O jogo eleitoral dos EUA vai começar
No próximo dia 25, uma segunda-feira, acontecerá em Denver a Convenção Democrata para nomear seu candidato à presidência dos EUA. Ela se estende até o discurso final de Barack Obama, no Estádio Invesco, sede do time de futebol americano Denver Broncos. Na seqüência, dia 1º de setembro, é a vez dos republicanos realizarem sua convenção em Minessota, nas cidades gêmeas de Minneapolis e Saint Paul. Seguem até o dia 4.
Entre agora e o dia 25 – são 11 dias – Obama terá que determinar quem é seu candidato a vice. McCain tem até o dia 31. A imprensa norte-americana está entregue ao jogo de especulações. O de Obama deve ser anunciado primeiro. Será alguém escolhido por um de dois critérios. Ou um político com vasta experiência, para compensar a pouca do candidato, ou então virá de um dos estados mais disputados nessa eleição. O de McCain deverá ser jovem. Se for eleito, afinal, John McCain será o homem mais velho a tomar posse no cargo em toda história dos EUA.
Enquanto isso, as pesquisas saem uma após a outra. Ora um está à frente, ora o outro. McCain varia mais ou menos entre 40 e 45%. Obama, entre 45 e 50%. Às vezes, parece que o senador democrata tem uma vantagem superior a 10 pontos. Nunca é confirmado pela pesquisa seguinte. Outra, parece que McCain o ultrapassou. Aí também isso é desmentido. Quando os vices forem conhecidos, é possível que este limite pelos quais os candidatos balançam mude.
Pesquisas nacionais enganam. São irrelevantes.
Nos EUA, a eleição presidencial é indireta. Assim, cada estado realiza seu próprio pleito, com regras distintas e cédulas diferentes. (Sim, isso já deu problema na Flórida.) Ninguém tem dúvidas de que a Califórnia elegerá Obama, a quem concederá seus 55 delegados. John McCain pode também contar de saída com os 34 votos do Texas no Colégio Eleitoral. A maioria dos estados já se definem historicamente entre um partido e o outro. As pesquisas que realmente importam, portanto, são as pesquisas nos estados indefinidos.
Estados como, por exemplo, Ohio e Michigan. Ou a Flórida. Hoje, Michigan, com seus 17 delegados, se inclina pró-Obama. Ohio, logo abaixo, também. São 11 delegados. A Flórida, com 27 delegados, dá tênue vitória para os republicanos. Mas a Virgínia, tradicionalmente republicana, 13 delegados, empata. Outros com os quais os republicanos costumam contar, no oeste, são Colorado e Novo México, que juntos reúnem 14 eleitores, e estão pendendo para Obama. (É o eleitor hispânico que vem fazendo diferença.)
São estes estados que servirão de cenário para a luta mais árdua nessa eleição. É, principalmente, um cálculo demográfico. Ohio e Michigan, por exemplo, são estados industriais. Os operários brancos temem livre comércio e cobram ajuda do Estado na forma de pensões, querem seguro de saúde universal. É o tipo da coisa que favorece Obama. Mas são conservadores. Se incomodam com a disputa de mercado de trabalho com os migrantes hispânicos e, não custa lembrar, têm um pé no racismo. É onde McCain ganha vantagem.
Há um único lugar em toda a Internet na qual esse jogo demográfico estado-a-estado, pode ser acompanhado: é o site FiveThirtyEight.com, do estatístico Nate Silver. 538, do nome do site, é o número de delegados no Colégio Eleitoral. Ganha quem levar 270 – metade mais um. Nas contas de Silver, Obama teria hoje 49% dos votos válidos e, McCain, 48%. Mas, como número absoluto de votos não conta, o que vale é o resultado de estado em estado de acordo com os delegados respectivos, Obama tem 66% de chances de vitória.
Isso é hoje. Nada está de fato definido. E o jogo está para enfim começar.
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Mais difícil do que prever os resultados da estranhíssima eleição americana é conseguir descobrir uma diferença real, hoje em dia, entre republicanos e democratas. Pelo menos para nós, aqui de Pindorama, tal diferença não existe, nada vai mudar no trato dispensado aos países da América. Quanto ao resto do mundo, não sei não… o que eu sei, e aprendi isso lendo analistas estadunidenses que não temem dizer a verdade, é que o povão de lá que habita a meiuca entre as duas costas é fundamentalmente racista, não responde a pesquisas políticas e só vota quando se vê ameaçado. Por isso, Obama não será eleito e, se por um descuido qualquer ele for, corre sério risco de ser assassinado. Não porque vá mudar a política dominada pelo pessoal do petróleo e da indústria bélica, simplesmente porque é bronzeado demais para o gosto da rapaziada.
