Vladimir Putin mapeou tudo. Percebeu que os EUA, alquebrados pelo Iraque e Afeganistão, ainda desejosos do apoio russo para sanções contra o Irã, não tinham mais aliados na Europa e seguiam ambivalentes à crise no Cáucaso. Putin percebeu que o líder da Geórgia, Mikhail Saakashvili, apesar de seu pendor nacionalista, era o presidente fraco de uma democracia com Forças Armadas frágeis. Olhou o mapa da Geórgia e viu um país engolfado pela Rússia e o Ocidente lá longe. Ali é diferente dos Bálcãs, que têm a boa sorte de fazerem fronteira com a Europa Central e, portanto, terem a sorte de contar com envolvimento da OTAN. No Cáucaso, os vizinhos são Rússia, Irã, o naco mais pobre da Turquia e o Mar Cáspio.
Putin olhou e se moveu. Liberou a Ossétia do Sul, um estado sob o domínio de gângsters e contrabandistas, do frágil poder militar da Geórgia. Fez o mesmo em Abecásia, outro estado da Geórgia. Segundo as últimas notícias, as forças russas já controlam uma base militar no leste do país e parecem dispostos a manter o controle militar em toda região na qual o poder central é fraco. Ao cortar a Geórgia ao meio, os russos controlam o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, crítico para a energia do ocidente, fazendo com que o Kremlin passe a decidir o fluxo de combustível para o Mediterrâneo e Europa. Norte-americanos e europeus vão querer sentar à mesa, e a Rússia fará concessões. Mas farão isso de uma posição de força. A Geórgia provavelmente nunca mais terá um governo independente como aquele que teve até 8 de agosto de 2008.
É o que diz Robert Kaplan, um dos grandes especialistas na região, no blog da Atlantic Monthly.






71 Comentários até agora ↓
1 Nhé! // 12/August/2008 às 16:49
Vem aí mais problemas… putz!
2 Caiena // 12/August/2008 às 17:18
a Chechênia vai poder se separar? ou vem mais opressão no pedaço? é o que parece.
3 Diego // 12/August/2008 às 17:20
Tudo por petróleo.
Esse Putin também não é flor que se cheire.
4 Jorge Maia // 12/August/2008 às 17:25
Caiena, Kosovo foi o precedente. A Ossetia era uma questão de tempo. Isto mostra que enclaves em Estados pequenos/fracos podem se separar caso tenham aliados poderosos. OTAN no primeiro caso, Rússia no segundo.
Não é o caso da Chechênia.
5 Radical Livre // 12/August/2008 às 17:25
Putin não vale nada, realmente. Porém, é malandro pacas.
Os russos nunca engoliram o que aconteceu lá durante o governo do Yeltsin, quando a Rússia praticamente sumiu do mapa do poder mundial.
Putin colocou a Rússia novamente neste mapa e agora, com este movimento, dá todos os sinais de que sua paciência com o ocidente se esgotou. Moveu suas peças, deu xeque mate.
O pessoal que torcia pelo bombardeamento do Irã até o final do ano vai ter que esperar mais um pouquinho…
6 Questão energética motivou a invasão da Geórgia pela Rússia « Blog de André Abreu // 12/August/2008 às 17:27
[…] Leia mais aqui. […]
7 Renato // 12/August/2008 às 18:00
Bem, pela descrição foi uma jogada brilhante, goste-se do resultado ou não.
Aproveitaram alguns precedentes, e a oportunidade dada de bandeja pela Geórgia fizeram seu movimento.
Mas só um detalhe que o analista passou batido. Não foi a Geórgia que atacou primeiro?
8 MaGioZal // 12/August/2008 às 18:29
A única saída para a Geórgia agora seria deixar a Abkházia e a Ossétia do Sul irem embora para que, mesmo sem esses territóries, ela entre na OTAN. Hoje no site da Radio Free Europe o secretário-geral da OTAN já disse que a Geórgia continua candidata a entrar no bloco, apesar de tudo e de todos.
O 1º Mundo calculou terrivelmente mal a ameaça russa. Todos tinham em mente que os tempos de Brezhnev e Andropov não voltariam nunca mais, mas voltaram — o processo começou a passos elntos, quando os EUA ainda estavam se engasgando da poeira do 11 de Setembro, e foi concluído em 2004, com o decreto que centralizou todo o poder da Rússia em Moscou.
Claro, a Rússia já não é mais comunista, mas quem disse que ditaduras capitalistas são menos perigosas que as socialistas?
Outra coisa: a Rússia NÃO IRIA e NÃO VAI apoiar os EUA em NADA que seja do interesse da Casa Branca. A Rússia, por exemplo, é na prática muito mais aliada do que inimiga do Irã, e pessoas cantando a bola de que uma aliança Moscou-Teerã seja possível no futuro já começam a aparecer.
