famosa, mais conhecida pelos pobres e míseros adversários de Alçapão da Vila, local aonde se curvavam a Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.
Zito e Mengálvio cuidavam do meio campo e lá atrás, Gilmar, Mauro, Ramos Delgado, Carlos Alberto, Lima, Rildo, e tantos outros craques formavam uma muralha intransponível.
Hoje, o editor de imagens põe a bola aonde ele quiser.
Se for corintiano, ou pior, flamengista, é certo que a bola vai ficar a metros da linha fatal.
Futebol á parte uma outra crise do fotojornalismo de ação é de uma simplicidade espantosa.
Os editores descobriram que é mais barato - e dá mais ibope - fotografar uma moça com um hotel no sobrenome e uma certa confusão na cabeça, descendo do carro sem calcinha, em frente ao restaurante da moda, do que a foto do primeiro tanque russo entrando em Gori aos tapas de pontapés.
Dái vem a época de ouro de Caras, Qem, Aonde, Contigo, Como, Por que? e outras revistas do genero que os espanhóis, mui apropriadamente chamam de ” prensa de corazón ”
Um comentário final.
Alguém precisa dar um toque amigo na redação de O Globo, prestigioso diário carioca, sobre o uso da expressão - fazendo história.
Pega bem quando diz que um cara ganhou 8 medalhas de ouro.
Pega mal quando diz que o Brasil ” faz história ” nas Olimpíadas!
E segue a matéria: É a primeira vez que a equipe de ginástica verde amarela fica em 17 lugar na classificação geral…
Wall….
abs a todos,
ma
” A Jamaica segue provando seu domínio nos 100 m rasos. Depois de Usain Bolt, com ouro e recorde mundial no masculino, o país conseguiu o pódio completo na prova feminina. A medalha de ouro foi para Shelly-Ann Fraser, que fez a distância em 10s76 e, com sobras, ficou com a vitória”
Ou seja, se Usain Bolt casar com a Shelly-Ann Fraser, nasce um cometinha futura medalha de ouro nas Olípiadas de Abu Dabi ( algué duvida? )
O garoto irá para o estádio olímpico para 100 mil pessoas, construido no alto de um gigantesco edifício de 204 metros de altura, despreocupado, cantado, no mais genuino estilo Reggae - don’t worry, be happy…
ma
Aproveitando que nosso querido Pedro Dória está sentado em cima de uma mala cheia demais, suando para fazer a dita cuja fechar, vamos ao um festival de offs!
Caso um dia eu seja eleito presidente das Olímpiadas minha primeira medida seria eliminar o ping pong dos Jogos.
Desde de quando isso é esporte?
E também a luta greco romana.
A uma ordem do juiz, um cara de 2 metros de altura e 140 quilos, se põe de quatro no tablado esperando o adversário montar em cima dele.
Literalmente.
uma coisa….
ma
Depois do Cielo ( nadei junto com ele, braçada a braçada - e sem respirar ) outra grande emoção foi assistir a alegria das australianas vencedoras do revezamento.
Alegria pura.
E o que dizer da beleza de outra australiana, a Rice, depois que tirou aquela ridídula touca e soltou os cabelos….
Coisa de louco!
Aliás, a Pelegrinni, da Itália, também não fica atrás.
Entrei ( epa! ) no site da moça…
Nunca poderia imaginar que uma nadadora pudesse ser tão sensual…
Ela é, e além disso, é meio loucurette.
Roubou o namorado da Manadou, grande esperança de ouro da Gália na natação feminina.
Resultado. A Manadou se perdeu e chegou em último lugar em uma prova.
Como é mesmo a história?
Infeliz no amor, feliz no jogo ?
De Marco, diretamente de Pequin/ Beijin, digitando da melhor mesa do Ao Cachorro de Ouro, o melhor restaurante dessa trepidante megalópole.
ma
Querem acabar com essa crise? Simples: PAREM DE MANIPULAR FOTOS EM FAVOR DE ÁRABES, POMBAS!
invasão de direitobas no domingo, como uma das sete pragas do Egito.
a sociedade mais uma vez construindo seus mitos. Agora, à base da ciência..que ironia!
BULLSH1T!!!
Isso não tem nada a ver com Photoshop, muito menos com milhares de fotos…
Ou podemos esquecer do ensanguentado Tuvia Grossman na capa do NY Times?