É, João.
Lendo tudo o que li até agora,tenho essa sensação também, principalmente com relação à tal diferença que você cita. Entretanto, quanto ao racismo, será realmente que chegarão a tanto? A imagem do país está bem rachada por aí. Não sei se arriscariam rachar ainda mais, pois, ficará explicito se acontecer.
Pois é Deise, não acho que o eleitor republicano, do interior do país, se importe muito com a imagem que passa pro exterior… Não concordo com vocês, acho que o Obama vai ganhar, não acredito em atentado, mas acho, sim, que o governo Obama vai sofrer oposição forte e o que sempre fortaleceu os EUA, a tal união patriótica, pode ser ameaçada. Mais um ponto pra quem aposta no declínio desse império. A conferir…
Caras Deise e Cintia.
No blog do Argemiro Ferreira, um dos nossos mais antigos e respeitados jornalistas, além de ser o correspondente que há mais tempo cobre os EUA, está resumida uma reportagem do Washington Post na cidade de Findlay, em Ohio, apelidada hoje, inclusive por decisão da Câmara dos Representantes, de Flag City, USA, pela quantidade de stripes and stars que tremulam no jardim dos moradores. Findley foi escolhida por ser uma epítome do “cinturão da Bíblia” do meio-oeste dos EUA. Conversando com diversos moradores, o repórter reuniu as informações que os Findleyanos (ou seriam flag-elados?) têm sobre Barak Obama:
Obama é muçulmano radical, é africano, não tem certidão de nascimento oficial, não jurou lealdade aos EUA, não põe a mão no peito e fica em posição de sentido quando ouve o hino dos EUA, quando fez o juramento no Senado colocou a mão sobre o Corão, estudou numa madrassa islâmica na Indonésia e, last but not least, Obama é gay.
Ohio, segundo a reportagem, é um dos “swing states”, aqueles que poderão pender para qualquer dos lados na eleição. Pelas “verdades” sobre o Obama ali conhecidas, é fácil ver para que lado o estado vai suingar. Aliás, já está comprovado que na segunda “eleição” de Bush houve fraude exatamente em Ohio, favorecendo, lógico, o Bushinho. Pelo visto Bush acha que swing é coisa de gay e resolveu garantir o resultado.
A título de ilustração, o Argemiro incluiu no tópico algumas imagens que podem ser achadas com a maior facilidade na Internet, como uma foto do Obama fazendo o juramento no Senado com a mão sobre a Bíblia, que sua esposa segura, com as filhas à frente, ou o vídeo de uma reportagem da TV estadunidense mostrando a escola onde o Obama estudou: é uma escola mista, onde meninos e meninas, com uniformes ocidentais de ginástica, brincam juntas no pátio, ou, com multicoloridas roupas igualmente ocidentais, acompanham as aulas dadas por professores e professoras. O diretor, entrevistado, informa que há aulas opcionais de religião aos sábados (exatamente o mesmo que as Sunday schools de, por exemplo, Ohio). Provavelmente os orraianos devem achar que essas imagens são coisa de comunista.
Na minha opinião o Obama vence por pequena margem (a baixaria republicana vai ser braba…), e vai fazer um governo menos progressista do que o esperado, porém anos-luz mais aceitável do que um hipotético governo McCain.
Cintia,
Também acho que o Obama ganha, e que seu governo vai ser uma labuta só. E não credito em atentado, como você, por isso a pergunta ao nosso amigo, se eles chegariam a tanto, mesmo com o racismo às alturas. Quanto à imagem, eu acho que pesa assim, em razão da atual situação mundial. Assassinar um branco, com os antigos presidentes, é uma coisa. Agora, matar um negro presidente, é ousadia demais até para os Estados Unidos. Não acho que arriscariam a tanto. O mundo vai gritar.
O que acha João?
Se é para brincar de bola de cristal, lá vai.
Mãe Dinah que me disse:
“faltando menos de uma semana para as eleições ocorrerão atentados de grandes proporções em diversas cidades dos EUA.
Será decretado estado de emergência, com postergação do porcesso eleitoral.