Assim como os Beatles, o sonho da Rússia amiga do Ocidente acabou.
9 Zé Bush // 12/August/2008 às 19:04
well…a bem da verdade, Georgia e outras ex-republiquetas soviéticas nem podem ser consideradas exatamente países. Quando muito, regiões com autonomia limitada e um tanto flexível. Dependem em quase tudo do poder central russo e são área de influencia exclusivamente russa.
Algumas ex-repúblicas sobrevivem exclusivamente por uma tolerancia do poder central russo. Ficam ali, comportadas e caladinhas. E se mexer, papai dá uma palmada.
10 Douglas // 12/August/2008 às 19:15
PD,
Acabei de ver esta notícia, sobre tentativas de derrubar servidores na Geórgia: http://www.nytimes.com/2008/08/13/technology/13cyber.html?em .
Não se pode dizer com certeza que tenha havido envolvimento russo nisso, e nem mesmo que seja um fator importante no caso, mas é uma arma a ser considerada no futuro (possivelmente nem um pouco distante), especialmente em países onde a Internet tem penetração muito maior.
Outro detalhe bacana na matéria é que o Ministério de Relações Exteriores da Geórgia tem um blog: http://georgiamfa.blogspot.com/. Resultado da dependência de Rússia e Turquia para conectar-se à Internet.
11 Daniel Soares // 12/August/2008 às 19:16
Tem razão o Jorge Maia, no #4.
12 marco // 12/August/2008 às 19:34
É tão absurda essa invasão da Ossétia pelas tropas da Georgia que alguém, um pouco mais cínico, poderia imaginar que o Presidente da Geórgia é na verdade um agente de Moscou.
Caso o sujeito seja apenas um idiota que tinha a certeza do apoio incondicinal da Europa e EUA em sua cruzada brancaleone, contra a poderosa Russia, deveria ser colocado para fora do poder de seu país a tapas e pontapés.
E internado num hospício.
Camisa de força e 300ml de Frontal na veia.
As grandes potências se entendem - ou não- entre elas.
Caso parecido ocorreu na Crise de Cuba.
Fidel gritava Guerra! enquanto os lideres dos USA e URSS conversavam tete a tete sem dar pelota para o barbudo psicopata.
Se acertaram, inclusive na Turquia, e deixaram o ditador falando sozinho.
Melhor retirar esse sujeito de cena.
Ele é doidão.
ma
13 marco // 12/August/2008 às 19:38
Assim como os Beatles, o sonho da Rússia amiga do Ocidente acabou.
MaGioZal
E a Yoko Ono, quem diria, acabou nos Cárpatos.
Onde atende pelo nick de ” Georgia”
ma
14 Arpexepra // 12/August/2008 às 19:40
Boa tradução, mas… meio chiliquento esse Robert Kaplan, não?
A nova Rússia de Medvedev fazendo a Europa refém?
15 Brancaleone // 12/August/2008 às 20:00
Tô A-DO-RAN-DO!!!!!!!!
Que bom que agora tem outra nação poderosa invadindo país fraquinho!!!.
Aquela turminha que já tem o discursinho anti-eua prontinho só precisa preencher as linhas pontilhadas e onde escreveriam EUA agora poderão escrever Rússia!!!
Quem sabe separem os ovos e tomates em dois montinhos: Um para o Bush, outro para o fantoche do Putin…
Bom né, tem aqueles comunistóides que ainda consideram a Rússia um “resultado” do comunismo e portanto meio liberada para fazer o que quiser, mas isso é mais patológico que ideológico…
Estou feliz. Os EUA não serão assim tão apedrejados. Tem mais um judas no pedaço…
16 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 20:57
Gente, ninguém lembra que foi a GEÓRGIA que começou a atacar e que a Rússia teve que organizar uma ofensiva de última hora (até o NYT deu isso!!)? Foi, de fato, uma jogada equivocada do presidente georgiano e da diplomacia “cowboy” dos EUA! Vejam a declaração do vice Cheney, que queria tropas americanas lutando contra os russos! Por ele, já estávamos em pleno holocausto nuclear. Mais: circula na web uma historinha de que o vice dos EUA teria autorizado um bombardeiro (B-52) a levantar vôo com ogivas nucleares em missão não prevista e não especificada, ação que foi “brecada” pelos próprios militares americanos…Pô, o dono da Halliburton! Pra ver tem que enxergar!
17 Hugo Albuquerque // 12/August/2008 às 21:11
Liberou a Ossétia do Sul, um estado sob o domínio de gângsters e contrabandistas.,
Mas esses russos são uns canalhas! E esses ossetas meridionais também. São controlados por gângsters e contrabandistas, veja só!
Ainda bem que tem Geórgia para invadir e dar uma lição nesses caras. Só que tinham os russos… argh… os russos, esses fariseus, para fazer isso e invadir tudo, que mundo, que mundo.
