O jogo eleitoral dos EUA vai começar

EUA · 14/08/2008 - 13h12 - 19 Comentários

No próximo dia 25, uma segunda-feira, acontecerá em Denver a Convenção Democrata para nomear seu candidato à presidência dos EUA. Ela se estende até o discurso final de Barack Obama, no Estádio Invesco, sede do time de futebol americano Denver Broncos. Na seqüência, dia 1º de setembro, é a vez dos republicanos realizarem sua convenção em Minessota, nas cidades gêmeas de Minneapolis e Saint Paul. Seguem até o dia 4.

Entre agora e o dia 25 – são 11 dias – Obama terá que determinar quem é seu candidato a vice. McCain tem até o dia 31. A imprensa norte-americana está entregue ao jogo de especulações. O de Obama deve ser anunciado primeiro. Será alguém escolhido por um de dois critérios. Ou um político com vasta experiência, para compensar a pouca do candidato, ou então virá de um dos estados mais disputados nessa eleição. O de McCain deverá ser jovem. Se for eleito, afinal, John McCain será o homem mais velho a tomar posse no cargo em toda história dos EUA.

Enquanto isso, as pesquisas saem uma após a outra. Ora um está à frente, ora o outro. McCain varia mais ou menos entre 40 e 45%. Obama, entre 45 e 50%. Às vezes, parece que o senador democrata tem uma vantagem superior a 10 pontos. Nunca é confirmado pela pesquisa seguinte. Outra, parece que McCain o ultrapassou. Aí também isso é desmentido. Quando os vices forem conhecidos, é possível que este limite pelos quais os candidatos balançam mude.

Pesquisas nacionais enganam. São irrelevantes.

Nos EUA, a eleição presidencial é indireta. Assim, cada estado realiza seu próprio pleito, com regras distintas e cédulas diferentes. (Sim, isso já deu problema na Flórida.) Ninguém tem dúvidas de que a Califórnia elegerá Obama, a quem concederá seus 55 delegados. John McCain pode também contar de saída com os 34 votos do Texas no Colégio Eleitoral. A maioria dos estados já se definem historicamente entre um partido e o outro. As pesquisas que realmente importam, portanto, são as pesquisas nos estados indefinidos.

Estados como, por exemplo, Ohio e Michigan. Ou a Flórida. Hoje, Michigan, com seus 17 delegados, se inclina pró-Obama. Ohio, logo abaixo, também. São 11 delegados. A Flórida, com 27 delegados, dá tênue vitória para os republicanos. Mas a Virgínia, tradicionalmente republicana, 13 delegados, empata. Outros com os quais os republicanos costumam contar, no oeste, são Colorado e Novo México, que juntos reúnem 14 eleitores, e estão pendendo para Obama. (É o eleitor hispânico que vem fazendo diferença.)

São estes estados que servirão de cenário para a luta mais árdua nessa eleição. É, principalmente, um cálculo demográfico. Ohio e Michigan, por exemplo, são estados industriais. Os operários brancos temem livre comércio e cobram ajuda do Estado na forma de pensões, querem seguro de saúde universal. É o tipo da coisa que favorece Obama. Mas são conservadores. Se incomodam com a disputa de mercado de trabalho com os migrantes hispânicos e, não custa lembrar, têm um pé no racismo. É onde McCain ganha vantagem.

Há um único lugar em toda a Internet na qual esse jogo demográfico estado-a-estado, pode ser acompanhado: é o site FiveThirtyEight.com, do estatístico Nate Silver. 538, do nome do site, é o número de delegados no Colégio Eleitoral. Ganha quem levar 270 – metade mais um. Nas contas de Silver, Obama teria hoje 49% dos votos válidos e, McCain, 48%. Mas, como número absoluto de votos não conta, o que vale é o resultado de estado em estado de acordo com os delegados respectivos, Obama tem 66% de chances de vitória.

Isso é hoje. Nada está de fato definido. E o jogo está para enfim começar.

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