É hora de rever a Lei da Anistia
Levantado há quase duas semanas pelo ministro da Justiça Tarso Genro, esse não é um debate novo no Brasil. Também não é um debate no qual dê muita vontade de entrar. Na semana passada, passei duas horas conversando com a professora Flávia Piovesan da PUC-SP, uma das maiores autoridades no país em Direito internacional, com ênfase em direitos humanos. A conversa foi publicada, hoje, no caderno Aliás do Estadão. Quando estiver online, publico o link. Tive uma aula.
A questão fundamental, aqui, é tortura. O Chile também anistiou seus ditadores. Como fez a Argentina e tantos outros de nossos vizinhos. E todos reviram a anistia. O Brasil é único na recusa de sequer discutir o assunto. Por que nosso vizinhos reviram a anistia?
Porque tortura não é um crime anistiável.
Quando o Estado, detentor do monopólio do uso da força, tortura sistematicamente pessoas que estão sob sua guarda, comete um crime contra a humanidade classificado junto ao genocídio, à limpeza étnica, à esterilização forçada de mulheres. Não é matéria de opinião. A classificação é jurídica. E crimes contra a humanidade têm uma característica muito específica: nenhum país tem o poder legal de perdoá-los.
O Brasil é signatário da Convenção Interamericana de Direitos Humanos e da Convenção Contra a Tortura da ONU. O resultado prático é que quando qualquer um é torturado no porão de uma delegacia brasileira, seja hoje, seja no tempo da Ditadura, qualquer juiz de qualquer país signatário das convenções pode processar este cidadão brasileiro. Na verdade, se tiver as provas (mesmo que testemunhais) nas mãos, tem a obrigação de processar. Quando um crime contra a humanidade é praticado, todos somos vítimas. É por isto que 13 militares brasileiros são réus em um processo movido em Roma.
Processos assim começarão a aparecer, lá fora e aqui dentro. Há três processos na Justiça brasileira neste momento.
Um é movido pela família Teles, e pede que o Estado reconheça a culpa por torturas às mais bárbaras cometidas contra Amelinha Telles, sua irmã (que estava grávida), e os maridos respectivos. Algumas das sessões de tortura aconteceram na frente dos filhos crianças. Não pede a condenação do coronel Brilhante Ustra, que chefiava o DOI-CODI de São Paulo, mas pede que ele seja apontado como responsável em tribunal.
Outro caso, o mais recente, é do Ministério Público Federal de São Paulo, que lista os casos de vítimas de tortura indenizados pelo governo brasileiro no mesmo DOI-CODI de São Paulo e pede ao coronel Ustra e seu sucessor no comando da instituição que façam o ressarcimento dos cofres públicos pelo prejuízo causado.
Ambos os processos tentam driblar a leitura corrente da Lei de Anistia, jamais testada no Supremo Tribunal Federal, de que a anistia serviu também para a tortura. Não pedem a condenação pelos crimes. A lei diz que estão perdoados os crimes políticos e aqueles ‘conexos’, ou seja, relacionados. Do ponto de vista legal, tortura não é crime político; é crime contra a humanidade.
O terceiro processo quer responsabilizar o Estado brasileiro por não ter investigado o que houve com os guerrilheiros no Araguaia. Este não circula apenas na Justiça do Brasil, ele também foi aceito e está sendo analisado na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA.
E aí está o pulo do gato: a decisão de se a anistia vale para a tortura não depende apenas do que dizem Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros. Após o STF, existe a Comissão e, acima dela, como última instância, a Corte Interamericana de Direitos Humanos. A Lei de Anistia do Peru foi anulada por esta corte.
Do ponto de vista legal, o governo do Brasil pode receber a ordem da Corte Interamericana de anular sua anistia e ignorá-la. Chile, Argentina, Peru, todos nossos vizinhos, têm histórico de acatar as decisões da Corte. Se não o fizer, neste tempo em que até a atrasada África começa a entregar seus ditadores para a Justiça internacional, o Brasil fica mal.