18 Proftel // 12/August/2008 às 21:26
Já tiraram uma onda na minha cara porque volta e meia leio o Pravda.
Taí.
Numa analogia com o corpo humano, os EUA em materia de armamento estão sempre no tratamento genético, procuram não envelhecer com isso.
Os russos envelheceram mas não largaram a academia, pararam de fumar, bebem pouco e, com isso ainda dão umas porradas boa, fora o viagra dos mísseis e ogivas nucleares que ainda dão prô gasto e podem fazer um puta estrago.
hehe
19 Proftel // 12/August/2008 às 21:27
porradas boa = porradas de boa
20 Proftel // 12/August/2008 às 21:29
Uai, tô com um comentário bloqueado, aviso de que há dois links, pô, não tem nenhum, só meu nick.
:-/
21 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 21:45
Reavaliando um post anteriormente colocado por um dos debatedores: quando se fala de loucos, sempre se aponta o louco da casa do lado. Ou seja, em nossa casa não tem doido: só “diferente”, “estranho” e etc. É da natureza humana proteger os próximos, em detrimento dos mais distantes. Mas chamar o Saakashvili de louco e poupar o Dick Cheney - depois das sandices que ele disse, de “responder à altura” da ação russa - isso pra mim beira a negligência.
22 Fabio Passos // 12/August/2008 às 22:07
(S)Urge um mundo multipolar…
prestem atenção na importância da diplomacia neste novo contexto… como canal adequado para o jogo de interesses e expressão do poder.
será interessante acompanhar a reação do império. por hora continua assustador e absolutamente irresponsável… como bem relatou o Waldyr.
23 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 22:39
E não só isso: veja como foi - e continua sendo - parcimoniosa e tendenciosa a cobertura de TODAS AS MÍDIAS de nosso País: tropas russas foram vistas nas cidades de Poti, Zugdidi, Senaki (todas na região oeste da Geórgia), Gori (na fronteira com a Ossétia do Sul) e Tskhinvali (esta última dentro da Ossétia), mas NENHUMA PRÓXIMO À CAPITAL, TBLISI. Mas a ênfase de nossa mídia (que repercute a opinião estadunidense) é de que as tropas russas fizeram uma ação “desproporcional” e ameaçaram a integridade da capital e da nação georgiana. E o Iraque, foi proporcional? Aliás, quando alguém conseguir me explicar - com propriedade - o significado de “ação ou reação proporcional”, eu juro que vou dar um prêmio pro cara! Mas fiquemos atentos à nossa mídia, e vejamos as discrepâncias como sinal de tendenciosismo…
24 O Espezinhador // 12/August/2008 às 22:45
Uma grande potência militar invade um país pequeno e distante sob o pretexto de protegê-lo. Mata milhares, derruba um governo de uma nação soberana e abiscoita uma boa reserva petrolífera. Estamos falando de EUA e Iraque? Não! Falamos de Uni… Ops, digo, Rússia e Geórgia.
Por isso a esquerdalha tá calada, por isso não se viu nem uma mísera passeata mundo adentro e não se vêem editoriais pomposos e articulistas histéricos nos jornais da vida.
25 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 22:47
Tem outra…
Ninguém vai falar da atitude covarde dos georgianos, quando - enquanto pediam assitência internacional e um cessar fogo sob bandeira branca - reagruparam e contra-atacaram as forças russas? O Pravda e o Times, de Londres (é bom ler de fontes que não sejam as mais comuns por aqui) disseram que isso foi obra dos consultores americanos, mas aí eu acho um pouco duvidoso, também. Porém, fica a pergunta: qual é, hoje, o significado da bandeira branca e da cruz vermelha (vilipendiada na ação colombiana de resgate dos reféns das FARC) nos conflitos armados da era pós-moderna? Seriam só blefe?
26 O Espezinhador // 12/August/2008 às 22:48
Waldyr Kopezky, vou te explicar o que é uma ação desproporcional: Quando Israel e EUA estão envolvidos, é uma ação desproporcional e pronto! Quando é a ex-União Soviética em busca de mais petróleo ou algum paiseco islãmico a massacrar alguns infiéis, aí é uma reação justa, limpa e — por quê não dizer? — justa, capice?
27 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 22:54
Espezinhador, não falemos de dicotomias ou polarizações. O mundo é cinza, e não preto-no-branco…Falemos de interesses: o que interessa aos EUA e o que interessa à Rússia. Esta última tinha necessidade de um conflito armado? Não, tinha uma posição confortável em uma mediação entre os separatistas e os georgianos. E os EUA, tinham interesse? Sim, o de medir as forças (de influência, inicialmente) de um provável oponente em um teatro de ações bem próximo ao Iraque e a uma das maiores bacias petrolíferas do mundo: o Mar Cáspio e o oleoduto Baku-Tíflis-Ceyhan. Só que não contavam com um presidente trapalhão como o Saakashvili…
28 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 22:59
Espezinhador, gostei da tua franqueza na resposta: no meu entender, NENHUMA AÇÃO É PROPORCIONAL, porque não podemos medir a desgraça e a miséria alheias. Soa pouco prático e muito filosófico, mas é nisto que me agarro. Pra contextualizar: posso entender a primeira guerra do Golfo - e até aplaudir a ação do Bush pai -, mas me soa totalmente injustificada a segunda de Bush Jr.
