A voz dos palestinos

Israel e Palestina · 13/08/2008 - 16h48 - 35 Comentários

Mahmoud Darwish morreu aos 67 anos. Era jornalista, político, fez parte da OLP e da Autoridade Palestina. Era poeta. Em julho do ano passado, falou em Haifa para milhares de pessoas que, por não caberem no auditório, assistiram de fora por telões. Foi a última vez que falou em público:

Acordamos de um coma para ver a bandeira monocromática do Hamas substituir as quatro cores palestinas. Triunfamos. Gaza agora é independente da Cisjordânia. Um povo que agora tem dois Estados, duas prisões e que sequer se cumprimenta. As vítimas se vestiram de executores. Triunfamos sabendo que foi o ocupante quem realmente venceu.

Precisamos entender, não explicar, de onde nasceu essa tragédia. Não é porque os jovens estão buscando lindas virgens no paraíso, como dizem alguns orientalistas. Nós palestinos amamos a vida. Se dermos esperança de uma solução política a eles, eles não vão mais se matar.

O sarcasmo me ajuda a lidar com a dureza da vida como ela é, alivia a dor das cicatrizes e tira sorrisos das pessoas. O sarcasmo não se dirige apenas à realidade de hoje em dia mas também à história. A história acha graça tanto da vítima quanto do agressor.

Seguirei humanizando até o inimigo. Minha primeira professora, que me ensinou hebraico, era judia. Minha primeira namorada era uma moça judia. A primeira juíza que me condenou à prisão era judia. Desde o início, jamais vi os judeus como demônios ou anjos, mas como seres humanos.

Seu enterro em Ramallah é um fenômeno, tanta a gente reunida.

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