O torturador, cumpre lembrar, não é apenas aquele sargento sádico e desumano nos porões. O torturador segue uma cadeia de comando, que ativa ou passivamente, permitiu a tortura. A Justiça deve chegar aos generais que comprovadamente estavam informados e nada fizeram para evitar.
À direita, cobra-se apenas que seja coerente. Nos EUA, um de seus direitos mais caros é a Segunda Emenda à Constituição. Ela determina que todo homem tem o direito de ter uma arma em casa e resistir à tirania do Estado. Se o Golpe de 1964 veio com o objetivo de organizar o Brasil caótico de João Goulart, não importa. Se havia risco ou não de um Golpe comunista, também é irrelevante. A tirania que existiu foi aquela imposta pelas Forças Armadas Brasileiras que renegaram a Constituição, quebraram a hierarquia pondo-se contra seu comandante em chefe, o presidente eleito da República, suspenderam direitos de todos os cidadãos e seqüestraram o poder por 21 anos.
Qualquer cidadão tinha o direito de pegar em armas se o quisesse para resistir à tirania. Este, sim, é um crime anistiável. Em países como os EUA, sequer é crime. É direito constitucional.
Os torturadores do Brasil enfrentarão a Justiça cedo ou tarde. A única dúvida é se haverá tempo para que a Justiça seja feita com alguns deles vivos.
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Culpa dos blogs.
“Defendemos que tortura não é crime político. Essa interpretação de que queremos colocar militares nos bancos dos réus, que não sei de onde veio, transitou por blogs, espalhou-se pela imprensa e provocou uma situação de desconforto em determinados setores da reserva. A abertura de processos contra militares não foi tratada na audiência e não é da nossa competência”, disse Tarso Genro, ontem, tentando deixar o dito pelo não dito. O ministro que quer revisar a Lei de Anistia parece fazer pouco caso, mas pronunciou a palavra bendita: blog. Obrigado pela parte que “nóis” toca.
chest- coronel coturno
Tarso Genro cagou no pau.
Acho que voce está equivocado…….confundindo luta sindical com organizações clandestinas….mas……
achismo seu.
Civilização não é o default da humanidade. O default é o barbarismo, o default é o massacre, o default é Gaza e Zimbabwe e Complexo do Alemão e Ossétia do Sul e Sudão. É isso o que os esquerdistas de iPod na cintura e keffiyah no pescoço e cartaz contra o Bush na mão não conseguem entender. Para eles a civilização é algo que sempre esteve e sempre estará, que não exije nem esforço nem estudo. Centenas de anos de evolução cultural e tecnológica foram necessários para que esses imbecis pudessem usar esse iPod e reclamar do Bush e achar que socialismo é que é bacana.
mr X
PD, acho que no dia em que o Brasil conseguir criar uma comissão pela verdade e reconciliação (acho que é esse o nome) nos moldes do modelo sul-africano significa que o Brasil terá maturidade suficiente para lidar com o assunto.
Pelas faniquitos daqui vc pode ver que isso ainda vai demandar um tempo.
esse negocio de alimentar pombos dá problema…
http://www.youtube.com/watch?v=DNb_DJ_v1L0
Marcelo Oliveira, obrigado – já corrigi.
Fora do tema — PD
nem as formigas e cupins se organizam tão bem, é o coletivismo em grau extremo.
Gostaria de recomendar um filme
“Batismo de Sangue”
É sobre a participação de frades dominicanos na luta contra a ditadura. Esse filme não teve muita publicidade mas vale muito a pena ver.
Deixo também o link do site para apreciação dos colegas:
http://www.batismodesangue.com.br/site.html
Bom, como sempre a reaçada, que sempre se refere aos defensores dos direitos humanos como “defensores de bandidos”, está defendendo torturadores, estupradores e assassinos. O que é a vida, não é mesmo?
E o pior que são os mesmos mbecis que acusam Lula de querer implantar um estado policial. Vai entender este povo.