29 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 23:18
Pra encerrar momentaneamente minha participação: gostei da discussão, mas queria ver mais polêmica! Só o Espezinhador interveio, e eu gosto de trocar idéias, já que as minhas podem parecer - mas não são! - verdades absolutas. Sou jornalista (como o Pedro Dória, já trabalhei no Estadão) e sei como visões de diferentes pessoas e ângulos são significativos para que a verdade venha à tona. Abraços a todos!
30 Fabio Passos // 12/August/2008 às 23:28
Lá no Azenha tem um artigo sensacional sobre o novo mundo que alguns custam a entender…
César Benjamin e as Olimpíadas da China
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/cesar-benjamin-e-as-olimpiadas-da-china/
um simancol bem dado.
palhinha…
”
As civilizações ocidentais, como se sabe, só usam a violência em benefício das vítimas. Reduzimos os índios do Novo Mundo à servidão, mas foi para cristianizá-los. Escravizamos os africanos, mas foi para discipliná-los pelo trabalho. Estamos massacrando os iraquianos, mas é para ensiná-los a ser livres…
”
e aqui sobre a porcaria da mídia-corporativa brasileira…
”
Repórteres monotemáticos escrevem todos os dias sobre falta de liberdade de expressão, carregando nas tintas, para cumprir a pauta que receberam dos chefes. Se não a cumprirem, serão demitidos. Defendem, pois, uma liberdade que eles mesmos não têm. ‘Os chineses estão perplexos com tantas manifestações contra o seu regime em todo o mundo’, escreveu um deles, sem se importar com o fato de que em nenhum lugar tem havido nenhuma manifestação relevante.
Perplexos estamos nós, pois a China não nos obedece mais….
”
E já passou da hora de o Brasil parar de obedecer o Tio Sam também… colonizados.
31 Fabio Passos // 12/August/2008 às 23:32
Quando Waldyr voltar espero que explique esta conversa de aplaudir Bush 1…
Que vergonha.
Atacar um país e submeter todo seu povo a um bloqueio insensato porque seu presidente ousou cometer crime de patriotismo.
32 Brancaleone // 12/August/2008 às 23:38
Fábio Passos - 22
Comentário totalmente previsível.
Na opinião dêle, a Rússia NÃO é mais um agressor, mas sim uma espécie de antídoto aos EUA…
Como eu digo ( e escrevo) sempre, isso deve ser um dos ápices do cúmulo do supra sumo do máximo do relativismo…
33 MaGioZal // 12/August/2008 às 23:41
Russians were told that Finnish Foreign Minister Eljas Erkko had made a speech at Helsinki in which he denounced “Russian imperialism” and cried, “There is a limit to everything. Finland cannot accept the proposals of the Soviet Union and will defend her territory and her inviolability and independence by all means!” Pravda headlined its story ERKKO INCITES TO WAR!, editorialized that this speech “cannot be understood except as an appeal for war against the Union of Soviet Socialist Republics.”
(…)
Meanwhile in Moscow restaurants and on streetcars Soviet citizens could be heard remarking to each other with guffaws, “This Finn has gone mad. He is threatening to hurl a nation of 3,000,000 people against our 180,000,000!”
1939.
A Finlândia perdeu uns nacos de território no processo (Petsamo, Lago Ladoga), mas até que hoje em dia ela não está mal não…
34 Brancaleone // 12/August/2008 às 23:42
Ué? agora cunfundi tudinho…
Num era os EUA que invadiram o Iraque prá ficá cô petróio dêles?
I num é qui agora os Ruço envadiram a Giórjia prá capá um tal de olhoduto que vai lá prás Ôropa…
Êta mundão né? É facinho di intendê, so num vê que é mesmo bem burrinho…
35 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 23:44
Tou de volta, porque não “guento” um bate-papo…
Fabio, esse negócio de esquerda e direita, democracia e totalitarismo, livre-mercado e protecionismo estatal, EUA e Rússia, é tudo papo furado, pra mim. Se existe uma coisa certa é a lei da AÇÃO E REAÇÃO: o Kuwait foi atacado e uma coalizão foi feita para libertá-lo. Justo, e ponto. Agora, se o Saddam havia montado um aparato militar com ajuda dos EUA, se o Afeganistão manteve o regime Taleban graças a uma mãozinha norte-americana na guerra com a União Soviética, se a miséria dos povos árabes (e seu fanatismo religioso) existe graças à manutenção de uma elite petroleira vendida aos interesses ocidentais (olhe aí o Brasil e a elite agrária!) isto é outra história, que também não escapa à lei da ação e reação. Porque os EUA estão colhendo o que plantaram. E vão se esvair nela, tenha certeza. Não que se goste ou desgoste deles, mas é o cenário que temos à frente.