A coisa é mais simples:
Tendenciosismo, falta de profissionalismo e incompetência
Um blog direto de Cuba, bacana:
http://www.desdecuba.com/generaciony/
Blog bobinho e já conhecido. A autora tempos atrás fez um fuzuê se dizendo censurada,
Surf, Alba, continuo acreditando que uma foto só não afirma nada… A mentira no Prestes segurando microfone para o Vargas estava na articulação. Uma foto é incapaz de articulação. Uma foto não diz nada, o que diz é o que se escreve sobre ela, o que se lhe atribui, as diretrizes impostas.
O excesso de imagens (e das artimanhas de criação) é o próprio túmulo da fraude.
A realidade é a tela da percepção humana, a possibilidade de se afirmar algo apenas por uma imagem é, acho, impossível. Não se mente com imagem. Se mente com intenções. Picasso, por exemplo, não conseguiu se isentar da crítica interpretativa, ele que, aliás, agiu sobre a subjetividade da forma para se comunicar e mesmo assim não ficou impermeável a críticas e interpretações.
Às idéias há de se juntar muita mentira para que se consiga convencer com imagem (uma boa legenda, segundas intenções muito bem redigidas).
Quando a imagem pretende narrar uma realidade, será estudada com a ferocidade de quem domina o assunto: o humano, de cá de lá, d’acolá. Basta que um só aponte a fraude para que ela seja gritada, identificada com clareza, aí sim, irrefutável.
Na caverna de Platão, quando um neguim decifrou a sacanagem todos os outros (ainda que na histórinha não) identificaram a malandragem. Porq? Porque a realidade faz muito sentido. Muito mais sentido que o truque.
(obs:Ficaria muito surpreso se, apesar do desmentido, as imágens dos mísseis de terra iranianos fossem mesmo reais. Aí estaríamos perdidos..)
Arpex, gostei do seu desenvolvimento da argumentação. Pena que a Albita não voltou ao debate. Mas vejo diferente de vc. esse assunto. Acho que uma imagem pode dizer muita coisa e sem texto, basta lembrarmos de fotos que fizeram história, como a das crianças vietnamitas correndo nuas dos napalms. A conexão entre a imagem e idéia fica a cargo da própria sociedade, pois como já dizia o velho barbudo, só se coloca questões que possam ser respondidas, ou seja, se a sociedade vivencia uma realidade, a imagem é parte dela e nos conecta com as idéias sobre aquela realidade, ainda que sem texto. ë claro que a divulgação da imagem é o ponto crucial, pois como disse, ninguém quis ver escolas e hospitais de crianças bombardeados no Iraque pelas bombas inteligentes dos EUA, que inclusive fizeram um bloqueio cerrado contra a cobertura jornalística daquela invasão. Concordo contigo, que a realidade faz mais sentido do que o truque. Mas o truque pode funcionar até anos para ser desmascarado. Assim foi que até o final da queda de Hitler, a população lutou acreditando nas armas secretas que ganhariam a guerra para os nazistas. Foi tarde de mais a descrença naquele louco varrido e pagou-se com a destruição de Berlim. Não é tão fácil desmascarar uma farsa às vezes.
[...] procura um sinônimo para dantesco. [...]
Curioso nosso amigo Mr. X.
Ele duvida da imprensa porque ela teria afirmado que o pessoal da Geórgia matou 2000 ossetianos, mas os hospitais da região só registraram 44 mortos…
Por que alguém, seja russo, ossético ou geórgico, levaria um morto para um hospital? Mortos que os hospitais contabilizam são aqueles que lá chegaram vivos e não resistiram. Os defuntos incontestáveis são levados para o necrotério, quando não são simplesmente jogados na beira do caminho. Liga para aquela bicha lasvegasina do CSI que ele explica, em inglês e tudo mais.
[...] A crise do fotojornalismo [...]
Errol Morris sempre discute “a crise do fotojornalismo” (se bem que ele não colocaria assim…)
http://morris.blogs.nytimes.com/
Considero este o melhor blog do mundo. Ponto.
Entrevista de Cristiano Mascaro na Cult sobre o mesmo tema: http://revistacult.uol.com.br/website/site.asp?edtCode=0FC20C99-CF56-4F8C-8425-C026ADC05D4F&nwsCode=F2352081-8FDC-431A-8C20-D0C98948D93B
[...] A crise do fotojornalismo, de Pedro Doria, é essencial para entender a encruzilhada jornalismo fotográfico. Em Análise visual: o uso de fotos na Folha Online, a abordagem é mais prática. A natureza comunicacional da fotografia oferece um viés acadêmico sobre o tema, enquanto O fotojornalismo em Portugal, de Manuel Correia, dá uma perspectiva européia ao assunto. [...]