E o pior é a resma de desculpas que estes facínoras inventam para relativizar (Ué, isto não era coisa de esquerdista?) as atrocidades que eles fizeram. Uns idiotas falam que isto era coisa de aloprado ou que o outro lado também fazia isto.
Não é “liberal-democrata”? Condena a tortura então pô…
Tem é que criar os comites de “desnazificação” que nem na Alemanha…
O problema da tortura é que ela foi usada contra muita gente inocente. Este foi (foi!!!) o crime.
Gente que era amiga dum primo em segundo grau dum cunhado dum “revoltado” acabou pagando até com a vida. Isso demonstra vilania e principalmente incompetência. Posso até relevar a vilania como infelizmente necessária, mas não admito incompetência de quem quer que seja. Os que investigavam tinham que ser mais eficientes.
Já alegar que “é direito do cidadão pegar em armas para lutar contra a tirania” é meio dúbio e sinceramente um argumento bem fraquinho.
Já na revolução francesa os que derrubaram a Corte tornaram-se sanguinários guilhotinadores e substituiram uma tirania por outra ( e depois entregaram tudo a Napoleão…)
Vai daí que um sujeito cheio das boas intenções revolucionárias tá querendo mesmo é tirar os ditadores da direita para por os ditadores da esquerda no lugar e exemplos históricos sobejam neste aspecto.
Só para incomodar, em Cuba foi ( e é) a mesmérrima situação. Saiu Fulgêncio, entrou Fidel. Sai EUA entra URSS. Mudou pouco, muito pouco.
Excessos aconteceram de parte a parte. Inocentes tombaram de ambos os lados e aí pouco importa se um lado matou ou torturou 10 inocentes e o outro apenas um ou dois. No momento que o primeiro e único inocente foi torturado ou morto, a assassino ou torturador cometeu um crime contra todos.
Mas aconteceu uma anistia.
Se por um lado os militares e civis torturadores usaram a anistia para aquietarem-se, por outro alguns torturados usaram a tortura para galgarem a política e no fim tornaram-se naquilo que quando jovens combatiam com armas. Exemplos não faltam.
Teve uma anistia. Ela é válida. Se justa ou não não interessa. Rediscutir a questão é hipocrisia, é balela revanchista. Beira coisica eleitoral. É vingança e nada mais.
Parece mesmo que “Tortura” será o sinônimo nacional para “Holocausto”. Ciclicamente a questão será retomada não como memória - e deve sim ser sempre lembrada como exemplo a jamais ser seguido -. Daqui uns 50 anos estarão exumando general para levá-lo perante a justiça.
Holocausto já encheu o saco. Até a palavra Holocausto tornou-se uma espécie de “marca registrada” e parece ter sido patenteada por umas facções judias. “Tortura” tá indo pelo mesmo caminho. Volta e meia reviram a estrumeira da história e da estória em busca de cadáveres e cicatrizes. Estão sempre apontando o dedo para fulano ou beltrano com acusações.
Está na hora de manter livre a lembrança e a verdade, não a vingança.
Legal, então é hora do exército largar mão de ser covarde e abrir os arquivos da ditadura.
Pra quem curte de falar em método…
http://www.espacoacademico.com.br/051/51bandeira.htm
Ok Rodrigo.
Que ambos os lados abram seus arquivos então.
Vai ter muita, mas muita merda no ventilador.
Só que muita gente vai ter muito que explicar e algumas destas pessoas que hoje posam de “bons moços” - nem tão moços assim - vão ter que explicar porque hoje fazem e são tudo aquilo que no passado combateram.
Deixa prá lá. Paguem as indenizações e pronto. Aliás, eu cá com meus botões ( mais um zipper e dois velcros) tô achando mesmo que muito mais que a tal “justiça” que estão pedindo, o que querem mesmo é fundamentar argumentações de advogados que pleiteiam indenizações. Sabe como é: é a manobra do ser ruinzinho agora para poder ser bonzinho depois. Quem é advogado - e eu quase fui - sabe do que estou falando.