36 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 23:51
Fabio, outra coisa: patriotismo, religião, ideologia, são construtos humanos, e desvinculados do contexto das pessoas reais podem ter consequências trágicas. Quantas pessoas não foram queimada na fogueira pela fé do Cristianismo? Quantas meninas não foram queimadas com napalm no Vietnã em prol da democracia e da liberdade? Quantos russos brancos (monarquistas) não foram exterminados na Revolução Comunista, por uma sociedade justa e igualitária? Pelo patriotismo, então, todo dia os EUA inventam uma! Idéias assim podem matar!
37 Radical Livre // 12/August/2008 às 23:51
Essa é de um outro Kaplan, Frank Kaplan, na slate de hoje:
It’s heartbreaking, but even more infuriating, to read so many Georgians quoted in the New York Times—officials, soldiers, and citizens—wondering when the United States is coming to their rescue. It’s infuriating because it’s clear that Bush did everything to encourage them to believe that he would. When Bush (properly) pushed for Kosovo’s independence from Serbia, Putin warned that he would do the same for pro-Russian secessionists elsewhere, by which he could only have meant Georgia’s separatist regions of Abkhazia and South Ossetia. Putin had taken drastic steps in earlier disputes over those regions—for instance, embargoing all trade with Georgia—with an implicit threat that he could inflict far greater punishment. Yet Bush continued to entice Saakashvili with weapons, training, and talk of entry into NATO. Of course the Georgians believed that if they got into a firefight with Russia, the Americans would bail them out.
se alguém se dispuser a traduzir, a tese dele é que o governo Bush deu corda total ao saakashvili. E este, e todo o povo da Geórgia, caiu nesta conversa.
o artigo está aqui:
http://www.slate.com/id/2197281/
38 Radical Livre // 12/August/2008 às 23:52
como é que faz itálico e negrito aqui? ou coloca com citação?
39 Waldyr Kopezky // 12/August/2008 às 23:54
Radical Livre, eu também num sei. Só coloco aspas, e pronto…
40 Fabio Passos // 13/August/2008 às 0:02
Waldyr,
Não sei se tudo tudo tudo é um papo furado, mas a coalizão ocidental que foi defender o Iraque não foi defender uma nação seu povo… foi defender seus interesses. Os verdadeiros crimes de Saddam, aos olhos (bolsos?) da coalizão ocidental, não foram as barbaridades que cometia contra as minorias e até contra a maioria que subjulgou. O crime foi mexer com os interesses do império e seus aliados na governança global… chega de império.
41 Fabio Passos // 13/August/2008 às 0:13
Os EUA insuflaram a Geórgia até a promover uma limpeza étnica. Leiam o marco e o esquema do velhinho e as maçãs.
Trata-se de uma ditadura global. Brutal e irresponsável. Absolutamente incapaz de promover sozinha uma governança saudável.
Os EUA tem de aceitar sua incapacidade. A ganância ilimitada e a brutalidade ultrapassaram todos os limites.
42 Waldyr Kopezky // 13/August/2008 às 0:13
Concordo, Fabio. O interesse moveu a guerra. O ocidente e os EUA só se mexeram porque afetava o fornecimento de petróleo. Por isso eu sempre pensei não no certo ou errado das coisas, mas nas intenções por detrás das ações. Sob esta ótica minha primeira opinião foi simplista e equivocada, porque não levou em conta tais interesses escusos, só a justificativa para uma reação armada à invasão do Kuwait. Tã vendo porque é boa a conversa?
43 Waldyr Kopezky // 13/August/2008 às 0:20
Mas não se deixe enganar por isso: não há “grandes diabos”, “impérios do mal”, adversários eternos odiosos e ressentidos que nos invejam e querem acabar conosco. Há INTERESSES e GRUPOS, e eles existem em todos os países, todos os lugares. Lá e aqui. O joio só cresce em meio ao trigo. Nenhum ambiente é totalmente bom ou ruim, nenhuma pessoa é totalmente boa ou má. Isso não é relativização, é a mera constatação da realidade. Até porque eu acredito em um mal absoluto, tanto quanto em um bem absoluto. Mas não aqui.
44 Fabio Passos // 13/August/2008 às 0:24
Olha só a franqueza de um sujeito que, a despeito de suas convicções ideológicas absolutamente antagônicas as minhas, sabe muito bem como as coisas funcionam…
”
Como era o Saddam Hussein?