O Congresso, pressionado pela opinião pública quanto a gravidade da situação decidirá por adiar a eleição indefinidamente(até o fim do estado de emergência), dando poderes quase ilimitados a Bush.
Bush usará desses mesmos poderes e fechará o congresso. Substituindo-o por un conselho de pessoas de religiosos e militares, com maioria para os primeiros.
E a “maior democracia” se transformará numa teocracia.”
Alguém sabe quem foi o “gênio” que inventou esse complicado processo eleitoral americano?
Ele merece uma medalha de prata bem na testa.
Obama-Hillary, creio que essa chapa faria ainda mais história nas eleições americanas e acho que venceria tranquilamente.
Pelo tom do texto de Pedro Dória - e de alguns comentaristas - uma coisa fica clara: se Obama ganhar, tudo bem. Foi a vitória do Bem.
Se perder, foi o racismo.
Assim fica mais fácil, né?
Marco, amado.
Não é isso. É que um amigo aí em cima falou do racismo:
“Quanto ao resto do mundo, não sei não… o que eu sei, e aprendi isso lendo analistas estadunidenses que não temem dizer a verdade, é que o povão de lá que habita a meiuca entre as duas costas é fundamentalmente racista, não responde a pesquisas políticas e só vota quando se vê ameaçado. Por isso, Obama não será eleito e, se por um descuido qualquer ele for, corre sério risco de ser assassinado.”
É sobre isso que estamos falando.
Tentando responder aos caros colegas aqui do arraial do Doria que me citaram:
Deise, matar qualquer presidente dos EUA, o país mais poderoso da terra, é uma ousadia que ninguém acredita que alguém cometesse, mas já cometeram, cinco vezes. A última, então, em plena época da conquista espacial, eliminou na frente de todos, em plena rua, um presidente extremamente popular e charmoso como o Kennedy. O “sistema” imediatamente fabricou um “assassino”, um semi-retardado chamado Lee Oswald e uma comissão do Congresso, chamada Comissão Warren, imediatamente considerou que Oswald agira sozinho e não houve conspiração. Claro, pouco depois de preso e algemado, Lee Oswald foi providencialmente morto, também na frente de todos, por um policial texano, Jack Ruby, que mais providencialmente ainda, era um doente terminal que morreria logo depois.
Com o passar do tempo, o jornalismo investigativo descobriu que John Kennedy fora morto por um atirador da Máfia (nada a ver com aquele filme cretino do Kevin Kostner), que atirou pela frente do carro e não por detrás, o qual foi um dia depois “apagado” pela própria Máfia. As evidências eram tantas que na década de 70 uma nova comissão do Congresso anulou as conclusões da Comissão Warren mas, providencialmente, não determinou nenhuma nova investigação do assunto. Mais assustador é que poucos anos depois de matarem John Kennedy, mataram também seu irmão, Robert Kennedy, candidato à presidência. A autópsia oficial de Robert assinala que ele recebeu vários tiros pelas costas, mas a Justiça decidiu que o assassino único fora Sirhan Sirhan, que aparece nos filmes da cena claramente à frente de Robert, apontando-lhe o revólver. Sirhan era outro semi-retardado, que não conseguia dizer coisa com coisa e está, acho eu, até hoje preso.
Ora, como se vê, não só há conspirações para matar presidentes americanos como o sistema providencia que elas nunca venham à tona. E os que mataram os presidentes, fizeram-no por razões totalmente internas, caseiras, all american, sem a menor preocupação com o que o resto do mundo poderia pensar. Portanto, não me espantarei nem um pouco se quiserem apagar o Obama.
Marco, comecei meu palpite lá em cima dizendo que não vejo maiores diferenças entre os dois candidatos. Mas acontece uma coisa: o grande apoio à campanha de Obama vem de jovens idealistas, que se movimentam cheios de esperança no lema do candidato, MUDAR. Mas sabemos que nos EUA 50 % do eleitorado não vota. É uma grande massa de individualistas desconfiados, que vê com maus olhos qualquer político, acha que o governo federal conspira contra eles e que a débâcle de sua economia, o sumiço de seus empregos, deveu-se não à globalização, mas à ira divina diante da imoralidade reinante nas grandes cidades. São aqueles malucos perdidos nas pradarias ou escondidos nas montanhas. Essa grande parcela de gente, todos brancos, é fundamentalmente racista. Esses é que vão sair de casa no dia da eleição para impedir que um negro chegue à Casa Branca. Caso chegue, vai ser um deles que apertará o gatilho. Lembra-se do atentado em Oklahoma City?