Ficam nessa do “vamos apavorar”, do “vamos reabrir casos” e por aí afora para rolar um acordo, uma “pressa” em sentenças…
Sabem como é. Advogados são capazes de qualquer coisa.
Ok Rodrigo.
Que ambos os lados abram seus arquivos então.
Vai ter muita, mas muita merda no ventilador.
Só que muita gente vai ter muito que explicar e algumas destas pessoas que hoje posam de “bons moços” - nem tão moços assim - vão ter que explicar porque hoje fazem e são tudo aquilo que no passado combateram.
Deixa prá lá. Paguem as indenizações e pronto. Aliás, eu cá com meus botões ( mais um zipper e dois velcros) tô achando mesmo que muito mais que a tal “justiça” que estão pedindo, o que querem mesmo é fundamentar argumentações de advogados que pleiteiam indenizações. Sabe como é: é a manobra do ser ruinzinho agora para poder ser bonzinho depois. Quem é advogado - e eu quase fui - sabe do que estou falando.
Ficam nessa do “vamos apavorar”, do “vamos reabrir casos” e por aí afora para rolar um acordo, uma “pressa” em sentenças…
Sabem como é. Advogados são capazes de qualquer coisa…
“Qualquer cidadão pode pegar em armas para lutar contra a tirania”
O pessoal das Farcs, o Osama, o ETA e mais uns outros por aí devem seguir ao pé da letra esta frase…
Tirania é quando o poder não nos favorece…
Comment #170
Olha Branca, bem eu suspeito que esse pessoal que relativiza a ditadura brasileira e vem aqui para defender torturador andou se beneficiando dela…
# 169
É isso aí Branca, os milicos estão sentados nos arquivos da ditadura por medo do que o povo vai pensar dos que lutaram contra a ditadura. Pode apostar.
O engraçado é que eu já sei o que fizeram José Dirceu, José Genoíno, Dilma, Frei Tito, Vladimir Herzog e muitos outros durante a ditadura, sei até o codinome de alguns deles. Só que parece que eu não posso saber quem foram os torturadores, seus chefes e quem os financiavam…
Na verdade, o que aconteceu em 64 e posteriormente foi bem mais do que simplesmente tortura: foi a asfixia da democracia, que ainda vivemos hoje.
Os militares foram extremamente “conscientes” ao matar, torturar e combater “terroristas”, mas foram extremamente condescendentes em manter no governo corruptos e ladrões de toda espécie, a pretexto de manter o comunismo fora do Brasil, ou seja: justificaram a manutenção de uma direita corrompida no poder para combater uma ameaça comunista que estava, na verdade, mais entranhada em grupos radicais que jamais teriam condições de comandar o Brasil de fato, visto que não tinham apoio na população daquela época.
Desde o princípio, aliás, se sabe que o brasileiro é um pragmático que aceitaria até mesmo a ditadura comunista por melhores condições de vida - o que não era oferecido pelas guerrilhas, mas sim pelos governantes clientelistas que ainda persistem pelo interior de nosso país; se os militares realmente quisessem mudar esse estado de coisas teriam mandado milhares de corruptos para julgamento sumário e execução ao mesmo tempo que puniam os terroristas de esquerda, coisa que jamais fizeram (porque não era de seu interesse naquele momento).
Em suma: para se combater uma ameaça comunista se criou uma ditadura corrupta, que só fez com que os militares perdessem a confiança da população - e anos depois, o que vemos é um país que tem absoluta fixação por uma honestidade perdida e cujas Forças Armadas ainda confundem reparação com orgulho ferido, o que torna difícil qualquer tentativa de reconciliação com seu passado.
O pragmatismo brasileiro resolveu a questão a princípio, mas ainda fica a dúvida: criar uma ditadura de direita é justificado, por causa da suposta ameaça comunista? Essa é a questão que fica no ar, e que, infelizmente, não será respondida tão cedo pelos que defendem a Lei da Anistia, ou pelos que a combatem.
toda população brasileira, menos umas 10 mil pessoas , se beneficiou do regime militar, se não fosse por ele, teríamos tido um regime ditatorial de esquerda.