Pessoalmente eu tive pouco contato com ele, mas era uma pessoa afável e educada.
Quais as perspectivas para o Iraque com a morte de Saddam?
O caos. Ele era o homem que segurava o Iraque assim como segurava o Oriente Médio todo. Ele foi condenado pela morte de 150 pessoas, e o Bush? Quantas pessoas matou? Quem vai enforcá-lo?
”
Brigadeiro Hugo de Oliveira Piva
http://www.ita.br/online/2007/itanamidia07/jan07/vale07jan07.htm
Piva é um gênio que, demonstrando a capacidade brasileira, colocou o império de cabelos em pé…
45 Fabio Passos // 13/August/2008 às 0:27
Waldyr,
também não tenho o costume de acreditar em santos.
Mas não tenho nenhum receio em fazer minha escala e apresentar meus pontos de vista.
46 Waldyr Kopezky // 13/August/2008 às 0:36
E isto é bom, não é ruim, Fabio…A gente pode e deve ter opiniões, defendê-las com firmeza e saber aceitar quando erra. Eu errei naquele exemplo, e admiti. O que me preocupa, porém, é a busca da essência, passando por cima da aparência. Voltando pra aquilo que você pontuou: os últimos 60 anos foram de uma presença, digamos, “nefasta” dos EUA. Concordo em gênero e grau. A justificativa histórica deles para serem maus é de que eles combatiam um “mal maior”: a URSS e o comunismo (comiam criancinhas, lembra?). Você, por acaso, conhece a teoria da “Mão Esquerda de Deus”? Eu conto no outro post.
47 Waldyr Kopezky // 13/August/2008 às 0:44
Esta teoria (que na verdade é a teoria da “Legião do Braço Esquerdo de Deus”) diz que - quando da rebelião de Lúcifer nos céus - Deus não usou suas hostes para confrontar os rebeldes demoníacos. Ele criou demônios para lutar contra os próprios, ou seja, para poderem fazer o mesmo jogo sujo, já que os anjos não faziam maldades. Parábola, fantasia, ficção ou revelação, pense o que quiser, mas a mim parece que o homem sempre coloca o Divino e o Extraordinário com características muito humanas. Um reflexo dele mesmo. Por esta história buscou-se justificar a existência de um “Governo das Sombras” nos EUA, um governo dentro do governo que, no final, justifica também a teoria do “Destino Manifesto”. Essa você deve conhecer.
48 Waldyr Kopezky // 13/August/2008 às 0:55
Para falar sobre o Saddam: o Piva sabia do contexto do Oriente Médio à época, previu o caos da ocupação e do vazio sem a liderança do Saddam. Isto está claro. Mas deixa eu te perguntar uma coisa: em sua opinião, a queda dele foi boa, ou teria sido melhor ele ficar? Qual teria sido o mal menor?
49 Waldyr Kopezky // 13/August/2008 às 0:57
Eu te fiz a pergunta no post anterior porque eu busco uma pergunta que não quer calar: o que é o Mal?
50 Waldyr Kopezky // 13/August/2008 às 1:08
Abs a todos. Até.
51 Fabio Passos // 13/August/2008 às 1:28
Waldyr,
Muito interessante mas escapa um pouco ao meu entendimento. Não sou dos mais eruditos.
Como não aceito que meu semelhante possa ser um demônio, ou santo… e não acredito em destino privilegiado para alguns e em destino que não possamos alterar, prefiro sua sugestão de discutir na base do ação e reação.
Entendo com mais facilidade o que é concreto.
Penso que uma boa pergunta é…
Que espécie de reação esta diminuta minoria genocida, que controla este império nefasto e espalha o horror por todo o globo, poderia esperar dos demais povos do mundo?
Admiração?
ou ódio e desprezo?
E aquelas pequenas minorias, ainda mais diminutas, em nações periféricas, aliciadas pelo império e que escravizam seus povos para usufruir de gordos dividendos (subornos?) e privilégios injustificáveis… que reação esperam?
Vou dormir que estou precisando.
Excelente papo…
52 Fabio Passos // 13/August/2008 às 1:37
O mal menor?
Bush x Saddam… parada dura.
O Iraque, mesmo após a terrível guerra contra o Irã (já a mão nefasta do império…), era seguramente uma sociedade muito mais avançada do que é hoje. Hoje é terra arrasada.
Alguém discorda?
Noite…
53 Legal » Blog Archive » Rússia, Geórgia e Ossétia do Sul // 13/August/2008 às 6:38
[…] para entender um pouco melhor a história por trás da história, o sempre antenado Pedro Dória trouxe um trechinho sobre todo esse imbróglio em Ossétia do Sul escrito pelo especialista daquela […]
54 Credun Fas // 13/August/2008 às 8:31
eu acho que o Kaplan, de quem eu sou um declarado fã já sacou o fio da meada…
Quem sai f*dido dessa história não são os EUA mas a UE… cada vez mais sufocada por recursos, afinal, bem ou mal, os EUA estão em uma postura mais agressiva garantindo o que não é deles no Oriente Médio e no resto da ásia Central… já a Europa tadinha, comprou as idéias cretinas do Solana… já já os italianos estarão passando fome.