Tchau e boa noite para todos.
Deise, queridíssima,
Kennedy era branco e levou um tiro, aliás, dois, em uma das cenas mais brutais que já assisti.
Seu irmão, Bob, com o mesmo tom de pele de Kennedy brother também foi assassinado.
Reagan, outro branco, foi baleado por que o assassino não conseguia namorar a Jodie Foster.
George Wallace, white, governador do Alabama, admirador da KKK, foi baleado.
E por ai vamos.
Pelo ( incompleto ) histórico acima nada impede que Barack, presidente ou não, sofra um atentado.
Mesmo que fique provado na justiça que o pobre Obama foi morto por sua mulher, Michelle, que descobriu que o marido a traia com a prima da Monica Lewinsky - para todo mundo será sempre ” um crime racista”
Obama tem o poder de transformar jornalistas sérios e pragmáticos em gatas em teto de zinco quente ( assim como Elizabeth Taylor no filme baseado na peça de Tennesse Williams )
Daí o radicalismo que já se explicita nestas páginas dorianas:
Bom+ a favor do Obama.
Mau + contra o Obama
è isso aí.
Aqui entre nós, mesmo com as gatas jornalisticas se derretendo por ele, caso Obama perca essa eleição, eu tenho a certeza do momento em que isso ocorreu:
Foi logo após o reverendo, até então amigo do peito de Obama, babar na gravata e gritar bem alto seu ódeio com aquele Deus dane a América!
Ora, depois dessa Obama só tinha uma saída.
O momento não permitia hesitações.
Ou ele estava de uma lado, ou do outro.
Asssim Barack deveria se enrolar na bandeira americana e cantar- eu disse cantar - e com lágrimas nos olhos - ao vivo e a cores, para toda nação, via TV, um emocionado Deus salve a América, Land that I love, My home sweet home.
Ele, em vez dessa demosntração de amor a pátria, sem restrições, piegas, mas que conquistaria mentes e corações do Alaska à Florida, passando pelo Meio Oeste, o candidato preferiu fazer um discurso falando da avozinha com medo… que as gatas logo transformaram em ” discurso histórico. ”
Tão ” histórico ” como a Globo classificou o último lugar do Brasil na ginástica de Pequin/ Beijin.
È isso ái, caríssima….
mil beijos,
ma
João Daltro, infelizmente digitei meu humilde comentário enquento você mandava bala no seu.
Sorry.
Aliás, mandar bala é apenas uma expressão….
Até por que deixei de amar loucamente a Jodie depois que soube que a menina preferia mulheres…que fazer?
Marco, meu rei.
É exatamente à isso que me refiro:
“Mesmo que fique provado na justiça que o pobre Obama foi morto por sua mulher, Michelle, que descobriu que o marido a traia com a prima da Monica Lewinsky - para todo mundo será sempre ‘um crime racista’.”
Por mais que saibamos de toda a “personalidade americana”, custa-me acreditar que cometeriam tal burrice, principalmente diante dos fatos mundiais, atuais. Seria muita estupidez. Mas… Não posso deixar de considerar que, em se tratando de quem, não deixa de ser possível, principalmente levando-se em conta a nobre explanação do nosso amigo Jonny aí em cima.
A eliminação de governantes, em qualquer escala, é passivel de ser entendida (não aceita, veja bem), se analisarmos friamente como funciona o sistema, exatamente como colocou o Jonny Boy (se me permitir chamá-lo assim, João Daltro). É o efeito dialética: usar o oposto do que quero para atingir o que quero. O mundo até faz vista grossa para isso. (Por gentileza, amigos do boteco. Essa é uma análise fria. Não me matem por causa dela).
Agora, não sei se o mundo ATUAL aceitaria uma eliminação racista tão facilmente assim.
Daltro,
Excelente. Obrigada.
PS.: Marco, é verdade sobre a Jodie? Que coisam, hem…
Obrigado, obrigado, obrigado. Esse 538 é o que eu queria. Sensacional!
Somos apenas bons amigos…
Obama-Biden, vem cá, os democratas não conhecem anagramas, poesia concreta, semiótica, trocadilho, não? Que coisa doida! Obama-Biden, e o secretário de segurança vai se chamar como? John Laden? Só pode.