Essas 10.000 pessoas se ferraram, enquanto outros 90 milhões se salvaram.
Engraçado, esse mesmo jumento (#173) veio neste mesmo post criticar Cuba por ter tortura e ditadura. Vai entender…
A intenção da tal “revisão” é simples: Colocar os militares que torturaram na cadeia. Os guerrilheiros que torturam e mataram ficaram todos impunes, e ainda receberão um aumento na suas pensões de “perseguidos politicos”.
Achar que a ideia do ministro Tarso Genro é “punir todos que torturaram” é de uma ingenuidade lascada
exact
Quanta injustiça meu deus do céu! Não pode mais nem pau de ararazinho…
não pode nem mais explodir uma bombinha….
O negocio de brasileiro e mesmo cerveja carnaval e foda-se o resto, mesmo que o resto seja viver na vergonha.
gj
Poder não podia, mas o Silvio Frota sempre dava um jeito..
Quando eu vejo gente aqui defendendo a tortura, não deixo de concordar com o gunter…
Para ver o nível de indecência desse povinho, a “defesa” deles é dizer que só havia tortura, estupro e assassinatos para quem fizesse luta armada…
É… a situação já ficou bem evidente.
De um lado temos:
- Comitê de Direitos Humanos da ONU
- Corte Interamericana de Direitos Humanos
- Ministério Público Federal
Todos pedindo o fim da impunidade aos torturadores.
E do outro…
“O grande erro foi ter torturado e não matado.”
Jair Bolsonaro
Os defensores dos torturadores da ditadura estão é morrendo de medo…
Só que a defesa da impunidade a torturadores da ditadura… perpetua a impunidade aos torturadores de hoje.
Só não vê quem não quer…
”
Ministério Públio Federal: É notório que o uso da tortura e da violência como meio de investigação policial ainda hoje pelos aparatos policiais brasileiros decorre em grande medida dessa cultura da impunidade.
A falta de responsabilização dos agentes públicos que realizaram esses atos no passado inspira e dá confiança aos atuais perpetradores.
”
Defender a impunidade aos torturadores de ontem é compactuar com a tortura hoje…
E quando isto é exposto com clareza… eles ficam muito nervosinhos.
Deve ser pela vergonha…
Pois é Fabio, mas para quem defende tortura como método de investigação…
Rodrigo,
E no fundo eles sabem que não passam de covardes.
é por isso que este debate deixa eles inquietados…
Quais são as barreiras reais para este esforço civilizatório, que será punir os crimes de tortura da ditadura?
É que muitos dos que apoiaram o arbítrio e a barbárie institucionalizada ainda estão por aí… fingindo-se de democratas.
Saca só esta…
Ditadura & Mídia & TORTURA…
“
Todo e qualquer o jornalista com um mínimo de imparcialidade e dignidade, e não qualquer baba-ovo de plantão, sabe que a Famiglia Frias cresceu incrustada no poder, como uma máfia servil sob as benesses do regime militar. Sabe que esta empresa não foi condenada – ou mesmo se desculpou – por emprestar sua estrutura para a prisão e tortura de presos políticos. Sabe ainda que não existe vestígio de jornalismo independente neste grupo, manipulado e controlado sob a mão de ferro dos Frias – do velho patrono aos herdeiros.
“
Mino Carta
A mídia corporativa é co-partícepe da ditadura e cúmplice dos torturadores!.
Morrem de medo que este passado vergonhoso seja claramente apresentado aos brasileiros….
Entendo o desejo de VINGANÇA de muitos aqui.
É duro, mesmo, deixar impunes esse bando de SÁDICOS.
No entanto, penso, será que vale a pena uma nação inteira consumir tempo e energia nessa questão de um passado longínquo?
Não sinto firmeza moral nessa turma que está no poder para condenar aquela gente.
Aqui, tenho lido muita gente que parecem ser capazes até de torturar para obter reparação ao mal que sofreram.
Esses facínoras já foram condenados pela história. O que mais poderia ser obtido como reparação?
Forca?