55 HRP Simple // 13/August/2008 às 8:42
Estou preocupado pacas com isso tudo aí…….BUUUUUUUUUU…..ENQUANTO ISSO POR CONTA DO MERCADO FUTURO nossos grãos sofreram uma maxi desvalorização por conta da falta de planejamento dos grandes agricultores…..crise agricola a frente!
Essa sim péssima para o país!
56 PICTURAPixel - Bloco de Notas » Deu no Público… // 13/August/2008 às 9:50
[…] Continue a ler aqui. […]
57 anrafel // 13/August/2008 às 11:39
O resultado já era previsto, nenhuma surpresa. Se o presidente da Geórgia, de tanta incompetência, agiu como um agente russo, também nenhuma novidade - Saddam Hussein, quando invadiu o Kuwait, comportou-se como um agente, provocador, da CIA e entregou o Kuwait de bandeja para os EUA.
E outra: a Rússia, seja como ditadura socialista, ditadura máfio-capitalista ou oligarquia pós-bolchevique, jamais será ‘amiga’ dos Estados Unidos ou Europa. Ela possui os enormes interesses inerentes a uma potência geográfica e militar.
Não recuperará a influência no leste europeu, mas quanto às repúblicas que formavam a União Soviética, é melhor não se meter. Questão de geo-política, determinismo geográfico, segurança do estado russo, o que for.
O mundo não é do jeito que queremos, mas temos que pensá-lo a partir do que existe. Gostemos ou não.
58 José Murilo // 13/August/2008 às 15:52
Uma abordagem diferente e ousada do Evgeny Morozov no ‘Open Democracy’ fala da guerra Georgia / Russia como o primeiro ‘user-generated conflict’ (guerra gerada por usuários da web), regado a nacionalismo digital. Trata-se de algo na linha do que ele já vinha apresentando na ‘Economist’. Apesar de considerar a argumentação instigante, creio que ele força a barra para provar o ponto. Que acham?
59 r // 13/August/2008 às 19:26
gostei da epifânia deste artigo no WaPost, Os Tambores da Mudança
“Na última sexta-feira o mundo mudou, com dois novos participantes bem diferentes - a abertura das olimpiadas e a invasão da Georgia - China e Russia puseram todos alertas de que as relações de poder do passado foram embaralhadas e que formidáveis novos poderes estão desafiando a ordem estabelecida.”
(New American Century My Ass)
o artigo do Douglas, #10, é bem bom tb… é o primeiro registro de guerra convencional e cibernética conjunta
60 r // 13/August/2008 às 19:30
(leia-se “o artigo que o Douglas indicou)
e, diga-se de passagem, a cena underground cibernética russa é sinistrose total
61 João Daltro // 13/August/2008 às 23:10
Chamar Robert Kaplan de “um dos grandes especialistas na região” só pode ser ironia do Pedro Doria. O rapaz fez turismo por aquelas plagas, escreveu três livros sobre as mesmas que encalharam nas livrarias e só se tornou conhecido porque fotografaram o Clinton com um de seus livros debaixo do braço. Ou seja, seus livros têm mesma importância do famoso charuto daquela estagiária baranga.
Chamar o Saakashvili de “presidente fraco de uma democracia frágil” e a Ossétia do Sul de “estado dominado por gangsters e contrabandistas” dá bem idéia da isenção e do equilíbrio de tal analista, cuja escola como jornalista foi a notória Reader’s Digest. Melhor seria ouvir o pessoal do pentágono, citados ontem nos jornais sérios de todo mundo, que declararam terem investido amplamente nos últimos quatro anos na Geórgia e terem errado em deflagrar a ação contra a Ossétia (que, diga-se de passagem, não pertence à Geórgia) subestimando a reação Russa. Como os políticos europeus são mais lógicos, realistas e inteligentes do que a matilha do Texas, Alemanha e França sabiam que cutucar a onça com vara curta (como, por exemplo, admitir a Geórgia na Otan, sonho dourado do Bushinho) não ia dar certo. Alguém se lembra da reação dos EUA aos famosos mísseis em cuba. A única diferença é que os russos em Cuba não invadiram a Flórida, matando a velharia de Miami, enquanto o georgiano entrou na Ossétia no melhor estilo Texas Rangers, matando primeiro e perguntando depois.
Mas a grande piada do dia, merecedora de medalha de ouro, prata, bronze e silício ao mesmo tempo, foi da dona Condoleezza e está na primeira página dos nossos jornais: “A Rússia não pode fazer o que quiser, invadir um país e sair impune”. Há, há, há. Até os iraquianos e os afegãos que ainda não morreram conseguiram rir.