Cadeira elétrica?
Perpétua?
$$$$$?
O que mais?
Justiça.
Outra ótima do Mino Carta…
”
Unicidades nativas
Estou interessado em definir as unicidades nativas em relação aos usos e costumes do resto da humanidade. Então vejamos: o marechal Castello Branco, que comandou o golpe de 1964, é nome de uma rodovia das mais importantes do país. Seria como se houvesse na Argentina uma estrada chamada general Videla. Mas em São Paulo, a saltar sobre o rio Tietê, temos o viaduto general Milton Tavares, dito o Caveirinha, responsável pela consolidação da tortura como instrumento político durante a ditadura fardada. Seria como se na Alemanha houvesse pontes, túneis, praças quem sabe, chamados Himmler. De resto, há brasileiros que se apresentam como democratas convictos, e até hoje dizem revolução em lugar de golpe, aquele de 42 anos atrás. De verdade, depois da escravidão, a maior tragédia da história verde-amarela.
”
Caramba…
Viaduto general Milton Tavares, o Caveirinha.
Punir torturadores é um esforço civilizatório….
É bem mais provável JUSTI$$A, a depender da firmeza moral desse bando que está no poder.
Cansei de pagar essas contas todas.
Esqueça, camarada Fábio!
Camarada GG,
É o Ministério Público Federal que diz:
”
É notório que o uso da tortura e da violência como meio de investigação policial ainda hoje pelos aparatos policiais brasileiros decorre em grande medida dessa cultura da impunidade.
A falta de responsabilização dos agentes públicos que realizaram esses atos no passado inspira e dá confiança aos atuais perpetradores.
”
A verdadeira conta que todos pagamos pela impunidade é essa… a perpetuação da tortura no Brasil como algo normal.
Isto não te incomoda?
O mínimo que tem que acontecer é o desmascaramento de quem era torturador e quem financiava.
O pior que, para nossos “liberais-democratas”, o único direito que as vítimas do regime militar tem é o de ficar quietinho…
“toda população brasileira, menos umas 10 mil pessoas , se beneficiou do regime militar, se não fosse por ele, teríamos tido um regime ditatorial de esquerda.”
Quanta ingenuidade camarada Ches…
Asfixiou-se toda uma geração, destruiu-se a educação crítica e arruinou-se a cultura de um país. Coisa que demora uns 100 anos, no mínimo, para tentar reparar.
Viva o Calypso !!!
Caro Pedro Dória, não sou especialista em direito ou relações internacionais, mas a lição que você diz ter recebido faz pouco sentido para mim. Até onde eu sei os Estados são soberanos na redação da lei e na interpretação do que está escrito. Se existe contradição entre a letra da lei e uma convenção da qual o Estado seja signatário, pode-se corrigi-la alterando a lei ou renegando a convenção. Isso se contradição houver: não é o caso quando se é signatário de uma convenção contra a tortura e se possui uma lei que anistiou a tortura ocorrida em período histórico anterior. A abolição da escravidão em 1888 não viu contradição em tornar a escravidão ilegal e não condenar aqueles que torturaram os escravos antes do advento da abolição. O argumento do Ministro Tarso Genro é de evidente má fé: ele quer reinterpretar a lei, como se o entendimento que se teve dela durante os últimos 20 anos não tivesse existido ou fosse irrelevante. Também não tenho o conhecimento necessário para discutir em profundidade as diferenças entre a democratização no Brasil e em outros países latino americanos, mas tenho um palpite: aqui os governos militares nunca viram sua legitimidade de fato ameaçada pela esquerda militante, ou por aventuras irresponsáveis como a guerra das Falklands (nomear cabe ao vencedor, não?). Cabe dizer, para quem é ainda muito novinho, que a transição brasileira para a democracia foi negociada, e quem definiu os termos do acordo foram os militares. Tancredo Neves foi eleito no colégio eleitoral, instituição criada no ciclo histórico anterior.
Entrevista esclarecedora e imperdível de…
Flávia Piovesan
Professora doutora de Direitos Humanos da PUC-São Paulo e da Universidade de Pablo Olavide, na Espanha.
palhinha…
”
Paulo Henrique Amorim – O que a Comissão Interamericana pode fazer?
Flávia Piovesan – A punição pode condenar o Estado brasileiro, não só a enfrentar esse caso em prol do direito à Justiça dos familiares dos mortos, do direito à verdade e abertura dos arquivos, e pode, inclusive, determinar ao Estado brasileiro que reinterprete, reavalie, revisite a Lei de Anistia, já que ela é absolutamente incompatível com os parâmetros internacionais, já que não há como anistiar tortura, tortura não é um crime político, e, segundo ponto, a tortura é imprescritível. Agora, se a decisão da Comissão for essa e o Brasil não a cumprir, o caso pode chegar à Corte Interamericana, que é um tribunal de Direitos Humanos, da OEA. Daí, esse tribunal, que é uma Justiça regional, poderá condenar o Estado brasileiro.
Paulo Henrique Amorim – E o Brasil pode vir a ser um Estado proscrito.
Flávia Piovesan – Exato…
“
[...] É hora de rever a lei da anistia do Pedro Dória [...]
Só pelo fato da sra. Flávia Piovesan se apresentar como “professora de Direitos Humanos” lhe tira toda credibilidade.
Bem, a anistia beneficiou os dois lados! Quem lembra do ataque no aeroporto dos Guararapes- PE em 66?! Poisé, parece que todos estão esquecidos dos atos de terrorismo que por si só já são “tortura” (psicológica). Tudo bem, vamos punir, todavia todos!! Dilma, Zé Dirceu, Gabeira, Franklin Marins… o que não falta é terrorista que atualmente nos tortura explicitamente!!!!
[...] com a professora Flávia Piovesan sobre este processo. No post que trata da entrevista, está a explicação em detalhes dos objetivos de um grupo de juristas [...]
Tem gente que acha que ser da ‘direita’ é ser mau-caráter. Parece que aqui no Brasil as pessoas confundem as coisas. Ser canalha não é a mesma coisa que ser conservador, não. É hilário. E o pior de tudo: alguém perde com a revisão da LEI a não ser a quem de fato interessa: os torturadores?
-> Recomendo a leitura de Pinochet Effect.
Curioso: esse mesmo governo tão preocupado em rever a anistia ampla geral e irrestrita brasileira é o mesmo que apoia o governo genocida cubano!!
Ética é ética ou se tem ou não. E este governo definitivamente não tem!!!!
Concordo em gênero, número e grau mas…quero que apurem também os crimes cometidos pelo Gabeira, Dilma Roussself, Carlos Mink, Tarso Genro, LULA…ou será que se esqueceram que o Zé Dirceu roubava banco?Se os estrangeiros processar qualquer militar que seja ou pedir sua prisão, o Brasil tem mais é que entregá-lo, pois, estamos em uma Democracia. Agora se Roma pedir somente a prisão de militares, negativo vão arrumar encrenca e pra nós cidadãos comuns. Os militares querem apurar os crimes ocorridos no REGIME MILITAR, tanto querem que a Lei da Anistia foi feita em 1979 Governo Militar mas, também querem que seja julgados os Roubos a Bancos, sequestros, assassinatos de SENTINELAS DOS QUARTÈIS. Se os terroristas de esquerda estavam lutando para livrar o Brasil da “ditadura” vamos nos lembrar que quem pediu para as Forças Armadas assumirem foi o panelaço no Rio de Janeiro. Quem quebrou qualquer relação com o Estado, e com as Forças Armadas, foi o João Goulart. Assistiram Olga Bebário Prestes? Quem ela era?Respondo. Ela era Oficial do Exército Soviético. E para que ela estava aqui?Para junto com os Comunistas, empurrar goela abaixo do cidadão brasileiro, o Socialismo de Stalin e Lênin. O Presidente da República é comandante em Chefe das FArmadas, mas estas tem um chefe maior, o ESTADO Brasileiro. As FORÇAS ARMADAS servem ao ESTADO BRASILEIRO e defendem a Constituição. Mudar a política de Estado merece uma resposta a altura, e ao meu ver defendendo a Pátria e a Constituição Brasileira, as Forças Armadas Brasileiras podem fazer o uso POLÌTICO da tortura, pois, a sobrevivência do ESTADO é mais importante do que a integridade de física e moral de qualquer cidadão que venha a colocar a ordem Contitucional e a sobrevivência da Democracia e do p´roprio Estado, por Força das Armas. Lembre-mos que, somente o Estado tem o monopólio da Força para coagir quem quer que seja para respeitar a ordem jurídica.Os estrangeiros tem é que cuidar deles, péssimo texto, só ajuda a acender um revanchismo que só vai fazer com que o Brasil volte no tempo e pare nele.