62 João Daltro // 13/August/2008 às 23:16
Entretanto, quando se vê uma burrada tão grande quanto a desse Saakashvili (que raio de nome difícil de escrever) fica com a pulga atrás da orelha, perguntando-se o que está por detrás disso tudo. Os comentários dos jornais de hoje talvez estejam nos dando a resposta: os analistas políticos estadunidenses acham que esta crise vai ajudar a alavancar a candidatura republicana. Paris vale uma missa, disse o Henrique II, feito rei da França. Washington vale alguns mil mortos do outro lado do mundo.
63 r // 14/August/2008 às 3:21
Chis Floyd, barbarizando pra variar:
(sinto não traduzir…)
“As many others have noted, if Georgia had succeeded in its earlier Bush-backed attempts to join the military alliance, NATO’s other members would have been obliged by treaty to wade in on Georgia’s side in this week’s war with Russia. Thus the remarkably foolish decision by Saakashvili to launch a brutal military assault on South Ossetia — provoking a brutal Russian response — could have quickly led to World War III.
(No, wait; it would have been World War V, right? Because the war-whoopers tell us that the Cold War was World War III, and their Terror War is World War IV. But is the War on Drugs in there somewhere? Then that would make the next big thing World War VI, wouldn’t it? It’s so hard to keep up.)”
64 r // 14/August/2008 às 3:22
Chris Floyd, barbarizando pra variar:
(sinto não traduzir…)
“As many others have noted, if Georgia had succeeded in its earlier Bush-backed attempts to join the military alliance, NATO’s other members would have been obliged by treaty to wade in on Georgia’s side in this week’s war with Russia. Thus the remarkably foolish decision by Saakashvili to launch a brutal military assault on South Ossetia — provoking a brutal Russian response — could have quickly led to World War III.
(No, wait; it would have been World War V, right? Because the war-whoopers tell us that the Cold War was World War III, and their Terror War is World War IV. But is the War on Drugs in there somewhere? Then that would make the next big thing World War VI, wouldn’t it? It’s so hard to keep up.)”
65 r // 14/August/2008 às 3:24
ups… fui tentar corrigir, dupliquei…
enfim, a errata é Chris Floyd, e não Chis Floyd
66 anrafel // 14/August/2008 às 9:34
João Daltro,
O staff republicano parece pensar assim. McCain condenou a ação russa certamente instado pelo seu principal assessor para política externa, Randy Scheneumann, um sujeito que foi lobista contratado pelo governo da Geórgia até antes de entrar para a campanha republicana.
67 Felipe // 14/August/2008 às 12:26
A RUSSIA FAZ IGUALZINHO ISRAEL FAZ COM OS PALESTINOS. POBRES COITADOS.
68 Fabio Passos // 14/August/2008 às 19:16
Da série olha só quem está falando…
http://ia311233.us.archive.org/1/items/Georgia-russiaConflict5/GeorgiaRussiaUsNatoOssetiaMoralGrounds.gif
Latuff!
69 Fabio Passos // 14/August/2008 às 19:22
Qualé a desta disputa “olímpica”?
http://ia311333.us.archive.org/1/items/Georgia-russiaConflict4/GeorgiaRussiaUsNatoOssetiaOlympics.gif
… eu me divirto mesmo é com a cara do Tio Sam.
Latuff!
70 Wandard // 15/August/2008 às 12:06
Waldyr,
Gostei dos seus comentários, depois de visitar muitos blogs é o primeiro que encontro um comentário mais centrado e imparcial. Realmente as palavras do cowboy Bush foram interessantes, a força utilizada pelos Russos foi desproporcional, isso me faz lembrar Granada, Panamá, O ataque à Líbia que matou a filha de Kadhafi, O bombadeio de Beirute em 1982, A Somália, Veitnã, Iraque e Afeganistão são os mais conhecidos, fora o apoio às diversas ditaduras sanguinárias, a operação Condor. Realmente os Russos são sempre os vilões ou todos sofrem de cegueira ou falta de memória.
71 CArlos // 15/August/2008 às 22:04
Moro no interior do Paraná, Cascavel, e aqui próximo, no Paraguai temos hoje mais de 70 mil brasileiros (brasiguaios) que foram atraídos ao longo dos anos para ocuparem terras e ajudarem a desenvolver a agricultura naquele país… algumas cidades são quase só de brasileiros… pois bem.. vamos supor que o governo paraguaio passe a ter seu exército “reequipado” pelos USA (como o da Geórgia) e, num determinado momento este exército passe a atacar as cidades onde os brasileiros vivem, avançar sobre suas terras, expulsá-los e por aí vai… o que deveria o Brasil fazer? Entrar lá e proteger os brasileiros? Esperar que a ONU convença os USA a convencer seus aliados a pararem?
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