[...] A Lei da Anistia deve ser revista? Sim:http://pedrodoria.com.br/2008/08/10/e-ho… [...]
È realmente o testo de Pedro Doria, mexeu com muita gente, se fosse ao contrário, assim como alguns comentariastas disseram, (ou seja, que o testo é ruim e sem valor, para nossa época), não teria recebido 205 agora 206, comemntários né? Foi Militar nos anos 70 e sei muito bem o que se passava ha época.
Esse assunto realmente faz com que as pessoas queiram discutir, hoje em nosso meio o que mais encontramos, são pessoas individualistas que olham apenas para si mesmas, é facil para a maioria querer esquecer esse assunto,pois não são familiares deles que sumiram, foram torturados, jogados em covas como indigentes, nao sei o que se passou naquela época, pois não estava la para presenciar, mas uma coisa é certa quem errou tem que pgar por seu atos, como queremos mudanças no mundo de hoje se não concertarmos o passado, como iremos punir torturadores, assassinos, bandidos, se em nosso próprio passado há uma lei que defende esse tipo de gente, só por que envolve gente do governo? Os arqueivos devem ser abertos sim, os culpados devem ser punidos e nós devemos olhar para tras e sentir orgulho de que a justiça foi feita, pois pessoas morreram tentando defender nossos direitos, os quais temos hoje, por isso devemos deixar de ser mesquinhos e tão indidualistas. Se queremos um futuro melhor temos que concertar esse passado tão sujo e mal resolvido em nossa história.
Fala, pedro Doria! Blz?
Realmente esse é uma tema muito polêmico, mas creio que o Brasil terá o mesmo destino daqueles países cujos casos foram enviados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos à Corte Interamericana de Direitos Humanos, ou seja, será condenado a revisar a legislação, bem como a investigar e sancionar os torturadores e, ainda, a reparar devidamente as vítimas.
Só devemos tomar cuidado com relação a alguns termos técnicos, como, por exemplo ao afirmar que a Comissão está acima do STF ou a Corte acima da Comissão, como última instância ou, ainda, “que a Corte anulou a legislação do Peru”.
A Corte não tem competência para “anular” nada. Tampouco é hierarquicamente superior à Comissão, ou a qualquer tribunal interno dos Estados. Ela ordena que o Estado anule uma decisão ou revogue determinada lei ou, ainda, adote uma legislação pertinente e de acordo com os instrumentos internacionais em relação a determinado assunto. Logo, quem anula é o órgão interno do Peru, provavelmente a Corte Constitucional do peru (não sei exatamente o nome).
Quanto à Comissão e a Corte, inexiste também hierarquia, pois ambos são órgãos independentes e com funções um tanto diferentes. É a Comissão quem decide quando um caso deve ser enviado à Corte.
Assim, não há hierarquia na medida em que a Convenção Americana de Direitos Humanos e todos os instrumentos internacionais de proteção dos direitos humanos têm caráter subsidiário, coadjuvante e complementar a proteção dos direitos humanos no direito interno dos países. (basta olhar o pré-âmbulo da Convenção Americana sobre Direitos Humanos)
Por fim, é isso!
Admiro muito o seu trabalho e espero que contine suscitando estes debates.
Abraço!